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segunda-feira, 1 de março de 2010
Martina McBride - I can't stop loving you
O Dia e a Noite nos Alpes Suiços
Alpes - dia
Alpes - noite
Violento sismo no Chile - explicações para o fenómeno

Apesar da magnitude elevada, o afastamento da costa e a profundidade do epicentro podem poupar vítimas
O sismo que atingiu o centro do Chile ocorreu numa das áreas onde há mais risco de abalos de maior magnitude. Isto acontece por haver muito perto da costa do país, no Sul do oceano Pacífico, uma zona onde placas da crosta terrestre são impulsionadas por forças que as fazem colidir uma contra a outra - o tipo de movimento que costuma gerar sismos mais intensos.
No entanto, como o epicentro se deu a cerca de 90 quilómetros da cidade de Conceição, a mais atingida, a alguma distância de locais povoados e com uma profundidade significativa (da ordem dos 35 quilómetros, segundo o Serviço Geológico dos EUA, e de 55, de acordo com o National Oceanic and Atmospheric Administration), o balanço de vítimas não foi tão elevado como, por exemplo, no Haiti.
A sua magnitude foi a mesma do sismo de 1755 que atingiu o Sul de Portugal, destruindo grande parte de Lisboa, recordou ao PÚBLICO Luís Matias, professor de Geofísica na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, lembrando ainda que está estimado que tenha sido a cerca de cem quilómetros da costa do Algarve.
A zona do sismo tem "um dos limites entre placas mais importantes à escala do planeta, porque faz a separação de toda a América do Sul da crosta oceânica do Pacífico", diz José Luís Zêzere, professor de Geomorfologia do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa e especialista em riscos físicos.
Nestes locais, "quando a tensão ultrapassa o limite da deformação plástica do terreno, há um local que parte, o que liberta uma grande quantidade de energia, sob a forma de ondas - é isso que é o sismo", explica Zêzere.
No caso da zona costeira do Chile, o contacto é entre a placa de Nazca e a sul-americana, sendo a primeira a "mergulhar" sob a segunda. A excepção é a região Sul, onde o contacto é directo entre a placa do Pacífico e a da América do Sul. É também nesta zona do Pacífico Sul que ocorreu o sismo com maior magnitude já registado, em 22 de Maio de 1960, com uma magnitude de 9,5 na escala de Richter.
No entanto, Luís Matias nota que é em locais como a ilha de Sumatra (na parte oriental do oceano Índico) e o Alasca, também junto a áreas onde há contacto deste tipo entre placas, que se registaram os valores mais próximos do máximo.
O contacto entre placas da crosta terrestre gera tipicamente três tipos de movimentos, e os sismos que provoca têm também magnitudes diferentes. Além do caso já descrito, em que as placas chocam uma contra a outra, há também o das placas que se afastam, como acontece com as dorsais no meio dos oceanos, e as que deslizam horizontalmente uma ao longo da outra, como acontece na falha de Santo André, que atravessa a Califórnia, ou na zona do Haiti, entre a placa das Caraíbas e a da América do Norte.
Portugal tem, aliás, o recorde de magnitude de um sismo numa falha deste tipo, também conhecida como "transformante". Luís Matias recorda que em 25 de Novembro de 1941, ao largo dos Açores, ao longo da falha da Glória, que se estende da ilha de Santa Maria em direcção ao território do continente, foi registado um sismo de magnitude 8,4, a maior de que há conhecimento neste tipo de falhas.
Para explicar porque é que este sismo no Chile, com maior magnitude que o do Haiti, provocou muito menos vítimas, Luís Matias e José Luís Zêzere convergem na ideia de que isso resulta de ter sido mais longe da costa e mais profundo. "Se este sismo tivesse tido o epicentro em terra, teria sido catastrófico", e por isso é que "não há uma relação directa entre magnitude e destruição nas cidades", diz Luís Matias.
A estas razões pode-se ainda acrescentar a densidade populacional, muito mais baixa no Chile do que no Haiti, bem como a qualidade da construção, melhor no Chile, como nota Zêzere.
E será possível que haja alguma relação entre estes dois sismos, pouco distantes em termos de tempo? Luís Matias é peremptório: "Não. A razão de fundo é o movimento de placas."
Zêzere tende a concordar, mas é mais cauteloso: "Não faz sentido assumir que há relação entre eles. Respeitam a limites de placas diferentes." Admite, no entanto, que eventualmente poderá haver alguma relação, mas diz que "com o actual conhecimento científico não há forma de o confirmar". Recorda que na sexta-feira houve um sismo de magnitude sete no Japão, na ilha de Okinawa, e que não é frequente haver tantos sismos de grande magnitude em tão pouco tempo.
Fonte: http://jornal.publico.clix.pt/noticia/28-02-2010/apesar-da-magnitude-elevada-o-afastamento-da-costa--e-a-profundidade-do-epicentro-podem-poupar-vitimas-18896122.htm
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Campanha: "Por Um Consumo Responsável! Posiciono-me!"

A Rede Nacional de Consumo Responsável (RNCR) tem como principal desafio a promoção da mudança dos hábitos de consumo, articulando as diferentes abordagens aos problemas mundiais como a pobreza, as assimetrias Norte/Sul, a protecção do ambiente e dos direitos humanos através de alternativas sustentáveis que implicam o desenvolvimento de novos comportamentos sociais e de consumo responsável.
Esta rede resulta da parceria entre:
O ISU - Instituto de Solidariedade e Cooperação Universitária (ONGD), fundado em 1989, que desenvolve projectos na área da Cooperação e Educação para o Desenvolvimento, Voluntariado e Exclusão Social;
A Reviravolta - Organização de Comércio Justo, fundada em 2000 que comercializa produtos de comércio justo e desenvolve iniciativas de educação e formação junto da Comunidade Educativa do Grande Porto.
ENQUADRAMENTO TEMÁTICO DO CONCURSO
Os trabalhos a desenvolver no âmbito desta iniciativa enquadram-se na:
• Promoção do Consumo Responsável
• Consciencialização para um Consumo Responsável
CALENDÁRIO
Divulgação da Campanha: De 25 de Fevereiro a 10 de Março de 2010
Inscrições: Até 10 de Março
Envio dos trabalhos: Até 20 de Março de 2010
DESTINATÁRIOS
Escolas de Ensino Básico do 2.º Ciclo, 3.º Ciclo e Secundário do Grande Porto inseridas no Consumo Responsável em Rede
REGRAS
TEMA - Todos os trabalhos são subordinados ao tema “Consumo responsável”.
TÍTULO - Por um Consumo Responsável! Posiciono-me!
FORMAS:
• FORMA 1: cartaz em suporte DIGITAL (powerpoint), tamanho A1, na vertical, devendo conter no máximo 12 frases; 1 FOTOGRAFIA ou IMAGEM (fornece-se modelo);
• FORMA 2: cartaz em suporte PAPEL, tamanho A1, na vertical, devendo conter no máximo 12 frases; 1 FOTOGRAFIA ou IMAGEM.
Pede-se aos participantes que escolham a sua pose ou postura que querem fazer ou a imagem que querem inserir que seja representativa da sua personalidade enquanto uma pessoa que apela a um consumo responsável.*
Cada participante, tendo como base a promoção do consumo responsável, deverá criar o seu slogan, a sua frase-chave para a campanha ou escolher uma das dicas para um consumo responsável que assuma como sua.
APRESENTAÇÃO/ RECEPÇÃO DOS TRABALHOS
O(s) trabalho(s) deve(m) ser acompanhad(o)s de um documento com a informação:
- nome dos responsáveis - aluno(s) e professor(es)
- nome da escola
- ano escolar
e enviados por e-mail para info@consumoresponsavel.com
O(s) trabalho(s) deve(m) constituir-se como uma campanha a ser afixada na escola e a figurar no site da Rede Nacional de Consumo Responsável.
DIVULGAÇÃO/CAMPANHA
De 22 a 31 de Março de 2010, os cartazes deverão ser apresentados nas respectivas escolas e também no site da Rede Nacional de Consumo Responsável
UTILIZAÇÃO DOS TRABALHOS
Todos os trabalhos serão pertença dos autores, mas deverão estar disponíveis aos promotores desta iniciativa para fins de participação em acções de divulgação, exposições e colocação no site.
CONTACTOS PARA ESCLARECIMENTOS
anurbano@yahoo.com
Fonte: Rede Nacional de Consumo Responsável
" Nos enfants nous accuseront "
Para ver e pensar...
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
O Norte - por Miguel Esteves Cardoso

O Norte é mais Português que Portugal. As minhotas são as raparigas mais bonitas do País. O Minho é a nossa província mais estragada e continua a ser a mais bela. As festas da Nossa Senhora da Agonia são as maiores e mais impressionantes que já se viram.
Viana do Castelo é uma cidade clara. Não esconde nada. Não há uma Viana secreta. Não há outra Viana do lado de lá. Em Viana do Castelo está tudo à vista. A luz mostra tudo o que há para ver. É uma cidade verde-branca. Verde-rio e verde-mar, mas branca. Em Agosto até o verde mais escuro, que se vê nas árvores antigas do Monte de Santa Luzia, parece tornar-se branco ao olhar. Até o granito das casas.
Mais verdades.
No Norte a comida é melhor.
O vinho é melhor.
O serviço é melhor.
Os preços são mais baixos.
Não é difícil entrar ao calhas numa taberna, comer muito bem e pagar uma ninharia
Estas são as verdades do Norte de Portugal
Mas há uma verdade maior.
É que só o Norte existe. O Sul não existe.
As partes mais bonitas de Portugal, o Alentejo, os Açores, a Madeira, Lisboa, et caetera, existem sozinhas. O Sul é solto. Não se junta.
Não se diz que se é do Sul como se diz que se é do Norte.
No Norte dizem-se e orgulham-se de se dizer nortenhos. Quem é que se identifica como sulista?
No Norte, as pessoas falam mais no Norte do que todos os portugueses juntos falam de Portugal inteiro.
Os nortenhos não falam do Norte como se o Norte fosse um segundo país
Não haja enganos.
Não falam do Norte para separá-lo de Portugal.
Falam do Norte apenas para separá-lo do resto de Portugal.
Para um nortenho, há o Norte e há o Resto. É a soma de um e de outro que constitui Portugal.
Mas o Norte é onde Portugal começa.
Depois do Norte, Portugal limita-se a continuar, a correr por ali abaixo.
Deus nos livre, mas se se perdesse o resto do país e só ficasse o Norte, Portugal continuaria a existir. Como país inteiro. Pátria mesmo, por muito pequenina. No Norte.
Em contrapartida, sem o Norte, Portugal seria uma mera região da Europa.
Mais ou menos peninsular, ou insular.
É esta a verdade.
Lisboa é bonita e estranha mas é apenas uma cidade. O Alentejo é especial mas ibérico, a Madeira é encantadora mas inglesa e os Açores são um caso à parte. Em qualquer caso, os lisboetas não falam nem no Centro nem no Sul - falam em Lisboa. Os alentejanos nem sequer falam do Algarve - falam do Alentejo. As ilhas falam em si mesmas e naquela entidade incompreensível a que chamam, qual hipermercado de mil misturadas, Continente.
No Norte, Portugal tira de si a sua ideia e ganha corpo. Está muito estragado, mas é um estragado português, semi-arrependido, como quem não quer a coisa.
O Norte cheira a dinheiro e a alecrim.
O asseio não é asséptico - cheira a cunhas, a conhecimentos e a arranjinho. Tem esse defeito e essa verdade.
Em contrapartida, a conservação fantástica de (algum) Alentejo é impecável, porque os alentejanos são mais frios e conservadores (menos portugueses) nessas coisas.
O Norte é feminino.
O Minho é uma menina. Tem a doçura agreste, a timidez insolente da mulher portuguesa. Como um brinco doirado que luz numa orelha pequenina, o Norte dá nas vistas sem se dar por isso.
As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos verdes-impossíveis, daqueles em que os versos, desde o dia em que nascem, se põem a escrever-se sozinhos.
Têm o ar de quem pertence a si própria. Andam de mãos nas ancas. Olham de frente. Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam. Confiam, mas não dão confiança. Olho para as raparigas do meu país e acho-as bonitas e honradas, graciosas sem estarem para brincadeiras, bonitas sem serem belas, erguidas pelo nariz, seguras pelo queixo, aprumadas, mas sem vaidade. Acho-as verdadeiras. Acredito nelas. Gosto da vergonha delas, da maneira como coram quando se lhes fala e da maneira como podem puxar de um estalo ou de uma panela, quando se lhes falta ao respeito. Gosto das pequeninas, com o cabelo puxado atrás das orelhas, e das velhas, de carrapito perfeito, que têm os olhos endurecidos de quem passou a vida a cuidar dos outros. Gosto dos brincos, dos sapatos, das saias. Gosto das burguesas, vestidas à maneira, de braço enlaçado nos homens. Fazem-me todas medo, na maneira calada como conduzem as cerimónias e os maridos, mas gosto delas.
São mulheres que possuem; são mulheres que pertencem. As mulheres do Norte deveriam mandar neste país. Têm o ar de que sabem o que estão a fazer. Em Viana, durante as festas, são as senhoras em toda a parte. Numa procissão, numa barraca de feira, numa taberna, são elas que decidem silenciosamente.
Trabalham três vezes mais que os homens e não lhes dão importância especial.
Só descomposturas, e mimos, e carinhos.
O Norte é a nossa verdade.
Ao princípio irritava-me que todos os nortenhos tivessem tanto orgulho no Norte, porque me parecia que o orgulho era aleatório. Gostavam do Norte só porque eram do Norte. Assim também eu. Ansiava por encontrar um nortenho que preferisse Coimbra ou o Algarve, da maneira que eu, lisboeta, prefiro o Norte. Afinal, Portugal é um caso muito sério e compete a cada português escolher, de cabeça fria e coração quente, os seus pedaços e pormenores.
Depois percebi.
Os nortenhos, antes de nascer, já escolheram. Já nascem escolhidos. Não escolhem a terra onde nascem, seja Ponte de Lima ou Amarante, e apesar de as defenderem acerrimamente, põem acima dessas terras a terra maior que é o "O Norte".
Defendem o "Norte" em Portugal como os Portugueses haviam de defender Portugal no mundo. Este sacrifício colectivo, em que cada um adia a sua pertença particular - o nome da sua terrinha - para poder pertencer a uma terra maior, é comovente.
No Porto, dizem que as pessoas de Viana são melhores do que as do Porto. Em Viana, dizem que as festas de Viana não são tão autênticas como as de Ponte de Lima. Em Ponte de Lima dizem que a vila de Amarante ainda é mais bonita.
O Norte não tem nome próprio. Se o tem não o diz. Quem sabe se é mais Minho ou Trás-os- Montes, se é litoral ou interior, português ou galego? Parece vago. Mas não é. Basta olhar para aquelas caras e para aquelas casas, para as árvores, para os muros, ouvir aquelas vozes, sentir aquelas mãos em cima de nós, com a terra a tremer de tanto tambor e o céu em fogo, para adivinhar.
O nome do Norte é Portugal. Portugal, como nome de terra, como nome de nós todos, é um nome do Norte. Não é só o nome do Porto. É a maneira que têm e dizer "Portugal" e "Portugueses". No Norte dizem-no a toda a hora, com a maior das naturalidades. Sem complexos e sem patrioteirismos. Como se fosse só um nome. Como "Norte". Como se fosse assim que chamassem uns pelos outros. Porque é que não é assim que nos chamamos todos?
O Norte - por Miguel Esteves Cardoso
Tragédia na Madeira: Um desastre já anunciado há dois anos
Parte 1
Parte 2
Versão de 5 minutos
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Sonic Youth - Sugar Kane
Provas de ingresso no ensino superior 2010

VW Autoeuropa vai produzir o modelo sucessor do monovolume Sharan

Vejam a notícia de hoje do Público on line:
Ao fim de cerca de um ano de espera, a fábrica portuguesa da VW garante a produção do sucessor do Sharan, cuja data para entrada em linha de produção deverá ser anunciada pelo construtor alemão em Genebra.
Face aos prazos habituais seguidos pela indústria automóvel, é previsível que o novo Sharan entre em produção no segundo semestre do ano. A porta-voz da VW Autoeuropa não avança datas, reservando-as para o salão e sublinhando que será sobretudo o trabalho de marketing que antecede o lançamento do veículo a determinar prazos.
Este novo veículo vem criar um novo fôlego na maior fábrica do país, embora os números da administração da unidade bem como os dos trabalhadores, conhecidos nos úlrimos meses, coincidam num ponto: o novo Sharan não vai bastar para ocupar toda a capacidade de produção instalada na VW Autoeuropa, pelo que necessita de um quarto modelo para se tornar uma fábrica rentável.
As previsões apontam para que, com o novo Sharan, a produção ocupe apenas 55 por cento da capacidade, usando a linha única em que a VW investiu e preparou até ao final do ano passado. A conquista de um quarto modelo continua a ser, no entanto, a grande incógnita da unidade de Palmela.
A fábrica produziu 86 mil Sharan, Alhambra, Eos e Scirocco em 2009, dos quais mais de 20 mil foram monovolumes (Sharan e Alhambra).
Em comunicado, a Comissão de Trabalhadores (CT) declara ter sido informada pela administração de uma revisão em ligeira alta da previsão de produção para 2010, passando de 97 986 para 98 658 unidades. Para cumprir estes números, não está previsto o recurso ao trabalho ao sábado.
No próximo dia 3 de Março, a fábrica assinalará o fim da produção dos modelos actuais do monovolume e apresentará o novo projecto.
Após a semana 10, a produção diária será de 410 carros, de modo a “garantir todos os postos de trabalho e estabilizar o emprego”, diz a CT.
Fonte: http://economia.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1424417
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Diana Krall - Little Girl Blue
O que nos deixam as empresas que fecham
Campanha “Bankrupt Companies” do WWF Brasil.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Causas para a tragédia que ontem se abateu na ilha da Madeira

Chuva de ontem foi excepcional e a falta de um radar meteorológico não permitiu que fosse prevista
Foi uma chuva excepcional. A quantidade de precipitação que caiu sobre o Funchal entre as 6h00 e as 11h00 (111 milímetros) foi quase o dobro do limite que leva a declarar o alerta vermelho (60 milímetros em seis horas). No Pico do Arieiro, foi quase o triplo (165 milímetros). A hora mais problemática foi entre as 9h00 e as 10h00, quando caíram 52 milímetros. A partir das 11h, os próprios serviços de meteorologia da Madeira foram afectados e deixaram de comunicar com Lisboa.
O Instituto de Meteorologia (IM) não tinha como antecipar aquela situação. "São valores mais do que excepcionais", diz a meteorologista Maria João Frada, do IM. Os modelos de previsão não podem antever extremos como aqueles. E a Madeira não dispõe de um radar meteorológico, que teria permitido avaliar o potencial de precipitação das nuvens que se aproximavam. Só há dois no país, um no Algarve e outro em Coruche.
"Na Madeira, seria importante haver um", avalia o climatologista Ricardo Trigo, do Centro de Geofísica da Universidade de Lisboa. A confluência de massas de ar frias, do Norte, e quentes, do Sul, torna com frequência o ar muito instável na região.
Rui Rodrigues, responsável pela monitorização dos recursos hídricos no Instituto da Água, também considera excepcionais as chuvadas na Madeira. Com base em curvas que integram a intensidade, a duração e a frequência dos episódios de precipitação na região, uma situação como a de ontem aconteceria uma vez em cada cem anos ou mais. O número é apenas uma aproximação - dadas as limitações do modelo de base a partir do qual foi calculado - , mas ainda assim "dá a indicação de que se tratou de um fenómeno muito extremo", diz Rui Rodrigues.
O excesso de água combinou-se com dois factores para o trágico resultado de ontem. Um deles é a própria geografia da Madeira, com declives acentuados do interior para o litoral. Um forte temporal, concentrado em poucas horas, forma enxurradas que varrem o que está à sua frente. Já tinha acontecido em 1993. "Havia blocos de pedra a saltar para a água como bolas de pingue-pongue", recorda Rui Rodrigues.
O segundo factor é humano: a ocupação crescente das zonas mais baixas, para onde a água escorre, especialmente no Funchal. "A cidade cresceu muito nos últimos 20 a 30 anos", afirma Hélder Spínola, dirigente da associação ambientalista Quercus e que vive na Madeira.
Além disso, diz Spínola, a procura por mais espaço edificável resultou no estrangulamento das ribeiras e no seu encanamento, aumentando o risco de cheias. As imagens de umas oficinas da PSP atravessadas por uma torrente de água mostravam este efeito: era o caudal de uma ribeira estrangulada, que extravasara para a rua. "Este é um exemplo como muitos outros", afirmou Hélder Spínola.
Alberto João Jardim, presidente do Governo Regional da Madeira, procurou afastar as críticas de má ocupação do território, dizendo que foram feitas intervenções importantes para minorar o risco de cheias. "Se não tivéssemos feito as obras de canalização das ribeiras que fizemos, hoje não existia a Baixa do Funchal", disse.
Fonte: http://www.publico.pt/Sociedade/chuva-de-ontem-foi-excepcional-e-a-falta-de-um-radar-meteorologico-nao-permitiu-que-fosse-prevista_1423695
A seguir transcrevo o comunicado do Instituto de Meteorologia em que é explicado o fenómeno meteorológico que provocou a tragédia de ontem na Madeira:
Temporal no Arquipélago da Madeira
O Arquipélago da Madeira foi afectado no dia 20 de Fevereiro por um sistema frontal de forte actividade associado a uma depressão que às 00UTC estava centrada na região dos Açores e em deslocamento para nordeste. A massa de ar quente associada a este sistema frontal caracterizou-se por elevada instabilidade e transportando um grande conteúdo de vapor de água. Na sua trajectória pela ilha, a orografia constituiu um factor adicional de agravamento do fenómeno.
Esta situação determinou a emissão de avisos de precipitação pelo Instituto de Meteorologia, I.P., a partir do dia 19, às 19h25, elevando-se o nível de severidade ao longo da evolução do fenómeno, tendo sido emitido aviso vermelho ? o nível mais severo na escala de avisos utilizada pelo IM - às 10 h do dia 20.
Os valores mais elevados de precipitação acumulada numa hora registados nas estações Funchal-Observatório e Pico do Areeiro foram respectivamente 52 mm (entre as 9 e as 10 h) e 58 mm (entre as 10 e as 11 h). Entre as 6 e as 11h registaram-se 108 mm e 165 mm nas estações mencionadas. O valor acumulado em 6 horas na estação Funchal-Observatório foi superior ao valor normal de 30 anos (1961-1990).
Fonte: http://www.meteo.pt/pt/otempo/comunicados/index.jsp
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Bob Dylon - Like a Rolling Stone
Golpe de Estado no Níger

Mais um golpe de Estado num país africano. Agora é a vez do Níger, um dos países mais pobres do Mundo. O Níger é um país africano, limitado a norte pela Argélia e pela Líbia, a leste pelo Chade, a sul pela Nigéria e pelo Benim e a oeste pelo Burkina Faso e pelo Mali. Capital, Niamey. Em 2007, o Níger foi avaliado pelas Nações Unidas como o país com o mais baixo IDH de um conjunto de 182 países (0,340).
Vejam a notícia publicada hoje no Público on line:
União Africana e França condenam golpe no Níger
O presidente da Comissão da União Africana, Jean Ping, e a França condenaram a “tomada do poder pela força” e pediram diálogo e um “regresso rápido à ordem constitucional” no Níger, onde ontem militares prenderam o Presidente, Mamadou Tandja, e prometem restaurar a democracia.
Na capital do país, Niamey, os militares mantêm hoje veículos blindados na zona da cidade, praticamente vazia, onde estão o palácio presidencial, ministérios, residências oficiais e o estado maior do Exército. Nos bairros populares a situação é próxima do habitual, com muita gente na rua.
Ontem à noite, após um golpe que provocou pelo menos três mortos e cerca de uma dezena de feridos, um porta-voz do “Conselho Supremo para a Restauração da Democracia” (CSRD) anunciou a suspensão da Constituição que Tandja, após dez anos de presidência relativamente calma, fizera aprovar no ano passado para se manter no poder. Após essa iniciativa, a União Europeia suspendeu a ajuda ao desenvolvimento e os Estados Unidos adoptaram sanções diplomáticas e económicas.
O golpe foi liderado pelo coronel (e não major, como inicialmente referido) Abdoulaye Adamou Harouna, mas a junta militar que detém o poder é, segundo a Reuters, chefiada pelo major Salou Djibo. A figura mais conhecida da junta é o coronel Dijibrilla Hima Hamidou, conhecido como “Pelé”, comandante da mais importante região militar do Níger, que em 1999 participou na acção militar que abriu caminho às eleições que levaram Mamadou Tandja à presidência.
Segundo a AFP o Presidente está detido numa guarnição militar a cerca de duas dezenas de quilómetros da capital.
Fonte: http://www.publico.pt/Mundo/uniao-africana-e-franca-condenam-golpe-no-niger_1423481
Anunciada a lista dos 25 primatas mais ameaçados de extinção

Existem mais de 630 espécies de primatas e, destas, mais de 300 estão ameaçadas de extinção. Mas, entre estas, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) escolheu as 25 mesmo à beira do desaparecimento: cinco vivem em Madagáscar, seis em África, 11 na Ásia e três na América Central e do Sul.
Na lista encontra-se o langur-de-cabeça-dourada, que apenas vive na ilha de Cat Ba (Vietname) e que se resume a uns 60 a 70 indivíduos. Também o lémure-desportivo-do-norte, de Madagáscar, se limita hoje a menos de 100 exemplares. A este mesmo número se resume ainda o sifaca-sedoso, igualmente de Madagáscar. Com poucos mais elementos (à volta de 110) conta o gibão-de-crista-negra, no Vietname.
Também um dos nossos primos mais próximos - o orangotango de Samatra, que deverá ter cerca de 7000 indivíduos - faz parte deste relatório, intitulado Primatas em Perigo: Os 25 Primatas mais Ameaçados do Mundo, 2008-2010. Em África, o galago-anão-do-rondo, da Tanzânia, com umas orelhas e olhos imensas, é outra das espécies em sério risco. O macaco-diana-de-roloway (Costa do Marfim e Gana), o gorila-do-rio-cruz (Camarões e Nigéria) ou o cólobo-vermelho-do-rio-tana (Quénia) foram outros escolhidos.
O tamarim-cabeça-de-algodão, existente só na Colômbia, também não está em boas condições. Os seus tufos de pêlo branco dão-lhe uma aparência que o torna muito procurado como animal de estimação, conduzindo ao seu declínio rápido.
Fonte: http://www.publico.pt/Ciências/anunciada-a-lista-dos-25-primatas-mais-ameacados-de-extincao_1423450
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
We Are The World 25 For Haiti
We Are The World 25 For Haiti
There comes a time
When we head a certain call
When the world must come together as one
There are people dying
And it’s time to lend a hand to life
The greatest gift of all
We can’t go on
Pretending day by day
that someone, somehow will soon make a change
We are all a part of
God’s great big family
And the truth, you know love is all we need
[Coro]
We are the world
We are the children
We are the ones who make a brighter day
So let’s start giving
There’s a choice we’re making
We’re saving our own lives
It’s true we’ll make a better day
Just you and me
Send them your heart
So they’ll know that someone cares
so there cries for help
will not be in vein
We can’t let them suffer
no we cannot turn away
Right now they need a helping hand
We are the Children
We are the ones who make a brighter day
so lets start giving
There’s a choice we’re making
We’re saving our own lives
It’s true we’ll make a better day
Just you and me
When you’re down and out
There seems no hope at all
Well, well, well, well, let us realize
That a change can only come
When we stand together as one
[Coro]
We are the world
We are the children
We are the ones who make a brighter day
So let’s start giving
Got to start giving
There’s a choice we’re making
We’re saving our own lives
It’s true we’ll make a better day
Just you and me
We are the world
We are the children
Its for the children
We are the ones who make a brighter day
So lets start giving
There’s a choice we’re making
We’re saving our own lives
It’s true we’ll make a better day
Just you and me
[Coro]
We are the world
We are the children
We are the ones who make a brighter day
So let’s start giving
There’s a choice we’re making
We’re saving our own lives
It’s true we make a better day
Just you and me
We are the world
We are the children
We are the ones who make a brighter day
So let’s start giving
Choice were making
saving our own lives
It’s true we’ll make a better day
Just you and me
We all need somebody that we can lean on
when you wake up look around and see that your dreams gone
when the earth quakes we’ll help you make it through the storm
when the floor breaks a magic carpet to stand on
we are the World united by love so strong
when the radio isn’t on you can hear the songs
a guided light on the dark road your walking on
a sign post to find the dreams you thought was gone
someone to help you move the obstacles you stumbled on
someone to help you rebuild after the rubble’s gone
we are the World connected by a common bond
Love the whole planet sing it along
[Coro]
Everyday citizens
everybody pitching in
You and I
Uh, 12 days no water
wishing will to live
we amplified the love we watching multiple
Feeling like the Worlds end
we can make the World win
Like Katrina, Africa, Indonesia
and now Haiti needs us, the need us, they need us
[Coro]
Haiti, Haiti, Ha, Ha, ha, ha, ha
Haiti, Haiti, Ha, Ha, ha, ha, ha
Haiti, Haiti, Ha, Ha, ha, ha, ha
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Os 50 anos da descolonização africana - África tem futuro?
Descolonização africana
Este ano faz 50 anos que começou a grande vaga da descolonização africana. Passados 50 anos a "desilusão" é dos termos mais usados quando é analisado o percurso dos países africanos que em 1960 se tornaram independentes. Meio século depois, acredita-se que o continente tem perspectivas, mas "ainda vai levar tempo". Vejam o artigo do jornal Público de hoje sobre o assunto, focando os problemas de subdesenvolvimento e reflectindo sobre o futuro deste continente.
O ano em que começou um futuro ainda por cumprir
Num dos primeiros dias de Julho de 1960, Mason Sears, durante anos representante dos Estados Unidos na Comissão de Curadorias das Nações Unidas, organismo vocacionado para a descolonização, limpou a secretária e apresentou a demissão. "Em África", disse, "o nosso trabalho está feito. Acabou." O tempo e os factos mostraram que não era assim, mas o episódio ilustra o ambiente de entusiasmo geral sobre o futuro dos países que se tornavam independentes. Meio século depois, a maior parte tem por cumprir os sonhos que nortearam a luta contra o colonialismo.
A consciência de missão cumprida de Sears explica-se pela vaga descolonizadora no que ficaria conhecido como o "Ano de África": em 1960 o mundo via nascer 17 novos países, 14 deles antigas colónias francesas. "Desilusão" e "frustração" são hoje os termos mais comuns nas descrições sobre o caminho percorrido.
"É preciso ser franco. [O balanço] está longe de ser agradável. Não falo sequer de democracia, mas de bom governo. A China não é democrática, mas avança. Outros países, como a Coreia do Sul ou a Malásia, desenvolveram-se sem democracia no início. A diferença? Dirigentes esclarecidos... Podemos considerar que as grandes potências, que nos impuseram muitos diktats, não ajudaram. Que o Ocidente tem a sua quota de responsabilidade. Mas os principais responsáveis somos nós", disse numa recente entrevista à revista Jeune Afrique o gabonês Jean Ping, presidente da Comissão da União Africana.
No final da II Guerra Mundial, em África, apenas Etiópia, Libéria e Egipto eram independentes e quando os anos 1950 chegaram ao fim ainda só se lhes tinham juntado Líbia, Marrocos, Sudão, Tunísia, Gana e Guiné-Conacri. Mas a vaga de independências de 1960, principalmente de colónias francesas, mostrou que a tendência era irreversível.
Logo a 1 de Janeiro tornaram-se soberanos os Camarões franceses, que no ano seguinte se unificariam com os britânicos. Em Abril foi a vez do Togo. E em Junho aconteceu o mesmo com a Federação do Mali e depois com Madagáscar. Em três semanas de Agosto surgiram nove países francófonos, incluindo o Senegal, que só convivera dois meses com o Mali após o corte com a metrópole, que ainda vivia a ressaca da derrota na Indochina e estava a braços com a insurreição argelina. Já em Novembro a Mauritânia separava-se do colonizador, pondo fim ao sonho alimentado por De Gaulle, referendado em 1958, de uma "comunidade": os estados autónomos tornavam-se soberanos, ainda que em muitos casos a influência de Paris se prolongasse por décadas.
Também em 1960 o Reino Unido abriu mão da Nigéria e do território que, com uma colónia italiana, deu origem à Somália. A Bélgica viu-se forçada a deixar o Congo. Num ápice, o mapa de África mudava.
A fragilidade das metrópoles evidenciada pela II Guerra, a descolonização asiática e as pulsões nacionalistas deram aos movimentos independentistas uma dinâmica que quase só o regime autoritário português contrariava. "Não percam tempo a convencer-me do princípio da independência. Há acordo sobre isso", dizia, em Abril de 1960, citado pela revista Time, o ministro de assuntos coloniais britânico, Iain MacLeod, a delegados da Serra Leoa, que seria independente no ano seguinte.
Bons e maus começos
Alegria e salvas de tiros saudaram as independências e há boas histórias, como a do Senegal, onde a democracia fez caminho ainda que sob ameaça constante de guerra em Casamansa. Ou o Benim, com um passado de golpes mas hoje uma democracia tida como estável, embora sofrendo de subdesenvolvimento e tensões. O Gabão é também sinónimo de estabilidade, mas de uma estabilidade associada ao autoritarismo. A Costa do Marfim, com um começo próspero e sem convulsões, caiu na violência e na guerra civil após a morte do primeiro Presidente, Houphouët-Boigny, em 1993. Mesmo países com importantes recursos, como a Nigéria, têm vivido em instabilidade.
Nalguns lugares o nascimento dos países foi acompanhado com preocupação. Aconteceu nos Camarões, que viveram o primeiro dia de independência com metade do território sob estado de emergência. Na República Democrática do Congo, o ex-Congo belga, a ruidosa violência de 1960 era apenas o prenúncio de uma história de guerras, golpes, corrupção e pobreza, que se reproduziu, em escalas diversas, noutras paragens. Em vários casos, à libertação sucederam-se décadas de ditadura. O caso extremo de fracasso será a Somália, onde o caos substituiu o Estado desde 1991.
"O panorama actual dos países chegados à independência em 1960 é bastante frustrante", diz Alexander Keese, professor do Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto. "Não há desentusiasmo. Há sim uma fortíssima frustração", afirma Eduardo Costa Dias, do Centro de Estudos Africanos do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE). "Há desilusões profundas, mas outra coisa é dizer que o futuro será sempre assim", refere Adelino Torres, do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG).
A falta de desenvolvimento, as guerras e o défice de democracia são, para o professor do ISEG, os grandes problemas dos países que há 50 anos - e nos anos anteriores e seguintes - ascenderam à independência. E, no entanto, em 1960, o futuro parecia risonho. "O início foi caracterizado por um optimismo total, nos próprios países e nos Governos da Europa Ocidental e dos Estados Unidos, e, em muitos casos, [vendo de modo] retrospectivo, um pouco absurdo. Esperava-se um progresso económico nítido, com fundamento nas teorias de modernização, que preconizavam um ritmo próprio de evolução económica e um rápido sucesso baseado na agricultura de exportação", afirma Alexander Keese. As "tendências para a monocultura e um dirigismo económico inflexível", bem como uma "tradição burocrática pesada" e uma herança "administrativa repressiva" do período colonial são outros problemas identificados por este investigador.
Do ponto de vista económico, afirma Adelino Torres, os países africanos seguiram uma estratégia que se revelou errada e que, na maioria dos casos, se ficou pela "industrialização" para "substituição de importações". A queda dos preços das matérias-primas - " se a Costa do Marfim tivesse [hoje] de repente o cacau ao preço de 1980 pagava a dívida externa" - é outra condicionante apontada pelo professor de Economia, para quem, apesar de todas as dificuldades, "África deu um salto à velocidade da luz entre a economia primitiva e a economia de mercado".
Novas dependências
Alexander Keese considera que "no âmbito social e político, na grande maioria dos países, estabeleceram-se sistemas clientelistas e muitos grupos e regiões ficaram excluídos". "Quase tudo foi permitido, não havia nenhuma pressão [externa] para os novos Governos manterem estruturas democráticas", acrescenta. Com outras palavras, Costa Dias vai no mesmo sentido ao referir "a manutenção do mesmo tipo de aparelho de Estado" do período colonial, servido por pessoal político que privilegia tanto a "apropriação como a distribuição por interesses pessoais".
O continente africano sofreu por ter sido um palco "onde os dois blocos [ocidental e soviético] se digladiaram", lembra o investigador do ISCTE. Hoje, refere, vive uma situação de "neocolonialismo, que não tem a ver só com as antigas potências, mas também com as potências emergentes - por razões de negócio mas também de procura de apoio para alterar o seu estatuto internacional - e com as instituições internacionais, que impõem medidas económicas e sociais".
O professor da Universidade do Porto destaca o "grande interesse" das populações pelos processos eleitorais. Mas entende que a esperança de "melhores estruturas de governo diminui com o aparecimento de novos parceiros" pouco interessados em "políticas democráticas de qualidade e no respeito pelos direitos humanos". O caso que aponta é o da China, que promete "investimentos, sem incómodos com perguntas sobre direitos humanos". "Estes investimentos permitirão a elites habituadas a estruturas autoritárias manterem e reforçarem o seu controlo - e as oposições a estas tendências exprimem-se na organização de rebeliões armadas e na fragmentação de Estados", alerta.
Mais optimista, Adelino Torres considera "completamente errada" a concepção de que a democracia é impossível no continente. O professor do ISEG cita o Prémio Nobel Amartya Sen para dizer que o diálogo tem ali uma tradição milenar e defende que, "embora o factor étnico exista, ele não é a origem principal [dos problemas], a origem é política e usa os factores étnicos para promover ambições". "Sou optimista, mas a longo prazo. Porque neste momento há muitas dificuldades - crise global, dívida externa, dificuldades em exportar, dificuldades de desenvolvimento. Só vemos guerras e sida. Mas África é um continente extremamente criativo. E com grande futuro, mas ainda vai levar tempo", afirma.
Uma população que, no fim do ano passado, chegou aos mil milhões de pessoas e o aumento do número de jovens com capacidades técnicas e científicas são factores que, segundo Adelino Torres, permitem encarar com esperança o futuro. A abertura de mercados na Europa e Estados Unidos seria uma ajuda importante, mas essa é uma "questão delicada" para os Governos ocidentais, por motivos internos, reconhece o académico. A integração regional é, do seu ponto de vista, uma via para o desenvolvimento, por poder dar capacidade de sobrevivência aos mercados internos e uma voz mais forte ao continente no âmbito global.
"Somos severos, e temos razão para o ser, em relação à orientação política desde as independências, mas também não temos que ser tão severos. A Europa para chegar à democracia demorou séculos", considera Adelino Torres. Também para Costa Dias - que vê como positivo o "desenvolvimento de uma opinião pública", o crescimento populacional e "o orgulho de ser africano" - "50 anos é nada".
De que precisa, afinal, África, hoje? "De unidade. De outro modo, ficaremos condenados a ver o mundo mudar sem nós", respondia Jean Ping, em vésperas da cimeira da União Africana, no fim de Janeiro.
Fonte: http://jornal.publico.clix.pt/noticia/13-02-2010/o-ano-em--que-comecou-um-futuro--ainda-por-cumprir-18783889.htm
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
John Lee Hooker - Boom Boom
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