sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

As cheias na Austrália e no Brasil - por que é que o impacto das catástrofes naturais é diferente nos dois países?



As chuvas e os deslizamentos de terras que atingiram a região serrana do estado do Rio de Janeiro na passada quarta-feira já provocaram a morte de pelo menos 500 pessoas. As prefeituras dos municípios atingidos indicaram que em Nova Friburgo já foram encontrados 225 corpos, em Teresópolis 223, em Itaipava 39, em Sumidouro 19 e em São José do Vale do Rio Preto 4. O número de desalojados chega aos 13 mil.

Esta já é considerada a maior tragédia climática da história país. O número de vítimas já ultrapassou as 436 registadas em 1967 na cidade de Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo.

A chuva que se abateu sobre estas regiões na noite de terça para quarta-feira foi tão intensa na região a norte do Rio de Janeiro que se estima que, em apenas uma noite, tenha chovido o equivalente ao previsto para todo o mês de Janeiro.

Como é que ocorrem estes deslizamentos de terras?

Um grande volume de chuva caiu nos últimos dias sobre os montes da região serrana do estado do Rio de Janeiro. Por sobre estes, a capa de solo de Mata Atlântica é muito instável. Em alguns sítios não ultrapassa o metro e meio de espessura. A vegetação também não consegue reter a enxurrada porque, por debaixo da capa de solo, as raízes das plantas não se conseguem agarrar à pedra. Quando a água encharca o solo, este desprende-se da rocha e resvala - como uma avalancha -, para níveis inferiores, onde abundam as construções.

Por que é que o impacto das catástrofes naturais é diferente em países como o Brasil e a Austrália?

As realidades sociais influenciam também o impacto das catástrofes. Basta comparar a situação vivida no No Rio de Janeiro e no Nordeste da Austrália.

Até a cor da água do Brasil é diferente do lago que se formou na Austrália. As torrentes que arrastaram casas, pessoas, árvores e carros das cidades de Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, no estado do Rio de Janeiro, eram lamacentas. A água das cheias na Austrália, não.

As chuvadas que caíram no Brasil mataram pelo menos 500 pessoas e produziram um cenário muito mais desolador. Na Austrália terão morrido 15 pessoas.

O que se passou na região do Rio de Janeiro é fruto da ausência de ordenamento do território, nomeadamente da urbanização desenfreada e que privilegia os mais favorecidos (que habitam nas melhores zonas das cidades e as mais seguras) e expulsa para a periferia as pessoas mais pobres, que acabam por ocupar áreas de risco em zonas com grande declive, que foram previamente desflorestadas, o que faz aumentar a escorrência superficial, o risco de enxurradas e de deslizamentos de terrenos. Este risco tem aumentado de há 20 anos para cá, devido à explosão urbana cada vez mais desordenada, impermeabilizando artificialmente os solos. A água acaba por infiltra-se em zonas preferenciais onde não há casas e os terrenos impermeáveis apanham com água a dobrar.

Já a Austrália, um país desenvolvido e ordenado, existem políticas de combate contra as catástrofes naturais. As construções estão preparadas para os fenómenos excepcionais que têm potencialidade de causar tragédias.

Por outro lado, o Brasil tem uma densidade populacional muito maior com uma população pobre muito grande em situações de maior risco, tornando mais propenso este tipo de acontecimentos. Todos estes factores se conjugam para que uma situação de calamidade aconteça. A solidez das estruturas e os sistemas de resposta é muito maior na Austrália do que no Brasil. Estas situações têm mais que ver com a organização da sociedade e o serviço público do que com a riqueza per capita.

Como é que se pode resolver estas situações e diminuir os riscos de novas catástrofes como esta que ocorreu no Brasil?

É possível mudar com uma política urbana, que privilegie um maior ordenamento das urbanizações, com acções que favoreçam a drenagem, com a criação de mais espaços verdes e com a recuperação da mata, com o combate à impermeabilização artificial dos solo e a limpeza dos leitos dos cursos de água e das sarjetas. Só o ordenamento pode evitar nova tragédia.

Fonte: Público

O vídeo que se segue mostra algumas reportagens sobre esta tragédia e ainda algumas explicações sobre as causas da mesma.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Parenthood e The Good Wife - duas séries televisivas de excelente qualidade

Hoje gostava de fazer referência a duas séries norte-americanas de grande qualidade que são transmitidas às terças feiras no canal de cabo Fox Life: "Parenthood" e "The Good Life".

Parenthood


Baseada no filme com o mesmo nome, ‘Parenthood’ é uma comédia dramática que segue a vida dos diferentes membros de uma família e que se foca nos desafios diários da paternidade/maternidade na era moderna caracterizada pelos telemóveis, leitores de mp3 e redes sociais. Esta é a história da família Braverman – Sarah (Lauren Graham), Adam (Peter Krause), Crosby (Dax Shepard) e Julia (Erika Christensen) – quatro irmãos que partilham as mesmas dores de cabeça, de coração e as mesmas alegrias inesperadas no “trabalho” de pais e mães.

Sarah, a mãe solteira, e os seus dois filhos, Amber (Mae Whitman) e Drew (Miles Heizer), deixam o apartamento em Fresno e mudam-se para Berkeley com o objectivo de ficarem mais perto da família. Julia, a irmã de Sarah e a sua antítese, é uma advogada de sucesso a tentar gerir e equilibrar a sua vida no trabalho, na maternidade e como esposa de Joel (Sam Jaeger), o “dono de casa”. Crosby, o irmão mais novo de Sarah, um rapaz com fobia a compromissos, tem de aceitar as responsabilidades de ser adulto quando o seu antigo caso amoroso Jasmine (Joy Bryant) aparece com um filho dele. Por último, Adam é o irmão mais velho da família Braveman que, juntamente com a sua mulher Kristina (Monica Potter) e a sua filha mais velha Haddie (Sarah Ramos), descobre que Max (Max Burkholder), o seu filho mais novo, tem síndrome de Asperger.

Zeek (Craig T. Nelson) e Camille (Bonnie Bedelia) são o patriarca e matriarca da família, ele a figura paternal decidida e até um pouco rígida, ela o pilar de força e energia que mantém a família unida. Na vida privada o casal também terá de lidar com os seus próprios problemas matrimoniais.

‘Parenthood’ é uma criação de Ron Howard e Brian Grazer e tem como produtores executivos Brain Grazer, Ron Howard, Jason Katims e David Nevins. A sua produção está a cargo da Imagine Television em associação com NBC Universal Network TV, Universal Media Studios. É transmitida às 22:15h. Na próxima terça feira tem início a segunda temporada.




The Good Wife

Logo a seguir, às 22:15h,  a Fox Life transmite a série The Good Wife. É uma série dramática que conta com a vencedora do Golden Globe para Melhor Actriz, Julianna Margulies no papel de Alicia, uma esposa e mãe que, corajosamente, assume toda a responsabilidade pela sua família quando o seu marido Peter (Chris Noth) é preso depois dos escândalos sexuais e políticos se tornarem públicos. Tentando esquecer a traição e enfrentando a humilhação pública causada por Peter, Alicia Florrick começa uma nova vida e tenta recuperar a sua carreira perdida como advogada de defesa. Começando como associada júnior numa prestigiada sociedade de advogados em Chicago, ela junta-se ao seu amigo de longa data, companheiro de escola e agora de trabalho, Will Gardner (Josh Charles), que está bastante empenhado em ver como Alicia se vai sair nesta nova etapa depois de quase 13 anos fora dos tribunais.Alicia sente-se agradecida por Diane Lockhart (Christine Baranski), a melhor advogada litigiosa da sociedade, se oferecer para ser a sua mentora, no entanto, rapidamente se apercebe que esta oferta tem algumas condições inerentes e que terá de conquistar o seu sucesso sozinha. A competir com Alicia vai estar Cary (Matt Czuchry), um jovem de vinte e poucos anos e o mais recente membro da firma. Este graduou-se em Havard e, à primeira vista, parece um homem bastante afável, no entanto, revela ser capaz de usar qualquer meio para assegurar que seja ele, e não Alicia, a ocupar a única vaga disponível nos quadros. Felizmente, ela encontra uma aliada, Kalinda (Archie Panjabi), a grande e inteligente investigadora.

Ganhando confiança a cada dia que passa, Alicia sofre uma transformação de 180°: da mulher de um político que foi traída a uma resistente e brilhante mulher de sucesso. Esta transformação deve-se também à necessidade de (re)construir um lar estável para os seus filhos: Zach (Graham Phillips) de 14 anos e Grace (Makenzie Vega) de 13. Pela primeira vez em anos, Alicia troca a sua imagem e identidade de “boa esposa” e toma conta do seu próprio destino para se tornar numa mulher poderosa.

‘The Good Wife’ é dos criadores Michelle King e Robert King e tem como produtores executivos Dee Johnson, Michelle King, Robert King, Ridley Scott, Tony Scott, David W. Zucker, Brooke Kennedy e Charles McDougall. A Produção está a cargo da CBS Paramount Network Television em associação com a King Size Productions, Scott Free Productions e Small Wishes.




Fonte: Fox Life

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

The Beatles - Here Comes The Sun

Here Comes The Sun, uma canção de 1969 do Álbum "Abbey Road".

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Relatório Anual do Clima 2010 - versão preliminar


De acordo com o Relatório Anual do Clima relativo a 2010, elaborado pelo Instituto de Meteorologia, no continente, durante o ano passado, os valores médios das temperaturas máxima e mínima do ar foram superiores aos valores normais 1971-2000, em +0.33ºC e +0.14ºC, respectivamente.

Durante o ano de 2010 os meses mais frios (Janeiro, Fevereiro, Março, Outubro, Novembro e Dezembro), registaram anomalias negativas da temperatura máxima, média e mínima do ar e os meses mais quentes (Abril a Setembro), registaram anomalias positivas da temperatura máxima, média e mínima do ar, em relação aos respectivos valores normais mensais (1971-2000).

No Arquipélago da Madeira o Funchal registou valores médios anuais da temperatura máxima, média e mínima do ar superiores aos das normais 1971-2000, com anomalias de +0.84ºC, +1.17ºC, +1.50ºC respectivamente. De salientar o número elevado de Noites Tropicais (temperatura mínima do ar superior a 20ºC), superior ao valor médio (1971-2000), nos meses de Julho, Agosto e Setembro.

No Arquipélago dos Açores, Ponta Delgada registou valores médios anuais da temperatura mínima e média do ar superiores aos das normais 1971-2000, em +0.92ºC e +0.39ºC, no entanto, o da temperatura máxima foi ligeiramente inferior (-0.14ºC).

No que se refere à precipitação, o ano de 2010 foi o mais chuvoso da última década (2001-2010), com 1063mm, o que supera em 20% o valor da normal 1971-2000, no continente, onde se destaca o mês de Março que registou o 3º valor mais alto de precipitação dos últimos 30 anos.

No Arquipélago da Madeira o Funchal registou um total de precipitação anual (1469 mm) muito superior ao valor normal 1971-2000, +868.20mm, sendo o maior valor anual ocorrido no Funchal desde 1865. Para este valor tão elevado contribuíram os valores de precipitação ocorridos no mês de Fevereiro, com 458.7mm (quase 6 vezes o valor médio).

No Arquipélago dos Açores, Ponta Delgada registou um total de precipitação anual (1476 mm) também muito superior ao valor normal 1971-2000, +504 mm.

Relativamente ao Clima Mundial, o ano de 2010 deverá ficar entre os 3 mais quentes desde 1850, ano de início dos registos climáticos consolidados, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM).

O aquecimento foi muito significativo em África, algumas regiões da Ásia e do Ártico; as sub-regiões do Sara/Arábia, África Oriental, Ásia Central e Gronelândia/ Norte do Canadá (Árctico) registaram no período 2001-2010, temperaturas 1,2 a 1,4ºC acima do valor médio.

Apesar de 2010 se registar como um dos anos mais quentes, há regiões em que se observaram valores de temperatura média do ar abaixo da normal, tais como a Sibéria Ocidental e Central, na Rússia, regiões do Sudoeste da América do Sul, o interior da Austrália, Europa do Norte e Ocidental, Leste da China e o Sudeste dos Estados Unidos. Devido principalmente a estas temperaturas muito baixas observadas no Inverno, muito abaixo dos valores médios, foi mesmo o ano mais frio, desde 1996, no Norte da Europa e desde 1998 na região Norte da Ásia.

Fonte: Instituto de Meteorologia

terça-feira, 4 de janeiro de 2011


Chegamos às 150 000 visitas em 3 anos de existência deste blogue.

Obrigado a todos!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Carlos Drummond de Andrade - Cortar o tempo



Carlos Drummond de Andrade - Cortar o tempo


"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano
se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez
com outro número e outra vontade de acreditar
que daqui para adiante vai ser diferente...
...então, para você,
Desejo o sonho realizado.
O amor esperado.
A esperança renovada.
Para vocês,
Desejo todas as cores desta vida.
Todas as alegrias que puderem sorrir.
Todas as músicas que puderem emocionar.
Neste novo ano,
Desejo que os amigos sejam mais cúmplices,
Que sua família esteja mais unida,
Que sua vida seja mais bem vivida.
Gostaria de lhe desejar tantas coisas.
Mas nada seria suficiente...
Então, desejo apenas que você tenha muitos desejos.
Desejos grandes e que eles possam te mover a cada minuto,
ao rumo da sua FELICIDADE!!! "

Para todos, mais uma vez, um bom 2011!

The Beatles - Come Together

Come Together, canção gravada pelos Beatles em 1969 e que pertence ao álbum Abbey Road.

A Nova Linha Laranja (F) já está em funcionamento


A sexta linha do Metro do Porto entrou em operação comercial regular a 2 de Janeiro de 2011. São 10 novas estações, 4 parques e 7 quilómetros a somar à rede, ligando a Senhora da Hora a Fânzeres.
A abertura da Linha Laranja (F) marca uma nova etapa na história do Metro do Porto e no dia-a-dia dos habitantes do concelho de Gondomar. O Metro do Porto volta-se assim para a zona oriental da cidade e passa a disponibilizar um novo meio de transporte a dezenas de milhar de pessoas na Área Metropolitana, com um serviço cómodo, económico, rápido, eficaz e seguro.

A Linha Laranja liga a Estação da Senhora da Hora e a Estação de Fânzeres sem necessidade de transbordo. As novas estações Contumil, Nasoni, Nau Vitória (as três no concelho do Porto), Levada, Rio Tinto, Campainha, Baguim, Carreira, Venda Nova e Fanzeres (Gondomar), estão equipadas com máquinas de venda e carregamento de títulos, validadores e novos suportes de informação ao público.

Tempos de viagem
A partir de Janeiro, uma deslocação de Fânzeres à Senhora da Hora passa a demorar cerca de 39 minutos e cerca de 18 minutos de Fânzeres ao Estádio do Dragão. Para chegar a Rio Tinto a partir do Estádio do Dragão, serão necessários apenas 9 minutos, de Fânzeres à Trindade uns 26 minutos e até à Casa da Música serão 30 minutos. O título de viagem necessário para ir de Fânzeres ou de Rio Tinto até à Senhora da Hora, Trindade ou Casa da Música será o Z3 (1,25 euros).

Serviço
 A frequência de circulação dos veículos na Linha Laranja será de 15 minutos (entre as 7H00 e as 21H00, nos dias úteis e aos sábados).

Parques Metro
 Assim, nas estações de Campaínha, Baguim, Venda Nova e Fânzeres estão disponíveis parques de estacionamento automóvel, gratuitos, com capacidade para acolher um total de 462 veículos. O objectivo é sempre aumentar a qualidade de vida e a mobilidade de toda a população da zona envolvente.

Com o início das verificações técnicas – que irão prolongar-se até ao final deste ano -, o Metro passa a constituir um novo elemento no meio urbano, pelo que peões e automobilistas devem observar um conjunto de regras. A segurança é a maior prioridade do Metro do Porto: consulte, aqui, os cuidados que deve ter.

Fonte: Metro do Porto

Linha SOS Professores regista 400 pedidos de ajuda por casos de indisciplina e agressão



Mai uma vez trago ao blogue o problema da indisciplina nas escolas portuguesas. Segundo o Público on line de hoje, quase 400 pedidos de ajuda para situações de indisciplina nas escolas foram registados na Linha SOS Professores nos últimos quatro anos. Esses contactos foram feitos, na sua maioria, depois da tentativa de que os conselhos executivos resolvessem os problemas.

De seguida trascrevo parte da notícia:


Linha SOS Professores regista 400 pedidos de ajuda por casos de indisciplina e agressão

Numa escola da Pontinha, nos arredores de Lisboa, uma das professoras de Matemática já interiorizou a regra que tornou sagrada: “Nunca me viro para o quadro”. Porquê? “Não se sabe o que pode acontecer nas minhas costas”. Esta é a imagem de insegurança que marca o dia a dia de um elevado número de professores em Portugal. A indisciplina na sala de aula transformou-se num sério problema que, em muitas escolas do país, parece tender a agravar-se. Que dificulta o trabalho de elevado número de professores, que os afecta psicologicamente e, em muitos casos, os leva a meter baixa médica.

Muitos destes casos nunca se tornam públicos mas são tema frequente de conversa nas escolas e motivo de queixas aos conselhos executivos. Quando o problema se arrasta e perante a falta de soluções, muitos docentes recorrem à linha SOS Professores, da Associação Nacional de Professores. Nos últimos quatro anos, foram ali registados quase 400 pedidos de ajuda para situações de agressão e de indisciplina nas escolas. A maioria foi apresentada por docentes do sexo feminino entre os 40 e os 49 anos que leccionam o terceiro ciclo ou o ensino secundário na zona de Lisboa e já têm mais de 26 anos de serviço. Os dados foram recolhidos entre Setembro de 2006 e Junho de 2009 e no período de Outubro 2009 a Junho 2010, totalizando os 386 contactos com aquela Linha. A grande maioria das situações diz respeito à agressão verbal (43,6 por cento) seguindo- se as queixas de indisciplina (29,5 por cento), de agressão física (27,8 por cento) e de mau relacionamento (13,6 por cento).
Numa escola de segundo ciclo do Areeiro, as alunas de 11 anos maquilham-se durante a aula de Português, mandam mensagens de telemóvel e contam anedotas. “Aquela sôtora não faz nada, podemos fazer o que nos apetecer”, diz uma delas. “Na aula de Inglês, não, ninguém manda um pio”. Porquê? “A DT [directora de turma] é bué exigente e não deixa”. Visto assim, o problema parece residir na incapacidade do professor impor autoridade.

Mas, nalguns casos, a questão é mais complexa e interligada aos meios desfavorecidos em que as escolas e os alunos pertencem. Como aquela em que o quadro não está afixado na parede, mas tombado no chão da sala de aula. É preciso pedir giz para escrever e não há apagador. Os que houve, foram logo roubados pelos alunos, crianças dos 5 aos 9 anos oriundas de bairros considerados muito problemáticos. Não há lápis de cor, nem cadernos, nem material nenhum. Mas é uma escola de ensino básico, do primeiro ao quarto ano. Não, não é em Moçambique. Fica no centro de Lisboa.

Os alunos são ainda muito pequenos mas nada parece intimidá-los. Respondem com o riso às ordens dos professores, saltam e correm na sala de aula. É impossível cativar a sua atenção para ensinar. Quando uma professora tentou impor-se, os pais protestaram, acusando-a de ser demasiado rígida e o caso foi analisado pelo director. A professora passa a dar aula de porta aberta, decidiu. “Assim, nestas condições e com estes miudos é impossível ensinar”, diz a docente, exausta.

Há estabelecimentos de ensino em que os incidentes assumem maior gravidade e dão lugar à violência. Numa escola da linha de Sintra um professor retirou um telemóvel a um aluno do oitavo ano que perturbava a aula. Furioso e com a ajuda de outros colegas, o rapaz “vingou-se” retirando o relógio ao professor. Este queixou-se ao conselho executivo que discutiu o caso, aplicou uma suspensão aos jovens e restituiu o relógio ao docente.

Mas a solução dos casos pontuais não resolve o problema de fundo da indisciplina. Em declarações ao PÚBLICO, uma professora de Francês de uma das escolas da linha de Sintra do segundo e do terceiro ciclo afirma que o problema está a tornar-se “cada vez pior” naquela zona. Na sua opinião “é um problema que vem de casa, da falta de uma educação de base que não impõe regras aos miúdos”. As turmas muito extensas, de 28 alunos, no seu caso, também não ajudam, bem como os limites impostos à actuação dos professores. “Está a ser cada vez mais difícil o controlo na sala de aula”, afirma. Um problema que não é português observando-se, hoje, em vários países da Europa. Os pais acusam a escola de não conseguir desempenhar o seu papel educativo junto dos seus filhos; os professores atribuem a indisciplina à falta de regras que as crianças e jovens têm em casa, o que se reflecte depois na escola e prejudica a aprendizagem.

Em Março deste ano, num encontro realizado na cidade espanhola de Valência um grande número de especialistas em educação, defendeu que o aumento da violência e da indisciplina nas escolas resulta, sobretudo, de uma crise de autoridade familiar. Os pais não estabelecem regras e limites em casa e transferem essa responsabilidade para os professores.

Nessa reunião, o filósofo Fernando Savater, autor do livro “Ética para um Jovem”, notou que a generalidade dos pais das sociedades actuais condicionados pelo pouco tempo que habitualmente passam com os filhos, preferem que essse convivio “seja alegre” e sem conflitos, preferindo transferir a responsabilidade do exercício da autoridade para as escolas e para os professores. Só que, quando os professores tentam desempenhar esse papel “são os próprios pais e mães que não exerceram essa autoridade sobre os filhos que tentam exercê-la sobre os professores, confrontando-os”, nota Savater. Alerta para a situação de professores “psicologicamente esgotados” que se tranformam “em autênticas vítimas nas mãos dos alunos”. E salienta: “A boa educação é cara, mas a má educação é muito mais cara”, diz não se referindo apenas ao aspecto económico do problema mas a todas as consequências que podem resultar da indisciplina. Savater recomenda aos pais a necessidade de transmitirem aos seus filhos a ideia de que receber uma educação é “uma oportunidade e um privilégio”.

Fonte: Público on line

domingo, 2 de janeiro de 2011

The Beatles - Get Back

Get Back, gravada pelos Beatles em 1969, é uma das canções mais interessantes do grupo em termos ritmicos e um pouco diferente da maioria das canções do grupo.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Um bom Ano 2011

Apesar da crise e de todas as dificuldades que nos esperam, não deixo de desejar a todos aqueles que visitam este blogue.

Um bom Ano 2011

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

The Beatles - The Long & Winding Road

The Long and Winding Road, canção gravada pelos Beatles em 1970 para o álbum Let it B.

Viagens experimentais na Linha Laranja

A Linha Laranja (F) recebe pela primeira vez clientes, para viagens experimentais gratuitas, nos dias 29 e 30 de Dezembro, entre as 10H00 e as 18H00. A nova linha do Metro do Porto é inaugurada e entra em operação comercial regular no próximo domingo, dia 2 de Janeiro, ligando a Senhora da Hora a Fânzeres e passando a servir o concelho de Gondomar.

As viagens experimentais da Linha Laranja (F) decorrem no novo troço da rede – com cerca de 7 quilómetros e dez estações - entre as Estações de Contumil e de Fânzeres – não fazendo a ligação, portanto, ao tronco comum Senhora da Hora – Estádio do Dragão. Estas viagens são gratuitas e visam permitir à população das zonas servidas pela nova linha um primeiro contacto com a rapidez, eficácia, segurança e qualidade de serviço do Metro do Porto. Em todas as estações da nova linha, está assegurado o apoio aos clientes durante as viagens promocionais desta quarta e quinta-feira.

Fonte: Metro do Porto

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

The Beatles - Let It Be

Mais uma das canções inesquecíveis dos Beatles: Let it be, do álbum com o mesmo nome. Gravado em Janeiro de 1969, o álbum foi somente lançado em julho de 1970.

"Geração Nem Nem" está a aumentar cada vez mais



Mais uma notícia preocupante para o nosso país: segundo um estudo do Instituto Nacional de Estatísticas (INE) em Portugal existem perto de 314 mil jovens, com idades compreendidas entre os 15 e 30 anos, que não estudam nem trabalham. Este número equivale a 16% dos jovens portugueses. Segundo o INE é um número que tem vindo a aumentar com a passagem dos anos. Já lhes chamam da "Geração Nem Nem". Estes números do INE têm por base o Inquérito ao Emprego e incluem não só os desempregados mas também pessoas que não estão à procura de um trabalho, e que no dicionário do INE são os «inactivos desencorajados». Para onde caminha o nosso país?

Fonte: Jornal Digital

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

John Lennon - Happy Christmas(War is Over)




Como é habitual pelo Natal temos John Lennon e o seu Happy Christmas (War is Over) ... if you want it. É sem dúvida uma das canções mais bonitas de Natal. Só é pena que, de facto, o desejo de John Lennon ainda não se ter concretizado. Infelizmente, as guerras ainda não acabaram. Ainda há muitos homens que as querem!...

Um feliz Natal para todos



Happy Christmas(War is Over)


So this is Christmas
And what have you done
Another year over
And a new one just begun
And so this is Christmas
I hope you have fun
The near and the dear ones
The old and the young


A very merry Christmas
And a happy New Year
Let's hope it's a good one
Without any fear


And so this is Christmas War is over
For weak and for strong If you want it
For rich and the poor ones War is over
The world is so wrong Now
And so Happy Christmas War is over
For black and for white If you want it
For yellow and red ones War is over
Let's stop all the fight Now


A very merry Christmas
And a happy New Year
Let's hope it's a good one
Without any fear


And so this is Christmas War is over
And what have we done If you want it
Another year over War is over
And a new one just begun Now
And so Happy Christmas War is over
I hope you have fun If you want it
The near and the dear one War is over
The old and the young Now


A very merry Christmas
And a happy New Year
Let's hope it's a good one
Without any fear


War is over if you want it
War is over now

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O Ocidente já não é o centro do Mundo


Hoje encontrei no site do público um artigo muito interessante do jornalista especialista em política internacional Jorge Almeida Fernandes com o título "Aprendemos que o Ocidente já não é o centro do Mundo" integrado no dossiê geral "Dez lições dos primeiros dez anos doséculo XXI". Mostra-nos em síntese o que é que de mais importante mudou na geopolítica mundial nos últimos dez anos. É longo mas vale a pena ler.



Aprendemos que o Ocidente já não é o centro do mundo

1. O Ocidente continuará forte mas deixará de dominar o mundo, declarou há semanas, em Milão, Kishore Mahbubani, professor e antigo diplomata de Singapura. "Os Estados Unidos e a Europa foram óptimos guardiões da ordem mundial, mas agora estão em retirada." O título do último livro de Mahbubani, publicado em 2008, dispensa comentários: O Novo Hemisfério Asiático - A Irresistível Mudança do Poder Global para o Leste.

A mudança começa na "transferência da riqueza": o conjunto do Produto Nacional Bruto do G7 será ultrapassado em 2020 pelo conjunto do "E7", os "emergentes" com maior projecção político-económica - Brasil, Rússia, Índia, China (os BRIC), México, Indonésia e Turquia.

A "transferência do poder" é mais complicada. Também em 2008 o indo-americano Fareed Zakaria, então director da Newsweek International, publicava uma obra de choque: O Mundo Pós-americano. É uma nova ordem multipolar. Militarmente, a América continua a ser uma "potência única", mas está politicamente enfraquecida. Tem uma base económica e tecnológica extremamente forte. Não se trata do "declínio" americano ou ocidental mas da "ascensão do Resto". Ou os EUA se adaptam ao novo mundo, para o modelar e estabilizar, ou suscitarão vagas de nacionalismo nos "países do Resto", concluía. O problema maior é a China, não por crescer mas porque "opera numa tão grande escala que se torna capaz de mudar a natureza do jogo".

O termo "Resto" é uma ironia: até há poucos anos, era vulgar um quadro distribuir os grandes indicadores económicos em duas colunas - "Ocidente" e "Resto do Mundo".


2. É interessante olhar a questão Ocidente-Oriente por um prisma asiático. Singapurense de origem indiana, Mahbubani é um arauto da "ressurgência" da Ásia. Que diz ele?

Reflectindo a ambivalência asiática, antes de acusar, celebra o Ocidente. "Os Estados ocidentais alcançaram o auge do desenvolvimento humano: não só "zero guerras" mas também "zero perspectiva de guerra" entre ocidentais." O que não é um dado adquirido na Ásia - Coreia, China-Japão, Índia-Paquistão encerram pesadas ameaças.

Faz a apologia dos "sete pilares da sabedoria ocidental": mercado livre, ciência e tecnologia, meritocracia, pragmatismo, primado da lei, educação e cultura de paz. Por que ressurge a Ásia? Porque decidiu adoptar aqueles "pilares", seguindo o exemplo do Japão. O paradoxo do seu "milagre económico" é que ele se deve às políticas de comércio livre dos EUA e da Europa.

Depois, equaciona o novo conflito. O Ocidente desenhou, no fim da II Guerra Mundial, uma ordem multilateral, com base nas Nações Unidas. Os asiáticos não a contestam, pois "foram os grandes beneficiários". Querem a sua reestruturação. "A Ásia não quer dominar o Ocidente", quer forçá-lo a abrir mão do domínio sobre as instituições globais, do FMI ao Banco Mundial, do G7 ao Conselho de Segurança da ONU.


A crise financeira já levou à substituição do G7 pelo G20 e a uma correcção de forças no FMI. Mas os "emergentes" pedem mais e querem ter uma palavra na gestão das crises internacionais.


O mundo seria mais bem governado pela "competência asiática" do que pela "incompetência ocidental", argumenta Mahbubani.


Atribui à irresponsabilidade americana e aos seus mitos económicos a crise que ameaça desestabilizar o capitalismo. E a guerra do Iraque, à revelia do Conselho de Segurança, acelerou o declínio do Ocidente, em termos de poderio e de descrédito dos seus valores e instituições.


"A incapacidade do Ocidente de admitir o carácter inviável da sua dominação mundial representa um grave perigo para o mundo. (...) Haverá uma verdadeira crise da gestão da ordem mundial se não mudar de rumo." A liderança americana está enfraquecida mas a China e a Índia não têm os atributos necessários para a substituir. Reconhece: "Um vazio de liderança global é perigoso."


3. Deixou o Ocidente - 12 por cento da população mundial - de ser o "centro do mundo" como o foi desde o século XVI e, sobretudo, após a Revolução Industrial? Deixou. E depois? Não é sinónimo de marginalização ou declínio. O mundo tem agora vários "centros". Também o futuro da Ásia encerra riscos e incógnitas. Os asiáticos não têm uma identidade civilizacional ou histórica. São um puzzle de culturas. E um clube de rivais como a antiga Europa. A China é a maior incógnita e ainda não definiu as suas ambições. A maioria dos vizinhos quer compensar a sua ascensão, económica e militar, por um reforço da presença americana no Índico e no Pacífico. Nada é linear. Emerge uma ordem multipolar e heterogénea. "Assistimos ao aparecimento de uma nova forma de não-alinhamento, que não é dirigida contra os ocidentais, mas decorre da vontade dos países emergentes em defender os seus interesses e a sua visão de um mundo em que o poder global será redistribuído", resume o francês Thierry de Montbrial no anuário Ramsés 2011. Uma década é um minuto na História.


Jorge Almeida Fernandes

Fonte: Público on line

The Beatles - Hey Jude

Continuamos musicalmente com os The Beatles. Na selecção das minhas músicas preferidas não podia ficar de fora o eterno Hey Jude, de 1968. Já é a segunda vez que é escolhido neste blogue, mas o que é belo nunca é de mais!

Solstício de Dezembro


Chegou o inverno ao Hemisfério Norte (verão no Hemisfério Sul)! Hoje, 21 de Dezembro, ocorre o solstício de Dezembro. O sol encontra-se sobre o Trópico de Capricórnio, incidindo com maior verticalidade em todo o hemisfério Sul e com maior obliquidade no hemisfério Norte. A massa atmosférica atravessada pelos raios solares é grande no Hemisfério Norte o que determina um menor aquecimento por unidade de superfície terrestre. Hoje é o dia mais curto e a noite mais longa do ano no Hemisfério Norte. O contrário ocorre no Hemisfério Sul.

Tudo isto acontece porque a Terra ao fazer o seu movimento de translação (à volta do sol), seu o eixo apresenta uma inclinação de 23º e 27' em relação ao plano da órbita.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

The Beatles - Eleanor Rigby

Nos próximos tempos o espaço musical do blogue vai ser dedicado aos anos 60 e muito especialmente aos The Beatles, um grupo inglês formada em Liverpool em 1960 e que duraria até 1970. Este grupo constituiu um dos maiores ícones da cultura pop dos anos 60. A partir de 1962, o grupo era formado por John Lennon (guitarra rítmica e vocal), Paul McCartney (baixo e vocal), George Harrison (guitarra solo e vocal) e Ringo Starr (bateria e vocal). Infelizmente, John Lennon e George Harrison já não estão entre nós. 

Começamos com "Eleanor Rigby", uma das canções mais bonitas e complexas do grupo, originalmente lançada no álbum Revolver de 1966. Também foi lançada como single, junto com a música Yellow Submarine. Aliás o vídeoclip apresentado faz parte do filme de animação Yellow Submarine realizado em 1968 por George Dunning.