quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Putin ameaça dirigir mísseis contra a Ucrânia em caso de adesão à NATO

Aviso foi feito após encontro com Presidente ucraniano

12.02.2008 - 16h54 PÚBLICO


O Presidente russo, Vladimir Putin, avisou hoje que a Rússia poderá redirigir os seus mísseis contra a Ucrânia se o país vizinho se juntar à NATO e aceitar a instalação de um escudo de defesa anti-míssil norte-americano. O aviso foi feito no final de um encontro com o seu homólogo ucraniano, Victor Iuchenko, que se deslocou a Moscovo para resolver uma disputa sobre os fornecimentos de gás russo ao seu país e procurar melhorar as relações diplomáticas com a antiga potência. Putin revelou ter alertado Iuchenko para os riscos de uma adesão à Aliança Atlântica, o pacto de defesa promovido pelos EUA em plena Guerra-Fria, sustentando que o passo almejado há anos por Kiev “restringiria a soberania do país”. Apesar de sublinhar que não pode interferir na decisão do país vizinho, o Presidente russo disse temer que a eventual entrada da Ucrânia no bloco ocidental leve o país a aceitar a instalação de um escudo antimíssil semelhante àquele que os EUA planeiam instalar na Polónia e República Checa. “É aterrador pensar que a Rússia, em resposta a uma possível instalação de um escudo míssil na Ucrânia possa ter de dirigir os seus sistemas de mísseis ofensivos contra a Ucrânia”, declarou Putin, de forma emotiva, citado pela Reuters. Os planos dos EUA para a instalação de um radar na República Checa e de um escudos antimíssil na Polónia – partes de um sistema que Washington diz ser defensivo – tem merecido duras críticas de Moscovo, desencadeando uma troca de palavras entre as duas capitais que recorda a Guerra-Fria. Esta tarde, o Presidente russo voltou a dizer que os planos americanos visam “a neutralização do potencial nuclear russo”, sublinhando que a sua efectivação “desencadeará uma acção russa de retaliação”. Até ao momento, Washington não solicitou à Ucrânia qualquer envolvimento neste projecto, embora o país seja visto por Moscovo como um aliado avançado dos EUA na região, desde que em 2004 Iuchenko liderou uma revolução que congregou as forças pró-ocidentais no país.Horas antes destas bombásticas declarações, o chefe da diplomacia russa revelou que o Presidente aceitou um convite para participar na próxima cimeira da NATO, agendada para Abril, em Bucareste. A reunião terá lugar já depois de Putin dar lugar ao seu sucessor no Kremlin. A aceitação do convite "demonstra novamente que a Rússia está disponível para dialogar sobre qualquer matéria", afirmou Sergei Lavrov.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Eleições nos EUA



Superterça-Feira adiou certezas nas nomeações para a Casa Branca



07.02.2008, Rita Siza, em Nova Iorque



Obama teve mais estados, Hillary mais votos. McCain, no lado republicano, ganhou nas duas costas e convenceu



Barack Obama e Hillary Clinton preparavam-se ontem para prosseguir as suas campanhas depois da votação da inédita Super-Duper-Tsunami Tuesday ter confirmado como os eleitores democratas se sentem divididos sobre os seus candidatos à nomeação para a corrida à Casa Branca. Obama com maior número de estados declarados, e Hillary com votações mais expressivas, acabaram por dividir quase a meio o número de delegados em jogo no dia de primárias mais "super" da história americana, disparando para a estratosfera as expectativas para os concursos que se seguem. Não era esse o objectivo: a ideia de concentrar a votação de 24 estados na mesma data destinava-se a encontrar o mais cedo possível as figuras que liderarão os respectivos partidos na igualmente histórica eleição presidencial de Novembro. Mas os democratas correm o risco de ver a campanha esticar-se até Abril - decididamente, esta eleição só acaba no fim. No lado republicano, os resultados confirmaram indiscutivelmente o favoritismo do veterano senador do Arizona John McCain na luta pela nomeação do seu partido. Ao final da noite, McCain tinha vencido em mais estados e conseguido muito mais delegados do que os seus opositores Mitt Romney e Mike Huckabee (o libertário Ron Paul, que também segue em contenda, nunca teve aspirações a entrar no combate pela liderança) - ficou claro para todos que, apesar de uma reviravolta ainda ser matematicamente possível, o famoso "rebelde" dos conservadores está à beira da consagração." Nunca me importei com o facto de ser o "underdog" [expressão usada para descrever o último da corrida], mas, meus amigos, temos de nos habituar à ideia de que agora somos os favoritos", regozijou-se o candidato, que leva agora uma vantagem de mais de 300 delegados para os seus adversários. Mike Huckabee também se congratulou com os resultados, que o catapultaram para o segundo lugar. "Esta é de facto uma corrida a dois, e nós estamos presentes", declarou. Já Mitt Romney pareceu verdadeiramente desolado - o candidato garantiu que ia manter-se na corrida, mas ontem estava reunido com os seus conselheiros e assessores para avaliar as perspectivas da sua candidatura (tendo decidido pela desistência da corrida eleitoral).

Fonte: http://jornal.publico.clix.pt/ , 7 de Fevereiro de 2008

Depois de oito quase 8 anos de administração Bush, os EUA estão a viver um novo processo eleitoral, que é bastante complexo. Estão a decorrer as chamadas "eleições primárias" nos diferentes estados, em que são eleitos os delegados (de acordo com as preferências dos eleitores pelos pré-candidatos que concorrem a estas eleições) às Convenções dos dois principais partidos norte-americanos: o Partido Republicano e o Partido Democrata. Nas referidas Convenções, os delegados, eleitos nas "primárias", escolherão o candidato final de cada um dos partidos à eleição do Presidente dos EUA. Sendo os EUA, actualmente, a única superpotência do Mundo, estas eleições presidenciais são um acontecimento muito importante não só para este país como para todo o Mundo. A escolha que for feita pelo povo norte-americano irá, de alguma forma, influenciar os destinos do Mundo.


Elabora um comentário sobre a importância do resultado das próximas eleições norte-americanas, quer para os EUA quer para o Mundo em geral, reflectindo ainda sobre as seguintes questões:
  • quem serão de facto os dois candidatos finais à presidência dos EUA? Pelo Partido Republicano: Jonh McCaine ou Mike Huckabee? Pelo Partido Democrata: Barack Obama ou Hillary Clinton?
  • será que, pela primeira vez, os EUA terão um presidente negro, ou melhor mestiço (Barack Obama), ou uma mulher (Hillary Clinton)? Será que o país estará preparado para qualquer uma destas possíveis situações?

sábado, 2 de fevereiro de 2008

As democracias ocidentais e os regimes autocráticos


Relatório hoje divulgado


Human Rights Watch condena "fechar de olhos" das democracias ocidentais aos abusos autocráticos

31.01.2008 - 15h01 Susana Almeida Ribeiro


As democracias ocidentais estão a “fechar os olhos” aos abusos praticados em países que passam por regimes democráticos mas que, na verdade, são autocracias encapotadas. Bruxelas, Washington e organizações como a OSCE estão a aceitar vitórias fraudulentas e abusos em diversos países, por conveniência política e diplomática, e, através dessa atitude, a perpetuar as violações dos direitos humanos em nações como o Quénia, Paquistão, China e Somália, indica o relatório da organização Human Rights Watch (HRW), hoje divulgado.O Relatório Mundial 2008 da organização de defesa dos direitos humanos sublinha que não basta que haja eleições para que um país seja considerado democrático. É preciso que, entre outras coisas, haja liberdade de expressão, liberdade de associação e uma sociedade civil esclarecida.“Hoje em dia é muito fácil os autocratas conseguirem ‘safar-se’ com falsas democracias”, indicou Kenneth Roth, director executivo da HRW, salientando que países como o Quénia, Paquistão, Bahrein, Jordânia, Nigéria, Rússia e Tailândia se comportaram como democracias, mas que nos bastidores actuaram como autocracias, ora censurando os media, ora falseando resultados eleitorais. Para que isto não aconteça, é preciso que as democracias estabelecidas fiquem vigilantes e actuem, e isso nem sempre acontece. “Parece que Washington e os governos europeus aceitam as mais dúbias eleições, desde que o país em questão seja um aliado estratégico ou comercial”, acusa Roth.

A HRW aponta o dedo aos Estados Unidos quando, por exemplo, aceitaram os resultados eleitorais de Fevereiro de 2007 na Nigéria – país rico em petróleo –, apesar das acusações de fraude eleitoral. Atitudes como esta poderão ser encaradas pelos líderes africanos como um “tapar de olhos” de Washington, que acaba por tolerar as ilegalidades democráticas. O Quénia, por exemplo, está envolvido numa violenta crise política desde finais de Dezembro de 2007, que já causou a morte a perto de um milhar de pessoas, e os EUA limitaram-se a expressar a sua preocupação pela situação.Por outro lado, organizações como a OSCE (Organização Europeia para a Cooperação e Segurança), “que deviam promover a democracia, os direitos humanos e a segurança, aceitaram a entrada como membro, em 2010, do Cazaquistão, que tem grandes reservas de petróleo e gás, desejadas quer pela UE quer pela Rússia”, indica o relatório. “A decisão da OSCE foi tomada depois do partido do poder no Cazaquistão ter ‘vencido’ de forma esmagadora as eleições parlamentares de Agosto, durante as quais, de acordo com os próprios monitores da OSCE, houve censura aos media, impedimento à formação de partidos da oposição e irregularidades na contagem dos votos”.


Violações dos direitos humanos e repressões severas


A HRW monitoriza a situação dos direitos humanos em mais de 75 países e denuncia a existência de atrocidades em países como o Chade, Colômbia, República Democrática do Congo, Etiópia (região de Ogaden), Iraque, Somália, Sri Lanka e Sudão (região do Darfur) e delata a existência de sociedades fechadas e repressões severas na Birmânia, China, Cuba, Eritreia, Líbia, Irão, Coreia do Norte, Arábia Saudita e Vietname.Kenneth Roth especificou que “a situação na Somália e na região etíope de Ogaden, onde milhões estão a sofrer, é uma tragédia esquecida” e o relatório sublinha que “o governo do Sudão é o responsável por cinco anos de crise no Darfur, onde 2,4 milhões de pessoas foram deslocadas, quatro milhões sobrevivem de ajuda humanitária e onde as populações estão em grande risco.Na Birmânia, a junta militar usou força desproporcionada, em Agosto e Setembo do ano passado, em resposta aos protestos pacíficos dos monges budistas e civis desarmados. O relatório denuncia ainda o bloqueio israelita de comida, petróleo e medicamentos aos palestinianos – uma atitude que viola as leis internacionais – e, por outro lado, recrimina os ataque palestinianos a áreas populacionais israelitas.No que toca ao Paquistão, a HRW denuncia as repressões levadas a cabo a determinados juízes e as mudanças constitucionais operadas pelo Presidente Pervez Musharraf, a fim de poder ser eleito nas próximas eleições, marcadas para Fevereiro.


Jogos Olímpicos na China estão a minar os direitos humanos


A HRW chegou ainda a uma conclusão surpreendente. Ao contrário do que se esperava, os Jogos Olímpicos, que se celebram este Verão em Pequim, estão a fazer aumentar as situações de deslocações laborais forçadas, abuso de direitos dos trabalhadores e prisões domiciliárias de opositores ao regime comunista chinês.O relatório denuncia ainda que os Estados Unidos são o país do mundo com a maior taxa de encarceramentos de todo o mundo e onde o universo de prisioneiros negros é seis vezes mais numeroso que o de brancos.Os Estados Unidos são igualmente apontados pela sua “guerra ao terrorismo”, mantendo 275 prisioneiros em Guantánamo sem acusação formal.Como nota positiva, o Relatório Mundial 2008 da HRW indica a entrega à Justiça dos antigos Presidentes do Peru e da Libéria: Alberto Fujimori e Charles Taylor, respectivamente.

Fonte: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1318271&idCanal=11

Para mais informações relativas ao Relatório e às actividades da organização, visita o Site da Human Rights Watch , em Português: http://www.hrw.org/portuguese/

Comenta o conteúdo da notícia, reflectindo sobre a atitude das democracias ocidentais (nomeadamente da UE e dos EUA) relativamente às situações de abusos dos direitos humanos que se verificam em diferentes regimes autocráticos.

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quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Em qual deste tipo de pessoas confia?


No fim de semana passado, os meios de comunicação social divulgaram uma sondagem mundial do Instituto Gallup para o Fórum Económico Mundial efectuada a 61 600 pessoas em 60 países.


A pergunta era: "Em qual deste tipo de pessoa confia?"


Os professores são os profissionais em que os portugueses mais confiam (quem diria!...); os políticos ficam no fim da tabela. 42 por cento dos portugueses consideram que os professores não só são considerados os profissionais mais merecedores de confiança como são aqueles a quem os inquiridos dariam mais poder (32 %).

A seguir aos docentes surgem, no capítulo das pessoas tidas como mais dignas de confiança, os líderes militares e da polícia (24 %), os jornalistas (20 %) e os líderes religiosos (18 %). Bem no fundo da lista, com um sexto das respostas obtidas pelos professores, ficam os políticos (7%).

Quanto à questão de quais as profissões a que dariam mais poder no seu país, os portugueses privilegiaram os professores (32%), os intelectuais (28%) e os dirigentes militares e policiais (21%), surgindo em último lugar, com 6%, as estrelas desportivas ou de cinema


A confiança dos portugueses por profissões não se afasta dos resultados médios para a Europa Ocidental. Os advogados, que em Portugal apenas têm a confiança de 14% dos inquiridos, vêm em terceiro lugar na Europa Ocidental. A nível mundial, os professores são também os que merecem maior confiança ( 34%) dos inquiridos, seguindo-se os líderes religiosos (27%) e os dirigentes militares e da polícia (18%). Os políticos surgem, uma vez mais, na cauda, com apenas 8% a darem-lhes a sua confiança. Os docentes apenas perdem o primeiro lugar para os líderes religiosos em África, que têm a confiança de 70% dos inquiridos. A Europa Ocidental daria mais poder aos intelectuais (30%) e professores (29%). A nível mundial voltam a predominar os professores (28%) e os intelectuais (25%), seguidos dos líderes religiosos (21%).



Comenta os resultados deste estudo.


sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Comércio Justo

Links a vídeos do YouTube sobre Comércio Justo:


quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Portugal e o Índice de Desempenho Ambiental

Apresentado ontem em Davos

Portugal ocupa o 18º lugar no Índice de Desempenho Ambiental 2008



24.01.2008 - 13h16 PUBLICO.PT




O trabalho feito na área do clima, poluição do ar, água, recursos naturais e qualidade ambiental valeu a Portugal o 18º lugar no Índice de Desempenho Ambiental 2008, elaborado por uma equipa das universidades de Yale e Columbia, apresentado ontem no Fórum Económico Mundial em Davos, Suíça.A lista de 149 países é liderada pela Suíça (com 95,5 por cento), logo seguida da Noruega, Suécia e Finlândia. Os últimos são o Níger (com 39,1 por cento), na 149ª posição, Angola e Serra Leoa.À frente de Portugal (com 85,8 por cento) estão ainda a Costa Rica, a Áustria, Nova Zelândia, Letónia, Colômbia, França, Islândia, Canadá, Alemanha, Reino Unido, Eslovénia, Lituânia e Eslováquia. Espanha surge na 30ª posição, os Estados Unidos na 39ª e a China na 105ª.Este índice avalia o desempenho ambiental com base em 25 indicadores, distribuídos por seis categorias de políticas: saúde ambiental, poluição do ar, recursos hídricos, biodiversidade e habitat, recursos naturais e alterações climáticas. Das seis categorias, Portugal tem o pior desempenho na área da biodiversidade e habitat, ficando abaixo da média. Na verdade, os piores resultados surgem no indicador de áreas marinhas protegidas e conservação efectiva da natureza. Portugal posiciona-se acima da média europeia em cinco das seis categorias: qualidade ambiental, poluição do ar, água, recursos naturais e alterações climáticas. Os indicadores onde o país conseguiu os melhores resultados passam pelo saneamento básico, água potável, emissões per capita e protecção de habitats críticos.A classificação dos Estados Unidos, no 39º lugar, foi muito influenciada pelo seu fraco desempenho em matéria de gases com efeito de estufa e no impacto da poluição do ar nos ecossistemas. “O desempenho dos Estados Unidos mostra que a próxima administração não deve ignorar os impactos ambientais nos ecossistemas, bem como na política agrícola, energética e gestão da água”, comentou Gus Speth, da Universidade de Yale.A análise das posições sugere que “a riqueza é um factor determinante do êxito ambiental”, segundo um comunicado da universidade de Yale.“Os países com melhores resultados (...) adoptaram políticas públicas para mitigar os danos provocados pela actividade económica”. Já os “países com piores classificações, não realizaram as mudanças necessárias na saúde pública ambiental e têm fracos regimes de política pública”.“Cada país tem algo a aprender com o Índice de Desempenho Ambiental. Mesmo os países com melhores posições têm áreas nas quais o seu desempenho não é óptimo”, comentou Daniel C. Esty, director do Centro de Legislação e Política Ambiental da Universidade de Yale e professor de Legislação e Política Ambiental.Devido à falta de dados, 89 países ficaram de fora desta lista.









Comenta o conteúdo da notícia, reflectindo sobre o desempenho ambiental do nosso país, quando comparado com outros países citados na notícia.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Crise nas bolsas mundiais




Dow Jones descia 3,2 e Nasdaq quase cinco por cento



Nova Iorque afunda-se mesmo depois da baixa dos juros nos EUA



22.01.2008 - 14h36



Por Eduardo Melo, Anabela Campos, Agências



Apesar da decisão de Ben Bernanke (Fed), os investidores continuam a fugir das acções. A bolsa de Nova Iorque abriu em forte quebra, mesmo depois do anúncio, inesperado, da redução das taxas de juro pela Reserva Federal em 0,75 pontos percentuais, para 3,5 por cento.O índice industrial Dow Jones, que concentra os títulos de empresas do sector industrial, recuava 3,2 por cento por cento nos primeiros minutos de negociação, enquanto o índice dos títulos de empresas dos sectores de tecnologia, media e telecomunicações, o Nasdaq Composite, descia 4,89 por cento.Na Ásia, os mercados fecharam em forte quebra, com os nipónicos Hang Seng a cair 8,65 por cento e o Nikkei 225 a desvalorizar 5,65 por cento. Este comportamento condicionou a abertura das bolsas europeias, que estiveram toda a manhã num permanente sobe e desce, num chamado movimento carrossel. A volatilidade é a palavra de ordem, com os investidores a entrar e a sair das acções em permanência, enquanto aguardavam o arranque dos mercados norte-americanos, que ontem estiveram encerrados para o gozo do feriado do “Dia de Martin Luther King”. Após o descalabro dos mercados nipónicos, as bolsas arrancaram a sessão em forte quebra, para de seguida recuperarem para terreno positivo, e voltarem a cair. Logo após o anúncio do corte das taxas de juro pela Fed, a maioria das bolsas inverteu a tendência de quebra e voltou a terreno positivo. Mas 15 minutos antes de Nova Iorque abrir, a maioria já estava de novo no “vermelho”. Lisboa mantinha-se do lado positivo, com o PSI20 a subir 0,87 por cento, puxado pela Galp, que valorizava 9,16 por cento. Às 14h15, havia 12 títulos do PSI20 em terreno positivo, e alguns com ganhos interessantes. Destaque para as subidas da Sonae SGPS (4,27 por cento) e do BCP (2,86 por cento)
Comenta o conteúdo da notícia, reflectindo sobre a actual crise bolsista nos EUA e os seus efeitos à escala mundial.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

A situação dos reféns das FARC na Colômbia

Uribe não afasta recurso à força

Presidente colombiano diz que a sua prioridade é libertar os reféns e “aniquilar os terroristas”

21.01.2008 - 11h14 AFP


Uribe reuniu-se hoje com Sarkozy


O Presidente colombiano Alvaro Uribe, de visita a Paris, reafirmou hoje que a sua prioridade é libertar os reféns nas mãos da guerrilha das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e “aniquilar os terroristas”. Para isso não afasta um recurso à força, medida contra a qual se opõem as famílias dos reféns e o Governo francês.Uribe disse também que vai trabalhar “lado a lado” com o Presidente francês Nicolas Sarkozy, que o recebeu ao final da manhã e que fez da libertação da refém franco-colombiana Ingrid Betancourt uma das suas prioridades diplomáticas.O Presidente colombiano afirmou que vai pedir o apoio do seu homólogo, nomeadamente na criação de uma “missão médica internacional” para cuidar dos reféns. Esta intervenção já foi rejeitada pelas Farc que receiam que seja utilizada para os atacar.“Não podemos negar que, democraticamente, estamos em vias de mobilizar a presença militar” no país, admitiu Uribe à Rádio Europe 1, referindo que os guerrilheiros da Farc passaram dos 30 mil na década de 1960 para os actuais oito mil.Uribe disse estar disposto a negociar com as Farc “a partir do momento em que mostrem uma prova de boa fé” mas depressa acrescentou que os guerrilheiros “nunca o fizeram”.As Farc, em rebelião desde 1964 contra as autoridades colombianas, exigem a libertação de 500 guerrilheiros em troca dos 43 reféns ditos “políticos”. Recentemente libertaram dois reféns em sinal de “reconhecimento” ao Presidente venezuelano Hugo Chávez. Este pediu aos europeus para retirar as Farc da lista das organizações terroristas e o seu país deu-lhes o estatuto de beligerantes.Uribe começou ontem uma viagem à Europa que o deverá levar a Espanha, Suíça e Bruxelas, para obter o apoio dos europeus no dossier dos reféns das Farc.
Comenta o conteúdo da notícia, reflectindo sobre a situação que se vive actualmente na Colômbia.
PS: divirtam-se um pouco com um vídeo do YouTube com um discurso de Hugo Chávez(Presidente da Venezuela) que diz do pior sobre Alvaro Uribe (Presidente da Colômbia) em: http://www.publico.clix.pt/videos/?v=20080121124556

domingo, 20 de janeiro de 2008



Declarado alarme em Espanha, Portugal, França e Reino Unido


Paquistaneses detidos em Barcelona passaram por Portugal


20.01.2008 - 09h06 Nuno Ribeiro, Madrid


Alguns dos 15 cidadãos de origem paquistanesa que foram detidos na madrugada e manhã de ontem em Barcelona, acusados de prepararem atentados na capital da Catalunha, mantiveram contactos em Portugal com compatriotas seus recém-chegados ao nosso país. Estes movimentos do que os investigadores denominam como “grupos itinerantes”, foram “acompanhados” em estreita colaboração pelos serviços de informação espanhóis e portugueses.As autoridades portuguesas estão neste momento envolvidas em operações de localização e captura destes contactados.Os contactos em Portugal destes membros, cuja identidade ainda não foi divulgada, decorreram, por diversas vezes, em várias regiões do nosso país, entre as quais a de Lisboa. Segundo o PÚBLICO apurou, os contactados não estão relacionados com as históricas comunidades de paquistaneses que residem em Portugal, nomeadamente os oriundos das antigas colónias. Eram recém-chegados ao nosso país e os seus passos foram seguidos devido às investigações de vários serviços de informação europeus - nomeadamente do Centro Nacional de Inteligência (CNI), a “secreta” espanhola, que para tanto contactou os serviços homólogos portugueses. Aliás, as detenções de ontem, em Barcelona, feitas por agentes dos serviços antiterrorismo da Guarda Civil, têm na origem as investigações do CNI. Estes serviços também transmitiram a Portugal, nos últimos dias, o alerta de perigo para atentados terroristas que, para além dos dois países ibéricos, abrangeu a França e o Reino Unido. Contudo, segundo as primeiras investigações, o nosso país não era alvo iminente de qualquer atentado. Uma hipótese avançada seria a intenção de atacar durante a visita do Presidente paquistanês, Pervez Musharraf, à Europa, que arranca hoje em Bruxelas.“Eles estavam um passo à frente do radicalismo ideológico e quando alguém com estas características tem material explosivo em casa é claro o que pretende fazer, acções violentas”, comentou, ontem, em conferência de imprensa, o ministro do Interior espanhol. Alfredo Pérez Rubalcaba revelou que nas buscas efectuadas no bairro de Raval de Barcelona - a seguir a Londres a segunda maior concentração de cidadãos paquistaneses na Europa ocidental - foi encontrado material para o fabrico de explosivos e componentes para bombas, entre os quais quatro temporizadores.
Comenta o conteúdo da notícia, reflectindo sobre as possibilidades de o nosso país poder ser alvo de um atentado terrorista por organizações fundamentalistas islâmicas.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Concurso: "O Meu Mapa"


Gostas de Geografia? Gostas de Mapas?
Se és aluno do 3º ciclo do Ensino Básico ou do Ensino Secundário e se gostas de Geografia este concurso é para ti. Tudo o que tens a fazer é, individualmente ou com outro colega, construir um mapa. Os temas, as escalas, os diferentes espaços geográficos, os materiais podem ser os mais variados e à tua escolha e de acordo com o teu interesse.Acompanha o mapa que construíste de um pequeno texto que servirá para o descrever, analisar e interpretar. O teu trabalho será exposto na página http://omeumapa.blogspot.com/. Para isso terás que o digitalizar e, juntamente com o texto que escreveste, enviá-lo para o seguinte endereço de correio electrónico: omeumapa@gmail.com.Habilita-te a ganhar um GPS ou um iPOD Shuffle. Se quiseres mais informações consulta o regulamento do concurso.

Este concurso é promovido pelo Departamento de Geografia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Médio Oriente

Israelitas e palestinianos voltam a sentar-se à mesa das negociações

O primeiro-ministro israelita Ehud Olmert (na foto à esq.)
Israel e a Autoridade Nacional Palestiniana (ANP) voltaram hoje à mesa das negociações com o objectivo de resolverem o conflito que os opõe e de alcançarem os seus objectivos: a criação de um Estado palestiniano e a paz entre ambos os povos. Esta é a mais séria tentativa de diálogo entre israelitas e palestinianos nos últimos sete anos.As negociações, que se celebram em Jerusalém, serão presididas pela ministra israelita dos Negócios Estrangeiros, a advogada Tzipi Livni, e pelo empresário Ahmed Qorei, ex-primeiro-ministro do histórico líder palestiniano Yasser Arafat.As deliberações, após uma paragem de sete anos nas negociações, vai centrar-se - de acordo com o presidente da ANP - Mahmoud Abbas - em seis assuntos, entre eles a fixação das fronteiras do futuro Estado palestiniano na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, o que implica a definição da soberania política de Jerusalém, que os palestinianos querem que seja a sua capital.O futuro dos colonatos judeus na Cisjordânia e em terras de Jerusalém (que Israel anexou após a guerra de 1967) será debatido, bem como o destino de mais de quatro milhões de refugiados de guerra (1948) palestinianos.O primeiro-ministro israelita Ehud Olmert e o presidente Abbas, que deverão encontrar-se a cada duas semanas, terão o papel de árbitros nos casos das dissidências que não forem superadas pela comissão Livni-Qorei nem pelos comités de peritos que abordarão assuntos diversos, como economia, cooperação sanitária e telecomunicações.Olmert e Abbas concordaram em voltar às negociações no passado dia 27 de Novembro, na Conferência de Annapolis, celebrada em Maryland, no Estados Unidos, sob a égide do Presidente norte-americano George W.Bush, que os visitou na semana passada, a fim de dar um "empurrão" ao diálogo. Nessa altura, Bush declarou estar convencido que israelitas e palestinianos assinarão um processo de paz até ao final deste ano.Olmert declarou-se, porém, "céptico" quanto às hipóteses de se chegar a um acordo de paz com os palestinianos, numa declaração frente a uma comissão parlamentar.A última tentativa levada a cabo para solucionar o conflito entre os dois povos vizinhos terminou abruptamente com o reinício da Intifada, em Setembro de 2000, em Gaza e na Cisjordânia. As negociações que as partes levavam a cabo na localidade egípcia de Taba fracassaram. Depois disso, as conversações entre o primeiro-ministro israelita Ehud Barak e Yasser Arafat, sob os auspícios do ex-presidente norte-americano Bill Clinton, acabaram por não dar em nada, por causa de divergências em torno da soberania política na velha Jerusalém, onde se encontram os principais santuários judeus, cristãos e islâmicos.
Comenta a notícia, reflectindo sobre a necessidade, para o Médio Oriente e para o Mundo em geral, da resolução do conflito israelo-palestiniano, nomeadamente sobre as seguintes questões:
  • a fixação das fronteiras do futuro Estado palestiniano na Cisjordânia e na Faixa de Gaza;
  • a definição da soberania política de Jerusalém;
  • o futuro dos colonatos judeus na Cisjordânia e em terras de Jerusalém;
  • o destino de mais de quatro milhões de refugiados de guerra palestinianos.

sábado, 5 de janeiro de 2008

A democracia e o continente africano


Após mais um dia de batalhas entre a polícia e os manifestantes
Quénia: Presidente apela à calma e oferece-se para dialogar com rivais políticos

03.01.2008 - 15h23 Agências

O Presidente queniano, Mwai Kibaki, cuja reeleição, nas recentes eleições de dia 27 de Dezembro, originou uma onda de violências no país, que já causaram mais de 300 mortos, apelou hoje à calma e ofereceu-se para dialogar com os seus rivais políticos, após mais um dia de batalhas entre a polícia e os manifestantes."Estou preparado para dialogar com as partes interessadas quando a nação estiver calma e as temperaturas políticas tiverem baixado o suficiente para um compromisso construtivo e produtivo", afirmou Kibaki aos jornalistas.As violências já custaram a vida a mais de 300 pessoas e ameaçam estilhaçar a reputação de uma das mais promissoras democracias africanas e uma das mais sustentadas economias do continente. O Banco Mundial já alertou que a onda de violências poderá afectar toda a estrutura económica dos países vizinhos do Quénia.A oposição queniana, liderada por Raila Odinga, cumpriu hoje a sua ameaça e milhares de apoiantes da sua candidatura - que saiu derrotada nas eleições do passado dia 27 de Dezembro - saíram hoje às ruas de Nairobi. O Presidente Kibaki acusou ontem o seu rival político de "genocídio" e "limpeza étnica" pela onda de violências políticas.De acordo com a Reuters, os manifestantes marcharam por uma das principais estradas de Nairobi, bloqueando praças e ruas, ao passo que alguns agentes perseguiram seguidores de Odinga que transportavam paus.De acordo com a AFP, dois deputados da oposição foram detidos pela polícia em Kisumu (oeste do país), por terem incitado os partidários de Odinga a manifestarem-se, indicou fonte policial.O procurador-geral do Quénia, Amos Wako, estimou igualmente hoje ser "necessário" levar a cabo um inquérito "independente" sobre as eleições gerais do passado dia 27 de Dezembro. A situação vivida actualmente é uma luta de poder entre o maior grupo, os kikuyu, ao qual pertence o Presidente e que tradicionalmente detém o poder, e os luo, terceiro maior grupo, ao qual pertence o líder da oposição, Raila Odinga.


Fonte: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1315536 (neste site podes visualizar um pequeno vídeo complementar à notícia)


Comenta a situação que se está a viver no Quénia, reflectindo sobre a problemática da implantação da democracia nos Estados africanos. Será que é possível implantar uma verdadeira democracia nos Estados africanos? Estarão os povos africanos preparados para viver em democracia?

domingo, 30 de dezembro de 2007

O atentado a Benazir Bhutto


Um atentado que pode levar à implosão política do país

28.12.2007, Jorge Almeida Fernandes

O que está em jogo não é apenas o processo de democratização, mas um desastre para a política americana no Afeganistão e todo o Médio Oriente
O assassínio de Benazir Bhutto ilustra o lugar-comum mais usado desde há muitos anos para definir o Paquistão: "uma bomba-relógio". Os primeiros comentários não assinalavam apenas a liquidação do sonho duma relativa estabilização democrática, interrogavam-se também sobre as consequências do crime na região, e para lá dela. Sintomaticamente, a lista dos suspeitos era muito vasta. Se à primeira vista os radicais ligados à Al-Qaeda, que ameaçaram directamente Bhutto, eram os favoritos, alguns ramos dos poderosos serviços secretos militares - Inter-Services Intelligence (ISI) - não escapavam à suspeita. Não está em jogo apenas a sorte do Paquistão. "É um profundo desaire para a "guerra ao terror" dos EUA, que tinha como parte da sua estratégia na região a restauração da democracia no Paquistão, para oferecer um caminho alternativo ao extremismo", observou o analista Paul Reynolds, da BBC. A campanha pela democratização do Paquistão partiu do interior das elites, de que a rebelião dos juízes foi o ponto mais saliente. No entanto, foi persistentemente impulsionada pelos Estados Unidos: estando o regime do general Musharraf completamente desacreditado e deslegitimado, era necessário encontrar uma alternativa. Nestes termos, o objectivo primacial de Washington não era a democracia mas a segurança. Daniel Mackay, antigo responsável no Departamento de Estado, expôs na Foreign Affairs um modelo que assentava na necessidade de democratização "sem pôr em causa os interesses fulcrais dos militares" que, desde os anos 1960, exercem um papel tutelar sobre as instituições políticas. "O problema real (...) é que uma genuína democracia civil no Paquistão é uma aspiração irrealista a curto prazo."Nesta linha, o que Musharraf desejou negociar com Bhutto era uma solução de compromisso, em que ela poderia "governar", deixando nas mãos do Exército as decisões fulcrais sobre segurança e política externa. Benazir soube interpretar a vontade popular de mudança. Moveu não só as elites que pretendem afastar os militares da cena política e impor o corte radical com o extremismo islâmico que ela prometeu, mas também multidões, que aspiram a mudar a cúpula política e uma prática que desvia para a Defesa a maioria dos recursos do país, um dos principais factores de bloqueio económico.Independentemente de ainda pouco ou nada se saber sobre a conspiração, a simples realização de eleições, com a previsível vitória de Bhutto, ter-se-á tornado numa ameaça intolerável.
Aliança dúplice
A preocupação de que o analista da BBC fazia eco vai muito para lá do Afeganistão e da implantação da Al-Qaeda nos territórios de fronteira do Paquistão. Este país está situado naquilo a que se tem chamado uma "zona de fractura geopolítica", tocando a Índia, o Afeganistão, o Irão, o conjunto do Médio Oriente. É um país desigual e instável por natureza - e dotado de armas atómicas. O medo da Índia fez do Paquistão um aliado fácil dos Estados Unidos. Como dizem os especialistas, esta aliança nunca foi uma "opção ideológica". Se os dirigentes paquistaneses sempre tiveram a noção que Washington usava para com eles de uma atitude "dúplice", o mesmo pensam os americanos. Com a invasão do Afeganistão pelos soviéticos, Islamabad ganhou autonomia e tratou de promover a instalação do regime taliban no país vizinho, consumada em 1996, assim realizando o desígnio de conquistar uma "profundidade estratégica" perante a Índia. O preço foi fazer do Paquistão um território de eleição para a Al-Qaeda e outros "jiahdistas". Após o 11 de Setembro e a queda de Cabul, Islamabad perde quase tudo o que investira. O general Musharraf tem de se inclinar perante o ultimato americano. Mas, de forma hábil, consegue uma fabulosa ajuda financeira que salva o regime da bancarrota, continuando encapotadamente a manter uma estreita relação com os islamistas, seus aliados políticos.O assassínio de Bhutto destrói o quadro político idealizado para estabilizar o Paquistão, que passava por um pacto com Islamabad: neutralidade no Afeganistão e combate às milícias islamistas e redes de madrassas extremistas, que estão a "talibanizar" parte do país. Os islamistas são minoritários, mas estão na ofensiva.
Nacionalismo sem nação
A mais temida ameaça é que a instabilidade do Paquistão conduza a uma "implosão". Um analista do israelita Ha'aretz traçou há um mês o quadro apocalíptico de um 2008 dominado por uma dupla crise de proliferação nuclear, a iraniana e a paquistanesa. "Com um Paquistão em turbulência, economicamente falido, com o poder a cair nas mãos de vários grupos, incluindo elementos transviados do poderoso ISI, com conhecidos laços com os extremistas islâmicos, a proliferação nuclear é provável." É um ponto de vista israelita, mas com muitos ecos em Washington.O problema paquistanês começou na própria fundação. Foi criado como o Estado dos muçulmanos do subcontinente indiano e definido pelo fundador, Mohammad Ali Jinnah, como um Estado laico. Mas, perante a fraqueza de uma "identidade moderna", a identidade islâmica acabou por prevalecer. Para Christophe Jaffrelot, um dos grandes especialistas do Paquistão, o equívoco islâmico, o estatuto dos militares e o bloqueio da democracia provêm de um facto: o Paquistão é "um nacionalismo sem nação".

Fonte: http://jornal.publico.clix.pt/ (artigo de opinião)

Elabora um comentário à morte de Benazir Bhutto, reflectindo sobre as suas possíveis consequências para o futuro do Paquistão, bem como para os países vizinhos, nomeadamente o Afeganistão, a Índia e o Irão.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Natal 2007


Para todos os alunos do 12º H e suas famílias, os votos de um Feliz Natal e um bom Ano Novo de 2008

são os votos do professor de Geografia C
Eduardo Vales
PS: não resisto enviar-vos um link a um site que se chama "La grande crèche de nöel", com imagens animadas e com música de fundo alusivos ao Natal. Liguem o som do computador. Pode parecer um pouco infantil mas tem piada. Nunca devemos perder completamente a criança que há em todos nós.
Mais uma vez um Bom Natal e continuem a participar neste blogue em 2008.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

O Tratado Reformador ou Tratado de Lisboa



Hoje, 13 de Dezembro de 2007 foi assinado no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, o Tratado Reformador ou Tratado de Lisboa.




Os pontos-chave do Tratado de Lisboa

Novos cargos e mudanças nos modelos de decisão estão entre os aspectos mais relevantes
O novo tratado facilita a tomada de decisões e reforça a capacidade da acção externa da União Europeia.


Presidência do Conselho


O Conselho Europeu elege um presidente por maioria qualificada, por um mandato de dois anos e meio, renovável uma vez, sem poder executivo. Assim, as presidências rotativas da União Europeia terminam, mas mantêm-se ao nível de alguns conselhos de ministros.


O "ministro dos Negócios Estrangeiros europeu"


É criado o cargo de alto--representante da União para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, que funde os cargos do alto-representante para a Política Externa e do comissário para os Assuntos Externos. Concentra as vertentes intergovernamental e comunitária da acção externa (é um dos vice-presidentes da Comissão).


Decisões por maioria qualificada


A aprovação por maioria qualificada no Conselho exige uma maioria dos Estados (55 por cento, 15 Estados) e da população da União Europeia (pelo menos 65 por cento). Em cerca de 40 domínios a unanimidade deixa de ser necessária (como segurança energética ou ajuda humanitária de emergência). A unanimidade mantém-se necessária para políticas fiscal, externa, de defesa e de segurança social. Entrada em vigor em 2014. Até 2019, qualquer Estado pode pedira aplicação do sistema de Nice.


Minorias de bloqueio


Têm de reunir pelo menos 13 Estados--membros ou, em alternativa, 35,01 por cento da população (com um mínimo de quatro países). A cláusula de Ioannina, incluída numa declaração anexa ao tratado, permite que um pequeno número de Estados-membros possa ainda pedir que uma decisão seja examinada de novo.


Parlamento Europeu


A co-decisão passa a ser a regra, com algumas excepções. Passa a aprovar todas as despesas da UE. Confirma a escolha, feita pelo Conselho (por maioria qualificada) do presidente da Comissão.


Comissários


A partir de 2014 a Comissão terá um número de comissários europeus igual a dois terços do número de Estados-membros.


Parlamentos nacionais


Continuam a poder pronunciar-se sobre propostas legislativas, tendo oito semanas para as analisar quanto ao respeito pelo princípio de subsidiariedade. Se um número significativo declarar que desrespeita esse princípio, a Comissão tem de justificar a proposta legislativa, se a quiser manter.


Cooperações reforçadas


Os Estados-membros deixam de poder travar cooperações reforçadas [grupos de países que se associam para avançar mais depressa num determinado domínio da integração europeia; os países da zona euro são um exemplo de uma cooperação reforçada] de outros no domínio da política externa e de segurança comum. Grupos de cooperações reforçadas podem tomar decisões por maioria. É criada uma "cooperação estruturada permanente" no domínio da defesa para os países com mais capacidades militares.


Tribunal de Justiça


Passa a ter mais poder sobre políticas de justiça e assuntos internos, incluindo as de asilo e de imigração, com algumas excepções, como a Dinamarca e o Reino Unido.


Cidadãos europeus


Podem propor à Comissão Europeia uma dada iniciativa legislativa, precisando para tanto de reunir um milhão de assinaturas.


Personalidade jurídica


A União Europeia passa a ter uma personalidade jurídica.


M.J.G.




Faz um comentário crítico relativamente à importância do Tratado para a UE e para Portugal e às mudanças mais relevantes que são introduzidas pelo Tratado Reformador.


Se queres saber mais sobre o tratado, podes ler o texto integral em:


domingo, 9 de dezembro de 2007

A cimeira UE - África e as práticas de governação em África



Ter ou não sangue nas mãos não pode ser indiferente

08.12.2007, José Manuel Fernandes

Reza o que julgo ser um velha lenda angolana que Deus, depois de distribuir pela Terra as diferentes riquezas, ficou com uma mão-cheia delas que já não sabia onde colocar. Deixou-as então cair sobre Angola, generosamente.Contudo, apesar dos diamantes, do petróleo, do urânio, do ouro, dos fosfatos, do cobre e do ferro, Angola é um país cujo povo, apesar do rápido desenvolvimento económico dos últimos anos, continua a viver numa imensa pobreza. De acordo com o mais recente relatório do PNUD, fica em 162.º lugar entre 177 países classificados. Atrás do Ruanda. E da Eritreia. Ou de Timor-Leste. O rendimento per capita até é relativamente elevado (as riquezas são muitas, mas também estão muito mal divididas...), mas a esperança de vida é das mais baixas do mundo, assim como o nível de literacia. Porquê? Porque o regime de Luanda, apesar da formalidade do Parlamento, não é uma democracia, antes uma cleptocracia. Só isso explica, por exemplo, que, apesar da riqueza nacional per capita ser quase o dobro da de Moçambique, a esperança de vida seja inferior e a frequência escolar também inferior. É por isso, e por tudo o que fez ao longo das quase três décadas que leva como Presidente da Angola, que José Eduardo dos Santos, apesar de não dar tanto nas vistas como Robert Mugabe, pertence à mesma categoria de líderes africanos que são muito mais responsáveis pelas desgraças das nações que dirigem do que o pior dos antigos líderes coloniais. Ian Smith, o racista branco que proclamou a independência da Rodésia, hoje Zimbabwe, fez menos mal aos seus habitantes negros do que o racista negro que hoje se apega ao poder em Harare. Custa admiti-lo, porque Ian Smith representa o que de mais detestável existe em termos políticos, mas não há forma de fugir à verdade. O delírio de Mugabe nos últimos anos precipitou um dos raros países de sucesso da África subsariana num precipício antes inimaginável.Ora, estes dois líderes - José Eduardo dos Santos e Robert Mugabe - não são apenas amigos e aliados: são ao mesmo tempo uma amostra de como más lideranças, maus sistemas políticos e uma sede de poder cega pode destruir nações que tinham tudo para ser ricas e prósperas. E há muitos mais como eles em África, desde o tunisino Ben Ali, "reeleito" em 2004 com 94,5 por cento dos votos, ao sudanês Omar Hassan Ahmad al-Bashir, o campeão da ignomínia, que sobrevive no poder desde 1989 em boa parte graças às guerras que promoveu no Sul do país, contra a minoria cristã, e no Darfur. Passando pelo rei da Suazilândia, Mswati III, soberano de um país onde um terço da população depende da ajuda externa, mas que gasta milhões com as suas 13 mulheres, de quem tem 27 filhos, ou pelo "exótico" e meio senil Muammar Kadhafi, o "socialista" que se desloca de limousine de tenda em tenda e ora se apresenta como amigo do Ocidente, ora faz chantagem, como sucedeu recentemente com a condenação de um grupo de enfermeiras búlgaras. Podíamos multiplicar os exemplos, citando países como a República Democrática do Congo ou a Nigéria, a Guiné-Bissau ou a Serra Leoa, mas a verdade é que a esmagadora maioria dos líderes africanos que por estes dias estão em Lisboa não só tem as mãos sujas de sangue como dirige de forma autocrática os seus países. De acordo com a Freedom House, dos 53 países africanos apenas 11 podem ser considerados livres, enquanto 20 são considerados não-livres e os restantes apenas parcialmente livres, sendo que a maior parte deles vive uma situação instável.É ao olhar para esta situação, e para como as derivas autoritárias se têm traduzido, por regra, num quebra do nível de vida e dos índices de desencolvimento humano, que só uma cegueira teimosa pode continuar a considerar que todos os males do continente são culpa dos colonizadores, como ontem fez Kadhafi (esquecendo-se de que falava numa cidade que já foi uma colónia árabe...) e como tem vindo a fazer o PCP. É também por isso que, apesar da obsessão oficial de querer fazer do "caso Mugabe" um fait-divers sem interesse que não deve estragar a cimeira, é necessário repetir que nunca África se libertará da sua condição sem melhorar a qualidade e a transparência dos seus muitos governos. Até porque não vale a pena ser hipócritas e dizer, piedosamente, que quando há corruptos há corruptores. Essa verdade lapalassiana ignora aquilo que praticamente todos os empresários portugueses que trabalham em Angola, por exemplo, sabem: ou há dinheiro por fora, ou não há negócio.Era bom que isso fosse dito em voz alta na cimeira que hoje começa em Lisboa.

Fonte: Editorial do Jornal Público, 08/12/07, http://jornal.publico.clix.pt/
Comenta, criticamente, o conteúdo do editorial do jornal público de 8 de Dezembro.
Nota: Não te esqueças que um editorial não constitui uma notícia mas apenas um artigo de opinião de um responsável do jornal (neste caso do director).

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

O fundamentalismo islâmico no Sudão


A iniciativa foi considerada “insultuosa para o profeta”

Professora britânica presa no Sudão por chamar Mohammed a um ursinho de peluche

26.11.2007 - 15h58 Reuters

Gillian Gibbons, uma professora inglesa de 54 anos radicada no Sudão, foi presa pelas autoridades sudanesas, sob acusação de ter deixado a sua turma do 2º ano baptizar um urso de peluche com o nome de Mohammed. Este exercício foi considerado “um insulto” ao profeta muçulmano e poderá valer a Gillian até três meses de prisão.Os colegas de Gillian Gibbons na Unity School dizem estar preocupados com a sua integridade física, tendo em conta que depois da sua detenção alguns activistas islâmicos se reuniram à porta da esquadra da polícia de Cartum, capital do Sudão. Estes professores dizem ainda que o erro de Gillian foi inocente, e que a votação do nome foi feita pelas crianças como parte de um projecto educativo.Robert Boulos, director da escola, explica que a professora seguia apenas um programa do currículo oficial britânico, relacionado com as diferentes espécies animais e os seus "habitats". Como o animal deste ano lectivo é o urso, a educadora pediu a uma das meninas do segundo ano que trouxesse o seu urso de peluche. Depois encorajou as crianças a darem-lhe um nome, para que posteriormente se escrevesse um diário sobre a interacção dos meninos com o brinquedo. O nome de Mohammed foi escolhido de entre oito possívies e votado por maioria (20 crianças em 23 votaram nessa opção). Boulos e respectivo corpo docente considera, por isso, que Gillian é inocente da acusação de blasfémia que agora enfrenta. A queixa foi fomentada por queixas formais vindas de pais muçulmanos.Uma das professoras, muçulmana e cuja filha frequentava a turma de Gibbons, referiu “não ter qualquer problema” com o nome, acrescentando que estava “apenas impressionada por Gillian ter conseguido que eles votassem”. Disse ainda que ela “nunca faria isso como um insulto” ao islamismo, opinião partilhada pelo director da escola.Gillian Gibbons enfrenta agora uma pena de até três meses de prisão, ao abrigo do artigo 125 da Constituição sudanesa, referente a blasfémias e insultos à fé e religião.Entretanto, a Unity School ficará fechada até Janeiro como medida preventiva. “Este é um assunto muito delicado, e estamos preocupados com a integridade física de Gillian”, foi a justificação dada por Boulos para esta medida.Os ministérios da Educação e da Justiça sudaneses revelaram-se indisponíveis para dar esclarecimentos sobre o caso.

Comenta o conteúdo da notícia, reflectindo sobre o fundamentalismo islâmico e a influência da religião islâmica nas leis do Sudão.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Portugal desce um lugar no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)

Portugal desce uma posição.

Está em 29º lugar no índice de desenvolvimento humano


Portugal desceu uma posição no índice de desenvolvimento humano das Nações Unidas, situando-se no 29º lugar, atrás de países como a Eslovénia, Grécia ou Singapura.
No relatório de Desenvolvimento Humano de 2007 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Portugal consegue 0,89 pontos num ranking que analisa dados relativos a 2005 em 177 países e regiões especiais.
A Islândia lidera com 0,96 pontos, num índice que visa avaliar o estado do desenvolvimento através da esperança média de vida, da alfabetização dos adultos e da escolarização, bem como indicadores de rendimento.
Entre os Estados-membros da União Europeia, Portugal ocupa a 17ª posição. Irlanda, Grécia, Eslovénia e Chipre estão à frente, para além dos países nórdicos e das potências europeias Espanha, França, Alemanha, Itália e Reino Unido.
Atrás de Portugal surgem a Polónia, a Húngria ou a Bulgária e países do resto do mundo como os Emirados Arabes Unidos, México, Rússia ou Brasil.
A taxa de escolarização bruta combinada dos ensinos primário, secundário e superior atinge os 89,8 por cento em Portugal, que viu aumentar de 92 por cento em 2004 para 93,8 por cento em 2005 a taxa de alfabetização de adultos.
A esperança de vida em Portugal situava-se em 2005 nos 77,7 anos e o valor do Produto Interno Bruto era de 20,4 dólares PPC (paridade poder de compra) per capita.
A Islândia, com 0,96 pontos, ultrapassou a Noruega, que foi número um no ranking nos últimos seis anos.

Fonte: http://jn.sapo.pt/2007/11/27/ultimas/Portugal_desce_uma_posi_o.html

Comenta o conteúdo da notícia, realçando os aspectos mais relevantes.

Distúrbios na periferia de Paris


Segunda noite de distúrbios na periferia de Paris
PHILIPPE DE POULPIQUET/epa


Distúrbios voltam aos subúrbios de Paris, dois anos depois. Pela segunda noite consecutiva registaram-se confrontos entre jovens e as forças de segurança, em Villiers-le-Bell, nos subúrbios de Paris, onde na véspera dois adolescentes morreram na sequência de um acidente envolvendo a sua moto e um carro policial. A Procuradoria francesa jé incumbiu a Inspecção-Geral da Polícia (IGPN) de realizar um inquérito por "homicídio involuntário e não assistência a pessoas em perigo". Os incidentes de ontem à noite ocorreram a cerca de 200 metros do local da colisão mortal e obrigaram a Polícia a usar balas de borracha e gás lacrimogénio para conter cerca de uma centana de jovens. Várias viaturas foram queimadas, incluindo um camião de recolha de lixo e um carro policial.Os acontecimentos das duas últimas noites trazem à memória a onda de violência de há dois anos, nos subúrbios da capital francesa. Na altura, centenas de pessoas ficaram feridas e mais de 10 mil veículos e 30 edifícios foram incendiados. A morte de dois jovens, no domingo à noite, esteve na origem dos distúrbios e logo nesse dia vários edifícios foram incendiados e polícias ficaram feridos. Durante seis horas de violência, grupos de jovens assaltaram ou incendiaram lojas, oficinas e postos policiais. No total, mais de 40 polícias e um bombeiro ficaram feridos durante os distúrbios e, pelo menos, 30 viaturas, duas garagens, dois postos policiais e várias lojas foram incendiadas. Os dois jovens, de 15 e 16 anos, que seguiam numa motorizada, morreram na sequência de uma colisão com um veículo da polícia, em circunstâncias ainda desconhecidas. Os polícias argumentam que o acidente foi motivado pela falta de cedência de prioridade pelos dois jovens num cruzamento, enquanto o veículo policial circulava "à velocidade regulamentar". Testemunhas afirmaram que os dois jovens, que acabariam por morrer, não usavam capacete de protecção. O irmão de uma das vítimas expressou, entretanto, a sua vontade de "que todos os polícias responsáveis (pelo acidente) sejam condenados". "Foi um acto de não assistência a pessoa em perigo", sublinhou, uma vez que, segundo ele, os polícias em causa "não permaneceram no local" após a colisão.
Comenta a notícia do JN, encontrando explicações para a conflitualidade social existente nos subúrbios de Paris.