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sábado, 30 de janeiro de 2010
Eagles - New Kid in Town
Alta velocidade em diferentes países do Mundo
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
O labiríntico tarifário da CP Comboios

Infelizmente, a rede de caminho-de-ferro portuguesa pouco evoluiu nas últimas décadas, tendo-se verificado um grande desleixo neste sector em detrimento do transporte rodoviário, onde foram feitos elevados investimentos em auto-estradas e vias-rápidas. À excepção da electrificação de algumas linhas, a modernização dos transportes suburbanos e a introdução do comboio pendular na linha do Norte, pouco mais se fez em diversas décadas. Comboios antigos, lentos e desconfortáveis e linhas-férreas obsoletas são a realidade que se verifica na maior parte do país. Para além disso, muitas linhas foram suspensas ou mesmo abandonadas, deixando muitas regiões, principalmente do interior, fora da rede ferroviária nacional.
Para agravar a situação, a divisão da CP em quatro unidades de serviço de um modo completamente desarticulado está a tornar as viagens de comboio num grande problema, gerando situações completamente absurdas, nomeadamente nos preços dos bilhetes e nos horários.
Par compreenderem melhor o que se está a passar vejam a notícia do Público de 24 de Janeiro:
Viajar de comboio pelo país pode dar muito trabalho e a culpa é da manta de retalhos em que a transportadora ferroviária se transformou. CP Lisboa, CP Porto, CP Regional e CP Longo Curso trabalham com tarifários e horários que nem sempre são integrados. Imaginámos diferentes viagens para mostrar as dificuldades dos passageiros.
O senhor Manuel foi emigrante e quis reviver com a neta a viagem de dez horas que fez do Bombarral para Vilar Formoso, quando tentou o "salto" para a França em 1968. Pensando que hoje a coisa era mais rápida, nem consultou horários e apresentou-se na estação do Bombarral para o comboio das oito da manhã.
Aventurou-se e demorou 14 horas. A viagem que, 40 anos antes, realizara com um único transbordo teve de ser feita agora com - pasme-se! - cinco comboios.
Eis a aventura: primeiro, um comboio para as Caldas da Rainha, onde mudou para outra composição que o deixou no meio dos arrozais do Mondego num apeadeiro chamado Bifurcação de Lares. Ali apanhou um suburbano vindo da Figueira da Foz para Coimbra e depois outro comboio para a Guarda onde, pela última vez, mudou para o regional para Vilar Formoso. E, como se não bastasse o tempo de viagem e os transbordos, o bilhete vendido pela CP foi mais caro, porque resultou do somatório de todas estas viagens: 23,65 euros. Mais do que os 20 euros de uma viagem de Lisboa para Vilar Formoso em comboio directo. Ou seja: na CP viajar 220 quilómetros em vários regionais (por falta de alternativa) é mais dispendioso do que uma viagem directa de 434 quilómetros.
O senhor Silva vive em Queluz e quis visitar um colega em Torres Vedras. Há anos que não viajava de comboio em Portugal, mas pareceu-lhe esta a melhor opção, já que a tinha logo ali, bem perto de casa. A primeira surpresa foi logo na estação de Queluz. Que não podia comprar um bilhete directo para Torres, dizem-lhe na bilheteira. Que desembolsasse primeiro 1,20 euros até ao Cacém e que comprasse lá o bilhete para o outro comboio (mais 3,15 euros) para Torres Vedras.
Mas afinal isto é só uma viagem de 50 quilómetros, pensou. Era seu desejo comprar o bilhete de ida e volta, mas lá teve de adquirir novo título para o seu destino. Já no regresso perguntou se lhe podiam vender os dois bilhetes em Torres Vedras, mas o ferroviário perguntou-lhe para quê, se podia vender um único bilhete directo. O senhor Silva espantou-se: para a ida teve de comprar dois bilhetes, mas para a volta já podia fazer a viagem com um só?
Que confusão. Como se não bastasse demorar uma hora e meia para fazer 50 quilómetros a passo de caracol, ainda teve de ouvir uma explicação sobre as "unidades de negócio" da CP. Que ali em Torres, aquilo era a CP Regional, mas que em Queluz era a CP Lisboa.
E é esta a história que teria para contar, se o senhor Silva existisse. A personagem, como todas as que viajam em comboio neste texto, não é real. Ao contrário da esquizofrenia a que os passageiros da CP estão sujeitos, que é bem real e a razão destas viagens que imaginámos.
O casal Gonçalves vive em Lisboa e resolveu passar o fim-de-semana em Beja. Optou pelo comboio. De Entrecampos ao destino foram só 2h10 de viagem, num Intercidades ao preço de 11,50 euros por pessoa. Mas já o regresso foi uma verdadeira surpresa: uma automotora desconfortável a tremelicar pela planície até Casa Branca, onde o casal apanhou, aliviado, o Intercidades vindo de Évora para Lisboa. Ao todo demorou mais tempo do que na ida, viajou num comboio de categoria inferior e teve um transbordo. Por isso pagou 14,40 euros, ou seja, mais 2,90 euros do que na ida.
Tarifa não quilométrica
A Rute, que queria ir de Coimbra ao Porto, também se surpreendeu quando o revisor do comboio regional lhe pediu mais 3,50 euros para revalidar o bilhete. A Rute estava em Coimbra e o Alfa Pendular estava atrasado devido a um problema com um passageiro. Encontrou uma amiga que ia apanhar o regional para Aveiro e nem pensou duas vezes, julgando que o seu bilhete era mais do que suficiente para viajar no vagaroso regional até à Invicta. Na Suíça, um país com a dimensão de Portugal onde estivera, podia-se apanhar um comboio a qualquer hora porque as tarifas são quilométricas e não é preciso marcação de lugar. Mas não. Na CP um bilhete de 15 euros não permite viajar num comboio onde só se paga 8,10 euros.
Também o Vítor ficou espantado quando descobriu que para viajar de Guimarães para Lisboa pagaria 21,65 euros, quando em sentido contrário tinha pago 20,50 euros. Com a diferença de que agora tinha de apanhar um comboio que parava em todo o lado até Campanhã e demorava mais uma hora na vinda no que na ida. E o João, que queria ir de Estarreja para Azambuja (ambas estações da linha do Norte), teve de se aventurar em três comboios porque, apesar de viajar no principal eixo ferroviário do país, não tinha ligações directas.
Paremos então com as personagens fictícias com dificuldades que qualquer passageiro real pode sentir e passemos ao mundo que existe. Viajar de comboio pelo país pode dar muito trabalho e a culpa é da manta de retalhos em que a transportadora ferroviária de Portugal se transformou, quando foi dividida em quatro unidades de negócio - CP Lisboa, CP Porto, CP Regional e CP Longo Curso. Há bilheteiras diferentes nas estações e os gabinetes de apoio ao cliente rejeitam reclamações ou pedidos de informação que não sejam da sua unidade de negócios.
"A lógica da CP em unidades de negócios era no sentido da privatização. Essa situação originou que as unidades trabalhassem de forma autónoma e as forças integradoras não conseguiram vencer essa força autónoma", diz o presidente da CP, Cardoso dos Reis.
A verdade é que cada unidade de negócios funciona como uma "mini CP" e tem a sua própria frota de material circulante e quadro de pessoal (maquinistas e revisores). José Rafael Nascimento, professor de Marketing no Instituto Superior de Comunicação Empresarial, diz que estas situações vividas pelos passageiros da CP contrariam o paradigma da conveniência, em que as empresas procuram prestar serviços completos e integrados aos seus clientes, o que não é o caso do transporte ferroviário em Portugal, com um tarifário incompreensível e uma exploração baseada em percursos.
Incompreensível? Há razões - às quais os clientes da CP são alheios - que podem explicar esta forma de gestão. A transportadora pública, ao contrário do que acontece com as suas congéneres europeias, não tem um contrato de prestação de serviços com o Estado. Em cada ano, o governo atribui verbas residuais a título de indemnizações compensatórias para a empresa. Como o serviço regional é o que dá mais prejuízo, a CP prefere vender percursos a aplicar uma tarifação quilométrica, mais justa e mais compreensível para os passageiros. É por isso que uma viagem com diversos transbordos (e são tantos num país tão pequeno como Portugal) um cliente da CP está a pagar uma nova viagem sempre que muda de um comboio para outro. Desde Dezembro de 2009, por exemplo, a CP acabou com os comboios directos desde o Barreiro para o Algarve e obriga os passageiros a apanhar duas composições e a pagar mais caro.
Algo que, como refere Nélson Oliveira, engenheiro com pós-graduação em caminhos-de-ferro, "não acontece noutras redes estrangeiras de referência [SNCF em França, RENFE em Espanha, DB na Alemanha e Trenitália] onde os horários dos comboios mais lentos são conjugados com os dos rápidos para assegurar a função de recolectores e distribuidores".
Para este especialista, também presidente da Associação Portuguesa dos Amigos dos Caminhos de Ferro, "as unidades de negócios centram-se na procura dos melhores resultados financeiros, o que nem sempre resulta em favor de um melhor serviço, pois numa exploração conjunta os benefícios de uns compensavam os prejuízos de outros". Um exemplo: como os regionais dão prejuízo, cada vez há menos oferta, "mas se os horários destes fossem conjugados com os dos comboios rápidos, como eram dantes, os regionais traziam passageiros para os serviços de longo curso, e o prejuízo era compensado".
Fonte: http://jornal.publico.clix.pt/noticia/24-01-2010/o-labirintico-tarifario-da-cpcomboios-18640942.htm
Neil Young - Heart of Gold / My My Hey Hey
Heart of Gold
"Heart Of Gold"
I want to live,
I want to give
I've been a miner
for a heart of gold.
It's these expressions
I never give
That keep me searching
for a heart of gold
And I'm getting old.
Keeps me searching
for a heart of gold
And I'm getting old.
I've been to Hollywood
I've been to Redwood
I crossed the ocean
for a heart of gold
I've been in my mind,
it's such a fine line
That keeps me searching
for a heart of gold
And I'm getting old.
Keeps me searching
for a heart of gold
And I'm getting old.
Keep me searching
for a heart of gold
You keep me searching
for a heart of gold
And I'm growing old.
I've been a miner
for a heart of gold.
My My, Hey Hey
Crosby Stills & Nash - Teach Your Children
O quarteto é conhecido por seus arranjos vocais contrastantes, letras bem elaboradas, estilo musical que varia entre o folk e pop melódico e relação de amor e ódio entre seus integrantes. Desde o seu surgimento a banda já se separou mais de três vezes, mas Crosby, Stills, Nash e Young sempre voltaram a tocar juntos, tanto é que estão em tournée até os dias de hoje, mas neste caso, sem a presença de Neil Young.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Crosby,_Stills_%26_Nash_(and_Young)
Fiquem com uma das canções mais famosas do grupo, a belíssima "Teach Your Children" do álbum "Deja Vu", de 1970. Infelizmente o vídeoclip não conta com a participação de Neil Young.
A Renault está a desenvolver novos carros eléctricos
Ficamos, então, a aguardar, com alguma expectativa, o aparecimento dos novos carros eléctricos no mercado português.
sábado, 23 de janeiro de 2010
Bob Seger - Against the Wind
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Bruce Springsteen - The River
A polémica sobre a utilizaçao de scanners corporais

A grande questão que se coloca é a seguinte: vale a pena sujeitarmo-nos a este aparelho em nome da nossa segurança?
Leiam de seguida a notícia do dia de hoje publicada pelo JN na sua página electrónica:
Scanners corporais não são única solução de segurança nos aeroportos
A secretária de Segurança Nacional norte-americana voltou hoje, sexta-feira, a ser questionada pelos jornalistas sobre a polémica tecnologia dos scanners corporais, que está actualmente a ser alvo de estudos por parte da Comissão Europeia sobre a sua eficácia e eventual impacto em questões como saúde e privacidade dos passageiros.
Questionada pela Agência Lusa sobre se a não introdução uniforme dos scanners reduziria a eficácia sobre quaisquer medidas de segurança aérea, Janet Napolitano afirmou que há várias medidas e alternativas que podem ser tomadas e que o mais importante é trocar informações e a vontade comum de responder à ameaça global do terrorismo.
"Esta é uma questão internacional, que tem a ver com a segurança do espaço da aviação internacional e por isso queremos consenso internacional. A Europa está a trabalhar com os EUA porque precisamos, como nações responsáveis, de proteger a segurança dos passageiros", afirmou.
"Mas dentro deste consenso há varias formas e equipamento que pode ser usado. Pode haver e vai haver variedade. E em alguns aspectos essa variedade é útil", sublinhou.
Para Janet Napolitano qualquer política que assente apenas em "métodos idênticos" pode até ser prejudicial porque "os terroristas aprendem esse método".
O mais importante continua a ser, disse, "cooperar, trocar experiências e boas práticas, melhorar os padrões de segurança e trabalhar com Governos em todo o mundo para melhorar a segurança" na aviação.
A secretária norte-americana analisou na quinta-feira, com os ministros europeus do Interior, a questão do combate ao terrorismo e em particular as medidas de reforço da segurança do transporte aéreo.
Oficialmente, a questão dos scanners corporais não foi referida na reunião - apesar de várias nações europeias terem já anunciado que os vão implementar e de os Estados Unidos terem já instalado 40 (que aumentarão para 450 até ao final do ano) nos seus aeroportos domésticos.
Janet Napolitano voltou hoje a defender a tecnologia, referindo que os scanners têm evoluído muito rapidamente, desde as primeiras versões que suscitaram mais preocupação em torno de temas como a privacidade.
"Hoje, os rostos dos passageiros são cobertos (nas imagens) e o leitor nem sequer está na zona da fila", afirmou. "Mas há muitas coisas que podem ser feitas nos aeroportos além ou independentemente dos scanners", reiterou.
Janet Napolitano segue para Genebra (Suíça) onde se reúne com responsáveis da IATA (Associação de Transporte Aéreo Internacional), organismo que reúne mais de 320 empresas aéreas de todo o mundo.
"Este tem que ser um esforço internacional, para ver como se pode melhorar a segurança de pessoas e países", explicou.
Fonte: http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=1476197
Em complemento a este "post", o blogue "Um Mundo Global" apresenta uma sondagem (no topo da coluna da direita) em que se pergunta se concordam ou não com utilização dos scanners corporais nos aeroportos como medida preventiva no combate ao terrorismo.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Turismo em Espaço Rural
As Aldeias de Xisto - um novo produto turístico português
Reportagem da Sic - Casa grande - Turismo Rural na Serra da Estrela
Turismo Rural Monte da Pedra
Roteiro de fim de semana - Aldeia da Mata Pequena
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Bruce Springsteen - Mansion on the Hill"
Nunca nasceram tão poucas crianças em Portugal

Os dados provisórios apontam para um total de 100.026 rastreios efectuados em 2009 no Instituto de Genética Médica Jacinto de Magalhães, no Porto - que centraliza as análises das amostras de sangue recolhidas através da picada no calcanhar dos recém-nascidos. São cerca de menos quatro mil do que em 2008. E estes testes constituem um indicador extremamente fiável da natalidade, porque cobrem "99,6 por cento" do total de nascimentos. "Nunca nasceu tão pouca gente em Portugal", lamenta Vaz Osório.
Para o médico, 78 anos, três filhos e seis netos, a quebra da natalidade verificada no ano passado, após a ligeira recuperação de 2008, é vista com grande preocupação. "Era o que temíamos", diz, atribuindo o fenómeno à crise económica, à "desagregação completa do conceito de família" e às "actuais prioridades dos casais".
Há quem não encare este fenómeno com preocupação. A evolução no sentido do declínio dos nascimentos "tem sido consistente" e "estamos em linha com o que se verifica na generalidade dos países europeus", lembra Maria João Valente Rosa, socióloga, especialista em demografia e professora na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Os valores têm descido sempre, com ligeiras oscilações, ao longo dos anos. Se se analisar a situação em termos de décadas, a quebra foi abrupta. Até meados dos anos 60, nasciam mais de 200 mil bebés por ano e Portugal era então um país conhecido por ter "descendências numerosas". Agora, sucede o inverso. "Passámos de primeiros por termos muitos [nascimentos] para primeiros por termos poucos", comenta a especialista, que interpreta os dados com optimismo: "São resultado de importantes conquistas sociais".
Saldo pode voltar a negativo
A confirmarem-se, os números não podem ser descontextualizados, porque há aspectos estruturais e conjunturais que os justificam, nota. O peso relativo das mulheres em idade fértil (15 aos 49 anos) tem vindo a diminuir e, simultaneamente, observa-se um adiamento do projecto de maternidade. No início dos anos 80, "tinha-se o primeiro filho, em média, aos 23,5 anos; agora, é aos 28,4", recorda. O que significa que actualmente sobra menos tempo às mulheres para terem filhos. E elas também querem ter menos filhos - o índice sintético de fecundidade (número de filhos por cada mulher em idade fértil) era de 1,37, em 2008, e de 1,33, em 2007, um dos mais baixos da União Europeia.
A crise teve impacto?
Ana Fernandes, demógrafa e docente na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, acredita que, provavelmente, sim. Recorda o ano 2000, com um fenómeno inverso (um "pico" de nascimentos, mais de 120 mil), como contraponto ao de 2009. "Da mesma maneira que em 2000 o excesso de nascimentos reflectiu o entusiasmo do guterrismo, com estabilidade no emprego, o desapertar do cinto, agora, provavelmente, estamos [a sentir] o inverso. Há contenção e a natalidade ressente-se", comenta.
Os incentivos à natalidade pouco ou nada têm ajudado. "As mulheres sabem melhor do que os governantes o que afecta o nascimento de uma criança: a estabilidade em termos de trabalho, as condições de acolhimento - e as creches são poucas e caríssimas", observa.
"Moderamente optimista", Jorge Malheiros, especialista em migrações e professor no Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa, defende que, mais importante do que o número de nascimentos, é o saldo natural (a diferença entre os que nascem e os que morrem). Se esse saldo foi negativo em 2007, em 2009 pode ter acontecido o mesmo. Uma circunstância que é determinante para o envelhecimento da população portuguesa - e Portugal já é o oitavo país mais envelhecido do mundo, de acordo com um recente relatório da Organização das Nações Unidas.
A imigração é que poderá atenuar o efeito deste fenómeno, sublinha Jorge Malheiros. Os imigrantes em idade fértil tendem a ter mais filhos e, como são mais jovens, morrem menos.
Fonte: http://www.publico.pt/Sociedade/nunca-nasceram-tao-poucas-criancas-em-portugal_1418346
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Projecção do filme: "Good Bye Lenin!"
Ficha Técnica do filme
Título Original: Good Bye, Lenin!
Género: Comédia dramática
Tempo de Duração: 118 minutos
Ano de Lançamento (Alemanha): 2003
Site Oficial: http://www.good-bye-lenin.de/
Realização: Wolfganger Becker
Argumento: Wolfganger Becker e Bernd Lichtenberg
Música: Yann Tiersen
Fotografia: Martin Kukula
Interpretação: Daniel Brühl (Alexander Kerner), Katrin Sab (Christine Kerner), Maria Simon (Ariane Kerner), Chulpan Khamatova (Lara), Florian Lukas (Denis), Alexander Beyer (Rainer), Burghart Klaubner (Robert Kerner), Michael Gwisdek (Diretor Klapprath), Christine Schorn (Frau Schäfer), Rudi Völler (Rudi Völler), Helmut Kohl (Helmut Kohl)
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Haiti: sismo de grau 7 terá causado mais de cem mil mortos

Sabia-se já que três milhões de pessoas foram afectadas – ou seja, um terço da população. O tremor de terra – que com magnitude 7.0 foi o pior no país em 200 anos – fez ruir o palácio presidencial, o Parlamento, um edifício da ONU, escolas, hospitais e casas de lata à beira de ravinas. A capital do Haiti, Port-au-Prince, ficou coberta com um manto de poeira de edifícios destruídos.
O Presidente disse ainda que se ouviam gritos de pessoas sob os escombros do edifício do Parlamento, onde ainda estava soterrado o presidente do Senado.
Muitas pessoas dormiram ao relento em Port-au-Prince, temendo que as réplicas fizessem desabar as frágeis paredes ainda de pé. A cidade, onde vivem quatro milhões de pessoas, estava sem electricidade e sem comunicações. Começaram os saques aos supermercados, os detidos de uma prisão libertaram-se e temia-se o regresso à violência política.
O tremor de terra foi uma catástrofe para o Haiti e para a ONU, comentou o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon. O líder da missão das Nações Unidas no Haiti, o tunisino Hedi Annabi, está desaparecido, tal como o seu número dois, o brasileiro Luiz Carlos da Costa, disse ainda Ban.
No edifício da ONU trabalhavam normalmente entre 200 a 250 pessoas, essencialmente pessoal administrativo; ontem, estariam no local entre 100 a 150 pessoas. Até agora foram retirados do edifício "menos de dez pessoas, umas mortas, outras vivas", afirmou o subsecretário-geral das Operações de Paz, Alain Le Roy. Mas havia ainda mais de cem desaparecidos.
A missão da ONU no Haiti inclui 7000 tropas de manutenção de paz (o Brasil já anunciou morte de 11 militares, a Jordânia de três; e a China relatou casos de soldados soterrados e desaparecidos), dois mil agentes de polícia internacional, 490 funcionários civis estrangeiros e 1200 funcionários civis locais, afirmou Le Roy, citado no diário brasileiro "Folha de São Paulo".
Obama promete ajuda rápida
"Só agora estamos a começar a ver a dimensão da devastação, mas as informações e imagens que vimos de hospitais que se desmoronaram, de casas destruídas e homens e mulheres a levarem os seus vizinhos feridos pelas ruas são verdadeiramente comoventes", disse o Presidente norte-americano, Barack Obama, prometendo uma resposta rápida da sua Administração ao desastre.
Uma gigantesca operação de emergência está a ser montada, com recursos a chegarem dos Estados Unidos e de países sul-americanos. Organizações de assistência como a Cruz Vermelha já disponibilizaram centenas de milhares de dólares em ajuda e múltiplas organizações humanitárias preparam-se para partir para o país das Caraíbas – um dos mais pobres do mundo, onde 80 por cento da população vive abaixo do limiar da pobreza, com acesso a menos de dois dólares por dia.
Pela noite e madrugada era impossível perceber até que ponto as autoridades locais foram capazes de responder à situação – vários relatos diziam não haver ambulâncias, carros de polícia, de bombeiros ou escavadoras. Um desafio imediato para a assistência internacional era chegar ao país, já que o aeroporto estava fechado – mas reabriu entretanto.
Outro desafio é a manutenção da ordem pública e segurança. Uma força internacional de manutenção de paz, ao serviço da ONU, está no país desde o golpe que levou à expulsão do Presidente Jean-Bertrand Aristide, em 2004. O grosso do contingente militar, de 7000 efectivos, é assegurado pelo Brasil, país que representa o Haiti junto das instituições internacionais. O Brasil teme muitas vítimas entre o seu contingente – até agora foi confirmada a morte de 11 militares e ainda da presidente da Pastoral da Criança, Zilda Arns, figura importante que tinha sido, escreve a "Folha de São Paulo", indicada para o Nobel da Paz em 2006.
O Haiti é ciclicamente assolado por desastres naturais. Port-au-Prince foi parcialmente afectada por um sismo de magnitude 6.7 em 1984. Em 2004, mais de três mil pessoas morreram na sequência do furacão "Jeanne", que dizimou a cidade de Gonaives, no noroeste do país. Quatro anos mais tarde, a mesma cidade foi novamente devastada por quatro sistemas tropicais. Desde 2008, os furacões "Gustav", "Hanna" e "Ike" mataram 800 pessoas e causaram prejuízos avaliados em mil milhões de dólares.
Fonte: http://www.publico.pt/Mundo/sismo-fez-bem-mais-de-cem-mil-mortos_1417662
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Comércio Justo em Portugal está em tendência "decrescente"

Apesar destas dificuldades, espero que os alunos tenham aprofundado um pouco mais os seus conhecimentos sobre o Consumo Responsável e o Comércio Justo e que tenham ficado mais sensibilizados para esta temáticas.
A propósito desta actividade, ficam aqui duas notícia do JPN - Jornalismo Porto Net do curso de Ciências da Educação da Universidade do Porto e que fazem referência ao Comércio Justo em Portugal e a dois dos voluntários da Associação Reviravolta: o eng. Miguel Pinto e a doutora Ana Luísa Coelho (que hoje esteve presente na nossa Escola).
Comércio Justo em Portugal está em tendência "decrescente"
Primeiro activista do comércio justo no país esteve presente, esta quarta-feira, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP).
"Não é suficiente convidar as pessoas para falar. Estou aqui numa casa que não pratica o comércio justo". Foi num tom crítico que Miguel Pinto, primeiro voluntário do movimento em Portugal, deu o mote para a conferência que levou, esta quarta-feira, o tema do consumo responsável à Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP).
Acompanhado por Ana Luísa Coelho, também ela activista do Comércio Justo, Miguel Pinto traçou um retrato bastante negativo sobre a situação do movimento em Portugal. "Enquanto que na Europa, o Comércio Justo tem vindo a crescer, aqui a tendência é decrescente", principalmente por causa de uma "falta de ONGs com capital para investir na iniciativa", detecta Miguel Pinto.
Para o voluntário e fundador da associação Reviravolta, o problema principal do comércio justo assenta na falta de influência: "Não temos lobby, não há leis que obrigam as instituições a utilizar o comércio justo" e "não existem em Portugal muitas ONGs" com "capital para investir" no projecto. Razões que, para Miguel Pinto, explicam a "tendência decrescente" do comércio justo que, no Porto, se reflectiu no recente encerramento de uma loja na Rua de Cedofeita.
Tanto Miguel Pinto como Ana Luísa Coelho enfatizaram o trabalho feito com escolas, a nível de sensibilização para a questão do comércio justo e sustentável. Contudo, o activista notou que "está na moda" convidar activistas para leccionar sobre o Comércio Justo, mas que "sem a parte comercial" a iniciativa está numa "situação difícil".
"Podemos explicar às crianças que vale a pena optarem pelo comércio justo, mas se depois não têm onde comprar, acaba por ser uma actividade um pouco oca", completou Ana Luísa Coelho, parceira na coordenação da Rede Nacional do Consumo Responsável. No entanto, ambos os convidados clarificaram que não vão desistir da actividade.
Miguel Pinto lamentou ainda a falta de "cultura de voluntariado" em Portugal. "É preciso uma certa revolta responsável, porque as empresas são cordeirinhos. Se o público optar pelo comércio justo, vão atrás", refere o activista.
Inserida no I Ciclo de conferências sobre consumo responsável promovido pela FLUP e pela Universidade Católica Portuguesa , a sessão desta quarta-feira incluiu ainda a de venda vários produtos de Comércio Justo. Depois da reunião, o público foi convidado a experimentar "café, chá e compotas" gratuitamente.
Fonte: http://jpn.icicom.up.pt/2009/05/14/comercio_justo_em_portugal_esta_em_tendencia_decrescente.html
O Comércio Justo: Uma Loja do Mundo sobrevive no Porto
No espaço recuperado no Parque da Cidade, a associação Reviravolta expõe produtos de todo o Mundo. O principal objectivo é mudar a atitude dos consumidores portuenses.
Situada no Núcleo Rural de Aldoar desde 2002, a pequena quinta que alberga a Loja do Mundo esconde-se atrás de videiras entrelaçadas e muros de pedra. Um cavalete pousado no chão, a poucos metros da entrada, sustenta o placard da Associação Reviravolta e anuncia a especificidade do espaço onde se está prestes a entrar: Comércio Justo. Sobre as pesadas portas vermelhas, os logótipos das duas associações cooperantes: Altromercato e Equação.
O Comércio Justo, trazido para Portugal há dez anos, tem tido uma adesão lenta e alguns pequeno espaço da Associação Reviravolta, no Parque da Cidade, sobrevive.
Entre o chão de madeira e o tecto inclinado da quinta, erguem-se as estantes e prateleiras coloridasprateleiras coloridas pelos produtos justos que expõem: chocolate mexicano, frutos secos da Amazónia, compota do Equador, artesanato do Nepal, chá do Sri Lanka, CDs de música do Mundo.
Envolvido no projecto há quatro anos, Diogo Vaz é voluntário e faz parte da direcção da associação. Antes da Reviravolta, já estava familiarizado com o conceito de Comércio Justo, mas foi através de uma amiga que percebeu como funcionava este movimento.
Como refererefere, o objectivo da Reviravolta, além de comercializar produtos de Comércio Justo, é promover uma atitude diferente no consumidor face aos preços dos produtos, compreendendo o seu percurso até chegarem às prateleiras das grandes superfícies.
Voluntariado
A associação sem fins lucrativos é totalmente constituída por voluntários. Uma das voluntárias, Katharina, chegou ao Porto em Agosto, através do Serviço Voluntário Europeu (SVE). Vem de uma pequena vila na Áustria, e ainda estranha o ritmo e a dimensão da cidade.
"Queria ir para outro país para ter uma experiência diferente, ver uma cultura nova, aprender uma outra língua e também para trabalhar numa área diferente", explica. Durante uma pesquisa online acabou por tropeçar no projecto da Reviravolta, que viu como uma boa causa, e aceitou o desafio de vir para Portugal durante meio ano.
Como voluntária, Katharina passa grande parte dos seus dias aqui, no espaço que cria a ligação entre o projecto da associação e o público em geral. Além do trabalho na loja, acompanha outros eventos, como os projectos de formação para jovens. São várias as acções de divulgação promovidas pela Reviravolta no Grande Porto. Na loja, foi criado um canto especificamente com este propósito - a JustotecaJustoteca: um espaço com material bibliográfico para consulta dos visitantes.
Fonte: http://jpn.icicom.up.pt/2010/01/05/o_comercio_justo_uma_loja_do_mundo_sobrevive_no_porto.html
Sardinha portuguesa certificada na sexta-feira e a indústria conserveira está optimista

“O que se pretende é valorizar o produto do ponto de vista do preço a que é vendido junto do consumidor final”, afirma à Lusa Narciso Castro e Melo, secretário-geral da associação, que espera que o consumidor saiba valorizar as conservas certificadas das não certificadas no acto da compra.
O responsável adiantou que das 14 indústrias conserveiras a nível nacional a transformar sardinha, 11 já foram sujeitas a auditorias e deverão em breve ter conservas de sardinha com o rótulo azul de qualidade atribuído da “Marine Stewardhip Council” (MSC).
Narciso Castro e Melo revelou que as conserveiras modernizaram-se e estão já a aplicar regras de segurança alimentar que lhes permitem responder aos apertados critérios relacionados com a certificação ambiental da sardinha.
Para o secretário-geral da associação, a certificação era aliás “indispensável para aumentar a competitividade” da indústria de conservas, sobretudo em relação a Marrocos e Espanha.
Mais de metade da conserva é exportada
“É um sector que exporta 60 por cento da sua produção e tem clientes estrangeiros nomeadamente do mercado inglês que exigem a certificação”, justificou, sendo esperada uma maior valorização do preço de venda das conservas certificadas.
“A sardinha certificada só traz benefícios para o consumidor porque é uma garantia de qualidade e o consumidor dá resposta ao aumento de qualidade”, assegurou António Pinhal, administrador da conserveira “Pinhais e Companhia Lda”, indústria com 89 anos que continua a adoptar métodos de fabrico artesanais nas conservas de sardinha.
Uma estratégia que permite à conserveira de Matosinhos ter um produto de maior qualidade, reconhecido sobretudo no mercado externo ou em lojas gourmet portuguesas.
“As pessoas estão a valorizar a qualidade e não se importam de pagar mais caro”, acrescentou.
Por ano, são comercializadas em todo o país 25 mil toneladas de sardinha em conserva, 60 por cento das quais destina-se à exportação, o que permite facturar 250 milhões de euros.
O processo de certificação da sardinha foi requerido pela Associação Nacional das Organizações da Pesca do Cerco e pela Associação Nacional das Indústrias das Conservas de Peixe e é atribuído pela MSC, a organização internacional sem fins lucrativos responsável pelo único programa de certificação mundial do pescado.
Em todo o mundo, mais de 1500 organizações e sete milhões de toneladas de pescado (12 por cento do total de capturas) estão envolvidas em processos de certificação da MSC, sendo que quatro milhões de toneladas de peixe já são certificadas.
Fonte: http://economia.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1417416
Glee - Imagine
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Cidade não, obrigado - as vilas portuguesas que não querem ser elevadas a cidade
O número de cidades disparou em Portugal nas últimas três décadas, desde que, a 2 de Junho de 1982, uma lei veio estabelecer os parâmetros que permitiam às terras subir de escalão. Eram, nessa altura, 47. Hoje são 156. Mas, em contraciclo com a autêntica corrida a que se assiste pela elevação a cidade, há vilas que recusam o título. São poucas, mas parecem irredutíveis na sua decisão.
Ponte de Lima esgrime com o título de "vila mais antiga de Portugal", Cascais e Sintra pensam no turismo, Oeiras fica na intersecção destes dois argumentos, a tradição e a imagem externa. E é neste quarteto que se centra a resistência à aparentemente imparável corrida ao estatuto de cidade. O caso de Sintra torna-se ainda mais interessante pelo pormenor de o município já englobar duas cidades, Agualva-Cacém e Queluz.
Gente é o que não falta em Sintra. Números de 2008 apontam para 445.872 habitantes, distribuídos por 317 km2 - três das seis maiores vilas de Portugal ficam neste concelho: Algueirão-Mem Martins (1.ª da lista segundo o censos 2001), Rio de Mouro (3.ª) e Sintra (6.ª). Mas este vórtice urbano, quase todo edificado sobre a linha do caminho-de-ferro e nas margens de um dos mais congestionados eixos rodoviários do país, o tristemente famoso IC19, tem como sede de município uma das localidades portuguesas mais associadas ao imaginário romântico. A Paisagem Cultural de Sintra é Património Mundial da UNESCO.
"Sintra é vila desde o início da nossa nacionalidade", realça, em respostas enviadas por escrito, Fernando Seara, presidente da câmara municipal. "E mantém o seu estatuto de vila. Mantém a sua identidade, o seu imaginário. Mantém nas suas tertúlias e no sentimento colectivo. E mantém acrescidamente em razão da banalização da designação e da determinação da categoria das povoações, bem expressa na não actualização da Lei 11/82."
Esta identidade cantada por Byron e Hans Christian Andersen, por Eça de Queiroz e Almeida Garrett, esta magia especial da envolvente natural e do rosário de monumentos e edifícios que enfeitam a serra, tudo isto é o cartão de visita de Sintra. Poderia esta aura sair manchada pela mudança de estatuto, de vila para cidade? Será que isso prejudicaria o apelo turístico?
Defender uma imagem
A resposta não vem de Sintra, mas de Cascais, onde os argumentos contra a elevação a cidade alinham pela mesma lógica. "Em oposição a vila, a (des)promoção a cidade dá a imagem de aglomerado densamente urbanizado, satélite e dormitório da capital, com características bem distintas da vila de Cascais e que queremos continuar a manter", considera António Capucho, presidente da câmara municipal. E alinha ainda outro argumento: "[A elevação a cidade] Não adianta nada e só dá despesa com a alteração da simbologia a que obriga."
Também Cascais tem, portanto, uma imagem a defender. E os responsáveis do município consideram que essa imagem sairia prejudicada com o estatuto de cidade. Se no caso de Sintra é mesmo só a imagem da sede do município que está em questão, em Cascais grande parte da linha litoral (nomeadamente a zona do Estoril) também não quer associar-se à ideia de grande centro urbano - embora o concelho de Cascais já conte 188.244 habitantes...
Ali mesmo ao lado, em Oeiras, o peso dos argumentos turísticos não tem a mesma dimensão e, num concelho que se afirmou nas últimas décadas principalmente pela capacidade para atrair empresas e criar pólos de desenvolvimento tecnológico, a aura de cidade talvez já não caísse assim tão mal. Mas a questão da elevação também não se coloca.
Isaltino Morais, presidente da Câmara Municipal de Oeiras, avança logo com "um argumento de peso: não há qualquer diferença entre ser vila ou cidade". E salienta mesmo que, "para Oeiras ser cidade, do mesmo modo se justificava idêntico estatuto dentro do concelho para as vilas de Paço de Arcos, Algés/Miraflores, Linda-a-Velha e Carnaxide, pois todas elas reúnem os requisitos formais para serem cidade". Em 2008, o município contava 172.021 habitantes.
Recordando, nas respostas enviadas por escrito, reuniões, ainda na década de 1980, entre os presidentes das câmaras de Oeiras, Cascais e Sintra no sentido de ser mantido o estatuto de vila, Isaltino salienta que em Oeiras "nunca se sentiu qualquer necessidade ou qualquer movimento no sentido da sua elevação a cidade, considerando-se que é mais importante ser vila com 250 anos do que cidade com meia dúzia".
O êxodo rural
Mas se falamos do peso da história, então a vila campeã está bem longe deste triângulo da área metropolitana de Lisboa. Ponte de Lima, no Minho, com foral concedido em 1125, é a "vila mais antiga de Portugal", um título que "tem proporcionado associar-lhe uma imagem de marca promocional estratégica nas dinâmicas de oferta, em termos paisagísticos, culturais, ambientais, patrimoniais e turísticos", explica Victor Mendes, presidente da câmara municipal.
Por outro lado, este estatuto de "vila mais antiga de Portugal" "tem contribuído, sobremaneira, para a auto-estima, para um grande sentimento de pertença e para um cada vez maior enraizamento das gentes, o que se traduz numa notória fixação das populações". As estatísticas apontam o concelho de Ponte de Lima (44.527 habitantes em 2008) como "o mais jovem do distrito de Viana do Castelo".
Curiosamente, a mesma história que define a recusa de Ponte de Lima em ser cidade é responsável pela manutenção do título em localidades que há muito perderam a dimensão para o serem. José Manuel Simões, professor do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa, lembra, por exemplo, o caso de Miranda do Douro: "A meio do século passado, perdeu tanta população que chegou a ter menos de 2000 habitantes; por essa altura, Amareleja, que era uma aldeia, tinha mais de 5000."
O quadro actual das cidades portuguesas ficou marcado por movimentos demográficos como a emigração e o fluxo interno em direcção a Lisboa e Porto. "O mapa da população no século XVI - o primeiro censo foi feito em 1527 - era bem mais equilibrado do que o actual. Havia um rosário de povoamentos no interior, justificados pela necessidade de defesa do território", destaca o professor.
José Manuel Simões recorda depois o êxodo rural e a falta de uma verdadeira política de desenvolvimento do interior: "Tropeça logo no facto de o IP2 ter sido considerado uma via estratégica no plano rodoviário de 1985 e, mais de 20 anos depois, ainda não estar concluído..."
Ainda assim, os melhoramentos da rede viária reduziram em muito o drama da interioridade. E, numa altura em que cresce o número dos descontentes com a vida nas grandes cidades, há todo um potencial de atracção das localidades mais pequenas para ser explorado. Há algumas décadas, quando muitos estrangeiros começaram a escolher o Algarve para fixar residência, escolhiam aldeias - e o termo acabou mesmo por servir de mote para baptizar empreendimentos turísticos...
O que diz a lei
De regresso ao litoral. A lista das vilas que não aspiram a ser cidade poderia ainda incluir a maior vila de Portugal, Algueirão-Mem Martins, mas neste caso a recusa não se deve a uma filosofia de vida. É mais a dura realidade dos factos que se mete no caminho.
"Gostaria de poder pensar a cidade de Algueirão-Mem Martins", assume Manuel do Cabo, presidente da junta desta freguesia do concelho de Sintra, "mas não existe uma cidade sem pavilhão gimnodesportivo, um complexo polidesportivo, um centro de saúde que não seja num prédio de habitação com seis andares (onde as pessoas com deficiência são atendidas à porta), sem um centro dia ou um lar público, sem piscinas (há uma para 120.000 habitantes), sem creches públicas, sem um parque ou jardim digno desse nome". "Nada disso existe na minha freguesia. Os construtores não deixaram espaços disponíveis para outra coisa que não fosse habitação. E a culpa é da câmara municipal, que autorizou que se construísse mesmo por cima das ribeiras..."
O desabafo de Manuel do Cabo vai longo, mas toca em quase todos os pontos sensíveis da questão. A noção que temos de cidade é a de um centro, um pólo aglutinador de actividades e pessoas e gerador de progresso regional. Mas o mapa português do século XXI mostra uma realidade bem diferente: muitas das nossas cidades são apenas subúrbios onde muita gente dorme. Faz sentido serem cidades?
À luz da lei, faz. O diploma de Junho de 1982 indica um critério demográfico (mais de 8000 eleitores em aglomerado populacional contínuo) e enuncia um conjunto de outros requisitos: instalações hospitalares com serviço de permanência; farmácias; corporações de bombeiros; casa de espectáculos e centro cultural; museu e biblioteca; instalações de hotelaria; estabelecimento de ensino preparatório e secundário; estabelecimento de ensino pré-primário e infantários; transportes públicos, urbanos e suburbanos; parques ou jardins público. As povoações que possuam, pelo menos, metade destes equipamentos podem aspirar a ser cidade - estatuto que é concedido pela Assembleia da República.
Mas isto não impede que, neste momento, tenhamos "urbes sem qualquer urbanidade", na visão de José Manuel Simões, que fala na "febre de ser cidade". Este especialista gosta de dar exemplos práticos: "Fora da sua zona, quem é que conhece Fiães, ou Lixa? E a Vila Baleira [Porto Santo, Madeira] tem a população que é exigida? Há situações difíceis de explicar."
A questão não é tanto se temos mais cidades do que devíamos, até porque a comparação com o que se passa noutros países tropeça no facto de "ser tudo uma questão de escala". "[Em França], uma cidade média tem 200/300 mil pessoas, na China se calhar falamos de um milhão e na Islândia bastarão algumas centenas...", enuncia José Manuel Simões. O cerne da questão é perceber que uma cidade não pode ser apenas um amontoado de gente. "O mínimo que se pode dizer é que, nas últimas décadas, tem havido grande generosidade na criação de cidades."
A última vaga aconteceu a 12 de Junho do ano passado, quando Borba, Samora Correia, São Pedro do Sul, Senhora da Hora e Valença foram elevadas a cidade. E se esta última passou a ser apenas a segunda cidade do distrito de Viana do Castelo, já a Senhora da Hora elevou para 26 as localidades com esse estatuto no distrito do Porto. Lisboa só tem 11. E a "culpa" é de Cascais, Oeiras e Sintra.
Fonte: Luis Francisco, Público
domingo, 10 de janeiro de 2010
Nevou novamente na região do Porto!

