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sexta-feira, 6 de março de 2009

Chegou "a hora do realismo" com a Rússia


NATO retoma as relações de alto nível com os russos, num quadro de cooperação dominado pelo Afeganistão e pelo Irão


"Soou a hora do realismo": depois de seis meses de suspensão por causa da guerra da Geórgia, em Agosto, as relações de alto nível entre a NATO e a Rússia vão ser reatadas, num quadro de reforço da cooperação sobre segurança em zonas problemáticas do globo, como o Afeganistão ou o Irão. A afirmação foi feita por Hillary Clinton, secretária de Estado norte-americana, que ontem participou em Bruxelas na sua primeira reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos 26 países-membros da NATO. Principal objectivo da reunião, o retomar das relações formais com Moscovo, no âmbito do Conselho NATO-Rússia, criado em 2002, como um novo quadro de cooperação entre os inimigos da guerra fria sobre um vasto leque de questões, da luta contra o terrorismo à não proliferação nuclear. Embora os países de Leste não se tenham mostrado particularmente entusiasmados com esta aproximação a Moscovo, pretendida pelo Presidente americano, Barack Obama, apenas a Lituânia chegou ao ponto de bloquear o reatamento das relações, acabando, no entanto, por se associar à posição comum." Apesar de alguns encararem o Conselho NATO-Rússia como uma recompensa ou uma concessão à Rússia, deveria ser antes considerado como um mecanismo de diálogo sobre os temas de desacordo e uma plataforma de cooperação que é do nosso interesse", justificou Clinton. A afirmação deixa claro que os desentendimentos entre os dois blocos se mantêm, a começar pelo reforço da presença militar russa nas repúblicas secessionistas da Geórgia, a Abkházia e a Ossétia do Sul." Não nos podemos esquecer que temos uma série de áreas em que temos diferenças fundamentais de opinião e em que pensamos que a Rússia deveria mudar de posição", afirmou Jaap de Hoop Scheffer, secretário-geral da NATO. Já Clinton procurou sobretudo sublinhar que "é tempo de avançar". "Não devemos ficar parados com a ilusão de que as coisas vão mudar por si só", prosseguiu. E insistiu: "Soou a hora do realismo, mas também a da esperança."

Não falar "não é uma opção"

De acordo com Scheffer, a primeira reunião ministerial do Conselho NATO-Rússia terá lugar "o mais depressa possível" depois da cimeira comemorativa dos 60 anos da Aliança que ocorrerá a 3 e 4 de Abril, em Estrasburgo e Kehl (França e Alemanha). "A Rússia é um actor global e não falar com ela não é uma opção", frisou. Embora tenha assumido a mesma linha, David Miliband, chefe da diplomacia britânica, sublinhou que as relações entre aliados e russos "nunca mais serão como antes" por causa da guerra da Geórgia. A intervenção de Moscovo em favor das duas repúblicas secessionistas "gerou muitos receios sobre a atitude da Rússia relativamente aos seus vizinhos", sustentou. Os Aliados contam insistir com Moscovo para "respeitar plenamente os seus compromissos face à Geórgia", garantiu, por seu lado, o secretário-geral da Aliança.Apesar das críticas, Miliband defendeu: "É importante restabelecer o Conselho NATO-Rússia, porque nos permite falar directamente com os russos sobre as nossas preocupações [e] tratar juntos de problemas comuns. "Muitas dessas questões serão, aliás, hoje abordadas pela chefe da diplomacia americana no seu primeiro encontro oficial com o seu homólogo russo, Serguei Lavrov, em Genebra. E que incluirá, segundo a responsável, a questão das negociações entre a Rússia e o Irão sobre a venda de mísseis de longo alcance", o que, do seu ponto de vista, "constitui uma ameaça para a Rússia, para a Europa e para os vizinhos na região". Outro assunto de contencioso é a promessa de adesão da Geórgia e Ucrânia à NATO, que Moscovo encara como uma intervenção da Aliança Atlântica na sua esfera de influência. Embora não tenha assumido qualquer calendário ou procedimento formal, Clinton defendeu que a NATO deverá "manter as portas abertas a países europeus como a Geórgia e a Ucrânia". (Público, 07.03.09)


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Bombay Smiles

Eis um belo exemplo de como pode ser feita a ajuda dos países ricos ao países pobres. Conheçam o projecto "Bombay Smiles", que foi implementado pelo espanhol Jaume Sanllorente na cidade indiana de Bombaim. O vídeo está na versão original em inglês e não é legendado.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Incêndios na Austrália: balanço de vítimas mortais sobe para 131


Milhares de bombeiros e membros de equipas de socorro, já no limite das forças, prosseguiam os trabalhos de salvamento das vítimas e combate à vaga de fogos que assola o sul da Austrália desde sábado e que causou já pelo menos 131 mortos, continuando a registar-se ainda dezenas de pessoas desaparecidas.“Foram-se todos. Todos. As casas deles desapareceram. Estão todos mortos, ali, dentro das casas. Estão todos mortos”, lamentava à Reuters hoje de manhã um dos sobreviventes de Kinglake, localidade dos arredores de Melbourne.A brutal língua de fogo que varreu várias cidades da região na noite de sábado destruiu tudo no seu caminho, deixou mais de 750 casas destruídas e vastas áreas de terras de cultivo encontram-se agora carbonizadas, assim como centenas de milhares de hectares de floresta. “Isto vai parecer-se com Hiroshima. Vai parecer que caiu aqui uma bomba nuclear”, desabafava aquele mesmo sobrevivente, citado pela Reuters. Muitas pessoas, descrevia hoje esta agência noticiosa britânica, morreram queimadas dentro dos carros, enquanto tentavam fugir ao inferno das chamas, empurrado pelas fortes rajadas de vento, outras enquanto procuravam protecção dentro das suas casas. Há registos de sobreviventes que encontraram refúgio em piscinas ou em reservatórios de água, alguns dentro dos celeiros. O número de feridos nos hospitais ascende a quase uma centena. Muitos apresentam queimaduras em mais de 30 por cento do corpo, alguns dos ferimentos de maior gravidade do que os que resultaram dos ataques bombistas a Bali em 2002 – descreveu um médico dos serviços de urgência de um hospital de Melbourne à agência francesa AFP. Foi nesta região de cidades rurais, em volta da segunda maior cidade australiana, que se contou a maior parte dos mortos da vociferante vaga de fogos – chegaram a verificar-se quase 30 focos de incêndio activos em simultâneo, muitos com uma altura de chamas superior a um prédio de quatro andares, e a polícia revelou admitir a hipótese de alguns deles terem sido deliberadamente ateados. “Não há outra maneira de o descrever senão como um homicídio em massa”, avaliou o primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, a um canal de televisão local, prevendo, de resto, que o número de vítimas mortais “ainda vá aumentar”. Estes incêndios florestais constituem o prior desastre natural que a Austrália sofreu em mais de um século, tendo levado a um acentuar da pressão sobre o Governo para que ponha em marcha novas e mais efectivas políticas ambientais. “É muito claro que tanto em termos globais como na Austrália se verifica uma tendência de aquecimento desde 1950”, apontava à Reuters o investigador de topo australiano em clima Kevin Hennessy. Ao mesmo tempo que os cientistas sustentam que a Austrália deve preparar-se para situações climáticas ainda mais extremas, devido ao aquecimento global, os ambientalistas e os Verdes australianos argumentaram já que os incêndios e cheias constituem a prova de que o executivo de Rudd tem de endurecer as limitações às emissões de gases causadores do efeito de estufa. Querem que a Austrália – que contribui com 1,5 por cento das emissões globais – as reduza em pelo menos 25 por cento até 2020; enquanto o Governo de Rudd fixou esse objectivo em apenas cinco por cento, não avançando mais sequer, e só até um máximo de 15 por cento, se não houver um acordo internacional generalizado no sentido de endurecer as acções contra o efeito de estufa.


Que grande drama que está ser vivido na Austrália! Mais uma consequência do aquecimento global, embora também, pelos vistos, com a colaboração humana.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Reino Unido: sindicatos dizem que interpretação de directivas comunitárias prejudica trabalhadores britânicos


Os sindicatos britânicos pediram ao Governo para rever a forma como as directivas europeias sobre circulação de trabalhadores está a ser interpretada, para garantir que os trabalhadores britânicos não são discriminados no acesso aos postos de trabalho criados no país.

Pelo quinto dia consecutivo, trabalhadores de empresas que prestam serviços na refinaria da Total, em Lindsey, voltaram a concentrar-se no exterior da unidade, prometendo manter o protesto até conhecerem os resultados das negociações entre a petrolífera francesa, os sindicatos e uma equipa de mediadores nomeada pelo Governo.

Na origem do protesto, está a atribuição de uma obra na refinaria, orçada em mais de 200 milhões de libras, a uma empresa italiana que planeava usar os seus próprios trabalhadores – italianos e portugueses – para realizar os trabalhos. Foi a chegada dos primeiros operários a Lindsey que levou os trabalhadores de outras empresas contratadas a suspender o trabalho, à revelia dos sindicatos, acusando a petrolífera de discriminação. “Trabalhos britânicos para os trabalhadores britânicos”, uma frase dita em 2007 pelo primeiro-ministro britânico tornou-se o “slogan” do protesto, que nos dias seguintes alastrou a outras centrais e refinarias do país e que se estendeu ontem a duas centrais nucleares.

Os trabalhadores querem garantias de igualdade no acesso aos empregos criados no país – numa altura em que o desemprego atinge quase dois milhões de pessoas –, mas o Governo de Gordon Brown rejeitou quaisquer medidas proteccionistas para enfrentar a crise.

Uma nova interpretação

Os sindicatos, que estão solidários com os trabalhadores embora não possam apoiar os protestos convocados ilegalmente, dizem que os britânicos estão a perder empregos por causa da forma como as directivas europeias de Livre Circulação e de Trabalhadores Deslocados estão a ser aplicadas no país. “Pela interpretação actual da lei, as companhias estrangeiras podem recusar empregar cidadãos nacionais em projectos no Reino Unido”, lê-se num comunicado emitido pela GMB, que representa cerca de 700 mil trabalhadores.

A confederação sindical diz ainda que “o Governo britânico deve adoptar o conselho do Parlamento Europeu e pressionar a Comissão Europeia a corrigir esta interpretação”.

A contratação de mão-de-obra estrangeira, mais barata, para empreitadas nos países europeus tem sido uma polémica recorrente. Em 2004, a empresa letã Laval contratada para um projecto na Suécia, foi forçada a parar as obras pelos sindicatos locais, que contestavam o facto de a companhia ter trazido os seus próprios trabalhadores, mediante salários inferiores aos praticados no sector. Três anos depois, o Tribunal Europeu de Justiça concluiu que os sindicatos estavam a restringir o direito da Laval a fornecer serviços no espaço europeu e recordava que a empresa não estava obrigada a pagar salários superiores aos mínimos definidos pela directiva de trabalhadores deslocados
. (Público, 03.02.09)




Estes trabalhadores britânicos estão apenas a lutar pelos seus direitos (contra directivas comunitárias) ou também há neste caso uma situação (encapotada) de xenofobia?

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Três jovens italianos queimaram imigrante indiano “por diversão”


Ataque perto de Roma


Um imigrante indiano está hospitalizado em Roma depois de ter ficado gravemente queimado na madrugada de domingo, quando três jovens, incluindo um menor, o atacaram enquanto dormia na estação de comboio de Nettuno, no litoral a Sul da capital de Itália. “Regámo-lo com gasolina só para nos divertirmos. Queríamos saber quanto durava e era-nos indiferente se ele era negro ou romeno”, afirmou um dos jovens detidos.Os três explicaram à polícia que queriam “experimentar algo novo” e foi “por diversão” e sem planearem que queimaram o jovem sem-abrigo de 35 anos, cita o site do diário espanhol El Mundo. O responsável dos carabineiros da região, Vittorio Tomasone, afirmou à agência Ansa que os agressores “não parecem ter agido por xenofobia”. “Eles tinham passado a noite a beber e a drogar-se e terão querido acabar a noite com um gesto forte, estridente. É assustador”, disse Tomasone. Num país em que tem sido aprovada legislação polémica sobre as comunidades ciganas e os imigrantes e vários casos têm feito temer uma vaga de racismo, o líder da oposição de centro-esquerda, Walter Veltroni, afirmou que o que aconteceu em Nettuno é fruto de “preconceitos xenófobos” e de um clima de medo e ódio criado por alguns sectores políticos. E também o presidente do Senado, Renato Schifani, da maioria de direita, condenou a agressão e exortou a sociedade italiana a “isolar, condenar e reprimir” episódios destes. (Público, 02.02.09)


Inacreditável, ou talvez não?

sábado, 31 de janeiro de 2009

Islândia poderá aderir à União Europeia em 2011

A Islândia poderá aderir à União Europeia(UE) em 2011, ao mesmo tempo que a Croácia, naquela que seria a mais rápida adesão de sempre de um Estado à União, revela a edição de hoje do diário britânico Guardian. A hipótese é avançada pelo comissário europeu para o Alargamento, Oli Rehn, num momento em que Bruxelas espera um pedido de adesão de Reiquejavique.“A UE prefere a adesão simultânea de dois países, em vez de adesões individuais. Se o pedido de adesão da Islândia for rápido e se as negociações forem céleres, então a Croácia e a Islândia poderão aderir em paralelo.”, disse Oli Rehn, citado pelo Guardian. “[A Islândia] é uma das mais antigas democracias do mundo e a sua posição estratégica e económica faria dela um forte activo para a UE”, acrescentou o comissário, que assume o seu apoio à adesão da ilha, de 320 mil habitantes. Esta posição é apoiada por outros diplomatas europeus ouvidos pelo diário britânico em Bruxelas. A República Checa, que está actualmente na presidência da UE e a Suécia, que ocupará essa posição a partir de Julho, estão disponíveis para acelerar o processo, afirma o diário. O colapso financeiro do país levou à queda do governo conservador, no poder há 18 anos, que será substituído por um novo Executivo interino formado pela Aliança Social Democrata e pelo Movimento Verde Esquerda, que deverá tomar posse amanhã. O novo governo estará em funções até às eleições de 9 de Maio e a adesão à UE será um dos temas chave da campanha eleitoral. Se a adesão se concretizar, a Islândia será o vigésimo nono membro da União Europeia, que congrega actualmente 27 países. (Público, 30.01.09)


Será que a Islândia será de facto "um forte activo para a UE"?

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

“Rockets” disparados a partir do Líbano atingem o Norte de Israel


O conflito entre Israel e o Hamas (Faixa de Gaza) agrava-se com a entrada em cena do Hezbollah, a partir do Líbano. Assim, Israel passa a ter duas frentes de guerra. A situação começa a complicar-se e o conflito vai adquirindo contornos de uma guerra à escala regional. O Médio Oriente continua um barril de pólvora!...


Pelo menos três “rockets” disparados a partir do Líbano atingiram esta madrugada o Norte de Israel e fizeram vários feridos, segundo fontes militares israelitas. Os disparos atingiram a cidade israelita de Nahariya, oito quilómetros a Sul da fronteira com o Líbano, e outras três localidades. Um “rocket” caiu num edifício em Nahariya que os media israelita dizem ser um lar para idosos. O local foi, entretanto, evacuado. A agência Reuters fala em dois feridos, citando fontes médicas e policiais. Israel respondeu com disparos de artilharia em direcção ao Sul do Líbano. As forças israelitas têm estado em alerta máximo no Norte do país, receando ataques do Hezbollah. Segundo uma fonte militar francesa, em anonimato, a Finul (Força das Nações Unidas no Líbano) foi colocada hoje em "estado de alerta reforçado" depois do lançamento dos "rockets" sobre Israel. "Todas as suas unidades foram imediatamente destacadas para a sua zona de responsabilidade", a Sul do rio Litani. O objectivo é controlar a região e "interditar qualquer possibilidade de novos disparos de 'rockets'", salientou. Mas ainda não é claro se foram as guerrilhas do Hezbollah, do Líbano, - contra as quais Israel travou uma guerra em 2006 - ou palestinianas os autores dos disparos dos "rockets". Fontes do Hamas no Líbano negaram já qualquer envolvimento. Mais tarde, o Hezbollah garantiu ao Governo libanês que não está implicado no ataque a Israel, segundo o ministro da Informação, Tarek Mitri. No Líbano vivem mais de 400 mil refugiados palestinianos, segundo as Nações Unidas. Hoje a aviação israelita bombardeou a Faixa de Gaza e os tanques avançaram pelo território dominado pelo Hamas, numa altura em que aumentam as expectativas de um cessar-fogo, apoiado pelos Estados Unidos. Fontes médicas palestinianas actualizaram os números das vítimas da ofensiva israelita, que começou a 27 de Dezembro. Desde então já morreram 707 pessoas e 3100 ficaram feridas. (Público, 08.01.09)


domingo, 4 de janeiro de 2009

Ofensiva terrestre na Faixa de Gaza já matou 30 palestinianos


Foto: Baz Ratner/Reuters

Mais de 200 feridos

A ofensiva terrestre israelita lançada ontem à noite na Faixa de Gaza já causou a morte a, pelo menos, 30 palestinianos e fez mais de 200 feridos, segundo fontes hospitalares palestinianas. Tanques israelitas e aviões militares continuam a lançar bombas sobre posições suspeitas palestinianas, enquanto o Hamas responde com "rockets" e disparos de morteiro. Entre os mortos estão 17 civis, incluindo mulheres e crianças, informou Mouawiya Hassanein, chefe dos serviços de urgência palestinianos. Pelo menos 20 palestinianos foram mortos em Jabalya e Beit Lahiya, uma das zonas por onde entraram ontem à noite as forças terrestres israelitas, dois perto de Khan Younes, três em Raffah, no Sul do território, e cinco na cidade de Gaza. Neste ataque, esta manhã numa zona comercial de Gaza, morreram cinco pessoas e 40 ficaram feridas. O raide aéreo sobre Khan Younes visou um importante líder do braço militar do Hamas, Jihad Hamdan, que ficou gravemente ferido, segundo a AFP. Uma médica do Crescente Vermelho dum hospital em Gaza descreveu à Reuters aquilo que considera um pesadelo. "Os civis estão a ser mortos... explosões estão a atingir pessoas (...). Todos estão aterrorizados". A estação de televisão Al-Jazeera, com uma correspondente no hospital Shifa em Gaza, avança que os médicos tentam fazer o melhor que podem com escassos recursos e perante o aumento do número dos feridos. A jornalista comenta que o cenário é caótico, com os médicos a tratar dos doentes no chão. Desde o início dos ataques israelitas a 27 de Dezembro já morreram 485 palestinianos. Segundo o site do “Jerusalem Post”, o Hamas disparou esta tarde vários “rockets” sobre as cidades israelitas de Sderot, Ashkelon e Ashdod. Uma mulher ficou ligeiramente ferida em Sderot. Ao longo de todo o dia de hoje, o Hamas terá disparado sobre Israel 25 "rockets". Do lado israelita, o Exército refere 32 soldados feridos desde o início da ofensiva terrestre. Quatro israelitas mortos é o balanço desde que começaram os ataques, a 27 de Dezembro.

Território "cortado" ao meio


Desde ontem à noite, os tanques e soldados israelitas cortaram, virtualmente, ao meio Gaza, um território onde vivem 1,5 milhões de pessoas, e hoje posicionaram-se às portas da cidade de Gaza. A aviação israelita atingiu dezenas de alvos, incluindo túneis de contrabando de armas e depósitos de armas. Mas o porta-voz do braço armado do Hamas, Abu Ubaida, disse hoje que as tropas israelitas enfrentam ou a morte ou a captura. "O inimigo sionista deve saber que a sua batalha em Gaza é uma batalha perdida", disse Abu Obeida. "A batalha só agora começou e o inimigo deve sofrer as consequências", disse hoje Obeida à estação de televisão com sede no Qatar, Al-Jazeera. O Hamas disse hoje ter sequestrado dois soldados israelitas mas o Exército israelita negou a informação. Na Faixa de Gaza, as populações estão escondidas nas suas casas há dias e as agências humanitárias alertaram que se estão a esgotar os alimentos, a água e os medicamentos. (Público, 04.01.09)



Mais uma guerra no Mundo, mais uma guerra no Médio Oriente, mais uma guerra no conflito israeloárabe, que é na verdade um dos conflitos mais difíceis de resolver em todo o Mundo. Voltaremos, infelizmente, ao assunto.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Afeganistão: CIA troca comprimidos de Viagra por informações


“Tome um destes. Vai gostar”. Com os cumprimentos do Tio Sam. A frase foi proferida por um agente da CIA no Afeganistão. O interlocutor era um senhor da guerra. A mercadoria era Viagra. Os homens de meia-idade não resistem à interesseira oferta americana. De acordo com o “Washington Post”, os serviços secretos norte-americanos estão a trocar o comprimido azul mais famoso do mundo por informações sensíveis.

O estratagema tem resultado. De acordo com o jornal americano, o agente da CIA, que descreveu o encontro ao jornal, regressou quatro dias depois de ter entregado o comprimido de Viagra ao sexagenário com quatro mulheres mais novas. No regresso, este partilhou com o americano informações vitais acerca das acções dos taliban. Mais comprimidos – que potenciam o desempenho sexual – dariam direito a mais informações.

De acordo com alguns agentes americanos, este é actualmente um dos estratagemas mais usados no Afeganistão para ganhar batalhas pontuais. A CIA tem já um longo historial de troca de dados sensíveis por dinheiro, mas esta estratégia é mais imaginativa, em sítios do globo onde a população rural não tem acesso a este tipo de medicação.

Canivetes, ferramentas, brinquedos, material escolar e médico, tratamentos dentários e vistos de viagem são igualmente usados em troca de informações.

“O que for preciso... para fazer amigos e influenciar pessoas – seja construir uma escola ou dar Viagra”, esclareceu um agente veterano da CIA citado pelo “Washington Post”, sob anonimato.

Vários outros agentes, que também falaram sob anonimato, confirmaram que este tipo de expedientes são necessários no Afeganistão, um país onde os senhores da guerra e os líderes tribais esperam ser pagos pela sua colaboração e que podem mudar de flanco em função das contrapartidas que recebem.

Se os americanos não oferecerem incentivos, há outros que o farão, incluindo os comandantes taliban e traficantes de droga.

Os instrumentos mais comuns de chantagem – dinheiro e armas – nem sempre são as melhores opções, dizem os agentes veteranos, com muitas horas de missão no Afeganistão.

A chave parece ser encontrar uma ponte entre pessoas que “vivem no século XVIII” e pessoas que “vêm do século XXI” e que trazem coisas, em forma de ajuda material, “que motivam as pessoas em qualquer parte do mundo”, indica o jornal. (Público, 26.12.08)




Faixa de Gaza: pelo menos 200 mortos em ataque israelita contra posições do Hamas


Pelo menos 200 palestinianos morreram hoje num ataque aéreo do Exército israelita contra a Faixa de Gaza, avança a AFP citando a rádio Hamas. O chefe dos serviços de emergência em Gaza relata, por seu lado, a existência de mais de 200 feridos. Cerca de 30 mísseis israelitas, disparados a partir de bombardeiros F-16, atingiram complexos do Hamas, que controla Gaza desde o Verão de 2007. Estes ataques - que destruíram a maioria dos quartéis de polícia de Gaza, muitos deles em áreas residenciais - ocorreram depois do gabinete de segurança de Israel ter decidido retaliar os recentes ataques com "rockets" contra cidades israelitas fronteiriças a Gaza. Militares israelitas confirmaram ter levado a cabo os ataques, precisando que alvejaram "infra-estruturas terroristas". Um porta-voz do Exército israelita disse: "A nossa aviação interveio de forma maciça sobre as infra-estruturas do Hamas na Faixa de Gaza, a fim de fazer parar os ataques terroristas ocorridos nas últimas semanas contra instalações civis israelitas"."Tínhamos avisado a população civil da Faixa de Gaza [da iminência] dos nossos ataques e o Hamas, que se esconde entre esta população, é o único responsável por esta situação", indicou o mesmo responsável, citado pela Sky News. "As nossas operações vão continuar e até expandir-se, se tal for necessário", acrescentou. O primeiro-ministro israelita, Ehud Olmert, tinha alertado na quinta-feira o Hamas para parar com os ataques. Caso contrário pagaria um preço elevado pelas suas acções. "Não hesitarei em usar o poderio [militar] de Israel para atacar o Hamas e a Jihad Islâmica", tinha indicado o governante à estação de televisão Al Arabiya.

Hamas e Jihad Islâmica pedem vingança

Entretanto, o Hamas e as facções palestinianas já pediram aos seus seguidores que vinguem os ataques. "Ordenamos que todos os combatentes respondam à matança israelita", indica um comunicado da Jihad Islâmica, citado pela Sky. O Hamas pediu entretanto que as suas tropas "vinguem pela força" os ataques de hoje, avança a AFP. Por seu lado, o Presidente palestiniano e líder da Fatah, Mahmoud Abbas, já condenou os ataques e anunciou ter já estabelecido “contactos urgentes” com inúmeros países para que o ajudem a pôr fim à ofensiva israelita. Algumas televisões locais mostraram imagens quase em directo dos ataques, tendo posteriormente filmado dezenas de corpos que jaziam pelo chão e feridos a serem socorridos pelas equipas de emergência médica. Vários edifícios ficaram igualmente destruídos, avança a Reuters. Um porta-voz das forças policiais do Hamas, Islam Shahwan, afirmou que num dos quartéis atacados, na Cidade de Gaza, decorria uma cerimónia de imposição de insígnias para novos agentes. O chefe de polícia local, Tawfiq Jabber, conta-se entre as cerca de 40 vítimas mortais resultantes deste ataque.

Trégua expirou na semana passada


Uma trégua de seis meses entre Israel e os militantes palestinianos expirou na semana passada. Desde essa altura, pelo menos seis militantes foram mortos em ataques israelitas e dezenas de "rockets" disparados de Gaza contra Israel, danificando casas e originando o pânico entre a população. Com o fim da trégua ficaram ainda mais longínquas as perspectivas de uma paz israelo-palestinana, que a Administração Bush pretendia apadrinhar antes de chegar ao seu termo, dentro de três semanas.Tudo isto se passa numa altura em que Israel está prestes a ir às urnas, no dia 10 de Fevereiro, para escolher novo governo. As sondagens dizem que tantas hipóteses tem o partido Kadima, da ministra dos Negócios Estrangeiros, Tzipi Livni, como o Likud, considerado muito mais intransigente, e que não aceita negociações com as autoridades palestinianas. (Público, 27.12.08)



Como tinha comentado na véspera de Natal, era bom que a guerra tivesse acabado. Como podem ver nestes duas últimas postsagens, a guerra continua e vai continuar. O conflito israelo-palestiniano nunca mais tem um fim. Voltaremos a este assunto em breve.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Prisão perpétua para genocida ruandês


Sentença - Tribunal Penal Internacional Para o Ruanda

O antigo coronel ruandês Théoneste Bagosora, considerado o principal instigador do massacre de 800 mil pessoas no Ruanda, em 1994, foi ontem condenado a prisão perpétua por genocídio, crimes contra a Humanidade e ainda por crimes de guerra pelo Tribunal Penal Internacional para o Ruanda.

Bagosora, de 67 anos, era na altura dos massacres director do Ministério da Defesa do Ruanda e foi ele quem assumiu o controlo político e militar do país após o assassinato do presidente Juvenal Habyarimana, a 7 de Abril de 1994. Nesse mesmo dia, o Exército e as milícias hutus saíram para a rua e começaram a matar indiscriminadamente civis da minoria tutsi e hutus moderados, numa orgia de violência que só terminou cem dias e 800 mil mortos depois.

O Tribunal Penal Internacional para o Ruanda, estabelecido pela ONU em 1996, considerou provado que Bagosora e mais dois antigos responsáveis militares – o coronel Anatole Nsegiyumva e o major Aloys Ntabakuze – planearam com antecedência toda a sequência de eventos que conduziu aos massacres, como a criação e treino das milícias Interahamwe, responsáveis por grande parte das atrocidades. Um ano antes da matança, o próprio Théoneste Bagosora abandonara furioso as negociações de paz que decorriam na vizinha Tanzânia dizendo que ia "preparar o apocalipse". O antigo responsável ruandês foi ainda condenado por ter ordenado o assassinato da primeira-ministra Agathe Uwilingyimana e dos dez capacetes azuis belgas que a protegiam.

O advogado do ex-coronel afirmou que o seu cliente "nunca mandou matar ninguém" e assegurou que tenciona apresentar recurso da sentença.

PERFIL

Théoneste Bagosora fugiu do Ruanda depois de orquestrar o massacre de 800 mil pessoas, mas foi preso dois anos depois nos Camarões. Educado catolicamente, estudou num seminário antes de entrar para o Exército.

SAIBAM MAIS

MORTE DE HABYARIMANA

A morte do presidente ruandês – o seu avião foi abatido por um míssil – foi o catalisador que despoletou a onda de violência.

100 dias foi quanto durou o pesadelo no Ruanda. Perante a indiferença do Mundo, mais de 800 mil pessoas morreram.

42 suspeitos de crimes de guerra foram julgados desde 1997 no Tribunal Penal Internacional para o Ruanda, sediado em Arusha, na Tanzânia. Trinta e seis foram condenados. (Correio da Manhã)

Fonte: http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?contentid=DA922FAB-0CE0-46DA-A353-8519521EF187&channelid=00000091-0000-0000-0000-000000000091


Finalmente, os principais responsáveis pelo genocídio do Ruanda foram julgados e condenados!

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Grécia: 87 pessoas foram detidas e primeiro-ministro apela à unidade nacional


Os confrontos entre a polícia e os manifestantes proliferaram ontem por toda a Grécia, desde o Norte ao mar Jónico e ao Egeu

Após a morte de um adolescente, no sábado

A polícia deteve 87 pessoas em Atenas em consequência dos actos de violência e dos distúrbios ocorridos ontem no centro da cidade, à margem de uma manifestação de protesto contra a morte de um adolescente por um polícia, no sábado, indicaram fontes policiais. Face ao drama vivido nas ruas de Atenas, o primeiro-ministro grego, Costas Caramanlis, lançou hoje um apelo à unidade nacional. Os confrontos já motivaram vários telefonemas para embaixada de Portugal em Antenas pedindo ajuda com os regressos a Portugal, indicou o embaixador Alfredo Duarte Costa, citado pela TSF. A maioria das pessoas detidas foram-no por causa de pilhagens que arrasaram com vários armazéns do centro de Atenas durante aquelas que são já consideradas as piores violências urbanas registadas na Grécia. Pelo menos doze polícias ficaram feridos nos confrontos com jovens e pelo menos dez pessoas foram hospitalizadas por problemas respiratórios, depois de terem inalado gás lacrimogénio atirado pelas forças anti-motim. Os bombeiros foram chamados 190 vezes e tiveram que combater incêndios em 49 escritórios, 47 lojas, 20 carros e dez edifícios onde funcionavam serviços ministeriais, indicaram os bombeiros. Dois bombeiros foram igualmente hospitalizados por problemas respiratórios, precisou a mesma fonte. Em Salónica, a grande cidade do norte da Grécia, pelo menos 70 lojas, cinco carros e sete agências bancárias foram incendiados, de acordo com a Agência de Imprensa de Atenas (ANA, semi-oficial).

Raiva subiu de tom

Os confrontos entre a polícia e os manifestantes proliferaram ontem por toda a Grécia, desde o Norte ao mar Jónico e ao Egeu. A cólera desencadeada pela morte, no sábado, do jovem Alexandro Grigoropoulos - cujo funeral decorre hoje - alastrou mesmo a representações diplomáticas em Londres e Berlim. Trata-se da mais grave agitação a que a Grécia assiste nas últimas décadas. No domingo, o agente responsável pelos disparos foi acusado de assassínio, mas nem assim os revoltosos arrefeceram os ânimos.

Fonte: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1352490


Como é que explicam a reacção tão violenta dos jovens gregos?
Existe de facto um mal estar nas grandes cidades e que afecta sobretudo os jovens?
Ou há outras razões que podem explicar uma reacção tão excessiva face a um acontecimento como aquele que ocorreu no último sábado (a morte de um jovem por um polícia)?

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Somália está à beira da "fome total", diz Cruz Vermelha


Num país sem poder central desde 1991, a violência é exacerbada pela seca e ajuda não chega a quem precisa


A Somália arrisca-se a mergulhar na "fome total", um cenário idêntico ao da última grande fome de 1992, quando centenas de milhares morreram. O alerta foi feito ontem por Alexandre Liebeskind, do Comité Internacional da Cruz Vermelha, lembrando que há mais problemas na Somália do que a pirataria crescente nas suas águas, questão que monopoliza desde há dois meses as atenções mundiais. Já se sabia que pelo menos 40 por cento da população somali (3,2 milhões de pessoas) depende de ajuda externa para sobreviver. E que a violência tornou quase impossível às agências operarem no país. O responsável da Cruz Vermelha contou agora à emissora britânica BBC que as famílias já começaram a comer as suas posses mais valiosas: os camelos e as cabras em idade reprodutiva, o que considera um sinal do desespero crescente. Quarta-feira, a ONU já lançara um apelo para reunir 918 milhões de dólares (724 milhões de euros) que quer gastar no financiamento de 200 projectos de agências suas e outros 71 de organizações não governamentais. Ontem reforçou a urgência do pedido e da situação: 2009 será o ano "do tudo ao nada" para o país, disse Mark Bowden, coordenador humanitário da ONU para a Somália. "Esta é uma crise prolongada, uma crise que dura há 17 anos", afirmou aos jornalistas em Nova Iorque. Está actualmente numa fase particularmente difícil, exacerbada por três anos de seca. E pela violência, que opõe senhores da guerra e forças etíopes a milícias islamistas e que obrigou um milhão de pessoas a deixar as suas casas - há milhares de novos deslocados todas as semanas. A Somália não é só pirataria, mas os ataques dos piratas põem em risco a distribuição da ajuda. No mesmo dia em que as Nações Unidas pediram mais dinheiro para os somalis, o Conselho de Segurança apelou a todos os países e organizações regionais capazes de mobilizar navios de guerra e aviões militares para combater a pirataria na região. Na zona já estão navios norte-americanos, russos, indianos ou da NATO. Nos próximos dias inicia-se a missão da União Europeia para patrulhar as águas do golfo de Áden e tentar travar os piratas que já atacaram mais de 100 navios este ano.


quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Conferência de Berlim

A partilha de Africa, 1914


O Congresso de Berlim realizado entre 15 de Novembro de 1884 e 26 de fevereiro de 1885 teve como objectivo organizar, na forma de regras, a ocupação de África pelas potências coloniais e resultou numa divisão que não respeitou, nem a história, nem as relações étnicas e mesmo familiares dos povos do Continente.

No congresso, que foi proposto por Portugal e organizado pelo Chanceler Otto von Bismarck da Alemanha — país anfitrião, que não possuía mais colónias em África, mas tinha esse desejo e viu-o satisfeito, passando a administrar o “Sudoeste Africano” (actual Namíbia) e o Tanganica — participaram ainda a Grã-Bretanha, França, Espanha, Itália, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Estados Unidos da América, Suécia, Áustria-Hungria e o Império Otomano.

Os Estados Unidos possuíram uma colónia em África: a Libéria, só que muito tarde, mas eram uma potência em ascensão e tinham passado recentemente por uma guerra civil (1861-1865) relacionada com a abolição da escravatura naquele país; a Grã-Bretanha tinha-a abolido no seu império em 1834. A Turquia também não possuía colónias em África, mas era o centro do Império Otomano, com interesses no norte de África. Os restantes países europeus que não foram “contemplados” na partilha de África, também eram potências comerciais ou industriais, com interesses indirectos naquele continente.

Num momento desta conferência, Portugal apresentou um projecto, o famoso Mapa cor-de-rosa, que consistia em ligar Angola e Moçambique para haver uma comunicação entre as duas colónias, facilitando o comércio e o transporte de mercadorias. Apesar de todos concordarem com o projecto, Inglaterra, supostamente um antigo aliado dos portugueses, surpreendeu com a negação face ao projecto e fez um ultimato, conhecido como Ultimato britânico de 1890, ameaçando guerra se Portugal não acabasse com o projecto. Portugal, com medo de uma crise, acabou por abandonar o projecto.

Como resultado desta conferência, a Grã-Bretanha passou a administrar toda a África Austral, com excepção das colónias portuguesas de Angola e Moçambique e o Sudoeste Africano, toda a África Oriental, com excepção do Tanganica e partilhou a costa ocidental e o norte com a França, a Espanha e Portugal (Guiné-Bissau e Cabo Verde); o Congo – que estava no centro da disputa, o próprio nome da Conferência em alemão é “Conferência do Congo” – continuou como “propriedade” da Companhia Internacional do Congo, cujo principal accionista era o rei Leopoldo II da Bélgica; este país passou ainda a administrar os pequenos reinos das montanhas a leste, o Ruanda e o Burundi. (Wikipédia)

A maioria dos conflitos, muitos deles sangrentos, que são actualmente travados em África são, ainda, uma consequência desta Conferência de Berlim que retalhou o continente africano a régua e esquadro sem ter em linha de conta a distribuição geográfica das diferentes etnias.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Epidemia de cólera já matou 473 pessoas no Zimbabwe desde Agosto


A epidemia de cólera já fez 473 mortos no Zimbabwe desde o seu aparecimento em Agosto, segundo um último balanço da Organização Mundial de Saúde (OMS), revelado hoje.“Uma grande epidemia de cólera afecta a maior parte das regiões do país, com mais de 11.700 casos e 473 mortos registados de Agosto a 30 de Novembro”, revela a representante da OMS no Zimbabwe, Custodia Mandlhate.O líder da oposição, Morgan Tsvangirai, afirmou ontem que a epidemia fez 500 mortos e atingiu um “nível catastrófico”. O sistema de abastecimento de água falhou na capital, Harare, e em outras cidades, forçando os residentes a beber água de poços e rios contaminados. Ontem o Ministério da Saúde informou que a cólera afecta nove das dez províncias do país. Na Clínica Beatrice Road Infectious Diseases, em Mbare, um funcionário contou que recebem, por dia, oito mortos. Os doentes numa outra clínica, em Budiriro, queixam-se de que não recebem os medicamentos devidos nem os tratamentos adequados.O Governo de Robert Mugabe, 84 anos, diz que o sistema de saúde e a economia entraram em colapso devido às sanções impostas pelas potências ocidentais. Mas os seus opositores sublinham que foi Mugabe, no poder desde a independência britânica em 1980, quem arruinou uma das economias mais promissoras de África.


segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

1 de Dezembro - Dia Mundial Contra a SIDA


Hoje, 1 de Dezembro de 2008, para além de se comemorar em Portugal o Dia da Restauração, é também o Dia Mundial contra a SIDA. Ficam aqui alguns dados estatísticos e um texto sobre a situação actual da SIDA em Portugal e no Mundo.


Eis algumas estatísticas relacionadas com o HIV SIDA retiradas do Relatório da ONU-SIDA de 2006:



Números do HIV-SIDA de 2006



  • 2 é o número de vírus VIH existentes: VIH-1 e VIH-2

  • 10 é o número de subtipos do vírus VIH-1 do grupo M

  • 50 por cento das infecções adquiridas em 2005 ocorreram em pessoas entre 15 e 24 anos

  • 95 por cento dos novos casos de infecção em 2005 ocorreram em países em desenvolvimento, sobretudo África

  • 1984 foi o ano em que o VIH foi identificado

  • 14 000 foram infectadas diariamente com o VIH (em 2005)

  • 3,1 milhões é o número de seropositivos que morreram em 2005

  • 4,9 milhões é o número de novas infecções em 2005

  • Cerca de 23 milhões de pessoas morreram vítimas de SIDA em todo o Mundo desde o início da epidemia

  • 28 milhões de crianças africanas terão, em 2010, perdido pelo menos um dos pais, em consequência da SIDA. No total dos países em desenvolvimento, estima-se que esse número seja de 44 milhões (relatório agência americana para desenvolvimento internacional, 2000)

  • 40,3 milhões de pessoas estão infectadas em todo o mundo, no final de 2005

Novo relatório da UNAIDS (2008)



Transcrevo, ainda um trabalho sobre a SIDA publicado na "Página da Educação" (on line):


SIDA: uma epidemia do tamanho do mundo


No mapa geográfico da SIDA, o continente africano é o mais atingido e onde a epidemia assume proporções de calamidade. É na África subsariana que ocorre perto de 90 por cento das novas infecções pelo VIH. Estima-se que em 2003 houvesse cerca de 25 milhões de africanos portadores do vírus (as estimativas mais altas apontavam para 27,9 milhões) e que mais de 17 milhões tivessem morrido até esse ano. Este número representava, na altura, o triplo do total de mortes em relação ao resto do mundo. Actualmente, calcula-se que em muitos países da África meridional, em média, um em cada cinco adultos seja portador do VIH. De acordo com a ONU-SIDA (organismo das Nações Unidas criado para coordenar os esforços de erradicação da doença a nível mundial) o Uganda é o único país da África subsariana que tem conseguido inverter a progressão da doença. Entre o início da década de 90 e a actualidade, a taxa de prevalência entre a população adulta decresceu cerca de 6%, mantendo-se hoje nos 8%. Em outros países da África Oriental, como o Djibouti, a Etiópia ou o Quénia, a taxa de prevalência mantém-se nos dois dígitos. Estas taxas são particularmente elevadas em países como a Namíbia e a Zâmbia (20%), o Lesoto (24%), a Swazilândia e o Zimbabwe (25%) ou o Botswana, onde mais de um terço da população é seropositiva (36%). A África do Sul é o país com maior número de seropositivos no mundo, com 5,1 milhões de indivíduos. Em alguns destes países, a SIDA fez com que a expectativa média de vida decaísse dos 55 para os 35 anos de idade entre 2001 e 2005. Aqui, onde vivem cerca de 85% dos seropositivos menores de 15 anos de todo o mundo, completar dezoito anos significa praticamente chegar à meia-idade. No norte de África e no Médio Oriente a epidemia de SIDA está longe de ter a mesma expressão, mas continua a progredir. Em 2000, calculava-se que nesta região vivessem cerca de 400 mil pessoas com o VIH. A epidemia alastra também a outras zonas do globo, sobretudo à Ásia, onde cerca de 6,5 milhões de pessoas são portadoras do vírus. A China parece ser actualmente o país mais vulnerável, fruto do aumento da taxa de infecções sexualmente transmissíveis e da imigração em larga escala do interior para o litoral.Em termos absolutos, a Índia é o segundo país do mundo, a seguir à África do Sul, com maior número de casos de SIDA no mundo (3,7 milhões). No entanto, devido ao elevado número de habitantes (acima dos mil milhões) a percentagem de prevalência é relativamente baixa (0,7%). Na América Latina e Caraíbas vivem cerca de 1,8 milhões de pessoas com SIDA. O Haiti é o país com a mais alta taxa de prevalência da região (5%), apenas suplantada pela África a sul do sahara. Em outros quatro países das Caraíbas (República Dominicana, Jamaica, Porto Rico e Bahamas) a taxa oscila em redor dos 2% da população adulta. No Brasil, país da América do Sul mais afectado e onde a taxa de incidência crescia a um ritmo galopante até ao final dos anos noventa, o início do fabrico de medicamentos anti-retrovirais – ao desafiou das leis de monopólio das grandes empresas farmacêuticas mundiais – tem estabilizado a progressão da epidemia. As taxas de infecção crescem também na Europa Oriental e Ásia Central, onde factores como o consumo de drogas injectáveis e as infecções transmitidas sexualmente estão a fazer aumentar o número de pessoas que vivem com o VIH. Em algumas partes desta região, produziram-se mais infecções pelo vírus ao longo de 2000 do que no conjunto dos anos anteriores. Nos países industrializados existem cerca de 1,5 milhões de pessoas infectadas, mas a maioria consegue levar uma vida normal graças à terapia anti-retrovírica de uso generalizado. Apesar disto, os esforços de prevenção parecem não estar a surtir o efeito desejado. Em algumas cidades americanas, por exemplo, os índices de SIDA entre os consumidores de drogas injectáveis voltaram a subir e atingem níveis tão altos como 18% em Chicago ou 30% em algumas zonas de Nova Iorque.


A desigualdade norte-sul no acesso ao tratamento
Sabe-se hoje que a prevenção é a melhor forma de combater a SIDA. Na Ásia, por exemplo, as iniciativas de prevenção levadas a cabo na Tailândia, ao longo dos anos 90, evitaram cerca de cinco milhões de mortes. Porém, passadas mais de duas décadas desde o aparecimento da epidemia, os estudos realizados a nível mundial demonstram que uma percentagem significativa dos jovens ainda não faz ideia de como se transmite ou de que forma se podem proteger do vírus. Em todo o mundo, a cada 15 segundos um jovem entre os 15 e os 24 anos é infectado pelo VIH. Em 2004, esse número ascendeu a mais de 2 milhões de indivíduos.De facto, a SIDA está longe de ser um problema que atinja exclusivamente os adultos. De acordo com números da Organização Mundial de Saúde, cerca de 500 mil crianças menores de 15 anos morrem anualmente vítimas de SIDA, o que equivale a um óbito a cada minuto. Dos mais de três milhões de mortos causados pela doença em 2004, um em cada seis era uma criança. Cerca de 640 mil são infectadas anualmente. Sem acesso a tratamento adequado, metade delas não sobrevive até aos dois anos de idade. A Organização das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), estima que em 2010 existirão mais de 18 milhões de crianças órfãs de um dos progenitores na África subsariana e que menos de 10% delas receba actualmente algum tipo de apoio público. Mais do que os governos, os doadores ou as organizações não governamentais internacionais em conjunto, são sobretudo as comunidades locais que têm prestado o apoio directo a estas crianças. Por outro lado, apesar de o preço dos medicamentos anti-retrovíricos ter baixado nos países mais pobres e de o seu acesso ser hoje maior, eles estão ainda longe de chegar a todos quanto deles precisam. A maioria dos cerca de meio milhão de menores de 15 anos que morre todos os anos vítimas de doenças relacionadas com a SIDA é contaminado através da transmissão do vírus de mãe para filho. Porém, menos de 10 por cento das mulheres grávidas têm acesso a tratamento que possa prevenir a transmissão. Na década de 90, alguns programas levados a cabo em onze países africanos mostraram que através de uma terapêutica simples, com base em medicamentos anti-retrovirais cuja aplicação tem um custo estimado de três cêntimos por dia, consegue-se uma redução de aproximadamente 50% das infecções. Apesar do baixo custo desta terapia, calcula-se que apenas 1% das crianças tenha acesso a este tratamento e que menos de 5% de outras crianças seropositivas que necessitam de outros tipos de medicamentos anti-retrovirais estejam a recebê-los. No total, a Organização Mundial de Saúde estima que, no final de 2003, apenas cerca de 400 mil pessoas no mundo teriam acesso a medicamentação, o que significa que apenas uma em cada nove pessoas que necessita de tratamento urgente estava a recebê-lo.


Situação da SIDA em Portugal
De acordo com o Centro de Vigilância Epidemiológica das Doenças Transmissíveis (CVEDT) do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, em Junho deste ano encontravam-se notificados cerca de 27 mil casos de VIH e SIDA nos diferentes estádios de infecção em Portugal. Deste total, o maior número de casos correspondia a pessoas que consomem drogas por via endovenosa (46,8%). O número de casos associados à infecção por transmissão sexual heterossexual representava o segundo grupo (35,4%) e o terceiro era ocupado pela transmissão homossexual masculina (11,7%). As restantes formas de transmissão correspondiam a 6,1% do total.Um aspecto relevante é o facto de os casos cuja causa provável de infecção é a transmissão sexual heterossexual apresentarem uma “tendência evolutiva crescente” e de se registar uma diminuição dos casos associados à toxicodependência. Desde 1995, e ainda de acordo com o CVEDT, têm sido notificados com maior frequência casos de SIDA no grupo etário entre os 45 e os 54 anos.Desde Fevereiro deste ano, a Sida é considerada uma doença de declaração obrigatória, estando catalogada como patologia de notificação obrigatória (Portaria nº 103/2005, DR nº 17, Série I-B revogada pela Portaria nº 258/2005, de 16 de Março, DR nº 53, Série I-B), devendo ser notificada ao CVEDT.A ideia de que esta é uma doença restrita a alguns grupos de risco (homossexuais, prostitutas, toxicodependentes) está completamente ultrapassada. Entre 1992 e 1998, por exemplo, os casos de infecção VIH diagnosticados em homossexuais e bissexuais diminuíram para menos de metade, ao passo que aqueles que foram observados em heterossexuais aumentaram para mais do dobro. Em Portugal os medicamentos necessários ao tratamento do VIH/SIDA são comparticipados na quase totalidade e entregues apenas nos hospitais. No entanto, de acordo com Francisco Porto Ribeiro, da Associação Abraço, esta medida não impede que a “ignorância social” sobre o assunto continue a fazer vítimas e que o poder politico tenha responsabilidades por esta situação.


Fonte: http://www.apagina.pt/arquivo/Artigo.asp?ID=4282 (Novembro de 2008)

Para concluir este post fiquem com uma canção de Annie Lenox dedicada à causa da luta contra o HIV-SIDA: "Sing"


sábado, 29 de novembro de 2008

Quais as razões para a crise na Tailândia?

Protestantes anti-governo no aeroporto de Banguecoque

Protestantes anti-governo ocuparam os principais aeroportos de Banguecoque na quinta-feira, obrigando ao cancelamento de vários voos. Este foi o último desenvolvimento de uma campanha de rua contra o Governo tailandês que já dura há seis meses. A encabeçar os protestos está a Aliança do Povo para a Democracia (People's Alliance for Democracy, PAD). Eis algumas Perguntas e Respostas do jornal Público.
Por que deixou a polícia que o PAD ocupasse os aeroportos?

A polícia está desesperada por evitar uma repetição de 7 de Outubro, quando duas pessoas foram mortas e centenas ficaram feridas em confrontos em frente ao Parlamento. O PAD está armado e já dispararam sobre a polícia no mês passado, o que sugere que qualquer tentativa de os afastar pela força, pode resultar em várias baixas, aumentando as hipóteses de intervenção militar. Outras possíveis razões para a polícia não actuar vão desde a incompetência até ordens que são canceladas por instâncias superiores.

Como é que a ocupação do aeroporto ajuda o PAD?


O caos provocado está a retirar apoio popular ao PAD, principalmente porque o turismo, que emprega 1,8 milhões de pessoas, será muito afectado. Mas o objectivo principal é tornar Banguecoque ingovernável e desencadear um golpe de estado contra um governo, que dizem ser um peão do antigo líder no exílio, Thaksin Shinawatra. No caso de ser instalado um governo militar interino, o PAD teria mais hipóteses de avançar com as suas “novas políticas”, assegurando que o Parlamento ficaria repleto de seus nomeados. Alguns dos planos do PAD têm como nomes de código “Hiroshima” e “Nagasáqui”, e os seus ideólogos já foram citados a dizer que são necessários assassinatos políticos.

Quem apoia o PAD?


A real aliança de empresários, académicos e activistas dizem que o PAD recebe um milhão de baths (22 mil euros) por dia do público. Analistas suspeitam que também são financiados por grupos de interesse financeiros anti-Thaksin, facções do exército e figuras do próprio palácio presidencial, incluindo a rainha Sirikit, que foi ao funeral de um apoiante do PAD, morto em confrontos com a polícia.

O que tem o rei da Tailândia a ver com a crise?


Oficialmente, nada. Mas não se pode ignorar um homem que é visto como semi-divino por quase 65 milhões de pessoas. Como ficou demonstrado nas revoltas de 1992, o rei Bhumibol tem suficiente força moral para afastar um primeiro-ministro e, segundo próprio admitiu, politicamente está “no centro e a trabalhar em todos os campos”. Há cada vez mais preocupações quanto à sua saúde, depois de ter passado três semanas no hospital com um coágulo no cérebro, há um ano.

Há o risco de um novo golpe militar?


A hipótese nunca deve ser posta de lado num país que sofreu 18 golpes de estado em 76 anos, dos quais nem todos vividos em democracia. Isto mesmo que as mais altas patentes digam que nem sequer sonham com isso.

Eleições antecipadas poderiam resolver alguma coisa?


A curto prazo, sim. A longo prazo, não. Se a violência nas ruas aumentar (um apoiante do PAD foi arrastado do seu carro e assassinado na quarta-feira) o primeiro-ministro tailandês, Somchai Wongsawat, poderá tentar acalmar as coisas, convocando eleições antecipadas. Contudo, com o apoio que ainda há ao ex-líder Thaksin, seria quase certa a eleição de um governo pró-Thaksin, fazendo com que tudo volte à estaca zero.

Fonte: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1351532&idCanal=11

Doha: Nações Unidas discutem ajuda aos países em desenvolvimento


Maioria dos líderes ocidentais de fora


A conferência das Nações Unidas que começa amanhã em Doha, para se discutir a redução da pobreza nos países em desenvolvimento, já ficou marcada pelas ausências dos directores do FMI, do Banco Mundial e da maioria dos líderes dos países ocidentais. As Nações Unidas têm como principal objectivo, nesta reunião na capital do Qatar, discutir políticas para reduzir a pobreza dos países através do desenvolvimento pelo comércio, ajuda e libertação das dívidas externas destes países. A crise financeira, que pôs em queda as praças europeias e dos Estados Unidos e aumentou o espectro de uma recessão a nível global, parece estar a ter um efeito negativo na disponibilidade dos países ricos para ajudarem os países em desenvolvimento.“A ausência dos chefes de estado mostra que existe uma falta de interesse nos países ricos de realmente lidarem connosco”, disse Sasja Bokkerink, cabeça da delegação do Comité de Oxford Committee for Famine Relief (Oxfam). “Tudo o que podemos fazer durante este fim-de-semana é gritar alto ao mundo e dizer “deviam estar aqui e deviam lidar com o problema de arranjar recursos para o desenvolvimento””, disse à Reuters. O encontro começa amanhã, termina dia 02 de Dezembro e não está relacionado com a conferência de Organização Mundial do Comércio. O único líder europeu que se espera na conferência é o presidente francês Nicolas Sarkozy que, sendo o presidente da União Europeia, funciona como representante da UE. O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, declarou horas antes do começo da conferência que "não se trata tanto de salvar a economia, mas sim a humanidade", referindo-se à resposta global à crise. Barroso sublinhou o imperativo de as Nações Unidas (ONU) irem mais longe na realização dos Objectivos do Milénio para o Desenvolvimento, aprovados em 2000. Estes objectivos prevêem a redução para metade da pobreza extrema à escala planetária até ao horizonte de 2015, em relação a 1990, bem como o retrocesso das grandes epidemias, da mortalidade infantil e da iliteracia. “Claro que esperávamos que houvesse um maior número de delegações que estivessem representadas, isso teria sido muito melhor”, disse aos jornalistas Ban Ki-moon, secretário-geral das Nações Unidas, citado pela Lusa. Para os quatro dias da conferência são esperados dirigentes de vários países asiáticos e latino-americanos, do Médio Oriente, como o iraniano Mahmud Ahmadinejad, e de África, como o zimbabueano Robert Mugabe. A ONU informou que os países desenvolvidos estão na disponibilidade de conceder menos de 20 mil milhões de dólares (15.700 milhões de euros) dos 50 mil milhões de dólares (39.300 milhões de euros) que deveriam ser desbloqueados para o desenvolvimento até 2010, conforme promessa deixada em 2004. De acordo com o Banco Mundial, estima-se que 40 milhões de pessoas sejam arrastadas para a pobreza durante o próximo ano, devido à crise financeira mundial. (Público)

Fonte: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1351605&idCanal=11

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Gronelândia disse sim a mais autonomia e reavivou o sonho de ser independente


A maior ilha do mundo escolheu ser mais autónoma e a decisão foi saudada pela Dinamarca. Na Gronelândia pergunta-se se há condições para um Estado em pleno


A Gronelândia tem 57 mil habitantes, pouco mais do que Guarda ou Bragança, mas muito, muito mais frio. Abrangido em mais de 80 por cento da sua superfície pela calota polar, o território – que alberga 10 por cento das reservas de água doce do Planeta – é igualmente um dos mais ameaçados pelo aquecimento global. A Gronelândia referendou na terça-feira uma autonomia alargada em relação à Dinamarca, o que foi interpretado como um primeiro passo para a independência. E cerca de 75 por cento dos gronelandeses disseram sim. Hans Enoksen, o chefe de governo local, sonha festejar os 65 anos numa Gronelândia independente, mas ainda lhe faltam 12 anos. O seu antigo ministro dos Negócios Estrangeiros, Aleqa Hamond, acredita que isso acontecerá daqui a oito anos, e o sindicalista Jess Berthelsen disse à AFP que a Gronelândia poderá ser independente daqui a quatro anos. Previsões à parte, o referendo desta semana dá aos gronelandeses o direito a explorar os próprios recursos - petróleo, gás, ouro, diamantes, urânio ou zinco. Desde 1979 que a ilha, a maior do mundo, tinha um estatuto de autonomia. Todos os anos a Dinamarca envia para a ilha 400 milhões de euros, o que representa cerca de metade do orçamento do território. "A proposta de autonomia alargada recebeu um apoio político maciço tanto na Gronelândia como na Dinamarca. Vejo com satisfação que a proposta também recebeu um largo apoio do povo gronelandês", disse em comunicado o primeiro-ministro dinamarquês, Anders Fogh Rasmussen. A taxa de participação foi de 72 por cento, e 75,5 por cento dos eleitores votaram "sim". Só 23,6 escolherem o "não". Entre os que rejeitam a ideia de independência estão alguns dirigentes da oposição ao governo local, como Jens Frederiksen, para quem "é uma ilusão acreditar que a Gronelândia poderá voar com as próprias asas num futuro próximo". E adianta: "Não temos, para já, os meios para financiar os novos domínios em que a Dinamarca irá retroceder no quadro de um regime de autonomia alargada, como é o caso da polícia, da justiça ou da administração penitenciária."

"Simplesmente poucos"

Também o político e escritor gronelandês Finn Lynge considera "impossível" que um território que não chega a ter 60 mil habitantes se torne um Estado independente. "Somos simplesmente muito poucos para fornecer os recursos humanos necessários a um Estado viável", disse à AFP. Por paradoxal que pareça, se houver viabilidade para a Gronelândia ela virá do degelo dos glaciares do Árctico, que é lamentado por ser uma consequência do aquecimento global mas que dará à Gronelândia a hipótese de explorar novas reservas de hidrocarbonetos. Prevê-se que o novo estatuto de autonomia entre em vigor a 21 de Junho de 2009, como anunciou o primeiro-ministro Anders Fogh Rasmussen. Nessa altura terão passado 300 anos sobre o início da colonização dinamarquesa e 30 sobre o primeiro estatuto de autonomia da Gronelândia.(Público)

Será que a Gronelândia é um país viável?

Pelo menos 100 mortos nos ataques de Bombaim


Pelo menos 100 pessoas morreram e outras tantas terão ficado feridas em Bombaim, nas diversas explosões e disparos quase simultâneos que atingiram ontem à noite hotéis de luxo, restaurantes e hospitais. Várias pessoas foram feitas reféns em pelo menos dois hotéis de cinco estrelas da cidade, o Taj Mahal e o Oberoi, mas de acordo com os últimos relatos, a polícia já terá retomado o controlo da situação no Taj Mahal, não tendo ainda conseguido restabelecer a normalidade no Oberoi. O chefe de polícia de Maharashtra, A.N. Roy, anunciou hoje, citado pela Reuters, que a situação com reféns que ainda ocorria no hotel Taj Mahal já terminou, embora ainda se mantenham sequestradas várias pessoas no hotel Trident/Oberoi.“Todas as pessoas que lá estavam retidas [no Taj Mahal], já foram socorridas”, confirmou A.N. Roy à cadeia noticiosa NDTV, acrescentando que a operação de resgate de pessoas do interior do edifício ainda está a decorrer, pelo que não podia avançar mais dados. Os alvos dos ataques de ontem foram alguns dos mais movimentados e conhecidos locais da cidade e os atentados causaram dezenas de mortos e centenas de feridos. Os disparos começaram ao início da noite em Bombaim. Os ataques, levados a cabo por diferentes equipas, aparentemente bem armadas, ocorreram quase em simultâneo, mas várias horas depois do primeiro ataque ainda eram ouvidos disparos e explosões na cidade, apesar do forte dispositivo policial enviado para as ruas. De acordo com o "Times of India", o primeiro tiroteio começou cerca das 22h33 (17h03 em Lisboa) no antigo Terminal Victoria, a principal central ferroviária da cidade, hoje conhecida por Terminal Chhatrapathi Shivaji. Testemunhas contam que dois homens armados com metralhadoras AK-47 e granadas mataram pelo menos dez pessoas e feriram dezenas de outras antes de serem abatidos pelos agentes que acorreram ao local. Contudo, o balanço final desta acção poderá ser muito superior, admitem as autoridades.Os disparos ocorreram em pelo menos oito locais, entre eles o Terminal Chhatrapathi Shivaji, os hotéis Taj Mahal e Oberoi, em dois hospitais e num popular restaurante da cidade, o Cafe Leopold. Uma das vítimas foi Hemant Karkare, o chefe da polícia de Bombaim responsável pelas operações de combate ao terrorismo. O ataque foi reivindicado por uma organização que tanto a Reuters como o “Times of India” descreveram como pouco conhecida - apresenta-se como Mujahedin de Deccan e enviou uma mensagem à comunicação social a reivindicar os ataques. Contudo, vários meios de comunicação social acreditam que a acção foi conduzida pelo Lashkar-e-Taiba, grupo extremista sediado no Paquistão e que nos últimos anos foi responsável por vários atentados na Índia. A sua principal motivação é o fim da presença indiana em Caxemira, região dos Himalaias disputada pelos dois países vizinhos. Os ataques de ontem foram os piores em Bombaim desde Julho de 2006, quando 190 pessoas morreram e outras 700 ficaram feridas em vários atentados naquela que é considerada a capital financeira da Índia.


Mais uma vez o terror global!
Para saberem um pouco mais sobre este ataque terrorista e visualizarem um pequeno vídeo sobre este acontecimento cliquem aqui.