terça-feira, 16 de março de 2010

Americanos juntaram-se para a Coffee Party


Hoje gostava de vos falar de uma ideia muito interessante que acaba de nascer nos EUA. Este fim-de-semana, em mais de 350 cidades, centenas de pessoas encontraram-se num café da sua cidade para debater ideias. Trata-se de um movimento de cidadãos, independente, que já é conhecido por "Coffee Party". Para ficarem a saber um pouco mais da filosofia deste movimento leiam a notícia de ontem do "Público".

Mark Hightower esperava umas quatro ou cinco pessoas sentadas a uma mesa de café, mas deparou-se com uma sala completamente cheia de gente, alguns já empunhando cartolinas desenhadas com palavras de ordem. "É a prova de que as pessoas estão mesmo interessadas em discutir soluções para os assuntos que as preocupam, sejam eles locais, nacionais ou até internacionais", comenta.

Foi essa a razão que levou este gestor de projectos de Washington a envolver-se com o Coffee Party, não um partido, mas um movimento independente e descentralizado que reclama o regresso da civilidade ao debate político americano e o fim das estratégias obstrucionistas que impedem o desenvolvimento do país.

A ideia é que quando as pessoas se sentam e discutem calmamente as questões que as preocupam, não só conseguem ultrapassar as suas diferenças como são capazes de encontrar melhores soluções para problemas complexos - sejam eles a reforma do sistema de saúde, as alterações climáticas ou a promoção da igualdade.

"Eu diria que pelo menos 80 por cento dos americanos querem ser ouvidos, mas gritar não adianta. Os confetti e o ruído não conduzem a nenhum resultado, assim é impossível ter uma conversa racional", considera. "E infelizmente os media só contribuem para promover a confusão, concentrando a atenção em tudo o que é negativo".

Nascido há pouco mais de um mês num dos subúrbios de Washington DC, o Coffee Party começou por ser uma mensagem de desabafo deixada na página do Facebook de Annabel Park, uma documentarista. "Vamos juntar-nos, tomar um café e ter um debate político verdadeiro, com substância e compaixão", escreveu.

Em seis semanas, a sua página foi convertida no Coffee Party e já conta com mais de cem mil membros, todos com vontade de "fazer a sua parte". "Eu nunca estive envolvido na política nem quero estar. Não sou um activista, sou apenas alguém disposto a fazer a minha parte. Quero poder encontrar-me com os meus líderes políticos e ter um diálogo produtivo com eles. Assim eles vão saber o que eu espero deles e eu vou saber o que eles se propõem fazer por mim", explica Mark Hightower.

Este fim-de-semana, em mais de 350 cidades americanas, centenas de pessoas fizeram precisamente o que Annabel sugeriu: encontraram-se num café da sua cidade para conhecer aqueles que se tornaram "seguidores" do Coffee Party e estão dispostos a contribuir para o movimento.

No Potter"s Café, uma livraria e café no bairro de Adams Morgan, um dos locais mais diversos da capital, juntou-se quase uma centena de pessoas. "Eu não conhecia nenhuma delas", esclarece Mark, o responsável pela convocatória.

Tinham várias idades e as mais diferentes origens. Alguns descreviam-se como "progressistas", outros como "idealistas" e outros ainda como "desiludidos". Nenhum daqueles com quem o PÚBLICO falou alguma vez votou no Partido Republicano, mas nem todos votam no Partido Democrata - Kevin, por exemplo, é um fiel eleitor do Partido Verde do advogado Ralph Nader. Alicia está registada como independente, mas a sua ideologia é mais libertária: "O discurso dos dois principais partidos é tão polarizado que não consigo identificar-me com nenhum deles", explica.


Contra os slogans agressivos


Os media norte-americano classificaram o Coffee Party como a antítese do Tea Party - o movimento conservador de protesto contra a expansão da intervenção do Governo que rebentou há cerca de um ano, com a aprovação do pacote de estímulo económico do Presidente Barack Obama.

Mas as comparações com o Tea Party são algo que este grupo de pessoas rejeita em absoluto. Não só elas não partilham da mesma ideologia - o Coffee Party, afinal, reconhece a importância do investimento do Estado -, como sobretudo discordam da sua metodologia. "Gritar slogans agressivos em comícios só contribui para alimentar a polarização e o ruído que divide as pessoas e paralisa os políticos", refere Hightower.

"A nossa atitude não é de nós contra eles. Nós não somos contra alguma coisa, somos a favor de qualquer coisa. Esse é precisamente o problema da política americana actual, e é essa a nossa frustração. Ninguém é linear e o mundo não é a preto e branco", prossegue.

Fonte: http://jornal.publico.clix.pt/noticia/15-03-2010/americanos-juntaramse-para-a-coffee-party-18993798.htm


Site oficial do movimento: http://www.coffeepartyusa.com/

sábado, 13 de março de 2010

Bullying sobre professores


Infelizmente, o tema do bullying continua na ordem do dia. Depois de se ter falado nos conflitos entre alunos, agora também se fala no bullying dos alunos sobre os professores. O suicídio, há dias, de um professor de uma escola de Sintra, alegadamente por não aguentar mais a indisciplina dos seus alunos, mostra-nos até que ponto a indisciplina chegou em muitas escolas portuguesas. Mesmo que o professor pudesse ser psicologicamente débil, como algumas pessoas referem, não se pode branquear uma situação muito grave de contínua falta de respeito, com insultos, humilhações e violência física a que este professor foi sujeito por parte de alguns dos seus alunos, em total impunidade.

O bullying sobre professores existe em muitas escolas, com maior ou menor gravidade. Os professores andam, de um modo geral, muito cansados e desanimados pois, para além do excesso de trabalho (muitas vezes sem resultados satisfatórios), da falta de reconhecimento do seu trabalho, por parte do Ministério da Educação e da própria sociedade, têm ainda que aguentar, em muitos casos, com um ambiente hostil da parte de muitos alunos desmotivados, que não têm educação nem respeito pelas pessoas mais velhas, rejeitando qualquer forma de autoridade e de disciplina. Por outro lado, a indisciplina impede que os alunos que são de facto interessados aprendam e progridam. É a própria Escola Pública que vê o seu futuro posto em causa, já que muitos pais (com maior ou menor sacrifício) vão preferindo pôr os seus filhos em colégios privados, onde estas situações de indisciplina não ocorrem, pelo menos com esta gravidade, e onde poderão ter mais sucesso escolar. Assim, inevitavelmente, as escolas públicas vão perdendo os seus melhores alunos, tornando-se cada vez mais difícil criar um ambiente propício ao trabalho e à aprendizagem. É o futuro deste país que também está em causa.

Fiquem com a notícia que o jornal Público publicou hoje sobre este caso do suicídio de um professor de uma escola do concelho de Sintra:


Na Escola Básica de Fitares, em Rio de Mouro, Sintra, continua a imperar o silêncio. Mas agora vem acompanhado de apreensão. De ainda mais medo. Muitos docentes olham para o caso do professor de Música que se suicidou e revêem-se no seu desespero. Luís atirou-se da Ponte 25 de Abril a 9 de Fevereiro por não aguentar a indisciplina dos alunos. Não era caso único. Era a ponta de um novelo que, ao ser desenrolado, revela histórias de professores agredidos por alunos e pais. Insultos verbais. O último caso grave aconteceu na semana passada. Uma professora de Educação Visual desmaiou depois de ter sido empurrada pelos alunos. Teve um traumatismo craniano.

A família do professor Luís admite que "poucos, perante o mesmo problema, reagiriam desta forma" - o suicídio. Contudo, a sua irmã, também docente, questiona "quantos professores não se encontram neste momento de atestado médico ou a leccionar no limite das suas forças, por situações semelhantes?" Descreve o irmão como alguém "solitário, sensível e psicologicamente frágil" e com "dificuldade em se impor". Mas insiste: "Será que um professor tem que ser um super-homem? Qualquer um, independentemente das suas características, não tem o direito a ser respeitado?"

Os desabafos fazem parte de uma carta que enviou em Fevereiro ao Conselho Pedagógico da escola, presidido pela directora da instituição, Cristina Frazão. Não teve resposta. Fez questão de dirigir a carta ao órgão. Queria que a falta de apoio às participações de alunos feitas por Luís (pelo menos sete) fosse o ponto de partida para uma "reflexão profunda" sobre a indisciplina. Mas a carta não passou das mãos da directora. Na Inspecção-Geral da Educação estão também pelo menos três queixas. A família aguarda agora os resultados do inquérito que o Ministério da Educação decidiu ontem abrir, depois de o director regional de Educação de Lisboa ter visitado a escola. À saída, José Leitão esclareceu que o objectivo é perceber se o suicídio foi uma consequência do bullying e afirmou que Luís apresentaria "uma fragilidade psicológica desde há muito tempo". Estava na escola desde Setembro. Não aguentou seis meses de angústia. Não suportou a ideia de ouvir novamente que era um "cão" ou um "careca". Não queria voltar a ser empurrado e a cair em público.

"Não foi só ele. Eu já fui empurrado, uma professora já desmaiou duas vezes. É constante e a direcção nada faz com as queixas e as pessoas têm medo", contou ao PÚBLICO, sob anonimato, um dos docentes da escola. "Há umas semanas uma funcionária foi empurrada nas escadas por um aluno do 5.º ano. Contamos os dias para a reforma e quando temos oportunidade mudamos de escola", disse outro docente.

Quando se suicidou, Luís estava há poucos dias de atestado, a conselho do seu psicólogo e da directora. "Recentemente e em consequência do stress inerente à sua actividade profissional, nomeadamente questões de indisciplina e mesmo ocorrências sentidas como actos de desrespeito por parte de alguns alunos, verifica-se um claro agravamento do seu quadro clínico", lê-se num relatório do psicólogo.

A história é de Luís e da escola mas os sindicatos asseguram que traduz a realidade. O secretário-geral da Federação Nacional de Professores assume que são raros os casos extremos. Mário Nogueira atribui a situação à anterior tutela do ME por ter ajudado a "denegrir" a profissão de professor. "O pior que pode acontecer neste caso é desvalorizar-se a situação e dizer-se que só aconteceu porque era frágil. As pessoas não são frágeis. Têm momentos de fragilidade e é preciso agir preventivamente." Opinião semelhante tem o secretário-geral da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação que diz que o que aconteceu a Luís pode ser vista como "uma doença profissional".

Na escola, Luís pouco falava. Guardava para si o seu sofrimento. Óscar Soares, do grupo de professores contratados do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa, a que Luís também pertencia, recorda-o como alguém que "se envolvia, entusiasmava e reflectia sobre as coisas". Filomena Serrão trabalha na Câmara de Oeiras (onde o professor colaborava no boletim) e conheceu-o noutros tempos no Coro de Santo Amaro de Oeiras. "Uma pessoa muda muito em 20 anos mas recordo-o como um flautista fantástico. Nos últimos tempos cruzei-me pouco com ele, mas nada fazia prever isto."

Mas Luís deixou avisos. "Em relação ao suicídio só tenho uma coisa a opor: será justo que os bons vão embora e fiquem cá apenas os medíocres?" Deixou a frase no seu computador.


O mesmo jornal publicou, em complemento, algumas estatísticas relativas a situações de violência em escolas portuguesas. Os números são muito preocupantes. Podem ler a notícia aqui.

Fonte: Público, 12 de março de 2010

sexta-feira, 12 de março de 2010

Parque Nacional de Arusha, Tanzânia


A propósito do livro de Paul Therroux, referenciado no post anterior, fiquem com uma foto da National Geographic de um casal de girafas no Parque Nacional da Arusha, na Tanzânia. Belíssimo!...

Viagem por África - um livro de Paul Therroux


Acabei de ler o livro "Viagem por África" escrito por Paul Terroux, um escritor norteamericano que gosta de fazer grandes viagens. Paulo Theroux, autor de «A Costa do Mosquito» e de "O Velho Expresso da Patagónia" (que li no ano passado), na altura com cerca de 60 anos, decidiu fazer a viagem que todos diziam impossível. Do Cairo à cidade do Cabo, desceu pelo Nilo, atravessou o Sudão, a Etiópia, o Quénia, o Uganda, a Tanzânia, o Malawi, Moçambique, o Zimbabué e a África do sul. De barco, a pé, por comboio e canoa, usando todos os meios que conseguia para se deslocar, cruzou-se com a pobreza, a corrupção, o radicalismo, o racismo e a generosidade. Tendo como objectivo regressar à escola onde dera aula há quarenta anos atrás(no Malawi), deixa-nos um relato de beleza, perigo e fabulosas histórias de pessoas e sobrevivência. Paul Theroux decidiu partir e ver, com os seus próprios olhos, a África que todos descreviam de forma tão negativa. Tendo partido do Cairo em direcção à África do Sul, encontrou um continente mais pobre e corrupto. Ao caos e terror de algumas regiões contrapôs-se ainda assim a força e beleza da África em que vivera nos anos 60. O humor negro e o sarcasmo de Paul Theroux fazem deste livro uma crítica social aos ex-colonizadores que tentaram passar a sua cultura às ex-colónias, mas que no fundo nunca tentaram nem se interessaram por compreender as gentes e os costumes riquissímos dos nativos destes países. É extremamente crítico em relação à forma como as ONG, dos países desenvolvidos, actuam em África, contribuindo, na opinião do autor, para a inacção e para a eterna dependência deste continente em relação ao exterior. É um livro muito bom e imprescindível para compreendermos a situação actual do continente africano.


Edição/reimpressão: 2008
Páginas: 568
Editor: Livros Quetzal
ISBN: 9789725647295
Colecção: Viagens

quinta-feira, 11 de março de 2010

Terapia do elogio


Queria partilhar convosco um texto muito interessante do psicólogo brasileiro Arthur Nogueira sobre a importância do elogio nas relações humanas:

Terapia do elogio

Terapeutas que trabalham com famílias, divulgaram uma recente pesquisa que chegou às seguintes conclusões: os membros das famílias estão cada vez mais frios, mais distantes, existe cada vez menos carinho, valoriza-se cada vez menos as qualidades, só se ouvem críticas.
As pessoas estão cada vez mais intolerantes e desgastam-se valorizando os defeitos dos outros.
Por isso, os relacionamentos de hoje não duram.

A ausência do elogio, está cada vez mais presente nas famílias. Não vemos os homens elogiando as suas mulheres ou vice-versa, não vemos chefes elogiando o trabalho de seus subordinados, não vemos mais pais e filhos elogiando-se; amigos, etc.
Só vemos pessoas fúteis valorizando artistas, cantores, pessoas que usam a imagem para ganhar dinheiro e que, por consequência são pessoas que têm a obrigação de cuidar do corpo, do rosto.

Essa ausência de elogio tem afectado muito as famílias.
A falta de diálogo nos seus lares, o excesso de orgulho impede que as pessoas digam o que sentem e levam essa carência para dentro dos consultórios. Acabam com os seus casamentos, acabam procurando noutras pessoas o que não conseguem dentro de casa.

Vamos começar a valorizar as nossas famílias, amigos, alunos e subordinados. Vamos elogiar o bom profissional, a boa atitude, a ética, a beleza dos nossos parceiros ou das nossas parceiras, o comportamento de nossos filhos.
Vamos observar o que as pessoas gostam. O bom profissional gosta de ser reconhecido, o bom filho gosta de ser reconhecido, o bom pai ou a boa mãe gostam de ser reconhecidos, o bom amigo quer sentir-se querido, a boa dona de casa valorizada. Enfim vivemos numa sociedade em que cada um de nós precisa dos outros; é impossível um homem viver sozinho, e os elogios são a motivação na vida de qualquer pessoa.

Quantas pessoas, poderá fazer feliz hoje, elogiando de alguma forma?
Comece agora!
Você é uma pessoa maravilhosa!
Tenha um excelente dia!



Arthur Nogueira, psicólogo

Relâmpago em Huntington Beach, Ohio


Foto: James Larkin (National Geographic)


Esta foto de James Larkin foi considerada a foto do mês de Abril da National Geographic. Fantástica!...

Rui Veloso - Anel de Rubi

Voltamos à musica portuguesa, a Rui veloso e ao seu "Anel de Rubi", ao vivo. As letras da canção, de Carlos Tê, são muito bonitas e muito significativas para todos nós que já passamos pela adolescência e por grandes desilusões amorosas. Não se ama alguém que não ouve a mesma canção. A melodia é, igualmente, muito bonita. Às vezes, as canções mais simples são as que chegam mais depressa ao nosso coração!...



Fiquem com as letras da canção:

tu eras aquela
que eu mais queria
pra me dar algum conforto e companhia
era só contigo que eu sonhava andar pra todo o lado e até quem sabe talvez casar
ai o que eu passei só por te amar
a saliva que eu gastei para te mudar
mas ese teu mundo era mais forte do que eu e nem com a força da música ele se moveu.

mesmo sabendo que nao gostavas
empenhei o meu anel de rubi
para te levar ao concerto que havia do rivoli

e era só a ti que eu mais queria
ao meu lado no concerto nesse dia
juntos no escuro de mão dada a ouvir
aquela música maluca sempre a subir
mas tu não ficaste nem meia hora
não fizeste um esforco para gostar e foste embora
contigo aprendi uma grande lição
não se ama alguém que não ouve a mesma canção

mesmo sabendo que nao gostavas
empenhei o meu anel de rubi
para te levar ao concerto que havia do rivoli

foi nesse dia que percebi
nada mais por nós havia a fazer
a minha paixão por ti era um lume
que não tinha mais lenha
por onde arder

mesmo sabendo que não gostavas
empenhei o meu anel de rubi
para te levar ao concerto que havia do rivoli

Carlos Tê

terça-feira, 9 de março de 2010

Benvindo ao Paraíso

Este cartoon foi feito por um médico (julgo que francês) a propósito da pandemia de Gripe A. E tem a seguinte legenda:

- 90 pessoas apanharam a gripe A e toda a gente quer usar máscara;

- 5 milhões de pessoas têm SIDA e ninguém quer usar o preservativo;

- 1 000 pessoas morrem de gripe A num país rico, é pandemia;

- milhões morrem de malária em África, é um problema deles!





segunda-feira, 8 de março de 2010

Palestra: "A Globalização e a (Re)emergência de Conflitos Regionais - Será Possível a Guerra Justa?"


Hoje, os alunos do 12ºI assistiram, durante a aula de Geografia C, a uma Palestra apresentada pela professora Fátima Costa subordinada ao tema: "A Globalização e a (Re)emergência de Conflitos Regionais - Será Possível a Guerra Justa?".

Espero que tenham gostado da palestra e que esta tenha contribuído para uma melhor compreensão dos temas abordados.

Fica aqui a seguinte pergunta: na vossa opinião, existem, de facto, "guerras justas"?

Como complemento, deixo aqui o link ao trabalho de dissertação final do Mestrado em Filosofia - Área de Especialização em Ética e Filosofia Política - da professora Fátima Costa: "Michael Walzer: A Teoria da Guerra Justa e o Terrorismo"

sexta-feira, 5 de março de 2010

Esta cidade não é só para velhos

Foto: ADRIANO MIRANDA


A cidade do Porto tem perdido moradores e envelhecido. O fenómeno nota-se particularmente na Baixa e na zona histórica, onde se sucedem as casas degradadas, ameaçando ruir. Mas também há exemplos que contrariam esta tendência. O jornal Público, que hoje faz 20 anos, publica um trabalho muito desenvolvido sobre o envelhecimento da população do centro da cidade do Porto. Vale a pena perder algum tempo e lêr a reportagem na íntegra:



Olhe-se para onde se olhar, pelas janelas da casa de Teresa vê-se sempre uma cidade de destroços. Na Rua de João das Regras, a escassas centenas de metros do edifício da Câmara Municipal do Porto, o apartamento T2 tem áreas relativamente amplas e vistas sobre a cidade: dominam as casas abandonadas, ameaçando ruir, de telhados derrocados e paredes enegrecidas. É o retrato possível de uma cidade a envelhecer, desertificando-se.

"Está tudo a cair aos pedaços. Choca. É uma pena", resume Teresa Leal, 34 anos, produtora de espectáculos, natural do Marco de Canaveses. Mudou-se para o centro do Porto há quatro anos, para uma casa que os pais tinham comprado há alguns anos. "Aproveitei."

Teresa Leal é, apesar de tudo, um dos novos habitantes que a Baixa da cidade vai conseguindo atrair. Mas, confirma, "há pouca gente nova e a maioria dos vizinhos são pessoas que já cá vivem há muito tempo". Beneficia da proximidade do café do bairro (onde regularmente aparece "o emplastro", um homem que o país inteiro conhece pela sua presença intrusiva nos ecrãs de televisão), da pequena mercearia, mas pouco mais. Quase não estabelece relações de vizinhança numa zona que já foi um típico bairro portuense, mas que se degradou, envelheceu e se descaracterizou, transformando-se no espaço algo hostil que é hoje.

Dez imigrantes por dia

Teresa reconhece que a sua casa pouco mais é do que "um dormitório". "Como não há estacionamento nem tenho lugar de garagem, não posso vir a casa durante o dia", conta. Será esta, aliás, uma das razões que justificam a fraca capacidade de atracção do centro tradicional da cidade (o Central Business District, CBD, conforme vem nos manuais escolares). Wilson Faria, presidente da Junta de Freguesia de Santo Ildefonso, reconhece a dificuldade. "Novos moradores, não há. Há poucas casas a ser construídas nesta zona", diz o autarca. A excepção, admite, são os imigrantes. Nos edifícios antigos da zona parecem ter encontrado habitações com rendas baixas onde podem instalar-se. Notam-se pelo tom da pele e pela língua que falam, e Wilson Faria diz que o fenómeno pode ter também a ver com a facilidade de transporte que o metropolitano gerou. "Passamos, na junta, dez a doze atestados de residência por dia a imigrantes, sobretudo romenos e brasileiros", garante o autarca.

Yasmin Lamas, 22 anos, estudante universitária de Cabo Verde, confirma este afluxo. Mudou-se com outras duas compatriotas para um apartamento da Rua da Boavista, junto à Praça da República, num edifício onde também residiam vários alunos do programa Erasmus (são 2640 este ano na cidade). O barulho dos carros, diz, "é insuportável", mas a casa fica perto da faculdade e a renda dificilmente poderia ser mais convidativa. "É tudo perto, nem sequer tenho que usar transportes para o que preciso de fazer", explica.

É só um exemplo. Mas são casos destes que vão ajudando a mitigar a desertificação do centro do Porto e o envelhecimento gerados pela forte migração para a periferia ocorrida nas últimas décadas (ver caixa).

Na Rua de Miguel Bombarda, se o esvaziamento da cidade permitiu a instalação de galerias de arte, o ambiente arty por elas gerado tem também atraído novos moradores para a zona.

Helena Gonçalves, 38 anos, investigadora, seguiu há três anos o exemplo de alguns amigos que já lá estavam a morar e juntou-se-lhes. "No início há alguma desconfiança por parte dos antigos moradores, que estranham os hábitos diferentes, mas depois isso desaparece", diz.

Maiata, casada e mãe, Helena sempre quisera morar no centro do Porto - para estar perto do cinema e do teatro, das exposições. Encontrou um clima de boa vizinhança e só lamenta que as velhas mercearias vão fechando as portas e, claro, que a falta de estacionamento obrigue a alugar um lugar de garagem. "É uma despesa mensal razoável", queixa-se.

Mais difíceis são, apesar de tudo, as condições no centro histórico da cidade, onde a degradação do património é mais acentuada e a reabilitação avança a um ritmo exasperantemente lento. Disto se queixou, ainda há poucas semanas, em comunicado, o Grupo de Apoio do Bairro da Sé. Disto se queixa também Jerónimo Ponciano, o presidente da Junta de S. Nicolau, freguesia que corresponde à zona da Ribeira. "As casas estão muito degradadas, há muitos edifícios por recuperar e, enquanto isto não mudar, a juventude foge daqui para fora. E não vêm novos moradores", descreve, contando como as suas três filhas casaram e tiveram que procurar casa fora do bairro.

"Quem quer constituir um lar procura uma habitação digna. Isso, aqui, não há", lamenta Ponciano, que aponta o dedo ao "desleixo" dos responsáveis políticos locais e nacionais. "Os prédios que são propriedade da câmara são os que estão em pior estado", diz. O resultado está à vista: "As pessoas são cada vez menos. Os velhos morrem, os jovens fogem", resume Ponciano, secundado por António Oliveira, presidente da Junta da Vitória. "A freguesia continua a envelhecer. Não há novos moradores, só casos pontuais", garante.

"É bom morar na Baixa"

Um desses casos é Cátia Barros, uma bracarense de 33 anos que veio para o Porto estudar há 16 anos e nunca mais abandonou a Baixa. Cenógrafa de profissão, morou nos Poveiros, em Cedofeita, na Batalha e junto ao Rivoli. Agora vive num apartamento na Sé com vista privilegiada para a Ponte D. Luís I e para o casario da zona histórica, numa rua à qual o metropolitano retirou o trânsito. É aqui que os amigos se juntam para ver o fogo-de-artifício na noite de S. João.

"É bom morar na Baixa", garante. Queixa-se também da falta de lugares para estacionar o carro, das multas constantes, da poluição, dos pedaços dos edifícios em ruínas que caem sobre os carros e até da praga de pombas e gaivotas que não permite ter a roupa a secar na varanda. Mas, optimista, diz que as vantagens superam largamente estes inconvenientes. Cátia beneficia das relações de vizinhança que se estabelecem, do facto de ser conhecida nos cafés e nas mercearias e de, por exemplo, lhe virem bater à porta se acontece alguma coisa com o carro. Também pode ir a pé para qualquer lado, inclusivamente à noite, até porque, assegura, nunca sentiu nenhum problema de insegurança, apesar da proximidade de alguns locais de tráfico de droga. "A insegurança da Baixa é um mito urbano", afirma. Tudo visto, repete, "é mesmo muito bom morar na Baixa".

Estudos confirmam envelhecimento

Os olhos vêem, a demografia confirma. Os estudos existentes para a cidade do Porto, baseados em dados recolhidos pelo Instituto Nacional de Estatística entre os anos de 1991 e 2005, confirmam que "o declínio demográfico e o acentuado envelhecimento da população são os principais traços da evolução do Porto" nos últimos anos, reflectindo a "forte descentralização da função residencial para os concelhos contíguos, bem como a quebra da natalidade".

Os dados estão plasmados num estudo efectuado pela Câmara do Porto, o qual revela que as freguesias do centro histórico e da Baixa são aquelas onde a quebra demográfica mais se tem feito notar. Miragaia perdeu, naquele período, cerca de 40 por cento da população, a Vitória 36,3, a Sé 35,3 e Santo Ildefonso outros trinta por cento. O estudo confirma também a tendência para um forte envelhecimento da população nas zonas centrais, onde os menores de 15 anos chegam, nalgumas freguesias, a representar apenas 4 por cento da população.

O forte fluxo migratório para a periferia, agravado por uma fraca taxa de natalidade, tem contribuído decisivamente para que o processo de declínio demográfico e de envelhecimento se tenha instalado. Em 2005, o INE calculava que o Porto tivesse apenas 233.465 habitantes. A inversão desta tendência, conclui o estudo, "é um desafio exigente, em tempo e recursos, difícil de vencer e que, no actual quadro de atribuições e competências, escapa à intervenção directa do município".

Renovação demográfica

Uma das formas possíveis para aferir a chegada de novos moradores a uma determinada zona da cidade passa pela contabilização dos contadores de água instalados, procedimento praticamente obrigatório para quem chega a uma casa nova. No caso da zona central do Porto, os números fornecidos pela empresa municipal Águas do Porto para os últimos cinco anos confirmam que, apesar do envelhecimento e da desertificação visíveis a olho nu, há sangue novo a chegar, sobretudo às freguesias de Cedofeita e de Santo Ildefonso, que correspondem, grosso modo, ao Central Business District, mas também à Sé, a Miragaia, à Vitória e a S. Nicolau. Em Santo Ildefonso, para uma população estimada em cerca de dez mil habitantes (censos de 2001), foram instalados, nos últimos cinco anos, 1603 contadores de água, apenas relativos a clientes residenciais. Em Cedofeita, onde residem 25 mil pessoas, foram instalados 3385 novos equipamentos, que corresponderão a outras tantas casas habitadas.

Menos significativos, em termos numéricos, são os números relativos aos contadores residenciais instalados nas freguesias do centro histórico: na freguesia da Sé há 491 novos equipamentos para uma população estimada em quase cinco mil habitantes; em Miragaia, onde residiam, em 2001, 2810 pessoas, foram instalados 373 novos contadores; na Vitória, para uma população de cerca de 2700 habitantes, há 324 novos clientes residenciais de água; e em S. Nicolau, com quase três mil habitantes, foram instalados apenas 226 contadores nos últimos cinco anos, revelando o pior desempenho no âmbito da renovação demográfica. A Águas do Porto, refira-se, não regista as idades dos clientes, pelo que não é possível aferir até que ponto os novos moradores correspondem também a uma renovação geracional.


Fonte: http://jornal.publico.clix.pt/noticia/05-03-2010/esta-cidade-nao--e-so-para-velhos-18925062.htm

Uma campanha publicitária genial: Embrace Life - always wear your seat belt

Fosso entre ricos e pobres pouco mudou

Foto : Paulo pimenta, Público


Portugal está tão desigual agora como em meados dos anos 90. Nas últimas décadas, o país ficou mais rico, mas nem todos puderam beneficiar da melhoria das condições de igual forma. E o problema não é os pobres estarem mais pobres, mas os ricos estarem ainda mais ricos, trocando as voltas às tentativas de criar uma sociedade inclusiva e agravando-se o fosso entre uns e outros.

Vejam a notícia do Público on line publicada hoje:


Olhando para a evolução dos indicadores, pouco mudou nas últimas décadas. Na verdade a desigualdade na distribuição da riqueza era tão grave em 2008 como em 1997. O coeficiente de Gini (que mede a distribuição dos rendimentos e que é tanto mais grave quanto mais próximo estiver dos 100) apurado para estes dois anos era de 36 por cento. Pelo meio, houve ligeiras oscilações: agravou-se entre 2001 e 2006, e depois reduziu-se ligeiramente, ficando sempre acima da média da União Europeia (29 por cento em 1997 e 30 por cento em 2008).

Os valores alcançados não orgulham ninguém e também não impedem que a realidade nacional saia mal no retrato quando se compara com o resto dos parceiros europeus. Portugal ocupa o segundo lugar, a par da Bulgária e da Roménia, na lista de países onde a distribuição dos rendimentos é mais desigual. Pior só mesmo a Letónia, que apresentava um coeficiente de Gini de 38 por cento em 2008. O resultado mais favorável verificou-se na Eslovénia, considerada o país mais equilibrado na distribuição dos rendimentos de todo o espaço europeu, com um coeficiente de 23 por cento.

" Se compararmos os índice dos últimos 20 anos, o que tem sido feito na redução das desigualdades é muito pouco. Isso tem a ver com a natureza da nossa desigualdade e com as políticas seguidas, mas que somos dos mais desiguais da União Europeia é inquestionável", alerta Carlos Farinha Rodrigues, um dos economistas que mais se têm dedicado ao estudo desta problemática em Portugal.

O motor da desigualdade

Um dos elementos que mais contribuem para a desigualdade são os rendimentos do trabalho. Apesar das melhorias registadas desde meados da década de 90, Portugal continua a ter dos mais elevados níveis de desigualdade salarial no contexto da União Europeia.

O indicador que mede a diferença entre o rendimento líquido recebido pelos 20% que detêm níveis mais elevados de rendimento e o recebido pelos 20% mais pobres tem estado sempre entre os mais altos da Europa. Em 1995, o rendimento auferido pelos 20 por cento mais ricos era 7,5 por cento superior ao auferido pelos 20 por cento mais pobres. Passada mais de uma década, verificou-se uma ligeira melhoria com esse diferencial a chegar aos 6,1 por cento, mas Portugal continua a ser o terceiro país europeu onde a distribuição dos rendimentos do trabalho é mais desigual, muito próximo da Letónia e da Bulgária.

Na raiz deste problema está também, segundo Farinha Rodrigues, o elevado crescimento dos salários mais altos, uma tendência que se tem evidenciado nos anos mais recentes. "Portugal tem, em termos europeus, salários médios bastante baixos, mas não é difícil perceber que qualquer quadro de topo de uma empresa multinacional tem um salário que não é determinado pelo mercado português, o que gera factores de diferenciação muito grandes", exemplifica.

A este fenómeno há ainda que juntar outro, mas no pólo oposto: os trabalhadores que não conseguem com o seu salário garantir condições mínimas de subsistência, o que contribui para o agravamento das desigualdades e dos indicadores da pobreza.

Pensões desiquilibram

Há outros aspectos que também têm contribuído para a manutenção dos elevados níveis de desigualdade em Portugal. As pensões tendiam a reduzir a desigualdade, mas actualmente, fruto de várias políticas, há já pensões "extremamente elevadas", que acabam por desequilibrar os pratos da balança, como lembra o investigador do ISEG.

Carlos Farinha Rodrigues realça ainda que as ligeiras oscilações verificadas ao longo dos últimos anos ao nível da desigualdade são consequência do aumento dos recursos nas famílias mais pobres, fruto das políticas sociais lançadas pelo diversos governos. Contudo as políticas sociais têm uma capacidade limitada na redução das desigualdades, dado que não é esse o seu objectivo principal. É por isso que há economistas que defendem que a redução das desigualdades exige "não somente a melhoria das condições de vida dos grupos sociais mais vulneráveis, mas igualmente uma distribuição mais justa de todos os recursos gerados pela sociedade".

Esta recomendação surge em oposição à dos que defendem que primeiro é preciso criar riqueza para depois a distribuir. Contudo, os dados mostram que o crescimento económico positivo não é, por si, uma garantia de que a distribuição dos rendimentos é feita de forma equilibrada.

Fonte: http://www.publico.pt/Economia/fosso-entre-ricos-e-pobres-pouco-mudou_1425631

quinta-feira, 4 de março de 2010

Mais um caso dramático de bullying


Como já devem ter reparado, o fenómeno do bullying é um dos assuntos que mais me incomoda e revolta. Infelizmente, nos últimos dias mais uma vez se falou neste grave problema que afecta muitas crianças e adolescentes do nosso país: um adolescente de Mirandela atirou-se ao rio Tua depois de repetidas vezes ter sido vítima de agressões de colegas da sua escola. É impressionante constatar que, apesar de todos os casos divulgados pela comunicação social, continuam a ocorrer situações de bulling em muitas escolas sem que estas (direcções)tomem as medidas necessárias para proteger as vítimas e castigar os agressores que, na maior parte dos casos, não passam de covardes "valentões" que se aproveitam da fragilidade das suas vítimas que não sabem defender-se. É por esta razão que sempre que me apercebo nas minhas aulas de situações similares, mesmo que sejam mais "soft" como, por exemplo, comentários agressivos, "bocas", piadas ou brincadeiras estúpidas sistemáticas sobre um mesmo aluno, reajo de imediato com firmeza sobre os responsáveis por estas situações.

Fiquem com a notícia do Publico on line publicada hoje:


Criança que se lançou ao rio Tua era há algum tempo agredida verbal e fisicamente


O conselho executivo da Escola Luciano Cordeiro, em Mirandela, recusa-se a fazer qualquer tipo de comentário ou a prestar declarações sobre a possibilidade de Leandro, a criança de 12 anos que anteontem se lançou ao rio Tua depois de ter sido agredido por colegas, ser vítima de bullying. "Não há ninguém disponível para falar com jornalistas", avisou uma funcionária da escola.

Foi o presidente da Associação de Pais, José António Ferreira, que informou que a escola e a própria Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) já tinham instaurado um inquérito para apurar o que aconteceu dentro daquele estabelecimento escolar e para averiguar a possibilidade do rapaz ser vítima de bullying, como alguns colegas e familiares afirmam.

A avó do Leandro, Zélia Morais, disse ao jornal A Voz do Nordeste que, com alguma frequência, o jovem era agredido verbal e fisicamente, relatando que há cerca de um ano chegou a ser hospitalizado, após ser agredido por colegas de escola, fora daquele estabelecimento. "Bateram-lhe ao pé da estação", conta, e como consequência ficou uma noite internado no Hospital de Mirandela.

José António Ferreira assegura que não há registo de casos de bullying naquela escola e que a criança em causa não está sinalizada. Mas Zélia Morais acrescenta que a mãe do Leandro chegou a ir várias vezes à escola. "Sempre a atendiam muito bem mas depois não faziam nada, como não fizeram", desabafou.

Nesta terça-feira um colega de turma presenciou a agressão: "Foi um rapaz e uma rapariga, namorados, bateram-lhe e ele ficou a chorar", disse, desconhecendo as razões que levaram "os grandes", com 14 ou 15 anos, a agredir o Leandro. "Batiam-lhe às vezes", continuou.

Agresssores identificados

Os supostos agressores já foram identificados e estão a ser acompanhados por um psicólogo na própria escola. Os colegas de turma ontem só tiveram aulas no período da manhã e alguns aproveitaram a tarde para ir espreitar ao rio, acompanhar as buscas e tentar saber se já tinham encontrado o amigo. Alguns não querem falar, outros, sem reservas, confirmam que há um grupo "de três ou quatro" estudantes mais velhos que gosta de se meter com os mais pequenos. Uma versão confirmada por um primo mais velho de Leandro. "É verdade que lhe batiam. Quando eu via, defendia-o", disse. Este jovem acompanhou os últimos momentos de ira do Leandro que, na terça-feira, faltou à aula de Inglês, a última da manhã, e saiu disparado da escola a anunciar que se ia atirar ao rio. "Já queria atirar-se da ponte, eu é que peguei nele", conta, enquanto mexia energicamente as mãos, mostrando algum nervosismo. "Depois desceu pelas escadas, foi ali para o parque de merendas e de repente tirou a roupa e meteu-se na água. Nós vimo-lo a levantar os braços e depois já ia lá em baixo", disse, explicando depois que a correnteza da água depressa afastou das margens o corpo frágil do rapaz.

Três primos e o irmão gémeo do Leandro assistiram a tudo, enquanto gritavam desesperadamente e algumas pessoas que passavam àquela hora na ponte chamaram de imediato os bombeiros.

Leandro frequentava o 6.º ano, o irmão gémeo frequenta o 5.º ano, razão pela qual nem sempre estavam juntos, o que deixava o Leandro, mais tímido e reservado, numa situação de maior fragilidade.

A Coordenadora do Programa de Saúde Escolar do distrito, Manuela Santos, diz que um estudo realizado em 2009, em coordenação com a Universidade do Minho, revela que o fenómeno do bullying existe em todas as escolas da região. "Fizemos inquéritos a 3891 crianças do 1.º ao 6.º ano. Na Luciano Cordeiro 11% das crianças inquiridas afirmaram que já tinham sido vítimas de agressão por parte dos colegas três ou mais vezes".

Graça Caldeiras, a mãe de uma criança de 10 anos que frequenta aquela escola confirmou esta realidade, queixando-se à agência Lusa que o filho está a ser vítima de agressões por parte de colegas, motivo pelo qual a criança se recusa a ir à escola e está a ser medicada e acompanhada por um psicólogo. Ontem mesmo Graça Caldeiras disse que não foi trabalhar para acompanhar o filho em mais uma consulta no psicólogo que conseguiu arranjar no centro de saúde, já que "a psicóloga da escola não tinha tempo para o atender".


Fonte: http://www.publico.pt/Local/crianca-que-se-lancou-ao-rio-tua-era-ha-algum-tempo-agredida-verbal-e-fisicamente_1425434

Radiohead - Creep

O prometido é devido. Os Radiohead (uma banda inglesa de rock alternativo) regressam ao blogue com uma das suas canções mais conhecidas e que já passou por este blogue há cerca de dois anos: "Creep".

terça-feira, 2 de março de 2010

Sismo do Chile desviou o eixo da Terra


Por mais incrível que possa parecer o sismo de 27 de Fevereiro no Chile, que matou mais de 700 pessoas e que teve uma magnitude de 8,8 na escala de Richter, terá provocado a deslocação do eixo da Terra em 8 centímetros e feito os dias na Terra mais curtos – embora imperceptivelmente, apenas 1,26 milionésimos de segundo mais curtos.

Vejam a notícia do Público on line publicada hoje:


Estes cálculos são produto de um modelo informático usado pelo geofísico do Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA Richard Gross. E não são algo inédito, que apenas tenha acontecido com este tremor de terra: estes efeitos acontecem quando se verificam grandes deslocações de massa no planeta.

Por exemplo, no terramoto de 9,1 na escala de Richter de Sumatra e no tsunami do Sudoeste Asiático que se lhe seguiu, a 26 de Dezembro de 2004, o dia terá diminuído 6,8 milionésimos de segundo e o eixo da Terra (a linha imaginária em torno do qual a Terra roda sobre si própria) ter-se-á deslocado sete centímetros.

Fala-se sempre no condicional porque é difícil verificar experimentalmente estas previsões feitas através de cálculos computadorizados. As mudanças são demasiado pequenas para serem detectadas em termos físicos, sublinhou Richard Gross ao site Bloomberg News.

Mas se são pequenas, as alterações são também permanentes, comentou ao Bloomberg Benjamin Fong Chao, reitor da Faculdade de Ciências da terra da Universidade Nacional central de Taiwan. “Esta pequena contribuição fica enterrada em mudanças mais vastas devido a outras causas, como o movimento de massas atmosféricas à volta da Terra”, explicou.

E por que é que o sismo do Chile, tendo uma magnitude mais reduzida que o de Sumatra, deslocou o eixo em oito centímetros, enquanto o de Sumatra se ficou por sete? “Primeiro, o de Sumatra localizou-se perto do Equador, e o do Chile numa latitude média, o que o torna mais eficiente a desviar o eixo da Terra”, diz o comunicado da NASA que dá a conhecer os resultados de Gross. “Em segundo lugar, a falha [geológica] responsável pelo sismo de 2010 mergulha na Terra num ângulo mais agudo do que o de 2004. Isto faz com que a falha do Chile seja mais eficaz a mover a massa da Terra verticalmente e, assim, a desviar o eixo da Terra.”


segunda-feira, 1 de março de 2010

Martina McBride - I can't stop loving you

Terminamos hoje o ciclo musical "Sons da América" com a mesma cantora que deu início ao mesmo: Martina McBride. Desta vez, Martina é acompanhada por jovens cantores norte-americanos na canção "I Can't Stop Loving You". Espero que tenham gostado desta amostra da música da América do Norte. Em dois meses percorremos vários estilos musicais, desde os tradicionais folk e Country, até ao rock, passando pelos Blues e pelo Jazz. Por aqui passaram nomes como Bob Dylon, Neil Young, Simon and Garfunkel, Louis Armstrong e os Eagles, entre outros. Como estes vídeos suscitaram muito poucos comentários fico sem saber se este ciclo musical teve eco nos acompanhantes deste blogue.

O Dia e a Noite nos Alpes Suiços

Os dois vídeos que se seguem mostram imagens dos Alpes suíços, durante o dia (1º vídeo) e durante a noite (2º vídeo). Os dois vídeos com imagens aceleradas são muito belos e mostram o evoluir do tempo. Vale a pena perder algum templo e contemplar estas imagensmuito belas.

Alpes - dia


Alpes - noite

Violento sismo no Chile - explicações para o fenómeno


Como todos sabem, anteontem ocorreu um violentíssimo sismo no Chile que atingiu a magnitude de 8,8 na escala de Richter e que, segundo os números mais actualizados, terá provocado mais de 700 mortos, centenas de desaparecidos e mais de 2 milhões de desalojados e ainda diversas ondas de tsunami ao longo do Oceano Pacífico. Para compreenderem melhor as causas deste sismo e também porque causou menos vítimas do que o do Haiti, que tinha uma magnitude bastante inferior, vejam a notícia publicada ontem pelo jornal Público.



Apesar da magnitude elevada, o afastamento da costa e a profundidade do epicentro podem poupar vítimas

O sismo que atingiu o centro do Chile ocorreu numa das áreas onde há mais risco de abalos de maior magnitude. Isto acontece por haver muito perto da costa do país, no Sul do oceano Pacífico, uma zona onde placas da crosta terrestre são impulsionadas por forças que as fazem colidir uma contra a outra - o tipo de movimento que costuma gerar sismos mais intensos.

No entanto, como o epicentro se deu a cerca de 90 quilómetros da cidade de Conceição, a mais atingida, a alguma distância de locais povoados e com uma profundidade significativa (da ordem dos 35 quilómetros, segundo o Serviço Geológico dos EUA, e de 55, de acordo com o National Oceanic and Atmospheric Administration), o balanço de vítimas não foi tão elevado como, por exemplo, no Haiti.

A sua magnitude foi a mesma do sismo de 1755 que atingiu o Sul de Portugal, destruindo grande parte de Lisboa, recordou ao PÚBLICO Luís Matias, professor de Geofísica na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, lembrando ainda que está estimado que tenha sido a cerca de cem quilómetros da costa do Algarve.

A zona do sismo tem "um dos limites entre placas mais importantes à escala do planeta, porque faz a separação de toda a América do Sul da crosta oceânica do Pacífico", diz José Luís Zêzere, professor de Geomorfologia do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa e especialista em riscos físicos.

Nestes locais, "quando a tensão ultrapassa o limite da deformação plástica do terreno, há um local que parte, o que liberta uma grande quantidade de energia, sob a forma de ondas - é isso que é o sismo", explica Zêzere.

No caso da zona costeira do Chile, o contacto é entre a placa de Nazca e a sul-americana, sendo a primeira a "mergulhar" sob a segunda. A excepção é a região Sul, onde o contacto é directo entre a placa do Pacífico e a da América do Sul. É também nesta zona do Pacífico Sul que ocorreu o sismo com maior magnitude já registado, em 22 de Maio de 1960, com uma magnitude de 9,5 na escala de Richter.

No entanto, Luís Matias nota que é em locais como a ilha de Sumatra (na parte oriental do oceano Índico) e o Alasca, também junto a áreas onde há contacto deste tipo entre placas, que se registaram os valores mais próximos do máximo.

O contacto entre placas da crosta terrestre gera tipicamente três tipos de movimentos, e os sismos que provoca têm também magnitudes diferentes. Além do caso já descrito, em que as placas chocam uma contra a outra, há também o das placas que se afastam, como acontece com as dorsais no meio dos oceanos, e as que deslizam horizontalmente uma ao longo da outra, como acontece na falha de Santo André, que atravessa a Califórnia, ou na zona do Haiti, entre a placa das Caraíbas e a da América do Norte.

Portugal tem, aliás, o recorde de magnitude de um sismo numa falha deste tipo, também conhecida como "transformante". Luís Matias recorda que em 25 de Novembro de 1941, ao largo dos Açores, ao longo da falha da Glória, que se estende da ilha de Santa Maria em direcção ao território do continente, foi registado um sismo de magnitude 8,4, a maior de que há conhecimento neste tipo de falhas.

Para explicar porque é que este sismo no Chile, com maior magnitude que o do Haiti, provocou muito menos vítimas, Luís Matias e José Luís Zêzere convergem na ideia de que isso resulta de ter sido mais longe da costa e mais profundo. "Se este sismo tivesse tido o epicentro em terra, teria sido catastrófico", e por isso é que "não há uma relação directa entre magnitude e destruição nas cidades", diz Luís Matias.

A estas razões pode-se ainda acrescentar a densidade populacional, muito mais baixa no Chile do que no Haiti, bem como a qualidade da construção, melhor no Chile, como nota Zêzere.

E será possível que haja alguma relação entre estes dois sismos, pouco distantes em termos de tempo? Luís Matias é peremptório: "Não. A razão de fundo é o movimento de placas."

Zêzere tende a concordar, mas é mais cauteloso: "Não faz sentido assumir que há relação entre eles. Respeitam a limites de placas diferentes." Admite, no entanto, que eventualmente poderá haver alguma relação, mas diz que "com o actual conhecimento científico não há forma de o confirmar". Recorda que na sexta-feira houve um sismo de magnitude sete no Japão, na ilha de Okinawa, e que não é frequente haver tantos sismos de grande magnitude em tão pouco tempo.

Fonte: http://jornal.publico.clix.pt/noticia/28-02-2010/apesar-da-magnitude-elevada-o-afastamento-da-costa--e-a-profundidade-do-epicentro-podem-poupar-vitimas-18896122.htm

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Campanha: "Por Um Consumo Responsável! Posiciono-me!"

A Rede Nacional de Consumo Responsável lançou uma campanha de sensibilização destinada aos alunos do Ensino Básico e Secundário das escolas do Grande Porto envolvidas no projecto, como é o caso da Escola Secundária de Rio Tinto. A campaha tem a designação de "Por Um Consumo Responsável! Posiciono-me!". De seguida transcrevo um documento da organização com as informações relativas ao modo como se vai desenvolver a actividade.




ORGANIZAÇÃO PROMOTORA/Enquadramento
A Rede Nacional de Consumo Responsável (RNCR) tem como principal desafio a promoção da mudança dos hábitos de consumo, articulando as diferentes abordagens aos problemas mundiais como a pobreza, as assimetrias Norte/Sul, a protecção do ambiente e dos direitos humanos através de alternativas sustentáveis que implicam o desenvolvimento de novos comportamentos sociais e de consumo responsável.
Esta rede resulta da parceria entre:

O ISU - Instituto de Solidariedade e Cooperação Universitária (ONGD), fundado em 1989, que desenvolve projectos na área da Cooperação e Educação para o Desenvolvimento, Voluntariado e Exclusão Social;

A Reviravolta - Organização de Comércio Justo, fundada em 2000 que comercializa produtos de comércio justo e desenvolve iniciativas de educação e formação junto da Comunidade Educativa do Grande Porto.

Estas duas organizações associaram-se com o intuito de intervir na área da Educação para o Desenvolvimento com o objectivo de promover a tomada de consciência do nosso papel na sociedade actual, uma sociedade assente no consumismo e em modelos de desenvolvimento que criam um fosso cada vez maior entre o Norte e o Sul, que promove a exclusão social, o desrespeito pelo ambiente e pelos direitos humanos.

ENQUADRAMENTO TEMÁTICO DO CONCURSO
Os trabalhos a desenvolver no âmbito desta iniciativa enquadram-se na:
• Promoção do Consumo Responsável
• Consciencialização para um Consumo Responsável

CALENDÁRIO
Divulgação da Campanha: De 25 de Fevereiro a 10 de Março de 2010
Inscrições: Até 10 de Março
Envio dos trabalhos: Até 20 de Março de 2010

DESTINATÁRIOS
Escolas de Ensino Básico do 2.º Ciclo, 3.º Ciclo e Secundário do Grande Porto inseridas no Consumo Responsável em Rede

REGRAS
TEMA - Todos os trabalhos são subordinados ao tema “Consumo responsável”.
TÍTULO - Por um Consumo Responsável! Posiciono-me!
FORMAS:
• FORMA 1: cartaz em suporte DIGITAL (powerpoint), tamanho A1, na vertical, devendo conter no máximo 12 frases; 1 FOTOGRAFIA ou IMAGEM (fornece-se modelo);
• FORMA 2: cartaz em suporte PAPEL, tamanho A1, na vertical, devendo conter no máximo 12 frases; 1 FOTOGRAFIA ou IMAGEM.
Pede-se aos participantes que escolham a sua pose ou postura que querem fazer ou a imagem que querem inserir que seja representativa da sua personalidade enquanto uma pessoa que apela a um consumo responsável.*
Cada participante, tendo como base a promoção do consumo responsável, deverá criar o seu slogan, a sua frase-chave para a campanha ou escolher uma das dicas para um consumo responsável que assuma como sua.

APRESENTAÇÃO/ RECEPÇÃO DOS TRABALHOS
O(s) trabalho(s) deve(m) ser acompanhad(o)s de um documento com a informação:
- nome dos responsáveis - aluno(s) e professor(es)
- nome da escola
- ano escolar
e enviados por e-mail para
info@consumoresponsavel.com


O(s) trabalho(s) deve(m) constituir-se como uma campanha a ser afixada na escola e a figurar no site da Rede Nacional de Consumo Responsável.

DIVULGAÇÃO/CAMPANHA
De 22 a 31 de Março de 2010, os cartazes deverão ser apresentados nas respectivas escolas e também no site da Rede Nacional de Consumo Responsável

UTILIZAÇÃO DOS TRABALHOS
Todos os trabalhos serão pertença dos autores, mas deverão estar disponíveis aos promotores desta iniciativa para fins de participação em acções de divulgação, exposições e colocação no site.

CONTACTOS PARA ESCLARECIMENTOS
anurbano@yahoo.com


Fonte: Rede Nacional de Consumo Responsável

" Nos enfants nous accuseront "

"...esta geração de crianças será a primeira na história da humanidade que não vai ter uma melhoria nas condições de vida e um aumento na expectativa de vida..."

Para ver e pensar...