domingo, 16 de março de 2008


Crise financeira coloca economia mundial em território desconhecido



15.03.2008, Sérgio Aníbal

Petróleo a 110 dólares, divisa norte-americana em queda e acesso ao crédito mais difícil. A economia mundial enfrenta um cenário nunca antes visto


Dólar com novos mínimos face ao euro, libra e iene. Petróleo, ouro e bens alimentares com máximos históricos. Clima de desconfiança e medo entre as instituições financeiras. E queda a pique dos preços e vendas de casas nos EUA, Reino Unido e Espanha. A combinação de notícias negativas que tem surgido, dia após dia, nos mercados internacionais está a colocar a economia mundial em território desconhecido, tornando cada vez mais difícil a tarefa das autoridades políticas e monetárias de limitarem os danos e controlarem a situação.Ontem, mantendo a tendência da última semana, repetiram-se os recordes, a instabilidade e as ameaças de falência nos mercados mundiais, fazendo parecer que tudo o que pode correr mal acaba, na actual conjuntura, mesmo por acontecer. Um dos primeiros problemas é a queda do dólar. Não é uma surpresa, tendo em conta excessos de endividamento cometidos ao longo da última década nos EUA, mas a verdade é que está a superar todas as expectativas. Aos preços de ontem, era possível trocar um euro por 1,54 dólares e com uma unidade da divisa norte-americana já não se conseguiam comprar nem 100 ienes. E se há sempre quem, a curto prazo, possa beneficiar com um dólar fraco - os exportadores norte-americanos e os turistas europeus, por exemplo - começa-se a chegar a um ponto em que, de uma forma ou de outra, todos acabam prejudicados. A queda do dólar, para além de colocar a Europa e Ásia em dificuldades para escoar as suas exportações, está também a contribuir de forma decisiva para a escalada de preços das matérias-primas. Os produtores colocam os seus bens nos mercados em dólares e pretendem, com uma subida de preços, compensar a perda de poder de compra que têm devido à quebra desta divisa. Desta forma se explica uma parte significativa da subida do preço do petróleo - que ontem já valia 111 dólares por barril - e dos preços de bens alimentares como o trigo e o milho. E aqui há outro problema. A subida poucas vezes vista dos preços nas matérias-primas, especialmente do petróleo, leva a que a inflação se mantenha persistentemente alta em quase todos os pontos do globo. Ontem, o Eurostat anunciou que, em Fevereiro, a inflação na Zona Euro subiu para um máximo de 3,3 por cento. Mais inflação significa não só uma perda de poder de compra dos consumidores, mas também menos espaço para que os bancos centrais, especialmente o europeu, possam cortar as suas taxas de juro e, assim, ajudar a contrariar o aperto de crédito a que se assiste nos mercados financeiros e a dar um estímulo para que as empresas e as famílias invistam e consumam mais.

Situação única

Os resultados desta combinação de factores já estão à vista, especialmente nos EUA. Ontem, Martin Feldstein, ex-presidente do NBER - a entidade que define nos EUA se a economia está ou não em recessão - já reconheceu que "a situação é muito má, está a ficar pior e os riscos apontam para que venha ainda a deteriorar-se mais". Esta declaração é apenas a última amostra da incapacidade que começam a revelar os economistas em antecipar quais podem ser as consequências desta combinação, muito poucas vezes vista, de factores negativos. "É uma situação relativamente única", afirma Luís Campos e Cunha. "Não é fácil encontrar paralelo histórico", reconhece João Ferreira do Amaral. O ex-ministro das Finanças diz estar "muito preocupado", especialmente depois da sequência de notícias do último mês, assinalando que "esta é uma crise que atinge o coração da economia, que é o sistema financeiro". Ferreira do Amaral, professor do ISEG, defende mais estímulos orçamentais e diz que "o BCE está a cometer um grave erro ao não descer taxas, aumentando as probabilidades de que a crise monetária e financeira se torne numa crise económica real". "Está aqui a ser jogado muito do futuro do estatuto do BCE", afirma. Campos e Cunha, pelo contrário, avisa que "as receitas tradicionais podem, neste caso, não funcionar" e afirma que a preocupação deve estar centrada em garantir que se "pode socorrer as entidades financeiras que entrem em dificuldades".






sexta-feira, 14 de março de 2008

Monges tibetanos lideram nova contestação

Centenas de pessoas manifestam-se na capital tibetana contra o domínio chinês

Centenas de pessoas juntaram-se hoje na capital tibetana em novas manifestações lideradas por monges budistas contra a administração chinesa no Tibete, queimando carros da polícia, com a tensão a aumentar na região, informou a Radio Free Ásia. De acordo com a agência Nova China, há notícia de feridos em resultado destas manifestações. De acordo com declarações de uma testemunha à mesma rádio, os manifestantes são já às centenas, incluindo monges e civis, e foram incendiados carros da polícia e do exército no centro de Lhasa. Estas são as mais recentes manifestações no Tibete, as maiores desde 1989, contra a administração chinesa da região, numa espiral de tensão que vem aumentando desde segunda-feira e que já levou dois monges a tentar o suicídio e as autoridades chinesas a cercar e encerrar mosteiros. O Departamento da Região Autónoma do Tibete em Pequim disse hoje à Lusa que os pedidos de autorização para entrada no Tibete estão suspensos."Não é possível pedir licenças de entrada", disse um funcionário do departamento, que não se identificou nem soube dizer quando será possível voltar a pedir autorizações de viagem para o Tibete, onde o governo chinês só permite a entrada de estrangeiros com um vistos de viagem especiais, que são quase sempre recusados aos jornalistas. A Radio Free Asia informou ainda que os monges budistas do mosteiro de Sera iniciaram ontem uma greve de fome dentro do próprio mosteiro e recusam comer ou dormir até que as autoridades libertem os monges alegadamente presos ao longo das manifestações desta semana. "Há uma atmosfera crescente de medo e tensão em Lhasa no momento", disse à imprensa estrangeira Kate Saunders, porta-voz da organização Campanha Internacional pelo Tibete (CIT), sedeada em Londres. "Muitos outros monges estão também a ferir-se a si próprios em desespero,"disse uma fonte anónima à Rádio Free Asia. De acordo com a CIT, as manifestações estenderam-se já aos mosteiros de Reting e de Ganden, para além de Sera, os mais importantes mosteiros da região, chamados "três pilares do Tibete". Milhares de militares e de elementos da polícia paramilitar cercaram os três mosteiros, segundo a CIT. Uma agência de viagens de Pequim confirmou hoje à Lusa ter informações que "os três mosteiros estão fechados a visitas de grupos turísticos". As manifestações voltam a pôr em causa a forma como a China administra o Tibete, poucos meses antes dos Jogos Olímpicos de Pequim 2008, que decorrem entre 8 e 24 de Agosto. Os protestos começaram na segunda-feira, o aniversário da entrada das tropas chinesas no Tibete em 1959, para esmagar uma revolta falhada contra a presença da China na região e na sequência a qual o Dalai Lama, líder religioso tibetano, partiu para o exílio na Índia. A China insiste que o Dalai Lama não é um líder religioso mas sim um líder político separatista que busca a independência do Tibete. O Dalai Lama, Prémio Nobel da Paz em 1989 pela sua dedicação não-violenta pela causa tibetana, diz ter abandonado as exigências iniciais de independência para o Tibete, defendendo uma "autonomia real e significativa" que preserve a cultura, a língua e o meio ambiente tibetanos.

Fonte: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1322589&idCanal=11 (14/03/08)

terça-feira, 11 de março de 2008

Migrações no século XXI causadas pelo aquecimento global

Relatório sobre as consequências das alterações climáticas discutido quinta-feira em Bruxelas




As alterações climáticas vão pôr as populações mundiais em movimento durante as próximas décadas. Esta é uma das conclusões do relatório feito por Javier Solana, alto-comissário de política externa e da segurança comum da União Europeia (UE), e Benita Ferrero-Waldner, comissária europeia das Relações Externas. O documento, que vai ser apresentado na próxima quinta-feira em Bruxelas, no Conselho Europeu, adverte para um futuro com falta de recursos, problemas sociais e conflitos políticos. No relatório de sete páginas a que o diário britânico "Guardian" teve acesso, fica claro que as consequências do aquecimento global vão para além das crises humanitárias, pondo também em risco as relações políticas entre os países. As alterações climáticas provocam problemas que podem trazer ainda mais ameaças porque “agravam os stresses e as tensões que existem dentro e entre os países”, sublinha Javier Solana, num artigo de opinião publicado na edição on-line do "Guardian". Segundo o documento, estas tensões já estão a ser sentidas. No último ano, os apelos humanitárias feitos às Nações Unidas foram maioritariamente relacionados com as alterações climáticas. Alguns países já exigiram à comunidade internacional que este fenómeno seja reconhecido como uma razão válida para a emigração. No futuro, prevê-se que este tipo de movimentos migratórios irá afectar milhões de pessoas. O recuo das zonas costeiras vai diminuir o território de vários países e pôr em risco a vida de um quinto da população mundial. A falta de água e a desertificação, a redução de terreno arável e das reservas piscícolas e a competição pelos recursos energéticos cujas reservas encontram-se em zonas vulneráveis a estes fenómenos, vão ter repercussões a nível mundial.Do ponto de vista social, todas estas pressões podem instigar conflitos étnicos e religiosos e radicalizar as tendências políticas dos países. O relatório adverte que as regiões futuramente mais afectadas englobam os países de terceiro mundo, com menor capacidade de resposta. Estes países “não são os maiores responsáveis pelas alterações climáticas”, diz Solana, “o que pode incentivar políticas de ressentimento.”


Árctico: Conflito no Horizonte


A Europa já antevê o seu problema caseiro. À medida que as calotes de gelo do Árctico vão deixando de existir, novas vias marítimas tornam-se apetecíveis para as nações que rodeiam o Pólo Norte. Ao mesmo tempo, enormes reservas de hidrocarbonetos ficam disponíveis para quem lhes quiser deitar a mão. No ano passado, a bandeira russa hasteada no leito marinho do Árctico foi mal vista pela comunidade internacional, que interpretou o gesto como um sinal e aviso do interesse da Rússia naquela área. Javier Solana refere a importância de se discutir este problema, “com a subida das águas e o derretimento dos gelos, aumenta a necessidade do debate sobre a pertença territorial, as zonas económicas exclusivas e o acesso a novas rotas comercias.” Para o comissário a discussão científica acerca das alterações climática já acabou. É altura para consciencializar o mundo e ajudar os países que mais vão sofrer com este fenómeno, para que possam desenvolver formas de o combater. À Europa, como provável destino de futuras migrações, esperam-lhe novos desafios. Quinta-feira, os líderes da UE poderão começar a desenhar uma resposta internacional para esta problemática.

domingo, 9 de março de 2008

A viagem da minha vida

Depois de termos abordado na aula a matéria dos fluxos turísticos, seria interessante que partilhassem uns com os outros descrevendo a viagem da vossa vida. Pode ser a viagem que mais vos marcou, até ao momento, ou aquela que gostariam muito, um dia, de a concretizar: a viagem dos vossos sonhos.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Amorim suplanta Belmiro na lista dos mais ricos da revista Forbes
07.03.2008, José Manuel Rocha

No topo do ranking, também há novidades. Bill Gates perde liderança que mantinha há 13 anos para Warren Buffet e desce ao terceiro lugar da lista
Warren Buffet

É uma autêntica revolução na lista dos mais ricos do planeta. A conhecida revista Forbes revelou ontem quem é quem no reino dos multimilionários. Com fortes novidades à mistura: Américo Amorim destrona Belmiro de Azevedo em Portugal; e Warren Buffet conquista o primeiro lugar mundial ao fundador da Microsoft, Bill Gates.
Entre paredes, o "rei da cortiça" é, de facto, a grande novidade. Para além de ter entrado para a lista da conhecida revista norte-americana, fê-lo logo para primeiro lugar do ranking de portugueses (quatro este ano). Com um património de 4,6 mil milhões de euros, Américo Amorim suplanta, assim, o líder do grupo Sonae, a quem é atribuída uma fortuna de 1,33 mil milhões de euros. O facto de deter cerca de um terço das acções da Galp Energia, empresa que tem registado uma forte valorização bolsista, ajuda a explicar o salto dado por Américo Amorim. A classificação da Forbes é feita com base na capitalização bolsista dos activos dos indivíduos analisados. Mas, no que a Portugal diz respeito, as novidades não se ficam por aqui. Joe Berardo e Horácio Roque entraram também para a lista dos multimilionários (que têm mais de um milhão de dólares, segundo a revista). O investidor madeirense, que é accionista de referência do BCP, é "avaliado" em 1,18 mil milhões de euros. Ao dono do Banif é creditada uma fortuna de cerca de 920 milhões de euros. Desde a morte de António Champalimaud que a representação portuguesa na lista da Forbes se resumia à presença do patrão da Sonae (a que pertence a Sonaecom, proprietária do PÚBLICO). Quanto à verdadeira nata do ranking ontem divulgado, a surpresa chama-se Warren Buffet, que surge no primeiro lugar da lista, assim destronando o fundador da Microsoft, Bill Gates, que reinou durante 13 anos. A fortuna de Buffet foi avaliada pela Forbes em 40 mil milhões de euros (cerca de um quarto do produto interno bruto português). O conhecido investidor norte-americano terá visto a sua fortuna aumentar mais de 6,6 mil milhões de euros, essencialmente devido à valorização das acções da holding que controla, a Berkshire Hathaway. Gates, no entanto, não foi apenas ultrapassado por Buffet. Também viu passar-lhe à frente o mexicano Carlos Slim (que chegou a deter uma participação qualificada na Portugal Telecom, por alturas da OPA da Sonae-com). O património de Slim é avaliado em 39,5 mil milhões de euros. A lista da Forbes encerra algumas outras confirmações e novidades. Do lado das confirmações, o facto de haver uma longa comitiva de norte--americanos nos principais postos. Do lado das novidades, o fortíssimo assalto de indianos aos lugares mais apetecidos (o top 10). A exponencial valorização da bolsa indiana em 2007 (quase 55 por cento) poderá explicar este facto. A exemplo de outros anos, também a Rússia tem uma forte presença no pelotão dos ricos, feita à custa dos jovens investidores a quem Boris Ieltsin vendeu quase ao desbarato as principais empresas públicas - energia, metalurgia pesada, metalomecânica, banca e seguros.

Em complemento, consulta a lista de países por PIB nominal do Banco Mundial e compara com as maiores fortunas do planeta.

quinta-feira, 6 de março de 2008

À semelhança do que fez o Kosovo

Ossétia do Sul pede à UE, ONU e Rússia que reconheçam a sua independência
05.03.2008 - 11h20 AFP

A Ossétia do Sul, região separatista pró-russa da Geórgia, pediu hoje à Rússia, à ONU e à União Europeia que reconheçam a sua independência, à semelhança do que aconteceu recentemente no Kosovo, avançaram as agências russas. O apelo foi validado por um voto, hoje, no "Parlamento" da Ossétia do Sul, cuja independência unilateral declarada em 1990 não é reconhecida por nenhum país, nomeadamente pela Rússia, precisam as agências russas."O Parlamento da Ossétia do Sul pede ao secretário-geral da ONU, ao Presidente russo e à direcção dos países da União Europeia que reconheçam a independência da república da Ossétia do Sul", indica um comunicado publicado no site do "ministério da informação" da região independentista. A Ossétia do Sul e a Abkhazia, as duas regiões independentistas da Geórgia, advertiram desde o dia 17 de Fevereiro, dia da proclamação da independência do Kosovo, que iriam pedir à Rússia, ao Conselho de Segurança da ONU e à UE que também passassem a reconhecer as suas independências. Depois de terem alertado contra o risco de um "efeito dominó" com o Kosovo, as autoridades russas excluiram o reconhecimento da Ossétia do Sul e da Abkhazia, após a declaração de independência kosovar. O "presidente" da Abkhazia, Serguei Bagapch, anunciou por seu lado à agência russa Interfax que o seu "Parlamento" tomará a mesma atitude - pedir o reconhecimento da independência - até ao final desta semana.Quer a Ossétia do Sul quer a Abkhazia proclamaram as suas independências logo após o final da URSS (em 1990 e 1992, respectivamente), o que tem causado, ao longo dos anos, o confronto com as forças da Geórgia.


Fonte: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1321652&idCanal=11 (06/03/08)



Geórgia
Abkhazia pede reconhecimento internacional da sua independência
07.03.2008 - 14h26 AFP


A região separatista pró-russa da Abkhazia, na Geórgia, pediu hoje à comunidade internacional que reconheça a sua independência, declarada unilateralmente após a queda da URSS, avançam as agências noticiosas russas."Após o reconhecimento da independência do Kosovo por um grande número de Estados Ocidentais, a situação geopolítica mudou de maneira significativa e as condições são favoráveis ao reconhecimento da independência da Abkhazia", estimou o "Parlamento" abkhaze numa declaração citada pela Itar-Tass e pela Interfax. O "Parlamento" abkhaze dirige-se, no documento, às duas câmaras do Parlamento russo, à ONU e à Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), precisam as agências. O "Parlamento" da Ossétia do Sul, outro território separatista pró-russo na Geórgia, adoptou terça-feira uma declaração similar. A Duma, câmara baixa do Parlamento russo, vai examinar a questão na próxima quinta-feira, no quadro de uma sessão dedicada aos problemas da Comunidade dos Estados Independentes, avançou a Itar Tass."Um dos temas centrar-se-á nos pedidos de reconhecimento de independência da Abkhazia e da Ossétia do Sul recebidos pela Rússia", declarou o primeiro adjunto do chefe da comissão dos Negócios Estrangeiros da Duma, Leonid Sloutski, citado pela Itar-Tass."A Rússia não põe em causa a integridade territorial da Geórgia", precisou, porém, Leonid Sloutski, deixando entender que Moscovo não reconhece os dois territórios. A Abkhazia e a Ossétia do Sul, duas regiões limitrofes da Rússia, proclamaram unilateralmente a sua independência após a queda da União Soviética e desde essa altura que têm lutado pela autodeterminação contra as forças georgianas.

Fonte: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1321916&idCanal=11 (07/03/08)

Novos "Kosovos" em perspectiva? Será que se vai confirmar o "efeito de Dominó" de que tanto se falava a propósito da declaração de independência do Kosovo?

quarta-feira, 5 de março de 2008



Crianças forçados em guerras de adultos



Em mais de vinte países as crianças participam directamente em guerras. É-lhes negada a infância a que têm direito e são presenteadas com o horror e a morte. Estima-se que entre 200 a 300 mil crianças tenham servido como soldados em conflitos actualmente em curso, quer fazendo parte de grupos rebeldes quer de forças governamentais. Estas crianças participam em todos os aspectos que fazem parte das guerras contemporâneas. Disparam armas na frente de combate, servem de detectores humanos de minas, participam em missões suicidas, carregam mantimentos e actuam como espiões, mensageiros ou vigias.
Psicologicamente vulneráveis e facilmente intimidáveis, as crianças tornam-se soldados obedientes. Muitas são sequestradas ou recrutadas à força, e geralmente intimadas a cumprir ordens sob ameaça de morte. Outras, juntam-se a grupos armados por desespero. À medida que o conflito vai destruindo a sociedade, deixando as crianças sem escola, obrigando-as a sair das suas casas ou a separar-se das famílias, muitas percebem que o ingresso nos grupos armados é a sua única hipótese de sobrevivência. Outras ainda, ao ingressar em grupos militares procuram apenas escapar à pobreza ou vingar membros da família que tenham sido mortos por facções opostas. O Observatório dos Direitos Humanos (Human Rights Watch) tem denunciado vários países pela utilização de crianças-soldado: Angola, Birmânia, Burundi, Colômbia, República Democrática do Congo, Líbano, Libéria, Serra Leoa, Sri Lanka, Sudão, Uganda. A UNICEF tem realizado programas de desmobilização de crianças-soldado, em países como a Serra Leoa e o Afeganistão. A ideia é dar novas oportunidades a estas crianças, nomeadamente através da escolarização. A falta de fundos ou quebra nos apoios internacionais compromete muitas vezes estes programas. A fragilidade dos acordos de paz assinados pelas partes envolvidas nos conflitos e tantas vezes violados também contribui para o fracasso da tentativa de desmobilização das crianças-soldado. Acresce que muitas das crianças ex-soldado quando regressam a casa não têm já uma estrutura familiar à sua espera. Os programas apontam ainda a necessidade de ajudar as crianças a adaptar-se à nova realidade existente nas suas comunidades. A mensagem da UNICEF é a aposta na educação. Recentemente, em Fevereiro de 2007, durante a Conferência Internacional de Paris sobre as Crianças-soldado, os 58 países presentes comprometeram-se a lutar pela libertação incondicional destas crianças. Entre os compromissos assumidos num documento que resultou da conferência, pede-se aos Estados que as crianças-soldado sejam vistas como vítimas antes de serem acusadas de crimes aos olhos do direito internacional. Pede-se também que um menor que fuja ao recrutamento seja beneficiado pelo direito de asilo. Uma última chamada de atenção vai para o facto de as meninas estarem excluídas dos programas e das iniciativas diplomáticas sobre as crianças-soldado. Uma situação que os países participantes se comprometeram a "reverter e a corrigir". Nas várias abordagens internacionais relativas ao problema, entende-se por criança-soldado qualquer pessoa que tenha menos de 18 anos e faça parte de qualquer tipo de força armada organizada ou não organizada. A definição nunca se refere apenas a crianças que usem ou tenham usado armas. Vai mais longe. Aplica-se a crianças que possam ter desempenhado no grupo armado funções tão diversas como transportar equipamentos, cozinhar ou servir de mensageiros. E a raparigas que tenham sido recrutadas para fins sexuais ou para «casamentos» forçados.


Notas recolhidas nos relatórios do Observatório dos Direitos Humanos (Human Rights Watch) sobre crianças-soldado




Nepal (Janeiro de 2007)


Milhares de crianças foram recrutadas pelo Partido Comunista do Nepal (Maoísta) durante 10 anos de guerra civil. Crianças estiveram na linha da frente do conflito, receberam treino em armas e realizaram acções de suporte militar e logístico cruciais aos Maoístas. Apesar do governo ter assinado um acordo de paz, em Novembro de 2006, os Maoístas continuaram a recrutar crianças tendo recusado libertar algumas que já integravam as suas forças.




Sri Lanka (Janeiro de 2007)


O grupo Karuna tem sequestrado centenas de crianças no Sri Lanka Oriental para combater. Este grupo é liderado pelo antigo comandante de um outro grupo, os Tigres de Libertação da Pátria Tamil, e seu actual opositor. As forças de segurança governamental longe de parar os sequestros facilitam o trabalho aos sequestradores, permitindo o transporte das crianças por postos de segurança a caminho dos campos de treino. A denúncia consta do último relatório do Observatório dos Direitos Humanos.




Burundi (Junho 2006)


Longe de casa Durante os treze anos da guerra civil no Burundi, crianças têm sido recrutadas e usadas como combatentes pelos dois lados envolvidos no conflito. Mais de três mil crianças foram desmobilizadas, mas o grupo rebelde denominado Forças de Libertação Nacional (FLN) continua a usar crianças como combatentes e como auxiliares em várias tarefas logísticas. Por outro lado, dezenas de crianças que serviram ou são acusadas de ter servido como soldados nas FLN estão agora sob custódia governamental, no entanto, sem qualquer tipo de assistência.




África Ocidental (Março 2005)


Juventude, pobreza e sangue: A herança letal dos guerreiros regionais Desde 1989, jovens soldados têm lutado em conflitos armados na Libéria, Serra Leoa, Guiné, Costa do Marfim, sempre cruzando fronteiras entre países vizinhos para lutar pelo seu sustento económico como mercenários.




Libéria (Fevereiro 2004)


Mais de 15 mil crianças-soldado lutaram nos dois lados da guerra civil na Libéria e muitas unidades eram formadas essencialmente por crianças. O relatório do Observatório dos Direitos Humanos sobre este país, assinala não apenas os abusos cometidos sobre as crianças-soldado, como as violações que estas foram forçadas a exercer sobre os civis. O relatório alerta que a paz na África Ocidental vai depender do sucesso da reintegração das crianças-soldado na sociedade.




Colômbia (Setembro 2003)


Mais de 11 mil crianças combatem no conflito armado na Colômbia tanto do lado da guerrilha como das forças paramilitares. Ambas as forças confiam às crianças-soldado a execução de verdadeiras atrocidades, tais como executar outras crianças no deserto. A guerrilha chama "abelhinhas" (little bees) às crianças-soldado por serem capazes de "picar" antes que o seu alvo se aperceba que está sob um ataque. Os paramilitares chamam-lhes "pequenas campainhas" (little bells), referindo-se à sua utilização como sistema de alarme. Desde 1998 que o recrutamento de crianças-soldado tem aumentado, de acordo com vários relatórios de organizações não governamentais.




Angola (Abril de 2003)


Abril de 2003 marca um ano sobre a data do acordo de paz em Angola. Tanto o maior grupo armado da oposição, União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), como o governo, usaram crianças como soldados nos seus exércitos durante a guerra. Os grupos de defesa dos direitos das crianças estimam que mais de 11 mil crianças estiveram envolvidas nos últimos anos da guerra. No entanto, estas crianças-soldado foram excluídas dos programas de desmobilização.




Uganda (Março de 2003)


O Exército de Resistência do Senhor (LRA) no norte do Uganda atingiu números recorde de sequestro de crianças tendo-as submetido a um tratamento brutal, como soldados, trabalhadores e escravos sexuais. Em 2002, estimava-se que cinco mil crianças tivessem sido sequestradas, um número que um ano antes era de menos de 100 crianças. Os rebeldes raptavam crianças de oito anos nas escolas e nas suas casas, as meninas eram usadas como "esposas" dos combatentes rebeldes.




Serra Leoa (Julho de 2003)


Uma denúncia da UNICEF alerta para o perigo que acarreta a falta de fundos internacionais para a reintegração de mais de sete mil crianças outrora combatentes nas guerras civis naquele território. O acordo de paz estabelecido na Serra Leoa, em 2000, prometia educação para as crianças ex-soldado como forma de lhes possibilitar estruturar-se para a sua sobrevivência. Muitas destas crianças tinham-se juntado aos grupos armados por falta de alternativas. "Só através de programas de formação se lhes abrirão as portas do futuro", alerta a UNICEF num comunicado.




Birmânia (Outubro de 2002)


Acredita-se que a Birmânia tenha o maior número de crianças-soldado do mundo. A larga maioria combate no exército de libertação da Birmânia, o Tatmadaw Kyi que consecutivamente recruta crianças de 11 anos. Estas são submetidas a treinos brutais e forçadas a participar nos combates e nos abusos cometidos contra os civis. As crianças estão também presentes em grupos opositores, ainda que em número bastante inferior.

Autor do Artigo: Andreia Lobo
Jornalista, A Página da Educação
Como é possível existirem situações como estas que vos são apresentadas?
Como vão ser estas crianças quando forem adultas (se sobreviverem)?

segunda-feira, 3 de março de 2008

Tensão agrava-se na América Latina após incursão militar colombiana no Equador

03.03.2008 - 17h49 AFP, PÚBLICO

A tensão na América Latina não pára de aumentar na sequência da entrada de tropas colombianas no Equador para eliminar o “número dois” das FARC, sábado passado, naquela que é já considerada a mais grave crise da década na região. Tanto o Equador como a Venezuela enviaram milhares de soldados para a fronteira com a Colômbia, ao mesmo tempo que romperam, “de facto”, as relações diplomáticas com Bogotá, expulsando os embaixadores do país e chamando os seus diplomatas acreditados no país vizinho. Esta manhã, o Ministério da Defesa do Equador colocou em “estado de alerta máximo” as forças armadas do país, ordenando a realização de “patrulhas na fronteira” com a Colômbia, adianta a AFP. Bogotá critica a reacção dos países vizinhos a uma operação que considera legítima e garante que não tomará parte em qualquer escalada militar. “Temos capacidade para mobilizar as nossas tropas, mas não vemos qualquer necessidade de o fazer”, afirmou o ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos.O “número dois” das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) foi morto anteontem, no Norte do Equador, por um comando militar colombiano que atravessou a fronteira para atacar uma base recuada da guerrilha, matando outros 17 rebeldes. A operação, que não terá sido comunicada às autoridades locais, ocorreu dias depois das FARC terem libertado quatro ex-congressistas colombianos, num processo mediado pelo Presidente venezuelano, Hugo Chávez.
Uribe acusa países vizinhos de usarem reféns como mercadoria
O Presidente equatoriano, Rafael Correa, apelidou de “mentiroso” o seu homólogo colombiano, Álvaro Uribe, depois de este ter dito que os militares colombianos se limitaram a reagir a um ataque da guerrilha. Na resposta, Bogotá acusou Correa de ter cedido à guerrilha, a fim de lhe ser reconhecido o papel de mediador nas negociações para a libertação de mais reféns. Uribe chegou mesmo a afirmar que “certos governos” usam a questão dos reféns como “mercadoria” para “ganhar dividendos políticos”. O Governo colombiano promete entregar à ONU e à Organização de Estados Americanos (OEA) “revelações sobre os acordos entre o grupo terrorista das FARC e os Governos do Equador e da Venezuela. Há vários anos que as FARC instalaram nos países vizinhos bases recuadas, para onde se retiram para fugir à perseguição dos militares colombianos. Mas a incursão de sábado veio dar uma componente militar a uma questão que era até agora tratada no domínio diplomático. “A situação é explosiva, os Exércitos estão nas fronteiras e a questão das FARC transforma-se num problema regional, até mesmo internacional”, sublinhou um diplomata europeu, que falou à AFP sob condição de anonimato.A questão poderá complicar-se ainda mais depois da Administração norte-americana – que há anos apoia militarmente a Colômbia sob o pretexto de combate ao narcotráfico – ter garantido total solidariedade com Uribe. “Apoiaremos o Governo colombiano no seu combate contra as organizações terroristas que ameaçam a democracia e a estabilidade”, garantiu um porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, pedindo também “contenção” aos países vizinhos.
Mais uma vez a Colômbia, as FARC, a Venezuela e Hugo Chavéz e agora, também, o Equador!
Será que vai haver mais uma guerra, à escala regional, na América Latina?

sábado, 23 de fevereiro de 2008

O desemprego nos jovens licenciados portugueses


Cursos de Psicologia dominam lista de diplomados sem trabalho
23.02.2008, Isabel Leiria

Os quase 40 mil licenciados que estavam inscritos no ano passado em centros de emprego são sobretudo mulheres, jovens e da área das Ciências Sociais

A situação varia de escola para escola, mas, olhando para os cursos que mais estão a contribuir para o desemprego, surgem à cabeça formações como Psicologia, Serviço Social, Economia, Educação e até áreas menos previsíveis, como Enfermagem. Só em Psicologia, existiam, em Dezembro de 2007, cerca de mil licenciados inscritos em centros de emprego. Enfermeiros eram para cima de duas centenas. No caso do Instituto Superior de Saúde do Vale do Ave, 49 dos 66 diplomados em Enfermagem no último ano lectivo estavam nesta situação. Os cursos de Direito nas prestigiadas universidades de Lisboa e de Coimbra também não conseguem dar vazão a todas as centenas de jovens que formam anualmente e contribuíram para este universo com mais de 100 desempregados cada. Estes são apenas alguns dos muitos dados que se podem retirar do estudo A procura de emprego dos diplomados com habilitação superior, divulgado ontem pelo Ministério da Ciência e Ensino Superior. Trata-se do primeiro levantamento de inscritos nos centros de emprego do continente com a indicação (para a maioria da população) do curso e escola que frequentaram. Globalmente, em Dezembro de 2007, estavam registados nos centros de emprego 39.627 diplomados do ensino superior, o equivalente a 4,5 por cento da população entre os 15 e os 64 anos que tem esta formação. O número de desempregados deste nível será, no entanto superior, já que nem todos se inscrevem nos centros. As últimas estimativas do INE apontavam para um valor próximo dos 60 mil. Outras características desta população: são jovens (75 por cento têm menos de 35 anos), inscreveram-se há menos de um ano (75 por cento), estão particularmente concentrados na Região Norte (41 por cento) e são maioritariamente mulheres. Elas já estão em maioria na população geral desempregada, mas a dificuldade em encontrar trabalho parece agravar-se com o aumento das habilitações: a taxa passa de 59 por cento de inscritas sem habilitação superior para 71 por cento entre as que têm esse nível de ensino. Mas, mais do que traçar o perfil geral do desemprego qualificado, o estudo (que será actualizado e divulgado de seis em seis meses) permite perceber quais as instituições e cursos com mais dificuldades de empregabilidade, pelo menos no que respeita a uma inserção rápida. As Ciências Sociais e do Comportamento são as mais representadas: constituem oito por cento do total de pessoas formadas e 13 por cento dos inscritos nos centros de emprego. As licenciaturas em Psicologia contribuem muito para esta situa-ção, encontrando-se no topo da tabela com maior número de desempregados instituições públicas e privadas, do litoral e do interior. Humanidades e Serviços Sociais destacam-se também pela negativa. A Formação de Professores é a área com mais inscritos há um ano (20 por cento). De resto, o estudo também mostra que o desemprego atinge de igual forma os jovens formados no ensino público e no privado, atendendo mais uma vez ao peso relativo de cada subsistema. Já o mesmo não acontece quando se olha para o tipo de ensino, com uma contribuição relativa superior do ensino universitário para as inscrições em centros de emprego, face aos politécnicos. Os licenciados são os mais atingidos pelo desemprego, mas existem ainda 457 mestres e 66 doutorados (0,2 por cento) inscritos em centros de emprego. Apesar da dimensão dos números, o estudo também mostra que a situação para os jovens licenciados não tem piorado. O número de inscritos em centros de emprego em Dezembro de 2007 diminuiu 6,5 por cento em relação ao mesmo mês de 2006. E manteve-se praticamente igual ao valor de Dezembro de 2003. Com uma diferença: ao longo deste período, a população com habilitação superior aumentou 20 por cento, o que "revela a capacidade do mercado de trabalho para absorver os novos diplomados". A dificuldade em encontrar trabalho parece agravar-se para as mulheresquando aumentam as habilitações 75% dos inscritos nos centros de emprego são jovens com menos de 35 anos e 41 por cento são oriundos do Norte

Há 43 mil licenciados a fazer trabalhos pouco ou nada qualificados
23.02.2008

Pelo menos 43 mil licenciados desempenhavam em 2007 trabalhos de baixa qualificação ou não qualificados, como limpezas ou construção civil, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Sem emprego nas suas áreas, dizem-se "dispostos a tudo" para sobreviver. De acordo com números estimados pelo INE com base no Inquérito ao Emprego, 7200 pessoas com formação académica superior estavam, no ano passado, empregadas em trabalhos não qualificados. Vendedores por telefone ou ao domicílio, pessoal de limpeza, lavadeiras e engomadores de roupa, empregadas domésticas ou estafetas são alguns dos exemplos constantes da lista de trabalhos não qualificados, segundo a classificação nacional de profissões. A estes, somam-se mais de 35.800 licenciados em trabalhos de baixa qualificação (nas quais se integram, segundo o INE, categorias como "operadores de máquinas e trabalhadores de montagem", "operários, artífices e trabalhadores similares" ou "pessoal dos serviços e vendedores"). No total, são 43 mil os diplomados nestas situações, mais cinco mil do que em 2006. No entanto, o verdadeiro número de pessoas com excesso de formação para o trabalho que desempenham pode ser muito superior, uma vez que aquele conjunto não abrange os 46 mil licenciados que integram o "pessoal administrativo e similares", uma categoria que inclui empregados de recepção, telefonistas ou cobradores de portagem, por exemplo, além de funções mais qualificadas como escriturários ou gestores de conta bancária."Estão a aumentar os casos de não correspondência entre as habilitações e o tipo de trabalho", disse à Lusa Marinus Pires de Lima, investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e especialista em Sociologia do Trabalho. Isto deve-se, por um lado, "ao aumento do desemprego e, por outro, à falta de articulação entre as universidades e o mercado de trabalho". A formação nem sempre corresponde às necessidades, acrescenta. Apesar do número de diplomados por ano ter quase duplicado entre 1997/98 e 2005/06 - atingindo os 71.828 -, Portugal continua a ser o segundo país da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) com a menor percentagem de pessoas com formação académica superior, apenas à frente de Itália. Ainda assim, os diplomados têm cada vez mais dificuldade em arranjar colocação. A taxa de desemprego entre as pessoas com habilitações superiores mais do que duplicou desde 2002 e hoje são quase 60 mil os que não conseguem um lugar no mercado. Fartos de esperar por um emprego condicente com os anos que dedicaram aos estudos, muitos jovens licenciados "arrumam" o diploma na gaveta e dirigem-se a empresas de trabalho temporário, dispostos a aceitar qualquer tarefa por qualquer remuneração. "Cerca de 80 por cento de todos os currículos que recebemos são de licenciados. São sobretudo da área das Ciências Sociais, embora também comecem a aumentar na área das Ciências Exactas", disse à Lusa Sónia Silva, directora da Select, uma das maiores empresas de trabalho temporário a operar em Portugal. Só no mundo dos call centers, onde o pagamento à hora fica em média pelos 2,5 euros, 35 por cento dos cerca de 7500 operadores têm um curso superior.Também nos super e hipermercados são cada vez mais os diplomados na reposição de stocks ou atrás das caixas registadoras. O grupo Auchan, proprietário das marcas Jumbo e Pão de Açúcar e um dos líderes no sector da distribuição alimentar, não foge à regra. Cerca de dez por cento dos seus 7100 colaboradores têm um "canudo"; 270 são operadores de caixa. PS, CDS e BE reagiram ontem a estes números. Consideram que existe, desde há anos, uma desarticulação entre as necessidades do mercado de trabalho e a política educativa. E o deputado do CDS Pedro Mota Soares defendeu mesmo a "publicação de um ranking das universidades pela taxa de colocação de licenciados no mercado". Ana Drago, do BE, afirmou que o problema só tem solução se forem tomadas medidas complementares ao nível da "modernização da própria economia". "Grande parte do que é hoje o tecido económico nacional é muito pouco competitivo, muito pouco modernizado e pouco adaptado àquilo que são as exigências do mercado europeu. Isso tem conduzido a que muitos jovens que têm apostado na sua formação não consigam de facto encontrar emprego."Também o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Jorge Ortiga, defendeu uma maior aposta em políticas de apoio aos jovens que procuram o primeiro emprego: "Criar condições de igualdade de oportunidades para todos deve ser a primeira responsabilidade dos poderes políticos e das autoridades". "A realidade do primeiro emprego é uma situação que me preocupa, porque se trata de um problema nacional", disse, lembrando que o "trabalho é um direito para todo e qualquer cidadão".
Joana Pereira Bastos, Lusa
"Qualquer jovem que aposte no ensino superior está a fazer uma boa aposta"
23.02.2008

Há milhares de diplomados licenciados? Há muitos em empregos pouco qualificados? A culpa é da "gravíssima crise económica" que o país vive, diz Manuel Villaverde Cabral, sociólogo do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. "A culpa não é das universidades."Villaverde Cabral dá mesmo um conselho aos pais dos recém-licenciados: se o filho não arranjar trabalho quando acaba o curso, o ideal - "se a família tiver possibilidade para suportar isso" - é que prossiga os estudos, para um mestrado, por exemplo. Já perder tempo num emprego desqualificado onde não adquire experiência nem conhecimento - e ambas as coisas podem fazer a diferença quando, num concurso, se está competir com outros diplomados - é menos aconselhável.Os números ontem divulgados não surpreendem o sociólogo. Afinal, explica, o sector privado português não contrata gente qualificada e o Estado, pressionado pela contenção orçamental, fá-lo cada vez menos. Qual é a solução? Na opinião do sociólogo, o Governo deve, antes de mais, abster-se de intervir no número de vagas que cada curso superior abre - "o ideal é não se meter de todo". Se não há empregos, "o melhor é deixarem as pessoas tirar os cursos".Villaverde Cabral acredita que "deve ser o mercado a fazer a regulação" - "na Universidade de Lisboa, temos duas faculdades que formam professores que viram o número de candidatos reduzir muito porque os jovens perceberam que não tinham saídas no mercado de trabalho e deixaram de vir". De resto, Portugal está longe de ter licenciados a mais: "Qualquer jovem que aposte no ensino superior está a fazer uma boa aposta, porque ficará menos tempo desempregado e ser-lhe-á mais fácil atingir uma posição melhor no mercado de trabalho." Em média, um licenciado recebe, em Portugal, 80 por cento mais do que um trabalhador com o secundário, revelou um estudo recente da OCDE.
Andreia Sanches

Gostaria de não ter publicado este post, especialmente por causa das duas primeiras notícias e por vocês se encontrarem no final do secundário, num curso de Ciências Sociais e Humanas. No entanto, não devemos "enfiar a cabeça na areia" e fazer de conta que esta realidade não existe. Têm que se consciencializar que o futuro não será propriamente fácil e que vão ter que lutar muito para conseguir vencer na vida. Têm que acreditar em vocês próprios e nas vossas capacidades e com muita determinação e perseverança (e algum sacrifício) poderão atingir os vossos objectivos pessoais.
A última notícia deixa algum optimismo. Mostra que, apesar de todas as dificuldades, é preferível ter uma licenciatura (ou mestrado) do que apenas o secundário. Ou seja, ainda vale a pena lutar. Mas têm que ser muito bons naquilo que fizerem.







SEDES alerta para crise social de contornos difíceis de prever

O Estado e os políticos são os principais visados

21.02.2008 - 23h00 Luciano Alvarez

Sente-se em Portugal “um mal estar difuso”, que “alastra e mina a confiança essencial à coesão nacional”. Este mal-estar e a “degradação da confiança, a espiral descendente em que o regime parece ter mergulhado, têm como consequência inevitável o seu bloqueamento”. Este é um dos muitos alertas lançados pela Associação para o Desenvolvimento Económico e Social (SEDES) - uma das mais antigas e conceituadas associações cívicas de Portugal –, num documento hoje concluido e dirigido ao país.Sente-se em Portugal "um mal-estar difuso", que "alastra e mina a confiança essencial à coesão nacional". Este mal-estar e a "degradação da confiança, a espiral descendente em que o regime parece ter mergulhado, têm como consequência inevitável o seu bloqueamento". E se essa espiral descendente continuar, "emergirá, mais cedo ou mais tarde, uma crise social de contornos difíceis de prever".Este é um dos muitos alertas lançados pela Associação para o Desenvolvimento Económico e Social (Sedes) - uma das mais antigas e conceituadas associações cívicas portuguesas -, num documento ontem concluído e dirigido ao país. Esta tomada de posição é uma reflexão sobre o momento que Portugal vive, com a associação a manifestar o seu dever de ética e responsabilidade para intervir e chamar a atenção "para os sinais de degradação da qualidade de vida cívica". Principais visados: o Estado, em geral, e os partidos políticos, em particular. E para este "difuso mal-estar", frase que é o pilar de todo o documento, a Sedes centra-se em algumas questões: degradação da confiança no sistema político; sinais de crise nos valores, comunicação social e justiça; criminalidade, insegurança e os exageros cometidos pelo Estado.
Acirrar de emoções
O acentuar da "degradação da confiança dos cidadãos nos representantes partidários" de todo o espectro político é o primeiro alerta da associação. E, aqui, os relatores do documento (ver texto nestas páginas) não têm dúvidas sobre a crise que surgirá caso não seja evitado o eventual fracasso da democracia representativa: "criará um vácuo propício ao acirrar das emoções mais primárias em detrimento da razão e à consequente emergência de derivas populistas, caciquistas, personalistas". E para que a democracia representativa seja preservada, a Sedes aponta três metas aos partidos: "Têm de ser capazes de mobilizar os talentos da sociedade para uma elite de serviço; a sua presença não pode ser dominadora a ponto de asfixiar a sociedade; e não devem ser um objectivo em si mesmos". A associação considera ainda preocupante "assistir à tentacular expansão da influência partidária" - quer "na ocupação do Estado", quer "na articulação com interesses da economia privada". Outro factor que a Sedes diz contribuir para a "degradação da qualidade da vida política" é o resultado "da combinação de alguma comunicação social sensacionalista com uma justiça ineficaz", que por vezes deixa a sensação de que "também funciona subordinada a agendas políticas". Essa combinação "alimenta um estado de suspeição generalizada" sobre a classe política. "É o pior dos mundos", acrescentam. "Sendo fácil e impune lançar suspeitas infundadas, muitas pessoas sérias e competentes afastam-se da política, empobrecendo-a."Neste capítulo, o Estado, que "tem uma presença asfixiante sobre toda a sociedade", também não é poupado: "Demite-se do seu dever de isenta regulação, para desenvolver duvidosas articulações com interesses privados, que deixam em muitos casos um perigoso rasto de desconfiança". E nesta sequência de constatações sobre o comportamento dos agentes do Estado, surge pela primeira vez a palavra "corrupção". "É precisamente na penumbra do que a lei não prevê explicitamente que proliferam comportamentos contrários ao interesse da sociedade e ao bem comum. E é justamente nessa penumbra sem valores que medra a corrupção, um cancro que corrói a sociedade e que a justiça não alcança."
Criminalidade e exageros
E depois vêm a criminalidade e os recados aos exageros do Estado directamente dirigidos à ASAE, embora esta autoridade nunca seja explicitamente citada. A Sedes não tem dúvidas em afirmar que a criminalidade violenta "progride"; que a "crescente ousadia dos criminosos transmite o sentimento de que a impune experimentação vai consolidando saber e experiência na escala da violência"; e que, enquanto "subsiste uma cultura predominantemente laxista no cumprimento da lei, em áreas menos relevantes para as necessidades do bom funcionamento da sociedade emerge, por vezes, uma espécie de fundamentalismo ultrazeloso, sem sentido de proporcionalidade ou bom senso". "Calculem-se as vítimas da última década originadas por problemas relacionados com Bolas-de-Berlim, colheres de pau ou similares e os decorrentes da criminalidade violenta ou da circulação rodoviária e confronte-se com o zelo que o Estado visivelmente lhes dedicou."Por tudo isto, e para evitar que se chegue à já referida "crise social de contornos difíceis de prever", a Sedes apela depois à sociedade civil para intervir e participar "no desbloqueamento da eficácia do regime". Mas, para que isso aconteça, será necessário que o Estado se "abra mais do que tem feito até aqui".
Prestar contas
E aqui, as principais críticas vão para os partidos. Para a Sedes, a dissociação entre os eleitores e os partidos "deve preocupar todos aqueles que se empenham verdadeiramente na coisa pública e que não podem continuar indiferentes perante a crescente dissociação entre o conceito de res publica e o de intervenção política". Partidos que, de acordo com a Sedes, "têm a obrigação de prestar contas de forma permanente sobre o modo como o exercem". "Em geral, o Estado tem de abrir urgentemente canais para escutar a sociedade civil e os cidadãos. Deve fazê-lo de forma clara, transparente e, sobretudo, escrutinável. Os portugueses têm de poder entender as razões que presidem à formação das políticas públicas que lhes dizem respeito", conclui o documento.


quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Petróleo sobe aos 101,32 dólares!


O preço do petróleo atingiu já hoje, em Nova Iorque, o seu valor mais elevado de sempre, nos 101,32 dólares (68,7 euros). A especulação parece sustentar estes movimentos repentinos de agravamento do preço do petróleo, já que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo tem repetidamente defendido que não há falta de crude no mercado.

Fonte: http://economia.publico.clix.pt/

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Fidel deixa a Presidência, não diz adeus e prepara a sua própria sucessão
20.02.2008, Jorge Almeida Fernandes

O "Líder Máximo" começou ontem a despedir-se. Abandona a chefia do Estado mas não abdica do poder. Quer pilotar a sua sucessão e o início de um perigoso processo de transição

Ao fim de 49 anos no poder, Fidel Castro anunciou ontem que abandona as funções de Presidente do Conoselho de Estado e de comandante supremo das Forças Armadas de Cuba. O sucessor será designado no domingo pelo Parlamento. Reconheceu que a sua saúde o impede de exercer essas funções e apela à passagem de testemunho entre gerações. "Não me despeço de vós. Desejo apenas combater como um soldado das ideias." Deixa o Governo, não o poder. Fidel, de 81 anos, não renuncia, pelo menos imediatamente, ao cargo de secretário-geral do Partido Comunista, a sede real do poder. Deu a entender que deseja preparar e supervisionar a fase de transição que inevitavelmente se abre. Tão ou mais importante do que o nome do sucessor será entender o papel que deseja desempenhar nos seus derradeiros dias. Após a crise que se seguiu a uma operação aos intestinos, em Julho, o "Líder Máximo" deixou de aparecer em público e passou interinamente os poderes a seu irmão Raúl, ministro da Defesa e número dois do regime. Não tendo condições físicas para exercer plenamente os cargos que abandona, reivindica, no entanto, a plena posse dos recursos intelectuais. Na sua carta aos cubanos, publicada na edição on-line do diário oficial Granma, há duas passagens particularmente importantes. "Preparar [o povo cubano] para a minha ausência, psicológica e politicamente, era a minha primeira obrigação depois de tantos anos de luta. (...) O meu desejo sempre foi cumprir o meu dever até ao último alento. É o que posso oferecer."À frente, evoca as três gerações do castrismo, desde os veteranos, que têm "a autoridade e a experiência para garantir a substituição", a uma "geração intermédia que aprendeu connosco os elementos da complexa e quase inacessível arte de organizar e dirigir uma revolução".

Um passageiro do século

Fidel Castro é o último sobrevivente da guerra fria. Figura omnipresente da segunda metade do século XX, foi o actor central - embora a seguir remetido para o humilhante lugar de "peão" - da crise dos mísseis de 1962. E também um dos líderes do Terceiro Mundo, numa era em que havia figuras como Nasser, Tito ou Nehru.Tentou, com Che Guevara, exportar o modelo da revolução cubana para toda a América Latina e fascinou revolucionários europeus ou asiáticos. Foi implacável não apenas para com os dissidentes, mas em geral para com todos os rivais políticos, inclusive os velhos dirigentes comunistas de Cuba. Depois de criticar os soviéticos, que não apreciavam as suas aventuras, tornou-se no mais acerado instrumento da política externa da URSS, numa escalada que terá o apogeu em África nos anos 1970. Foi o "inimigo número um" dos EUA, resistiu a nove presidentes ame-ricanos e a várias tentativas de assassínio pela CIA. Conheceu cinco secretários-gerais do Partido Comunista Soviético e sobreviveu ao desmoronamento da URSS. O seu desaparecimento será um traumatismo não só para a velha guarda cubana mas também para uma parte importante da América Latina, diz a Le Monde Janette Habel, uma especialista da região. É difícil compreendê-lo hoje na Europa, mas continua a ser visto como um "libertador": não é um democrata, o seu regime faliu na maior parte dos domínios, mas é aquele que sempre desafiou e resistiu aos Estados Unidos.



Visiona este vídeo da agência "efe" (em castelhano) sobre o mesmo assunto, contendo uma pequena biografia de Fidel.

Fonte: http://br.youtube.com/watch?v=zty452N1Pis

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Kosovo declara unilateralmente a independência

Jovens sérvios atacam embaixadas dos EUA e da Eslovénia


Manifestações violentas em Belgrado após declaração de independência do Kosovo

17.02.2008 - 20h50 AFP

Várias centenas de jovens sérvios manifestaram-se hoje nas ruas de Belgrado contra a declaração de independência do Kosovo, envolvendo-se em confrontos com a polícia depois de terem lançado pedras contra a Embaixada dos Estados Unidos, um dos países que já manifestaram apoio à separação da província sérvia, sob supervisão internacional.

Os manifestantes, muitos deles apoiantes de equipas de futebol, lançaram pedras e tochas contra a representação diplomática norte-americana, fortemente protegida por um dispositivo de segurança composto por polícias anti-motim.

Durante um confronto com a polícia, que usou granadas de gás lacrimogéneo para dispersar a multidão, um polícia sofreu ferimentos ligeiros.

Os manifestantes atacaram ainda a Embaixada da Eslovénia, tendo lançado também pedras e tochas contra o edifício, cuja porta de entrada ficou destruída bem como os vidros de várias janelas. A Eslovénia, antiga república jugoslava, assegura actualmente a presidência da União Europeia, que decidiu enviar uma missão para o Kosovo, para acompanhar o território após a declaração da independência.

Viaturas da polícia foram, entretanto, mobilizadas para outras embaixadas, como a de França, para impedir possíveis ataques durante a noite.

No centro de Belgrado, os opositores à independência kosovar desfilaram empunhando bandeiras sérvias e gritando “O Kosovo é a Sérvia”.

Em Kosovska Mitrovica, no norte do Kosovo, quatro granadas foram lançadas: duas que não chegaram a explodir contra um edifício ocupado pela União Europeia, e duas outras contra um tribunal, tendo apenas um explodido. O incidente não provocou vítimas.

Hoje, pouco depois do anúncio da independência do Kosovo, o Presidente sérvio, Boris Tadic, assegurou que a Sérvia “jamais reconhecerá a independência”. “A Sérvia reagiu e reagirá por todos os meios pacíficos, diplomáticos e legais para anular esse acto cometido pelas instituições do Kosovo”, acrescentou, numa posição reforçada pelo primeiro-ministro nacionalista sérvio. “Para os cidadãos da Sérvia, para a Sérvia, não existe nem existirá um Estado fantoche do Kosovo no seu território”, declarou Vojislav Kostunica.

Fonte: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1319927&idCanal=11


Comenta a declaração unilateral de independência do Kosovo, reflectindo sobre algumas das seguintes questões:

O que irá acontecer nos próximos dias?
Como vai reagir a Sérvia e a minoria sérvia que vive no Kosovo?
Quais os países que reconhecerão a independência do Kosovo?
Será que esta situação poderá despoletar outras situações idênticas em outros territórios em que há aspirações de independência, como no País Vasco (Espanha), Córsega (França), Irlanda do Norte (Reino Unido), ..., como foi referido pelo nosso Presidente da República?

Consulta o Dossier sobre a independência do Kosovo do "Público" em: http://dossiers.publico.pt/dossier.aspx?idCanal=2287

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Atentados em Timor-Leste

Gastão Salsinha comandou ataque a coluna de Xanana

Novo líder rebelde de Timor-Leste diz que não se renderá sem luta

15.02.2008 - 15h42 Lusa

O ex-tenente das forças armadas de Timor-Leste, Gastão Salsinha, autoproclamado novo líder dos rebeldes timorenses, afirmou que está fortemente armado numa casa em Díli e que não se renderá sem luta. Em declarações ao canal de televisão australiano Channel Nine, divulgadas hoje, Salsinha diz também que o major rebelde Alfredo Reinado foi morto cerca de 25 minutos antes de o Presidente timorense, José Ramos Horta, ter sido baleado no ataque à sua residência, na segunda-feira.“O meu comandante Alfredo Reinado foi a Metiaut [onde se situa a casa de Ramos-Horta]. Foi primeiro morto pelas F-FDTL [Falintil-Forças de Defesa do Timor Leste] e cerca de 25 minutos depois o presidente foi baleado”, afirmou. O tenente Salsinha afirma ter assumido o comando dos rebeldes após a morte de Alfredo Reinado. “Ele era o meu comandante e eu era seu adjunto. Como foi morto, claro que o substituirei”, declarou, frisando que seu objectivo é “lutar por justiça”. Mas também disse, citado pela agência de notícias australiana AAP, que se os seus adeptos quiserem se entrega ao Governo. Também afirmou que não é “inimigo da Austrália” e que apoia a presença de forças estrangeiras no país, afirmando que estão ali “para ajudar o povo do Timor”. Sobre os ataques de segunda-feira, Salsinha, que liderou o ataque à coluna do primeiro-ministro Xanana Gusmão, disse que eram parte de um plano “muito complicado”, mas recusou dar detalhes e dizer se pretendiam matar os dois dirigentes.“Não vos direi qual era o plano desse ataque, só o farei quando for a tribunal”, afirmou, acrescentando, no entanto, que se quisessem matar a Ramos Horta, teriam feito “directamente”. Gastão Salsinha é um dos nomes que constam na lista de cinco novos mandados de captura assinados na noite de quinta-feira pelo juiz do processo, disse à Lusa uma fonte ligada à investigação. Os outros quatro mandados emitidos pelo juiz são referentes a membros das Falintil-Forças de Defesa do Timor Leste e da Polícia Nacional.Gastão Salsinha fazia parte dos cerca de 600 rebeldes das forças armadas que se amotinaram e foram despedidos pelo Governo em 2006, o que desencadeou uma onda de violência no país, provocando a morte de pelo menos 37 pessoas e deixando mais de 150 mil desalojados. O levantamento derrubou o Governo liderado por Mari Alkatiri.


Fonte: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1319760&idCanal=11


Em complemento, visiona um Vídeo RTP sobre a situação actual em Timor:
http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=98&visual=25&article=326161&tema=31

Comenta os atentados verificados em Timor-Leste, reflectindo sobre a instabilidade política que se verifica neste jovem país que parece nunca mais ter paz. Quem será que ganha com esta situação?

Adeus, Lenine!

Ficha Técnica

Título Original: Good Bye, Lenin!

Género: Drama

Tempo de Duração: 118 minutos

Ano de Lançamento (Alemanha): 2003


Estúdio: arte / Westdreutscher Rundfunk / X-Filme Creative Pool

Distribuição: Sony Pictures Classics

Realização: Wolfganger Becker

Argumento: Wolfganger Becker e Bernd Lichtenberg

Produção: Stefan Arndt

Música: Yann Tiersen

Fotografia: Martin Kukula

Desenho de Produção: Daniele Drobny e Lothar Heller

Edição: Peter R. Adam

Efeitos Especiais: Das Werk

Interpretação: Daniel Brühl (Alexander Kerner), Katrin Sab (Christine Kerner), Maria Simon (Ariane Kerner), Chulpan Khamatova (Lara), Florian Lukas (Denis), Alexander Beyer (Rainer), Burghart Klaubner (Robert Kerner), Michael Gwisdek (Diretor Klapprath), Christine Schorn (Frau Schäfer), Rudi Völler (Rudi Völler), Helmut Kohl (Helmut Kohl)

Depois de terem visionado o filme "Good bye Lenin" é agora o momento para reflectir sobre o mesmo. Ficam aqui alguns pontos que poderão abordar:
  • Gostaram do filme? Porquê?

  • O que é que mais vos marcou no filme?


  • O que ganharam e o que perderam os cidadãos da ex-RDA com o fim do comunismo e com a reunificação da Alemanha?

Eis o trailer do filme, em http://br.youtube.com/watch?v=i7EB47ENNV0


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Putin ameaça dirigir mísseis contra a Ucrânia em caso de adesão à NATO

Aviso foi feito após encontro com Presidente ucraniano

12.02.2008 - 16h54 PÚBLICO


O Presidente russo, Vladimir Putin, avisou hoje que a Rússia poderá redirigir os seus mísseis contra a Ucrânia se o país vizinho se juntar à NATO e aceitar a instalação de um escudo de defesa anti-míssil norte-americano. O aviso foi feito no final de um encontro com o seu homólogo ucraniano, Victor Iuchenko, que se deslocou a Moscovo para resolver uma disputa sobre os fornecimentos de gás russo ao seu país e procurar melhorar as relações diplomáticas com a antiga potência. Putin revelou ter alertado Iuchenko para os riscos de uma adesão à Aliança Atlântica, o pacto de defesa promovido pelos EUA em plena Guerra-Fria, sustentando que o passo almejado há anos por Kiev “restringiria a soberania do país”. Apesar de sublinhar que não pode interferir na decisão do país vizinho, o Presidente russo disse temer que a eventual entrada da Ucrânia no bloco ocidental leve o país a aceitar a instalação de um escudo antimíssil semelhante àquele que os EUA planeiam instalar na Polónia e República Checa. “É aterrador pensar que a Rússia, em resposta a uma possível instalação de um escudo míssil na Ucrânia possa ter de dirigir os seus sistemas de mísseis ofensivos contra a Ucrânia”, declarou Putin, de forma emotiva, citado pela Reuters. Os planos dos EUA para a instalação de um radar na República Checa e de um escudos antimíssil na Polónia – partes de um sistema que Washington diz ser defensivo – tem merecido duras críticas de Moscovo, desencadeando uma troca de palavras entre as duas capitais que recorda a Guerra-Fria. Esta tarde, o Presidente russo voltou a dizer que os planos americanos visam “a neutralização do potencial nuclear russo”, sublinhando que a sua efectivação “desencadeará uma acção russa de retaliação”. Até ao momento, Washington não solicitou à Ucrânia qualquer envolvimento neste projecto, embora o país seja visto por Moscovo como um aliado avançado dos EUA na região, desde que em 2004 Iuchenko liderou uma revolução que congregou as forças pró-ocidentais no país.Horas antes destas bombásticas declarações, o chefe da diplomacia russa revelou que o Presidente aceitou um convite para participar na próxima cimeira da NATO, agendada para Abril, em Bucareste. A reunião terá lugar já depois de Putin dar lugar ao seu sucessor no Kremlin. A aceitação do convite "demonstra novamente que a Rússia está disponível para dialogar sobre qualquer matéria", afirmou Sergei Lavrov.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Eleições nos EUA



Superterça-Feira adiou certezas nas nomeações para a Casa Branca



07.02.2008, Rita Siza, em Nova Iorque



Obama teve mais estados, Hillary mais votos. McCain, no lado republicano, ganhou nas duas costas e convenceu



Barack Obama e Hillary Clinton preparavam-se ontem para prosseguir as suas campanhas depois da votação da inédita Super-Duper-Tsunami Tuesday ter confirmado como os eleitores democratas se sentem divididos sobre os seus candidatos à nomeação para a corrida à Casa Branca. Obama com maior número de estados declarados, e Hillary com votações mais expressivas, acabaram por dividir quase a meio o número de delegados em jogo no dia de primárias mais "super" da história americana, disparando para a estratosfera as expectativas para os concursos que se seguem. Não era esse o objectivo: a ideia de concentrar a votação de 24 estados na mesma data destinava-se a encontrar o mais cedo possível as figuras que liderarão os respectivos partidos na igualmente histórica eleição presidencial de Novembro. Mas os democratas correm o risco de ver a campanha esticar-se até Abril - decididamente, esta eleição só acaba no fim. No lado republicano, os resultados confirmaram indiscutivelmente o favoritismo do veterano senador do Arizona John McCain na luta pela nomeação do seu partido. Ao final da noite, McCain tinha vencido em mais estados e conseguido muito mais delegados do que os seus opositores Mitt Romney e Mike Huckabee (o libertário Ron Paul, que também segue em contenda, nunca teve aspirações a entrar no combate pela liderança) - ficou claro para todos que, apesar de uma reviravolta ainda ser matematicamente possível, o famoso "rebelde" dos conservadores está à beira da consagração." Nunca me importei com o facto de ser o "underdog" [expressão usada para descrever o último da corrida], mas, meus amigos, temos de nos habituar à ideia de que agora somos os favoritos", regozijou-se o candidato, que leva agora uma vantagem de mais de 300 delegados para os seus adversários. Mike Huckabee também se congratulou com os resultados, que o catapultaram para o segundo lugar. "Esta é de facto uma corrida a dois, e nós estamos presentes", declarou. Já Mitt Romney pareceu verdadeiramente desolado - o candidato garantiu que ia manter-se na corrida, mas ontem estava reunido com os seus conselheiros e assessores para avaliar as perspectivas da sua candidatura (tendo decidido pela desistência da corrida eleitoral).

Fonte: http://jornal.publico.clix.pt/ , 7 de Fevereiro de 2008

Depois de oito quase 8 anos de administração Bush, os EUA estão a viver um novo processo eleitoral, que é bastante complexo. Estão a decorrer as chamadas "eleições primárias" nos diferentes estados, em que são eleitos os delegados (de acordo com as preferências dos eleitores pelos pré-candidatos que concorrem a estas eleições) às Convenções dos dois principais partidos norte-americanos: o Partido Republicano e o Partido Democrata. Nas referidas Convenções, os delegados, eleitos nas "primárias", escolherão o candidato final de cada um dos partidos à eleição do Presidente dos EUA. Sendo os EUA, actualmente, a única superpotência do Mundo, estas eleições presidenciais são um acontecimento muito importante não só para este país como para todo o Mundo. A escolha que for feita pelo povo norte-americano irá, de alguma forma, influenciar os destinos do Mundo.


Elabora um comentário sobre a importância do resultado das próximas eleições norte-americanas, quer para os EUA quer para o Mundo em geral, reflectindo ainda sobre as seguintes questões:
  • quem serão de facto os dois candidatos finais à presidência dos EUA? Pelo Partido Republicano: Jonh McCaine ou Mike Huckabee? Pelo Partido Democrata: Barack Obama ou Hillary Clinton?
  • será que, pela primeira vez, os EUA terão um presidente negro, ou melhor mestiço (Barack Obama), ou uma mulher (Hillary Clinton)? Será que o país estará preparado para qualquer uma destas possíveis situações?

sábado, 2 de fevereiro de 2008

As democracias ocidentais e os regimes autocráticos


Relatório hoje divulgado


Human Rights Watch condena "fechar de olhos" das democracias ocidentais aos abusos autocráticos

31.01.2008 - 15h01 Susana Almeida Ribeiro


As democracias ocidentais estão a “fechar os olhos” aos abusos praticados em países que passam por regimes democráticos mas que, na verdade, são autocracias encapotadas. Bruxelas, Washington e organizações como a OSCE estão a aceitar vitórias fraudulentas e abusos em diversos países, por conveniência política e diplomática, e, através dessa atitude, a perpetuar as violações dos direitos humanos em nações como o Quénia, Paquistão, China e Somália, indica o relatório da organização Human Rights Watch (HRW), hoje divulgado.O Relatório Mundial 2008 da organização de defesa dos direitos humanos sublinha que não basta que haja eleições para que um país seja considerado democrático. É preciso que, entre outras coisas, haja liberdade de expressão, liberdade de associação e uma sociedade civil esclarecida.“Hoje em dia é muito fácil os autocratas conseguirem ‘safar-se’ com falsas democracias”, indicou Kenneth Roth, director executivo da HRW, salientando que países como o Quénia, Paquistão, Bahrein, Jordânia, Nigéria, Rússia e Tailândia se comportaram como democracias, mas que nos bastidores actuaram como autocracias, ora censurando os media, ora falseando resultados eleitorais. Para que isto não aconteça, é preciso que as democracias estabelecidas fiquem vigilantes e actuem, e isso nem sempre acontece. “Parece que Washington e os governos europeus aceitam as mais dúbias eleições, desde que o país em questão seja um aliado estratégico ou comercial”, acusa Roth.

A HRW aponta o dedo aos Estados Unidos quando, por exemplo, aceitaram os resultados eleitorais de Fevereiro de 2007 na Nigéria – país rico em petróleo –, apesar das acusações de fraude eleitoral. Atitudes como esta poderão ser encaradas pelos líderes africanos como um “tapar de olhos” de Washington, que acaba por tolerar as ilegalidades democráticas. O Quénia, por exemplo, está envolvido numa violenta crise política desde finais de Dezembro de 2007, que já causou a morte a perto de um milhar de pessoas, e os EUA limitaram-se a expressar a sua preocupação pela situação.Por outro lado, organizações como a OSCE (Organização Europeia para a Cooperação e Segurança), “que deviam promover a democracia, os direitos humanos e a segurança, aceitaram a entrada como membro, em 2010, do Cazaquistão, que tem grandes reservas de petróleo e gás, desejadas quer pela UE quer pela Rússia”, indica o relatório. “A decisão da OSCE foi tomada depois do partido do poder no Cazaquistão ter ‘vencido’ de forma esmagadora as eleições parlamentares de Agosto, durante as quais, de acordo com os próprios monitores da OSCE, houve censura aos media, impedimento à formação de partidos da oposição e irregularidades na contagem dos votos”.


Violações dos direitos humanos e repressões severas


A HRW monitoriza a situação dos direitos humanos em mais de 75 países e denuncia a existência de atrocidades em países como o Chade, Colômbia, República Democrática do Congo, Etiópia (região de Ogaden), Iraque, Somália, Sri Lanka e Sudão (região do Darfur) e delata a existência de sociedades fechadas e repressões severas na Birmânia, China, Cuba, Eritreia, Líbia, Irão, Coreia do Norte, Arábia Saudita e Vietname.Kenneth Roth especificou que “a situação na Somália e na região etíope de Ogaden, onde milhões estão a sofrer, é uma tragédia esquecida” e o relatório sublinha que “o governo do Sudão é o responsável por cinco anos de crise no Darfur, onde 2,4 milhões de pessoas foram deslocadas, quatro milhões sobrevivem de ajuda humanitária e onde as populações estão em grande risco.Na Birmânia, a junta militar usou força desproporcionada, em Agosto e Setembo do ano passado, em resposta aos protestos pacíficos dos monges budistas e civis desarmados. O relatório denuncia ainda o bloqueio israelita de comida, petróleo e medicamentos aos palestinianos – uma atitude que viola as leis internacionais – e, por outro lado, recrimina os ataque palestinianos a áreas populacionais israelitas.No que toca ao Paquistão, a HRW denuncia as repressões levadas a cabo a determinados juízes e as mudanças constitucionais operadas pelo Presidente Pervez Musharraf, a fim de poder ser eleito nas próximas eleições, marcadas para Fevereiro.


Jogos Olímpicos na China estão a minar os direitos humanos


A HRW chegou ainda a uma conclusão surpreendente. Ao contrário do que se esperava, os Jogos Olímpicos, que se celebram este Verão em Pequim, estão a fazer aumentar as situações de deslocações laborais forçadas, abuso de direitos dos trabalhadores e prisões domiciliárias de opositores ao regime comunista chinês.O relatório denuncia ainda que os Estados Unidos são o país do mundo com a maior taxa de encarceramentos de todo o mundo e onde o universo de prisioneiros negros é seis vezes mais numeroso que o de brancos.Os Estados Unidos são igualmente apontados pela sua “guerra ao terrorismo”, mantendo 275 prisioneiros em Guantánamo sem acusação formal.Como nota positiva, o Relatório Mundial 2008 da HRW indica a entrega à Justiça dos antigos Presidentes do Peru e da Libéria: Alberto Fujimori e Charles Taylor, respectivamente.

Fonte: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1318271&idCanal=11

Para mais informações relativas ao Relatório e às actividades da organização, visita o Site da Human Rights Watch , em Português: http://www.hrw.org/portuguese/

Comenta o conteúdo da notícia, reflectindo sobre a atitude das democracias ocidentais (nomeadamente da UE e dos EUA) relativamente às situações de abusos dos direitos humanos que se verificam em diferentes regimes autocráticos.

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