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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Vídeo promocional do Porto premiado em festival internacional

Dois meses depois o blogue regressa, esperando que desta vez com maior regularidade. Fico à espera dos vossos comentários.

Recomeçamos com uma boa notícia sobre a cidade do Porto. O pequeno vídeo "Uma Cidade Chamada Porto", realizado pela Filmesdamente foi premiado em 29 de Setembro como o melhor vídeo de promoção turística no 15.ª Film Festival Document Art, realizado na Roménia. Começa com planos do rio Douro e da ponte Luís I, num dia de nevoeiro e chuva miúda tão comuns nesta cidade. A ponte da Arrábida também aparece, assim como vendedores de rua e senhores que varrem o lixo. Há turistas - muitos - e momentos que parecem encenação mas são naturais. É o Porto em 24 horas. 

 Esta não foi a primeira vez que o filme foi distinguido. Já este ano, "Uma Cidade Chamada Porto" conseguiu o segundo lugar na categoria "A Cidade com Vida" nos prémios Portivity, promovidos pela Associação Nacional de Jovens Empresários. 

Vejam de seguida o vídeo premiado.

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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

As cheias na Austrália e no Brasil - por que é que o impacto das catástrofes naturais é diferente nos dois países?



As chuvas e os deslizamentos de terras que atingiram a região serrana do estado do Rio de Janeiro na passada quarta-feira já provocaram a morte de pelo menos 500 pessoas. As prefeituras dos municípios atingidos indicaram que em Nova Friburgo já foram encontrados 225 corpos, em Teresópolis 223, em Itaipava 39, em Sumidouro 19 e em São José do Vale do Rio Preto 4. O número de desalojados chega aos 13 mil.

Esta já é considerada a maior tragédia climática da história país. O número de vítimas já ultrapassou as 436 registadas em 1967 na cidade de Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo.

A chuva que se abateu sobre estas regiões na noite de terça para quarta-feira foi tão intensa na região a norte do Rio de Janeiro que se estima que, em apenas uma noite, tenha chovido o equivalente ao previsto para todo o mês de Janeiro.

Como é que ocorrem estes deslizamentos de terras?

Um grande volume de chuva caiu nos últimos dias sobre os montes da região serrana do estado do Rio de Janeiro. Por sobre estes, a capa de solo de Mata Atlântica é muito instável. Em alguns sítios não ultrapassa o metro e meio de espessura. A vegetação também não consegue reter a enxurrada porque, por debaixo da capa de solo, as raízes das plantas não se conseguem agarrar à pedra. Quando a água encharca o solo, este desprende-se da rocha e resvala - como uma avalancha -, para níveis inferiores, onde abundam as construções.

Por que é que o impacto das catástrofes naturais é diferente em países como o Brasil e a Austrália?

As realidades sociais influenciam também o impacto das catástrofes. Basta comparar a situação vivida no No Rio de Janeiro e no Nordeste da Austrália.

Até a cor da água do Brasil é diferente do lago que se formou na Austrália. As torrentes que arrastaram casas, pessoas, árvores e carros das cidades de Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, no estado do Rio de Janeiro, eram lamacentas. A água das cheias na Austrália, não.

As chuvadas que caíram no Brasil mataram pelo menos 500 pessoas e produziram um cenário muito mais desolador. Na Austrália terão morrido 15 pessoas.

O que se passou na região do Rio de Janeiro é fruto da ausência de ordenamento do território, nomeadamente da urbanização desenfreada e que privilegia os mais favorecidos (que habitam nas melhores zonas das cidades e as mais seguras) e expulsa para a periferia as pessoas mais pobres, que acabam por ocupar áreas de risco em zonas com grande declive, que foram previamente desflorestadas, o que faz aumentar a escorrência superficial, o risco de enxurradas e de deslizamentos de terrenos. Este risco tem aumentado de há 20 anos para cá, devido à explosão urbana cada vez mais desordenada, impermeabilizando artificialmente os solos. A água acaba por infiltra-se em zonas preferenciais onde não há casas e os terrenos impermeáveis apanham com água a dobrar.

Já a Austrália, um país desenvolvido e ordenado, existem políticas de combate contra as catástrofes naturais. As construções estão preparadas para os fenómenos excepcionais que têm potencialidade de causar tragédias.

Por outro lado, o Brasil tem uma densidade populacional muito maior com uma população pobre muito grande em situações de maior risco, tornando mais propenso este tipo de acontecimentos. Todos estes factores se conjugam para que uma situação de calamidade aconteça. A solidez das estruturas e os sistemas de resposta é muito maior na Austrália do que no Brasil. Estas situações têm mais que ver com a organização da sociedade e o serviço público do que com a riqueza per capita.

Como é que se pode resolver estas situações e diminuir os riscos de novas catástrofes como esta que ocorreu no Brasil?

É possível mudar com uma política urbana, que privilegie um maior ordenamento das urbanizações, com acções que favoreçam a drenagem, com a criação de mais espaços verdes e com a recuperação da mata, com o combate à impermeabilização artificial dos solo e a limpeza dos leitos dos cursos de água e das sarjetas. Só o ordenamento pode evitar nova tragédia.

Fonte: Público

O vídeo que se segue mostra algumas reportagens sobre esta tragédia e ainda algumas explicações sobre as causas da mesma.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A guerra contra o narcotráfico nas favelas do Rio de Janeiro

São verdadeiramente impressionantes as imagens que nos têm chegado, nos últimos dias, da cidade do Rio de Janeiro, no Brasil. Trata-se de uma verdadeira guerra urbana que envolve 2600 polícias, militares, incluindo pára-quedistas e polícia de choque, apoiada por helicópteros e os traficantes de droga.

O presidente brasileiro Lula da Silva considerou “um sucesso” a operação levada a cabo por cerca de 2600 polícias e militares , e que conseguiu assumir o controlo do Complexo do Alemão.

As autoridades estão a investigar a possibilidade de fuga de pessoas com ligações ao narcotráfico através da rede de esgotos junto ao Complexo do Alemão. Algumas chegaram a ser detidas quando fugiam disfarçadas de religiosos ou com fardas de funcionários municipais.

Este domingo houve 40 detenções e foram também apreendidas pelo menos 40 toneladas de marijuana, para além de cocaína e de diversas armas e munições.

Desde o início dos confrontos, na semana passada, já morreram no Rio de Janeiro pelo menos 35 pessoas. As autoridades brasileiras anunciaram também que as forças militares mobilizadas para o combate aos narcotraficantes no Rio de Janeiro vão ficar “por tempo indeterminado” no Complexo do Alemão até que seja consolidada a presença da Unidade de Polícia Pacificadora.

Será que o Brasil vai ganhar “a guerra” contra o tráfico de droga, como está convencido o presidente brasileiro?

Fiquem com algumas imagens do quotidiano de violência que se vive nas favelas do Rio, nomeadamente nas suas escolas. Em cada dia, em média, morrem 200 pessoas no Brasil, vítimas da violência urbana!...

domingo, 28 de novembro de 2010

A Lisboa anterior ao terramoto de 1755 - apresentação virtual

Estes dois vídeo muito interessantes, produzidos pelo Centro de História da Arte e de Investigação Artística da Universidade de Évora, apresentam uma visão virtual da cidade de Lisboa anterior ao grande terramoto de 1 de Novembro de 1755. É uma recriação fantástica da cidade de Lisboa que vale a pena ver.




O Museu da Cidade (de Lisboa), em conjunto com uma equipa da empresa portuguesa SWD Agency, recriou virtualmente ruas, praças e edifícios emblemáticos da capital antes da destruição provocada pelo sismo de 1755. A três dimensões, estes modelos virtuais, alguns animados em vídeos, transportam-nos para as ruas de Lisboa nas vésperas do terramoto. Ver um exemplo de um vídeo aqui.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Lou Reed - A Walk on the Wild Side"

Lou Reed e a sua canção de sempre "A Walk on the Wild Side", que nos leva para o lado rebelde da vida.

sábado, 10 de abril de 2010

Santiago de Compostela - Xacobeu 2010


Como já referi no post anterior, estive alguns dias (dois) em Santiago de Compostela. Para mim, estar em Santiago de Compostela é sempre um grande prazer. É, sem dúvida, uma das três cidades da minha vida, juntamente com Londres e, obviamente, o Porto. Sem exagerar já lá estive mais de vinte vezes. É raro o ano em que não vá lá, pelo menos uma vez. Sinto-me como se estivesse em casa. Tal como o Porto, Santiago é uma cidade granítica, em que a tonalidade dominante é o cinzento. Tal como o Porto, Santiago é uma cidade muito húmida com elevadas quantidades de precipitação e com temperaturas amenas. Santiago é a capital da Galiza (região autónoma de Espanha), uma região que fala uma língua, o galego, que é muito parecida com o português, já que ambas as línguas derivam de uma língua comum, o galaico-português, que era falado nos dois lados das actuais fronteiras. Recordo, ainda, que no passado a Galiza e o Norte de Portugal faziam parte de um mesmo território, durante a época do Reino dos Suevos e, mais tarde, no Reino Visigótico, ainda antes da formação do Reino de Portugal. Daí a grande proximidade cultural (já para não falar na proximidade geográfica, climática, orográfica e paisagística) entre os povos da Galiza e do Norte de Portugal que explica a existência de traços culturais comuns ou muito parecidos: expressões linguísticas, tradições, arquitectura rural e paisagem rural, etc. Daí a minha sensação de sentir-me em casa em Santiago de Compostela.


Santiago de Compostela, Cidade Património Mundial (classificação da UNESCO) tem um centro histórico riquíssimo, onde se destaca a famosa Catedral que continua a ser o destino de milhares e milhares de peregrinos de todo o Mundo que, desde a Idade Média, continuam a percorrer a pé (ou de bicicleta, cavalo ou de carro) os diferentes caminhos que têm origem em diferentes pontos da Europa, nomeadamente de Portugal, de maneira a depararem-se com o manto de São Tiago, um dos apóstolos de Jesus Cristo, cujo corpo se diz que foi trasladado para aquele lugar. As peregrinações a santiago de Compostela fizeram desta cidade uma Cidade do Mundo, pois encontramos gente de todo o lado. Tive a oportunidade de assistir, na catedral a uma missa (das doze horas) dedicada aos peregrinos que chegaram à cidade nesse mesmo dia. É impressionante constatar a felecidade que é visível nos rostos destas pessoas, a maioria jovens, que conseguiram fazer o caminho a pé, muitos deles desde a fronteira de Espanha com França, através do famoso Caminho Francês, que absorve a maioria dos caminhos vindos do continente europeu, a partir de Saint-Jean-Pied-de-Port, que entra em Espanha por Roncesvalles, no sopé dos Pirenéus, e de lá segue por cerca de 800 quilómetros até Compostela. A cerimónia termina com um momento fantástico, o Botafumeiro, que é um grande incensório (é o maior do mundo) de latão banhado em prata, que pesa 62 kg vazio e mede 1,60 m de altura, suspenso por uma corda e que no final de determinadas celebrações eucarísticas percorre em movimento pendular pela nave lateral do Altar Mor da Catedral de Santiago de Compostela. Reza a lenda que este ritual foi criado na Idade Média, quando os peregrinos chegavam à catedral com poucas condições de higiene. O cheiro era insuportável, e a missa, com vários peregrinos "naquelas condições", devia ter quase o odor do inferno... Então, a solução foi criar a "tradição" do Botafumeiro peregrino, algo como uma aromaterapia medieval.... Hoje em dia constitui uma das grandes atracções turísticas da cidade.

Para além da Catedral, são de destacar as belas praças medievais da cidade como a de Obradoiro, em frente à catedral, a de Quintana e a do Toural que se destacam num conjunto urbano onde predominam as ruas muito estreitas. Destaco ainda os edifícios da Universidade de Santiago de Compostela, uma das mais antigas e prestigiadas da Europa e que contribuiu para que esta cidade se tornasse um grande centro cultural a nível europeu.

Para terminar, queria ainda fazer referência à riqueza e diversidade da gastronomia da cidade e de toda a região galega. Predominam os petiscos (tapas) e os pratos relacionados com o peixe e os mariscos devido à proximidade da costa e das Rias Galegas. Destaco o pulpo (polvo), os chipiróns (lulas pequenas fritas), a parrilada (sortido de peixe e marisco grelhado), a empanada galega (espécie de bola de atúm ou de bacalhau), os pimentos de Padrón e, ainda, o lacón (perna de porco) com grelos e a tarta de Santiago (tarte de amêndoa).

Enfim, Santiago de compostela é uma cidade muito interessante que vale a pena conhecer especialmente este ano por se tratar de um ano Xacobeu, ou seja ano santo composteliano, pelo facto de o dia de S. Tiago (25 de Julho) coincidir com um Domingo. Os anos Xacobeu constituem um grande evento cultural à escala europeia, pois estão associados a uma intensa actividade cultural, ao longo de todo o ano, com um elevadíssimo número de espectáculos musicais, de teatro, de dança e exposições. Santiago fica apenas a cerca de 250 quilómetros do Porto, ou seja, a pouco mais de duas horas por auto-estrada. Podem acompanhar a programação cultural do Xacobeu 2010 aqui.

Fiquem agoram com alguns vídeos alusivos a Santiago de Compostela, nomeadamente à cidade, à catedral e à cerimónia do Botafumeiro e, ainda, ao Xacobeu 2010.











quinta-feira, 25 de março de 2010

Mercados de rua na cidade do Porto

Mercado de rua de Porto Belo na Praça de Carlos Alberto, no Porto


Artesanato urbano, velharias, doces, objectos de design, roupa pouco tradicional e muita animação, são o mote para um roteiro através dos novos mercados de rua que durante o último ano se afirmaram como uma forma alternativa de viver e comprar na cidade, reflexo da sua vitalidade e do seu contributo crescente para a dinamização e rivitalização do centro histórico da invicta.

Para o próximo Sábado, 27 de Março – “dia nacional dos centros históricos” e “dia mundial do teatro” – os 4 novos mercados de rua organizaram um roteiro especial de compras no centro do Porto, ao qual se juntam diversas iniciativas de restaurantes, de música, de cinema, animação itinerante, performances diversas … a descobrir num revigorante dia com a cidade na ponta dos pés.

1. Mercado Porto Belo
Praça Carlos Alberto, 14-19h
Todos os sábados à tarde, ponto de encontro de selos, postais e compotas, louças velhas e roupas jovens, jóias antigas, peças de autor, livros antigos, doces e vinho.

2. Mercadinho dos Clérigos
Rua Cândido dos Reis, 14-22h
No último sábado de cada mês, feira com peças de autor, artesanato urbano, objectos decorativos, gastronomia, roupas, antiguidades, produtos biológicos, flores, livros, música, etc.

3. Feiras Francas
Palácio das Artes (Largo S. Domingos), 10-24h
No último sábado de cada mês, mostra e venda de produtos de jovens criadores, permitindo ao público tomar contacto com o processo de criação, bem como a apresentação de performances nas áreas da dança, teatro e música.

4. Flea Market
Maus Hábitos (Rua Passos Manuel 178), 16-19h
No primeiro sábado de cada mês, venda e troca de artigos em segunda mão, aberto a todo o tipo de produtos: roupas, livros, discos, cd, entre outros.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Mais de 800 milhões vivem em bairros de lata e a tendência é para aumentar

Bairro de lata em Djakarta, Indonésia


O mundo tem, cada vez mais, manchas gigantescas de barracas. Quase 830 milhões de pessoas vivem em bairros de lata, quando, há dez anos, não chegavam a 770 milhões. Sem medidas radicais, a tendência de crescimento vai continuar e em 2020 serão 889 milhões a residir em aglomerados precários, sem condições mínimas.

O diagnóstico é traçado no relatório "O estado das cidades no mundo 2010-2011: reduzir a fractura urbana", ontem divulgado pela agência ONU-Habitat, a poucos dias do V Fórum Mundial Urbano, que se realiza na próxima semana, no Rio de Janeiro.

O crescimento da população que habita em concentrações urbanas sem condições básicas torna pouco relevante o esforço que a agência das Nações Unidas reconhece que os governos têm vindo a fazer: o trabalho desenvolvido permitiu que, na última década, 227 milhões de pessoas deixassem os bairros de lata, ou que os bairros de lata deixassem de o ser.

Explique-se: ainda que essas pessoas permaneçam nos mesmos lugares, estes deixaram de estar classificados na categoria "bairro de lata", porque os alojamentos em que vivem são agora de melhor qualidade e têm acesso a serviços básicos, como distribuição de água e saneamento.

A melhoria de condições de mais de 22 milhões de pessoas por ano ultrapassou em 2,2 vezes a meta fixada nos Objectivos do Milénio para o Desenvolvimento, mas a realidade revela que isso é muito pouco para diminuir as manchas de barracas: na última década, 55 milhões de pessoas afluíram a esses aglomerados, engrossando a população urbana do planeta, calculada em 3,49 mil milhões de pessoas - uma pessoa em cada duas.

"Mais inaceitável que nunca"


"Os esforços para reduzir o número de habitantes dos bairros de lata e reduzir a fractura urbana, que é mais inaceitável que nunca, não são satisfatórios nem suficientes", confirma o estudo. "O crescimento urbano é mais rápido do que a taxa de melhoria de condições dos bairros de lata", explicou Gora Mboupa, co-autor do relatório, citado pela agência AFP.

O aumento da população dos bairros de lata é explicado em 50 por cento pelo crescimento natural da população residente, em 25 por cento pelas migrações do campo para a cidade e noutros 25 por cento pela afluxo de quem antes morava em zonas periféricas das grandes cidades.

China e Índia, os dois países mais populosos do mundo, são elogiados pelos seus esforços. O caso chinês é apresentado como "o mais espectacular", por terem sido melhoradas as condições de habitação a 65,3 milhões residentes urbanos na última década, o que fez baixar a população dos bairros de lata de 37,3 por cento para 28,2. A Índia melhorou as condições de habitabilidade a 59,7 milhões de pessoas desde 2000 e baixou a proporção dos moradores em barracas de 41,5 por cento em 1990 para 28,1 este ano.

Indonésia, Vietname, Turquia, Marrocos, Egipto, Argentina, Colômbia, México e Brasil são outros países que têm feito progressos importantes. "Os dados mostram que há países que, quando crescem e se desenvolvem economicamente, reduzem a proporção da população que habita em bairros de lata. É uma mensagem muito importante para o mundo em desenvolvimento", disse Eduardo Moreno, da ONU-Habitat.

O estudo da ONU-Habitat lembra que "nenhum país conseguiu nunca um crescimento económico sustentado e um rápido desenvolvimento social sem urbanização" e observa que as "vantagens competitivas" das cidades são maiores nos países em desenvolvimento, devido à debilidade das infra-estruturas e comunicações no resto do território.

Em 2005, as 25 principais cidades do planeta representavam aproximadamente 15 por cento do produto interno bruto (PIB) mundial e as cem maiores eram responsáveis por um quarto da riqueza produzida.

O relatório revela exemplos em que uma só cidade contribui com grande parte da riqueza nacional: Seul cria quase metade do PIB da Coreia do Sul, Budapeste e Bruxelas são responsáveis por cerca de 45 por cento da produção da Hungria e Bélgica, respectivamente.

Fonte: http://www.publico.pt/Mundo/mais-de-800-milhoes-vivem-em-bairros-de-lata-e-a-tendencia-e-para-aumentar_1428362


sexta-feira, 5 de março de 2010

Esta cidade não é só para velhos

Foto: ADRIANO MIRANDA


A cidade do Porto tem perdido moradores e envelhecido. O fenómeno nota-se particularmente na Baixa e na zona histórica, onde se sucedem as casas degradadas, ameaçando ruir. Mas também há exemplos que contrariam esta tendência. O jornal Público, que hoje faz 20 anos, publica um trabalho muito desenvolvido sobre o envelhecimento da população do centro da cidade do Porto. Vale a pena perder algum tempo e lêr a reportagem na íntegra:



Olhe-se para onde se olhar, pelas janelas da casa de Teresa vê-se sempre uma cidade de destroços. Na Rua de João das Regras, a escassas centenas de metros do edifício da Câmara Municipal do Porto, o apartamento T2 tem áreas relativamente amplas e vistas sobre a cidade: dominam as casas abandonadas, ameaçando ruir, de telhados derrocados e paredes enegrecidas. É o retrato possível de uma cidade a envelhecer, desertificando-se.

"Está tudo a cair aos pedaços. Choca. É uma pena", resume Teresa Leal, 34 anos, produtora de espectáculos, natural do Marco de Canaveses. Mudou-se para o centro do Porto há quatro anos, para uma casa que os pais tinham comprado há alguns anos. "Aproveitei."

Teresa Leal é, apesar de tudo, um dos novos habitantes que a Baixa da cidade vai conseguindo atrair. Mas, confirma, "há pouca gente nova e a maioria dos vizinhos são pessoas que já cá vivem há muito tempo". Beneficia da proximidade do café do bairro (onde regularmente aparece "o emplastro", um homem que o país inteiro conhece pela sua presença intrusiva nos ecrãs de televisão), da pequena mercearia, mas pouco mais. Quase não estabelece relações de vizinhança numa zona que já foi um típico bairro portuense, mas que se degradou, envelheceu e se descaracterizou, transformando-se no espaço algo hostil que é hoje.

Dez imigrantes por dia

Teresa reconhece que a sua casa pouco mais é do que "um dormitório". "Como não há estacionamento nem tenho lugar de garagem, não posso vir a casa durante o dia", conta. Será esta, aliás, uma das razões que justificam a fraca capacidade de atracção do centro tradicional da cidade (o Central Business District, CBD, conforme vem nos manuais escolares). Wilson Faria, presidente da Junta de Freguesia de Santo Ildefonso, reconhece a dificuldade. "Novos moradores, não há. Há poucas casas a ser construídas nesta zona", diz o autarca. A excepção, admite, são os imigrantes. Nos edifícios antigos da zona parecem ter encontrado habitações com rendas baixas onde podem instalar-se. Notam-se pelo tom da pele e pela língua que falam, e Wilson Faria diz que o fenómeno pode ter também a ver com a facilidade de transporte que o metropolitano gerou. "Passamos, na junta, dez a doze atestados de residência por dia a imigrantes, sobretudo romenos e brasileiros", garante o autarca.

Yasmin Lamas, 22 anos, estudante universitária de Cabo Verde, confirma este afluxo. Mudou-se com outras duas compatriotas para um apartamento da Rua da Boavista, junto à Praça da República, num edifício onde também residiam vários alunos do programa Erasmus (são 2640 este ano na cidade). O barulho dos carros, diz, "é insuportável", mas a casa fica perto da faculdade e a renda dificilmente poderia ser mais convidativa. "É tudo perto, nem sequer tenho que usar transportes para o que preciso de fazer", explica.

É só um exemplo. Mas são casos destes que vão ajudando a mitigar a desertificação do centro do Porto e o envelhecimento gerados pela forte migração para a periferia ocorrida nas últimas décadas (ver caixa).

Na Rua de Miguel Bombarda, se o esvaziamento da cidade permitiu a instalação de galerias de arte, o ambiente arty por elas gerado tem também atraído novos moradores para a zona.

Helena Gonçalves, 38 anos, investigadora, seguiu há três anos o exemplo de alguns amigos que já lá estavam a morar e juntou-se-lhes. "No início há alguma desconfiança por parte dos antigos moradores, que estranham os hábitos diferentes, mas depois isso desaparece", diz.

Maiata, casada e mãe, Helena sempre quisera morar no centro do Porto - para estar perto do cinema e do teatro, das exposições. Encontrou um clima de boa vizinhança e só lamenta que as velhas mercearias vão fechando as portas e, claro, que a falta de estacionamento obrigue a alugar um lugar de garagem. "É uma despesa mensal razoável", queixa-se.

Mais difíceis são, apesar de tudo, as condições no centro histórico da cidade, onde a degradação do património é mais acentuada e a reabilitação avança a um ritmo exasperantemente lento. Disto se queixou, ainda há poucas semanas, em comunicado, o Grupo de Apoio do Bairro da Sé. Disto se queixa também Jerónimo Ponciano, o presidente da Junta de S. Nicolau, freguesia que corresponde à zona da Ribeira. "As casas estão muito degradadas, há muitos edifícios por recuperar e, enquanto isto não mudar, a juventude foge daqui para fora. E não vêm novos moradores", descreve, contando como as suas três filhas casaram e tiveram que procurar casa fora do bairro.

"Quem quer constituir um lar procura uma habitação digna. Isso, aqui, não há", lamenta Ponciano, que aponta o dedo ao "desleixo" dos responsáveis políticos locais e nacionais. "Os prédios que são propriedade da câmara são os que estão em pior estado", diz. O resultado está à vista: "As pessoas são cada vez menos. Os velhos morrem, os jovens fogem", resume Ponciano, secundado por António Oliveira, presidente da Junta da Vitória. "A freguesia continua a envelhecer. Não há novos moradores, só casos pontuais", garante.

"É bom morar na Baixa"

Um desses casos é Cátia Barros, uma bracarense de 33 anos que veio para o Porto estudar há 16 anos e nunca mais abandonou a Baixa. Cenógrafa de profissão, morou nos Poveiros, em Cedofeita, na Batalha e junto ao Rivoli. Agora vive num apartamento na Sé com vista privilegiada para a Ponte D. Luís I e para o casario da zona histórica, numa rua à qual o metropolitano retirou o trânsito. É aqui que os amigos se juntam para ver o fogo-de-artifício na noite de S. João.

"É bom morar na Baixa", garante. Queixa-se também da falta de lugares para estacionar o carro, das multas constantes, da poluição, dos pedaços dos edifícios em ruínas que caem sobre os carros e até da praga de pombas e gaivotas que não permite ter a roupa a secar na varanda. Mas, optimista, diz que as vantagens superam largamente estes inconvenientes. Cátia beneficia das relações de vizinhança que se estabelecem, do facto de ser conhecida nos cafés e nas mercearias e de, por exemplo, lhe virem bater à porta se acontece alguma coisa com o carro. Também pode ir a pé para qualquer lado, inclusivamente à noite, até porque, assegura, nunca sentiu nenhum problema de insegurança, apesar da proximidade de alguns locais de tráfico de droga. "A insegurança da Baixa é um mito urbano", afirma. Tudo visto, repete, "é mesmo muito bom morar na Baixa".

Estudos confirmam envelhecimento

Os olhos vêem, a demografia confirma. Os estudos existentes para a cidade do Porto, baseados em dados recolhidos pelo Instituto Nacional de Estatística entre os anos de 1991 e 2005, confirmam que "o declínio demográfico e o acentuado envelhecimento da população são os principais traços da evolução do Porto" nos últimos anos, reflectindo a "forte descentralização da função residencial para os concelhos contíguos, bem como a quebra da natalidade".

Os dados estão plasmados num estudo efectuado pela Câmara do Porto, o qual revela que as freguesias do centro histórico e da Baixa são aquelas onde a quebra demográfica mais se tem feito notar. Miragaia perdeu, naquele período, cerca de 40 por cento da população, a Vitória 36,3, a Sé 35,3 e Santo Ildefonso outros trinta por cento. O estudo confirma também a tendência para um forte envelhecimento da população nas zonas centrais, onde os menores de 15 anos chegam, nalgumas freguesias, a representar apenas 4 por cento da população.

O forte fluxo migratório para a periferia, agravado por uma fraca taxa de natalidade, tem contribuído decisivamente para que o processo de declínio demográfico e de envelhecimento se tenha instalado. Em 2005, o INE calculava que o Porto tivesse apenas 233.465 habitantes. A inversão desta tendência, conclui o estudo, "é um desafio exigente, em tempo e recursos, difícil de vencer e que, no actual quadro de atribuições e competências, escapa à intervenção directa do município".

Renovação demográfica

Uma das formas possíveis para aferir a chegada de novos moradores a uma determinada zona da cidade passa pela contabilização dos contadores de água instalados, procedimento praticamente obrigatório para quem chega a uma casa nova. No caso da zona central do Porto, os números fornecidos pela empresa municipal Águas do Porto para os últimos cinco anos confirmam que, apesar do envelhecimento e da desertificação visíveis a olho nu, há sangue novo a chegar, sobretudo às freguesias de Cedofeita e de Santo Ildefonso, que correspondem, grosso modo, ao Central Business District, mas também à Sé, a Miragaia, à Vitória e a S. Nicolau. Em Santo Ildefonso, para uma população estimada em cerca de dez mil habitantes (censos de 2001), foram instalados, nos últimos cinco anos, 1603 contadores de água, apenas relativos a clientes residenciais. Em Cedofeita, onde residem 25 mil pessoas, foram instalados 3385 novos equipamentos, que corresponderão a outras tantas casas habitadas.

Menos significativos, em termos numéricos, são os números relativos aos contadores residenciais instalados nas freguesias do centro histórico: na freguesia da Sé há 491 novos equipamentos para uma população estimada em quase cinco mil habitantes; em Miragaia, onde residiam, em 2001, 2810 pessoas, foram instalados 373 novos contadores; na Vitória, para uma população de cerca de 2700 habitantes, há 324 novos clientes residenciais de água; e em S. Nicolau, com quase três mil habitantes, foram instalados apenas 226 contadores nos últimos cinco anos, revelando o pior desempenho no âmbito da renovação demográfica. A Águas do Porto, refira-se, não regista as idades dos clientes, pelo que não é possível aferir até que ponto os novos moradores correspondem também a uma renovação geracional.


Fonte: http://jornal.publico.clix.pt/noticia/05-03-2010/esta-cidade-nao--e-so-para-velhos-18925062.htm

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Os problemas das nossas cidades


O jornal PÚBLICO tem um novo caderno chamado "Cidades", aos domingos. O "Cidades" tem uma secção fixa que tem por objectivo ajudar os cidadãos a encontrarem respostas das autoridades para os seus problemas.

Se quiserem participar podem enviar uma pergunta concreta sobre um problema da vossa rua, bairro ou cidade que o jornal procurará a resposta junto das autoridades responsáveis, presidente da câmara, vereador, departamento estatal, etc.

Escrevam para: queixascidades@publico.pt


O PÚBLICO fará uma selecção das perguntas recebidas para garantir variedade geográfica e temática. Devem incluir identificação, morada e um número de telefone ou endereço electrónico para o caso de ser necessário algum contacto adicional.

Já agora podem também enviar para este blogue as perguntas que gostariam de fazer aos responsáveis da vossa cidade.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Cidade não, obrigado - as vilas portuguesas que não querem ser elevadas a cidade

Ponte do Lima, a "vila mais antiga de Portugal"


O Jornal Público publicou ontem, no caderno dedicada às cidades, um artigo muito interessante sobre as vilas portuguesas que não querem ser elevadas a cidade, apesar de preencherem os requisitos da lei portuguesa. À luz de uma lei de 1982, cada vez mais vilas vêem confirmado o título honorífico de cidade. Mas há quem resista a esta tendência...


O número de cidades disparou em Portugal nas últimas três décadas, desde que, a 2 de Junho de 1982, uma lei veio estabelecer os parâmetros que permitiam às terras subir de escalão. Eram, nessa altura, 47. Hoje são 156. Mas, em contraciclo com a autêntica corrida a que se assiste pela elevação a cidade, há vilas que recusam o título. São poucas, mas parecem irredutíveis na sua decisão.

Ponte de Lima esgrime com o título de "vila mais antiga de Portugal", Cascais e Sintra pensam no turismo, Oeiras fica na intersecção destes dois argumentos, a tradição e a imagem externa. E é neste quarteto que se centra a resistência à aparentemente imparável corrida ao estatuto de cidade. O caso de Sintra torna-se ainda mais interessante pelo pormenor de o município já englobar duas cidades, Agualva-Cacém e Queluz.

Gente é o que não falta em Sintra. Números de 2008 apontam para 445.872 habitantes, distribuídos por 317 km2 - três das seis maiores vilas de Portugal ficam neste concelho: Algueirão-Mem Martins (1.ª da lista segundo o censos 2001), Rio de Mouro (3.ª) e Sintra (6.ª). Mas este vórtice urbano, quase todo edificado sobre a linha do caminho-de-ferro e nas margens de um dos mais congestionados eixos rodoviários do país, o tristemente famoso IC19, tem como sede de município uma das localidades portuguesas mais associadas ao imaginário romântico. A Paisagem Cultural de Sintra é Património Mundial da UNESCO.

"Sintra é vila desde o início da nossa nacionalidade", realça, em respostas enviadas por escrito, Fernando Seara, presidente da câmara municipal. "E mantém o seu estatuto de vila. Mantém a sua identidade, o seu imaginário. Mantém nas suas tertúlias e no sentimento colectivo. E mantém acrescidamente em razão da banalização da designação e da determinação da categoria das povoações, bem expressa na não actualização da Lei 11/82."

Esta identidade cantada por Byron e Hans Christian Andersen, por Eça de Queiroz e Almeida Garrett, esta magia especial da envolvente natural e do rosário de monumentos e edifícios que enfeitam a serra, tudo isto é o cartão de visita de Sintra. Poderia esta aura sair manchada pela mudança de estatuto, de vila para cidade? Será que isso prejudicaria o apelo turístico?

Defender uma imagem

A resposta não vem de Sintra, mas de Cascais, onde os argumentos contra a elevação a cidade alinham pela mesma lógica. "Em oposição a vila, a (des)promoção a cidade dá a imagem de aglomerado densamente urbanizado, satélite e dormitório da capital, com características bem distintas da vila de Cascais e que queremos continuar a manter", considera António Capucho, presidente da câmara municipal. E alinha ainda outro argumento: "[A elevação a cidade] Não adianta nada e só dá despesa com a alteração da simbologia a que obriga."

Também Cascais tem, portanto, uma imagem a defender. E os responsáveis do município consideram que essa imagem sairia prejudicada com o estatuto de cidade. Se no caso de Sintra é mesmo só a imagem da sede do município que está em questão, em Cascais grande parte da linha litoral (nomeadamente a zona do Estoril) também não quer associar-se à ideia de grande centro urbano - embora o concelho de Cascais já conte 188.244 habitantes...

Ali mesmo ao lado, em Oeiras, o peso dos argumentos turísticos não tem a mesma dimensão e, num concelho que se afirmou nas últimas décadas principalmente pela capacidade para atrair empresas e criar pólos de desenvolvimento tecnológico, a aura de cidade talvez já não caísse assim tão mal. Mas a questão da elevação também não se coloca.

Isaltino Morais, presidente da Câmara Municipal de Oeiras, avança logo com "um argumento de peso: não há qualquer diferença entre ser vila ou cidade". E salienta mesmo que, "para Oeiras ser cidade, do mesmo modo se justificava idêntico estatuto dentro do concelho para as vilas de Paço de Arcos, Algés/Miraflores, Linda-a-Velha e Carnaxide, pois todas elas reúnem os requisitos formais para serem cidade". Em 2008, o município contava 172.021 habitantes.

Recordando, nas respostas enviadas por escrito, reuniões, ainda na década de 1980, entre os presidentes das câmaras de Oeiras, Cascais e Sintra no sentido de ser mantido o estatuto de vila, Isaltino salienta que em Oeiras "nunca se sentiu qualquer necessidade ou qualquer movimento no sentido da sua elevação a cidade, considerando-se que é mais importante ser vila com 250 anos do que cidade com meia dúzia".

O êxodo rural

Mas se falamos do peso da história, então a vila campeã está bem longe deste triângulo da área metropolitana de Lisboa. Ponte de Lima, no Minho, com foral concedido em 1125, é a "vila mais antiga de Portugal", um título que "tem proporcionado associar-lhe uma imagem de marca promocional estratégica nas dinâmicas de oferta, em termos paisagísticos, culturais, ambientais, patrimoniais e turísticos", explica Victor Mendes, presidente da câmara municipal.

Por outro lado, este estatuto de "vila mais antiga de Portugal" "tem contribuído, sobremaneira, para a auto-estima, para um grande sentimento de pertença e para um cada vez maior enraizamento das gentes, o que se traduz numa notória fixação das populações". As estatísticas apontam o concelho de Ponte de Lima (44.527 habitantes em 2008) como "o mais jovem do distrito de Viana do Castelo".

Curiosamente, a mesma história que define a recusa de Ponte de Lima em ser cidade é responsável pela manutenção do título em localidades que há muito perderam a dimensão para o serem. José Manuel Simões, professor do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa, lembra, por exemplo, o caso de Miranda do Douro: "A meio do século passado, perdeu tanta população que chegou a ter menos de 2000 habitantes; por essa altura, Amareleja, que era uma aldeia, tinha mais de 5000."

O quadro actual das cidades portuguesas ficou marcado por movimentos demográficos como a emigração e o fluxo interno em direcção a Lisboa e Porto. "O mapa da população no século XVI - o primeiro censo foi feito em 1527 - era bem mais equilibrado do que o actual. Havia um rosário de povoamentos no interior, justificados pela necessidade de defesa do território", destaca o professor.

José Manuel Simões recorda depois o êxodo rural e a falta de uma verdadeira política de desenvolvimento do interior: "Tropeça logo no facto de o IP2 ter sido considerado uma via estratégica no plano rodoviário de 1985 e, mais de 20 anos depois, ainda não estar concluído..."

Ainda assim, os melhoramentos da rede viária reduziram em muito o drama da interioridade. E, numa altura em que cresce o número dos descontentes com a vida nas grandes cidades, há todo um potencial de atracção das localidades mais pequenas para ser explorado. Há algumas décadas, quando muitos estrangeiros começaram a escolher o Algarve para fixar residência, escolhiam aldeias - e o termo acabou mesmo por servir de mote para baptizar empreendimentos turísticos...

O que diz a lei

De regresso ao litoral. A lista das vilas que não aspiram a ser cidade poderia ainda incluir a maior vila de Portugal, Algueirão-Mem Martins, mas neste caso a recusa não se deve a uma filosofia de vida. É mais a dura realidade dos factos que se mete no caminho.

"Gostaria de poder pensar a cidade de Algueirão-Mem Martins", assume Manuel do Cabo, presidente da junta desta freguesia do concelho de Sintra, "mas não existe uma cidade sem pavilhão gimnodesportivo, um complexo polidesportivo, um centro de saúde que não seja num prédio de habitação com seis andares (onde as pessoas com deficiência são atendidas à porta), sem um centro dia ou um lar público, sem piscinas (há uma para 120.000 habitantes), sem creches públicas, sem um parque ou jardim digno desse nome". "Nada disso existe na minha freguesia. Os construtores não deixaram espaços disponíveis para outra coisa que não fosse habitação. E a culpa é da câmara municipal, que autorizou que se construísse mesmo por cima das ribeiras..."

O desabafo de Manuel do Cabo vai longo, mas toca em quase todos os pontos sensíveis da questão. A noção que temos de cidade é a de um centro, um pólo aglutinador de actividades e pessoas e gerador de progresso regional. Mas o mapa português do século XXI mostra uma realidade bem diferente: muitas das nossas cidades são apenas subúrbios onde muita gente dorme. Faz sentido serem cidades?

À luz da lei, faz. O diploma de Junho de 1982 indica um critério demográfico (mais de 8000 eleitores em aglomerado populacional contínuo) e enuncia um conjunto de outros requisitos: instalações hospitalares com serviço de permanência; farmácias; corporações de bombeiros; casa de espectáculos e centro cultural; museu e biblioteca; instalações de hotelaria; estabelecimento de ensino preparatório e secundário; estabelecimento de ensino pré-primário e infantários; transportes públicos, urbanos e suburbanos; parques ou jardins público. As povoações que possuam, pelo menos, metade destes equipamentos podem aspirar a ser cidade - estatuto que é concedido pela Assembleia da República.

Mas isto não impede que, neste momento, tenhamos "urbes sem qualquer urbanidade", na visão de José Manuel Simões, que fala na "febre de ser cidade". Este especialista gosta de dar exemplos práticos: "Fora da sua zona, quem é que conhece Fiães, ou Lixa? E a Vila Baleira [Porto Santo, Madeira] tem a população que é exigida? Há situações difíceis de explicar."

A questão não é tanto se temos mais cidades do que devíamos, até porque a comparação com o que se passa noutros países tropeça no facto de "ser tudo uma questão de escala". "[Em França], uma cidade média tem 200/300 mil pessoas, na China se calhar falamos de um milhão e na Islândia bastarão algumas centenas...", enuncia José Manuel Simões. O cerne da questão é perceber que uma cidade não pode ser apenas um amontoado de gente. "O mínimo que se pode dizer é que, nas últimas décadas, tem havido grande generosidade na criação de cidades."

A última vaga aconteceu a 12 de Junho do ano passado, quando Borba, Samora Correia, São Pedro do Sul, Senhora da Hora e Valença foram elevadas a cidade. E se esta última passou a ser apenas a segunda cidade do distrito de Viana do Castelo, já a Senhora da Hora elevou para 26 as localidades com esse estatuto no distrito do Porto. Lisboa só tem 11. E a "culpa" é de Cascais, Oeiras e Sintra.

Fonte: Luis Francisco, Público

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Dubai inaugura o maior arranha-céus do mundo e o primeiro Hotel Armani


E eis que, apesar das notícias recentes de um choque financeiro no Dubai, o emirado se prepara para celebrar o seu mais recente e mirabolante ícone: hoje é inaugurado oficialmente o Burj Dubai (Torre Dubai), declarado já o mais alto edifício do mundo (e a mais alta estrutura construída por mão humana), com os seus mais de 800 metros (a altitude exacta é… secreta — rumores correm que deverá andar pelos 816/818m).

Mas, 800m bastam, já que, até agora, o campeão era o Taipei 101 de Taiwan com “apenas” 508m. O Burj Dubai é parte de um imenso complexo comercial e é composto por “mais de” 160 andares, incluindo parte residencial (mais de mil apartamentos), parte escritórios (meia centena de pisos) e comercial, e, claro, hotéis de luxo extremo. Neste capítulo, não se faz mesmo por menos: tem direito ao primeiro hotel (e residências) Armani do mundo — a unidade hoteleira, projecto orientado pelo próprio Giorgio Armani, ocupa os primeiros oitos pisos e os 38.º e 39.º andares, oferecendo 160 quartos e suites, spa, restaurantes e lojas com a chancela daquela casa de moda italiana.

Impressionante!...

Fonte: http://www.publico.clix.pt/Mundo/dubai-inaugura-o-maior-arranhaceus-do-mundo-e-primeiro-hotel-armani_1416197






Lista dos edifícios mais altos do mundo:

- 366 m - Torre Jan Mao - Xangai (China, 1998)

- 369 m - Bank of China - Hong Kong (1989)

- 374 m - Central Plaza - Hong Kong (1992)

- 381 m - Empire State Building - Nova Iorque (Estados Unidos, 1931)

- 407 m - Two International Finance Center - Hong Kong (2003)

- 410 m - Petronas Twin Towers - Kuala Lumpur (Malásia, 1998)

- 442 m - Willis (Sears) Tower - Chicago (Estados Unidos, 1974)

- 492 m - Shangai World Financial Center - Xangai (China, 2008)

- 508 m - Taipei 101 - Taipé - (Taiwan, 2004)


Torres actualmente em construção:

- 484 m - International Commerce Center Hong Kong (2010)

- 541 m - One World Trade Center (Freedom Tower New York) (Estados Unidos, 2014)

- 600 m - Abraj Al Bait - Meca (Arábia Saudita, 2010)

- 609 m - Chicago Spire - Chicago (Estados Unidos, 2010)

- 610 m - Tokyo Sky Tree (Nova Torre de Tóquio) - Tóquio (Japão 2012)

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O Metro de Tóquio em hora de ponta

Este vídeo mostra a grande confusão e aventura que é andar de metropolitano em hora de ponta na gigantesca cidade de Tóquio.

Tóquio é o centro da maior megacidade do mundo, conhecida como Região Metropolitana de Tóquio-Yokohama. Esta região metropolitana inclui as províncias japonesas de Chiba, Kanagawa e Saitama. Cerca de um quarto de toda a população do Japão vive na região metropolitana de Tóquio. A população desta região metropolitana é de 37 milhões de habitantes, e a sua área urbananizada é de aproximadamente 5 200 km².

O metro de Tóquio tem 13 linhas com um comprimento total de 286,2 km, fazendo dele o terceiro maior do mundo, a seguir a Nova Iorque e Londres.

A hora de ponta na maior megacidade do Mundo é semelhante à de qualquer outra megalópole com uma exceção: os japoneses disciplinaram-se para conviver com ela. Os passageiros do metro que querem tentar um cobiçado assento formam uma fila ao lado daqueles que preferem partir rapidamente. Assim que o comboio fecha as portas, a fila dos que esperaram para viajar sentados desloca-se para o lugar da outra. É um movimento tão sincronizado que parece ensaiado. Funciona perfeitamente. As pessoas espremem-se no metro, onde funcionários, os "Oshiyás" (empurradores) com uniforme azul-marinho e luvas brancas tratam de empurrar vigorosamente os passageiros pela carruagem dentro. Tudo para manter a eficiência no atendimento à população. Sem atrasos, sem demora.

O desconforto de viajar colado ao corpo de estranhos é compensado não só pela pontualidade, mas também pela organização e abrangência da rede. São 283 estações e 292 quilómetros de linhas.


terça-feira, 7 de julho de 2009

As cidades mais caras do Mundo em 2009

Tóquio, a cidade mais cara do Mundo em 2009


Tóquio ocupa, agora, o primeiro lugar do ranking das cidades mais caras do mundo no estudo Cost of Living 2009, elaborado pela consultora Mercer. Lisboa cai sete lugares e fica-se este ano pela 64ª posição na lista, quando, em 2008, ocupava a 57ª. A consultora explica que esta descida “não se deve apenas à diminuição real do custo de vida, mas também às fortes flutuações cambiais”, nomeadamente, da revalorização do dólar face ao euro.Tóquio destronou Moscovo como a cidade mais cara do planeta, sendo que a capital russa passou a ocupar o terceiro lugar. O segundo lugar pertence a Osaka, também no Japão. Este ano, o estudo da Mercer revela alterações drásticas, como a subida de 74 lugares de Caracas (agora na 15ª posição) ou, por outro lado, a descida de 75 postos de Varsóvia (agora na 113ª posição). Nova Iorque entrou para o top ten este ano, subindo da 22ª para a oitava posição. O Cost of Living 2009 cobre 143 cidades, em cinco continentes, e mede o custo comparativo de mais de mais de 200 produtos representativos dos padrões de consumo, como a habitação e os transportes.


Ranking 2009:

1º Tóquio (Japão)

2º Osaka (Japão)

3º Moscovo (Rússia)

4º Genebra (Suíça)

5º Hong Kong (Hong Kong)

6º Zurique (Suíça)

7º Copenhaga (Dinamarca)

8º Nova Iorque (EUA)

9º Pequim (China)

10º Singapura (Singapura)

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Portugal tem cinco novas cidades e 22 novas vilas

Senhora da Hora já é cidade


A Assembleia da República aprovou hoje por unanimidade a elevação de 22 povoações a vilas e a criação de cinco cidades, numa votação que foi seguida por várias dezenas de populares, a partir das galerias do Parlamento.


Foram elevadas a cidade as localidades de:
  • Valença (Viana do Castelo),

  • Senhora da Hora (Matosinhos),

  • S. Pedro do Sul (sede do concelho),

  • Samora Correia (Benavente) e

  • Borba (Évora).

À categoria de vilas passaram as localidades de Castro Laboreiro (Melgaço) e Soajo (Arcos de Valdevez), ambas no distrito de Viana do Castelo, Arões de S. Romão (Fafe), no distrito de Braga, Lordelo, distrito de Vila Real, e Ancede (Baião), Guifões (Matosinhos), Vilarinho (Santo Tirso), Senhora Aparecida (Lousada) e Madalena (Vila Nova de Gaia), todas no distrito do Porto. No distrito de Aveiro passaram à categoria de vila as povoações de Soza (Vagos) e Valongo do Vouga (Águeda), enquanto o distrito de Coimbra viu subir a vila as localidades de S. Pedro, Marinha das Ondas, Lagos e Tarazede, todas no município da Figueira da Foz. O Parlamento aprovou também a elevação a vila das povoações de Foz do Arelho e À-dos-Francos, ambas nas Caldas da Rainha, distrito de Leiria, e Olival (Ourém), distrito de Santarém. Passaram ainda a vila as localidades de Prior Velho (Loures), Casal de Cambra (Sintra) e Montelavar (Sintra), no distrito de Lisboa, e Bensafrim (Lagos), distrito de Faro.

De acordo com a legislação, salvo "importantes razões de natureza histórica, cultural e arquitectónica", uma localidade pode ser elevada à categoria de cidade de tiver mais de oito mil eleitores e pelo menos metade dos seguintes equipamentos: instalações hospitalares, farmácias, corporação de bombeiros, casa de espectáculos e centro cultural, museus e biblioteca, instalações de hotelaria, estabelecimento de ensino preparatório e secundário, estabelecimento de ensino pré-primário e infantários, transportes públicos e parques ou jardins públicos.

Já para ser elevada a vila uma localidade tem de ter mais de 3.000 eleitores em aglomerado populacional contínuo e pelo menos metade dos seguintes estabelecimentos: posto médico, farmácia, casa do povo, dos pescadores, de espectáculos, centro cultural ou outras colectividades, agência bancária, transportes públicos colectivos, estação dos correios, estabelecimentos comerciais ou de hotelaria e uma escola pública.



Fonte: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1386349

terça-feira, 12 de maio de 2009

Guimarães confirmada como Capital da Cultura de 2012


Guimarães foi esta terça-feira oficialmente indicada como Capital Europeia da Cultura (CEC) em 2012. O Conselho de Ministros da Cultura da União Europeia reuniu em Bruxelas e confirmou a designação da cidade portuguesa como sede do evento, juntamente com Maribor (Eslovénia). A decisão pôs fim a um processo de candidatura que durava há mais de dois anos e meio, desde que a então Ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, anunciou que a cidade seria a candidata nacional à CEC de 2012. Guimarães torna-se a terceira cidade portuguesa a ser indicada como CEC, depois de Lisboa (1994) e Porto (2001). A escolha ratificada pelos ministros dos 27 vem confirmar o parecer favorável do painel de selecção das candidaturas, que tinha aprovado Guimarães no final do ano passado. A câmara local afirmou, em comunicado, que a decisão “vem validar a qualidade e relevância da candidatura, significando que a Europa reconhece a mais valia e o interesse que Guimarães pode aportar”.“A Capital Europeia da Cultura significa uma oportunidade para, com os vimaranenses, se concretizarem objectivos comuns: elevar o nível de formação e qualificação das pessoas”, antecipam os responsáveis do município. O presidente da Câmara, António Magalhães, entende que Guimarães “não pode perder nem mais um minuto” na preparação do evento. Em declarações ao PÚBICO, o autarca afasta a ideia de que o processo esteja atrasado. “Temos feito um trabalho de invisibilidade pública. Já gastamos milhões de euros em aquisições de terrenos, candidaturas e projectos”, adianta. No terreno estão neste momento apenas as obras de requalificação do Largo do Carmo e de toda a envolvente do Castelo de Guimarães. A reabilitação de edifícios e de algumas praças do centro da cidade, especialmente o largo do Toural e a sua envolvente, serão uma forte aposta, tal como o CampUrbis, que vai transformar a antiga zona industrial de Couros, na área limítrofe do centro histórico, numa extensão da Universidade do Minho. (Público, 12.05.09)



Esta é mais uma boa notícia para Portugal e muito especialmente para a cidade de Guimarães. Uma excelente oportunidade para a cidade que constituiu o berço da nacionalidade afirmar-se mundialmente e aproveitar para reabilitar/requalificar o seu espaço urbano e dotá-lo de novas infra-estruturas e equipamentos culturais.

domingo, 10 de maio de 2009

Mais de dez detidos esta madrugada no bairro da Bela Vista


Pela terceira noite consecutiva, o bairro foi palco de actos de violência que levaram à detenção de, pelo menos, dez pessoas na madrugada de hoje no Bairro Azul depois de terem sido incendiadas três viaturas e vários contentores na zona da Bela Vista

Após mais uma noite de violência na Bela Vista, em Setúbal, a "calma" regressou hoje de manhã ao bairro, disse à Lusa uma fonte dos bombeiros de Setúbal.
"A noite foi atribulada, com viaturas e contentores incendiados, mas agora a situação está calma", adiantou a mesma fonte à agência Lusa.
Os Bombeiros Sapadores de Setúbal compareceram no local com várias viaturas para apagar os incêndios, enquanto dezenas de polícias entravam no Bairro Azul, tido como um dos mais problemáticos da área e localizado perto da avenida onde foram incendiados dois automóveis. Um terceiro carro foi incendiado na Rua do Monte. Os incidentes na Bela Vista começaram na quinta-feira à tarde, quando um grupo de jovens se concentrou junto à esquadra da PSP da Bela Vista, alegadamente para homenagear um amigo morto na semana passada durante uma perseguição policial, após um assalto a uma caixa multibanco no Hospital Particular do Algarve. Desde então, têm-se vivido momentos de tensão na Bela Vista, uma zona de bairros sociais, com incidentes e disparos contra a esquadra da polícia, tiros para o ar e rebentamento de petardos.
(Sic on line, 10.05.09)



Fiquem com um vídeo com a reportagem da SIC:





Já vimos imagens como estas em outras cidades europeias como Paris ou Atenas. É a violência urbana que também nos atinge. Mais uma consequência de políticas municipais de habitação social erradas. Alguns bairros sociais das grandes cidades são cada vez mais um barril de pólvora prestes a explodir. Esperemos que esta situação seja resolvida o mais rapidamente possível e que o fenómeno não se generalize a outros bairros sociais das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto. A crise que estamos a atravessar também não ajuda nada.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Cidades à Noite (vistas do espaço)

Este vídeo faz parte do programa televisivo norte-americano "Saturday Morning Science" de Don Pettit e contém imagens nocturnas de diversas cidades do Mundo tiradas a partir do espaço extra-terrestre. É impressionante o efeito das luzes das cidades.


quarta-feira, 25 de março de 2009

Palestra: "As Metamorfoses do Urbano", pelo Professor Doutor Álvaro Domingues

Professor Doutor Álvaro Domingues


Hoje, às 10:10h, o geógrafo Professor Doutor Álvaro Domingues apresentou no auditório da Escola uma palestra subordinada ao tema: "As Metamorfoses do Urbano". Esta actividade foi organizada pelo Centro de Recursos da Escola e foi integrada na semana da Feira do Livro da Escola. A palestra abordou as questões relacionadas com os conceitos de cidade e de urbano, a expansão urbana e as relações entra o espaço urbano e o espaço rural.


Gostava que os alunos que assistiram à palestra dessem o seu testemunho desta actividade. Gostaram? Até que ponto foi importante para a vossa formação na área da Geografia? É uma mais-valia para os alunos participarem neste tipo de actividades?