quarta-feira, 6 de maio de 2009

86 comas alcoólicos em dois dias de Queima


Cortejo e Serenata da Queima das Fitas de Coimbra levaram aos Hospitais da Universidade 127 estudantes, a maioria devido ao álcool.


Nos dois dias mais concorridos da Queima das Fitas de Coimbra chegaram aos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) 86 estudantes em coma alcoólico. No total, deram entrada 127, a maioria no último domingo durante o Cortejo, segundo disse ao DN fonte hospitalar, que sublinha, contudo, a normalidade dos números. A Comissão Organizadora da Queima das Fitas 2009 (COQF) lamenta estas situações. "Tentar mudar a imagem de excessos dos estudantes é uma guerra da organização que dura há anos", explica Nuno Matos da comissão.
Além dos estudantes alcoolizados, são tratados casos de entorses, ferimentos provocados por agressões, cortes e indisposições, por exemplo. Só durante a tarde de domingo, os HUC receberam 74 universitários.
Ainda assim, os números não surpreendem os técnicos hospitalares nem a organização da festa. "O número de estudantes hospitalizados é mais ou menos o mesmo de anos anteriores", refere fonte dos HUC ligada às Urgências.
O primeiro dia da maior festa de estudantes do País é conhecido pela Serenata e pelos jantares de curso. E é devido a estes últimos que muitos estudantes acabam por cometer excessos, logo no arranque da festa. Daí que tenham sido encaminhados 25 estudantes para o hospital, 17 dos quais devido a coma alcoólico.
No dia do Cortejo, com o desfile de carros alegóricos dos diversos cursos, as bebidas são oferecidas durante a tarde aos estudantes e aos milhares de espectadores que acorrem à cidade. No entanto, Nuno Matos não acredita que este seja o motivo para o aumento de casos de excesso de álcool.
"O problema é o controlo das pessoas. Tem a ver com o comportamento individual e não com a oferta de bebida", defende o também estudante da Universidade de Coimbra.
A COQF reforça que "não é nossa intenção que os estudantes tenham de ser hospitalizados". E acrescenta: "Tentamos sensibilizar os estudantes para terem cuidado e para mudarem a imagem de excessos dos estudantes". Para combater o consumo de álcool, a própria Direcção-geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC) apresenta alternativas. "Outros prazeres" é um posto de venda de batidos e cocktails de frutas sem álcool situado no recinto dos concertos. Os preços não ultrapassam os 50 cêntimos.
A maioria dos estudantes que recebem apoio hospitalar são encaminhados para os HUC. No entanto, quando já estão no recinto passam a ser dirigidos para o Hospital dos Covões, do Centro Hospitalar de Coimbra, por se encontrarem do outro lado da cidade. O DN tentou, sem êxito, obter os números de universitários atendidos neste hospital.
No próprio local dos concertos existe uma tenda da Cruz Vermelha, onde 20 pessoas garantem os primeiros cuidados. Também aqui a maioria apresentou consumo de álcool em excesso.
A Queima das Fitas termina no próximo dia 8. A iniciativa comemora 110 anos.
(Diário de Notícias, 06.05.09)


O Conflito entre a Índia e o Paquistão pela posse da região de Caxemira

Territórios disputados: verde: Caxemira Livre e Territórios do Norte, sob controle do Paquistão; marrom-escuro: Jammu e Caxemira, sob controle da Índia; Aksai Chin, sob ocupação da China.
Caxemira

A Caxemira é uma região do norte do subcontinente indiano, hoje dividida entre a Índia e o Paquistão. Uma parte foi anexada pela China.

O termo "Caxemira" descrevia historicamente o vale ao sul da parte mais ocidental do Himalaia. Politicamente, no entanto, o termo "Caxemira" descreve uma área muito maior, que inclui as regiões de Jammu, Caxemira e Ladakh.

Disputas pelo território

Actualmente localizada no norte do subcontinente indiano, a Caxemira é disputada por Índia e Paquistão desde o fim da colonização britânica. As tensões na região têm início com a guerra de independência, em 1947, que resulta no nascimento dos dois Estados - a Índia, de maioria hindu, e o Paquistão, muçulmano. Segundo uma resolução da ONU datada de 1947, a população local deveria decidir a situação política da Caxemira por meio de um plebiscito acerca da independência do território. Tal plebiscito, porém, nunca aconteceu, e a Caxemira foi incorporada à Índia, o que contrariou as pretensões do Paquistão e da população local - de maioria muçulmana - e levou à guerra de 1947 a 1948. O conflito termina com a divisão da Caxemira: cerca de um terço fica com o Paquistão (Caxemira Livre e Territórios do Norte) e o restante com a Índia (Jammu e Caxemira).

Em 1962, a China conquista um trecho de Jammu e Caxemira (Aksai Chin); no ano seguinte, o Paquistão cede aos chineses uma faixa dos Territórios do Norte. Um novo conflito, em 1965, não traz modificações territoriais.

Nos anos 1980, guerrilheiros separatistas passam a actuar na Caxemira indiana. Mais de 25 mil pessoas morrem desde então. A Índia acusa o governo paquistanês de apoiar os guerrilheiros - favoráveis à unificação com o Paquistão - e intensifica a repressão.

A situação da área continua tensa - além do conflito com o Paquistão, existe actualmente um forte movimento pró-independência em Caxemira.

Explosões nucleares

O conflito serve como justificaticação para a militarização da fronteira e para a corrida armamentista. Índia e Paquistão realizam testes nucleares em 1998 e, em abril de 1999, experimentam mísseis balísticos capazes de levar ogivas atómicas, rompendo o acordo assinado meses antes. Os dois países chegam à beira da guerra total. O primeiro-ministro ultranacionalista da Índia, Atal Vajpayee, ordena um pesado contra-ataque, que expulsa os separatistas em julho. A derrota paquistanesa leva a um golpe militar, liderado pelo general Pervez Musharraf, que depõe o primeiro-ministro paquistanês, Nawaz Sharif. Índia e Paquistão travam em Caxemira, em 1999, um confronto com um saldo de 1200 mortos.

Terrorismo

Uma onda de explosões mata dezenas de civis nas maiores cidades paquistanesas, entre o final de 1999 e o primeiro semestre de 2000. Fracassam negociações de paz entre o governo da Índia e separatistas muçulmanos da Caxemira em julho de 2000. Os combates recomeçam, assim como as acções terroristas nos territórios do Paquistão e da Índia. Em agosto de 2000, o Hizbul Mujahidine, principal grupo separatista muçulmano na Caxemira, anuncia uma trégua unilateral. A Índia suspende operações militares em Caxemira, pela primeira vez em 11 anos. As negociações fracassam diante da recusa da Índia em admitir o Paquistão na negociação de paz.

Demografia

O censo de 1901 da Índia Britânica revelou que os muçulmanos constituíam 74,16% da população total do Estado principado de Caxemira e Jammu, frente a 23,72% de hindus e 1,21% de budistas. Os hindus encontravam-se principalmente em Jammu, onde formavam pouco menos de 80% da população. No vale de Caxemira, os muçulmanos contavam 93,6% da população e os hindus, 5,24%. Estas percentagens mantiveram-se relativamente inalterados nos últimos 100 anos. Quarenta anos depois, o censo de 1941 da Índia Britânica indicou que os muçulmanos formavam 93,6% da população do vale de Caxemira e os hindus, 4%. Em 2003, a percentagem de muçulmanos no vale de Caxemira era de 95% e o de hindus, de 4%; no mesmo ano, em Jammu, a percentagem de hindus totalizava 66% e a de muçulmanos, 30%.

Segundo o censo de 1901, a população total do Estado principado de Caxemira e Jammu era de 2 905 578 habitantes, dos quais 2 154 695 eram muçulmanos (74,16%); 689 073, hindus (23,72%); 25 828, siques e 35 047, budistas. No vale de Caxemira, a população contava 1 157 394 habitantes, dos quais 1 083 766 muçulmanos (93,6%) e 60 641 hindus.

Conforme o censo de 2001 da Índia, a população total do estado indiano de Jammu e Caxemira era de 10 143 700 habitantes, dos quais 6 793 240 eram muçulmanos (66,97%); 3 005 349, hindus (29,63%); 207 154, siques; e 113 787, budistas.


terça-feira, 5 de maio de 2009

Conflito israelo-palestiniano

Israel, Cisjordânia, Faixa de Gaza e as Montes Golã.

O conflito israelo-palestiniano é a designação dada à luta armada entre israelitas e palestinianos, sendo parte de um contexto maior, o conflito israeloárabe. As raízes remotas do conflito remontam aos fins do século XIX quando colonos judeus começaram a migrar para a região. Sendo os judeus um dos povos do mundo que não tinham um Estado próprio, tendo sempre sofrido por isso várias perseguições, foram movidos pelo projecto do sionismo - cujo objectivo era refundar na Palestina um estado judeu. Entretanto, a Palestina já era habitada há séculos por uma maioria árabe.


História

Plano da ONU para a partilha da Palestina de 1947


A partir de 1897, após a fundação do movimento sionista, alguns judeus começaram a migrar para a região da Palestina. Após o fim do Império Otomano, derrotado na Primeira Guerra Mundial, a região ficou sob administração britânica. Após a Segunda Guerra Mundial, mais judeus migraram para a Palestina.
Em 1947 a ONU propõe a divisão das terras Palestinianas entre judeus e árabes baseando-se nas populações até então estabelecidas na região. Assim, os judeus receberam 55% da área, sendo que, deste percentual, 60% era constituída pelo deserto do Neguev. A população nativa árabe, por não aceitar a criação de um Estado não árabe na região, rejeitou a partilha.
Em 1948, os britânicos saem da região e os judeus proclamam o Estado de Israel. A partir daí, o conflito amplia-se. Egipto, Jordânia, Líbano, Síria e Iraque atacam o território do Estado de Israel para conquistar algum espaço. O Egipto consegue a região da Faixa de Gaza e a Jordânia consegue as regiões da Cisjordânia e Jerusalém oriental. Os árabes palestinianos acabam sem território.
Em 1964 os Palestinianos criam a OLP.
Em 1967 O Egipto bloqueia o canal de Suez aos navios israelitas e inicia manobras militares na península do Sinai, ao mesmo tempo que a Jordânia e Síria mobilizavam seus exércitos, na fronteira com Israel. Prevendo um ataque iminente, Israel inicia a Guerra dos Seis Dias, na qual Israel conquista as regiões da Faixa de Gaza, o Monte Sinai, os Montes Golã, a Cisjordânia e Jerusalém oriental.
Em 1973 começa a Guerra do Yom Kippur. Entre 1977 e 1979, Israel e Egipto fazem um acordo de paz e a região do Sinai é devolvida ao Egipto.
Em 1982, Israel invade o Líbano, numa tentativa de neutralizar os ataques da OLP a partir daquele país. Em 1987, explode a Intifada. Em 1988 o Conselho Palestino renuncia à Intifada e aceita o Plano de Partilha da Palestina.
Em 1993, com o Acordo de Paz de Oslo, é criada a Autoridade Palestina, sob o comando de Yasser Arafat, mas os termos do acordo jamais foram cumpridos por ambas as partes.
A partir de 2000 iniciou-se a Segunda Intifada. Em 2001, Ariel Sharon é eleito primeiro-ministro do Estado de Israel. Ocupa territórios Palestinianosos e dá início à construção do Muro da Cisjordânia, para dificultar os atentados terroristas de homens-bombas palestinos. Em 2004, Yasser Arafat morre. A Autoridade Palestinianaa passa ao eleito Mahmud Abbas. Israel destrói os assentamentos de colonos judeus na Faixa de Gaza e Cisjordânia.
Em 2006 o Hamas, grupo fundamentalista que não reconhece a existência de Israel, é eleito democraticamente através de voto popular e obtem a maioria das cadeiras no Parlamento Palestino.


Eclosão do conflito

A Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, por meio de sua Assembleia-Geral em 1947, a criação de um estado judeu e outro árabe ao final do mandato do protectorado britânico (1948) na Palestina. De acordo com este plano, a cidade de Jerusalém seria um território administrado internacionalmente pela própria ONU.
No entanto, os países árabes não aceitavam a existência de Israel, pretendendo invadir logo após a saída das tropas britânicas.
Além disso, no início do conflito em 1948, aproximadamente 711.000 palestinianos deslocaram -se da região seja fugindo do iminente conflito (68% destes estimulados pelos próprios governos dos países árabes para que os seus exércitos pudessem arrasar mais facilmente ao novo Estado que surgia) ou expulsos por lutarem contra o novo Estado, criando uma grande onda de refugiados que se abrigaram nos países vizinhos, Faixa de Gaza e Cisjordânia. Com o passar do tempo o seu número cresceu, e a dúvida é se estes refugiados palestinianos algum dia poderão retornar a seus antigos lares, complicando as conversações entre as partes envolvidas.
Com a não absorção dos árabes palestinianos pelos países árabes e a não criação do Estado Palestiniano, os árabes palestinianos passaram a exigir o seu retorno às suas antigas casas, apesar de a grande maioria já não ter nascido nas regiões reivindicadas.
Outro grande entrave para as negociações de paz é a reivindicação de soberania em relação à cidade de Jerusalém. Devido ao seu valor histórico e religioso, Israel reivindica toda a cidade para si, o que não é reconhecido pela comunidade internacional. A parte Oriental de Jerusalém, território palestinianoo ocupado por Israel desde 1967, é reivindicada pelos palestinianos para ali estabelecer a sua capital.
Houve inúmeros períodos de acirramento do conflito, com hostilidades militares de ambos os lados, e vários acordos de paz que acabaram fracassando.
Havia grandes chances do estado Palestino surgir de facto, pois as bases políticas e institucionais da Autoridade Nacional Palestina (ANP) são reconhecidas pela comunidade internacional, inclusive estando presente nas Nações Unidas como membro observador. Entretanto, com a eleição de Ariel Sharon, o Estado israelita passou a negar qualquer negociação com os palestinos sem antes a cessação dos frequentes ataques terroristas aos civis israelitas. Mais tarde a eleição do Hamas para o governo da palestina em 2006, um grupo terrorista que não aceita que Israel exista, inviabiliza qualquer possibilidade de paz entre os dois povos.


Retirada de Israel da Faixa de Gaza

De acordo com o governo do Primeiro-Ministro Ariel Sharon, a consolidação do cessar-fogo entre as partes beligerantes possibilita a retirada das tropas israelenses da Faixa de Gaza, concretizando a transferência de soberania e consequente materialização da territorialidade, dois factores fundamentais para a existência de um Estado soberano palestiniano.
Em agosto de 2005, o exército israelita e os colonos judaicos retiraram-se da Faixa de Gaza para aumentar o controle sobre a Cisjordânia. Por conta disto, a ANP treinou um efectivo de 5.000 policias para a manutenção da ordem da região após a retirada israelita. Entretanto, apesar de ter conquistado a soberania sobre Gaza (mas não sobre a Cisjordânia), os palestinianos entraram num conflito interno que ocasionou a tomada de poder pelo Hamas da Faixa de Gaza e o recrudescimento dos ataques com mísseis caseiros contra Israel a partir desta região, paralisando novamente as conversações de paz.
No dia 25 de agosto de 2008 foram libertos 199 palestinianos presos em Israel. Mas esse acto não foi visto com bons olhos pelos israelitas: "A libertação dos prisioneiros é um acto de fraqueza, que vai incentivar ainda mais o terrorismo." Mas há quem veja pontos positivos nessa historia: "a libertação dos prisioneiros demonstra a disposição por parte de Israel de fazer concessões dolorosas a fim de promover as negociações de paz." concluiu Olmert.
Em dezembro de 2008, após contantes actos terroristas sofridos nos seus territórios, Israel responde através de bombardeamentos a Gaza.

Fonte: Wikipédia


Como complemento, podem visionar um Documentário (em duas partes) sobre o conflito israelo-árabe, desde as suas milenares origens à actualidade, realizados por três alunas da Escola S. Jerónimo Emiliano de Andrade na ilha Terceira, Leonor Nunes, Silvia Barcelos e Catarina Mateus. Foi produzido no âmbito da disciplina de Área de Projecto do 12ºano ano, orientada pelo professor Vítor Duarte.



Regresso à Terra Prometida - Parte I



Regresso à Terra Prometida - Parte II

Tecto pintado na área de fumadores


A vista cá do fundo tem uma perspectiva diferente

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Jovens abusam do álcool


Os jovens bebem demasiadas bebidas alcoólicas, e uma percentagem já é dependente do álcool, revela um estudo médico realizado em Coimbra durante a Queima das Fitas.


A investigação, divulgada este sábado, coordenada pela médica Rosa Costa, e realizada em 2008 no âmbito daquela festa académica, conclui que os jovens não consomem apenas excessivamente durante o evento, como têm hábitos alcoólicos preocupantes ao longo do ano.
"Os resultados obtidos permitem tirar a ilação de que o consumo de bebidas alcoólicas excessivo é habitual em 50 por cento da amostra, pois 44,5 por cento foram classificados como tendo um consumo nocivo/abuso e 5,6 por cento foram considerados dependentes", revela a clínica no estudo, divulgado nas véspera do maior acontecimento da Queima das Fitas 2009, o Cortejo dos Quartanistas.
A investigadora acrescenta que "o consumo nocivo/abuso e a dependência foram mais frequentes no sexo masculino e entre os 18 e os 29 anos. Nas idades mais jovens (15-17 anos) foram encontrados sete casos de consumo nocivo/abuso e dois casos de dependência alcoólica".
Na amostra, em que participaram 395 pessoas (68,4 por cento do sexo masculino), com idade média de 22,8 anos (o mais jovem tinha 15 anos e o mais velho 47 anos), pretendia-se determinar os níveis de alcoolemia e avaliar os hábitos alcoólicos e tabágicos.
Realizado no recinto onde decorriam os concertos das Noites do Parque, o estudo consistiu num questionário anónimo e na medição da taxa de álcool no sangue, com recurso a um alcoolímetro.
"O nível de alcoolemia médio foi de 1,2 mg/dl. O valor máximo de alcoolemia detectado foi de 4 mg/dl. Constatei que 71 por cento dos indivíduos tinham uma alcoolemia superior à permitida por lei (0,5 mg/dl), sendo que a maioria pertencia ao sexo masculino", revela a médica no seu estudo.
Quanto aos hábitos tabágicos, na amostra, 43 por cento eram fumadores e, na altura, a grande maioria, um pouco mais de 85 por cento, afirmara concordar com a lei que proíbe o fumo em locais públicos, que havia entrado em vigor três meses antes (Janeiro de 2008).
A maioria (76 por cento) apresentava dependência baixa da nicotina e quase 40 por cento dos fumadores tinham uma motivação moderada/elevada para parar de fumar, acrescenta.
"Face aos resultados obtidos, penso que seria importante, no futuro, como forma de intervenção, intensificar as campanhas de hábitos de vida saudável, e estendê-las por todo ano e não apenas nesta altura da semana académica da Queima das Fitas", refere a médica do Centro de Saúde da Fernão de Magalhães, em Coimbra.
Segundo Rosa Costa, "a intervenção para este grupo deveria ser mais intensiva e prolongada", durante todo o ano, quer quanto ao consumo excessivo de álcool, quer quanto ao consumo de tabaco.
Na sua perspectiva, os próprios serviços médico-universitários poderiam disponibilizar consultas direccionadas à prevenção do consumo excessivo de bebidas alcoólicas, e para desabituação tabágica.
O estudo de Rosa Costa contou com o apoio logístico da associação Saúde em Português e da Comissão Central da Queima das Fitas 2008. (JN, 02.05.09)



O que dizem sobre os resultados deste estudo e sobre o problema do alcoolismo e do tabagismo nos jovens portugueses?

Um Mundo Global - as primeiras 50 000 Visitas

Blogue "Um Mundo Global"


É com muita satisfação e orgulho que constato que o contador de visitas do blogue "Um Mundo Global" acaba de contabilizar as primeiras 50 000 visitas. Ainda que o blogue tenha sido criado a título experimental em 1 de Novembro de 2007, foi só no início de Janeiro de 2008 que a sua actividade começou a funcionar em pleno, data em que foi colocado o contador de visitas.

Como tavez eu não seja a pessoa adequada para comentar este facto, porque sou o administrador do blogue, peço a todos aqueles que acompanham o blogue que façam uma avaliação do mesmo, reflectindo sobre o seu interesse, forma de organização, pertinência dos temas abordados, etc. Podem ainda, se acharem por bem, deixar algumas sugestões sobre aspectos a introduzir ou a melhorar.

Os vossos comentários são a razão de ser deste blogue. Continuem a participar, sempre que tenham disponibilidade para tal. Como já escrevi noutras alturas, gosto muito de dinamizar este blogue (dá-me mesmo muito gozo fazê-lo) e ele existe porque vocês também existem e é por vocês que continuo a dinamizá-lo, apesar de ter tão pouco tempo disponível. Sem os vossos comentários não faria sentido mantê-lo em permanente actualização.

sábado, 2 de maio de 2009

The Gift - Facil de Entender (ao vivo)

O som não é o melhor mas a vale sempre a pena ter os The Gift no blogue. Os The Gift foram criados em 1994 em Alcobaça e uma das suas canções mais bonitas é "Fácil de Entender", de 2006.



Site dos The Gift: http://www.thegift.pt/

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Record mundial de velocidade do TGV

Numa altura em que tanto se fala na polémica introdução do TGV em Portugal, podem ver neste vídeo como o comboio de alta velocidade francês (TGV) bateu o recorde mundial de velocidade ao nível de comboios que funcionam em carris convencionais, por uma grande margem, atingindo os 574.8km/h (ou 356milhas/h) no dia 3 de Abril de 2007.


Fantástico, não é?

Douro Vinhateiro

O vídeo que se segue é a primeira parte de uma reportagem da SIC sobre a região do Douro Vinhateiro (que foi visitada recentemente pelos alunos do 11ºH, 11ºJ e 12º F), focando a beleza das suas paisagens, o seu povo, o cultivo das vinhas, os problemas de desenvolvimento de uma região que foi distinguida pela UNESCO como "Património Mundial".

quarta-feira, 29 de abril de 2009

The Doors - Light My Fire

Hoje o momento musical é dedicado a uma das bandas míticas dos anos 60 e princípios dos anos 70: The Doors. Os Doors foram fundados por Ray Manzarek (teclados) e Jim Morrison (vocalista) em Los Angeles em 1965. Fiquem com um das suas melhores canções: Light My Fire, de 1967


Televisão digital terrestre começa hoje em 29 localidades e vai cobrir 40 por cento da população


O presidente da PT, Zeinal Bava, anunciou que que as primeiras emissões experimentais da televisão digital terrestre têm início hoje em 29 localidades em Portugal e vão abranger 40 por cento da população do país. Zeinal Bava falava hoje durante a apresentação do projecto de televisão digital terrestre (TDT), numa conferência de imprensa em Lisboa, na qual lembrou que o objectivo da operadora de telecomunicações é chegar a 80 por cento da população portuguesa no final deste ano. Sobre a nova plataforma serão emitidos os canais generalistas gratuitos com melhores condições de som e imagem que nas emissões analógicas, assim como outros dois canais para conteúdos em alta definição. Pelo menos um deles será utilizado rotativamente pelos operadores de televisão RTP, SIC e TVI, enquanto o outro diz respeito ao quinto canal, que ainda não está atribuído.Na prática, apesar do sinal de TDT estar disponível em 29 concelhos, para o receber é necessário que os utilizadores tenham televisores compatíveis com a norma de emissão (MPEG-4/H.264), caso contrário são obrigados a comprar uma caixa descodificadora. Isto para quem não for cliente de um serviço de televisão paga, porque nesses casos as caixas utilizadas já descodificam o sinal de TDT. As funcionalidades do novo serviço incluem o guia de programação, a barra de programação, a pausa TV e o Portal TV (que funcionará em complemento do teletexto). Outras funções como a gravação digital só estarão disponíveis nas caixas descodificadoras com disco rígido. À margem da apresentação, o presidente da PT revelou que as caixas descodificadoras já estão disponíveis no mercado, embora a mais barata ronde os 90 euros. Zeinal Bava disse ter "a firme convicção" que a indústria vai aumentar a produção destes aparelhos e baixar os preços (eventualmente para um valor em torno de 50 euros no caso das caixas menos sofisticadas), embora seja necessária maior clarificação quanto à data do "apagão" analógico. O Governo definiu como meta o dia 26 de Abril de 2012, mas Bava voltou hoje a frisar que a PT quer criar as condições para que o país passe a ter apenas emissões digitais em 2010, se assim for decidido. Quanto à subsidiação dos aparelhos descodificadores, Zeinal Bava reafirmou a intenção da empresa em garantir condições especiais para os consumidores de "baixo orçamento e para os equipamentos básicos", mas só quando for realizado o "switch-off". De acordo com o calendário europeu, os países da UE terão de fazer o "switch-off" (desligar) do sinal analógico de televisão até meados de 2012.

Fonte: http://economia.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1377439&idCanal=57

Localidades abrangidas com TDT a partir de hoje:
Alcochete
Almada
Alpiarça
Amadora
Barreiro
Benavente
Chaves
Coimbra
Entroncamento
Évora
Faro
Funchal
Gaia
Golegã
Lisboa
Mangualde
Matosinhos
Moita
Montijo
Oeiras
Olhão
Palmela
Ponta Delgada
Porto
Salvaterra de Magos
Seixal
Sintra
Torres Novas
Viana do Castelo


Estudo PISA: Alunos portugueses com mau desempenho a Ciências

Apenas três em cada 100 alunos portugueses, de 15 anos, sabe identificar, explicar e aplicar conhecimentos científicos em situações conhecidas e desconhecidas. Numa escala de 1 a 6, apenas três por cento dos portugueses têm um nível de desempenho igual ou superior a 5, revela o relatório "Os melhores da turma", da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), com base no estudo PISA (Project for Internacional Student Assessment) sobre Ciências. No topo da tabela estão a Finlândia e a Nova Zelândia, com 17 e 13,6 por cento de alunos com desempenhos de nível 5. Muito acima da média da OCDE (7,7 por cento). Abaixo de Portugal só o México e a Turquia, como 0,3 e 0,9 por cento. Na maior parte dos países, os alunos com melhores desempenhos frequentam escolas onde os resultados a Ciências são os mais altos. São essas escolas que atraem os melhores professores e recebem jovens de meios sociais mais favorecidos, diz o relatório. Contudo, Portugal é uma excepção, já que 52,9 por cento dos alunos andam em escolas onde o desempenho geral não é excepcional. Os que têm melhores resultados são alunos comprometidos, dedicados e estudam mais horas; fazem actividades relacionadas com as Ciências e consideram que o que aprendem pode ser um investimento no futuro. No entanto, a OCDE está preocupada, pois cerca de 40 por cento dos que atingem os mais altos desempenhos não estão interessados em prosseguir uma carreira dentro da área das Ciências. Uma "má notícia" para os países que contam com esta área para o desenvolvimento da economia. O PISA monitoriza os conhecimentos dos jovens de 15 anos, nos estados-membros da OCDE, a Matemática, Língua Materna e Ciências. Abaixo da classificação obtida por Portugal entre 30 países analisados só estão o México e a Turquia (Público, 29.04.09)


É uma pena que, ano após ano, os estudos do P.I.S.A. revelem a mesma realidade: os estudantes portugueses têm um desempenho escolar inferior aos dos estudantes dos outros países da OCDE, nomeadamente nas áreas da Matemática e das Ciências. Por que razão(ões) isto acontece? Seremos nós capazes de inverter esta situação?

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Cartoon - O Cão de Água Português


Agora que temos um novo heroi português, ou de origem portuguesa: o cão de água português de Barack Obama!...

O que é esta nova estirpe do vírus da gripe suína?

Partículas do vírus da gripe, vistos num microscópico electrónico

Perguntas & Respostas

Algumas questões sobre o surto da gripe suína que se estima que tenha vitimado mais de 60 pessoas no México e infectado oito nos Estados Unidos, deixando a Organização Mundial de Saúde a falar de um "potencial de pandemia".

O que é a gripe suína?

Frequente e poucas vezes fatal, embora com altos níveis de transmissão, a gripe suína é uma doença respiratória dos porcos. Normalmente, não é contagiosa para humanos, embora em casos de pessoas com contacto muito próximo com porcos seja possível a transmissão dos vírus da gripe suína (que, tal como outros vírus gripais, está em constante mutação). Mais rara ainda é a transmissão entre humanos.


Este surto deve-se a um novo tipo de gripe suína?

Sim. Trata-se de uma nova estirpe, nunca vista anteriormente, do vírus da gripe H1N1. Tem ADN de aves, suínos e humanos.


Quais são os sintomas?

Os sintomas são semelhantes aos da gripe humana normal: dores musculares, febre, tosse, cansaço, embora esta estirpe provoque mais frequentemente náuseas, vómitos e diarreia.


Porque é preocupante?

A gripe suína, mesmo nos casos raros em que é transmitida a humanos, raramente consegue passar de um humano para outro. Mas esta nova estirpe parece ser facilmente transmitida entre humanos, aparentemente do mesmo modo que a gripe: por partículas da saliva de uma pessoa infectada, sobretudo através da respiração e da fala (daí a recomendação de usar máscaras).


Quantas pessoas foram afectadas?

Para já, há 16 mortes confirmadas no México e outras 50 que se pensa terem tido como causa a infecção por este vírus. Nos Estados Unidos há sete descrições de infecção. A OMS avisou para uma potencial pandemia.


Porquê?

Porque é um vírus que está a afectar pessoas jovens e de boa saúde (normalmente a gripe atinge mais crianças e idosos ou pessoas fragilizadas) e ainda por causa da sua distribuição geográfica – casos em várias províncias mexicanas e na Califórnia e no Texas –, o que mostra que não está num lugar restrito.


Há alguma vacina?

Não há ainda uma vacina. Como são produzidas em ovos, as vacinas demoram sempre algumas semanas até chegarem ao público.


E tratamento?

Este vírus é sensível a dois medicamentos antivirais, o Tamiflu e o Relenza, que devem ser, no entanto, tomados nos primeiros dias de sintomas para serem mais eficazes.


E o que estão a fazer os países afectados?

As autoridades dos locais afectados estão a lançar avisos para que as pessoas evitem grandes multidões, e no México foram encerrados museus, bibliotecas. Até os jogos de futebol do fim-de-semana se vão realizar com os estádios vazios. Claro que, como dizia, citado pelo "Times" on-line o perito em saúde pública Michael Osterholm, da Universidade do Minnesota, “milhões de pessoas entram e saem todos os dias da Cidade do México [onde vivem 20 milhões de pessoas]. Tem de se pensar que há mais transmissões não reconhecidas por aí”. A OMS já pediu aos países que tomassem atenção a casos com sintomas semelhantes. (Público, 27.04.09)

Fotos da visita de estudo ao Alto Douro Vinhateiro - Djalme Lopes, 11ºJ








Fotos: Djalme Lopes, 11ºJ

domingo, 26 de abril de 2009

Gripe suína: seis infecções no Canadá, 20 nos EUA


O vírus da gripe suína está também no Canadá, anunciaram hoje as autoridades de saúde do país, com seis casos de infecção, mas nenhuma grave. O México continua a ser o único país com casos mortais - estima-se que 81 mortes - e com mais de mil casos suspeitos de infecção.O número de infecções nos EUA aumentou e o Centro para o Controlo e Prevenção das Doenças, a autoridade que supervisiona a saúde pública, deu hoje conta de 20 casos – os 11 de na Califórnia, Texas e Kansas, que eram já ontem conhecidos, e ainda oito casos de estudantes em Nova Iorque e de uma pessoa no Ohio. Todos recuperaram ou estão em vias de recuperação, e são considerados casos moderados de doença. Enquanto isso, países como a Nova Zelândia, Israel, Espanha ou França puseram pessoas com casos suspeitos de quarentena. Apesar das suspeitas em Espanha e França, a Comissão Europeia veio ontem sublinhar que não havia casos registados na Europa. Mas a Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou que é “possível” que o vírus da gripe suína “evolua”, tornando-se “muito mais perigoso”.“Há uma forte possibilidade de que o vírus evolua. Quando os vírus evoluem, é claro que se podem tornar muito mais perigosos para a população”, disse o vice-director-geral da OMS, Keiji Fukuda, numa conferência de imprensa telefónica. No dia anterior, a OMS avisava para o “potencial pandémico” da nova estirpe do vírus H1N1, e classificava o surto como uma “emergência de saúde pública preocupante a nível internacional”. (Público, 26.04.09)


sábado, 25 de abril de 2009

Os 35 anos do 25 de Abril de 1974 - Canções da revolução

No dia em que se comemoram os 35 anos da revolução do 25 de Abril de 1974, deixo-vos dois videoclips com duas canções que simbolizam esse período revolucionário: "Grandola, Vila Morena" (que foi uma das senhas utilizadas pelos militares no golpe militar), composta por Zeca Afonso e interpretada por muitos dos seus amigos (Vitorino, Sérgio Godinho, Julio Pereira, Uxia, Cantadores do Redondo, etc.) num espectáculo transmitido pela televisão galega e, ainda, "Somos livres (uma gaivota voava voava)", interpretada por Ermelinda Duarte, uma das canções mais marcantes do período revolucionário, especialmente para as crianças.


Grandola, Vila Morena





Somos Livres (Uma Gaivota Voava, Voava...)


quinta-feira, 23 de abril de 2009

Guerra no Sri Lanka


Mais uma guerra étnica faz notícia nos nossos media: o já antigo conflito no Sri Lanka (antigo Ceilão) que envolve o exército do país e os rebeldes Tigre Tamil e que nos últimos dias tem-se acentuado e que já deu origem a dezenas de milhares de refugiados. Fiquem com a notícia do Público on line:


Guerra no Sri Lanka: Conselho de Segurança da ONU apreensivo com os refugiados

O Conselho de Segurança das Nações Unidas expressou “profunda preocupação” com a situação humanitária das dezenas de milhares de refugiados que permanecem nas zonas dos combates travados entre os rebeldes Tigres Tamil e o exército do Sri Lanka.No final de uma reunião informal dos 15 Estados membros, ontem à noite, o actual presidente do Conselho de Segurança e embaixador mexicano na ONU, Claude Heller, revelou ter havido consenso numa “condenação forte” dos Tigres de Libertação do Eelam Tamil (LTTE), aos quais foi exigida a deposição das armas. As Nações Unidas sustentam que os rebeldes estão a usar os civis como escudos humanos na pequena faixa de terra, de cerca de 17 mil quilómetros quadrados no norte da ilha, onde os Tigres Tamil detêm agora a sua última posição de defesa contra as forças militares.Diplomatas que integram o Conselho avançaram, citados mas não identificados pela agência britânica Reuters, que a China e a Rússia, e outros países, se opuseram à ideia de encetar conversações formais sobre a guerra no Sri Lanka, conflito que se arrasta há mais de 25 anos. O argumento é de que se trata de uma questão interna do país. E, por essa razão, não foi acordado mais do que admitir que Heller prestasse declarações informalmente sobre a reunião de ontem. Enquanto as batalhas prosseguem – com o exército a afirmar esta manhã que os rebeldes não controlam mais já do que uma área entre os dez e os 12 quilómetros quadrados, depois de, no início da semana o exército ter derrubado um muro de terra que os Tigres Tamil tinham construído para atrasar os avanços das forças militares fiéis ao Governo do Sri Lanka.“Continua a haver combates esporádicos”, afirmou o porta-voz do exército, Udaya Nanayakkara à agência noticiosa francesa AFP, precisando que os rebeldes mantêm ainda a resistência apesar dos apelos para deporem as armas. “Mas a nossa prioridade é retirar os civis da zona”, insistiu aquela mesma fonte, sublinhando que o exército poderá “derrotar muito rapidamente [os rebeldes] desde que os civis tenham já partido”.Desde o início desta semana, dezenas de milhares de pessoas alimentam uma vaga maciça de fuga da zona de combate, com o exército a confirmar um número de pelo menos 100 mil civis a terem sido registados para serem transportados para campos de refugiados. O embaixador do Reino Unido na ONU, John Sawers, resumiu aos jornalistas o relatório recebido pelo enviado especial das Nações Unidas ao Sri Lanka, Vijay Nambiar, o qual – após o que vira na visita feita na semana passada ao país – descrevia uma “situação humanitária de desespero”. (Público, 23.04.09)



Para saberem mais sobre o assunto cliquem nos links em baixo:

Sri Lanka

Conflito no Sri Lanka

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Geoparque de Arouca reconhecido pela UNESCO como património geológico da Humanidade

Frecha da Mizarela, Serra da Freita, Arouca


O Geoparque de Arouca integra desde hoje a Rede Europeia de Geoparques que, sob a tutela da UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, reúne todos os territórios considerados património geológico da Humanidade.
Inaugurado a 5 de Dezembro de 2007, o Geoparque de Arouca envolve uma área de 327 quilómetros quadrados e abrange um total de 41 geo-sítios - termo técnico para os "sítios com interesse geológico" que, segundo a UNESCO, têm "particular importância pelo seu carácter científico, raridade, encanto estético ou valor educacional". No património de Arouca destacam-se as pistas fósseis dos quartzitos do vale do Paiva, e, sobretudo, duas ocorrências geológicas apontadas pelos especialistas como únicas no mundo: as trilobites e as pedras parideiras. Em causa está "um território de excepção", como observa o paleontólogo Artur Sá, coordenador científico do Geoparque de Arouca e docente do Departamento de Geologia da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. "Com a integração na Rede Europeia de Geoparques", refere o paleontólogo, "Arouca passa a ter um selo de garantia da UNESCO, uma prova de que reconhecem internacionalmente as qualidades do nosso território e das nossas valências". O funcionamento em rede deverá agora "permitir o desenvolvimento de conhecimentos científicos e educativos que promovam, para além das fronteiras de cada país, os territórios de excepção que há na Europa e no mundo". Artur Sá acredita, aliás, que a adesão do Geoparque de Arouca à Rede Global de Geoparques depende agora "de um mero pro-forma". O principal já foi feito. "Tivemos muito trabalho a nível da inventariação do território e do levantamento das suas ocorrências geológicas, mas o projecto contou desde a primeira hora com o apoio das pessoas que estão no terreno e das forças políticas do concelho de Arouca". Esse envolvimento deve-se ao facto de que "em causa não está um parque nacional nem um parque natural, mas um território que coincide com todo o município de Arouca e que é feito por pessoas, para as pessoas". Os geoparques da rede da UNESCO têm, afinal, que obedecer a uma estratégia de desenvolvimento sustentável que justifica que o seu património geológico funcione "como uma base agregadora das sinergias da região". "Geologia, gastronomia, cultura, indústria - tudo cabe no geoparque", afirma Artur Sá. "Queremos um despertar pleno desta região para as pessoas que nos visitam". A integração do Geoparque de Arouca na rede da UNESCO já foi aprovada há algumas semanas, mas a escolha do dia 22 de Abril para divulgação do facto "não foi ao acaso". Segundo o coordenador científico do projecto, "esta fica a ser a data oficial da integração, para coincidir com o Dia Mundial da Terra e o Dia Nacional do Património Geológico". O Geoparque de Arouca torna-se assim, acrescenta o paleontólogo, "a 34.ª estrela no mapa da Rede Europeia de Geoparques". O processo foi iniciado em Agosto de 2008 e a avaliação do território pelos peritos da UNESCO foi feita em Fevereiro de 2009. O Geoparque de Arouca é o segundo projecto do género em Portugal, a seguir ao Geopark Naturtejo da Meseta Meridional, que também integra a rede da UNESCO, desde Julho de 2006
. (Ecosfera, 22.04.09)

Mais um motivo de satisfação e de orgulho para os portugueses! A serra da Freita, no concelho de Arouca, é de facto uma preciosidade que deve ser conhecida e preservada. Para ficarem com uma ideia do que são as famosas "pedras parideiras" e a Frecha da Mizarela (cascata com cerca de 60 metros de altura) visionem o vídeo a seguir. Não se esqueçam que tudo isto fica apenas a uma hora e meia do Porto.


22 de Abril - Dia da Terra


No dia 22 de Abril, Dia da Terra, o jornal Público traz um suplemento relacionado com o tema, com diversos textos interessantes. Destes seleccionei três que passo a transcrever e que servem para reflectirem sobre o estado em que se encontra o nosso planeta e sobre o que Portugal tem feito ultimamente no sector energético e sobre o que deve ser feito para melhorar a situação.


Dia da Terra: 2009, Um ano decisivo


Em 1994, a Agência Internacional de Energia (AIE) traçava um cenário preocupante para o futuro. O consumo mundial de energia primária aumentaria 48 por cento até 2010, em relação a 1991. E os combustíveis fósseis continuariam a reinar como fonte principal do bem-estar humano. Como consequência, as emissões de dióxido de carbono – o vilão do aquecimento global – subiriam 50 por cento.O futuro de que então se falava já é hoje. No balanço mais recente da AIE, publicado no ano passado, um dado até parece positivo: o consumo não subiu tanto assim, registando 34 por cento de aumento entre 1990 e 2006. Mas, de resto, estamos hoje tão insustentáveis como no princípio da década de 1990. A contribuição dos combustíveis fósseis – petróleo, carvão e gás natural – está rigorosamente na mesma: 81 por cento do consumo energético global. E as chamadas “novas renováveis” – como os parques eólicos e os painéis solares – pesam menos de um por cento do total. Pela tendência actual, alerta a AIE, a atmosfera terá no futuro uma tal concentração de gases com efeito de estufa que a temperatura da Terra poderá, teoricamente, aumentar em 6 graus Celsius. Para o problema das alterações climáticas, 2009 não é um ano qualquer. Em Dezembro, a comunidade internacional vai reunir-se em Copenhaga para discutir um caminho mais firme para conter a escalada das emissões de gases com efeito de estufa. Por agora, o mundo agarra-se ao Protocolo de Quioto, um tratado de 1997 que obriga os países desenvolvidos a fazerem um esforço, embora insufi ciente, para reduzir as suas emissões até 2012. O que estará sobre a mesa em Copenhaga é o que fazer depois disso. E como se conseguirão envolver os maiores poluidores do mundo – entre eles países em desenvolvimento, como a China, Índia, Brasil e outros – num esforço realmente efectivo para se abaterem as emissões. Na história das últimas duas décadas, há animadores casos de sucesso, outros nem tanto. Fica uma certeza: nunca a preocupação com a energia esteve tão disseminada na sociedade como agora. É um passo. (Publico, 22.04.09)


Energia: Parques eólicos são o rosto das novas renováveis


A eólica começou devagar mas agora produz 11 por cento da electricidade consumida no país. Um sucesso que é seguido de longe por outras formas de energia renovável.As três enormes pás, com 39,5 metros de comprimento, aguardam, lado a lado, para ser içadas. A grua gigante está pronta e espera por uma trégua do vento para erguê-las a uma altura de 81 metros, onde serão ligadas ao eixo de rotação, lá no alto da torre de betão e aço. Dentro de dias Portugal terá a funcionar mais um parque eólico. Se tudo correr bem, até ao fi nal desta semana os três aerogeradores do parque dos Milagres, do consórcio Eneop-Eólicas de Portugal, vão estar ligados à rede, suprindo energia limpa e renovável sufi ciente para abastecer duas mil habitações. Na paisagem semirural de Sobral de Monte Agraço – entre vinhas, aldeias e uma autoestrada, mesmo ao lado de Lisboa – vão somar-se a dezenas de outras máquinas que têm vindo a ser instaladas progressivamente na região. Os parques eólicos são a cara das novas energias renováveis em Portugal. Até ao final do ano passado, havia já 1604 aerogeradores instalados e mais 355 em construção em todo o país, segundo o mais recente balanço feito pelo Inegi-Instituto de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial. No total, são quase 3600 megawatts (MW) de potência, o que equivale a duas centrais térmicas como a de Sines – a maior do país. A eólica começou devagar, com os primeiros projectos comerciais no princípio dos anos 1990. Sofreu um primeiro impulso em 1995, mas o maior empurrão veio em 2001, quando o Governo fi xou uma tarifa mais favorável para quem vende electricidade produzida pelo vento. Nesse ano, a capacidade instalada em parques eólicos duplicou, chegando aos 1000 MW. Em 2007, já tinha duplicado novamente, para mais de 2000 MW. No ano passado, a energia eólica produziu 11 por cento da electricidade consumida em Portugal. Em 2000, não ia além de 0,4 por cento. Agora, a energia eólica está a entrar em mais uma fase adicional de optimismo. Desde 2008, Portugal passou de importador a produtor de aerogeradores, com a instalação de um cluster industrial em Viana do Castelo. “É um marco fundamental na energia eólica em Portugal”, avalia Álvaro Rodrigues, especialista do Inegi. Incluídas no contrato do Estado com a Eneop – um consórcio que envolve a alemã Enercon e quatro empresas portuguesas (EDP, Finerge, Generg e Térmica Portuguesa) – as fábricas de Viana já produzem as torres, as pás e os geradores eléctricos que estão a ser montados, por exemplo, em Sobral de Monte Agraço. São máquinas completamente diferentes das primeiras que foram montadas em Portugal. Um aerogerador de 1985 tinha 30 kilowatts de potência e um rotor com 15 metros de diâmetro. Hoje, as máquinas de Sobral de Monte Agraço – que nem são as maiores do mercado – têm quase 70 vezes mais potência, gerada por uma hélice com 82 metros de diâmetro, superior à envergadura de um Boeing 747. Para transportar cada uma das pás é preciso um camião com 45 metros de comprimento, difícil de manobrar. “Para este parque, tivemos de refazer uma curva de uma estrada nacional”, conta Alexandre Gusmão, da empresa Térmica Portuguesa. Solar e ondas com atrasoO inegável sucesso das eólicas em Portugal está a ser seguido de longe por outras formas de energia renovável. O aproveitamento da energia solar – num país de abundante insolação, para o bem e para o mal – leva anos de atraso. Só agora, com a obrigatoriedade recente de painéis solares para aquecimento em construções novas e com um sistema de empréstimos bancários lançado há meses pelo Governo, é que o mercado começa a aquecer, por enquanto ainda muito timidamente. “Nota-se um sinal positivo: o interesse e a curiosidade das pessoas e, a montante, o facto de aparecerem empresas, seja na produção ou na comercialização, a actuar no mercado”, afirma Nuno Ribeiro da Silva, presidente da Sociedade Portuguesa de Energia Solar (SPES). Já a produção eléctrica por via solar saiu do estado zero no país mas contribui ainda com uma parte ínfima do consumo nacional – 0,07 por cento em 2008. Duas grandes centrais fotovoltaicas foram inauguradas no Alentejo – em Serpa e Moura. Mas Nuno Ribeiro da Silva não vê a ideia com bons olhos, dizendo que, para o solar fotovoltaico, a melhor aposta é a produção descentralizada, junto dos consumidores – por exemplo, nos próprios edifícios. “Meter as renováveis numa lógica de concentração, de monocultura de painéis fotovoltaicos, é [como uma pessoa] desperdiçar numa única jogada de casino todo o seu pecúlio”, compara. Em alguns domínios, as renováveis fizeram mais barulho do que trouxeram resultados. O parque das ondas da Aguçadoura, em instalação ao largo da Póvoa do Varzim, tem convalescido do seu próprio pionieirismo mundial, sucessivamente louvado. Problemas técnicos impediram-no até agora de funcionar. Noutros tem havido avanços, mas mais silenciosos, como no aproveitamento da biomassa para produção eléctrica – que já supre três por cento do consumo do país. Enquanto não chegam soluções efectivas para outros sectores cruciais na área da energia, especialmente nos transportes, a eólica continuará a ser o carrochefe das renováveis no país. A crise fi nanceira está a ter algum impacto, dado que um parque eólico requer um elevado investimento logo no princípio do projecto. “A crise tem dado algumas machadadas. As condições de fi nanciamento hoje não são como eram no passado”, afi rma Aníbal Fernandes, presidente da Eneop. Mas ninguém duvida que Portugal atinja a meta dos 5100 MW de potência instalada, como fi xara o Governo, ainda que com um ligeiro atraso em relação à data inicialmente prevista: 2010. A isto somar-se-ão reforços dos parques já existentes, elevando ainda mais o parque eólico nacional. Enquanto houver vento, por aí estamos bem. (Público, 22.04.09)


Editorial
Dia da Terra: A nossa vida tem de mudar


Há 25 anos discutia-se em Portugal a construção de uma central nuclear. A aprovação do projecto esteve por um fio num épico Conselho de Ministros onde o então ministro da Qualidade de Vida, Francisco Sousa Tavares, levou a melhor sobre o ministro da Indústria, Veiga Simão. Dois titãs num executivo que ainda hoje é muito injustamente apreciado, o do Bloco Central.O país discutiu na altura, com profundidade e grande repercussão na opinião pública, um Plano Energético que, numa época em que algumas das renováveis hoje operacionais eram apenas quimeras, já colocava o dedo na ferida: o país necessitava de apostar mais na conservação de energia, tinha de investir em energias mais limpas e, sobretudo, era preciso que a economia crescesse a um ritmo mais rápido do que o do consumo de energia.Passados todos estes anos – uma geração – alguns destes problemas continuam em cima da mesa. Introduzimos o gás natural na última década do século passado, mas cometendo alguns erros. Atrasámo-nos demasiado na promoção das energias renováveis – sobretudo na exploração da energia eólica – já que, depois da passagem de Nuno Ribeiro da Silva pelo pelouro da Energia, só voltámos a ter alguém com categoria nesse lugar no final da era de Guterres, com Oliveira Fernandes.Mas se hoje as renováveis são uma espécie de coqueluche do Governo, o único projecto sustentável e capaz de criar um cluster nacional é o eólico.O aproveitamento da energia solar tem conhecido demasiadas hesitações e é duvidoso que a opção por mega-instalações seja a mais adequada. Esteve-se muito tempo sem construir novas barragens e pouco se desenvolveu a área das minihídricas.Há bons projectos de co-geração mas pouco se avançou na micro-geração, para muitos técnicos uma das soluções com mais futuro.O muito que se andou não evitou, contudo, que o ritmo de crescimento do consumo de energia tenha sido, neste período, muito superior ao ritmo de crescimento da riqueza nacional. Ainda hoje o ritmo de crescimento do consumo de energia é superior ao ritmo de crescimento do PIB quando, há 25 anos, a maior parte dos nossos parceiros europeus já tinham conseguido inverter essa tendência.Isto que significa que continuamos a ser pouco eficientes na melhor utilização da energia, em boa parte porque o país depende em demasia do transporte automóvel, quer para as mercadorias, quer para as deslocações particulares, porque a qualidade de construção não melhorou, porque os hábitos de consumo dos portugueses levam-nos a consumir muito mais energia nos inúmeros aparelhos que hoje enchem as suas casas.Tempos de crise como os que hoje atravessamos devem-nos levar a repensar muitos dos hábitos fáceis que adquirimos.Não basta, por exemplo, trocar as lâmpadas normais por lâmpadas de baixo consumo: é necessário fazer como os nossos avós, que apagavam a luz quando saíam da sala. Não chega escolher um frigorífico mais eficaz ou uma televisão mais económica, é necessário aprender a utilizá-los de forma racional. E não se pode continuar a escolher um automóvel sem olhar para os níveis de emissão de CO2.Tudo isto e muito mais tem de ser feito porque nem que colocássemos torres eólicas em todas as cristas das nossas serras e forrássemos o Alentejo de painéis solares produziríamos a energia suficiente para as nossas necessidades. As renováveis são boas, mas não resolvem todos os problemas se mantivermos os nossos actuais hábitos de consumo. É bom não ter ilusões. (José Manuel Fernandes, Público, 22.04.09)



Condomínio da Terra

No Dia Mundial da Terra (22 de Abril) fica aqui mais uma vez um vídeo promocional do projecto "Condomínio da Terra", agora em Português, com a locutora Sílvia Alberto.

domingo, 19 de abril de 2009

Mata-te e limpa a nossa honra - os crimes de honra na Turquia

Na Turquia, está a aumentar o número de mulheres que se suicidam para "lavar a vergonha" das famílias. Fecham-nas num quarto e dão-lhes veneno para ratos, uma pistola ou uma corda. São três de muitas opções. Os crimes de "honra" continuam a um ritmo de "mais de 5000 por ano". São cometidos em comunidades religiosas e não religiosas. E entre as vítimas também há homens.


Em Batman, já cognominada "cidade dos suicídios", no Sudeste da Anatólia (Turquia), Derya, de 17 anos, percebeu que tinha de pôr termo à vida quando recebeu no telemóvel a seguinte mensagem, enviada por um tio: "Mata-te e limpa a nossa honra ou seremos nós a fazê-lo." O seu crime? Ter-se apaixonado por um rapaz que conhecera na escola.Sob intensa pressão, convencida de que havia "cometido o maior pecado do mundo", Derya procurou "respeitar os desejos" da família, mas falharam as suas três tentativas: primeiro afogar-se no rio Tigre, depois enforcar-se e, finalmente, cortar os pulsos. Está agora num refúgio para mulheres, e foi aqui que contou a sua história ao jornal The New York Times. Derya não é a única rapariga em Batman (pronuncia-se bot-mon), e noutras localidades da Turquia intimada por parentes, próximos e/ou afastados, a suicidar-se. Desde que, em 1 de Junho de 2005, entrou em vigor um código penal que prevê prisão perpétua para os que cometerem crimes de "honra", muitas famílias optam por esta "solução". Evitam assim perder dois filhos - a rapariga que é morta e o rapaz que é preso, porque a matou."É impossível quantificar os suicídios forçados, mas temos a sensação que são mais desde que as novas leis começaram a ser aplicadas", disse ao P2, numa entrevista por telefone, Meltem Agduk, que há seis anos é coordenadora na Turquia do programa de igualdade de género do Fundo das Nações Unidas para a População (UNPF, sigla em inglês) e há 20 milita pelos direitos das mulheres e contra a violência de que são vítimas.No seu trabalho de campo e com diversas instituições, Meltem Agduk confirma a existência de casos em que raparigas são encerradas num quarto com veneno de ratos, uma pistola e uma corda. Têm de escolher um deles para se suicidarem. Geralmente, esta clausura é deliberada em conselho familiar. Se a "condenada" não conseguir fazer o que lhe ordenaram - e algumas chegam a estar fechadas durante dias -, caberá ao irmão ou a um primo mais novo a "tarefa" de a eliminar. Ter menos de 18 anos pode ser atenuante na hora de o juiz ler a sentença.Meltem Agduk admite que o número de suicídios é maior no Leste e Sudeste da Turquia, mas alerta que os crimes de "honra" são um fenómeno generalizado em todo o país e não se circunscrevem à minoria curda.O que acontece na Turquia está, todavia, a repetir-se no Curdistão iraquiano, onde o governo autónomo também modificou o código penal. Há cada vez mais raparigas a tentarem o suicídio, a maioria imolando-se pelo fogo. Um dos casos registados pela ONG Kurdish Women's Right Watch foi o de Rojan, de 13 anos, que sobreviveu com 99 por cento do corpo queimado. A mãe alegou que a filha foi vítima de "uma explosão acidental de gás", mas o irmão, Wishyar, revelou à polícia que Rojan foi aconselhada a matar-se por ter recusado a ordem de um tio para se casar com um desconhecido de 28 anos. "Há bases razoáveis para depreender que alguns dos suicídios registados são, na realidade, assassínios disfarçados", concluiu Yakin Ertürk, relatora especial da ONU, num relatório apresentado em 2007, depois de uma missão a pedido do secretário-geral, para avaliar a violência contra as mulheres. "Noutros casos, os membros da família terão instigado os suicídios", um acto criminalizado pelo artigo 84 do novo código penal.

A religião não é a questão

O que é a "honra" que leva famílias a matar ou a exigir o suicídio das suas meninas e mulheres? Para a activista Meltem Agduk, "é uma questão cultural, mais do que religiosa". O problema, afirma, "é que os homens querem ter poder, porque prevalece uma relação de desigualdade numa sociedade patriarcal. Se as mulheres ignoram as regras estabelecidas pelos homens, estes consideram que é um ataque à sua honra e merece castigo."Na Turquia, adianta Agduk, "há dois tipos de líderes religiosos, um que está directamente subordinado ao governo e que considera 'um pecado' matar as mulheres para defender a 'honra'; e outro que está ligado a seitas islâmicas, mais moderadas ou mais fundamentalistas, que considera legítimo os assassínios e suicídios para lavar a 'honra' da família". A antropóloga norueguesa Unni Wikan, autora da aclamada obra In Honour of Fadime: Murder and Shame (ver segundo texto) explica ao P2, por e-mail, que "'honra' significa coisas diferentes em tempos e lugares diferentes" Para casos como o de Derya, em Batman, "a 'honra' depende do controlo social/sexual das mulheres da família. A honra é colectiva, partilhada por uma família ou clã, e pode ser perdida se uma rapariga ou uma mulher na família se comporta indecentemente. Neste sentido, a 'honra' é uma questão de reputação mais do que de comportamento. A 'honra', aqui, é uma questão de cultura ou tradição, não de religião, embora a religião possa ser usada ou abusada para apoiar noções específicas de honra." Há provas documentais, sublinha Wikan, de que os crimes de "honra" são cometidos entre cristãos, muçulmanos, hindus, sikhs, confucionistas, "assim como entre não-religiosos; a religião não é a questão".Na Índia, por exemplo, os crimes de "honra" representam mais de 10 por cento de todos os homicídios nos estados de Haryana e Punjab, no Norte, segundo a All India Democratic Women's Association (AIDWA). São mulheres e homens, mortos "em nome da família, da comunidade ou da casta". Um destes casos foi o de Geeta Rani, de Hoshiarpur (Punjab), cujo marido, Jasveer, foi morto por um grupo de homens da aldeia dela por pertencer a uma casta "inferior". Amputaram-lhe as mãos e as pernas antes de o assassinarem, segundo registos da AIDWA.

Os homens também morrem

A Amnistia Internacional e as Nações Unidas calculam em mais de 5000 os crimes de "honra" cometidos em todo o mundo. "Em algumas sociedades, como o Paquistão, onde o número é de cerca de mil por ano, um terço das vítimas são homens", revela Wikan. "Os homens vítimas de crimes de 'honra' são habitualmente mortos pela família das mulheres, não pela sua."Do que já foi feito na Turquia, onde "a namus [honra] é um valor importante na sociedade", Meltem Agduk chama a atenção para o trabalho dos últimos 20 a 25 anos desenvolvido por ONG que lançaram campanhas contra os abusos, criaram refúgios para as vítimas e persuadiram o governo a envolver-se mais profundamente. "Se o código penal mudou, foi em grande medida graças à pressão destas organizações", frisou. Em 2005, por exemplo, foi criada uma comissão de inquérito parlamentar à violência sobre mulheres e aos crimes de "honra", em particular. "A comissão apresentou um relatório e logo a seguir o primeiro-ministro emitiu directrizes. Agora, polícias, juízes, conselheiros, assistentes sociais e outros recebem formação profissional para combater actos de violência sobre as mulheres."Agduk está particularmente orgulhosa, porque "cada vez mais mulheres se sentem encorajadas a ir à polícia - as queixas nas esquadras aumentaram -, por saberem que vão encontrar apoio do governo". "[Recentemente], acabámos um curso de treino de polícias, que envolveu uns 40 mil agentes", exultou.Apesar do caminho já percorrido, a coordenadora da ONU avisa que "este é um problema que só pode ser resolvido com uma mudança de comportamento - e isso vai demorar tempo a acontecer. Levará anos, senão mesmo séculos. Estamos a tentar educar os homens a insurgir-se contra a violência e os crimes de 'honra', mas só poderemos acabar com isto se houver uma mudança de atitudes. Estes crimes estão muito ligados à estrutura cultural da comunidade."Uma das acções que Agduk acredita virão a ser benéficas a longo prazo é o trabalho que, há cinco anos, vem fazendo junto das forças armadas. "O serviço militar é obrigatório na Turquia, onde todos os homens, entre os 18 e os 25 anos, têm de cumprir pelo menos um ano. O exército, pilar da sociedade, tem agora um curso obrigatório sobre violência contra as mulheres."Sobre os crimes de "honra" cada vez mais frequentes em países europeus, como o Reino Unido, a Holanda ou a Suécia, Agduk constata que "há uma tendência para os imigrantes serem mais conservadores do que se vivessem no seu próprio país". O imigrante "sente que tem de proteger a sua família dos 'perigos' da sociedade que o acolheu - é muito difícil de explicar!", acentua. Unni Wikan também reconhece que as tradições "são muito fortes em algumas comunidades imigrantes, e até se reforçaram na Europa". As razões "são complexas", prossegue a professora de Antropologia Social na Universidade de Oslo. "Há um fracasso da integração em muitas sociedades europeias, e há pressão dos familiares e dos membros dos clãs 'lá na terra' para se conservarem as tradições. Manter o controlo das suas mulheres pode ser mais importante na Europa, onde o casamento abre portas ao green card - seguramente o caminho mais fácil para entrar na Escandinávia."Por que é que tantos crimes permanecem desconhecidos? "Há um código de silêncio nas comunidades imigrantes com um forte código de honra", explica Wikan. "As pessoas não falam nem testemunham em tribunal. Muitos crimes são ocultados como acidentes ou suicídios; o sistema judiciário também falha no reconhecimento da natureza do crime, por não compreender nem conhecer o código de honra."Unni Wikan começou a interessar-se pelo fenómeno dos crimes de "honra" na Europa em 1996 quando Sara, de 16 anos, foi morta por um irmão e um primo, de 16 e 17 anos, respectivamente. As provas indicaram que os dois rapazes foram "contratados" para o assassínio por cinco adultos da família, incluindo os seus pais. A família provinha do Curdistão iraquiano.

Uma questão de reputação

Entre os crimes de "honra" que mais chocaram Wikan está o de Fadime Sahindal em Uppsala, na Suécia, que deu origem ao seu livro. Outro, que muito a afectou e escandalizou, foi o assassínio de Ghazala Khan, de 18 anos, pelo seu irmão, em 2005, na Dinamarca. O marido de Ghazala ficou mortalmente ferido, mas sobreviveu. Nove pessoas foram condenadas neste processo, incluindo o pai - que mandou o filho cometer o crime, tios e tias. "O pai, que era um homem digno, vivia na Dinamarca há 30 anos e falava fluentemente dinamarquês."Quanto a Meltem Agduk, disse que ficou perturbada com o caso de S. (pediu para não dar o nome da vítima porque a investigação nunca foi concluída), executada em Fevereiro de 1996, por volta das 16h locais, na praça central da aldeia de Sanh Urfa. Um primo cortou-lhe a garganta com uma faca, enquanto os seus dois irmãos lhe agarravam os braços. A vítima tinha 16 anos e o atacante 14.S. foi acusada de se "afastar de casa e com isso ter colocado o nome na rua". Embora o homicídio tivesse sido cometido numa área muito movimentada e à luz do dia, ninguém se apresentou como testemunha. Exames forenses concluíram que era virgem. Nestas famílias, observou Unni Wikan, "a reputação significa mais do que a verdade". (Público, 18.04.09)

É por esta e por outras razões que a Turquia ainda não foi aceite na UE. Apesar das leis da Turquia terem abolido a pena de morte e de proibirem os crimes de honra, a realidade que se vive nas zonas rurais do sul e sudeste é bem diferente. É impensável que situações como estas possam ocorrer no interior de um Estado-membro da União Europeia. Seria contra todos os princípios e valores ocidentais e comunitários.

Seis falsos mitos sobre o Trabalho Infantil

A propósito da Palestra subordinada ao tema "Pobreza Puxa Trabalho Infantil", que foi apresentada por elementos do CNASTI (Confederação Nacional de Acção Sobre Trabalho Infanil) no dia 20 de Abril na aula de Geografia C do 12º H, fica aqui uma reflexão desta organização que podem encontrar no seu site:


Seis falsos mitos sobre o Trabalho Infantil

1º - As crianças têm que trabalhar porque são pobres….
Este é o maior mito sobre o trabalho de crianças. Em todo mundo, de acordo com dados recolhidos pela “Marcha Global Contra o Trabalho Infantil”, a maioria das pessoas pensa que só o fim da pobreza poderá trazer, também, o fim do trabalho de crianças. Enquanto que as crianças continuarem analfabetas, sem conhecer os seus direitos e deveres e sem terem a noção de que podem ter uma vida diferente e melhor que a dos pais, o ciclo da pobreza não terminará. Segundo números da UNICEF, o exemplo de que a pobreza não justifica o trabalho infantil está na comparação entre dois países: o Quénia e a Zâmbia. São países com níveis muito similares de pobreza mas com números bem diferentes o que diz respeito ao trabalho de menores. No Quénia, 39% das crianças trabalham e na Zâmbia apenas 15 %. Se este mito fosse verdadeiro, o Quénia deveria ter um rendimento “per capita” muito superior ao da Zâmbia. E não tem.

2º - O contributo das crianças é fundamental para o rendimento das famílias…
Sim, é verdade que muitas famílias vivem na pobreza e todo o dinheiro que conseguirem alcançar é fundamental. Mas, o Banco Mundial não tem dúvidas em assegurar que milhões de adultos não trabalham porque as tarefas são desempenhadas por crianças a um custo infinitamente mais baixo do que se realizadas por um adulto. O exemplo vem da Índia. Num questionário feito aos donos das empresas e oficinas que tinham um elevado número de crianças a trabalhar, 80 % dos “empregadores” referiu que apenas emprega crianças porque é mais barato. Assim, no mundo, há cerca de 180 milhões de adultos desempregados e mais de 240 milhões de crianças a trabalhar. Como as famílias não estão mais ricas, apesar do trabalho das crianças, a conclusão que podemos tirar é que as tarefas que as crianças desempenham deveriam ser realizadas por adultos, com um trabalho digno e salários justos.

3º - Em algumas áreas, as crianças trabalham melhor que os adultos…
Sobretudo em áreas como os sectores têxtil e fiação criou-se o mito que como as crianças têm as mãos mais pequenas, conseguem trabalhar melhor que os adultos. É preciso acabar urgentemente com este argumento de que as crianças têm “atributos especiais” para o trabalho. Os adultos têm capacidade física para trabalhar mais e melhor que as crianças.

4º - O trabalho das crianças é necessário para que os países pobres se desenvolvam…
Não há qualquer estudo económico do Banco Mundial que confirme esta teoria. Historicamente, o motor de desenvolvimento dos países é a educação e não o trabalho de meninas e meninos que têm idade para estar na escola. São as leis que implicam uma escolaridade obrigatória e a construção de mais escolas que fazem crescer, a longo prazo, a economia dos países.

5º - O trabalho infantil faz parte da educação das crianças…
Milhões de vítimas do trabalho infantil passaram os dias e as noites da sua infância em actividades físicas e mentalmente esgotantes. A Escola ensina mais do que a ler e a escrever. A Escola ensina a viver em sociedade e a conhecer o mundo. A educação “transforma” uma criança num adulto responsável. Um estudo recente, mostra que os adultos que trabalharam enquanto crianças, produzem menos que os colegas que começaram a trabalhar na idade adequada. A UNICEF recomenda: “Os adultos têm que perceber que o trabalho infantil não faz parte nem da educação nem do crescimento de uma criança”.

6º As crianças têm o direito de trabalhar se o quiserem fazer…
Nos últimos anos, um pouco por todo o mundo, algumas instituições têm vindo a defender esta causa. Todas as convenções internacionais defendem o direito à infância. Defendem e lutam pelo direito à educação e não pelo direito ao trabalho. Os direitos das crianças não são negociáveis nem dependentes de etnia, sexo ou religião. E todas as crianças têm direito à infância.

por: CNASTI (30/05/2008 15:06:47)

Fonte: http://www.cnasti.pt/cnasti/?pg=noticia&id=10


Os alunos do 12ºH gostaram da palestra?

The Voca People

The Voca People é um grupo international vocal de performance teatral combinando sons vocais e canções acapella (música vocal sem acompanhamento instrumental).

É bastante divertido!

Tráfego aéreo mundial visto do espaço

Afinal é bastante seguro andar de avião!!

O tempo deste clip é de 1m 12s e representa as 24 horas de um dia inteiro das viagens de avião que se fazem. Feitas as contas, cada segundo de filme, representa 20 minutos reais.

Cada pontinho amarelo representa um voo com pelo menos 250 passageiros. Notem que os voos dos EUA para a Europa partem principalmente à noite, sendo a sua volta diurna. Pela imagem que o sol imprime no globo, pode-se dizer que é verão no hemisfério norte. Isto porque ele quase não se põe no pólo norte e no pólo sul quase não aparece.


sexta-feira, 17 de abril de 2009

Xutos & Pontapés - Maria

A propósito da matéria dos transportes e comunicações, que está a ser leccionada nas turmas do 11º ano (Geografia A), fiquem com os Xutos e Pontapés (que continuam a festejar os seus 30 anos de carreira) e a canção "Maria" e as famosas 9 horas que eram necessárias para fazer de Bragança a Lisboa, antes da "revolução rodoviária" dos últimos 20 anos.


Visita de Estudo à região do Alto Douro - 21 de Abril 2009


Como "aperitivo" para a visita de estudo que vai ser realizada à região do Alto Douro na próxima terça feira, 21 de abril de 2009, em que participarão os alunos das turmas 11ºF, 11ºJ e 12ºF, podem visionar algumas fotos dos lugares que serão visitados:

Solar de Mateus (Vila Real)













Peso da Régua






Quinta do Panascal (Valença do Douro, Tabuaço)