
Desenhos de crianças do Darfur servem de prova no TPI
03.11.2007, Ana Dias Cordeiro
Nas imagens vêem-se casas em chamas, aviões a bombardear aldeias, homens armados a atirar contra pessoas indefesas e em fuga.
São desenhos de crianças e praticamente os únicos registos em imagem da violência a que estiveram submetidas, nos últimos quatro anos, as populações do Darfur, no Sudão. A inocência das cores e dos traços finos contrasta com a brutalidade dos acontecimentos presenciados por crianças dos cinco aos 18 anos, antes de fugirem das suas aldeias no Darfur, e hoje a viver em campos de refugiados no Chade. Agora, além de quase únicos, estes registos são preciosos no caminho traçado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) de Haia para julgar os responsáveis pelas atrocidades cometidas na província ocidental sudanesa do Darfur, em guerra desde 2003. O tribunal internacional, que indiciou, em Fevereiro, um ministro sudanês e um líder de uma milícia pró-governamental janjawid por cumplicidade em crimes de guerra e contra a humanidade, confirmou que aceita os desenhos das crianças como elementos de prova nos julgamentos em Haia desses dois suspeitos e em julgamentos de eventuais futuros suspeitos nas investigações que prosseguem no TPI.Quando o procurador do TPI tornou pública essa acusação do ministro e do líder da milícia pró-governamental, um outro membro do Governo sudanês, o ministro da Justiça, disse que as acusações tinham por base "mentiras". Estes desenhos - também já mostrados em exposições em Londres, e com exposições previstas para Itália, em Dezembro, e Praga, em Janeiro, além de outras cidades - dificilmente mentem, disse ao PÚBLICO Louise Roland-Gosselin, directora da organização não-governamental (ONG) Waging Peace, na origem da iniciativa, que começou com uma missão da investigadora Anna Schmitt desta ONG nos campos de refugiados do Darfur e deslocados no Chade, em Junho e Julho. Prova contextual, Anna Schmitt começou por conversar com as mães, que lhe disseram que, se desejava informações, deveria ouvir as crianças. Passou três semanas nas escolas improvisadas nos campos. Quando pediu às crianças para descreverem os acontecimentos que as tinham levado a fugir das suas aldeias, estas responderam com desenhos e histórias à volta do que desenhavam: um avião com a bandeira nacional do Sudão, um helicóptero com a marca da aviação militar ou homens armados montados a cavalo e vestidos com uniformes das milícias janjawid, pró-governamentais, casas incendiadas, mulheres, homens e crianças expulsos das aldeias, à força, atirados ao fogo ou mortos à queima-roupa. Para Louise Roland-Gosselin, o reconhecimento dos desenhos como prova contextual (para descrever a situação) e não primária (porque isso obrigaria à presença das crianças no tribunal), é "extremamente importante". "Através dos desenhos, é possível mostrar os crimes que ocorrem no Darfur, que estes são contra civis, e perpetrados por milícias e também por elementos das Forças Armadas da Sudão", diz. "Além disso", acrescenta, "os desenhos dizem algo às pessoas". Imagens implicam GovernoEnquanto se mantém o conflito no Darfur, com os seus mais de 300 mil mortos e 2,5 milhões de deslocados, enquanto a guerra não se resolve no plano das negociações nem se estanca a violência com o envio de uma força de paz internacional, poderão pequenos sinais como este, dado pelo TPI, fazer a diferença? "Muito vai depender da pressão que os países ocidentais e a ONU estiverem dispostos a fazer sobre o Sudão", refere a directora da Waging Peace. "Pressão" para prender os dois suspeitos a julgar em Haia, o que ainda não aconteceu. Para Louise Roland-Gosselin, as imagens contradizem a versão governamental dos acontecimentos. E provam a implicação directa das forças sudanesas. Em resumo: vão ao encontro daquilo que são já algumas provas existentes no TPI, resultado de dois anos de investigações. Depois da acusação do ministro dos Assuntos Humanitários e do chefe das milícias, em Fevereiro, a investigação dos crimes de guerra no Darfur continua. Mandados de captura foram lançados contra estes dois suspeitos. E enquanto se aguardam desenvolvimentos, a guerra, como pretexto para assassínios e expulsões forçadas, continua.
Ainda sem tropas, missão conjunta da ONU e da União Africana já tem quartel-general
03.11.2007
A missão híbrida que a União Africana (UA) e as Nações Unidas estão a procurar constituir no Darfur (Unamid), para substituir a malograda missão exclusiva dos países africanos, já colocou em funcionamento a sua base operacional na cidade de Al-Fashir, no Norte daquele território sudanês. Se acaso a Unamid, criada pelo Conselho de Segurança da ONU em Julho, viesse a totalizar os 19.555 militares e 6432 polícias que estão previstos, seria uma das maiores missões pacificadoras jamais concretizadas pelas Nações Unidas. E ir-se-ia juntar à força de 18.800 capacetes azuis que está a fiscalizar a aplicação do acordo estabelecido em 2001 para o Sul do Sudão.
03.11.2007
A missão híbrida que a União Africana (UA) e as Nações Unidas estão a procurar constituir no Darfur (Unamid), para substituir a malograda missão exclusiva dos países africanos, já colocou em funcionamento a sua base operacional na cidade de Al-Fashir, no Norte daquele território sudanês. Se acaso a Unamid, criada pelo Conselho de Segurança da ONU em Julho, viesse a totalizar os 19.555 militares e 6432 polícias que estão previstos, seria uma das maiores missões pacificadoras jamais concretizadas pelas Nações Unidas. E ir-se-ia juntar à força de 18.800 capacetes azuis que está a fiscalizar a aplicação do acordo estabelecido em 2001 para o Sul do Sudão.
Depois de fazeres uma pequena pesquisa sobre o conflito de Darfur, no Sudão, faz um comentário relativo à situação descrita nas duas notícias.
