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sábado, 10 de março de 2012

Síria: Civis e jornalistas ocidentais relatam massacre em Homs

O que se está a passar na Síria é uma autêntica chacina da população por parte das forças militares fiéis ao regime. Depois de tudo o que se passou na Líbia agora é a vez da Síria. Só que agora a comunidade internacional parece menos ativa e interessada em pôr fim à situação.

Vejam a notícia do jornal Sol de 5 de Março:

Segundo avançam as Nações Unidas, no último fim-de-semana cerca de dois mil sírios atravessaram a fronteira e entraram no Líbano. Deixaram quase todos os bens para trás e procuram apenas sobreviver ao que, jornalistas ocidentais que estiveram no local, classificaram já como «um autêntico massacre».

Hassana Abu Firas, que fugiu da cidade al-Qusair - a menos de cinco quilómetros de Homs -, explica que saíu da cidade «por causa dos bombardeamentos».

Já em segurança, no Líbano, Firas deixa uma pergunta, para qual não espera resposta: «O que querem que façamos? As pessoas estão sentadas nas suas casas e atacam-nas com tanques. Quem pode fugir, foge, e quem não pode fica sentado à espera de morrer».

Os refugiados que deixam Homs contam uma história ainda mais sangrenta e afirmam que, agora que os rebeldes sairam, os que ficaram para trás estão a ser alvo de um verdadeiro massacre.

Homens e rapazes, de todas as idades, estão a ser sumariamente executados. Uma mulher contou ao correspondente da BBC que, na sexta-feira, precisamente um dia depois dos oposicionistas saírem da cidade, viu os militares cortarem a garganta ao seu filho de 12 anos.

Depois de, a 22 de Fevereiro, a jornalista veterana Marie Colvin, do Sunday Times, e o jovem fotógrafo francês Rémi Ochlik terem caído às mãos de uma ofensiva do exército de Bashar al-Assad, os outros jornalistas ocidentais no distrito de Bab Amr (Homs) enviaram pedidos de ajuda e pediram para serem evacuados.

Paul Conroy, o jornalista que acompanhava Marie Colvin e que conseguiu sair através de um túnel, 20 minutos antes deste ser bombardeado, contou à CNN que se trata «de uma autêntica matança».

De acordo com o correspondente da BBC que conversou com defectores de uma unidade de elite do exército sírio, os soldados têm ordens para matar tudo o que mexa, seja civil ou militar. As ordens são simples, Bab Amr desafiou o Governo e, agora que o seu movimento de revolta caiu, vão sofrer as consequências.

Fora de Bab Amr permanece o comboio de ajuda humanitária da Cruz Vermelha, impedido de entrar pelas forças do regime que bloqueiam o acesso. O exército afirma que o distrito mais rebelde de Homs está repleto de minas anti-pessoal.

No interior encontram-se os soldados de Bashar al-Assad, os oposicionistas que ficaram a cobrir a retirarada estratégica e os civis que não conseguiram fugir. Sujeitos ao frio, à fome e a ferimentos, milhares estão agora nas mãos da arbitrariedade e do desejo de vingança dos soldados de Assad.

Em quase um ano de revolta as Nações Unidas estimam que cerca de 7500 pessoas tenham morrido na Síria. No entanto, este número é contestado pelos activistas que se encontram no local, segundo os quais o número deverá ser superior às oito mil mortes.

catarina.palma@sol.pt 

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Cerimónia diária do fecho da fronteira entre a Índia e o Paquistão

Este vídeo mostra a cerimónia diária do fecho da fronteira entre a Índia e o Paquistão. É um espetáculo de encenação e de provocação mútua. Recordo que estes dois países já travaram uma guerra e que as relações continuam muito tensas devido à questão da disputa dos dois países pelo domínio da região de Caxemira e do terrorismo islâmico com origem no Paquistão.

sábado, 9 de julho de 2011

A partir do de hoje há mais um país no Mundo: o Sudão do Sul

Hoje nasce um novo país em África: o Sudão do Sul. O nascimento do Sudão do Sul é o resultado do referendo de Janeiro passado, previsto nos acordos de paz de 2005, que puseram fim a cinco décadas de conflito e duas de guerra contínua. Cerca de 99 por cento dos eleitores votaram pela secessão. E ontem o agora já velho Sudão, com capital em Cartum, tomou a dianteira e quis ser o primeiro país a reconhecer o novo Estado. 

No entanto, o Sudão do Sul nasce num ambiente incerto em que a alegria da independência é acompanhada pela  apreensão relativamente ao futuro deste novo país. Eis alguns dados que permitem compreender esta incerteza:

- a  indefinição do traçado fronteiriço em algumas zonas;

- a falta de um acordo sobre a repartição das receitas petrolíferas cuja produção se concentra maioritariamente no Sul mas são escoadas pelo Norte;

- a ausência de entendimento sobre estatuto dos cidadãos do Sul que residem no Norte são dossiers por resolver;

-  os índices de mortalidade infantil, saneamento básico, educação e insegurança alimentar mostram que o Sul mais fértil e rico ficou muito para trás no desenvolvimento em relação ao Sudão do Norte, apesar de ser aí que se concentram as maiores riquezas;

- uma em cada sete mulheres morre de problemas de gestação ou parto;

- 85 por cento dos adultos são analfabetos;

- 90 por cento dos quase dez milhões de habitantes vivem com menos de um dólar por dia;

- as divisões étnicas no seu seio -  no Sul, um verdadeiro mosaico étnico, a paz está longe de ser um dado adquirido: mais de 2360 pessoas foram mortas em disputas internas desde o início do ano.

- a violência das últimas semanas em zonas como o disputado enclave de Abyei, onde em Janeiro não foi possível realizar o previsto referendo local sobre a pertença ao Norte ou ao Sul;

- os confrontos que rebentaram no último mês no Kordofan do Sul, estado do Norte, criaram uma situação explosiva;

- a guerra é uma ameaça latente e permanente;

- a corrupção no Movimento de Libertação Popular do Sudão (SPLM, sigla inglesa).

Segundo o Público on line de hoje, "o presidente do até aqui Sudão único, Omar al-Bashir, tem temperado as declarações de apaziguamento com palavras mais duras, num registo em que parece querer conciliar a tentativa de agradar à comunidade internacional - a retirada da lista norte-americana de Estados que apoiam o terrorismo e as promessa de ajuda financeira são os estímulos mais óbvios - com a necessidade de satisfazer os sectores do regime que temem a perda de grande fonte de receitas do Estado, cerca de 37 por cento, e vêem na separação do Sul um precedente que outros movimentos secessionistas do país poderão tomar como exemplo.  É preciso não esquecer que o velho Sudão era um país onde Arábia e África, islão e cristianismo, se encontram, tornando-o palco de tensões, confrontos e perseguições étnicas".

Será que este novo país é viável? Tenho muitas dúvidas. O tempo o dirá.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Ainda há muitos por derrubar

Vinte anos após a queda do Muro de Berlim, barreiras de diversos tipos, comprimento e altura persistem ou continuam a ser erguidas em diversos países. Existem ainda muitos muros por derrubar, que continuam a dividir populações e a envergonhar a humanidade. Uns já são antigos, mais antigos do que o próprio Muro de Berlim; alguns são relativamente recentes; outros estão agora a ser construídos ou estão em projecto. Embora com objectivos diversos, estes muros separam diferentes etnias e comunidades culturais e religiosas de um mesmo país ou até da mesma cidade; famílias, amigos e vizinhos; ricos e pobres; cidadãos de países vizinhos. As justificações para a sua construção são as mais diversas: uns resultam de conflitos armados não totalmente resolvidos; outros são levantados alegadamente por razões de segurança, como estratégia no combate ao terrorismo ou à violência urbana ou, ainda, para controlar a imigração clandestina. São o reflexo da incompreensão, intolerância, ódio, descriminação, desigualdade e indiferença e põem em causa a liberdade, os direitos humanos e a diversidade cultural.

Em todos os continentes encontramos diferentes tipos de muros, talvez menos mediáticos e menos marcantes para a História mundial do que o Muro de Berlim, muitos deles “esquecidos” pela Comunidade Internacional, mas igualmente vergonhosos. No continente europeu persistem muros na Irlanda do Norte (nas cidades de Belfast e Derry) e na ilha de Chipre (na capital Nicósia e ao longo da fronteira entre a República do Chipre e a República Turca do Norte do Chipre). Na Ásia, foram ou estão a ser construídos muros que separam Israel da Cisjordânia (Território Palestiniano), a Índia do Paquistão (na região de Caxemira), a Índia do Bangladesh, o Paquistão do Irão, o Iraque do Kuwait e a Coreia do Norte da Coreia do Sul. Em África, os enclaves espanhóis de Melilla e Ceuta estão separadas do território marroquino por muros, tal como o Botswana do Zimbabué. O Saara Ocidental está dividido por um muro que separa a parte ocupada por Marrocos da parte ocupada pela Frente Polisário. No continente americano destaca-se o muro que separa os EUA do México. De seguida será feita uma breve análise de alguns destes muros.

As “Linhas de Paz” da Irlanda do Norte


Na Irlanda do Norte (província do Reino Unido) os muros recebem a estranha denominação de "linhas de paz". Surgiram pela primeira vez há 40 anos atrás em Belfast, inicialmente como uma medida temporária, mas continuaram a crescer até aos nossos dias. São uma série de barreiras que separam as Comunidades Católica (Republicana) e Protestante (Unionista). São o testemunho da história recente de violência entre católicos, que lutam pela separação da Irlanda do Norte do Reino Unido e a sua integração na República da Irlanda (parte sul da ilha da Irlanda), e protestantes, leais à coroa britânica e que lutam pela manutenção deste território no Reino Unido.

A primeira destas paredes foi erguida em 1969, após o início dos motins sangrentos (que se prolongariam pela década seguinte), contornando a parte oeste de Belfast, de maioria católica. Ao longo dos anos foram construídos outros muros para separar os bairros católicos dos protestantes. Algumas destas barreiras têm 6 metros de altura. A última das paredes foi construída recentemente, no ano passado, após um período em que aumentaram as tensões entre as duas comunidades.

Existem mais muros noutras cidades da Irlanda do Norte, como é o caso de Derry. Mas é Belfast que concentra a maioria. Os muros da capital somam cinco quilómetros de extensão. A parte inferior é de tijolo, betão ou ferro. A parte superior é constituída normalmente por aço. À noite, grandes portões controlados remotamente pela polícia são fechados e bloqueiam ruas entre comunidades vizinhas de republicanos e unionistas. As duas comunidades usam diferentes paragens de autocarros, diferentes lojas, diferentes hospitais e os filhos frequentam escolas separadas. Desviam-se de bairros e ruas, evitando-se mutuamente. Contudo nos últimos anos, principalmente a partir de 1998, com o Tratado de paz conhecido por Acordo de Belfast (ou Acordo de Sexta-feira Santa), têm sido dados passos positivos no sentido da pacificação entre as duas comunidades da Irlanda do Norte, ainda que persistam dezenas de muros em Belfast, sobretudo nas zonas mais pobres.

A “Linha Verde” de Chipre

Chipre é um país dilacerado, tal como os seus habitantes – dilacerados entre duas identidades nacionais diferentes, divididos entre duas origens étnicas diferentes: os cristãos ortodoxos gregos, maioritários na parte sul da ilha, e os muçulmanos sunitas turcos, maioritários na parte norte. Esta situação é explicada pela sua localização geográfica no Mediterrâneo Oriental, tendo sido ocupada ao longo da sua História por diversos povos, nomeadamente gregos e turcos, que deixaram fortes marcas culturais.

Em Julho de 1974, 14 anos depois da independência do país relativamente à administração britânica, a parte norte da ilha foi invadida e ocupada pelas tropas turcas, abortando uma tentativa de golpe de estado da comunidade grega que tinha o objectivo de anexar a ilha à Grécia. Em 1983, os cipriotas turcos autoproclamaram a “República Turca do Chipre do Norte”, situação que não foi reconhecida pela Comunidade Internacional, à excepção da Turquia. A República de Chipre ficou a partir desta altura limitada à parte sul da ilha. Esta situação levou à criação de uma “Linha Verde” de demarcação dos dois territórios, que atravessa a ilha no sentido transversal, dividindo o centro da capital Nicósia, e separando completamente habitantes das duas comunidades, como aconteceu em Berlim, durante a Guerra Fria. Os capacetes azuis da ONU patrulham a zona-tampão da “linha verde”. A região norte da ilha continua ocupada com dezenas de milhares de soldados turcos. O “muro” da ilha de Chipre tem 188 quilómetros de extensão e 5 metros de altura e é constituído por diversos tipos de materiais como arame farpado, paralelepípedos e até bidões. Os cipriotas turcos construíram e vigiam sozinhos uma fronteira que os cipriotas gregos não reconhecem. Em 2002, sob pressão popular, os cipriotas turcos abriram pontos de passagem: três na capital, duas noutros lugares da ilha. Nos últimos anos tem havido um grande esforço no sentido da reunificação da ilha.

A Zona Desmilitarizada da Coreia

A Zona Desmilitarizada da Coreia é uma faixa de território de segurança com um comprimento de 238 km e uma largura de 4 quilómetros que divide a Coreia do Norte (comunista) da Coreia do Sul (capitalista). Corta a Península, a meio, aproximadamente no Paralelo 38. Esta zona foi criada em 1953, no final da guerra da Coreia, na qual morreram três milhões de pessoas, que terminou num armistício. É a fronteira mais militarizada do mundo e representa a última fronteira criada pela Guerra Fria. Ao longo dos mais de 60 anos de existência foram muitos os incidentes registados nesta fronteira, reflectindo o clima de grande tensão entre as duas Coreias e a bipolarização mundial.


A “Barreira de Segurança” de Israel


Em 2002, o governo israelita iniciou a construção da barreira de separação entre Israel e a Cisjordânia alegando como objectivo a protecção de seus cidadãos de ataques terroristas palestinianos. O que para Israel é uma “parede de segurança” é interpretado do lado palestiniano como um muro de “apartheid”, condicionando fortemente a circulação dos cidadãos palestinianos. Grande parte da barreira está construída em pleno território palestiniano, deixando diversas localidades palestinianas do lado israelita da barreira, não respeitando a “linha Verde”, a demarcação estabelecida no armistício de 1949, entre Israel e a Transjordânia, hoje reconhecida internacionalmente como fronteira entre ambos os territórios. Dados da ONU indicam que, até o momento, Israel construiu 413 km dos 709 km planeados para o muro. Em 2004, o Tribunal Internacional de Justiça, de Haia, na Holanda, emitiu um parecer não vinculativo em que considerou que a barreira é ilegal e deve ser removida

O muro entre os EUA e o México – a “Operação Guardião”

A fronteira entre o México e os EUA tem cerca de 3 200 quilómetros. O governo americano construiu um muro de metal num terço da sua extensão, para dificultar a passagem de imigrantes ilegais vindos do México e da América Central. A construção do muro começou em 1991, mas foi em 1994 que os EUA decidiram intensificar a segurança sob a denominada “Operação Guardião”. Em quinze anos, segundo a Comissão Nacional de Direitos Humanos do México, mais de 5,6 mil imigrantes ilegais morreram ao tentar cruzar a fronteira. A maioria, em consequência das altas temperaturas do deserto que separa os dois países. Centenas de famílias ficaram separadas pelo muro que praticamente impede o contacto entre os dois lados. Em alguns pontos da fronteira, além do muro há três cercas de arame que impedem qualquer tipo de contacto entre os dois lados. Com a altura média de 4 ou 5 metros, o muro tem sido equipado recentemente com uma série de dispositivos tecnológicos como detectores infravermelhos, câmaras, radares, torres de controlo e sensores de terra para controlo mais eficiente da fronteira.


Referências bibliográficas:
- GADDIES, John L. (2007), A Guerra Fria, Edições 70
- GILBERT, Martin, (2009), História de Israel, Edições 70
- JUDT, Tony (2006), Pós-Guerra, História da Europa desde 1945, Edições 70
- WIENECKE-JANS, et. al (2006), Geografia do Mundo, Círculo de Leitores
- http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/8342874.stm , [21-11-2009]
- http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/lemonde/2009/11/10/ult580u4026.jhtm, [21-11-2009]
- http://pt.wikipedia.org/wiki/Linha_de_Demarca%C3%A7%C3%A3o_Militar, [21-11-2009



Nota: Este post transcreve um artigo que escrevi para a Revista de História, nº2, da Escola secundária de Rio Tinto, publicada em Dezembro de 2009. Algumas das imagens que aqui são exibidas são diferentes das que foram publicadas na referida revista.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Duplo ataque suicida no metro de Moscovo causa 36 mortos


Vista aérea da estação de metro de Park Kultury, em Moscovo - uma das atingidas pelo duplo atentado terrorista de 29 de Março. @EPA


Duas bombistas suicidas fizeram-se explodir esta manhã, em plena hora de ponta, no metropolitano de Moscovo, causando a morte a pelo menos outras 36 pessoas e deixando mais de 70 feridas, no mais grave ataque terrorista na Rússia em seis anos.O atentado não foi ainda reivindicado por qualquer grupo, mas as autoridades apontam como suspeitos mais prováveis os rebeldes oriundos do norte do Cáucaso, onde a Rússia continua a combater uma cada vez mais forte rebelião islamista. Vejam a notícia do Público on line publicada hoje.



O Presidente russo, Dmitri Medvedev, asseverou já que a luta contra o terrorismo vai prosseguir “até ao fim”, dando ordem pronta para reforçar a segurança em todos os sistemas de transporte do país. “A política de repressão do terror e a luta contra o terrorismo vão continuar. Vamos manter as operações contra os terroristas sem cedências, sem hesitações, até ao fim”, afirmou à saída de uma reunião de emergência, de acordo com a agência noticiosa RIA Novosti.

O atentado ocorreu na hora de ponta da capital russa, com a primeira explosão a dar-se às 7h52 (hora local, mais três horas em Portugal) quando o comboio subterrâneo se encontrava parado na estação de Lubianka, uma das de maior afluência, bem perto do quartel-general dos Serviços Federais de Segurança (FSB, agência sucessora do KGB).

Cerca de 40 minutos mais tarde, pelas 8h36 locais, dava-se a segunda explosão, numa outra composição parada, mas na estação do Parque de Kulturi, a seis paragens de distância de Lubianka .

“Foram duas bombistas suicidas que levaram a cabo estes ataques”, garantiu o presidente da câmara de Moscovo, Iuri Luzhkov. A mesma tese foi reiterada em comunicado emitido pelos FSB.

Medvedev mantém-se em linha de contacto de urgência com o chefe dos FSB, Alexandre Bortnikov, assim como com o ministro das Situações de Emergência, Serguei Choiguou. O primeiro-ministro, Vladimir Putin, que se encontra numa visita oficial à Sibéria, está igualmente a ser mantido ao correr dos desenvolvimentos, informavam as agências noticiosas russas.

O atentado não foi ainda reivindicado por qualquer grupo, mas as autoridades apontam como suspeitos mais prováveis os rebeldes oriundos do norte do Cáucaso, onde a Rússia continua a combater uma cada vez mais forte rebelião islamista. A procuradoria-geral abriu desde já um inquérito com o estatuto de investigação de terrorismo, logo após os peritos forenses terem encontrado o cadáver de um das bombistas suicidas.

No topo da lista de suspeitos está mais que seguramente o líder rebelde Doku Umarov – cuja rebelião quer impor um emirado islâmico na região do Norte do Cáucaso. Umarov ameaçou levar o combate dos insurgentes até às cidades russas, numa entrevista divulgada a 14 de Fevereiro passado ao website islamista www.kavkazcenter.com. “O derramamento de sangue não se limitará mais às nossas cidades e vilas [no Cáucaso]. A guerra vai até às cidades deles”, disse então.

Os líderes russos declararam com pompa e circunstância há cerca de ano e meio a vitória na batalha contra a rebelião separatista tchetchena – retirando do território a maior parte do seu contingente militar.

Mas, apesar de a violência ter diminuído significativamente naquela república da Federação Russa, os ataques dos rebeldes intensificaram-se desde então nas regiões vizinhas do Daguestão e Inguchétia, onde uma série de clãs rivais mantém uma arreigada luta pelo controlo e poder com grupos criminosos e militantes islamistas.

Passageiros em debandada de pânico

As câmaras de segurança – e cujas filmagens estão disponíveis na internet – mostram os cadáveres das vítimas na estação de Lubianka, assim como o azáfama das equipas de socorro em volta dos feridos, muitos com gravidade. As autoridades calculam que tenham morrido aqui 24 pessoas, e mais outras 12 em Kulturi.

“Estava a subir para as escadas rolantes quando ouvi a explosão, enorme. Uma porta junto à passagem ficou destruída, foi arrancada da parede e uma nuvem de pó varreu o ar”, descreveu um dos passageiros ao canal de televisão local Rossia 24. “As pessoas desataram a correr em todas as direcções, em pânico, caindo umas sobre as outras”, prosseguiu.

Todas as passagens de acesso àquela linha metropolitana foram bloqueadas pela polícia, mas as restantes linhas do enorme sistema de comboios subterrâneos da capital – por onde circulam uns 8,5 milhões de passageiros por dia – continuam a funcionar. As autoridades da aviação deram, por seu lado, ordem para um aumento dos protocolos de segurança nos aeroportos, temendo novos ataques.

O balanço actual de vítimas é o mais grave num atentado em Moscovo desde 6 de Fevereiro de 2004, quando um bombista suicida tomou por alvo também a rede de metropolitano da capital russa, fazendo-se explodir numa composição em circulação entre as estações de Avtozavodskaia e de Paveletskaia: causou a morte de 41 pessoas e deixou mais de 250 feridas. As autoridades atribuíram então a responsabilidade a rebeldes tchetchenos.

Fonte: http://www.publico.pt/Mundo/duplo-ataque-suicida-em-moscovo-causa-36-mortos_1429921

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A greve de fome de Aminetu Haidar

Aminetu Haidar

Numa altura em que se comemorama o dia Internacional dos Direitos do Homem (10 de Dezembro), comunidade internacional tem, nos últimos dias, estado atenta à situação dramática de uma cidadã do Saara Ocidental (Aminetu Haidar) que foi expulsa do seu território pelas autoridades marroquinas, encontrando-sa há 25 dias em greve de fome na ilha de Lanzarote, no arquipélago das Canárias (Espanha).

Aminatou Haidar, nascida em 24 de Julho de 1966 no Saara Ocidental, também conhecida por Aminatu ou Aminetu, é uma defensora dos Direitos Humanos do povo sarauí e líder activista pela independência do Saara Ocidental, em grande parte ocupado pelo vizinho Marrocos. É por muitos conhecida pela "Saharawi Gandhi" pelos seus protestos feitos de uma forma pacífica, incluindo greves.

O Saara Ocidental (Sara Ocidental ou Sahara Ocidental) é um território na África Setentrional, limitado a norte por Marrocos, a leste pela Argélia, a leste e sul pela Mauritânia e a oeste pelo Oceano Atlântico, por onde faz fronteira com a região autónoma espanhola das Canárias. Capital: El Aaiún. O Sahara Ocidental está na Lista das Nações Unidas de territórios não-autónomos desde a década de 1960. O controlo do território é disputado pelo Reino de Marrocos e pelo movimento independentista Frente Polisário.

Em 27 de Fevereiro de 1976, este movimento proclamou a República Árabe Saarauí Democrática (RASD) um governo no exílio. A RASD é reconhecida internacionalmente por 45 Estados e mantém embaixadas em 13 deles, sendo membro da União Africana desde 1984, carecendo no entanto de representação na ONU. O primeiro Estado que reconheceu a RASD foi Madagáscar em 28 de Fevereiro de 1976.


Vejam agora a notícia do jornal de Notícias publicada hoje na sua página electrónica:


Haidar quer voltar ao Sara "viva ou morta"

"Só quero regressar ao Sara Ocidental, com passaporte ou sem ele, viva ou morta". Aminetu Haidar, activista sarauí em greve de fome em Lanzarote, afirmou, ontem, quinta-feira, acreditar que Marrocos cederá à sua vontade.

Ontem, Aminetu apareceu visivelmente enfraquecida perante os jornalistas que a aguardavam, no aeroporto de Lanzarote, nas ilhas Canárias, para uma conferência de Imprensa. Com 25 dias de greve de fome completos, depois de ter sido expulsa pelo Governo marroquino, que a tem impedido de regressar ao país, a activista mal conseguia olhar para as objectivas dos fotojornalistas.

Haidar respondia a uma jornalista que lhe perguntou se aceitaria regressar ao Sara Ocidental se Marrocos fizesse chegar um passaporte marroquino a Lanzarote, através das autoridades espanholas.

A activista, que falou à Imprensa numa cadeira de rodas, visivelmente enfraquecida e com a voz fraca, afirmou que o seu moral está "mais elevado que nunca", uma vez que o "alimenta diariamente" e "suaviza o sofrimento", sobretudo quando fala com os dois filhos.

A uma jornalista que lhe perguntou se acredita que Marrocos pode "ceder à pressão internacional", Haidar respondeu: "Acredito que sim". E renovou o apelo ao Governo espanhol para que se empenhe no seu regresso, considerando que "o que fez até agora não é suficiente".

Ontem, o ministro da Justiça marroquino, Abdelwahed Radi, voltou a defender que a solução para a situação da activista sarauí Aminatu Haidar "está nas suas mãos". "O Governo espanhol fez tudo o que era possível. Propôs a nacionalidade, propôs alojamento, propôs trabalho (...). Ela recusou tudo", referiu o ministro, acrescentando que existem pessoas que estão a "empurrar" a activista para "morrer como uma heroína".

Haidar confirmou que há alguns dias redigiu, perante um notário, o seu testamento vital e disse que, quando chegar o momento, "toda a gente" saberá o que ele contém.


Fonte: http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=1444079


Para conhecerem melhor a situação do Saara Ocidental cliquem aqui.


Para conhecerem a Declaração Universal dos Direitos do Homem de 10 de Dezembro de 1948 cliquem aqui.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O filme "Hotel Ruanda" e o genocídio do Ruanda

Campo de refugiados ruandeses

Hoje foi exibido no Auditório da Escola o filme "Hotel Ruanda" O filme foi apresentado e discutido durante as aulas de Geografia C e História A do 12ºI. De seguida podem ver um artigo de Bruno Amorim sobre o conflito do Ruanda que ocorreu em 1994.


Foi no dia 6 de Abril de 1994, que a humanidade assistiu a um dos maiores horrores de que há memória. No Ruanda, tensões étnicas entre os hutu e os tutsi deram origem à violência e ao vasto derramamento de sangue, em sequência do agravamento de um conflito de décadas.No início da década de 90, o conflito entre as duas tribos (hutu e tutsi) aumentava a cada minuto. Até que a 6 de Abril de 1994, a morte dos Presidentes Juvenal Habyarimana, do Ruanda, e Cyprien Ntaryamira, do Burundi, num inexplicável acidente de avião, quando este se aproximava de Kigali (capital do Ruanda), significou o acender do rastilho de uma guerra civil muito sangrenta.
Os extremistas hutu usaram o acidente como pretexto para chegarem ao poder e tentaram aniquilar a população tutsi e os hutu moderados. Resultado: entre Abril e Julho de 1994, morreram mais de 800 mil pessoas, no maior genocídio que alguma vez aconteceu em África.
O genocídio levou ao êxodo massivo da população tutsi que não tinha outra alternativa senão fugir do país. Calcula-se que mais de dois milhões de ruandeses abandonaram o território, procurando refúgio em países vizinhos e que dentro do país, o deslocados foram mais de 1,5 milhões de pessoas. A guerra civil afectou directamente mais de metade da população ruandesa que tinha cerca de sete milhões de habitantes.
O jornalista da TSF, Emídio Fernando, esteve no Ruanda em Fevereiro de 1996, e contou ao JornalismoPortoNet aquilo que encontrou: “no Ruanda pude presenciar a um êxodo bíblico de pessoas a entrar e sair no país assim que os tutsi chegaram ao poder". Segundo o jornalista, “nessa altura os tutsi tentaram vingar-se do que os hutu lhes fizeram durante o genocídio".
Sem condições sanitárias suficientes, milhões de refugiados ruandeses morreram vítimas de doenças como a cólera e a sida.

Dez anos depois…

Dez anos passaram e a memória do genocídio ainda está bem presente nas mentes de todos os ruandeses, sejam eles hutus ou tutsis. O repórter revela mesmo que as feridas do massacre estão bem presentes: “não conheci uma única pessoa no Ruanda que não tivesse tido um familiar morto à catanada".
O Ruanda é um país traumatizado pela guerra civil, destruído na maior parte das suas infra-estruturas sociais, económicas e políticas que tenta agora recuperar. No entanto, a reconciliação étnica é algo em que Emídio Fernando não acredita. “Os hutus e os tutsi não se misturam e assim é difícil que se consiga estabelecer uma democracia".
Outro problema que afecta a população ruandesa é a Sida. A doença tem-se propagado por todo o continente africano, no entanto, tem tido maior incidência na região dos Grandes Lagos, onde também se encontra a República do Ruanda. “A Sida é um problema muito grave, pois até as classes dirigentes, pessoas que realmente fazem funcionar um país, foram atingidas pela doença. Assim, o futuro de países como o Ruanda encontra-se muito indefinido", disse Emídio Fernando.

Bruno Amorim, 06.04.2004

Fonte: http://jpn.icicom.up.pt/2004/04/06/genocidio_no_ruanda_foi_ha_10_anos.html



Podem visionar a seguir um vídeo com o trailer do filme "Hotel Ruanda", de 2004, dirigido por Terry George e interpretado por Don Cheadle, Nick Nolte, Joaquin Phoenix, Desmond Dube e Sophie Okonedo. O filme é uma co-produção de Itália, Reino Unido e África do Sul, e relata a história real de Paul Rusesabagina, que foi capaz de salvar a vida de 1268 pessoas durante o genocídio de Ruanda em 1994. Logo depois das primeiras exibições, sua história foi imediatamente comparada com a de Oskar Schindler.

domingo, 18 de outubro de 2009

Índia vai construir um muro de mais de 3 000 quilómetros para separa este país do Bengladesh


Quando nos aproximamos da data em que a Alemanha e o Mundo, em geral, vão comemorar os 20 anos da queda do "Muro de Berlim", também conhecido pelo "Muro da Vergonha", ficamos a saber na última sexta que a Índia decidiu construir um muro com mais de 3 000 quilómetros (!!!!) para separar este país do Bengladesh, alegadamente, para impedir a imigração ilegal proveniente do país vizinho. Pelos vistos as razões também passam por questões religiosas e pelo terrorismo islâmico.

Enfim, mais um muro vergonhoso, que se soma àqueles que separam os EUA do México e Israel da Palestina (cisjordânia), entre outros.

Vejam a notícia do Público do passado dia 16 de Outubro:


Controlar uma fronteira cuja linha imaginária cruza pântanos, cursos de água e florestas praticamente impenetráveis é uma tarefa ciclópica. E tudo é ainda pior quando essa barreira política decepou comunidades e etnias, ignorou as lógicas locais e separou dois países por motivos religiosos. Hoje, a Índia, maioritariamente hindu, diz ser invadida todos os dias por imigrantes ilegais e terroristas oriundos do Bangladesh, o vizinho de maioria esmagadoramente muçulmana. Por isso, o Governo indiano decidiu construir uma vedação, em betão e arame farpado, cobrindo a maior parte (3200 quilómetros) dos mais de quatro mil quilómetros de fronteira entre os dois países.

A obra está orçamentada em 1,2 mil milhões de dólares (mais de 800 milhões de euros) e deverá ficar concluída em 2010. De acordo com observadores indianos, já está a reduzir os fluxos de imigração ilegal (os terroristas, esses, não se costumam deixam deter por barreiras físicas). Mas não é só na vertente financeira que o custo é elevado.

O puzzleda região é complexo: existem, segundo contas do jornalThe Times of India, 166 enclaves do lado errado da fronteira - 111 indianos no Bangladesh e 55 bangladeshianos na Índia. Há quem viva num país e tenha as suas terras no outro, quem compre numa aldeia e venda noutra, cruzando no processo uma fronteira que só se tornou visível quando as redes e as torres de vigilância começaram a nascer ao longo, ou mesmo no interior, da zona de 150 jardas (cerca de 137 metros) negociada pelos dois países como terra de ninguém, ou, como é conhecida, "linha zero".

Dezenas de mortos em 2009

As estatísticas falam de cerca de 800 mortos desde o ano 2000 (à volta de meia centena nos últimos seis meses, estima o diário espanholEl Mundo), os relatos dos jornalistas que visitam a região centram-se muitas vezes nos esquemas de corrupção postos em prática pelas duas forças encarregadas de vigiar a fronteira: a Border Security Force (BSF), do lado indiano, e os Bangladesh Rifles. Registaram-se várias trocas de tiros entre os militares dos dois países, com mortes à mistura, num passado recente, até porque o Bangladesh não encara com bons olhos a decisão do gigante vizinho de fortificar a fronteira.

Mas são as populações das regiões fronteiriças quem mais vezes se vê na mira das armas. Obrigados a pagar aos efectivos de ambas as polícias para fecharem os olhos às trocas comerciais e às movimentações que antigamente faziam parte do dia-a-dia das comunidades, os habitantes locais decidem por vezes não dar alimento à cobiça dos polícias, por convicção ou real incapacidade financeira. Às vezes morrem.

Muitos dos que são abatidos pelos tiros vindos do lado indiano não são imigrantes ilegais, mas sim gente que passa a fronteira com gado para vender do lado bangladeshiano - na Índia muçulmana as vacas são sagradas, o que não impede o país de ser um grande exportador de produtos bovinos... Mas não aqui, exactamente onde a tradição local sempre aceitou este tipo de transacção.

Uma nação cercada

A superpovoada Índia não tem uma boa relação com vários dos seus vizinhos e a solução de "fortificar" as fronteiras parece ter-se generalizado. A noroeste, com o Paquistão; a sudeste, com a Birmânia; praticamente a toda a volta do Bangladesh, que a Índia abraça quase completamente, o arame farpado e o betão tentam isolar a nação economicamente emergente dos seus vizinhos mais pobres.

No caso do Paquistão e do Bangladesh, há ainda o factor religioso: os imigrantes são muçulmanos. Como estas duas nações, que foram só uma até 1971 (ano em que o Bangladesh, até aí denominado Paquistão Oriental, se tornou independente), nasceram exactamente devido a critérios religiosos (foram separados da Índia em 1947, quando o Império britânico se retirou do subcontinente indiano, delimitando estes dois territórios para os muçulmanos e deixando o resto para os hindus) as tensões fronteiriças sáo históricas. Índia e Paquistão travaram três guerras entre 1947 e 1971 e a última conduziu à independência do Bangladesh, que foi apoiada por Nova Deli.

A Índia tem-se tornado mais islâmica devido à imigração (os muçulamanos seriam cerca de 13 por cento da população em 2001), enquanto no Paquistão e no Bangladesh a percentagem de hindus caiu rapidamente nas últimas décadas do século passado. Nas regiões fronteiriças da Índia com o Bangladesh o número de mu-?çulmanos aumentou de tal forma que há franjas da sociedade indiana que receiam a eclosão de conflitos étnicos - e, na Índia, um país onde os choques religiosos e os extremismos dão origem, com alguma frequência, em atentados e incidentes sangrentos, isto não é só retórica ou alarmismo.

A Índia sente-se ameaçada e, tal como outras nações já fizeram ou planeiam fazer, decidiu fechar-se atrás de muros. Mas, ao contrário do que sucede noutras paragens, esta tarefa ciclópica, que representa mais de uma vez e meia o que os Estados Unidos pretendem fazer na sua fronteira com o México ou quase oito vezes a distância coberta pela barreira entre Israel e a Palestina, tem-se mantido longe das atenções da opinião pública mundial.

Fonte: http://jornal.publico.clix.pt/noticia/16-10-2009/india-constroi-um-muro-de-mais-de-tres-mil-quilometros-na-fronteira-com-o-bangladesh-18027221.htm

quarta-feira, 6 de maio de 2009

U2 - Bloody Sunday

Bloody Sundy (Domingo Sangrento) é o termo utilizado para descrever um incidente em Derry, Irlanda do Norte, no qual foram mortos 13 manifestantes e 26 ficaram feridos, ocorrido no dia 30 de janeiro de 1972, quando o 1° Batalhão do Regimento de Paraquedistas do exército britânico dissolveu uma manifestação pacífica a favor dos direitos civis e contra o governo da Irlanda do Norte.

Das treze vitimas mortais, seis eram menores de idade, e uma um ferido que faleceu meses depois do incidente. Todas as vitimas estavam desarmadas e cinco delas foram alvejadas pelas costas.

Os manifestantes protestavam contra a política do governo irlandês de prender sumariamente pessoas suspeitas de actos terroristas. Essa política era dirigida contra o Exército Republicano Irlandês, o IRA, uma organização clandestina que luta pela separação da Irlanda do Norte da Grã-bretanha e posterior união com a República da Irlanda.

Após o "Domingo Sangrento", o IRA ganhou um número enorme de jovens voluntários, dando força ainda maior a esse grupo guerrilheiro. Em memória daquele dia, foi feita a canção "Sunday Bloody Sunday" em 1983, pela banda irlandesa U2.



Para saberem mais sobre a Irlanda do Norte cliquem aqui.

O Conflito entre a Índia e o Paquistão pela posse da região de Caxemira

Territórios disputados: verde: Caxemira Livre e Territórios do Norte, sob controle do Paquistão; marrom-escuro: Jammu e Caxemira, sob controle da Índia; Aksai Chin, sob ocupação da China.
Caxemira

A Caxemira é uma região do norte do subcontinente indiano, hoje dividida entre a Índia e o Paquistão. Uma parte foi anexada pela China.

O termo "Caxemira" descrevia historicamente o vale ao sul da parte mais ocidental do Himalaia. Politicamente, no entanto, o termo "Caxemira" descreve uma área muito maior, que inclui as regiões de Jammu, Caxemira e Ladakh.

Disputas pelo território

Actualmente localizada no norte do subcontinente indiano, a Caxemira é disputada por Índia e Paquistão desde o fim da colonização britânica. As tensões na região têm início com a guerra de independência, em 1947, que resulta no nascimento dos dois Estados - a Índia, de maioria hindu, e o Paquistão, muçulmano. Segundo uma resolução da ONU datada de 1947, a população local deveria decidir a situação política da Caxemira por meio de um plebiscito acerca da independência do território. Tal plebiscito, porém, nunca aconteceu, e a Caxemira foi incorporada à Índia, o que contrariou as pretensões do Paquistão e da população local - de maioria muçulmana - e levou à guerra de 1947 a 1948. O conflito termina com a divisão da Caxemira: cerca de um terço fica com o Paquistão (Caxemira Livre e Territórios do Norte) e o restante com a Índia (Jammu e Caxemira).

Em 1962, a China conquista um trecho de Jammu e Caxemira (Aksai Chin); no ano seguinte, o Paquistão cede aos chineses uma faixa dos Territórios do Norte. Um novo conflito, em 1965, não traz modificações territoriais.

Nos anos 1980, guerrilheiros separatistas passam a actuar na Caxemira indiana. Mais de 25 mil pessoas morrem desde então. A Índia acusa o governo paquistanês de apoiar os guerrilheiros - favoráveis à unificação com o Paquistão - e intensifica a repressão.

A situação da área continua tensa - além do conflito com o Paquistão, existe actualmente um forte movimento pró-independência em Caxemira.

Explosões nucleares

O conflito serve como justificaticação para a militarização da fronteira e para a corrida armamentista. Índia e Paquistão realizam testes nucleares em 1998 e, em abril de 1999, experimentam mísseis balísticos capazes de levar ogivas atómicas, rompendo o acordo assinado meses antes. Os dois países chegam à beira da guerra total. O primeiro-ministro ultranacionalista da Índia, Atal Vajpayee, ordena um pesado contra-ataque, que expulsa os separatistas em julho. A derrota paquistanesa leva a um golpe militar, liderado pelo general Pervez Musharraf, que depõe o primeiro-ministro paquistanês, Nawaz Sharif. Índia e Paquistão travam em Caxemira, em 1999, um confronto com um saldo de 1200 mortos.

Terrorismo

Uma onda de explosões mata dezenas de civis nas maiores cidades paquistanesas, entre o final de 1999 e o primeiro semestre de 2000. Fracassam negociações de paz entre o governo da Índia e separatistas muçulmanos da Caxemira em julho de 2000. Os combates recomeçam, assim como as acções terroristas nos territórios do Paquistão e da Índia. Em agosto de 2000, o Hizbul Mujahidine, principal grupo separatista muçulmano na Caxemira, anuncia uma trégua unilateral. A Índia suspende operações militares em Caxemira, pela primeira vez em 11 anos. As negociações fracassam diante da recusa da Índia em admitir o Paquistão na negociação de paz.

Demografia

O censo de 1901 da Índia Britânica revelou que os muçulmanos constituíam 74,16% da população total do Estado principado de Caxemira e Jammu, frente a 23,72% de hindus e 1,21% de budistas. Os hindus encontravam-se principalmente em Jammu, onde formavam pouco menos de 80% da população. No vale de Caxemira, os muçulmanos contavam 93,6% da população e os hindus, 5,24%. Estas percentagens mantiveram-se relativamente inalterados nos últimos 100 anos. Quarenta anos depois, o censo de 1941 da Índia Britânica indicou que os muçulmanos formavam 93,6% da população do vale de Caxemira e os hindus, 4%. Em 2003, a percentagem de muçulmanos no vale de Caxemira era de 95% e o de hindus, de 4%; no mesmo ano, em Jammu, a percentagem de hindus totalizava 66% e a de muçulmanos, 30%.

Segundo o censo de 1901, a população total do Estado principado de Caxemira e Jammu era de 2 905 578 habitantes, dos quais 2 154 695 eram muçulmanos (74,16%); 689 073, hindus (23,72%); 25 828, siques e 35 047, budistas. No vale de Caxemira, a população contava 1 157 394 habitantes, dos quais 1 083 766 muçulmanos (93,6%) e 60 641 hindus.

Conforme o censo de 2001 da Índia, a população total do estado indiano de Jammu e Caxemira era de 10 143 700 habitantes, dos quais 6 793 240 eram muçulmanos (66,97%); 3 005 349, hindus (29,63%); 207 154, siques; e 113 787, budistas.


terça-feira, 5 de maio de 2009

Conflito israelo-palestiniano

Israel, Cisjordânia, Faixa de Gaza e as Montes Golã.

O conflito israelo-palestiniano é a designação dada à luta armada entre israelitas e palestinianos, sendo parte de um contexto maior, o conflito israeloárabe. As raízes remotas do conflito remontam aos fins do século XIX quando colonos judeus começaram a migrar para a região. Sendo os judeus um dos povos do mundo que não tinham um Estado próprio, tendo sempre sofrido por isso várias perseguições, foram movidos pelo projecto do sionismo - cujo objectivo era refundar na Palestina um estado judeu. Entretanto, a Palestina já era habitada há séculos por uma maioria árabe.


História

Plano da ONU para a partilha da Palestina de 1947


A partir de 1897, após a fundação do movimento sionista, alguns judeus começaram a migrar para a região da Palestina. Após o fim do Império Otomano, derrotado na Primeira Guerra Mundial, a região ficou sob administração britânica. Após a Segunda Guerra Mundial, mais judeus migraram para a Palestina.
Em 1947 a ONU propõe a divisão das terras Palestinianas entre judeus e árabes baseando-se nas populações até então estabelecidas na região. Assim, os judeus receberam 55% da área, sendo que, deste percentual, 60% era constituída pelo deserto do Neguev. A população nativa árabe, por não aceitar a criação de um Estado não árabe na região, rejeitou a partilha.
Em 1948, os britânicos saem da região e os judeus proclamam o Estado de Israel. A partir daí, o conflito amplia-se. Egipto, Jordânia, Líbano, Síria e Iraque atacam o território do Estado de Israel para conquistar algum espaço. O Egipto consegue a região da Faixa de Gaza e a Jordânia consegue as regiões da Cisjordânia e Jerusalém oriental. Os árabes palestinianos acabam sem território.
Em 1964 os Palestinianos criam a OLP.
Em 1967 O Egipto bloqueia o canal de Suez aos navios israelitas e inicia manobras militares na península do Sinai, ao mesmo tempo que a Jordânia e Síria mobilizavam seus exércitos, na fronteira com Israel. Prevendo um ataque iminente, Israel inicia a Guerra dos Seis Dias, na qual Israel conquista as regiões da Faixa de Gaza, o Monte Sinai, os Montes Golã, a Cisjordânia e Jerusalém oriental.
Em 1973 começa a Guerra do Yom Kippur. Entre 1977 e 1979, Israel e Egipto fazem um acordo de paz e a região do Sinai é devolvida ao Egipto.
Em 1982, Israel invade o Líbano, numa tentativa de neutralizar os ataques da OLP a partir daquele país. Em 1987, explode a Intifada. Em 1988 o Conselho Palestino renuncia à Intifada e aceita o Plano de Partilha da Palestina.
Em 1993, com o Acordo de Paz de Oslo, é criada a Autoridade Palestina, sob o comando de Yasser Arafat, mas os termos do acordo jamais foram cumpridos por ambas as partes.
A partir de 2000 iniciou-se a Segunda Intifada. Em 2001, Ariel Sharon é eleito primeiro-ministro do Estado de Israel. Ocupa territórios Palestinianosos e dá início à construção do Muro da Cisjordânia, para dificultar os atentados terroristas de homens-bombas palestinos. Em 2004, Yasser Arafat morre. A Autoridade Palestinianaa passa ao eleito Mahmud Abbas. Israel destrói os assentamentos de colonos judeus na Faixa de Gaza e Cisjordânia.
Em 2006 o Hamas, grupo fundamentalista que não reconhece a existência de Israel, é eleito democraticamente através de voto popular e obtem a maioria das cadeiras no Parlamento Palestino.


Eclosão do conflito

A Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, por meio de sua Assembleia-Geral em 1947, a criação de um estado judeu e outro árabe ao final do mandato do protectorado britânico (1948) na Palestina. De acordo com este plano, a cidade de Jerusalém seria um território administrado internacionalmente pela própria ONU.
No entanto, os países árabes não aceitavam a existência de Israel, pretendendo invadir logo após a saída das tropas britânicas.
Além disso, no início do conflito em 1948, aproximadamente 711.000 palestinianos deslocaram -se da região seja fugindo do iminente conflito (68% destes estimulados pelos próprios governos dos países árabes para que os seus exércitos pudessem arrasar mais facilmente ao novo Estado que surgia) ou expulsos por lutarem contra o novo Estado, criando uma grande onda de refugiados que se abrigaram nos países vizinhos, Faixa de Gaza e Cisjordânia. Com o passar do tempo o seu número cresceu, e a dúvida é se estes refugiados palestinianos algum dia poderão retornar a seus antigos lares, complicando as conversações entre as partes envolvidas.
Com a não absorção dos árabes palestinianos pelos países árabes e a não criação do Estado Palestiniano, os árabes palestinianos passaram a exigir o seu retorno às suas antigas casas, apesar de a grande maioria já não ter nascido nas regiões reivindicadas.
Outro grande entrave para as negociações de paz é a reivindicação de soberania em relação à cidade de Jerusalém. Devido ao seu valor histórico e religioso, Israel reivindica toda a cidade para si, o que não é reconhecido pela comunidade internacional. A parte Oriental de Jerusalém, território palestinianoo ocupado por Israel desde 1967, é reivindicada pelos palestinianos para ali estabelecer a sua capital.
Houve inúmeros períodos de acirramento do conflito, com hostilidades militares de ambos os lados, e vários acordos de paz que acabaram fracassando.
Havia grandes chances do estado Palestino surgir de facto, pois as bases políticas e institucionais da Autoridade Nacional Palestina (ANP) são reconhecidas pela comunidade internacional, inclusive estando presente nas Nações Unidas como membro observador. Entretanto, com a eleição de Ariel Sharon, o Estado israelita passou a negar qualquer negociação com os palestinos sem antes a cessação dos frequentes ataques terroristas aos civis israelitas. Mais tarde a eleição do Hamas para o governo da palestina em 2006, um grupo terrorista que não aceita que Israel exista, inviabiliza qualquer possibilidade de paz entre os dois povos.


Retirada de Israel da Faixa de Gaza

De acordo com o governo do Primeiro-Ministro Ariel Sharon, a consolidação do cessar-fogo entre as partes beligerantes possibilita a retirada das tropas israelenses da Faixa de Gaza, concretizando a transferência de soberania e consequente materialização da territorialidade, dois factores fundamentais para a existência de um Estado soberano palestiniano.
Em agosto de 2005, o exército israelita e os colonos judaicos retiraram-se da Faixa de Gaza para aumentar o controle sobre a Cisjordânia. Por conta disto, a ANP treinou um efectivo de 5.000 policias para a manutenção da ordem da região após a retirada israelita. Entretanto, apesar de ter conquistado a soberania sobre Gaza (mas não sobre a Cisjordânia), os palestinianos entraram num conflito interno que ocasionou a tomada de poder pelo Hamas da Faixa de Gaza e o recrudescimento dos ataques com mísseis caseiros contra Israel a partir desta região, paralisando novamente as conversações de paz.
No dia 25 de agosto de 2008 foram libertos 199 palestinianos presos em Israel. Mas esse acto não foi visto com bons olhos pelos israelitas: "A libertação dos prisioneiros é um acto de fraqueza, que vai incentivar ainda mais o terrorismo." Mas há quem veja pontos positivos nessa historia: "a libertação dos prisioneiros demonstra a disposição por parte de Israel de fazer concessões dolorosas a fim de promover as negociações de paz." concluiu Olmert.
Em dezembro de 2008, após contantes actos terroristas sofridos nos seus territórios, Israel responde através de bombardeamentos a Gaza.

Fonte: Wikipédia


Como complemento, podem visionar um Documentário (em duas partes) sobre o conflito israelo-árabe, desde as suas milenares origens à actualidade, realizados por três alunas da Escola S. Jerónimo Emiliano de Andrade na ilha Terceira, Leonor Nunes, Silvia Barcelos e Catarina Mateus. Foi produzido no âmbito da disciplina de Área de Projecto do 12ºano ano, orientada pelo professor Vítor Duarte.



Regresso à Terra Prometida - Parte I



Regresso à Terra Prometida - Parte II

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Guerra no Sri Lanka


Mais uma guerra étnica faz notícia nos nossos media: o já antigo conflito no Sri Lanka (antigo Ceilão) que envolve o exército do país e os rebeldes Tigre Tamil e que nos últimos dias tem-se acentuado e que já deu origem a dezenas de milhares de refugiados. Fiquem com a notícia do Público on line:


Guerra no Sri Lanka: Conselho de Segurança da ONU apreensivo com os refugiados

O Conselho de Segurança das Nações Unidas expressou “profunda preocupação” com a situação humanitária das dezenas de milhares de refugiados que permanecem nas zonas dos combates travados entre os rebeldes Tigres Tamil e o exército do Sri Lanka.No final de uma reunião informal dos 15 Estados membros, ontem à noite, o actual presidente do Conselho de Segurança e embaixador mexicano na ONU, Claude Heller, revelou ter havido consenso numa “condenação forte” dos Tigres de Libertação do Eelam Tamil (LTTE), aos quais foi exigida a deposição das armas. As Nações Unidas sustentam que os rebeldes estão a usar os civis como escudos humanos na pequena faixa de terra, de cerca de 17 mil quilómetros quadrados no norte da ilha, onde os Tigres Tamil detêm agora a sua última posição de defesa contra as forças militares.Diplomatas que integram o Conselho avançaram, citados mas não identificados pela agência britânica Reuters, que a China e a Rússia, e outros países, se opuseram à ideia de encetar conversações formais sobre a guerra no Sri Lanka, conflito que se arrasta há mais de 25 anos. O argumento é de que se trata de uma questão interna do país. E, por essa razão, não foi acordado mais do que admitir que Heller prestasse declarações informalmente sobre a reunião de ontem. Enquanto as batalhas prosseguem – com o exército a afirmar esta manhã que os rebeldes não controlam mais já do que uma área entre os dez e os 12 quilómetros quadrados, depois de, no início da semana o exército ter derrubado um muro de terra que os Tigres Tamil tinham construído para atrasar os avanços das forças militares fiéis ao Governo do Sri Lanka.“Continua a haver combates esporádicos”, afirmou o porta-voz do exército, Udaya Nanayakkara à agência noticiosa francesa AFP, precisando que os rebeldes mantêm ainda a resistência apesar dos apelos para deporem as armas. “Mas a nossa prioridade é retirar os civis da zona”, insistiu aquela mesma fonte, sublinhando que o exército poderá “derrotar muito rapidamente [os rebeldes] desde que os civis tenham já partido”.Desde o início desta semana, dezenas de milhares de pessoas alimentam uma vaga maciça de fuga da zona de combate, com o exército a confirmar um número de pelo menos 100 mil civis a terem sido registados para serem transportados para campos de refugiados. O embaixador do Reino Unido na ONU, John Sawers, resumiu aos jornalistas o relatório recebido pelo enviado especial das Nações Unidas ao Sri Lanka, Vijay Nambiar, o qual – após o que vira na visita feita na semana passada ao país – descrevia uma “situação humanitária de desespero”. (Público, 23.04.09)



Para saberem mais sobre o assunto cliquem nos links em baixo:

Sri Lanka

Conflito no Sri Lanka

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

“Rockets” disparados a partir do Líbano atingem o Norte de Israel


O conflito entre Israel e o Hamas (Faixa de Gaza) agrava-se com a entrada em cena do Hezbollah, a partir do Líbano. Assim, Israel passa a ter duas frentes de guerra. A situação começa a complicar-se e o conflito vai adquirindo contornos de uma guerra à escala regional. O Médio Oriente continua um barril de pólvora!...


Pelo menos três “rockets” disparados a partir do Líbano atingiram esta madrugada o Norte de Israel e fizeram vários feridos, segundo fontes militares israelitas. Os disparos atingiram a cidade israelita de Nahariya, oito quilómetros a Sul da fronteira com o Líbano, e outras três localidades. Um “rocket” caiu num edifício em Nahariya que os media israelita dizem ser um lar para idosos. O local foi, entretanto, evacuado. A agência Reuters fala em dois feridos, citando fontes médicas e policiais. Israel respondeu com disparos de artilharia em direcção ao Sul do Líbano. As forças israelitas têm estado em alerta máximo no Norte do país, receando ataques do Hezbollah. Segundo uma fonte militar francesa, em anonimato, a Finul (Força das Nações Unidas no Líbano) foi colocada hoje em "estado de alerta reforçado" depois do lançamento dos "rockets" sobre Israel. "Todas as suas unidades foram imediatamente destacadas para a sua zona de responsabilidade", a Sul do rio Litani. O objectivo é controlar a região e "interditar qualquer possibilidade de novos disparos de 'rockets'", salientou. Mas ainda não é claro se foram as guerrilhas do Hezbollah, do Líbano, - contra as quais Israel travou uma guerra em 2006 - ou palestinianas os autores dos disparos dos "rockets". Fontes do Hamas no Líbano negaram já qualquer envolvimento. Mais tarde, o Hezbollah garantiu ao Governo libanês que não está implicado no ataque a Israel, segundo o ministro da Informação, Tarek Mitri. No Líbano vivem mais de 400 mil refugiados palestinianos, segundo as Nações Unidas. Hoje a aviação israelita bombardeou a Faixa de Gaza e os tanques avançaram pelo território dominado pelo Hamas, numa altura em que aumentam as expectativas de um cessar-fogo, apoiado pelos Estados Unidos. Fontes médicas palestinianas actualizaram os números das vítimas da ofensiva israelita, que começou a 27 de Dezembro. Desde então já morreram 707 pessoas e 3100 ficaram feridas. (Público, 08.01.09)


domingo, 4 de janeiro de 2009

A guerra na Faixa de Gaza vista por Pat Bagley


Ofensiva terrestre na Faixa de Gaza já matou 30 palestinianos


Foto: Baz Ratner/Reuters

Mais de 200 feridos

A ofensiva terrestre israelita lançada ontem à noite na Faixa de Gaza já causou a morte a, pelo menos, 30 palestinianos e fez mais de 200 feridos, segundo fontes hospitalares palestinianas. Tanques israelitas e aviões militares continuam a lançar bombas sobre posições suspeitas palestinianas, enquanto o Hamas responde com "rockets" e disparos de morteiro. Entre os mortos estão 17 civis, incluindo mulheres e crianças, informou Mouawiya Hassanein, chefe dos serviços de urgência palestinianos. Pelo menos 20 palestinianos foram mortos em Jabalya e Beit Lahiya, uma das zonas por onde entraram ontem à noite as forças terrestres israelitas, dois perto de Khan Younes, três em Raffah, no Sul do território, e cinco na cidade de Gaza. Neste ataque, esta manhã numa zona comercial de Gaza, morreram cinco pessoas e 40 ficaram feridas. O raide aéreo sobre Khan Younes visou um importante líder do braço militar do Hamas, Jihad Hamdan, que ficou gravemente ferido, segundo a AFP. Uma médica do Crescente Vermelho dum hospital em Gaza descreveu à Reuters aquilo que considera um pesadelo. "Os civis estão a ser mortos... explosões estão a atingir pessoas (...). Todos estão aterrorizados". A estação de televisão Al-Jazeera, com uma correspondente no hospital Shifa em Gaza, avança que os médicos tentam fazer o melhor que podem com escassos recursos e perante o aumento do número dos feridos. A jornalista comenta que o cenário é caótico, com os médicos a tratar dos doentes no chão. Desde o início dos ataques israelitas a 27 de Dezembro já morreram 485 palestinianos. Segundo o site do “Jerusalem Post”, o Hamas disparou esta tarde vários “rockets” sobre as cidades israelitas de Sderot, Ashkelon e Ashdod. Uma mulher ficou ligeiramente ferida em Sderot. Ao longo de todo o dia de hoje, o Hamas terá disparado sobre Israel 25 "rockets". Do lado israelita, o Exército refere 32 soldados feridos desde o início da ofensiva terrestre. Quatro israelitas mortos é o balanço desde que começaram os ataques, a 27 de Dezembro.

Território "cortado" ao meio


Desde ontem à noite, os tanques e soldados israelitas cortaram, virtualmente, ao meio Gaza, um território onde vivem 1,5 milhões de pessoas, e hoje posicionaram-se às portas da cidade de Gaza. A aviação israelita atingiu dezenas de alvos, incluindo túneis de contrabando de armas e depósitos de armas. Mas o porta-voz do braço armado do Hamas, Abu Ubaida, disse hoje que as tropas israelitas enfrentam ou a morte ou a captura. "O inimigo sionista deve saber que a sua batalha em Gaza é uma batalha perdida", disse Abu Obeida. "A batalha só agora começou e o inimigo deve sofrer as consequências", disse hoje Obeida à estação de televisão com sede no Qatar, Al-Jazeera. O Hamas disse hoje ter sequestrado dois soldados israelitas mas o Exército israelita negou a informação. Na Faixa de Gaza, as populações estão escondidas nas suas casas há dias e as agências humanitárias alertaram que se estão a esgotar os alimentos, a água e os medicamentos. (Público, 04.01.09)



Mais uma guerra no Mundo, mais uma guerra no Médio Oriente, mais uma guerra no conflito israeloárabe, que é na verdade um dos conflitos mais difíceis de resolver em todo o Mundo. Voltaremos, infelizmente, ao assunto.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Faixa de Gaza: pelo menos 200 mortos em ataque israelita contra posições do Hamas


Pelo menos 200 palestinianos morreram hoje num ataque aéreo do Exército israelita contra a Faixa de Gaza, avança a AFP citando a rádio Hamas. O chefe dos serviços de emergência em Gaza relata, por seu lado, a existência de mais de 200 feridos. Cerca de 30 mísseis israelitas, disparados a partir de bombardeiros F-16, atingiram complexos do Hamas, que controla Gaza desde o Verão de 2007. Estes ataques - que destruíram a maioria dos quartéis de polícia de Gaza, muitos deles em áreas residenciais - ocorreram depois do gabinete de segurança de Israel ter decidido retaliar os recentes ataques com "rockets" contra cidades israelitas fronteiriças a Gaza. Militares israelitas confirmaram ter levado a cabo os ataques, precisando que alvejaram "infra-estruturas terroristas". Um porta-voz do Exército israelita disse: "A nossa aviação interveio de forma maciça sobre as infra-estruturas do Hamas na Faixa de Gaza, a fim de fazer parar os ataques terroristas ocorridos nas últimas semanas contra instalações civis israelitas"."Tínhamos avisado a população civil da Faixa de Gaza [da iminência] dos nossos ataques e o Hamas, que se esconde entre esta população, é o único responsável por esta situação", indicou o mesmo responsável, citado pela Sky News. "As nossas operações vão continuar e até expandir-se, se tal for necessário", acrescentou. O primeiro-ministro israelita, Ehud Olmert, tinha alertado na quinta-feira o Hamas para parar com os ataques. Caso contrário pagaria um preço elevado pelas suas acções. "Não hesitarei em usar o poderio [militar] de Israel para atacar o Hamas e a Jihad Islâmica", tinha indicado o governante à estação de televisão Al Arabiya.

Hamas e Jihad Islâmica pedem vingança

Entretanto, o Hamas e as facções palestinianas já pediram aos seus seguidores que vinguem os ataques. "Ordenamos que todos os combatentes respondam à matança israelita", indica um comunicado da Jihad Islâmica, citado pela Sky. O Hamas pediu entretanto que as suas tropas "vinguem pela força" os ataques de hoje, avança a AFP. Por seu lado, o Presidente palestiniano e líder da Fatah, Mahmoud Abbas, já condenou os ataques e anunciou ter já estabelecido “contactos urgentes” com inúmeros países para que o ajudem a pôr fim à ofensiva israelita. Algumas televisões locais mostraram imagens quase em directo dos ataques, tendo posteriormente filmado dezenas de corpos que jaziam pelo chão e feridos a serem socorridos pelas equipas de emergência médica. Vários edifícios ficaram igualmente destruídos, avança a Reuters. Um porta-voz das forças policiais do Hamas, Islam Shahwan, afirmou que num dos quartéis atacados, na Cidade de Gaza, decorria uma cerimónia de imposição de insígnias para novos agentes. O chefe de polícia local, Tawfiq Jabber, conta-se entre as cerca de 40 vítimas mortais resultantes deste ataque.

Trégua expirou na semana passada


Uma trégua de seis meses entre Israel e os militantes palestinianos expirou na semana passada. Desde essa altura, pelo menos seis militantes foram mortos em ataques israelitas e dezenas de "rockets" disparados de Gaza contra Israel, danificando casas e originando o pânico entre a população. Com o fim da trégua ficaram ainda mais longínquas as perspectivas de uma paz israelo-palestinana, que a Administração Bush pretendia apadrinhar antes de chegar ao seu termo, dentro de três semanas.Tudo isto se passa numa altura em que Israel está prestes a ir às urnas, no dia 10 de Fevereiro, para escolher novo governo. As sondagens dizem que tantas hipóteses tem o partido Kadima, da ministra dos Negócios Estrangeiros, Tzipi Livni, como o Likud, considerado muito mais intransigente, e que não aceita negociações com as autoridades palestinianas. (Público, 27.12.08)



Como tinha comentado na véspera de Natal, era bom que a guerra tivesse acabado. Como podem ver nestes duas últimas postsagens, a guerra continua e vai continuar. O conflito israelo-palestiniano nunca mais tem um fim. Voltaremos a este assunto em breve.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Guiné Conacri: Governo rende-se aos rebeldes


O primeiro-ministro da Guiné Conacri, Ahmed Tidiane Souaré, e vários dos seus ministros, entregaram-se hoje aos revoltosos que puseram em marcha um golpe de Estado após a morte do Presidente Lansana Conté, na terça-feira. O chefe do Executivo e cerca de 30 membros do seu gabinete encontraram-se com o capitão Moussa Dadis Camara, que se auto-proclamou ontem o novo Presidente do país, numa base militar da capital. O capitão Camara terá prometido aos membros do governo a sua segurança, pedindo-lhes igualmente que colaborem com o novo regime, que ficará em funções – de acordo com Camara – até que se possam levar a cabo novas eleições, prometidas para 1010. Os golpistas indicaram igualmente que a junta tem apenas como missão evitar uma guerra fratricida e liderar "um acto cívico para terminar com a angústia do povo". Citado pela Radio France Internationall, Camara garantiu igualmente não querer apresentar-se como candidato. "Não tenho a ambição de ser candidato às eleições presidenciais", disse. "Nunca tive a ambição do poder", acrescentou. O primeiro-ministro permanecia em paradeiro desconhecido desde a madrugada de terça-feira, apesar de ter mantido o contacto telefónico com os meios de comunicação social dizendo que o seu governo mantinha o controlo do país, embora simultaneamente tenha pedido à comunidade internacional que evitasse o êxito do golpe militar. Os Estados Unidos exigiram hoje um "regresso imediato à ordem civil" e rejeitaram o comunicado dos militares golpistas prometendo eleições em Dezembro de 2010". "Exigimos que sejam respeitados os direitos fundamentais de todos os cidadãos e particularmente os do primeiro-ministro e dos membros do seu governo", acrescenta o texto, emitido pela embaixada americana em Conacri. As Nações Unidas, a União Europeia e a União Africana também já condenaram, nas últimas horas, o golpe militar ocorrido no país. Os soldados que organizaram o golpe, que se auto-intitulam Conselho Nacional para a Democracia e o Desenvolvimento (CNDD), não encontraram oposição no seu controlo da capital, três dias após a morte de Conté, por doença. A junta indicou igualmente, ontem à noite, ter substituído os governadores regionais designados por Conte por comandantes militares. Conacri permanecia hoje uma cidade tensa, com a maioria das lojas fechadas, mas com os vendedores ambulantes a trabalharem com normalidade. Cerca de 53 por cento dos guineenses vivem abaixo do limiar mínimo da pobreza. Várias organizações não-governamentais denunciam há anos a corrupção e a “gestão calamitosa” que se vivem no país, apesar da riqueza em ferro, ouro e diamantes que jaz no subsolo. (Público, 25.12.08)


Fonte: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1354141

Mais um golpe militar num país africano! Será que este continente vai alguma vez estabilizar politicamente?

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Prisão perpétua para genocida ruandês


Sentença - Tribunal Penal Internacional Para o Ruanda

O antigo coronel ruandês Théoneste Bagosora, considerado o principal instigador do massacre de 800 mil pessoas no Ruanda, em 1994, foi ontem condenado a prisão perpétua por genocídio, crimes contra a Humanidade e ainda por crimes de guerra pelo Tribunal Penal Internacional para o Ruanda.

Bagosora, de 67 anos, era na altura dos massacres director do Ministério da Defesa do Ruanda e foi ele quem assumiu o controlo político e militar do país após o assassinato do presidente Juvenal Habyarimana, a 7 de Abril de 1994. Nesse mesmo dia, o Exército e as milícias hutus saíram para a rua e começaram a matar indiscriminadamente civis da minoria tutsi e hutus moderados, numa orgia de violência que só terminou cem dias e 800 mil mortos depois.

O Tribunal Penal Internacional para o Ruanda, estabelecido pela ONU em 1996, considerou provado que Bagosora e mais dois antigos responsáveis militares – o coronel Anatole Nsegiyumva e o major Aloys Ntabakuze – planearam com antecedência toda a sequência de eventos que conduziu aos massacres, como a criação e treino das milícias Interahamwe, responsáveis por grande parte das atrocidades. Um ano antes da matança, o próprio Théoneste Bagosora abandonara furioso as negociações de paz que decorriam na vizinha Tanzânia dizendo que ia "preparar o apocalipse". O antigo responsável ruandês foi ainda condenado por ter ordenado o assassinato da primeira-ministra Agathe Uwilingyimana e dos dez capacetes azuis belgas que a protegiam.

O advogado do ex-coronel afirmou que o seu cliente "nunca mandou matar ninguém" e assegurou que tenciona apresentar recurso da sentença.

PERFIL

Théoneste Bagosora fugiu do Ruanda depois de orquestrar o massacre de 800 mil pessoas, mas foi preso dois anos depois nos Camarões. Educado catolicamente, estudou num seminário antes de entrar para o Exército.

SAIBAM MAIS

MORTE DE HABYARIMANA

A morte do presidente ruandês – o seu avião foi abatido por um míssil – foi o catalisador que despoletou a onda de violência.

100 dias foi quanto durou o pesadelo no Ruanda. Perante a indiferença do Mundo, mais de 800 mil pessoas morreram.

42 suspeitos de crimes de guerra foram julgados desde 1997 no Tribunal Penal Internacional para o Ruanda, sediado em Arusha, na Tanzânia. Trinta e seis foram condenados. (Correio da Manhã)

Fonte: http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?contentid=DA922FAB-0CE0-46DA-A353-8519521EF187&channelid=00000091-0000-0000-0000-000000000091


Finalmente, os principais responsáveis pelo genocídio do Ruanda foram julgados e condenados!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Genocídio do Ruanda

Foi no dia 6 de Abril de 1994, que a humanidade assistiu a um dos maiores horrores de que há memória. No Ruanda, tensões étnicas entre os hutu e os tutsi deram origem à violência e ao vasto derramamento de sangue, em sequência do agravamento de um conflito de décadas.No início da década de 90, o conflito entre as duas tribos (hutu e tutsi) aumentava a cada minuto. Até que a 6 de Abril de 1994, a morte dos Presidentes Juvenal Habyarimana, do Ruanda, e Cyprien Ntaryamira, do Burundi, num inexplicável acidente de avião, quando este se aproximava de Kigali (capital do Ruanda), significou o acender do rastilho de uma guerra civil muito sangrenta.
Os extremistas hutu usaram o acidente como pretexto para chegarem ao poder e tentaram aniquilar a população tutsi e os hutu moderados. Resultado: entre Abril e Julho de 1994, morreram mais de 800 mil pessoas, no maior genocídio que alguma vez aconteceu em África.
O genocídio levou ao êxodo massivo da população tutsi que não tinha outra alternativa senão fugir do país. Calcula-se que mais de dois milhões de ruandeses abandonaram o território, procurando refúgio em países vizinhos e que dentro do país, o deslocados foram mais de 1,5 milhões de pessoas. A guerra civil afectou directamente mais de metade da população ruandesa que tinha cerca de sete milhões de habitantes.
O jornalista da TSF, Emídio Fernando, esteve no Ruanda em Fevereiro de 1996, e contou ao JornalismoPortoNet aquilo que encontrou: “no Ruanda pude presenciar a um êxodo bíblico de pessoas a entrar e sair no país assim que os tutsi chegaram ao poder". Segundo o jornalista, “nessa altura os tutsi tentaram vingar-se do que os hutu lhes fizeram durante o genocídio".
Sem condições sanitárias suficientes, milhões de refugiados ruandeses morreram vítimas de doenças como a cólera e a sida.

Dez anos depois…

Dez anos passaram e a memória do genocídio ainda está bem presente nas mentes de todos os ruandeses, sejam eles hutus ou tutsis. O repórter revela mesmo que as feridas do massacre estão bem presentes: “não conheci uma única pessoa no Ruanda que não tivesse tido um familiar morto à catanada".
O Ruanda é um país traumatizado pela guerra civil, destruído na maior parte das suas infra-estruturas sociais, económicas e políticas que tenta agora recuperar. No entanto, a reconciliação étnica é algo em que Emídio Fernando não acredita. “Os hutus e os tutsi não se misturam e assim é difícil que se consiga estabelecer uma democracia".
Outro problema que afecta a população ruandesa é a Sida. A doença tem-se propagado por todo o continente africano, no entanto, tem tido maior incidência na região dos Grandes Lagos, onde também se encontra a República do Ruanda. “A Sida é um problema muito grave, pois até as classes dirigentes, pessoas que realmente fazem funcionar um país, foram atingidas pela doença. Assim, o futuro de países como o Ruanda encontra-se muito indefinido", disse Emídio Fernando.

Bruno Amorim, 06.04.2004

Fonte: http://jpn.icicom.up.pt/2004/04/06/genocidio_no_ruanda_foi_ha_10_anos.html

Podem visionar a seguir um vídeo com o trailer do filme "Hotel Ruanda", de 2004, dirigido por Terry George e interpretado por Don Cheadle, Nick Nolte, Joaquin Phoenix, Desmond Dube e Sophie Okonedo. O filme é uma co-produção de Itália, Reino Unido e África do Sul, e relata a história real de Paul Rusesabagina, que foi capaz de salvar a vida de 1268 pessoas durante o genocídio de Ruanda em 1994. Logo depois das primeiras exibições, sua história foi imediatamente comparada com a de Oskar Schindler.


O filme será apresentado ao 12ºH, no dia 15 de Dezembro, no auditório da Escola, durante as aulas de Geografia C e História A.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Somália está à beira da "fome total", diz Cruz Vermelha


Num país sem poder central desde 1991, a violência é exacerbada pela seca e ajuda não chega a quem precisa


A Somália arrisca-se a mergulhar na "fome total", um cenário idêntico ao da última grande fome de 1992, quando centenas de milhares morreram. O alerta foi feito ontem por Alexandre Liebeskind, do Comité Internacional da Cruz Vermelha, lembrando que há mais problemas na Somália do que a pirataria crescente nas suas águas, questão que monopoliza desde há dois meses as atenções mundiais. Já se sabia que pelo menos 40 por cento da população somali (3,2 milhões de pessoas) depende de ajuda externa para sobreviver. E que a violência tornou quase impossível às agências operarem no país. O responsável da Cruz Vermelha contou agora à emissora britânica BBC que as famílias já começaram a comer as suas posses mais valiosas: os camelos e as cabras em idade reprodutiva, o que considera um sinal do desespero crescente. Quarta-feira, a ONU já lançara um apelo para reunir 918 milhões de dólares (724 milhões de euros) que quer gastar no financiamento de 200 projectos de agências suas e outros 71 de organizações não governamentais. Ontem reforçou a urgência do pedido e da situação: 2009 será o ano "do tudo ao nada" para o país, disse Mark Bowden, coordenador humanitário da ONU para a Somália. "Esta é uma crise prolongada, uma crise que dura há 17 anos", afirmou aos jornalistas em Nova Iorque. Está actualmente numa fase particularmente difícil, exacerbada por três anos de seca. E pela violência, que opõe senhores da guerra e forças etíopes a milícias islamistas e que obrigou um milhão de pessoas a deixar as suas casas - há milhares de novos deslocados todas as semanas. A Somália não é só pirataria, mas os ataques dos piratas põem em risco a distribuição da ajuda. No mesmo dia em que as Nações Unidas pediram mais dinheiro para os somalis, o Conselho de Segurança apelou a todos os países e organizações regionais capazes de mobilizar navios de guerra e aviões militares para combater a pirataria na região. Na zona já estão navios norte-americanos, russos, indianos ou da NATO. Nos próximos dias inicia-se a missão da União Europeia para patrulhar as águas do golfo de Áden e tentar travar os piratas que já atacaram mais de 100 navios este ano.