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terça-feira, 6 de março de 2012

Estudar compensa


Em Portugal o rendimento médio anual de quem tem um Curso Superior é mais do dobro do de quem tem apenas a escolaridade do ensino básico.

Apenas na Roménia nos ultrapassa com quase o triplo da diferença. Em oposição, a Dinamarca é o país onde se regista a menor diferença (1,4)



Dados de 2009.

Fonte: PORDATA,Eurostat / Entidades Nacionais - Painel Europeu dos Agregados Familiares (PEAF); Estatísticas Europeias sobre Rendimentos e Condições de Vida (EU-SILC)

sábado, 14 de janeiro de 2012

Por que razão os alunos do Leste Europeu têm bom desempenho escolar?

Por que razão os alunos do Leste Europeu têm bom desempenho escolar?

Porque será que o insucesso escolar entre os alunos dos países do Leste Europeu a residirem em Portugal é residual?

Para responder a esta pergunta, transcrevo esta conversa publicada no http://www.profblog.org/2009/02/licoes-da-moldavia.html,   em 13 de Fevereiro de 2009:


Fui, esta tarde, à reprografia da escola e encontrei uma funcionária nova.

Perguntei: "É brasileira?"

Ela respondeu: "sou moldava".

"E onde é que aprendeu a falar tão bem o português?"

Ela: "Eu? Sozinha!"

"Tem filhos?"

"Dois. Estão na escola".

"Gosta da escola portuguesa?", perguntei.

"Muito diferente da Moldávia. Em Portugal não há respeito pelos professores e a escola ensina pouco. Nada exigente", respondeu.

"Por que razão os alunos do Leste têm tão bons resultados?", perguntei.

"Muito trabalho em casa. Duas horas por dia de estudo. É pena aqui os professores não passarem trabalhos para casa. Alunos portugueses não respeitam os professores. Os nossos respeitam. Damos valor à escola", acrescentou.

Tudo isto dá muito que pensar, não é verdade?

É verdade que os resultados dos alunos dependem muito da competência profissional e humana dos seus professores, do ambiente e organização das escolas e do nível socio-cultural e económico das famílias. Todavia, não podemos ignorar a quota parte de responsabilidade dos alunos e por que não das próprias famílias.

Como diria alguém num mail que recebi há algum tempo," podem forrar de mármore as paredes das escolas, cobrir as secretárias com computadores da última geração e colocar professores de apoio em todas as salas de aula. Se estas 5 variáveis não estiverem presentes, os alunos não aprendem.

O problema do mau desempenho dos alunos portugueses - um facto sempre confirmado pelos resultados do PISA - tem uma razão e apenas uma razão: falta de gosto pelo trabalho, desprezo pelo esforço, falta de responsabilidade e de respeito e expectativas baixas. Enquanto estas variáveis não forem introduzidas nas mentes dos pais e dos alunos, não há metodologia, recursos materiais e professores capazes de resolver o problema".

Em contrapartida, e apesar de se encontrarem num país estranho, com uma outra língua e até com um alfabeto diferente, é muito frequente que os alunos do Leste Europeu a residirem em Portugal tenham boas notas, sendo até, por vezes, os melhores alunos das suas turmas. Talvez porque as suas famílias continuem a educá-los com valores como o trabalho, esforço, responsabilidade, respeito e expectativas, situação que, infelizmente, já não acontece em muitos lares portugueses.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Provas de aferição com quebra a Matemática e a Língua Portuguesa

 Fonte: Bartoon, in Público, 20 de Junho de 2011

Segundo uma notícia do jornal Público de 19 de Junho, as negativas continuaram a aumentar nas provas de aferição de Português e Matemática, realizadas pelos alunos dos 4.º e 6.º anos  neste ano lectivo. A prova de Matemática do 2.º ciclo registou 35,2 por cento de negativas, mais 12,2 do que no ano anterior. De acordo com o Ministério da Educação, a descida generalizada decorre "do nível de exigência superior ao dos anos anteriores".

Na prova de Língua Portuguesa do 1.º ciclo, o valor médio foi de 68,8 por cento, um por cento abaixo da prova anterior. A percentagem de alunos com negativa aumentou 3,9 por cento em relação a 2010, para 12,3 por cento. Na mesma prova, mas referente ao 2.º ciclo, o valor médio manteve-se nos 64,6 por cento, mas a percentagem de alunos com negativas aumentou 4,1 por cento, para 15,7.

A Matemática, as descidas foram mais expressivas: no 1.º ciclo, o valor médio baixou de 70,8 para 67,8 por cento. Aqui, houve 19,7 por cento de negativas, mais 8,6 por cento do que em 2010. Ainda na prova de Matemática, mas no 2.º ciclo, a nota média baixou de 61,7 para 58,0 por cento. No universo de 237 mil alunos que fizeram esta prova, 35,2 por cento tiraram negativa.

Fonte: http://www.publico.pt/

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Adolescente de 13 anos esfaqueia mãe que lhe tirou a playstation

Vejam ao ponto que a nossa sociedade chegou!

Há poucos dias atrás, um adolescente de Cascais de 13 anos esfaqueou a mãe, alegadamente pelo facto de os seus pais o terem castigado por este ter tido más notas no 1º período, tendo-o proibido de jogar Playstation e de aceder à internet. Segundo o Correio da Manhã, a vítima, de cerca de 40 anos, foi esfaqueada numa das pernas e apresentava ainda cortes na cabeça, nos braços e no tronco.

É muito perturbador constatar que uma simples e, aparentemente, justificada acção educativa por parte de uma mãe, preocupada com os maus resultados escolares do seu filho, desencadeie uma atitude tão vingativa e de extrema violência por parte deste. De facto, é cada vez mais difícil educar as crianças e os jovens. Que o digam os pais e os professores que sentem cada vez mais dificuldades em impôr a disciplina e o sentido de responsabilidade nas crianças e jovens. Para onde caminha a nossa sociedade?

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Linha SOS Professores regista 400 pedidos de ajuda por casos de indisciplina e agressão



Mai uma vez trago ao blogue o problema da indisciplina nas escolas portuguesas. Segundo o Público on line de hoje, quase 400 pedidos de ajuda para situações de indisciplina nas escolas foram registados na Linha SOS Professores nos últimos quatro anos. Esses contactos foram feitos, na sua maioria, depois da tentativa de que os conselhos executivos resolvessem os problemas.

De seguida trascrevo parte da notícia:


Linha SOS Professores regista 400 pedidos de ajuda por casos de indisciplina e agressão

Numa escola da Pontinha, nos arredores de Lisboa, uma das professoras de Matemática já interiorizou a regra que tornou sagrada: “Nunca me viro para o quadro”. Porquê? “Não se sabe o que pode acontecer nas minhas costas”. Esta é a imagem de insegurança que marca o dia a dia de um elevado número de professores em Portugal. A indisciplina na sala de aula transformou-se num sério problema que, em muitas escolas do país, parece tender a agravar-se. Que dificulta o trabalho de elevado número de professores, que os afecta psicologicamente e, em muitos casos, os leva a meter baixa médica.

Muitos destes casos nunca se tornam públicos mas são tema frequente de conversa nas escolas e motivo de queixas aos conselhos executivos. Quando o problema se arrasta e perante a falta de soluções, muitos docentes recorrem à linha SOS Professores, da Associação Nacional de Professores. Nos últimos quatro anos, foram ali registados quase 400 pedidos de ajuda para situações de agressão e de indisciplina nas escolas. A maioria foi apresentada por docentes do sexo feminino entre os 40 e os 49 anos que leccionam o terceiro ciclo ou o ensino secundário na zona de Lisboa e já têm mais de 26 anos de serviço. Os dados foram recolhidos entre Setembro de 2006 e Junho de 2009 e no período de Outubro 2009 a Junho 2010, totalizando os 386 contactos com aquela Linha. A grande maioria das situações diz respeito à agressão verbal (43,6 por cento) seguindo- se as queixas de indisciplina (29,5 por cento), de agressão física (27,8 por cento) e de mau relacionamento (13,6 por cento).
Numa escola de segundo ciclo do Areeiro, as alunas de 11 anos maquilham-se durante a aula de Português, mandam mensagens de telemóvel e contam anedotas. “Aquela sôtora não faz nada, podemos fazer o que nos apetecer”, diz uma delas. “Na aula de Inglês, não, ninguém manda um pio”. Porquê? “A DT [directora de turma] é bué exigente e não deixa”. Visto assim, o problema parece residir na incapacidade do professor impor autoridade.

Mas, nalguns casos, a questão é mais complexa e interligada aos meios desfavorecidos em que as escolas e os alunos pertencem. Como aquela em que o quadro não está afixado na parede, mas tombado no chão da sala de aula. É preciso pedir giz para escrever e não há apagador. Os que houve, foram logo roubados pelos alunos, crianças dos 5 aos 9 anos oriundas de bairros considerados muito problemáticos. Não há lápis de cor, nem cadernos, nem material nenhum. Mas é uma escola de ensino básico, do primeiro ao quarto ano. Não, não é em Moçambique. Fica no centro de Lisboa.

Os alunos são ainda muito pequenos mas nada parece intimidá-los. Respondem com o riso às ordens dos professores, saltam e correm na sala de aula. É impossível cativar a sua atenção para ensinar. Quando uma professora tentou impor-se, os pais protestaram, acusando-a de ser demasiado rígida e o caso foi analisado pelo director. A professora passa a dar aula de porta aberta, decidiu. “Assim, nestas condições e com estes miudos é impossível ensinar”, diz a docente, exausta.

Há estabelecimentos de ensino em que os incidentes assumem maior gravidade e dão lugar à violência. Numa escola da linha de Sintra um professor retirou um telemóvel a um aluno do oitavo ano que perturbava a aula. Furioso e com a ajuda de outros colegas, o rapaz “vingou-se” retirando o relógio ao professor. Este queixou-se ao conselho executivo que discutiu o caso, aplicou uma suspensão aos jovens e restituiu o relógio ao docente.

Mas a solução dos casos pontuais não resolve o problema de fundo da indisciplina. Em declarações ao PÚBLICO, uma professora de Francês de uma das escolas da linha de Sintra do segundo e do terceiro ciclo afirma que o problema está a tornar-se “cada vez pior” naquela zona. Na sua opinião “é um problema que vem de casa, da falta de uma educação de base que não impõe regras aos miúdos”. As turmas muito extensas, de 28 alunos, no seu caso, também não ajudam, bem como os limites impostos à actuação dos professores. “Está a ser cada vez mais difícil o controlo na sala de aula”, afirma. Um problema que não é português observando-se, hoje, em vários países da Europa. Os pais acusam a escola de não conseguir desempenhar o seu papel educativo junto dos seus filhos; os professores atribuem a indisciplina à falta de regras que as crianças e jovens têm em casa, o que se reflecte depois na escola e prejudica a aprendizagem.

Em Março deste ano, num encontro realizado na cidade espanhola de Valência um grande número de especialistas em educação, defendeu que o aumento da violência e da indisciplina nas escolas resulta, sobretudo, de uma crise de autoridade familiar. Os pais não estabelecem regras e limites em casa e transferem essa responsabilidade para os professores.

Nessa reunião, o filósofo Fernando Savater, autor do livro “Ética para um Jovem”, notou que a generalidade dos pais das sociedades actuais condicionados pelo pouco tempo que habitualmente passam com os filhos, preferem que essse convivio “seja alegre” e sem conflitos, preferindo transferir a responsabilidade do exercício da autoridade para as escolas e para os professores. Só que, quando os professores tentam desempenhar esse papel “são os próprios pais e mães que não exerceram essa autoridade sobre os filhos que tentam exercê-la sobre os professores, confrontando-os”, nota Savater. Alerta para a situação de professores “psicologicamente esgotados” que se tranformam “em autênticas vítimas nas mãos dos alunos”. E salienta: “A boa educação é cara, mas a má educação é muito mais cara”, diz não se referindo apenas ao aspecto económico do problema mas a todas as consequências que podem resultar da indisciplina. Savater recomenda aos pais a necessidade de transmitirem aos seus filhos a ideia de que receber uma educação é “uma oportunidade e um privilégio”.

Fonte: Público on line

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Alunos portugueses melhoraram na língua, matemática e ciências, segundo a OCDE

Finalmente, uma boa notícia sobre o Ensino em Portugal. Os alunos portugueses conseguiram melhores resultados do que em anos anteriores nos testes feitos no âmbito do PISA (Programme for International Student Assessment), que avalia o desempenho escolar dos jovens de 15 anos dos países da OCDE e de outros países ou parceiros económicos. As áreas avaliadas são a literacia em leitura, na matemática e na ciência.

Vejam a notícia do público de ontem:

O ano de 2009 é o primeiro em que é possível fazer comparações, uma vez que o PISA é aplicado de três em três anos, tendo sido aplicado pela primeira vez em 2000, ano em que se avaliou a literacia em leitura dos alunos de 15 anos. A leitura voltou a estar em foco em 2009, ano em que a OCDE aproveitou para voltar a analisar, de maneira sucinta, a Matemática e as Ciências.

Assim, a OCDE constata que Portugal melhorou nas três áreas científicas e isso deve-se, acredita a organização, às medidas políticas aplicadas desde 2005. O investimento feito em computadores portáteis, acesso à banda larga, refeições, aumento do apoio social escolar contribuíram para a evolução, aponta o relatório da OCDE. Outros factores foram o Plano Nacional de Leitura, o Plano de Acção para a Matemática, bem como a formação de professores em Matemática e Ciências. A aplicação das provas de aferição (nos 4.º e 6.º anos), assim como os exames nacionais (no final do 3.º ciclo e no secundário) também fazem parte das medidas que a OCDE elogia. Bem como a criação de novas ofertas educativas para os alunos, como os cursos profissionais.

“Portugal é um dos seis países que no PISA 2009 melhorou o seu desempenho na leitura”, refere o relatório, acrescentando que isso deve-se à evolução dos alunos com piores desempenhos, enquanto os que tinham melhores resultados mantiveram-nos.

Assim, em 2000, os alunos de 15 anos portugueses ficavam-se pelos 470 pontos (numa escala de 1 a 698) na leitura. Nove anos depois, Portugal subiu 19 pontos, colocando Portugal ao lado da Suécia, Irlanda, França ou Reino Unido e dentro da média da OCDE. No PISA 2009, a melhor performance pertence a Xangai/China, seguida de dois países da OCDE que habitualmente estão no topo da tabela, a Coreia e a Finlândia. A diferença entre Xangai e o México, o país com o pior desempenho é de 114 pontos.

A Matemática e a Ciências também se verifica uma melhoria de 21 e 19 pontos, respectivamente. Portugal sobe de 466 pontos, em 2003, na avaliação à literacia matemática, para 487. Também a Matemática, Xangai está à frente com 600 pontos, seguida da Coreia com 546. A Ciências, os alunos portugueses saltam de 474 para 493 pontos. Mais uma vez, os lugares no topo repetem-se.

Cerca de 470 mil estudantes fizeram os testes do PISA, representando cerca de 26 milhões de jovens de 15 anos que estão na escola, em 65 países e economias (por exemplo, a China é representada por algumas economias como a de Macau, Hong Kong e Xangai). Em 2010 mais 50 mil estudantes fizeram uma segunda bateria de testes, o que representa cerca de dois milhões de jovens de 15 anos, estes são de outros dez países parceiros da OCDE. Cada aluno fez uma prova de duas horas de leitura, matemática e ciências. Em 20 países, os alunos tiveram que responder a perguntas feitas sobre leitura digital, ou seja, com um computador à frente. Os estudantes responderam ainda a um questionário, com a duração de 30 minutos, sobre a sua experiência pessoal, métodos de estudo, atitude perante a leitura, o seu empenho e motivação. A avaliação do PISA ficou concluída com um questionário preenchido pelos directores das escolas sobre as características da população escolar e o desempenho académico da mesma.

No total, participaram 34 países da OCDE e 41 países e economias parceiras da organização. Em 2012, a OCDE volta a avaliar as competências matemáticas dos alunos de 15 anos e, três anos depois, as competências na área das ciências.


Fonte: Público on line

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A Professora é Brava

Hoje gostaria de partilhar convosco um artigo fantástico do jornalista João Miguel Tavares, publicado no jornal Correio da Manhã em 31 Outubro de 2010. Muito interessante para todos reflectirmos, professores, alunos e pais.


Eu ainda não tive o prazer de conhecer pessoalmente a nova professora da minha filha mais velha, mas já gosto dela por antecipação. Três dias depois de ter entrado para a primária, a Carolina declarou solenemente: "A minha professora é brava". Brava?!?, perguntei eu. "Sim, brava. Ela não me deixa espreguiçar, ela não me deixa bochechar [a Carolina queria dizer ‘bocejar’], ela não me deixa beber água [a Carolina queria dizer ‘ela não me deixa interromper a aula para fazer o que me apetece’]. É muito brava".

Eu, que estava com algum receio de colocar a Carolina no ensino público, respirei de alívio. "Ufa, parece que lhe saiu a professora certa", comentei com a minha excelentíssima esposa. Receava que lhe tivesse calhado alguém que falasse com ela como a ministra Isabel Alçada falou connosco no famoso vídeo de início do ano lectivo: como se o nosso cérebro estivesse morto e todo o acto de aprendizagem tivesse de ser um desmesurado prazer.

A Carolina vinha de um infantário fantástico, que tem feito maravilhas pelos nossos filhos, mas onde era mais mimada do que o menino Jesus no presépio. Ora, chega uma fase na vida em que as crianças têm de perceber o que significa a disciplina, o esforço, a organização, o silêncio, o saber estar numa sala de aula, e toda uma vasta parafernália de actividades que não são tão agradáveis como comer Calippos de morango ou gerir o guarda-roupa das Pollys – mas que ainda assim são essenciais para viver em sociedade.

A minha filha está na idade certa para aprender que tem a obrigação de gastar 20 minutos diários a fazer o trabalho de casa. Para perceber que uma irmã mais velha tem mais privilégios mas também mais deveres do que os seus irmãos. Para compreender que com muito poder vem muita responsabilidade (sábias palavras do tio do Homem-Aranha). É essencial que estes valores – que atribuem o devido mérito à liberdade e ao esforço individual – estejam alinhados entre a casa e a escola.

Isso nem sempre acontece. A nossa escola passou num piscar de olhos da palmada no rabo à palmadinha nas costas. Ninguém tem saudades da palmatória, mas quando perguntam aos pais o que eles mais desejam para a escola dos seus filhos, a resposta costuma ser esta: regras claras e maior exigência. Os professores bravos fazem muita falta. Hoje a Carolina protesta. Amanhã irá agradecer-lhe.

João Miguel Tavares, Correio da Manhã, 31 Outubro de 2010

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Manifesto de Obama aos alunos norte-americanos

O Presidente norte-americano Barack Obama falou no ano passado aos alunos do seu país, em termos que nos devem levar a reflectir. Pais, alunos, professores, enfim, toda a comunidade educativa precisa de ler a mensagem. Passado um ano, transcrevo-a novamente. Eu sei que é muito longa mas é obrigatório a sua leitura.

Sei que para muitos de vocês hoje é o primeiro dia de aulas, e para os que entraram para o jardim infantil, para a escola primária ou secundária, é o primeiro dia numa nova escola, por isso é compreensível que estejam um pouco nervosos. Também deve haver alguns alunos mais velhos, contentes por saberem que já só lhes falta um ano. Mas, estejam em que ano estiverem, muitos devem ter pena por as férias de Verão terem acabado e já não poderem ficar até mais tarde na cama.

Também conheço essa sensação. Quando era miúdo, a minha família viveu alguns anos na Indonésia e a minha mãe não tinha dinheiro para me mandar para a escola onde andavam os outros miúdos americanos. Foi por isso que ela decidiu dar-me ela própria umas lições extras, segunda a sexta-feira, às 4h30 da manhã.

A ideia de me levantar àquela hora não me agradava por aí além. Adormeci muitas vezes sentado à mesa da cozinha. Mas quando eu me queixava a minha mãe respondia-me: "Olha que isto para mim também não é pêra doce, meu malandro..."

Tenho consciência de que alguns de vocês ainda estão a adaptar-se ao regresso às aulas, mas hoje estou aqui porque tenho um assunto importante a discutir convosco. Quero falar convosco da vossa educação e daquilo que se espera de vocês neste novo ano escolar.

Já fiz muitos discursos sobre educação, e falei muito de responsabilidade. Falei da responsabilidade dos vossos professores de vos motivarem, de vos fazerem ter vontade de aprender. Falei da responsabilidade dos vossos pais de vos manterem no bom caminho, de se assegurarem de que vocês fazem os trabalhos de casa e não passam o dia à frente da televisão ou a jogar com a Xbox. Falei da responsabilidade do vosso governo de estabelecer padrões elevados, de apoiar os professores e os directores das escolas e de melhorar as que não estão a funcionar bem e onde os alunos não têm as oportunidades que merecem.

No entanto, a verdade é que nem os professores e os pais mais dedicados, nem as melhores escolas do mundo são capazes do que quer que seja se vocês não assumirem as vossas responsabilidades. Se vocês não forem às aulas, não prestarem atenção a esses professores, aos vossos avós e aos outros adultos e não trabalharem duramente, como terão de fazer se quiserem ser bem sucedidos.

E hoje é nesse assunto que quero concentrar-me: na responsabilidade de cada um de vocês pela sua própria educação.

Todos vocês são bons em alguma coisa. Não há nenhum que não tenha alguma coisa a dar. E é a vocês que cabe descobrir do que se trata. É essa oportunidade que a educação vos proporciona.

Talvez tenham a capacidade de ser bons escritores - suficientemente bons para escreverem livros ou artigos para jornais -, mas se não fizerem o trabalho de Inglês podem nunca vir a sabê-lo. Talvez sejam pessoas inovadoras ou inventores - quem sabe capazes de criar o próximo iPhone ou um novo medicamento ou vacina -, mas se não fizerem o projecto de Ciências podem não vir a percebê-lo. Talvez possam vir a ser mayors ou senadores, ou juízes do Supremo Tribunal, mas se não participarem nos debates dos clubes da vossa escola podem nunca vir a sabê-lo.

No entanto, escolham o que escolherem fazer com a vossa vida, garanto-vos que não será possível a não ser que estudem. Querem ser médicos, professores ou polícias? Querem ser enfermeiros, arquitectos, advogados ou militares? Para qualquer dessas carreiras é preciso ter estudos. Não podem deixar a escola e esperar arranjar um bom emprego. Têm de trabalhar, estudar, aprender para isso.

E não é só para as vossas vidas e para o vosso futuro que isto é importante. O que vocês fizerem com os vossos estudos vai decidir nada mais nada menos que o futuro do nosso país. Aquilo que aprenderem na escola agora vai decidir se enquanto país estaremos à altura dos desafios do futuro.

Vão precisar dos conhecimentos e das competências que se aprendem e desenvolvem nas ciências e na matemática para curar doenças como o cancro e a sida e para desenvolver novas tecnologias energéticas que protejam o ambiente. Vão precisar da penetração e do sentido crítico que se desenvolvem na história e nas ciências sociais para que deixe de haver pobres e sem-abrigo, para combater o crime e a discriminação e para tornar o nosso país mais justo e mais livre. Vão precisar da criatividade e do engenho que se desenvolvem em todas as disciplinas para criar novas empresas que criem novos empregos e desenvolvam a economia.

Precisamos que todos vocês desenvolvam os vossos talentos, competências e intelectos para ajudarem a resolver os nossos problemas mais difíceis. Se não o fizerem - se abandonarem a escola -, não é só a vocês mesmos que estão a abandonar, é ao vosso país.

Eu sei que não é fácil ter bons resultados na escola. Tenho consciência de que muitos têm dificuldades na vossa vida que dificultam a tarefa de se concentrarem nos estudos. Percebo isso, e sei do que estou a falar. O meu pai deixou a nossa família quando eu tinha dois anos e eu fui criado só pela minha mãe, que teve muitas vezes dificuldade em pagar as contas e nem sempre nos conseguia dar as coisas que os outros miúdos tinham. Tive muitas vezes pena de não ter um pai na minha vida. Senti-me sozinho e tive a impressão que não me adaptava, e por isso nem sempre conseguia concentrar-me nos estudos como devia. E a minha vida podia muito bem ter dado para o torto.

Mas tive sorte. Tive muitas segundas oportunidades e consegui ir para a faculdade, estudar Direito e realizar os meus sonhos. A minha mulher, a nossa primeira-dama, Michelle Obama, tem uma história parecida com a minha. Nem o pai nem a mãe dela estudaram e não eram ricos. No entanto, trabalharam muito, e ela própria trabalhou muito para poder frequentar as melhores escolas do nosso país.

Alguns de vocês podem não ter tido estas oportunidades. Talvez não haja nas vossas vidas adultos capazes de vos dar o apoio de que precisam. Quem sabe se não há alguém desempregado e o dinheiro não chega. Pode ser que vivam num bairro pouco seguro ou os vossos amigos queiram levar-vos a fazer coisas que vocês sabem que não estão bem.

Apesar de tudo isso, as circunstâncias da vossa vida - o vosso aspecto, o sítio onde nasceram, o dinheiro que têm, os problemas da vossa família - não são desculpa para não fazerem os vossos trabalhos nem para se portarem mal. Não são desculpa para responderem mal aos vossos professores, para faltarem às aulas ou para desistirem de estudar. Não são desculpa para não estudarem.

A vossa vida actual não vai determinar forçosamente aquilo que vão ser no futuro. Ninguém escreve o vosso destino por vocês. Aqui, nos Estados Unidos, somos nós que decidimos o nosso destino. Somos nós que fazemos o nosso futuro.

E é isso que os jovens como vocês fazem todos os dias em todo o país. Jovens como Jazmin Perez, de Roma, no Texas. Quando a Jazmin foi para a escola não falava inglês. Na terra dela não havia praticamente ninguém que tivesse andado na faculdade, e o mesmo acontecia com os pais dela. No entanto, ela estudou muito, teve boas notas, ganhou uma bolsa de estudos para a Universidade de Brown, e actualmente está a estudar Saúde Pública.

Estou a pensar ainda em Andoni Schultz, de Los Altos, na Califórnia, que aos três anos descobriu que tinha um tumor cerebral. Teve de fazer imensos tratamentos e operações, uma delas que lhe afectou a memória, e por isso teve de estudar muito mais - centenas de horas a mais - que os outros. No entanto, nunca perdeu nenhum ano e agora entrou na faculdade.

E também há o caso da Shantell Steve, da minha cidade, Chicago, no Illinois. Embora tenha saltado de família adoptiva para família adoptiva nos bairros mais degradados, conseguiu arranjar emprego num centro de saúde, organizou um programa para afastar os jovens dos gangues e está prestes a acabar a escola secundária com notas excelentes e a entrar para a faculdade.

A Jazmin, o Andoni e a Shantell não são diferentes de vocês. Enfrentaram dificuldades como as vossas. Mas não desistiram. Decidiram assumir a responsabilidade pelos seus estudos e esforçaram-se por alcançar objectivos. E eu espero que vocês façam o mesmo.

É por isso que hoje me dirijo a cada um de vocês para que estabeleça os seus próprios objectivos para os seus estudos, e para que faça tudo o que for preciso para os alcançar. O vosso objectivo pode ser apenas fazer os trabalhos de casa, prestar atenção às aulas ou ler todos os dias algumas páginas de um livro. Também podem decidir participar numa actividade extracurricular, ou fazer trabalho voluntário na vossa comunidade. Talvez decidam defender miúdos que são vítimas de discriminação, por serem quem são ou pelo seu aspecto, por acreditarem, como eu acredito, que todas as crianças merecem um ambiente seguro em que possam estudar. Ou pode ser que decidam cuidar de vocês mesmos para aprenderem melhor. E é nesse sentido que espero que lavem muitas vezes as mãos e que não vão às aulas se estiverem doentes, para evitarmos que haja muitas pessoas a apanhar gripe neste Outono e neste Inverno.

Mas decidam o que decidirem gostava que se empenhassem. Que trabalhassem duramente. Eu sei que muitas vezes a televisão dá a impressão que podemos ser ricos e bem-sucedidos sem termos de trabalhar - que o vosso caminho para o sucesso passa pelo rap, pelo basquetebol ou por serem estrelas de reality shows -, mas a verdade é que isso é muito pouco provável. A verdade é que o sucesso é muito difícil. Não vão gostar de todas as disciplinas nem de todos os professores. Nem todos os trabalhos vão ser úteis para a vossa vida a curto prazo. E não vão forçosamente alcançar os vossos objectivos à primeira.

No entanto, isso pouco importa. Algumas das pessoas mais bem-sucedidas do mundo são as que sofreram mais fracassos. O primeiro livro do Harry Potter, de J. K. Rowling, foi rejeitado duas vezes antes de ser publicado. Michael Jordan foi expulso da equipa de basquetebol do liceu, perdeu centenas de jogos e falhou milhares de lançamentos ao longo da sua carreira. No entanto, uma vez disse: "Falhei muitas e muitas vezes na minha vida. E foi por isso que fui bem-sucedido."

Estas pessoas alcançaram os seus objectivos porque perceberam que não podemos deixar que os nossos fracassos nos definam - temos de permitir que eles nos ensinem as suas lições. Temos de deixar que nos mostrem o que devemos fazer de maneira diferente quando voltamos a tentar. Não é por nos metermos num sarilho que somos desordeiros. Isso só quer dizer que temos de fazer um esforço maior por nos comportarmos bem. Não é por termos uma má nota que somos estúpidos. Essa nota só quer dizer que temos de estudar mais.

Ninguém nasce bom em nada. Tornamo-nos bons graças ao nosso trabalho. Não entramos para a primeira equipa da universidade a primeira vez que praticamos um desporto. Não acertamos em todas as notas a primeira vez que cantamos uma canção. Temos de praticar. O mesmo acontece com o trabalho da escola. É possível que tenham de fazer um problema de Matemática várias vezes até acertarem, ou de ler muitas vezes um texto até o perceberem, ou de fazer um esquema várias vezes antes de poderem entregá-lo.

Não tenham medo de fazer perguntas. Não tenham medo de pedir ajuda quando precisarem. Eu todos os dias o faço. Pedir ajuda não é um sinal de fraqueza, é um sinal de força. Mostra que temos coragem de admitir que não sabemos e de aprender coisas novas. Procurem um adulto em quem confiem - um pai, um avô ou um professor ou treinador - e peçam-lhe que vos ajude.

E mesmo quando estiverem em dificuldades, mesmo quando se sentirem desencorajados e vos parecer que as outras pessoas vos abandonaram - nunca desistam de vocês mesmos. Quando desistirem de vocês mesmos é do vosso país que estão a desistir.

A história da América não é a história dos que desistiram quando as coisas se tornaram difíceis. É a das pessoas que continuaram, que insistiram, que se esforçaram mais, que amavam demasiado o seu país para não darem o seu melhor.

É a história dos estudantes que há 250 anos estavam onde vocês estão agora e fizeram uma revolução e fundaram este país. É a dos estudantes que estavam onde vocês estão há 75 anos e ultrapassaram uma depressão e ganharam uma guerra mundial, lutaram pelos direitos civis e puseram um homem na Lua. É a dos estudantes que estavam onde vocês estão há 20 anos e fundaram a Google, o Twitter e o Facebook e mudaram a maneira como comunicamos uns com os outros.

Por isso hoje quero perguntar-vos qual é o contributo que pretendem fazer. Quais são os problemas que tencionam resolver? Que descobertas pretendem fazer? Quando daqui a 20 ou a 50 ou a 100 anos um presidente vier aqui falar, que vai dizer que vocês fizeram pelo vosso país?

As vossas famílias, os vossos professores e eu estamos a fazer tudo o que podemos para assegurar que vocês têm a educação de que precisam para responder a estas perguntas. Estou a trabalhar duramente para equipar as vossas salas de aulas e pagar os vossos livros, o vosso equipamento e os computadores de que vocês precisam para estudar. E por isso espero que trabalhem a sério este ano, que se esforcem o mais possível em tudo o que fizerem. Espero grandes coisas de todos vocês. Não nos desapontem. Não desapontem as vossas famílias e o vosso país. Façam-nos sentir orgulho em vocês. Tenho a certeza que são capazes.

Deixo à vossa reflexão os seguintes pontos:

 - O que é que acham do manifesto de Obama para os alunos americanos?

-  Quais são os objectivos que traçaram para os vossos estudos?

-  O que é que pensam fazer, no futuro, por vocês e pelo vosso país?

sábado, 22 de maio de 2010

O ponto - de Peter Reynolds

Nesta inspiradora e cativante história, Reynolds demonstra o poder de um pequeno encorajamento. Uma narrativa textual e pictórica mínima traduzem a frustração de Vera que amua junto à sua folha em branco no final da aula de desenho: “Eu não sei desenhar!” A professora sabiamente responde: “Tenta fazer uma marca qualquer e vê onde ela te leva.” A renitente rapariga pega num marcador e crava-o na folha fazendo um pequeno ponto. A professora devolve a folha à Vera e pede: “Agora, assina.” Quando a Vera regressa na semana seguinte, encontra o seu desenho assinado pendurado por cima da secretária da professora, o que inspira a potencial artista a voos mais altos. Algumas páginas mais tarde, são-nos revelados os inúmeros pontos da Vera (até mesmo uma pequena escultura com o mesmo motivo) na exposição de arte da escola, onde um rapaz a elogia por ser uma “artista incrível”. Quando ele insiste na ideia de não saber desenhar, a Vera vai emular a professora no seu exemplo de encorajamento. Feitas em aguarela, tinta e chá, as simples e delicadas ilustrações de Reynolds exalam frescura e um tom quase infantil. Oferecendo um raro equilíbrio entre subtileza e hipérbole, este álbum de pequeno formato dará aos jovens artistas mais reticentes o estímulo e o encorajamento necessários à espontaneidade na sua expressão artística. Reynolds consegue exactamente o mesmo que a sua personagem principal: criar um trabalho notável a partir de um início enganadoramente simples.

Fonte: http://www.bruaa.pt/o%20ponto.html

Vejam o vídeo que ilustra a história:


segunda-feira, 3 de maio de 2010

Na infância as escolas ainda não tinham fechado...


"Na Infância as escolas ainda não tinham fechado. Ensinavam-nos coisas inúteis como as regras da sintaxe e da ortografia, coisas traumáticas como sujeitos, predicados e complementos directos, coisas imbecis como verbos e tabuadas. Tinham a infeliz ideia de nos ensinar a pensar e a surpreendente mania de acreditar que isso era bom. Não batíamos na professora, levávamos-lhe flores."


Rosa Lobato Faria, escritora e actriz, faleceu no passado dia 2 de Fevereiro de 2010


Este texto é apenas um excerto de uma autobiografia escrita pela autora há dois anos e publicada no Jornal de Letras. Podem ler mais aqui.

sábado, 1 de maio de 2010

A Devida Comédia - artigo de Miguel Carvalho


Criancinhas

A criancinha quer Playstation. A gente dá.

A criancinha quer estrangular o gato. A gente deixa.

A criancinha berra porque não quer comer a sopa. A gente elimina-a da ementa e acaba tudo emfestim de chocolate.

A criancinha quer bife e batatas fritas. Hambúrgueres muitos. Pizzas, umas tantas. Coca-Colas, às litradas. A gente olha para o lado e ela incha.

A criancinha quer camisola adidas e ténis nike. A gente dá porque a criancinha tem tanto direito como os colegas da escola e é perigoso ser diferente.

A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde. A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe o comando.

A criancinha desata num berreiro no restaurante. A gente faz de conta e o berreiro continua.

Entretanto, a criancinha cresce. Faz-se projecto de homem ou mulher.Desperta.

É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária. E gasta metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares.

A criancinha já estuda. Às vezes passa de ano, outras nem por isso. Mas não se pode pressioná-la porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada.

A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com os papás. Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto. Convém que se comecem a chegar à frente na mota, no popó e numas férias à maneira.

A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência meramente informal. A rebeldia é de trazer por casa. Responde torto aos papás, põe a avó em sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são «uma seca».

Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo. A criancinha, já crescidinha, fica traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal.

Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora. Os papás, arrepiados com a violência sobre as criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho sou eu».

A criancinha cresce. Cresce e cresce. Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles. Provavelmente, não terá um emprego. «Mas ao menos não anda para aí a fazer porcarias».

Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas,das famílias no fio da navalha?

Pois não, bem sei. Estou apenas a antecipar-me. Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo. E então teremos muitos congressos e debates para nos entretermos.


Artigo de Miguel Carvalho publicado na revista Visão online



Eu sei que em muitas famílias as coisas não se passam assim e que os pais assumem a sua responsabilidade de educadores e que orientam os seus filhos da melhor maneira. No entanto, este artigo dá que pensar!...

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Campanha 1GOAL da FIFA quer educação para todos


A FIFA está a organizar uma ambiciosa campanha educacional denominada por 1GOAL que tem como objectivo mudar a vida de crianças que vivem na pobreza, constituíndo uma estratégia para tornar possível o cumprimento do primeiro dos chamados Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, documento que foi assinado pelos líderes políticos mundiais no ano 2000: educação para todas as crianças do planeta.

Leiam de seguida o artigo do site da FIFA sobre esta campanha meritória.


Em 2000, num esforço sem precedentes, os líderes políticos de todos os países do mundo e os directores das principais instituições de desenvolvimento uniram-se para adotar os oito Objectivos de Desenvolvimento do Milénio das Nações Unidas e comprometeram-se a suprir as necessidades dos pobres e oferecer educação a todas as crianças até 2015. Desde então, e em função das medidas de governos e cidadãos, aumentou em 40 milhões o número de crianças que podem ir à escola. Mesmo assim, 75 milhões de crianças ainda não têm acesso à educação.

A campanha 1GOAL busca mobilizar a opinião pública para cobrar aos governos as suas promessas e permitir que cada criança tenha o seu lugar numa sala de aula até 2015. A campanha 1GOAL faz parte de uma importante iniciativa educacional global, a "Turma de 2015", lançada na cúpula da ONU em Nova York em setembro de 2008. Entre os que assinaram o lançamento da Turma de 2015 estão Bono, Sir Bob Geldof, Gordon Brown (primeiro-ministro do Reino Unido), Durão Barroso (presidente da Comissão Europeia), Kevin Rudd (primeiro-ministro da Austrália) e a Rainha Rania da Jordânia.

A FIFA uniu-se à Turma de 2015 e apoia a campanha 1GOAL com a promessa do seu presidente, Joseph S. Blatter, de deixar um legado duradouro em prol da educação na África e no resto do mundo. A FIFA apoia a campanha 1GOAL e a meta de oferecer educação básica a todas as crianças do mundo. A educação também é um elemento central da Campanha Oficial do Campionato do Mundo da FIFA 2010, "20 Centros para 2010".

Segundo Blatter, "a FIFA aspira melhorar constantemente o futebol e promovê-lo mundialmente à luz dos seus valores unificadores, educacionais, culturais e humanitários, particularmente através de programas para a juventude e o desenvolvimento". Afirmou também que, "apoiando a campanha 1GOAL e por meio da campanha 20 Centros para 2010, a FIFA contribuirá para levar a educação a todos".

A campanha oficial da Copa do Mundo da FIFA 2010 África do Sul, 20 Centros para 2010, tem o objectivo de construir 20 centros comunitários "Football for Hope" na África do Sul, Mali, Gana, Quénia, Ruanda, Namíbia e outras localidades de África que ainda não foram definidas. Os centros serão direccionados aos problemas sociais locais em áreas prejudicadas e procurarão melhorar os serviços de educação e saúde oferecidos aos jovens. Terão salas para atendimento de saúde e educação informal, espaços comerciais, salões de uso comum para reuniões da comunidade e um campo de futebol com relva sintética.

Em 2010, todos os olhares do mundo estarão voltados à África, e o futebol irá transformar-se no assunto favorito com a chegada de seleções de todos os continentes para competirem pelo troféu. Com o Campionato do Mundo da FIFA África do Sul 2010 e os seus projectos sociais em África, a FIFA compromete-se a contribuir com a educação no continente, promovendo a consciencialização sobre os problemas e necessidades e deixando um duradouro legado por muito tempo após o apito final.

A campanha 1GOAL foi lançada oficialmente no passado dia 20 de Abril no Estádio de Wembley, em Londres, na presença da rainha Rania da Jordânia, do ex-jogador inglês Gary Lineker, do capitão sul-africano Aaron Mokoena, do defesa Silvestre (Arsenal) e do gerente de responsabilidade social corporativa da FIFA, Federico Addiechi, entre outros.

Fonte: http://pt.fifa.com/newscentre/news/newsid=1125731.html


Vejam de seguida um vídeo alusivo à campanha. Podem visitar o site oficial da campanha 1GOAL aqui.


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Internet: alunos plagiam cada vez mais para trabalhos escolares


Eis um assunto que me preocupa imenso enquanto professor e que encontrei hoje no Público on line: as crianças e jovens recorrem cada vez mais à Internet para fazerem os trabalhos escolares. No entanto, o objectivo é sobretudo plagiar.

Muitos limitam-se a fazer o "Copy and Paste" de documentos disponíveis na internet, de uma forma acrítica, sem trabalhar o seu conteúdo, sem confirmar a veracidade das informações e sem fazer referência ao site consultado ou ao autor do trabalho.

Uma situação caricata e muito frequente nos trabalhos escolares é a entrega de trabalhos que resultam de impressões directas dos sites, muitos deles escritos em português do Brasil, contendo palavras e expressões muito próprias utilizadas naquele país e que não fazem sentido num trabalho feito em Portugal.

Plagiar é desonesto e pode ser considerado um crime.

Mas afinal, o que é um plágio ou plagiar?

"Plagiar é o acto de assinar ou apresentar uma obra intelectual de qualquer natureza (texto, música, obra pictórica, fotografia, obra audiovisual, etc) contendo partes de uma obra que pertença a outra pessoa sem colocar os créditos para o autor original. No acto de plágio, o plagiador apropria-se indevidamente da obra intelectual de outra pessoa, assumindo a autoria da mesma.

A origem etimológica da palavra demonstra a conotação de má intenção no acto de plagiar; o termo tem origem do latim plagiu que significa oblíquo, indirecto, astucioso. O plágio é considerado antiético (ou mesmo imoral) em várias culturas, e é qualificado como crime de violação de direito autoral em vários países".

(Fonte: Wikipédia)

Quando fizerem um trabalho de pesquisa procurem sempre ser triplamente honestos: com o autor das ideias que foram utilizadas no trabalho, com o professor e convosco próprios. Não vale tudo para se conseguir uma boa classificação num trabalho, até porque não é muito difícil ao professor detectar o plágio.

Para evitar acusação de plágio quando se utilizar parte de uma obra intelectual na criação de uma nova obra, recomenda-se colocar sempre créditos completos para o autor, através da identificação completa do autor e da sua obra (referência bibliográfica).

De seguida vejam a notícia do Público de hoje:


As crianças vão à Internet fazer pesquisa para o trabalho escolar e muitas vezes essa pesquisa é um plágio”, disse a investigadora Cristina Ponte, coordenadora do EU Kids Online Portugal, a propósito do Dia Europeu da Internet Segura, que se assinala amanhã.

Segundo Cristina Ponte, muitos estudantes pensam que fazer uma pesquisa é “escrever o tema no google, ver o que aparece”, fazer a impressão e entregar na escola, desconhecendo muitas vezes que estão a fazer um plágio. “Muitas crianças pensam que fazer pesquisa é ir à Internet, está aqui, corta, cola, imprime e já está”, disse, chamando a atenção para os “efeitos negativos na qualidade do conhecimento que se adquire”.

A investigadora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa considerou que os pais devem intervir, perguntando aos filhos como estão a fazer o trabalho.

Cristina Ponte disse também que os professores na escola “devem contrariar este método”. A coordenadora do EU Kids Online Portugal, projeto que desde 2006 faz pesquisas a nível europeu sobre os usos da Internet, telemóvel e outras tecnologias em linha por parte das crianças, sublinhou que os pais portugueses “não têm ideia de tudo o que as crianças fazem na Internet”.

“Os pais portugueses vêem com muito entusiasmo o acesso dos filhos à Internet, porque consideram a Internet como meio de aprendizagem. Mas não têm ideia, até porque são pouco utilizadores, de tudo o que as crianças fazem na Internet”, acrescentou.

Segundo Cristina Ponte, “os pais dizem que os filhos utilizam a Internet para a preparação dos trabalhos da escola e para a comunicação com os colegas, mas quando se pergunta a uma criança o que faz com a Internet, vê-se que tem muito mais actividades” do que as enumeradas pelos pais.

Segundo o último Eurobarómetro, divulgado em Dezembro de 2008, um terço dos pais portugueses, com filhos entre os seis e os 16 anos, afirma que “não utiliza nada” a Internet, recordou.

A EU Kids Online está a actualmente a desenvolver uma investigação em 25 países europeus, entre os quais Portugal, sobre o uso de tecnologias digitais, experiências e preocupações sobre risco e segurança online dos filhos por parte dos pais.

A investigação, que deverá estar concluída no Verão, consiste num inquérito a mil crianças de cada país com idades entre os nove e os 16 anos e aos pais.

Fonte: http://www.publico.pt/Tecnologia/internet-alunos-plagiam-cada-vez-mais-para-trabalhos-escolares_1421717

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Vem aí uma geração de rapazes frustrados


A propósito do tema apresentado pela Cátia do 12ºI na aula de Geografia C, deixo-vos o link ao artigo do jornal Público sobre o facto de em quase todos os países ocidentais, os rapazes abandonarem cada vez mais o ensino no final da escolaridade obrigatória e que podermos estar a criar (ou já criámos?) uma geração de excluídos e uma nova classe baixa - a dos homens. O artigo é um pouco longo mas talvez valha a pena lê-lo.

Fica, então, o desafio: será que estamos mesmo a criar uma geração de excluídos e uma nova classe baixa constituída pelos homens?


Fonte: http://jornal.publico.clix.pt/noticia/27-01-2010/vem-ai--uma-geracao-de-rapazes-frustrados-18656888.htm

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Jô Soares, a propósito da profissão dos Professores


Este é um texto que o humorista brasileiro, Jô Soares, escreveu sobre a grande dificuldade em ser-se professor hoje-em-dia no Brasil. Lá e cá os problemas são basicamente os mesmos.


PARA PENSAR.....


O material escolar mais barato que existe na praça é o professor!
É jovem, não tem experiência.
É velho, está superado.
Não tem automóvel, é um pobre coitado.
Tem automóvel, chora de "barriga cheia".
Fala em voz alta, vive gritando.
Fala em tom normal, ninguém escuta.
Não falta ao colégio, é um "Adesivo".
Precisa faltar, é um "turista".
Conversa com os outros professores, está "malhando" nos alunos.
Não conversa, é um desligado.
Dá muita matéria, não tem dó do aluno.
Dá pouca matéria, não prepara os alunos.
Brinca com a turma, é metido a engraçado.
Não brinca com a turma, é um chato.
Chama a atenção, é um grosso.
Não chama a atenção, não se sabe impor.
A prova é longa, não dá tempo.
A prova é curta, tira as hipóteses do aluno.
Escreve muito, não explica.
Explica muito, o caderno não tem nada.
Fala correctamente, ninguém entende.
Fala a "língua" do aluno, não tem vocabulário.
Exige, é rude.
Elogia, é debochado.
O aluno é retido, é perseguição.
O aluno é aprovado, deitou "água-benta".
É! O professor está sempre errado, mas, se conseguiu ler até aqui, agradeça a ele.


Jô Soares

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Privados continuam a dominar o ranking do secundário, mas é uma pública que está à frente


O Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, em Braga, volta aos lugares cimeiros do ranking do ensino secundário feito com base nos resultados dos exames nacionais de 11.º e 12.º ano.

Com 14 provas feitas e uma média de 15,81 valores, lidera a lista, sendo a única escola pública entre as 21 melhor classificadas. Ou seja, os colégios privados continuam a dominar o ranking do secundário.

Para encontrar outra pública é preciso chegar à 22.ª posição, o lugar que ocupa a básica e secundária Pe. António Morais da Fonseca, em Murtosa, onde apenas foram realizadas 18 provas e a média foi de 13,39 valores, na escala de 0 a 20. Uma ascensão fulgurante, já que em 2008 a escola estava mais perto do fim da lista do que do seu topo. Em 604 escolas, era a 540 do ranking.

Segue-se, na listagem deste ano, a secundária Aurélia de Sousa, no Porto, com 499 provas efectuadas e uma média de 13,32. No ano passado, com uma média de 12,7, ficou em 46º lugar.

Em segundo lugar está a Escola Básica da Comunidade Islâmica de Palmela, com 15,03 de média a 15 provas. Mas escola privada com mais de 50 exames realizados é o Colégio Luso-Francês, no Porto, com 14,87 de média e 319 provas realizadas, um repetente nestes lugares.

A listagem do PÚBLICO é feita com base nos resultados dos exames de Português B, Matemática A, Biologia e Geologia, Física e Química A, Geografia A, História, Matemática Aplicada às Ciências Sociais, Economia A/Introdução à Economia e pode também ser lida de dois modos: uma primeira lista, onde figuram todas as escolas independentemente do número de provas realizadas; e uma segunda que só inclui as escolas com mais de 50 provas realizadas. Neste segundo ranking, a Aurélia de Sousa, do Porto, aparece em 16º e é a primeira escola pública.

E à frente está um repetente nestes lugares: o Colégio Luso-Francês, também no Porto, com 14,87 de média e 319 provas realizadas.

Fonte: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1404820&idCanal=58

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Manifesto de Barack Obama para os alunos americanos


O Presidente norte-americano Barack Obama falou recentemente aos alunos do seu país, em termos que nos devem levar a reflectir. Pais, alunos, professores, enfim, toda a comunidade educativa precisa de ler a mensagem. O jornal i publicou-a no dia 9 de Setembro. Transcrevo-a de seguida. Eu sei que é muito longa mas é obrigatório a sua leitura.



Sei que para muitos de vocês hoje é o primeiro dia de aulas, e para os que entraram para o jardim infantil, para a escola primária ou secundária, é o primeiro dia numa nova escola, por isso é compreensível que estejam um pouco nervosos. Também deve haver alguns alunos mais velhos, contentes por saberem que já só lhes falta um ano. Mas, estejam em que ano estiverem, muitos devem ter pena por as férias de Verão terem acabado e já não poderem ficar até mais tarde na cama.

Também conheço essa sensação. Quando era miúdo, a minha família viveu alguns anos na Indonésia e a minha mãe não tinha dinheiro para me mandar para a escola onde andavam os outros miúdos americanos. Foi por isso que ela decidiu dar-me ela própria umas lições extras, segunda a sexta-feira, às 4h30 da manhã.

A ideia de me levantar àquela hora não me agradava por aí além. Adormeci muitas vezes sentado à mesa da cozinha. Mas quando eu me queixava a minha mãe respondia-me: "Olha que isto para mim também não é pêra doce, meu malandro..."

Tenho consciência de que alguns de vocês ainda estão a adaptar-se ao regresso às aulas, mas hoje estou aqui porque tenho um assunto importante a discutir convosco. Quero falar convosco da vossa educação e daquilo que se espera de vocês neste novo ano escolar.

Já fiz muitos discursos sobre educação, e falei muito de responsabilidade. Falei da responsabilidade dos vossos professores de vos motivarem, de vos fazerem ter vontade de aprender. Falei da responsabilidade dos vossos pais de vos manterem no bom caminho, de se assegurarem de que vocês fazem os trabalhos de casa e não passam o dia à frente da televisão ou a jogar com a Xbox. Falei da responsabilidade do vosso governo de estabelecer padrões elevados, de apoiar os professores e os directores das escolas e de melhorar as que não estão a funcionar bem e onde os alunos não têm as oportunidades que merecem.

No entanto, a verdade é que nem os professores e os pais mais dedicados, nem as melhores escolas do mundo são capazes do que quer que seja se vocês não assumirem as vossas responsabilidades. Se vocês não forem às aulas, não prestarem atenção a esses professores, aos vossos avós e aos outros adultos e não trabalharem duramente, como terão de fazer se quiserem ser bem sucedidos.

E hoje é nesse assunto que quero concentrar-me: na responsabilidade de cada um de vocês pela sua própria educação.

Todos vocês são bons em alguma coisa. Não há nenhum que não tenha alguma coisa a dar. E é a vocês que cabe descobrir do que se trata. É essa oportunidade que a educação vos proporciona.

Talvez tenham a capacidade de ser bons escritores - suficientemente bons para escreverem livros ou artigos para jornais -, mas se não fizerem o trabalho de Inglês podem nunca vir a sabê-lo. Talvez sejam pessoas inovadoras ou inventores - quem sabe capazes de criar o próximo iPhone ou um novo medicamento ou vacina -, mas se não fizerem o projecto de Ciências podem não vir a percebê-lo. Talvez possam vir a ser mayors ou senadores, ou juízes do Supremo Tribunal, mas se não participarem nos debates dos clubes da vossa escola podem nunca vir a sabê-lo.

No entanto, escolham o que escolherem fazer com a vossa vida, garanto-vos que não será possível a não ser que estudem. Querem ser médicos, professores ou polícias? Querem ser enfermeiros, arquitectos, advogados ou militares? Para qualquer dessas carreiras é preciso ter estudos. Não podem deixar a escola e esperar arranjar um bom emprego. Têm de trabalhar, estudar, aprender para isso.

E não é só para as vossas vidas e para o vosso futuro que isto é importante. O que vocês fizerem com os vossos estudos vai decidir nada mais nada menos que o futuro do nosso país. Aquilo que aprenderem na escola agora vai decidir se enquanto país estaremos à altura dos desafios do futuro.

Vão precisar dos conhecimentos e das competências que se aprendem e desenvolvem nas ciências e na matemática para curar doenças como o cancro e a sida e para desenvolver novas tecnologias energéticas que protejam o ambiente. Vão precisar da penetração e do sentido crítico que se desenvolvem na história e nas ciências sociais para que deixe de haver pobres e sem-abrigo, para combater o crime e a discriminação e para tornar o nosso país mais justo e mais livre. Vão precisar da criatividade e do engenho que se desenvolvem em todas as disciplinas para criar novas empresas que criem novos empregos e desenvolvam a economia.

Precisamos que todos vocês desenvolvam os vossos talentos, competências e intelectos para ajudarem a resolver os nossos problemas mais difíceis. Se não o fizerem - se abandonarem a escola -, não é só a vocês mesmos que estão a abandonar, é ao vosso país.

Eu sei que não é fácil ter bons resultados na escola. Tenho consciência de que muitos têm dificuldades na vossa vida que dificultam a tarefa de se concentrarem nos estudos. Percebo isso, e sei do que estou a falar. O meu pai deixou a nossa família quando eu tinha dois anos e eu fui criado só pela minha mãe, que teve muitas vezes dificuldade em pagar as contas e nem sempre nos conseguia dar as coisas que os outros miúdos tinham. Tive muitas vezes pena de não ter um pai na minha vida. Senti-me sozinho e tive a impressão que não me adaptava, e por isso nem sempre conseguia concentrar-me nos estudos como devia. E a minha vida podia muito bem ter dado para o torto.

Mas tive sorte. Tive muitas segundas oportunidades e consegui ir para a faculdade, estudar Direito e realizar os meus sonhos. A minha mulher, a nossa primeira-dama, Michelle Obama, tem uma história parecida com a minha. Nem o pai nem a mãe dela estudaram e não eram ricos. No entanto, trabalharam muito, e ela própria trabalhou muito para poder frequentar as melhores escolas do nosso país.

Alguns de vocês podem não ter tido estas oportunidades. Talvez não haja nas vossas vidas adultos capazes de vos dar o apoio de que precisam. Quem sabe se não há alguém desempregado e o dinheiro não chega. Pode ser que vivam num bairro pouco seguro ou os vossos amigos queiram levar-vos a fazer coisas que vocês sabem que não estão bem.

Apesar de tudo isso, as circunstâncias da vossa vida - o vosso aspecto, o sítio onde nasceram, o dinheiro que têm, os problemas da vossa família - não são desculpa para não fazerem os vossos trabalhos nem para se portarem mal. Não são desculpa para responderem mal aos vossos professores, para faltarem às aulas ou para desistirem de estudar. Não são desculpa para não estudarem.

A vossa vida actual não vai determinar forçosamente aquilo que vão ser no futuro. Ninguém escreve o vosso destino por vocês. Aqui, nos Estados Unidos, somos nós que decidimos o nosso destino. Somos nós que fazemos o nosso futuro.

E é isso que os jovens como vocês fazem todos os dias em todo o país. Jovens como Jazmin Perez, de Roma, no Texas. Quando a Jazmin foi para a escola não falava inglês. Na terra dela não havia praticamente ninguém que tivesse andado na faculdade, e o mesmo acontecia com os pais dela. No entanto, ela estudou muito, teve boas notas, ganhou uma bolsa de estudos para a Universidade de Brown, e actualmente está a estudar Saúde Pública.

Estou a pensar ainda em Andoni Schultz, de Los Altos, na Califórnia, que aos três anos descobriu que tinha um tumor cerebral. Teve de fazer imensos tratamentos e operações, uma delas que lhe afectou a memória, e por isso teve de estudar muito mais - centenas de horas a mais - que os outros. No entanto, nunca perdeu nenhum ano e agora entrou na faculdade.

E também há o caso da Shantell Steve, da minha cidade, Chicago, no Illinois. Embora tenha saltado de família adoptiva para família adoptiva nos bairros mais degradados, conseguiu arranjar emprego num centro de saúde, organizou um programa para afastar os jovens dos gangues e está prestes a acabar a escola secundária com notas excelentes e a entrar para a faculdade.

A Jazmin, o Andoni e a Shantell não são diferentes de vocês. Enfrentaram dificuldades como as vossas. Mas não desistiram. Decidiram assumir a responsabilidade pelos seus estudos e esforçaram-se por alcançar objectivos. E eu espero que vocês façam o mesmo.

É por isso que hoje me dirijo a cada um de vocês para que estabeleça os seus próprios objectivos para os seus estudos, e para que faça tudo o que for preciso para os alcançar. O vosso objectivo pode ser apenas fazer os trabalhos de casa, prestar atenção às aulas ou ler todos os dias algumas páginas de um livro. Também podem decidir participar numa actividade extracurricular, ou fazer trabalho voluntário na vossa comunidade. Talvez decidam defender miúdos que são vítimas de discriminação, por serem quem são ou pelo seu aspecto, por acreditarem, como eu acredito, que todas as crianças merecem um ambiente seguro em que possam estudar. Ou pode ser que decidam cuidar de vocês mesmos para aprenderem melhor. E é nesse sentido que espero que lavem muitas vezes as mãos e que não vão às aulas se estiverem doentes, para evitarmos que haja muitas pessoas a apanhar gripe neste Outono e neste Inverno.

Mas decidam o que decidirem gostava que se empenhassem. Que trabalhassem duramente. Eu sei que muitas vezes a televisão dá a impressão que podemos ser ricos e bem-sucedidos sem termos de trabalhar - que o vosso caminho para o sucesso passa pelo rap, pelo basquetebol ou por serem estrelas de reality shows -, mas a verdade é que isso é muito pouco provável. A verdade é que o sucesso é muito difícil. Não vão gostar de todas as disciplinas nem de todos os professores. Nem todos os trabalhos vão ser úteis para a vossa vida a curto prazo. E não vão forçosamente alcançar os vossos objectivos à primeira.

No entanto, isso pouco importa. Algumas das pessoas mais bem-sucedidas do mundo são as que sofreram mais fracassos. O primeiro livro do Harry Potter, de J. K. Rowling, foi rejeitado duas vezes antes de ser publicado. Michael Jordan foi expulso da equipa de basquetebol do liceu, perdeu centenas de jogos e falhou milhares de lançamentos ao longo da sua carreira. No entanto, uma vez disse: "Falhei muitas e muitas vezes na minha vida. E foi por isso que fui bem-sucedido."

Estas pessoas alcançaram os seus objectivos porque perceberam que não podemos deixar que os nossos fracassos nos definam - temos de permitir que eles nos ensinem as suas lições. Temos de deixar que nos mostrem o que devemos fazer de maneira diferente quando voltamos a tentar. Não é por nos metermos num sarilho que somos desordeiros. Isso só quer dizer que temos de fazer um esforço maior por nos comportarmos bem. Não é por termos uma má nota que somos estúpidos. Essa nota só quer dizer que temos de estudar mais.

Ninguém nasce bom em nada. Tornamo-nos bons graças ao nosso trabalho. Não entramos para a primeira equipa da universidade a primeira vez que praticamos um desporto. Não acertamos em todas as notas a primeira vez que cantamos uma canção. Temos de praticar. O mesmo acontece com o trabalho da escola. É possível que tenham de fazer um problema de Matemática várias vezes até acertarem, ou de ler muitas vezes um texto até o perceberem, ou de fazer um esquema várias vezes antes de poderem entregá-lo.

Não tenham medo de fazer perguntas. Não tenham medo de pedir ajuda quando precisarem. Eu todos os dias o faço. Pedir ajuda não é um sinal de fraqueza, é um sinal de força. Mostra que temos coragem de admitir que não sabemos e de aprender coisas novas. Procurem um adulto em quem confiem - um pai, um avô ou um professor ou treinador - e peçam-lhe que vos ajude.

E mesmo quando estiverem em dificuldades, mesmo quando se sentirem desencorajados e vos parecer que as outras pessoas vos abandonaram - nunca desistam de vocês mesmos. Quando desistirem de vocês mesmos é do vosso país que estão a desistir.

A história da América não é a história dos que desistiram quando as coisas se tornaram difíceis. É a das pessoas que continuaram, que insistiram, que se esforçaram mais, que amavam demasiado o seu país para não darem o seu melhor.

É a história dos estudantes que há 250 anos estavam onde vocês estão agora e fizeram uma revolução e fundaram este país. É a dos estudantes que estavam onde vocês estão há 75 anos e ultrapassaram uma depressão e ganharam uma guerra mundial, lutaram pelos direitos civis e puseram um homem na Lua. É a dos estudantes que estavam onde vocês estão há 20 anos e fundaram a Google, o Twitter e o Facebook e mudaram a maneira como comunicamos uns com os outros.

Por isso hoje quero perguntar-vos qual é o contributo que pretendem fazer. Quais são os problemas que tencionam resolver? Que descobertas pretendem fazer? Quando daqui a 20 ou a 50 ou a 100 anos um presidente vier aqui falar, que vai dizer que vocês fizeram pelo vosso país?

As vossas famílias, os vossos professores e eu estamos a fazer tudo o que podemos para assegurar que vocês têm a educação de que precisam para responder a estas perguntas. Estou a trabalhar duramente para equipar as vossas salas de aulas e pagar os vossos livros, o vosso equipamento e os computadores de que vocês precisam para estudar. E por isso espero que trabalhem a sério este ano, que se esforcem o mais possível em tudo o que fizerem. Espero grandes coisas de todos vocês. Não nos desapontem. Não desapontem as vossas famílias e o vosso país. Façam-nos sentir orgulho em vocês. Tenho a certeza que são capazes.

Fonte: http://www.ionline.pt/interior/index.php?p=news-print&idNota=22105


Deixo à vossa reflexão os seguintes pontos:

O que é que acham do manifesto de Obama para os alunos americanos?

Quais são os objectivos que traçaram para os vossos estudos?

O que é que pensam fazer, no futuro, por vocês e pelo vosso país?

sábado, 19 de setembro de 2009

O segredo do 19,9 de Daniel Freitas


O Jornal Público traz na edição de hoje um artigo interessante sobre o aluno Daniel Freitas que teve, neste ano lectivo, a melhor média nacional dos alunos do 12º ano: 19,9!!!!

Vale a pena ler a notícia (apesar de longa) e perceber melhor como é que alguém consegue alcançar uma média tão elevada levando uma vida perfeitamente normal.



Se Daniel quisesse podia ser médico quando crescesse. Não quis. Chega de uma vila de Lamego à Faculdade de Engenharia do Porto com média de 19,9 e olhos postos num futuro nos EUA. "Na Microsoft, Google ou NASA." Qual é o segredo para se conseguir o que se quer?

Ainda não chegámos perto de Daniel e vemos que está a ser abordado por um estudante de capa e batina, à porta da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Quer saber se ele é caloiro. Sim, mas agora não pode ser praxado. Tem uma entrevista marcada. Daniel Freitas não é um caloiro qualquer, conseguiu uma média de 19,9 e, por isso, hoje tem mais o que fazer.
Nada de óculos, pele branca e corpo enfezado. Em vez disso, uns olhos escuros expressivos, um sorriso fácil e uma barba de três dias por fazer. Talvez uma ponta de vaidade no canto do sorriso. Mas mesmo que seja isso que está lá, Daniel tem razão para ser vaidoso, para estar orgulhoso. Conseguiu o que queria. Longe da imagem ou discurso de um típico marrão, Daniel Freitas tem uns normais 18 anos sem qualquer sinal que denuncie um excesso de esforço ou sacrifício para conseguir a melhor média da Universidade do Porto.
Falámos durante mais de uma hora e, usando propositadamente um termo da actualidade, esmiuçámos um pouco a sua vida. Vem de uma pequena vila em Lamego, chega ao Porto com uma notável nota de pauta e quer chegar até aos EUA. Dentro de dez anos, espera estar a trabalhar na Microsoft, Google ou NASA. Joga computador, sai com os amigos, gosta de ver séries na televisão (Lost é a preferida, mas há muitas, muitas mais na lista) e uma das pessoas que mais admira é Ricardo Araújo Pereira. Candidatou-se a vários cursos de Medicina mas já sabia que entrava na primeira opção de Engenharia Informática e Computação. "Candidatei-me para constatar que estava dentro dos melhores e por brincadeira com os meus colegas." Com uma nota final de 19,9, Daniel Freitas pode escolher o que queria.
A mãe é médica, o pai é advogado e tem dois irmãos: o Nuno com 14 anos e o Luís que "tem 11 anos e não dez como saiu noutra notícia". Está mais habituado a elogios, mas diz que o seu pior defeito é a teimosia quando não tem razão. "Também sou um bocadinho resmungão, vá." Não tem namorada, mas acha possível e provável que esse cenário mude nos próximos tempos. "Não ando propriamente à procura, mas o Porto tem muito mais gente." Para possíveis candidatas fica desde já o aviso: "Valorizo sobretudo as qualidades humanas", diz educadamente, acrescentando que a futura companhia tem um requisito obrigatório: "Perceber uma piada inteligente. Ter sentido de humor."
Na mesinha de cabeceira prefere os policiais de, e ele diz assim, "Sir Arthur Conan Doyle", por exemplo. Há também lugar para John Steinbeck, Kafka ou "um pouco mais comercial" José Rodrigues dos Santos e Dan Brown.
A pior nota que teve foi um 17 a Educação Física. Dos colégios de freiras e padres até à "grande cidade" do Porto, mantém o hábito de ir à missa aos domingos. E entre os jogos de computador que gosta de usar, lembra-se do terrível vício do Travin. "Tive de desligar", diz, recordando uma noite em que se levantou a altas horas só para ir à sua "aldeia" por causa da abertura de um novo servidor. Coisas que só podem ser entendidas por quem vive nestes territórios virtuais.
Mas vamos regressar aos bancos de escola. Aos bancos da escola primária e à altura em que a professora das aulas de Informática extracurriculares chamava atenção para os dotes do menino. Afinal, conta Daniel, ele era o único que não gastava as duas horas da aula em jogos de computador. Metade do tempo era para jogar, mas a outra era para explorar outros campos da máquina, escrever textos, colocar fotos nos documentos, etc. Ainda na escola primária, recebeu o seu primeiro computador, e neste Verão de 2009 teve direito ao seu mais recente equipamento, oferecido pelos pais por ter cumprido os seus objectivos. Talvez o próximo seja já um patrocínio de uma marca qualquer. "Isso é que era muita qualidade."
Portanto, Daniel cresceu. Ou Freitas, como lhe chamam por Lamego. E chamam-no muitas vezes, conta. "Sou uma pessoa popular no seio da comunidade onde estou. Pode escrever isso." Sim, que não pensem que ele é um daqueles que se fecham em casa e só pensam em estudar. "As pessoas associam os bons alunos a pessoas alheadas, marginalizadas, e eu não sou assim." O popular Freitas já fez loucuras, apanhou algumas bebedeiras e "outras coisas normais". A última coisa normal que experimentou foi a viagem de fim de curso a Loret del Mar. "Nunca tinha ido a Espanha. Gostava de viajar mais", diz, quando reparamos nas pulseiras de tecido coloridas a apertar o pulso.
É chamado para arranjar computadores muitas vezes. "E de graça." De resto, a dinheiro, nunca fez muita coisa. Um trabalho numa associação local pago pelo Instituto Português da Juventude para ajudar miúdos na biblioteca e outras coisas do género. Mais do que isso, só os trabalhos de inserção de dados de doentes que faz regularmente para a sua mãe, numa tarefa que é devidamente recompensada.

Qual é o segredo?
Qual é o segredo para se conseguir o que se quer? Daniel Freitas dá algumas pistas. "Ter atenção nas aulas", fazer os trabalhos de casa, ler a matéria dada após um dia de aulas, são algumas das tarefas que, diz, podem ocupar diariamente cerca de duas horas. Mas há mais. Daniel faz questão de distribuir os louros do seu sucesso à mãe. "Foi a minha segunda professora. A professora da casa, Acho que é essencial esse acompanhamento. Uma professora na escola tem 30 alunos, se tivermos um apoio dedicado em casa temos outro estímulo. Fazia imensas fichas com ela." Prova do sucesso da mãe de Daniel será o facto de os outros dois filhos serem também alunos com médias de nota máxima.
A partir do sétimo ano, Daniel terá começado a "libertar-se" do apoio extra e ficou por sua conta e risco. Saiu-se bem. Mesmo com umas partidas de futsal e um jogos de vólei passados no banco para lhe roubar algum tempo, Daniel manteve os bons resultados nas pautas. "Quem trabalha consegue", promete, agradecendo aos professores também. E acrescenta em jeito de conselho: "Vale a pena abdicar e sacrificar algumas coisas para ter algum sossego, algum futuro. Abdiquei de algumas saídas à noite e de alguma interacção social. Mas nada que não recuperasse depois."
Mesmo atribuindo ao suor uma grande parte do mérito - "não é tudo trabalho, mas é muito trabalho" -, Daniel diz que a sorte também tem um papel importante no curso da vida académica. "As pessoas devem seguir o que querem. Para Medicina, por exemplo, acho que é preciso ter vocação. E sei que há muita gente que tem vocação mas não tem notas suficientemente altas." São preguiçosos? "Não. Muitas vezes é falta de sorte, os exames são duros, dolorosos. Por vezes é preciso ter a estrelinha da sorte."

O que falta aprender
Daniel cresceu tanto que a partir de segunda-feira vai viver sozinho com os seus quase vinte valores na bagagem e a responsabilidade de continuar a responder às expectativas. Avisado pela mãe - "diz-me para me orientar, para não me deixar perder" -, conta manter o alto nível. Depois virá o trabalho. "Temos de ser bons e para os bons há emprego. Hoje não podemos ser medianos. Gostava de ser pioneiro em algo. Acho que terá de ser fora de Portugal porque ainda não temos muitos apoios, mas gostava de ajudar o meu país." Enquanto não ocupa um cargo numa grande empresa como a Microsoft, vai ter de se desenrascar sozinho. Na cozinha também. "Até ao Verão não sabia fazer nada, agora já sei fazer um bife, arroz seco, ovos estrelados, fritar salsichas e fazer sandes." A coisa promete, mas Daniel admite que vai passar muito tempo nas cantinas do campus universitário.
Por mais que se saiba, temos sempre muito mais para aprender. Daniel foi chamado a um gabinete de um professor, mas volta atrás e dirige-se a nós com uma dúvida sussurrada: "Como é que se trata um professor universitário?"

Fonte: http://jornal.publico.clix.pt/noticia/19-09-2009/o-segredo-do-199--do-popular-freitas-17843731.htm



quinta-feira, 28 de maio de 2009

As notas dos alunos, os pais e os professores


Este cartoon caricatura a situação que se vive em França. Por cá a situação não parece ser muito diferente!...