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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O preconceito

A Carlsberg colocou 148 motards numa sala de cinema e deixou apenas 2 lugares livres para um casal (que pagou o seu bilhete) se poder sentar mesmo no meio dos 148 marmanjos de aspecto pouco simpático.

Vejam as reacções de vários casais.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Por que razão os alunos do Leste Europeu têm bom desempenho escolar?

Por que razão os alunos do Leste Europeu têm bom desempenho escolar?

Porque será que o insucesso escolar entre os alunos dos países do Leste Europeu a residirem em Portugal é residual?

Para responder a esta pergunta, transcrevo esta conversa publicada no http://www.profblog.org/2009/02/licoes-da-moldavia.html,   em 13 de Fevereiro de 2009:


Fui, esta tarde, à reprografia da escola e encontrei uma funcionária nova.

Perguntei: "É brasileira?"

Ela respondeu: "sou moldava".

"E onde é que aprendeu a falar tão bem o português?"

Ela: "Eu? Sozinha!"

"Tem filhos?"

"Dois. Estão na escola".

"Gosta da escola portuguesa?", perguntei.

"Muito diferente da Moldávia. Em Portugal não há respeito pelos professores e a escola ensina pouco. Nada exigente", respondeu.

"Por que razão os alunos do Leste têm tão bons resultados?", perguntei.

"Muito trabalho em casa. Duas horas por dia de estudo. É pena aqui os professores não passarem trabalhos para casa. Alunos portugueses não respeitam os professores. Os nossos respeitam. Damos valor à escola", acrescentou.

Tudo isto dá muito que pensar, não é verdade?

É verdade que os resultados dos alunos dependem muito da competência profissional e humana dos seus professores, do ambiente e organização das escolas e do nível socio-cultural e económico das famílias. Todavia, não podemos ignorar a quota parte de responsabilidade dos alunos e por que não das próprias famílias.

Como diria alguém num mail que recebi há algum tempo," podem forrar de mármore as paredes das escolas, cobrir as secretárias com computadores da última geração e colocar professores de apoio em todas as salas de aula. Se estas 5 variáveis não estiverem presentes, os alunos não aprendem.

O problema do mau desempenho dos alunos portugueses - um facto sempre confirmado pelos resultados do PISA - tem uma razão e apenas uma razão: falta de gosto pelo trabalho, desprezo pelo esforço, falta de responsabilidade e de respeito e expectativas baixas. Enquanto estas variáveis não forem introduzidas nas mentes dos pais e dos alunos, não há metodologia, recursos materiais e professores capazes de resolver o problema".

Em contrapartida, e apesar de se encontrarem num país estranho, com uma outra língua e até com um alfabeto diferente, é muito frequente que os alunos do Leste Europeu a residirem em Portugal tenham boas notas, sendo até, por vezes, os melhores alunos das suas turmas. Talvez porque as suas famílias continuem a educá-los com valores como o trabalho, esforço, responsabilidade, respeito e expectativas, situação que, infelizmente, já não acontece em muitos lares portugueses.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

A carteira da rivalidade

Dias antes do jogo entre Benfica e Sporting (1-0), a Coca-Cola decidiu pôr à prova a honestidade dos adeptos. No estádio da Luz, perto das bilheteiras, foi deixada uma carteira no chão com um cartão de sócio do Sporting e um bilhete para o dérbi do passado sábado. O objectivo era perceber se as pessoas iriam devolver a carteira ou ficar com ela.

95% das pessoas devolveram a carteira, atitude que foi filmada por várias câmaras ocultas. Para recompensar a honestidade daqueles que não se deixaram tentar, a Coca-Cola ofereceu um bilhete para o jogo.

No sábado, antes do apito inicial, o vídeo foi exibido nos ecrãs gigantes do estádio da Luz, perante os aplausos de mais de 60 mil pessoas.

Numa altura em que os portugueses se preparam para enfrentar inúmeras medidas de austeridade, a Coca-Cola quis divulgar uma mensagem diferente:

"Há razões para acreditar num mundo melhor."

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Eduardo Galeano - O Direito ao Delírio

Para refletir e pensar que, para além da crise, somos seres humanos e com grande valor. São sete minutos de puro delírio com o jornalista uruguaio Eduardo Galeano.

terça-feira, 10 de maio de 2011

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Eduardo Prado Coelho - Precisa-se de matéria prima para construir um País

Numa época muito difícil que o país atravessa, com  o risco muito real de o país cair na bancarrota, com  os portugueses a responsabilizarem os políticos por termos sido mal governados, com os políticos a mostrarem-se muito pouco responsáveis e acusarem-se uns aos outros sobre as responsabilidades desta crise, recebi há algum tempo um mail contendo um texto escrito por Eduardo Prado Coelho, antes de falecer (25/08/2007) e que quero partilhar convosco. Impressiona a lucidez desta reflexão, que é sobre todos nós! E como todos nós, ou grande parte de nós, contribuímos para chegarmos ao ponto em que nos encontrámos.

Eduardo Prado Coelho

Precisa-se de matéria prima para construir um País


A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres.

Agora dizemos que Sócrates não serve.

E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada.

Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates.

O problema está em nós. Nós como povo.

Nós como matéria prima de um país.

Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro.

Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.

Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal...

E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.

Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos... e para eles mesmos.

Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.

Pertenço a um país:

- Onde a falta de pontualidade é um hábito;

- Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.

- Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e, depois, reclamam do governo por não limpar os esgotos.

- Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.

- Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é 'muito chato ter que ler') e não há consciência nem memória política, histórica nem económica.

- Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar alguns.

- Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser 'compradas', sem se fazer qualquer exame.

- Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar.

- Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão.

-Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.

Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.

Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.

Não. Não. Não. Já basta.

Como 'matéria prima' de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa.

Esses defeitos, essa 'CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA' congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte...

Fico triste.

Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos.

E não poderá fazer nada...

Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.

Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, nem serve Sócrates e nem servirá o que vier.

Qual é a alternativa ?

Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror ?

Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa 'outra coisa' não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados... igualmente abusados!

É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda...

Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias.

Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer.

Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.

Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos: Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e, francamente, somos tolerantes com o fracasso.

É a indústria da desculpa e da estupidez.

Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir) que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido.

Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO.

AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO.

E você, o que pensa ?... MEDITE !


Eduardo Prado Coelho in Público

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Adolescente de 13 anos esfaqueia mãe que lhe tirou a playstation

Vejam ao ponto que a nossa sociedade chegou!

Há poucos dias atrás, um adolescente de Cascais de 13 anos esfaqueou a mãe, alegadamente pelo facto de os seus pais o terem castigado por este ter tido más notas no 1º período, tendo-o proibido de jogar Playstation e de aceder à internet. Segundo o Correio da Manhã, a vítima, de cerca de 40 anos, foi esfaqueada numa das pernas e apresentava ainda cortes na cabeça, nos braços e no tronco.

É muito perturbador constatar que uma simples e, aparentemente, justificada acção educativa por parte de uma mãe, preocupada com os maus resultados escolares do seu filho, desencadeie uma atitude tão vingativa e de extrema violência por parte deste. De facto, é cada vez mais difícil educar as crianças e os jovens. Que o digam os pais e os professores que sentem cada vez mais dificuldades em impôr a disciplina e o sentido de responsabilidade nas crianças e jovens. Para onde caminha a nossa sociedade?

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Amigos para sempre

Não resisto a transcrever um artigo de Miguel Esteves Cardoso que foi publicado na sua coluna habitual do jornal Público (Ainda Ontem) no passado dia 5 de Fevereiro. É, provavelmente, um dos melhores e mais belos textos que alguma vez li sobre o que são os amigos, o que significa a verdadeira amizade e como o tempo não leva as verdadeiras amizades.


Amigos para sempre

Os amigos cada vez mais se vêem menos. Parece que era só quando éramos novos, trabalhávamos e bebíamos juntos que nos víamos as vezes que queríamos, sempre diariamente. E, no maior luxo de todos, há muito perdido: porque não tínhamos mais nada para fazer.

Nesta semana, tenho almoçado com amigos meus grandes, que, pela primeira vez nas nossas vidas, não vejo há muitos anos. Cada um começa a falar comigo como se não tivéssemos passado um único dia sem nos vermos.

Nada falha. Tudo dispara como se nos estivera - e está - na massa do sangue: a excitação de contar coisas e a alegria de partilhar ninharias; as risotas por piadas de há muito repetidas; as promessas de esperanças que estão há que décadas por realizar.

Há grandes amigos que tenho a sorte de ter que insistem na importância da Presença com letra grande. Até agora nunca concordei, achando que a saudade faz pouco do tempo e que o coração é mais sensível à lembrança do que à repetição. Enganei-me. O melhor que os amigos e as amigas têm a fazer é verem-se cada vez que podem. É verdade que, mesmo tendo passado dez anos, é como se nos tivéssemos visto ontem. Mas, mesmo assim, sente-se o prazer inencontrável de reencontrar quem se pensava nunca mais encontrar. O tempo não passa pela amizade. Mas a amizade passa pelo tempo. É preciso segurá-la enquanto ela há. Somos amigos para sempre mas entre o dia de ficarmos amigos e o dia de morrermos vai uma distância tão grande como a vida.

Miguel Esteves Cardoso in Público, 5 de Fevereiro de 2011.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Linha SOS Professores regista 400 pedidos de ajuda por casos de indisciplina e agressão



Mai uma vez trago ao blogue o problema da indisciplina nas escolas portuguesas. Segundo o Público on line de hoje, quase 400 pedidos de ajuda para situações de indisciplina nas escolas foram registados na Linha SOS Professores nos últimos quatro anos. Esses contactos foram feitos, na sua maioria, depois da tentativa de que os conselhos executivos resolvessem os problemas.

De seguida trascrevo parte da notícia:


Linha SOS Professores regista 400 pedidos de ajuda por casos de indisciplina e agressão

Numa escola da Pontinha, nos arredores de Lisboa, uma das professoras de Matemática já interiorizou a regra que tornou sagrada: “Nunca me viro para o quadro”. Porquê? “Não se sabe o que pode acontecer nas minhas costas”. Esta é a imagem de insegurança que marca o dia a dia de um elevado número de professores em Portugal. A indisciplina na sala de aula transformou-se num sério problema que, em muitas escolas do país, parece tender a agravar-se. Que dificulta o trabalho de elevado número de professores, que os afecta psicologicamente e, em muitos casos, os leva a meter baixa médica.

Muitos destes casos nunca se tornam públicos mas são tema frequente de conversa nas escolas e motivo de queixas aos conselhos executivos. Quando o problema se arrasta e perante a falta de soluções, muitos docentes recorrem à linha SOS Professores, da Associação Nacional de Professores. Nos últimos quatro anos, foram ali registados quase 400 pedidos de ajuda para situações de agressão e de indisciplina nas escolas. A maioria foi apresentada por docentes do sexo feminino entre os 40 e os 49 anos que leccionam o terceiro ciclo ou o ensino secundário na zona de Lisboa e já têm mais de 26 anos de serviço. Os dados foram recolhidos entre Setembro de 2006 e Junho de 2009 e no período de Outubro 2009 a Junho 2010, totalizando os 386 contactos com aquela Linha. A grande maioria das situações diz respeito à agressão verbal (43,6 por cento) seguindo- se as queixas de indisciplina (29,5 por cento), de agressão física (27,8 por cento) e de mau relacionamento (13,6 por cento).
Numa escola de segundo ciclo do Areeiro, as alunas de 11 anos maquilham-se durante a aula de Português, mandam mensagens de telemóvel e contam anedotas. “Aquela sôtora não faz nada, podemos fazer o que nos apetecer”, diz uma delas. “Na aula de Inglês, não, ninguém manda um pio”. Porquê? “A DT [directora de turma] é bué exigente e não deixa”. Visto assim, o problema parece residir na incapacidade do professor impor autoridade.

Mas, nalguns casos, a questão é mais complexa e interligada aos meios desfavorecidos em que as escolas e os alunos pertencem. Como aquela em que o quadro não está afixado na parede, mas tombado no chão da sala de aula. É preciso pedir giz para escrever e não há apagador. Os que houve, foram logo roubados pelos alunos, crianças dos 5 aos 9 anos oriundas de bairros considerados muito problemáticos. Não há lápis de cor, nem cadernos, nem material nenhum. Mas é uma escola de ensino básico, do primeiro ao quarto ano. Não, não é em Moçambique. Fica no centro de Lisboa.

Os alunos são ainda muito pequenos mas nada parece intimidá-los. Respondem com o riso às ordens dos professores, saltam e correm na sala de aula. É impossível cativar a sua atenção para ensinar. Quando uma professora tentou impor-se, os pais protestaram, acusando-a de ser demasiado rígida e o caso foi analisado pelo director. A professora passa a dar aula de porta aberta, decidiu. “Assim, nestas condições e com estes miudos é impossível ensinar”, diz a docente, exausta.

Há estabelecimentos de ensino em que os incidentes assumem maior gravidade e dão lugar à violência. Numa escola da linha de Sintra um professor retirou um telemóvel a um aluno do oitavo ano que perturbava a aula. Furioso e com a ajuda de outros colegas, o rapaz “vingou-se” retirando o relógio ao professor. Este queixou-se ao conselho executivo que discutiu o caso, aplicou uma suspensão aos jovens e restituiu o relógio ao docente.

Mas a solução dos casos pontuais não resolve o problema de fundo da indisciplina. Em declarações ao PÚBLICO, uma professora de Francês de uma das escolas da linha de Sintra do segundo e do terceiro ciclo afirma que o problema está a tornar-se “cada vez pior” naquela zona. Na sua opinião “é um problema que vem de casa, da falta de uma educação de base que não impõe regras aos miúdos”. As turmas muito extensas, de 28 alunos, no seu caso, também não ajudam, bem como os limites impostos à actuação dos professores. “Está a ser cada vez mais difícil o controlo na sala de aula”, afirma. Um problema que não é português observando-se, hoje, em vários países da Europa. Os pais acusam a escola de não conseguir desempenhar o seu papel educativo junto dos seus filhos; os professores atribuem a indisciplina à falta de regras que as crianças e jovens têm em casa, o que se reflecte depois na escola e prejudica a aprendizagem.

Em Março deste ano, num encontro realizado na cidade espanhola de Valência um grande número de especialistas em educação, defendeu que o aumento da violência e da indisciplina nas escolas resulta, sobretudo, de uma crise de autoridade familiar. Os pais não estabelecem regras e limites em casa e transferem essa responsabilidade para os professores.

Nessa reunião, o filósofo Fernando Savater, autor do livro “Ética para um Jovem”, notou que a generalidade dos pais das sociedades actuais condicionados pelo pouco tempo que habitualmente passam com os filhos, preferem que essse convivio “seja alegre” e sem conflitos, preferindo transferir a responsabilidade do exercício da autoridade para as escolas e para os professores. Só que, quando os professores tentam desempenhar esse papel “são os próprios pais e mães que não exerceram essa autoridade sobre os filhos que tentam exercê-la sobre os professores, confrontando-os”, nota Savater. Alerta para a situação de professores “psicologicamente esgotados” que se tranformam “em autênticas vítimas nas mãos dos alunos”. E salienta: “A boa educação é cara, mas a má educação é muito mais cara”, diz não se referindo apenas ao aspecto económico do problema mas a todas as consequências que podem resultar da indisciplina. Savater recomenda aos pais a necessidade de transmitirem aos seus filhos a ideia de que receber uma educação é “uma oportunidade e um privilégio”.

Fonte: Público on line

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

"Geração Nem Nem" está a aumentar cada vez mais



Mais uma notícia preocupante para o nosso país: segundo um estudo do Instituto Nacional de Estatísticas (INE) em Portugal existem perto de 314 mil jovens, com idades compreendidas entre os 15 e 30 anos, que não estudam nem trabalham. Este número equivale a 16% dos jovens portugueses. Segundo o INE é um número que tem vindo a aumentar com a passagem dos anos. Já lhes chamam da "Geração Nem Nem". Estes números do INE têm por base o Inquérito ao Emprego e incluem não só os desempregados mas também pessoas que não estão à procura de um trabalho, e que no dicionário do INE são os «inactivos desencorajados». Para onde caminha o nosso país?

Fonte: Jornal Digital

sábado, 13 de novembro de 2010

Um mundo, tantas vidas...

De que te queixas?

O vídeo que se segue dá muito que pensar sobre o que é, de facto, importante na nossa vida.


Vamos reclamar menos e ajudar mais!...

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A Professora é Brava

Hoje gostaria de partilhar convosco um artigo fantástico do jornalista João Miguel Tavares, publicado no jornal Correio da Manhã em 31 Outubro de 2010. Muito interessante para todos reflectirmos, professores, alunos e pais.


Eu ainda não tive o prazer de conhecer pessoalmente a nova professora da minha filha mais velha, mas já gosto dela por antecipação. Três dias depois de ter entrado para a primária, a Carolina declarou solenemente: "A minha professora é brava". Brava?!?, perguntei eu. "Sim, brava. Ela não me deixa espreguiçar, ela não me deixa bochechar [a Carolina queria dizer ‘bocejar’], ela não me deixa beber água [a Carolina queria dizer ‘ela não me deixa interromper a aula para fazer o que me apetece’]. É muito brava".

Eu, que estava com algum receio de colocar a Carolina no ensino público, respirei de alívio. "Ufa, parece que lhe saiu a professora certa", comentei com a minha excelentíssima esposa. Receava que lhe tivesse calhado alguém que falasse com ela como a ministra Isabel Alçada falou connosco no famoso vídeo de início do ano lectivo: como se o nosso cérebro estivesse morto e todo o acto de aprendizagem tivesse de ser um desmesurado prazer.

A Carolina vinha de um infantário fantástico, que tem feito maravilhas pelos nossos filhos, mas onde era mais mimada do que o menino Jesus no presépio. Ora, chega uma fase na vida em que as crianças têm de perceber o que significa a disciplina, o esforço, a organização, o silêncio, o saber estar numa sala de aula, e toda uma vasta parafernália de actividades que não são tão agradáveis como comer Calippos de morango ou gerir o guarda-roupa das Pollys – mas que ainda assim são essenciais para viver em sociedade.

A minha filha está na idade certa para aprender que tem a obrigação de gastar 20 minutos diários a fazer o trabalho de casa. Para perceber que uma irmã mais velha tem mais privilégios mas também mais deveres do que os seus irmãos. Para compreender que com muito poder vem muita responsabilidade (sábias palavras do tio do Homem-Aranha). É essencial que estes valores – que atribuem o devido mérito à liberdade e ao esforço individual – estejam alinhados entre a casa e a escola.

Isso nem sempre acontece. A nossa escola passou num piscar de olhos da palmada no rabo à palmadinha nas costas. Ninguém tem saudades da palmatória, mas quando perguntam aos pais o que eles mais desejam para a escola dos seus filhos, a resposta costuma ser esta: regras claras e maior exigência. Os professores bravos fazem muita falta. Hoje a Carolina protesta. Amanhã irá agradecer-lhe.

João Miguel Tavares, Correio da Manhã, 31 Outubro de 2010

sábado, 26 de junho de 2010

Stand By Me | Playing For Change | Song Around the World


O Vídeoclip que se segue é um cover do clássico de Ben E. King interpretado por músicos de diversos pontos do mundo, tendo cada um contribuído, a partir das ruas das suas localidade, com uma pequena parte para o conjunto da canção. Este videoclip faz parte de um projecto internacional Playing For Change.

Playing for Change é um movimento multimédia criado para inspirar, conectar-se, e trazer a paz ao mundo através da música. A ideia para este projecto surgiu de uma crença comum de que a música tem o poder de quebrar barreiras e ultrapassar as distâncias entre as pessoas. Não importa se as pessoas vêm de diferentes origens geográficas, políticas, económicas, espirituais ou ideológicas, a música tem o poder universal de transcender e unir-nos como uma só raça humana. E com esta verdade firmemente fixada nas nossas mentes, estaremos disponíveis para compartilhá-la com o mundo.

Site do movimento: http://playingforchange.com/



sábado, 22 de maio de 2010

O ponto - de Peter Reynolds

Nesta inspiradora e cativante história, Reynolds demonstra o poder de um pequeno encorajamento. Uma narrativa textual e pictórica mínima traduzem a frustração de Vera que amua junto à sua folha em branco no final da aula de desenho: “Eu não sei desenhar!” A professora sabiamente responde: “Tenta fazer uma marca qualquer e vê onde ela te leva.” A renitente rapariga pega num marcador e crava-o na folha fazendo um pequeno ponto. A professora devolve a folha à Vera e pede: “Agora, assina.” Quando a Vera regressa na semana seguinte, encontra o seu desenho assinado pendurado por cima da secretária da professora, o que inspira a potencial artista a voos mais altos. Algumas páginas mais tarde, são-nos revelados os inúmeros pontos da Vera (até mesmo uma pequena escultura com o mesmo motivo) na exposição de arte da escola, onde um rapaz a elogia por ser uma “artista incrível”. Quando ele insiste na ideia de não saber desenhar, a Vera vai emular a professora no seu exemplo de encorajamento. Feitas em aguarela, tinta e chá, as simples e delicadas ilustrações de Reynolds exalam frescura e um tom quase infantil. Oferecendo um raro equilíbrio entre subtileza e hipérbole, este álbum de pequeno formato dará aos jovens artistas mais reticentes o estímulo e o encorajamento necessários à espontaneidade na sua expressão artística. Reynolds consegue exactamente o mesmo que a sua personagem principal: criar um trabalho notável a partir de um início enganadoramente simples.

Fonte: http://www.bruaa.pt/o%20ponto.html

Vejam o vídeo que ilustra a história:


segunda-feira, 17 de maio de 2010

Ainda há muitos por derrubar

Vinte anos após a queda do Muro de Berlim, barreiras de diversos tipos, comprimento e altura persistem ou continuam a ser erguidas em diversos países. Existem ainda muitos muros por derrubar, que continuam a dividir populações e a envergonhar a humanidade. Uns já são antigos, mais antigos do que o próprio Muro de Berlim; alguns são relativamente recentes; outros estão agora a ser construídos ou estão em projecto. Embora com objectivos diversos, estes muros separam diferentes etnias e comunidades culturais e religiosas de um mesmo país ou até da mesma cidade; famílias, amigos e vizinhos; ricos e pobres; cidadãos de países vizinhos. As justificações para a sua construção são as mais diversas: uns resultam de conflitos armados não totalmente resolvidos; outros são levantados alegadamente por razões de segurança, como estratégia no combate ao terrorismo ou à violência urbana ou, ainda, para controlar a imigração clandestina. São o reflexo da incompreensão, intolerância, ódio, descriminação, desigualdade e indiferença e põem em causa a liberdade, os direitos humanos e a diversidade cultural.

Em todos os continentes encontramos diferentes tipos de muros, talvez menos mediáticos e menos marcantes para a História mundial do que o Muro de Berlim, muitos deles “esquecidos” pela Comunidade Internacional, mas igualmente vergonhosos. No continente europeu persistem muros na Irlanda do Norte (nas cidades de Belfast e Derry) e na ilha de Chipre (na capital Nicósia e ao longo da fronteira entre a República do Chipre e a República Turca do Norte do Chipre). Na Ásia, foram ou estão a ser construídos muros que separam Israel da Cisjordânia (Território Palestiniano), a Índia do Paquistão (na região de Caxemira), a Índia do Bangladesh, o Paquistão do Irão, o Iraque do Kuwait e a Coreia do Norte da Coreia do Sul. Em África, os enclaves espanhóis de Melilla e Ceuta estão separadas do território marroquino por muros, tal como o Botswana do Zimbabué. O Saara Ocidental está dividido por um muro que separa a parte ocupada por Marrocos da parte ocupada pela Frente Polisário. No continente americano destaca-se o muro que separa os EUA do México. De seguida será feita uma breve análise de alguns destes muros.

As “Linhas de Paz” da Irlanda do Norte


Na Irlanda do Norte (província do Reino Unido) os muros recebem a estranha denominação de "linhas de paz". Surgiram pela primeira vez há 40 anos atrás em Belfast, inicialmente como uma medida temporária, mas continuaram a crescer até aos nossos dias. São uma série de barreiras que separam as Comunidades Católica (Republicana) e Protestante (Unionista). São o testemunho da história recente de violência entre católicos, que lutam pela separação da Irlanda do Norte do Reino Unido e a sua integração na República da Irlanda (parte sul da ilha da Irlanda), e protestantes, leais à coroa britânica e que lutam pela manutenção deste território no Reino Unido.

A primeira destas paredes foi erguida em 1969, após o início dos motins sangrentos (que se prolongariam pela década seguinte), contornando a parte oeste de Belfast, de maioria católica. Ao longo dos anos foram construídos outros muros para separar os bairros católicos dos protestantes. Algumas destas barreiras têm 6 metros de altura. A última das paredes foi construída recentemente, no ano passado, após um período em que aumentaram as tensões entre as duas comunidades.

Existem mais muros noutras cidades da Irlanda do Norte, como é o caso de Derry. Mas é Belfast que concentra a maioria. Os muros da capital somam cinco quilómetros de extensão. A parte inferior é de tijolo, betão ou ferro. A parte superior é constituída normalmente por aço. À noite, grandes portões controlados remotamente pela polícia são fechados e bloqueiam ruas entre comunidades vizinhas de republicanos e unionistas. As duas comunidades usam diferentes paragens de autocarros, diferentes lojas, diferentes hospitais e os filhos frequentam escolas separadas. Desviam-se de bairros e ruas, evitando-se mutuamente. Contudo nos últimos anos, principalmente a partir de 1998, com o Tratado de paz conhecido por Acordo de Belfast (ou Acordo de Sexta-feira Santa), têm sido dados passos positivos no sentido da pacificação entre as duas comunidades da Irlanda do Norte, ainda que persistam dezenas de muros em Belfast, sobretudo nas zonas mais pobres.

A “Linha Verde” de Chipre

Chipre é um país dilacerado, tal como os seus habitantes – dilacerados entre duas identidades nacionais diferentes, divididos entre duas origens étnicas diferentes: os cristãos ortodoxos gregos, maioritários na parte sul da ilha, e os muçulmanos sunitas turcos, maioritários na parte norte. Esta situação é explicada pela sua localização geográfica no Mediterrâneo Oriental, tendo sido ocupada ao longo da sua História por diversos povos, nomeadamente gregos e turcos, que deixaram fortes marcas culturais.

Em Julho de 1974, 14 anos depois da independência do país relativamente à administração britânica, a parte norte da ilha foi invadida e ocupada pelas tropas turcas, abortando uma tentativa de golpe de estado da comunidade grega que tinha o objectivo de anexar a ilha à Grécia. Em 1983, os cipriotas turcos autoproclamaram a “República Turca do Chipre do Norte”, situação que não foi reconhecida pela Comunidade Internacional, à excepção da Turquia. A República de Chipre ficou a partir desta altura limitada à parte sul da ilha. Esta situação levou à criação de uma “Linha Verde” de demarcação dos dois territórios, que atravessa a ilha no sentido transversal, dividindo o centro da capital Nicósia, e separando completamente habitantes das duas comunidades, como aconteceu em Berlim, durante a Guerra Fria. Os capacetes azuis da ONU patrulham a zona-tampão da “linha verde”. A região norte da ilha continua ocupada com dezenas de milhares de soldados turcos. O “muro” da ilha de Chipre tem 188 quilómetros de extensão e 5 metros de altura e é constituído por diversos tipos de materiais como arame farpado, paralelepípedos e até bidões. Os cipriotas turcos construíram e vigiam sozinhos uma fronteira que os cipriotas gregos não reconhecem. Em 2002, sob pressão popular, os cipriotas turcos abriram pontos de passagem: três na capital, duas noutros lugares da ilha. Nos últimos anos tem havido um grande esforço no sentido da reunificação da ilha.

A Zona Desmilitarizada da Coreia

A Zona Desmilitarizada da Coreia é uma faixa de território de segurança com um comprimento de 238 km e uma largura de 4 quilómetros que divide a Coreia do Norte (comunista) da Coreia do Sul (capitalista). Corta a Península, a meio, aproximadamente no Paralelo 38. Esta zona foi criada em 1953, no final da guerra da Coreia, na qual morreram três milhões de pessoas, que terminou num armistício. É a fronteira mais militarizada do mundo e representa a última fronteira criada pela Guerra Fria. Ao longo dos mais de 60 anos de existência foram muitos os incidentes registados nesta fronteira, reflectindo o clima de grande tensão entre as duas Coreias e a bipolarização mundial.


A “Barreira de Segurança” de Israel


Em 2002, o governo israelita iniciou a construção da barreira de separação entre Israel e a Cisjordânia alegando como objectivo a protecção de seus cidadãos de ataques terroristas palestinianos. O que para Israel é uma “parede de segurança” é interpretado do lado palestiniano como um muro de “apartheid”, condicionando fortemente a circulação dos cidadãos palestinianos. Grande parte da barreira está construída em pleno território palestiniano, deixando diversas localidades palestinianas do lado israelita da barreira, não respeitando a “linha Verde”, a demarcação estabelecida no armistício de 1949, entre Israel e a Transjordânia, hoje reconhecida internacionalmente como fronteira entre ambos os territórios. Dados da ONU indicam que, até o momento, Israel construiu 413 km dos 709 km planeados para o muro. Em 2004, o Tribunal Internacional de Justiça, de Haia, na Holanda, emitiu um parecer não vinculativo em que considerou que a barreira é ilegal e deve ser removida

O muro entre os EUA e o México – a “Operação Guardião”

A fronteira entre o México e os EUA tem cerca de 3 200 quilómetros. O governo americano construiu um muro de metal num terço da sua extensão, para dificultar a passagem de imigrantes ilegais vindos do México e da América Central. A construção do muro começou em 1991, mas foi em 1994 que os EUA decidiram intensificar a segurança sob a denominada “Operação Guardião”. Em quinze anos, segundo a Comissão Nacional de Direitos Humanos do México, mais de 5,6 mil imigrantes ilegais morreram ao tentar cruzar a fronteira. A maioria, em consequência das altas temperaturas do deserto que separa os dois países. Centenas de famílias ficaram separadas pelo muro que praticamente impede o contacto entre os dois lados. Em alguns pontos da fronteira, além do muro há três cercas de arame que impedem qualquer tipo de contacto entre os dois lados. Com a altura média de 4 ou 5 metros, o muro tem sido equipado recentemente com uma série de dispositivos tecnológicos como detectores infravermelhos, câmaras, radares, torres de controlo e sensores de terra para controlo mais eficiente da fronteira.


Referências bibliográficas:
- GADDIES, John L. (2007), A Guerra Fria, Edições 70
- GILBERT, Martin, (2009), História de Israel, Edições 70
- JUDT, Tony (2006), Pós-Guerra, História da Europa desde 1945, Edições 70
- WIENECKE-JANS, et. al (2006), Geografia do Mundo, Círculo de Leitores
- http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/8342874.stm , [21-11-2009]
- http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/lemonde/2009/11/10/ult580u4026.jhtm, [21-11-2009]
- http://pt.wikipedia.org/wiki/Linha_de_Demarca%C3%A7%C3%A3o_Militar, [21-11-2009



Nota: Este post transcreve um artigo que escrevi para a Revista de História, nº2, da Escola secundária de Rio Tinto, publicada em Dezembro de 2009. Algumas das imagens que aqui são exibidas são diferentes das que foram publicadas na referida revista.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Na infância as escolas ainda não tinham fechado...


"Na Infância as escolas ainda não tinham fechado. Ensinavam-nos coisas inúteis como as regras da sintaxe e da ortografia, coisas traumáticas como sujeitos, predicados e complementos directos, coisas imbecis como verbos e tabuadas. Tinham a infeliz ideia de nos ensinar a pensar e a surpreendente mania de acreditar que isso era bom. Não batíamos na professora, levávamos-lhe flores."


Rosa Lobato Faria, escritora e actriz, faleceu no passado dia 2 de Fevereiro de 2010


Este texto é apenas um excerto de uma autobiografia escrita pela autora há dois anos e publicada no Jornal de Letras. Podem ler mais aqui.

sábado, 1 de maio de 2010

A Devida Comédia - artigo de Miguel Carvalho


Criancinhas

A criancinha quer Playstation. A gente dá.

A criancinha quer estrangular o gato. A gente deixa.

A criancinha berra porque não quer comer a sopa. A gente elimina-a da ementa e acaba tudo emfestim de chocolate.

A criancinha quer bife e batatas fritas. Hambúrgueres muitos. Pizzas, umas tantas. Coca-Colas, às litradas. A gente olha para o lado e ela incha.

A criancinha quer camisola adidas e ténis nike. A gente dá porque a criancinha tem tanto direito como os colegas da escola e é perigoso ser diferente.

A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde. A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe o comando.

A criancinha desata num berreiro no restaurante. A gente faz de conta e o berreiro continua.

Entretanto, a criancinha cresce. Faz-se projecto de homem ou mulher.Desperta.

É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária. E gasta metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares.

A criancinha já estuda. Às vezes passa de ano, outras nem por isso. Mas não se pode pressioná-la porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada.

A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com os papás. Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto. Convém que se comecem a chegar à frente na mota, no popó e numas férias à maneira.

A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência meramente informal. A rebeldia é de trazer por casa. Responde torto aos papás, põe a avó em sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são «uma seca».

Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo. A criancinha, já crescidinha, fica traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal.

Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora. Os papás, arrepiados com a violência sobre as criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho sou eu».

A criancinha cresce. Cresce e cresce. Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles. Provavelmente, não terá um emprego. «Mas ao menos não anda para aí a fazer porcarias».

Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas,das famílias no fio da navalha?

Pois não, bem sei. Estou apenas a antecipar-me. Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo. E então teremos muitos congressos e debates para nos entretermos.


Artigo de Miguel Carvalho publicado na revista Visão online



Eu sei que em muitas famílias as coisas não se passam assim e que os pais assumem a sua responsabilidade de educadores e que orientam os seus filhos da melhor maneira. No entanto, este artigo dá que pensar!...

sexta-feira, 23 de abril de 2010

A França poderá vir a proibir uso de burka e de niqab em todo o espaço público do país


Em nome da "dignidade da mulher", o presidente da França, Nicolas Sarkozy, cumpriu a promessa e anunciou ontem um projeto de lei proibindo o uso do véu integral islâmico em "todo o espaço público". A fórmula adotada por Sarkozy é ainda mais radical do que muitos previam: inicialmente, falava-se na proibição apenas nos serviços públicos. Se aprovado pelo Parlamento, mulheres com véu islâmico integral, do tipo burca afegã, sitar (onde não se vê sequer os olhos) ou niqab (onde só se veem os olhos), não poderão andar cobertas nas ruas da França. A proibição generalizada do uso de burkas em França vai aplicar-se de maneira "gradual" e, em última instância, as mulheres que a usem poderão ter de pagar entre 500 e 700 euros de multa. Os homens que obrigarem as mulheres a usá-la serão sujeitos a multas ainda mais altas.

A iniciativa de proibir o uso público da burka (veste que cobre todo o corpo da mulher) surgiu no ano passado, cinco anos depois da proibição do véu islâmico e dos signos religiosos nos centros públicos franceses.

Apesar das reservas jurídicas expressadas pelo Conselho de Estado, que recomendou precaução nesta tomada de decisão, o governo de Sarkozy decidiu avançar com a lei.

Por outro lado, a Bélgica ontem poderia ter-se tornado no primeiro país europeu a proibir o uso de véu integral em todos os espaços públicos, mas a demissão do primeiro-ministro Yves Leterme levou os líderes parlamentares a adiar a votação de uma lei que proíbe o uso de todo o tipo de vestuário que impossibilite a identificação dos cidadãos. Entre as peças banidas estão a burka e o niqab.

Medidas proibitivas começam a ser também discutidas em países como a Áustria e a Holanda.

Fontes:
http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1551138&seccao=Europa

http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2010/04/21/em-guerra-contra-burca-sarkozy-quer-proibir-veste-em-locais-publicos-916404176.asp

http://www.ionline.pt/conteudo/56446-projecto-lei-avanca-multas-ate-700-euros-mulheres-que-usem-burka-em-franca

O que é que pensam destas medidas proibitivas que poderão ser adoptadas em alguns países europeus que se confrontam com um elevado número de imigrantes islâmicos que pretendem manter as suas tradições culturais?

Faz sentido proibir o uso de burka ou de niqab em nome da "dignidade da mulher"? Terão os imigrantes o direito de manter as suas tradições, como o uso da burka ou do niqab, ou terão que adaptar-se às regras e aos valores dos países que os acolhem?

Em complemento podem votar na sondagem sobre o assunto, que se encontra no topo do lado direito do blogue.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Campanha 1GOAL da FIFA quer educação para todos


A FIFA está a organizar uma ambiciosa campanha educacional denominada por 1GOAL que tem como objectivo mudar a vida de crianças que vivem na pobreza, constituíndo uma estratégia para tornar possível o cumprimento do primeiro dos chamados Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, documento que foi assinado pelos líderes políticos mundiais no ano 2000: educação para todas as crianças do planeta.

Leiam de seguida o artigo do site da FIFA sobre esta campanha meritória.


Em 2000, num esforço sem precedentes, os líderes políticos de todos os países do mundo e os directores das principais instituições de desenvolvimento uniram-se para adotar os oito Objectivos de Desenvolvimento do Milénio das Nações Unidas e comprometeram-se a suprir as necessidades dos pobres e oferecer educação a todas as crianças até 2015. Desde então, e em função das medidas de governos e cidadãos, aumentou em 40 milhões o número de crianças que podem ir à escola. Mesmo assim, 75 milhões de crianças ainda não têm acesso à educação.

A campanha 1GOAL busca mobilizar a opinião pública para cobrar aos governos as suas promessas e permitir que cada criança tenha o seu lugar numa sala de aula até 2015. A campanha 1GOAL faz parte de uma importante iniciativa educacional global, a "Turma de 2015", lançada na cúpula da ONU em Nova York em setembro de 2008. Entre os que assinaram o lançamento da Turma de 2015 estão Bono, Sir Bob Geldof, Gordon Brown (primeiro-ministro do Reino Unido), Durão Barroso (presidente da Comissão Europeia), Kevin Rudd (primeiro-ministro da Austrália) e a Rainha Rania da Jordânia.

A FIFA uniu-se à Turma de 2015 e apoia a campanha 1GOAL com a promessa do seu presidente, Joseph S. Blatter, de deixar um legado duradouro em prol da educação na África e no resto do mundo. A FIFA apoia a campanha 1GOAL e a meta de oferecer educação básica a todas as crianças do mundo. A educação também é um elemento central da Campanha Oficial do Campionato do Mundo da FIFA 2010, "20 Centros para 2010".

Segundo Blatter, "a FIFA aspira melhorar constantemente o futebol e promovê-lo mundialmente à luz dos seus valores unificadores, educacionais, culturais e humanitários, particularmente através de programas para a juventude e o desenvolvimento". Afirmou também que, "apoiando a campanha 1GOAL e por meio da campanha 20 Centros para 2010, a FIFA contribuirá para levar a educação a todos".

A campanha oficial da Copa do Mundo da FIFA 2010 África do Sul, 20 Centros para 2010, tem o objectivo de construir 20 centros comunitários "Football for Hope" na África do Sul, Mali, Gana, Quénia, Ruanda, Namíbia e outras localidades de África que ainda não foram definidas. Os centros serão direccionados aos problemas sociais locais em áreas prejudicadas e procurarão melhorar os serviços de educação e saúde oferecidos aos jovens. Terão salas para atendimento de saúde e educação informal, espaços comerciais, salões de uso comum para reuniões da comunidade e um campo de futebol com relva sintética.

Em 2010, todos os olhares do mundo estarão voltados à África, e o futebol irá transformar-se no assunto favorito com a chegada de seleções de todos os continentes para competirem pelo troféu. Com o Campionato do Mundo da FIFA África do Sul 2010 e os seus projectos sociais em África, a FIFA compromete-se a contribuir com a educação no continente, promovendo a consciencialização sobre os problemas e necessidades e deixando um duradouro legado por muito tempo após o apito final.

A campanha 1GOAL foi lançada oficialmente no passado dia 20 de Abril no Estádio de Wembley, em Londres, na presença da rainha Rania da Jordânia, do ex-jogador inglês Gary Lineker, do capitão sul-africano Aaron Mokoena, do defesa Silvestre (Arsenal) e do gerente de responsabilidade social corporativa da FIFA, Federico Addiechi, entre outros.

Fonte: http://pt.fifa.com/newscentre/news/newsid=1125731.html


Vejam de seguida um vídeo alusivo à campanha. Podem visitar o site oficial da campanha 1GOAL aqui.


sexta-feira, 2 de abril de 2010

Páscoa 2010

Para todos...

uma Páscoa Feliz!