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sábado, 9 de julho de 2011

A partir do de hoje há mais um país no Mundo: o Sudão do Sul

Hoje nasce um novo país em África: o Sudão do Sul. O nascimento do Sudão do Sul é o resultado do referendo de Janeiro passado, previsto nos acordos de paz de 2005, que puseram fim a cinco décadas de conflito e duas de guerra contínua. Cerca de 99 por cento dos eleitores votaram pela secessão. E ontem o agora já velho Sudão, com capital em Cartum, tomou a dianteira e quis ser o primeiro país a reconhecer o novo Estado. 

No entanto, o Sudão do Sul nasce num ambiente incerto em que a alegria da independência é acompanhada pela  apreensão relativamente ao futuro deste novo país. Eis alguns dados que permitem compreender esta incerteza:

- a  indefinição do traçado fronteiriço em algumas zonas;

- a falta de um acordo sobre a repartição das receitas petrolíferas cuja produção se concentra maioritariamente no Sul mas são escoadas pelo Norte;

- a ausência de entendimento sobre estatuto dos cidadãos do Sul que residem no Norte são dossiers por resolver;

-  os índices de mortalidade infantil, saneamento básico, educação e insegurança alimentar mostram que o Sul mais fértil e rico ficou muito para trás no desenvolvimento em relação ao Sudão do Norte, apesar de ser aí que se concentram as maiores riquezas;

- uma em cada sete mulheres morre de problemas de gestação ou parto;

- 85 por cento dos adultos são analfabetos;

- 90 por cento dos quase dez milhões de habitantes vivem com menos de um dólar por dia;

- as divisões étnicas no seu seio -  no Sul, um verdadeiro mosaico étnico, a paz está longe de ser um dado adquirido: mais de 2360 pessoas foram mortas em disputas internas desde o início do ano.

- a violência das últimas semanas em zonas como o disputado enclave de Abyei, onde em Janeiro não foi possível realizar o previsto referendo local sobre a pertença ao Norte ou ao Sul;

- os confrontos que rebentaram no último mês no Kordofan do Sul, estado do Norte, criaram uma situação explosiva;

- a guerra é uma ameaça latente e permanente;

- a corrupção no Movimento de Libertação Popular do Sudão (SPLM, sigla inglesa).

Segundo o Público on line de hoje, "o presidente do até aqui Sudão único, Omar al-Bashir, tem temperado as declarações de apaziguamento com palavras mais duras, num registo em que parece querer conciliar a tentativa de agradar à comunidade internacional - a retirada da lista norte-americana de Estados que apoiam o terrorismo e as promessa de ajuda financeira são os estímulos mais óbvios - com a necessidade de satisfazer os sectores do regime que temem a perda de grande fonte de receitas do Estado, cerca de 37 por cento, e vêem na separação do Sul um precedente que outros movimentos secessionistas do país poderão tomar como exemplo.  É preciso não esquecer que o velho Sudão era um país onde Arábia e África, islão e cristianismo, se encontram, tornando-o palco de tensões, confrontos e perseguições étnicas".

Será que este novo país é viável? Tenho muitas dúvidas. O tempo o dirá.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Paul Rusesabagina: o Homem por detrás da personagem de Don Cheadle em Hotel Ruanda



Paul Rusesabagina (nascido a 15 de Junho de 1954) é um cidadão de Ruanda internacionalmente reconhecido pela sua actuação humanitária durante o Genocídio de Ruanda em 1994.

Paul era da etnia hutu enquanto sua mulher era da etnia tutsi. Durante os combates abrigou a sua família no hotel Les Mille Collines em Kigali, de propridade do grupo belga Sabena, onde era gerente. Com a saída dos hóspedes do hotel, Paul abre-o aos refugiados, salvando assim mais de 800 pessoas.

A história de Paul Rusesabagina ficou internacionalmente conhecida quando foi retratada no filme Hotel Ruanda de 2004, numa actuação de Don Cheadle nomeado ao Óscar.

Em 2005 recebeu do presidente americano George W. Bush a "Presidential Medal of Freedom" dos EUA.

Atualmente vive em Kraainem, na Bélgica com sua esposa Tatiana, seus filhos e seus sobrinhos, onde montou uma empresa de transportes.

De seguida podem ver alguns vídeos sobre a figura de Paul Rusesabagina.





sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O filme "Hotel Ruanda" e o genocídio do Ruanda

Na próxima segunda feira, 13 de Dezembro será  exibido na Videoteca da Escola o filme "Hotel Ruanda" que relata oum dos acontecimentos mais monstruosos que a humanidade viveu nas últimas décadas.

De seguida podem ver um artigo de Bruno Amorim sobre o conflito do Ruanda que ocorreu em 1994.

Foi no dia 6 de Abril de 1994, que a humanidade assistiu a um dos maiores horrores de que há memória. No Ruanda, tensões étnicas entre os hutu e os tutsi deram origem à violência e ao vasto derramamento de sangue, em sequência do agravamento de um conflito de décadas.No início da década de 90, o conflito entre as duas tribos (hutu e tutsi) aumentava a cada minuto. Até que a 6 de Abril de 1994, a morte dos Presidentes Juvenal Habyarimana, do Ruanda, e Cyprien Ntaryamira, do Burundi, num inexplicável acidente de avião, quando este se aproximava de Kigali (capital do Ruanda), significou o acender do rastilho de uma guerra civil muito sangrenta.

Os extremistas hutu usaram o acidente como pretexto para chegarem ao poder e tentaram aniquilar a população tutsi e os hutu moderados. Resultado: entre Abril e Julho de 1994, morreram mais de 800 mil pessoas, no maior genocídio que alguma vez aconteceu em África.

O genocídio levou ao êxodo massivo da população tutsi que não tinha outra alternativa senão fugir do país. Calcula-se que mais de dois milhões de ruandeses abandonaram o território, procurando refúgio em países vizinhos e que dentro do país, o deslocados foram mais de 1,5 milhões de pessoas. A guerra civil afectou directamente mais de metade da população ruandesa que tinha cerca de sete milhões de habitantes.

O jornalista da TSF, Emídio Fernando, esteve no Ruanda em Fevereiro de 1996, e contou ao JornalismoPortoNet aquilo que encontrou: “no Ruanda pude presenciar a um êxodo bíblico de pessoas a entrar e sair no país assim que os tutsi chegaram ao poder". Segundo o jornalista, “nessa altura os tutsi tentaram vingar-se do que os hutu lhes fizeram durante o genocídio".

Sem condições sanitárias suficientes, milhões de refugiados ruandeses morreram vítimas de doenças como a cólera e a sida.

 

Dez anos depois…

 

Dez anos passaram e a memória do genocídio ainda está bem presente nas mentes de todos os ruandeses, sejam eles hutus ou tutsis. O repórter revela mesmo que as feridas do massacre estão bem presentes: “não conheci uma única pessoa no Ruanda que não tivesse tido um familiar morto à catanada".

O Ruanda é um país traumatizado pela guerra civil, destruído na maior parte das suas infra-estruturas sociais, económicas e políticas que tenta agora recuperar. No entanto, a reconciliação étnica é algo em que Emídio Fernando não acredita. “Os hutus e os tutsi não se misturam e assim é difícil que se consiga estabelecer uma democracia".

Outro problema que afecta a população ruandesa é a Sida. A doença tem-se propagado por todo o continente africano, no entanto, tem tido maior incidência na região dos Grandes Lagos, onde também se encontra a República do Ruanda. “A Sida é um problema muito grave, pois até as classes dirigentes, pessoas que realmente fazem funcionar um país, foram atingidas pela doença. Assim, o futuro de países como o Ruanda encontra-se muito indefinido", disse Emídio Fernando.

Bruno Amorim, 06.04.2004
Fonte: http://jpn.icicom.up.pt/2004/04/06/genocidio_no_ruanda_foi_ha_10_anos.html


Podem visionar a seguir um vídeo com o trailer do filme "Hotel Ruanda", de 2004, dirigido por Terry George e interpretado por Don Cheadle, Nick Nolte, Joaquin Phoenix, Desmond Dube e Sophie Okonedo. O filme é uma co-produção de Itália, Reino Unido e África do Sul, e relata a história real de Paul Rusesabagina, que foi capaz de salvar a vida de 1268 pessoas durante o genocídio de Ruanda em 1994. Logo depois das primeiras exibições, sua história foi imediatamente comparada com a de Oskar Schindler.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Músicas da África do Sul: Miriam Makeba, Ladysmith Black Mambazo e Miriam Makeba

No dia em que o Mundial de Futebol dá o seu pontapé de saída, partilho convosco uma pequena selecção de músicas oriundas da África do Sul. Fiquem, sucessivamente, com os Ladysmith Black Mambazo (Homeless), Vusi Mahlasela (Miyela Afrika) e a grande Miriam Makeba (Pata Pata). Esta última canção já passou por este blogue no ano passado.





sexta-feira, 12 de março de 2010

Parque Nacional de Arusha, Tanzânia


A propósito do livro de Paul Therroux, referenciado no post anterior, fiquem com uma foto da National Geographic de um casal de girafas no Parque Nacional da Arusha, na Tanzânia. Belíssimo!...

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Golpe de Estado no Níger


A junta militar revelou que o Presidente está detido numa guarnição militar (Reuters TV)



Mais um golpe de Estado num país africano. Agora é a vez do Níger, um dos países mais pobres do Mundo. O Níger é um país africano, limitado a norte pela Argélia e pela Líbia, a leste pelo Chade, a sul pela Nigéria e pelo Benim e a oeste pelo Burkina Faso e pelo Mali. Capital, Niamey. Em 2007, o Níger foi avaliado pelas Nações Unidas como o país com o mais baixo IDH de um conjunto de 182 países (0,340).


Vejam a notícia publicada hoje no Público on line:


União Africana e França condenam golpe no Níger

O presidente da Comissão da União Africana, Jean Ping, e a França condenaram a “tomada do poder pela força” e pediram diálogo e um “regresso rápido à ordem constitucional” no Níger, onde ontem militares prenderam o Presidente, Mamadou Tandja, e prometem restaurar a democracia.

Na capital do país, Niamey, os militares mantêm hoje veículos blindados na zona da cidade, praticamente vazia, onde estão o palácio presidencial, ministérios, residências oficiais e o estado maior do Exército. Nos bairros populares a situação é próxima do habitual, com muita gente na rua.

Ontem à noite, após um golpe que provocou pelo menos três mortos e cerca de uma dezena de feridos, um porta-voz do “Conselho Supremo para a Restauração da Democracia” (CSRD) anunciou a suspensão da Constituição que Tandja, após dez anos de presidência relativamente calma, fizera aprovar no ano passado para se manter no poder. Após essa iniciativa, a União Europeia suspendeu a ajuda ao desenvolvimento e os Estados Unidos adoptaram sanções diplomáticas e económicas.

O golpe foi liderado pelo coronel (e não major, como inicialmente referido) Abdoulaye Adamou Harouna, mas a junta militar que detém o poder é, segundo a Reuters, chefiada pelo major Salou Djibo. A figura mais conhecida da junta é o coronel Dijibrilla Hima Hamidou, conhecido como “Pelé”, comandante da mais importante região militar do Níger, que em 1999 participou na acção militar que abriu caminho às eleições que levaram Mamadou Tandja à presidência.

Segundo a AFP o Presidente está detido numa guarnição militar a cerca de duas dezenas de quilómetros da capital.


Fonte: http://www.publico.pt/Mundo/uniao-africana-e-franca-condenam-golpe-no-niger_1423481

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Os 50 anos da descolonização africana - África tem futuro?



Descolonização africana


Este ano faz 50 anos que começou a grande vaga da descolonização africana. Passados 50 anos a "desilusão" é dos termos mais usados quando é analisado o percurso dos países africanos que em 1960 se tornaram independentes. Meio século depois, acredita-se que o continente tem perspectivas, mas "ainda vai levar tempo". Vejam o artigo do jornal Público de hoje sobre o assunto, focando os problemas de subdesenvolvimento e reflectindo sobre o futuro deste continente.


O ano em que começou um futuro ainda por cumprir

Num dos primeiros dias de Julho de 1960, Mason Sears, durante anos representante dos Estados Unidos na Comissão de Curadorias das Nações Unidas, organismo vocacionado para a descolonização, limpou a secretária e apresentou a demissão. "Em África", disse, "o nosso trabalho está feito. Acabou." O tempo e os factos mostraram que não era assim, mas o episódio ilustra o ambiente de entusiasmo geral sobre o futuro dos países que se tornavam independentes. Meio século depois, a maior parte tem por cumprir os sonhos que nortearam a luta contra o colonialismo.

A consciência de missão cumprida de Sears explica-se pela vaga descolonizadora no que ficaria conhecido como o "Ano de África": em 1960 o mundo via nascer 17 novos países, 14 deles antigas colónias francesas. "Desilusão" e "frustração" são hoje os termos mais comuns nas descrições sobre o caminho percorrido.

"É preciso ser franco. [O balanço] está longe de ser agradável. Não falo sequer de democracia, mas de bom governo. A China não é democrática, mas avança. Outros países, como a Coreia do Sul ou a Malásia, desenvolveram-se sem democracia no início. A diferença? Dirigentes esclarecidos... Podemos considerar que as grandes potências, que nos impuseram muitos diktats, não ajudaram. Que o Ocidente tem a sua quota de responsabilidade. Mas os principais responsáveis somos nós", disse numa recente entrevista à revista Jeune Afrique o gabonês Jean Ping, presidente da Comissão da União Africana.

No final da II Guerra Mundial, em África, apenas Etiópia, Libéria e Egipto eram independentes e quando os anos 1950 chegaram ao fim ainda só se lhes tinham juntado Líbia, Marrocos, Sudão, Tunísia, Gana e Guiné-Conacri. Mas a vaga de independências de 1960, principalmente de colónias francesas, mostrou que a tendência era irreversível.

Logo a 1 de Janeiro tornaram-se soberanos os Camarões franceses, que no ano seguinte se unificariam com os britânicos. Em Abril foi a vez do Togo. E em Junho aconteceu o mesmo com a Federação do Mali e depois com Madagáscar. Em três semanas de Agosto surgiram nove países francófonos, incluindo o Senegal, que só convivera dois meses com o Mali após o corte com a metrópole, que ainda vivia a ressaca da derrota na Indochina e estava a braços com a insurreição argelina. Já em Novembro a Mauritânia separava-se do colonizador, pondo fim ao sonho alimentado por De Gaulle, referendado em 1958, de uma "comunidade": os estados autónomos tornavam-se soberanos, ainda que em muitos casos a influência de Paris se prolongasse por décadas.

Também em 1960 o Reino Unido abriu mão da Nigéria e do território que, com uma colónia italiana, deu origem à Somália. A Bélgica viu-se forçada a deixar o Congo. Num ápice, o mapa de África mudava.

A fragilidade das metrópoles evidenciada pela II Guerra, a descolonização asiática e as pulsões nacionalistas deram aos movimentos independentistas uma dinâmica que quase só o regime autoritário português contrariava. "Não percam tempo a convencer-me do princípio da independência. Há acordo sobre isso", dizia, em Abril de 1960, citado pela revista Time, o ministro de assuntos coloniais britânico, Iain MacLeod, a delegados da Serra Leoa, que seria independente no ano seguinte.

Bons e maus começos

Alegria e salvas de tiros saudaram as independências e há boas histórias, como a do Senegal, onde a democracia fez caminho ainda que sob ameaça constante de guerra em Casamansa. Ou o Benim, com um passado de golpes mas hoje uma democracia tida como estável, embora sofrendo de subdesenvolvimento e tensões. O Gabão é também sinónimo de estabilidade, mas de uma estabilidade associada ao autoritarismo. A Costa do Marfim, com um começo próspero e sem convulsões, caiu na violência e na guerra civil após a morte do primeiro Presidente, Houphouët-Boigny, em 1993. Mesmo países com importantes recursos, como a Nigéria, têm vivido em instabilidade.

Nalguns lugares o nascimento dos países foi acompanhado com preocupação. Aconteceu nos Camarões, que viveram o primeiro dia de independência com metade do território sob estado de emergência. Na República Democrática do Congo, o ex-Congo belga, a ruidosa violência de 1960 era apenas o prenúncio de uma história de guerras, golpes, corrupção e pobreza, que se reproduziu, em escalas diversas, noutras paragens. Em vários casos, à libertação sucederam-se décadas de ditadura. O caso extremo de fracasso será a Somália, onde o caos substituiu o Estado desde 1991.

"O panorama actual dos países chegados à independência em 1960 é bastante frustrante", diz Alexander Keese, professor do Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto. "Não há desentusiasmo. Há sim uma fortíssima frustração", afirma Eduardo Costa Dias, do Centro de Estudos Africanos do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE). "Há desilusões profundas, mas outra coisa é dizer que o futuro será sempre assim", refere Adelino Torres, do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG).

A falta de desenvolvimento, as guerras e o défice de democracia são, para o professor do ISEG, os grandes problemas dos países que há 50 anos - e nos anos anteriores e seguintes - ascenderam à independência. E, no entanto, em 1960, o futuro parecia risonho. "O início foi caracterizado por um optimismo total, nos próprios países e nos Governos da Europa Ocidental e dos Estados Unidos, e, em muitos casos, [vendo de modo] retrospectivo, um pouco absurdo. Esperava-se um progresso económico nítido, com fundamento nas teorias de modernização, que preconizavam um ritmo próprio de evolução económica e um rápido sucesso baseado na agricultura de exportação", afirma Alexander Keese. As "tendências para a monocultura e um dirigismo económico inflexível", bem como uma "tradição burocrática pesada" e uma herança "administrativa repressiva" do período colonial são outros problemas identificados por este investigador.

Do ponto de vista económico, afirma Adelino Torres, os países africanos seguiram uma estratégia que se revelou errada e que, na maioria dos casos, se ficou pela "industrialização" para "substituição de importações". A queda dos preços das matérias-primas - " se a Costa do Marfim tivesse [hoje] de repente o cacau ao preço de 1980 pagava a dívida externa" - é outra condicionante apontada pelo professor de Economia, para quem, apesar de todas as dificuldades, "África deu um salto à velocidade da luz entre a economia primitiva e a economia de mercado".

Novas dependências

Alexander Keese considera que "no âmbito social e político, na grande maioria dos países, estabeleceram-se sistemas clientelistas e muitos grupos e regiões ficaram excluídos". "Quase tudo foi permitido, não havia nenhuma pressão [externa] para os novos Governos manterem estruturas democráticas", acrescenta. Com outras palavras, Costa Dias vai no mesmo sentido ao referir "a manutenção do mesmo tipo de aparelho de Estado" do período colonial, servido por pessoal político que privilegia tanto a "apropriação como a distribuição por interesses pessoais".

O continente africano sofreu por ter sido um palco "onde os dois blocos [ocidental e soviético] se digladiaram", lembra o investigador do ISCTE. Hoje, refere, vive uma situação de "neocolonialismo, que não tem a ver só com as antigas potências, mas também com as potências emergentes - por razões de negócio mas também de procura de apoio para alterar o seu estatuto internacional - e com as instituições internacionais, que impõem medidas económicas e sociais".

O professor da Universidade do Porto destaca o "grande interesse" das populações pelos processos eleitorais. Mas entende que a esperança de "melhores estruturas de governo diminui com o aparecimento de novos parceiros" pouco interessados em "políticas democráticas de qualidade e no respeito pelos direitos humanos". O caso que aponta é o da China, que promete "investimentos, sem incómodos com perguntas sobre direitos humanos". "Estes investimentos permitirão a elites habituadas a estruturas autoritárias manterem e reforçarem o seu controlo - e as oposições a estas tendências exprimem-se na organização de rebeliões armadas e na fragmentação de Estados", alerta.

Mais optimista, Adelino Torres considera "completamente errada" a concepção de que a democracia é impossível no continente. O professor do ISEG cita o Prémio Nobel Amartya Sen para dizer que o diálogo tem ali uma tradição milenar e defende que, "embora o factor étnico exista, ele não é a origem principal [dos problemas], a origem é política e usa os factores étnicos para promover ambições". "Sou optimista, mas a longo prazo. Porque neste momento há muitas dificuldades - crise global, dívida externa, dificuldades em exportar, dificuldades de desenvolvimento. Só vemos guerras e sida. Mas África é um continente extremamente criativo. E com grande futuro, mas ainda vai levar tempo", afirma.

Uma população que, no fim do ano passado, chegou aos mil milhões de pessoas e o aumento do número de jovens com capacidades técnicas e científicas são factores que, segundo Adelino Torres, permitem encarar com esperança o futuro. A abertura de mercados na Europa e Estados Unidos seria uma ajuda importante, mas essa é uma "questão delicada" para os Governos ocidentais, por motivos internos, reconhece o académico. A integração regional é, do seu ponto de vista, uma via para o desenvolvimento, por poder dar capacidade de sobrevivência aos mercados internos e uma voz mais forte ao continente no âmbito global.

"Somos severos, e temos razão para o ser, em relação à orientação política desde as independências, mas também não temos que ser tão severos. A Europa para chegar à democracia demorou séculos", considera Adelino Torres. Também para Costa Dias - que vê como positivo o "desenvolvimento de uma opinião pública", o crescimento populacional e "o orgulho de ser africano" - "50 anos é nada".

De que precisa, afinal, África, hoje? "De unidade. De outro modo, ficaremos condenados a ver o mundo mudar sem nós", respondia Jean Ping, em vésperas da cimeira da União Africana, no fim de Janeiro.

Fonte: http://jornal.publico.clix.pt/noticia/13-02-2010/o-ano-em--que-comecou-um-futuro--ainda-por-cumprir-18783889.htm

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Fragata portuguesa enfrenta piratas na Somália

A fragata portuguesa Álvares Cabral impediu há dias (19/11) um ataque de piratas ao largo da Somália, numa operação que permitiu deter temporariamente e identificar cinco suspeitos. A operação foi desencadeada depois de um cargueiro ter pedido socorro quando se encontrava a 110 milhas náuticas a norte de Bosaso, principal cidade portuária de Puntland, região autónoma somali. A fragata portuguesa assumiu o comando da operação, realizada com apoio de um avião de patrulha espanhol, a quem coube verificar o local do ataque.
Enquanto a fragata Álvares Cabral interceptava a lancha dos piratas, um helicóptero Lynx levantou do navio português para forçar a paragem da embarcação. Quando os fuzileiros portugueses se aproximaram , os piratas lançaram ao mar armas e outros equipamentos.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Guiné Conacri: Governo rende-se aos rebeldes


O primeiro-ministro da Guiné Conacri, Ahmed Tidiane Souaré, e vários dos seus ministros, entregaram-se hoje aos revoltosos que puseram em marcha um golpe de Estado após a morte do Presidente Lansana Conté, na terça-feira. O chefe do Executivo e cerca de 30 membros do seu gabinete encontraram-se com o capitão Moussa Dadis Camara, que se auto-proclamou ontem o novo Presidente do país, numa base militar da capital. O capitão Camara terá prometido aos membros do governo a sua segurança, pedindo-lhes igualmente que colaborem com o novo regime, que ficará em funções – de acordo com Camara – até que se possam levar a cabo novas eleições, prometidas para 1010. Os golpistas indicaram igualmente que a junta tem apenas como missão evitar uma guerra fratricida e liderar "um acto cívico para terminar com a angústia do povo". Citado pela Radio France Internationall, Camara garantiu igualmente não querer apresentar-se como candidato. "Não tenho a ambição de ser candidato às eleições presidenciais", disse. "Nunca tive a ambição do poder", acrescentou. O primeiro-ministro permanecia em paradeiro desconhecido desde a madrugada de terça-feira, apesar de ter mantido o contacto telefónico com os meios de comunicação social dizendo que o seu governo mantinha o controlo do país, embora simultaneamente tenha pedido à comunidade internacional que evitasse o êxito do golpe militar. Os Estados Unidos exigiram hoje um "regresso imediato à ordem civil" e rejeitaram o comunicado dos militares golpistas prometendo eleições em Dezembro de 2010". "Exigimos que sejam respeitados os direitos fundamentais de todos os cidadãos e particularmente os do primeiro-ministro e dos membros do seu governo", acrescenta o texto, emitido pela embaixada americana em Conacri. As Nações Unidas, a União Europeia e a União Africana também já condenaram, nas últimas horas, o golpe militar ocorrido no país. Os soldados que organizaram o golpe, que se auto-intitulam Conselho Nacional para a Democracia e o Desenvolvimento (CNDD), não encontraram oposição no seu controlo da capital, três dias após a morte de Conté, por doença. A junta indicou igualmente, ontem à noite, ter substituído os governadores regionais designados por Conte por comandantes militares. Conacri permanecia hoje uma cidade tensa, com a maioria das lojas fechadas, mas com os vendedores ambulantes a trabalharem com normalidade. Cerca de 53 por cento dos guineenses vivem abaixo do limiar mínimo da pobreza. Várias organizações não-governamentais denunciam há anos a corrupção e a “gestão calamitosa” que se vivem no país, apesar da riqueza em ferro, ouro e diamantes que jaz no subsolo. (Público, 25.12.08)


Fonte: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1354141

Mais um golpe militar num país africano! Será que este continente vai alguma vez estabilizar politicamente?

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Prisão perpétua para genocida ruandês


Sentença - Tribunal Penal Internacional Para o Ruanda

O antigo coronel ruandês Théoneste Bagosora, considerado o principal instigador do massacre de 800 mil pessoas no Ruanda, em 1994, foi ontem condenado a prisão perpétua por genocídio, crimes contra a Humanidade e ainda por crimes de guerra pelo Tribunal Penal Internacional para o Ruanda.

Bagosora, de 67 anos, era na altura dos massacres director do Ministério da Defesa do Ruanda e foi ele quem assumiu o controlo político e militar do país após o assassinato do presidente Juvenal Habyarimana, a 7 de Abril de 1994. Nesse mesmo dia, o Exército e as milícias hutus saíram para a rua e começaram a matar indiscriminadamente civis da minoria tutsi e hutus moderados, numa orgia de violência que só terminou cem dias e 800 mil mortos depois.

O Tribunal Penal Internacional para o Ruanda, estabelecido pela ONU em 1996, considerou provado que Bagosora e mais dois antigos responsáveis militares – o coronel Anatole Nsegiyumva e o major Aloys Ntabakuze – planearam com antecedência toda a sequência de eventos que conduziu aos massacres, como a criação e treino das milícias Interahamwe, responsáveis por grande parte das atrocidades. Um ano antes da matança, o próprio Théoneste Bagosora abandonara furioso as negociações de paz que decorriam na vizinha Tanzânia dizendo que ia "preparar o apocalipse". O antigo responsável ruandês foi ainda condenado por ter ordenado o assassinato da primeira-ministra Agathe Uwilingyimana e dos dez capacetes azuis belgas que a protegiam.

O advogado do ex-coronel afirmou que o seu cliente "nunca mandou matar ninguém" e assegurou que tenciona apresentar recurso da sentença.

PERFIL

Théoneste Bagosora fugiu do Ruanda depois de orquestrar o massacre de 800 mil pessoas, mas foi preso dois anos depois nos Camarões. Educado catolicamente, estudou num seminário antes de entrar para o Exército.

SAIBAM MAIS

MORTE DE HABYARIMANA

A morte do presidente ruandês – o seu avião foi abatido por um míssil – foi o catalisador que despoletou a onda de violência.

100 dias foi quanto durou o pesadelo no Ruanda. Perante a indiferença do Mundo, mais de 800 mil pessoas morreram.

42 suspeitos de crimes de guerra foram julgados desde 1997 no Tribunal Penal Internacional para o Ruanda, sediado em Arusha, na Tanzânia. Trinta e seis foram condenados. (Correio da Manhã)

Fonte: http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?contentid=DA922FAB-0CE0-46DA-A353-8519521EF187&channelid=00000091-0000-0000-0000-000000000091


Finalmente, os principais responsáveis pelo genocídio do Ruanda foram julgados e condenados!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Genocídio do Ruanda

Foi no dia 6 de Abril de 1994, que a humanidade assistiu a um dos maiores horrores de que há memória. No Ruanda, tensões étnicas entre os hutu e os tutsi deram origem à violência e ao vasto derramamento de sangue, em sequência do agravamento de um conflito de décadas.No início da década de 90, o conflito entre as duas tribos (hutu e tutsi) aumentava a cada minuto. Até que a 6 de Abril de 1994, a morte dos Presidentes Juvenal Habyarimana, do Ruanda, e Cyprien Ntaryamira, do Burundi, num inexplicável acidente de avião, quando este se aproximava de Kigali (capital do Ruanda), significou o acender do rastilho de uma guerra civil muito sangrenta.
Os extremistas hutu usaram o acidente como pretexto para chegarem ao poder e tentaram aniquilar a população tutsi e os hutu moderados. Resultado: entre Abril e Julho de 1994, morreram mais de 800 mil pessoas, no maior genocídio que alguma vez aconteceu em África.
O genocídio levou ao êxodo massivo da população tutsi que não tinha outra alternativa senão fugir do país. Calcula-se que mais de dois milhões de ruandeses abandonaram o território, procurando refúgio em países vizinhos e que dentro do país, o deslocados foram mais de 1,5 milhões de pessoas. A guerra civil afectou directamente mais de metade da população ruandesa que tinha cerca de sete milhões de habitantes.
O jornalista da TSF, Emídio Fernando, esteve no Ruanda em Fevereiro de 1996, e contou ao JornalismoPortoNet aquilo que encontrou: “no Ruanda pude presenciar a um êxodo bíblico de pessoas a entrar e sair no país assim que os tutsi chegaram ao poder". Segundo o jornalista, “nessa altura os tutsi tentaram vingar-se do que os hutu lhes fizeram durante o genocídio".
Sem condições sanitárias suficientes, milhões de refugiados ruandeses morreram vítimas de doenças como a cólera e a sida.

Dez anos depois…

Dez anos passaram e a memória do genocídio ainda está bem presente nas mentes de todos os ruandeses, sejam eles hutus ou tutsis. O repórter revela mesmo que as feridas do massacre estão bem presentes: “não conheci uma única pessoa no Ruanda que não tivesse tido um familiar morto à catanada".
O Ruanda é um país traumatizado pela guerra civil, destruído na maior parte das suas infra-estruturas sociais, económicas e políticas que tenta agora recuperar. No entanto, a reconciliação étnica é algo em que Emídio Fernando não acredita. “Os hutus e os tutsi não se misturam e assim é difícil que se consiga estabelecer uma democracia".
Outro problema que afecta a população ruandesa é a Sida. A doença tem-se propagado por todo o continente africano, no entanto, tem tido maior incidência na região dos Grandes Lagos, onde também se encontra a República do Ruanda. “A Sida é um problema muito grave, pois até as classes dirigentes, pessoas que realmente fazem funcionar um país, foram atingidas pela doença. Assim, o futuro de países como o Ruanda encontra-se muito indefinido", disse Emídio Fernando.

Bruno Amorim, 06.04.2004

Fonte: http://jpn.icicom.up.pt/2004/04/06/genocidio_no_ruanda_foi_ha_10_anos.html

Podem visionar a seguir um vídeo com o trailer do filme "Hotel Ruanda", de 2004, dirigido por Terry George e interpretado por Don Cheadle, Nick Nolte, Joaquin Phoenix, Desmond Dube e Sophie Okonedo. O filme é uma co-produção de Itália, Reino Unido e África do Sul, e relata a história real de Paul Rusesabagina, que foi capaz de salvar a vida de 1268 pessoas durante o genocídio de Ruanda em 1994. Logo depois das primeiras exibições, sua história foi imediatamente comparada com a de Oskar Schindler.


O filme será apresentado ao 12ºH, no dia 15 de Dezembro, no auditório da Escola, durante as aulas de Geografia C e História A.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Somália está à beira da "fome total", diz Cruz Vermelha


Num país sem poder central desde 1991, a violência é exacerbada pela seca e ajuda não chega a quem precisa


A Somália arrisca-se a mergulhar na "fome total", um cenário idêntico ao da última grande fome de 1992, quando centenas de milhares morreram. O alerta foi feito ontem por Alexandre Liebeskind, do Comité Internacional da Cruz Vermelha, lembrando que há mais problemas na Somália do que a pirataria crescente nas suas águas, questão que monopoliza desde há dois meses as atenções mundiais. Já se sabia que pelo menos 40 por cento da população somali (3,2 milhões de pessoas) depende de ajuda externa para sobreviver. E que a violência tornou quase impossível às agências operarem no país. O responsável da Cruz Vermelha contou agora à emissora britânica BBC que as famílias já começaram a comer as suas posses mais valiosas: os camelos e as cabras em idade reprodutiva, o que considera um sinal do desespero crescente. Quarta-feira, a ONU já lançara um apelo para reunir 918 milhões de dólares (724 milhões de euros) que quer gastar no financiamento de 200 projectos de agências suas e outros 71 de organizações não governamentais. Ontem reforçou a urgência do pedido e da situação: 2009 será o ano "do tudo ao nada" para o país, disse Mark Bowden, coordenador humanitário da ONU para a Somália. "Esta é uma crise prolongada, uma crise que dura há 17 anos", afirmou aos jornalistas em Nova Iorque. Está actualmente numa fase particularmente difícil, exacerbada por três anos de seca. E pela violência, que opõe senhores da guerra e forças etíopes a milícias islamistas e que obrigou um milhão de pessoas a deixar as suas casas - há milhares de novos deslocados todas as semanas. A Somália não é só pirataria, mas os ataques dos piratas põem em risco a distribuição da ajuda. No mesmo dia em que as Nações Unidas pediram mais dinheiro para os somalis, o Conselho de Segurança apelou a todos os países e organizações regionais capazes de mobilizar navios de guerra e aviões militares para combater a pirataria na região. Na zona já estão navios norte-americanos, russos, indianos ou da NATO. Nos próximos dias inicia-se a missão da União Europeia para patrulhar as águas do golfo de Áden e tentar travar os piratas que já atacaram mais de 100 navios este ano.


quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Conferência de Berlim

A partilha de Africa, 1914


O Congresso de Berlim realizado entre 15 de Novembro de 1884 e 26 de fevereiro de 1885 teve como objectivo organizar, na forma de regras, a ocupação de África pelas potências coloniais e resultou numa divisão que não respeitou, nem a história, nem as relações étnicas e mesmo familiares dos povos do Continente.

No congresso, que foi proposto por Portugal e organizado pelo Chanceler Otto von Bismarck da Alemanha — país anfitrião, que não possuía mais colónias em África, mas tinha esse desejo e viu-o satisfeito, passando a administrar o “Sudoeste Africano” (actual Namíbia) e o Tanganica — participaram ainda a Grã-Bretanha, França, Espanha, Itália, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Estados Unidos da América, Suécia, Áustria-Hungria e o Império Otomano.

Os Estados Unidos possuíram uma colónia em África: a Libéria, só que muito tarde, mas eram uma potência em ascensão e tinham passado recentemente por uma guerra civil (1861-1865) relacionada com a abolição da escravatura naquele país; a Grã-Bretanha tinha-a abolido no seu império em 1834. A Turquia também não possuía colónias em África, mas era o centro do Império Otomano, com interesses no norte de África. Os restantes países europeus que não foram “contemplados” na partilha de África, também eram potências comerciais ou industriais, com interesses indirectos naquele continente.

Num momento desta conferência, Portugal apresentou um projecto, o famoso Mapa cor-de-rosa, que consistia em ligar Angola e Moçambique para haver uma comunicação entre as duas colónias, facilitando o comércio e o transporte de mercadorias. Apesar de todos concordarem com o projecto, Inglaterra, supostamente um antigo aliado dos portugueses, surpreendeu com a negação face ao projecto e fez um ultimato, conhecido como Ultimato britânico de 1890, ameaçando guerra se Portugal não acabasse com o projecto. Portugal, com medo de uma crise, acabou por abandonar o projecto.

Como resultado desta conferência, a Grã-Bretanha passou a administrar toda a África Austral, com excepção das colónias portuguesas de Angola e Moçambique e o Sudoeste Africano, toda a África Oriental, com excepção do Tanganica e partilhou a costa ocidental e o norte com a França, a Espanha e Portugal (Guiné-Bissau e Cabo Verde); o Congo – que estava no centro da disputa, o próprio nome da Conferência em alemão é “Conferência do Congo” – continuou como “propriedade” da Companhia Internacional do Congo, cujo principal accionista era o rei Leopoldo II da Bélgica; este país passou ainda a administrar os pequenos reinos das montanhas a leste, o Ruanda e o Burundi. (Wikipédia)

A maioria dos conflitos, muitos deles sangrentos, que são actualmente travados em África são, ainda, uma consequência desta Conferência de Berlim que retalhou o continente africano a régua e esquadro sem ter em linha de conta a distribuição geográfica das diferentes etnias.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Epidemia de cólera já matou 473 pessoas no Zimbabwe desde Agosto


A epidemia de cólera já fez 473 mortos no Zimbabwe desde o seu aparecimento em Agosto, segundo um último balanço da Organização Mundial de Saúde (OMS), revelado hoje.“Uma grande epidemia de cólera afecta a maior parte das regiões do país, com mais de 11.700 casos e 473 mortos registados de Agosto a 30 de Novembro”, revela a representante da OMS no Zimbabwe, Custodia Mandlhate.O líder da oposição, Morgan Tsvangirai, afirmou ontem que a epidemia fez 500 mortos e atingiu um “nível catastrófico”. O sistema de abastecimento de água falhou na capital, Harare, e em outras cidades, forçando os residentes a beber água de poços e rios contaminados. Ontem o Ministério da Saúde informou que a cólera afecta nove das dez províncias do país. Na Clínica Beatrice Road Infectious Diseases, em Mbare, um funcionário contou que recebem, por dia, oito mortos. Os doentes numa outra clínica, em Budiriro, queixam-se de que não recebem os medicamentos devidos nem os tratamentos adequados.O Governo de Robert Mugabe, 84 anos, diz que o sistema de saúde e a economia entraram em colapso devido às sanções impostas pelas potências ocidentais. Mas os seus opositores sublinham que foi Mugabe, no poder desde a independência britânica em 1980, quem arruinou uma das economias mais promissoras de África.


sexta-feira, 21 de novembro de 2008

E se Obama fosse africano? - Por Mia Couto


Recebi um mail com um artigo muito interessante do escritor moçambicano Mia Couto sobre a vitória de Barack Obama e que faço questão de o partilhar convosco. Vale a pena ler.



E se Obama fosse africano?

Por Mia Couto


Os africanos rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles. Depois de uma noite em claro, na irrealidade da penumbra da madrugada, as lágrimas corriam-me quando ele pronunciou o discurso de vencedor. Nesse momento, eu era também um vencedor. A mesma felicidade me atravessara quando Nelson Mandela foi libertado e o novo estadista sul-africano consolidava um caminho de dignificação de África. Na noite de 5 de Novembro, o novo presidente norte-americano não era apenas um homem que falava. Era a sufocada voz da esperança que se reerguia, liberta, dentro de nós. Meu coração tinha votado, mesmo sem permissão: habituado a pedir pouco, eu festejava uma vitória sem dimensões. Ao sair à rua, a minha cidade se havia deslocado para Chicago, negros e brancos respirando comungando de uma mesma surpresa feliz. Porque a vitória de Obama não foi a de uma raça sobre outra: sem a participação massiva dos americanos de todas as raças (incluindo a da maioria branca) os Estados Unidos da América não nos entregariam motivo para festejarmos.Nos dias seguintes, fui colhendo as reacções eufóricas dos mais diversos recantos do nosso continente. Pessoas anónimas, cidadãos comuns querem testemunhar a sua felicidade. Ao mesmo tempo fui tomando nota, com algumas reservas, das mensagens solidárias de dirigentes africanos. Quase todos chamavam Obama de "nosso irmão". E pensei: estarão todos esses dirigentes sendo sinceros? Será Barack Obama familiar de tanta gente politicamente tão diversa? Tenho dúvidas. Na pressa de ver preconceitos somente nos outros, não somos capazes de ver os nossos próprios racismos e xenofobias. Na pressa de condenar o Ocidente, esquecemo-nos de aceitar as lições que nos chegam desse outro lado do mundo.Foi então que me chegou às mãos um texto de um escritor camaronês, Patrice Nganang, intitulado: " E se Obama fosse camaronês?". As questões que o meu colega dos Camarões levantava sugeriram-me perguntas diversas, formuladas agora em redor da seguinte hipótese: e se Obama fosse africano e concorresse à presidência num país africano? São estas perguntas que gostaria de explorar neste texto.

E se Obama fosse africano e candidato a uma presidência africana?

1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o seu mandato para além do previsto. E o nosso Obama teria que esperar mais uns anos para voltar a candidatar-se. A espera poderia ser longa, se tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em África. Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na Guiné Equatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos Camarões. E por aí fora, perfazendo uma quinzena de presidentes que governam há mais de 20 anos consecutivos no continente. Mugabe terá 90 anos quando terminar o mandato para o qual se impôs acima do veredicto popular.

2. Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer campanha. Far-Ihe-iam como, por exemplo, no Zimbabwe ou nos Camarões: seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-Ihe-ia retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não toleram a democracia.

3. Se Obama fosse africano, não seria sequer elegível em grande parte dos países porque as elites no poder inventaram leis restritivas que fecham as portas da presidência a filhos de estrangeiros e a descendentes de imigrantes. O nacionalista zambiano Kenneth Kaunda está sendo questionado, no seu próprio país, como filho de malawianos. Convenientemente "descobriram" que o homem que conduziu a Zâmbia à independência e governou por mais de 25 anos era, afinal, filho de malawianos e durante todo esse tempo tinha governado 'ilegalmente". Preso por alegadas intenções golpistas, o nosso Kenneth Kaunda (que dá nome a uma das mais nobres avenidas de Maputo) será interdito de fazer política e assim, o regime vigente, se verá livre de um opositor.

4. Sejamos claros: Obama é negro nos Estados Unidos. Em África ele é mulato. Se Obama fosse africano, veria a sua raça atirada contra o seu próprio rosto. Não que a cor da pele fosse importante para os povos que esperam ver nos seus líderes competência e trabalho sério. Mas as elites predadoras fariam campanha contra alguém que designariam por um "não autêntico africano". O mesmo irmão negro que hoje é saudado como novo Presidente americano seria vilipendiado em casa como sendo representante dos "outros", dos de outra raça, de outra bandeira (ou de nenhuma bandeira?).

5. Se fosse africano, o nosso "irmão" teria que dar muita explicação aos moralistas de serviço quando pensasse em incluir no discurso de agradecimento o apoio que recebeu dos homossexuais. Pecado mortal para os advogados da chamada "pureza africana". Para estes moralistas – tantas vezes no poder, tantas vezes com poder - a homossexualidade é um inaceitável vício mortal que é exterior a África e aos africanos.

6. Se ganhasse as eleições, Obama teria provavelmente que sentar-se à mesa de negociações e partilhar o poder com o derrotado, num processo negocial degradante que mostra que, em certos países africanos, o perdedor pode negociar aquilo que parece sagrado - a vontade do povo expressa nos votos. Nesta altura, estaria Barack Obama sentado numa mesa com um qualquer Bush em infinitas rondas negociais com mediadores africanos que nos ensinam que nos devemos contentar com as migalhas dos processos eleitorais que não correm a favor dos ditadores.

Inconclusivas conclusões

Fique claro: existem excepções neste quadro generalista. Sabemos todos de que excepções estamos falando e nós mesmos moçambicanos, fomos capazes de construir uma dessas condições à parte.Fique igualmente claro: todos estes entraves a um Obama africano não seriam impostos pelo povo, mas pelos donos do poder, por elites que fazem da governação fonte de enriquecimento sem escrúpulos. A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos - as pessoas simples e os trabalhadores anónimos - festejaram com toda a alma a vitória americana de Obama. Mas não creio que os ditadores e corruptos de África tenham o direito de se fazerem convidados para esta festa. Porque a alegria que milhões de africanos experimentaram no dia 5 de Novembro nascia de eles investirem em Obama exactamente o oposto daquilo que conheciam da sua experiência com os seus próprios dirigentes. Por muito que nos custe admitir, apenas uma minoria de estados africanos conhecem ou conheceram dirigentes preocupados com o bem público. No mesmo dia em que Obama confirmava a condição de vencedor, os noticiários internacionais abarrotavam de notícias terríveis sobre África. No mesmo dia da vitória da maioria norte-americana, África continuava sendo derrotada por guerras, má gestão, ambição desmesurada de políticos gananciosos. Depois de terem morto a democracia, esses políticos estão matando a própria política. Resta a guerra, em alguns casos. Outros, a desistência e o cinismo.Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é lutar para que mais bandeiras de esperança possam nascer aqui, no nosso continente. É lutar para que Obamas africanos possam também vencer. E nós, africanos de todas as etnias e raças, vencermos com esses Obamas e celebrarmos em nossa casa aquilo que agora festejamos em casa alheia.

Fonte:
http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/2008/11/e-se-obama- fosse-africano.html /

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

A PAC e a pobreza em África


No nosso país, poucos saberão que, em resposta ao movimento Make Poverty History, liderado pelo cantor Bob Geldof – o mesmo que há duas décadas organizou o famosíssimo concerto Live Aid e rentemente o Live Eight -, Tony Blair, ex-primeiro-ministro do Reino Unido, criou a Comissão para a África, um conjunto de 15 especialistas e altos dignatários encarregados de identificar as medidas necessárias à erradicação da pobreza no continente negro. O relatório da Comissão, publicado em Março de 2005, é porventura o mais exaustivo trabalho de síntese sobre a situação política, económica e social de África e sobre as medidas que é necessário pôr em prática para evitar um desastre de proporções globais. Our Common Interest (O Nosso Interesse Comum), assim se intitula o relatório, descreve uma soma de indicadores perturbadores, senão mesmo alarmantes:


• Na União Europeia cada bovino dá direito a um subsídio diário de cerca de 1,50 €, o equivalente a duas vezes a média do rendimento de cada um dos 900 milhões de africanos;


• 40 milhões de crianças africanas estão privadas de educação escolar básica;


• Todos os anos morrem 2 milhões de africanos com SIDA;


• Os subsídios à produção agrícola existentes nos países ricos totalizam já 1.000 milhões dólares norte-americanos por dia, isto é, uma soma igual ao rendimento diário disponível de todos os africanos.






Isto dá que pensar, não é?

Piratas que capturaram superpetroleiro saudita pedem 25 milhões de dólares


Os piratas somalis que capturaram o superpetroleiro saudita “Sirius Star”, disseram hoje à AFP que querem um resgate de 25 milhões de dólares (20 milhões de euros) para libertar o navio e a sua tripulação.Ontem, um homem identificado como Farah Abd Jameh disse à cadeia de televisão árabe Al-Jazira (do Qatar): “Há negociadores a bordo do navio e em terra. Assim que derem o seu acordo ao resgate, este será encaminhado até ao petroleiro”, disse um homem identificado como Farah Abd Jameh.Os proprietários do “Sirius Star”, o gigante petrolífero saudita Aramco, recusaram na altura comentar o pedido de resgate. O superpetroleiro está ancorado num porto da área de Haradhere, 300 quilómetros a norte de Mogadíscio. Harardere é um dos portos utilizados pelos piratas somalis para guardar os barcos que capturaram, enquanto aguardam os resgates que exigiram para os libertar. Desde o início do ano, 92 navios foram atacados por piratas somalis no Golfo de Áden (na rota para o canal do Suez) e no Oceano Índico. (Público)



É inacreditável o que se está a passar na Somália. Neste momento a Somalia é um Estado completamente falhado: vive uma guerra civil interminável e ignorada pela comunidade internacional; há milhares de refugiados; tem um governo sem força e autoridade e que não controla o país; não há um Estado de Direito, não há ordem nem qualquer tipo de segurança; o país e os seus mares estão entregues a múltiplos grupos armados, a bandidos e a piratas que atacam embarcações estrangeiras que passam pelas suas águas e isto em pleno século XXI!!!!! Não se esqueçam que os mares da Somália fazem pare de uma importante rota marítima por onde circulam nomeadamente os petroleiros que trazem o petróleo proveniente dos países do Médio Oriente, seguindo depois para o canal do suez.


Pergunto: deve ou não a Comunidade Internaconal intervir neste país e tentar repôr a ordem?

sábado, 15 de novembro de 2008

Homenagem à cantora sul africana Miriam Makeba, a "Mama África"



África do Sul presta última homenagem a Miriam Makeba

Milhares de pessoas prestaram neste sábado na África do Sul a última homenagem à lendária voz do continente africano e símbolo da luta contra o apartheid na África do Sul, Miriam Makeba, falecida na segunda-feira em Itália.
O acto público numa sala de concertos de Johannesburgo reuniu alguns dos mais famosos músicos e artistas da África dos Sul, assim como políticos, que com música e poesia saudaram a memória da cantora conhecida como "Mama África".
Miriam Makeba faleceu aos 76 anos vítima de uma paragem cardíaca depois de participar na noite de domingo no sul da Itália numa apresentação de apoio a Roberto Saviano, o escritor italiano ameaçado de morte pela Camorra pelo seu livro "Gomorra', sobre a máfia napolitana.
Obrigada a deixar o país pelo regime do apartheid após a sua participação num filme que denunciava a segregação branca na África do Sul, Makeba viveu 31 anos no exílio, principalmente nos Estados Unidos e Guiné. Conhecida como "Mama África", a artista retornou à África do Sul no início dos anos 90, depois da libertação de Nelson Mandela.
"Ao morrer, estava a fazer o que melhor sabia fazer. Nas palavras dela mesmo, amava a música acima de tudo, e ficava sempre feliz quando estava no palco a cantar", disse o ministro da Cultura, Pallo Jordan.
O ministro elogiou Makeba como "uma mulher cujo nome se tornou sinónimo da luta mundial pela liberdade na África do Sul".
Miriam Makeba nasceu em 4 de março de 1932 em Johannesburgo. Começou a cantar nos anos 50 com o grupo "Manhattan Brothers" e em 1956 compôs "Pata, Pata", a canção que seria seu maior sucesso.
A cantora viu seu país mudar com a chegada ao poder, em 1947, dos nacionalistas africaners. Aos 27 anos deixou a África do Sul pela carreira e teve a entrada proibida no país pelo compromisso com a luta antiapartheid, incluindo a participação no filme "Come back, Africa".
O exílio durou 31 anos, em diversos países. A cantora fazia muito sucesso, mas o seu casamento em 1969 com o líder dos Panteras Negras Stokely Carmichael, do qual se separou em 1973, não agradou às autoridades americanas, que a forçaram a emigrar para Guiné.
Depois da morte da filha única em 1985, voltou a viver na Europa, mas em 1990 Nelson Mandela convenceu-a a retornar para a África do Sul. (AFP)

Aqui fica a minha homenagem a essa grande mulher sul africana e do Mundo. Em complemento vejam dois vídeos com duas canções da "Mama África".


Pata Pata



Under African Skies, em dueto com o cantor norte americano Paul Simon (African Concert - Graceland)

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Presidente sudanês anuncia cessar-fogo imediato no Darfur

Região está em guerra desde 2003

O Presidente sudanês Omar Hassan al-Bashir anunciou hoje um cessar-fogo imediato e incondicional no Daurfur e apelou ao desarmamento das milícias nesta região ocidental do país, em guerra desde 2003.“Anuncio solenemente um cessar-fogo incondicional entre as forças armadas e as facções rebeldes, para que possa ser implementado e acompanhado por todas as partes implicadas um mecanismo de controlo eficaz”, disse o Presidente."Vamos fazer uma campanha para desarmar as milícias e restringir o uso das armas entre as forças armadas", acrescentou Omar Hassan al-Bashir, em risco de ser condenado pelo Tribunal Criminal Internacional por alegados crimes de guerra no Darfur. O cessar-fogo foi uma recomendação do Fórum sudanês do Povo, uma plataforma que reúne responsáveis do Governo e da oposição. Os rebeldes de Darfur boicotaram este fórum.No entanto, o Presidente não prometeu libertar os prisioneiros políticos da região, outra das recomendações do fórum. Em 2003, grupos de rebeldes africanos revoltaram-se contra o Governo de Cartum, acusando-o de esquecer a região. Mais de cinco anos de guerra mataram 200 mil pessoas e forçaram mais de 2,5 milhões a fugir das suas casas, afirmam especialistas internacionais. Cartum acusa os media de exagerarem o conflito e avança com outros números para as vítimas mortais: dez mil. (Público)

Somália: rebeldes tomam controlo do porto de Merka


Os rebeldes islamistas da Somália tomaram hoje o porto de Merka, cem quilómetros a Sul de Mogadíscio, um dos principais centros de passagem da ajuda humanitária para a população daquele país africano. Segundo os habitantes ouvidos pela AFP em Mogadíscio, os combatentes que tinham cercado a cidade durante a noite entraram em Merka depois das milícias pró-governamentais que controlavam o porto terem fugido sem oferecer resistência. “O nosso comandante ordenou-nos para deixarmos a cidade para evitar os combates”, explicou um membro daquelas milícias, Hussein Yusuf Maalim. “Eles [“shebab”] estão cada vez mais fortes e não temos capacidade para defender a cidade”.Um dos habitantes, Ibrahim Abdalla Ali, contou que “centenas deles [“shebab”] entraram na cidade e tomaram o controlo de esquadras da polícia e outras posições. Estão armados com metralhadoras pesadas” e lançadores de “rockets”. Com a tomada de Merka, as milícias “shebab” reforçam as suas posições no Sul da Somália, onde já controlavam desde Agosto a cidade portuária de Kismayo, 500 quilómetros a Sul de Mogadíscio. O porto de Merka é regularmente utilizado pelo Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas (PAM) para encaminhar a ajuda alimentar destinada à população. Segundo as estimativas da ONU, cerca de 3,2 milhões de pessoas precisam de assistência humanitária na Somália, país mergulhado no caos desde o início de uma guerra civil em 1991.“A situação em Merka parece calma (...). Merka é um ponto estratégico para o PAM (...) e prevemos continuar a utilizá-lo”, declarou Peter Smerdon, porta-voz da agência em Nairobi. Os “shebab” (“juventude” em árabe), que recusam qualquer acordo político com o Governo de transição da Somália, estão a liderar a insurreição armada no país, combatendo as tropas etíopes, as forças de segurança da Somália, as tropas da União Africana e os responsáveis governamentais.