sábado, 20 de novembro de 2010

Cimeira da NATO em Lisboa cria novo conceito estratégico da NATO

A NATO aprovou ontem o seu "roteiro para os próximos dez anos". Um conceito estratégico que reafirma os princípios fundadores da Aliança Atlântica, ao mesmo tempo que "moderniza a forma como se defende", disse o secretário-geral, Anders Fogh Rasmussen. Foi assim cumprida a principal missão da cimeira de Lisboa, culminando mais de um ano de discussões internas, que se arrastaram quase até ao início do encontro, face às divergências entre a França e a Alemanha a propósito das capacidades de dissuasão.

"É um momento histórico", disse Rasmussen, empunhando o documento que foi a prioridade do primeiro ano do seu mandato. Um texto de 11 páginas que visa tornar a "NATO mais eficaz, envolvida e eficiente" e que, explicou, não se limita a enunciar princípios, mas contém "um plano de acção, com medidas concretas, que podem começar a ser aplicadas já amanhã.

A nova doutrina reafirma o compromisso "insubstituível" de que "um ataque a um é um ataque contra todos" mas, vinte anos depois do fim da Guerra Fria, sublinha que a agressão pode não se materializar em invasões ou bombardeamentos aéreos. Pode nascer no teclado de um computador ou no caos de um Estado falhado. "O mundo está a mudar e temos de nos assegurar de que a NATO continua a ser tão eficaz como sempre", sublinhou Rasmussen. Para enfrentar as novas ameaças, é preciso "investir em capacidades-chave", avisou, num recado claro aos aliados europeus, a maioria dos quais chega a Lisboa depois de anunciar reduções nos seus orçamentos de defesa.


O novo conceito estratégico da NATO

PrincípiosA segurança dos membros da NATO nos dois lados do Atlântico é indivisível e será defendida na base nos princípios da solidariedade, sentido comum e justa distribuição de tarefas.


Segurança
Além das ameaças convencionais que não podem ser ignoradas, novos riscos como a proliferação de mísseis balísticos, os ciberataques, o tráfico de pessoas, o extremismo e o terrorismo põem em causa a segurança dos cidadãos dos países da NATO.


Defesa
Prevê o desenvolvimento de um sistema de defesa contra ataques de mísseis balísticos, com a cooperação da Rússia e de outros parceiros euro-atlânticos.


Não-proliferação
Reafirma compromisso com promoção do desarmamento e mantém que enquanto existirem armas nucleares, a NATO será uma aliança nuclear.


Alargamento
Consagra a possibilidade do alargamento às democracias europeias que cumpram os requisitos para a entrada na NATO.


Parcerias
Reafirma que a NATO não representa nenhuma ameaça para a Rússia e consagra a importância da cooperação com Moscovo.


NATO anuncia acordo histórico com a Rússia - Moscovo aceita colaborar com o sistema de defesa anti-míssil da Aliança

Pela primeira vez na história, a NATO e a Rússia, os dois blocos inimigos da Guerra Fria, vão colaborar, no âmbito do sistema de defesa anti-míssil.

"A cimeira de Lisboa assinala o início de um período de conversações e de cooperação e de um conselho Rússia-NATO cada vez mais valioso", declarou o secretário-geral da organização de defesa atlântica.

"Estou muito satisfeito porque o Presidente Dmitri Medvedev aceitou a nossa oferta. Vamos iniciar a nossa cooperação na defesa anti-míssil", sublinhou Rasmussen.

Os 28 países aliados concordaram ontem com a instalação de um novo sistema de defesa anti-míssil em território europeu, que consiste numa rede integrada de radares e interceptores móveis capazes de deter mísseis de médio e longo alcance.

Um sistema semelhante proposto pelo anterior Presidente dos Estados Unidos George W. Bush esbarrou com a oposição frontal do seu homólogo russo Vladimir Putin. Mas uma nova fase no relacionamento entre os Estados Unidos e a Rússia, inaugurado pelos Presidentes Barack Obama e Dmitri Medvedev, criou margem de manobra para negociar um novo sistema.

"A Rússia tem a certeza que o escudo anti-míssil não está dirigido na sua direcção", frisou Rasmussen.

Os membros da NATO e a Rússia discutiram ainda a cooperação em matérias como o combate ao terrorismo e à pirataria e o apoio de Moscovo à missão militar em curso no Afeganistão.

Anders Fogh Rasmussen anunciou ainda que uma nova cimeira de chefes de Estado e de Governo dos países da NATO vai ser realizada nos Estados Unidos em 2012.

Fonte: Público

Para muitos analistas de política internacional, trata-se, de facto, do fim da Guerra Fria.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Japan Week - Porto 20 a 25 de Novembro


A Japan Week é um evento organizado anualmente numa cidade do mundo. Em 2010, ano em que se comemoram os 150 Anos da Assinatura do Tratado de Amizade Portugal-Japão, o Porto foi a cidade escolhida pela organização japonesa para a realização deste grande evento, co-organizado pela Câmara Municipal do Porto, o qual celebrará a cultura nipónica durante cinco dias, de entrada livre para o público. O programa terá início no dia 20 de Novembro, no Pavilhão Rosa Mota, com diversas actuações de grupos japoneses, no interior do Pavilhão e nos Jardins do Palácio (tambores, folclore japones, música tradicional) e incluirá exposições de pintura e artes diversas japonesas na Biblioteca Municipal Almeida Garrett e no Museu Nacional Soares dos Reis, além de cinco dias de espectáculos no Rivoli, com actuações de grupos japoneses que demonstrarão as diversas facetas da cultura do País do Sol Nascente.

Programa:
Festa de Abertura da Japan Week  20 Novembro (sábado) às 14:30h  Pavilhão Rosa Mota e Jardins do Palácio de Cristal.
Actuações dos mais diversos grupos japoneses, no interior e no exterior do Pavilhão Rosa Mota, darão início à Japan Week, numa tarde repleta de festa e animação, com música, dança, demonstração de armas de fogo, trajes tradicionais e muitas outras surpresas para o público.
Entrada Livre

Festival Japan Week no Porto de 21 a 25 de Novembro  Rivoli Teatro Municipal – Grande Auditório.
Cinco dias de espectáculos de grupos vindos do Japão, no Grande Auditório do Rivoli, com entrada livre (sujeita a pré-marcação), serão o culminar de um ano em que se celebram os 150 Anos da Assinatura do Tratado de Amizade Portugal-Japão. Cada dia reserva uma surpresa, da música tradicional japonesa à dança popular e clássica, ao sapateado, à mostra de trajes típicos japoneses, e muito mais. Uma semana de festa da cultura japonesa no Porto.
Horário: 20, 22, 24 e 25 Novembro (sábado, segunda, quarta e quinta) 21h30; 21 de Novembro (domingo) 17h00
Entrada Gratuita, sujeita a pré-marcação a partir de 1 de Novembro, no Posto de Turismo, Rua dos Fenianos n.25, tel: 223 393 470/2, postoturismo@cm-porto.pt  | Levantamento de bilhetes no Posto de Turismo a partir de 12 de Novembro, das 09:00h às 17:30h, até 48 horas do espectáculo.

“Artes do Japão” (Exposição e Demonstração)  de 21 a 25 de Novembro  Galeria do Palácio - Biblioteca Municipal Almeida Garrett.
Mostra das artes milenares japonesas numa exposição única, organizada pela International Friendship Foundation, do Japão, no âmbito da comemoração dos 150 Anos da Assinatura do Tratado de Amizade Portugal-Japão. Trabalhos de tinturaria e estamparia, bordados, caligrafia, pinturas tradicionais, arranjos florais (ikebana), “desenhos” em vegetais, trabalhos de animação, recortes em papel, origami e fotografia. Demonstração da cerimónia do chá mediante marcação prévia.
Horários: Domingo 12:00h-18:00h; segunda a quarta 10:00h – 18:00h; quinta 10h00 - 14:00
Entrada Livre

Tradições do Japão: Cerimónia do Chá I de 21 a 25 de Novembro I Galeria do Palácio - Biblioteca Municipal Almeida Garrett.
Segundo a tradição nipónica, a cerimónia do chá é um ritual que deve ser cumprido com boa vontade e simplicidade. No Japão, os convidados devem chegar antecipadamente para se proceder à cerimónia do chá. São sentados numa sala pequena e simples, "desligados" da agitação do quotidiano, com roupas discretas e um ambiente que apela à paz de espírito. Participar nesta cerimónia é fazer uma aprendizagem fundamental sobre a cultura japonesa, através de uma tradição com séculos de existência. Esta cerimónia será recreada no espaço da exposição "Artes do Japão".
Horário: Domingo - 14h00 às 15h00; 15h30 às 16h30; 17h00 às 18h00; segunda - 18h00 às 19h00; quarta - 18h00 às 18h30; 18h30 às 19h00
Entrada Livre | Informações / marcação de cerimónia do chá: 22 6081000, bib.agarrett@cm-porto.pt

Uma iniciativa da Câmara Municipal do Porto, através do Pelouro do Conhecimento e da Coesão Social e que conta com o apoio da PortoLazer.

Fonte: Porto Lazer

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Olho pró negócio


Um grupo de alunos do 12ºG está a desenvolver uma empresa escolar formada nas aulas de Área de Projecto do curso de Ciências Socioeconómicas da Escola Secundária de Rio Tinto.

Esta empresa escolar, insere-se na iniciativa da "Junior Achievement" (Aprender a Empreender) e tem como objectivos o desenvolvimento dos alunos enquanto empresários, gestores e directores dos mais variados ramos, constituindo assim uma empresa.

Têm como meta, para este ano, criar um produto de sucesso, que será comercializado.

A equipa de trabalho é constituída por 4 elementos:
Presidente / Director de Vendas: João Diniz
Directora de Marketing: Isa Nazário
Director Financeiro: Nuno Montenegro
Director de Operações/ TIC: Ricardo Spranger

No âmbito desta actividade foi criado um blogue com a designação "Olho pró Negócio" com o endereço http://olhopronegocio.blogspot.com/  e que divulgará o desenvolvimento do Projecto.

Os movimentos de rotação e de translação da Terra e as Estações do Ano

O vídeo que se segue mostra em animação os movimentos de rotação e translação da Terra e a sucessão das estações do ano. Espero que ajude os alunos de Geografia A a entender melhor este assunto. Podem também clicar aqui para acederem a um site com recursos didáticos relacionados com a unidade da Radiação solar.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Butacamob - Porto, 20 de Novembro


No próximo Sábado, dia 20 de Novembro, pelas 11 horas, na Rua de Santa Catarina (Porto) vai decorrer o Evento Oficial de Lançamento da Semana, com a promoção do BatucaMob.

O BatucaMob é um evento que decorrerá no mesmo dia (20/11) à mesma hora (11h) em vários países europeus (Espanha – Barcelona, França – Paris, Bélgica – Bruxelas, Portugal – Porto e muitos outros). O objectivo deste flashmob é reunir o máximo de pessoas e através do ritmo consciencializar para o conceito da Prevenção de Resíduos, sendo que a acção decorrerá temporariamente e depois os participantes dispersarão.

A Lipor divulga hoje o Vídeo promocional do Evento de Lançamento. Pode ser visualizado em:


Traga um instrumento musical reutilizado e venha fazer barulho pela Prevenção!

Vá à Página no Evento no Facebook e adira a este Movimento. O Ambiente agradece! Lá encontra também dicas de como fazer instrumentos musicais a partir da reutilização de materiais:

A Semana Europeia da Prevenção de Resíduos é um projecto de 3 anos e tem o apoio do Programa LIFE+ da Comissão Europeia até 2011 e de vários parceiros. É organizada por autoridades públicas que detêm competência no domínio da prevenção de resíduos. No território onde exercem a sua autoridade, actuam como organizadores, assegurando a recolha das inscrições e a validação dos projectos propostos pelas diversas categorias de proponentes. Em Portugal, o organizador oficial da Semana é a APA – Agência Portuguesa do Ambiente.

A Lipor tem registadas cerca de 200 acções que serão dinamizadas durante toda a Semana em todos os Municípios da Lipor e abrangendo diferentes públicos-alvo, mas a mesma entidade terá também acções próprias. Pode consultar o programa completo em: http://www.eunaofacolixo.com/

Para mais informações:
Departamento de Educação, Comunicação e Relações Institucionais
Tel. 22 977 0100

Fonte: Porto Lazer

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A NATO (ou OTAN) - Organização do Tratado do Atlântico Norte


Como todos sabem, nos próximos dias 19 e 20 de Novembro vai decorrer em Lisboa, na FIL, Parque das Nações, uma Cimeira da NATO.
O que é a NATO? Quando foi criada? Quais os objectivos da sua criação? Quais os países que fazem parte desta organização?


NATO - Organização do Atlântico Norte

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN ou NATO), por vezes chamada Aliança Atlântica, é uma organização internacional de colaboração militar estabelecida em 1949 em suporte do Tratado do Atlântico Norte assinado em Washington a 4 de Abril de 1949. Os seus nomes oficiais são North Atlantic Treaty Organization (NATO), em inglês, e Organisation du Traité de l'Atlantique Nord (OTAN), em francês. Em Portugal utiliza-se mais frequentemente a palavra NATO (sigla em inglês) por, paradoxalmente, se parecer mais com uma palavra portuguesa. O seu secretário-geral é, desde 1 de Agosto de 2009, o dinamarquês Anders Fogh Rasmussen.

História
A organização foi criada em 1949, no contexto da Guerra Fria, com o objetivo de constituir uma frente oposta ao bloco socialista, que, aliás, poucos anos depois lhe haveria de contrapor o Pacto de Varsóvia, aliança militar do leste europeu.

Desta forma, a OTAN tinha, na sua origem, um significado e um objectivo paralelos, no domínio político-militar, aos do Plano Marshall no domínio político-económico. Os Estados signatários do tratado de 1949 estabeleceram um compromisso de cooperação estratégica em tempo de paz e contraíram uma obrigação de auxílio mútuo em caso de ataque a qualquer dos países-membros.

Os Estados que integram a OTAN são: a Albânia, Alemanha (República Federal da Alemanha antes da reunificação alemã), Bélgica, Canadá, Croácia, Dinamarca, Espanha, os Estados Unidos da América, a França, a Grécia, os Países Baixos, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Portugal, Reino Unido, Turquia, Hungria, Polónia, República Checa, Bulgária, Estónia, Letónia, Lituânia, Romênia, Eslováquia e a Eslovénia.

Com o desmoronamento do Bloco de Leste no final dos anos 1980, surgiu a necessidade de redefinição do papel da OTAN no contexto da nova ordem internacional, pois o motivo que deu origem ao aparecimento da organização e o objectivo que a norteou durante quatro décadas desapareceram subitamente.

A organização dedicou-se, pois, a esta nova tarefa, com o objetivo de se tornar o eixo da política de segurança de toda a Europa (isto, é considerando também os países que antes formavam o bloco adversário) e América do Norte. Assim, começou a tratar-se do alargamento a leste (considerando, nomeadamente, a adesão da Polónia, da Hungria e da República Checa) e, em 1997, criou-se o Conselho de Parceria Euro-Atlântica, um órgão consultivo e de coordenação onde têm também assento os países aliados da NATO, incluindo os países da Europa de Leste o que desagrada à Rússia ao ver afastar-se da sua esfera de influência.

Em Março de 1999, formalizou-se a adesão da Hungria, Polónia e da República Checa, três países do antigo Pacto de Varsóvia. Em março de 2004 aderiram a Bulgária, Estónia, Letónia, Lituânia, Romênia, Eslováquia e a Eslovénia. No dia 1 de Abril de 2009 aderiram à Organização a Albânia e a Croácia.

Na actualidade a Aliança Atlântica exerce grande influência nas decisões políticas europeias.

Estados membros
Membros fundadores:
Bélgica, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos, França, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Países Baixos, Portugal e Reino Unido (4 de abril de 1949).

Adesões durante a Guerra Fria:Grécia e Turquia (18 de Fevereiro de 1952), Alemanha Ocidental (9 de maio de 1955) e Espanha (30 de maio de 1982).

Adesões de países do antigo bloco de leste:Alemanha Oriental (reunificada com a Alemanha Ocidental, 3 de outubro de 1990), República Checa e Polónia (12 de março de 1999), Bulgária, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Letónia, Lituânia e Roménia (29 de março de 2004), Albânia e Croácia (1 de Abril de 2009).


Cooperação com estados não-membros
Parceria Euro-Atlântica
A estrutura dupla foi criada para ajudar a reforçar a cooperação entre os 28 membros da OTAN e os 22 "países parceiros".

O programa Parceria para a Paz foi criado em 1994 e é baseado em relações bilaterais individuais entre cada país parceiro e a OTAN: cada país pode escolher a extensão da sua participação. O programa é considerado o braço operacional da Parceria Euro-Atlântica. Os membros incluem todos os atuais e antigos membros da Comunidade de Estados Independentes.

O Conselho da Parceria Euro-Atlântica foi criado em 29 de maio de 1997 e é um fórum de coordenação regular, consulta e diálogo entre todos os 49 participantes

Fonte: Wikipédia

Para visionar uma infografia animada da história da NATO do Expresso clique aqui. Também podem ver aqui uma outra infografia sobre a NATO do site do jornal Público.

sábado, 13 de novembro de 2010

Aung San Suu Kyi foi finalmente libertada

Finalmente, chegou hoje ao fim o tempo de prisão domiciliária que a mais famosa dissidente birmanesa teve de cumprir nos últimos 18 meses.

Aung San Suu Kyi, nascida em Rangum em 19 de junho de 1945, é uma líder política e activista dos direitos humanos birmanesa, premiada com o Nobel da Paz em 1991. É conhecida internacionalmente como líder da oposição ao regime ditatorial de seu país, que a mantém presa até hoje em razão de seus ideais democráticos.

É filha de Aung San, o herói nacional da independência da Birmânia (também chamado Mianmar), que foi assassinado quando ela tinha apenas dois anos de idade.

Depois de ter vivido em Londres, regressou ao seu país em 1988, por altura da morte da mãe. O seu retorno à Birmânia coincidiu com a eclosão de uma revolta popular espontânea contra vinte e seis anos de repressão política e de declínio económico no país. Em pouco tempo, Suu Kyi tornou-se a líder do movimento de contestação ao regime militar.

Nesse ano de 1988, morreram dez mil pessoas em consequência das medidas de repressão adoptadas pelo regime. Após o seu partido (a Liga Nacional para a Democracia) ter obtido uma vitória esmagadora nas eleições de 1990, Suu Kyi viu-se remetida a prisão domiciliária pela junta militar que governa o seu país. A Birmânia - denominada Myanmar, a partir de 18 de junho de 1989 - continuou a ser dirigida pelo general Ne Win num regime ditatorial, mas a luta pela democracia ganhava crescente visibilidade e apoio internacional.

Em 1995, o regime militar decidiu levantar a pena de prisão domiciliária imposta à Prémio Nobel, como sinal de abertura democrática dirigido à comunidade internacional. Mas sua liberdade durou pouco. Dos últimos 19 anos, ela passou 13 em prisão domiciliar.

Em 2000, o grupo U2 fez uma canção em sua homenagem chamada "Walk On". Em 2005, Damien Rice e Lisa Hannigan escreveram a canção "Unplayed Piano em sua honra e tocaram-na ao vivo no "Nobel Peace Prize Concert (Nobels fredspriskonsert)" em Oslo, Noruega.

Em 2008, Suu Kyi foi classificada como a 71ª mulher mais poderosa do mundo, pela revista Forbes. Em Setembro do mesmo ano, o seu estado de saúde suscitou preocupação. Ela estaria a recusar a comida que lhe era fornecida pela junta militar.

Foram vários anos sem acesso ao exterior: telefone, televisão, Internet, visitas, tudo estava proibido. Mas ontem, vários media, citando fontes próximas do Governo, adiantavam que o generalíssimo Than Shwe já tinha assinado a ordem para a libertação.

Suu Kyi deveria ter ficado em liberdade no ano passado, mas as autoridades acusaram-na de ter quebrado os termos da detenção ao receber um americano que atravessou a nado o lago que cerca a sua casa (que dissera ter a missão de a salvar), condenando-a a mais 18 meses de clausura.

Fiquem com "Walk On", a canção dos U2 dedicada a Aung San Suu Kyi.

Um mundo, tantas vidas...

De que te queixas?

O vídeo que se segue dá muito que pensar sobre o que é, de facto, importante na nossa vida.


Vamos reclamar menos e ajudar mais!...

Crise do Suez



A 30 de Outubro de 1956, começou mais um dos conflitos no Médio Oriente, entre o Egipto por um lado e a França e a Grã Bretanha pelo outro, juntamente com Israel.

O Canal de Suez é um canal que liga Porto Said, porto egípcio no Mar Mediterrâneo, a Suez, no Mar Vermelho.

Com a extensão de 163 quilómetros, permite que embarcações naveguem da Europa à Ásia sem terem que contornar África pelo cabo da Boa Esperança. Antes da sua construção, as mercadorias tinham que ser transportadas por terra entre o Mar Mediterrâneo e o Mar Vermelho.

A companhia Suez de Ferdinand de Lesseps construiu o canal entre 1859 e 1869. No final dos trabalhos, o Egipto e a França eram os proprietários do canal.


O conflito do canal do Suez ocorre na sequência da nacionalização do Canal do Suez em 26 de Julho de 1956 pelo presidente do Egipto Gamal Abdel Nasser, pouco tempo depois de ter chegado ao poder. Até àquela altura o canal era propriedade dos britânicos pelo que a acção do dirigente egípcio Gamal Nasser foi vista como uma afronta às duas principais potência da Europa Ocidental.

Desde 1955 que o Egipto tinha entretanto estabelecido relações militares com países do Pacto de Varsóvia, e tinha começado a receber equipamentos militares de origem soviética.

Por causa do aumento dos contactos com os países do Pacto de Varsóvia e do reconhecimento da República Popular da China, as relações do Egipto com os países ocidentais tinham vindo a piorar bastante e especialmente no inicio de 1956, altura em que os Estados Unidos cancelaram o apoio à construção da enorme barragem de Assuão «Aswan».

A resposta ao cancelamento do auxílio americano, foi a nacionalização por Nasser da companhia que geria o Canal de Suez.

Começaram então a ser criadas as condições para uma aliança entre a Grã Bretanha, a França e Israel, no sentido de recuperar o controlo do canal, sem a intervenção dos Estados Unidos que não estavam interessados numa intervenção militar directa.

O apoio de Israel foi negociado, e aquele país ficou responsável por uma operação de diversão que consistia num ataque contra toda a península do Sinai, parando a apenas alguns quilómetros do canal. Com a segurança do canal em risco as forças da Grã Bretanha e da França teriam uma razão objectiva para intervir, alegando incapacidade do Egipto para defender o canal.

Entre o dia 29 de Outubro e o dia 5 de Novembro, as forças de Israel avançaram por todo o Sinai. As forças egípcias entram rapidamente em total colapso, retirando em todas as frentes.

A 30 de Outubro a França e a Grã Bretanha lançam um ultimatum a Nasser, para que recue na sua decisão de nacionalizar o Suez e para que permita a presença de forças estrangeiras. Perante a recusa egípcia, britânicos e franceses começam a atacar pontos estratégicos no Egipto em preparação para o ataque, utilizando aeronaves de uma força conjunta que somava sete porta-aviões (cinco britânicos e dois franceses), a que se somavam forças em Chipre.

A força aérea do Egipto era relativamente poderosa no papel. Dispunha já de cerca de 100 caças MiG-15 que eram teoricamente superiores à maioria dos caças britânicos e franceses, mas apenas 30 deles estavam operacionais e mesmo assim o nível de treino era mau.

A acção de Israel, com caças franceses Mistere, com relativamente pouca autonomia ajudou a garantir a superioridade aérea.

A ataque também se deu na direcção de Gaza, onde navios franceses deram apoio ao avanço das forças de Israel, atacando os egípcios em áreas costeiras.

Acreditando não ter como resistir, Nasser jogou outra carta: Quando começam os bombardeamentos britânicos, mandou encerrar o canal, afundando vários navios que tinham sido previamente preparados para isso.

A partir daí, o objectivo dos franco-britânicos e o seu argumento principal, caiu por terra. A intervenção britânica já não podia garantir a segurança do canal, porque este estava encerrado.

Mas muito pior que isso é a condenação internacional que a França e a Grã Bretanha sofrem. A União Soviética, reagiu normalmente, ameaçando com a guerra atómica e o fim do mundo, mas pior que as ameaças soviéticas era a pressão dos Estados Unidos, que ameaçou agir contra a Grã Bretanha económicamente.

Durante os dias que antecedem o desembarque das forças britânicas e francesas os dois países são fortemente pressionados principalmente pelos seus aliados e quando o ataque efectivamente começa, tanto os dirigentes franceses como britânicos já estão com dúvidas sobre a sua utilidade.

O ataque

O ataque das forças franco-britânicas propriamente dito, dá-se a 5 de Novembro, por volta das 06:00 da manhã quando tropas paraquedistas britânicas (600 homens) e francesas (500 homens) foram lançadas em dois pontos na área de Port Said. Estas tropas deveriam garantir a segurança das áreas de desembarque e deveriam juntar-se ao fim do dia

Como os ataques aéreos se tinham concentrado sobre unidades militares e aeroportos, os egípcios tinham retirado parte das suas unidades mecanizadas para as áreas urbanas, para evitar o ataque da aviação. Mas aguardando um ataque directo contra Port Said, Nasser envia para a cidade um pelotão de caça tanques soviéticos do tipo SU-100. Também existiam bastantes carros de combate pesados egípcios entre os quais tanques IS-2.

As tropas francesas apesar de em menor numero, mostraram ser de melhor qualidade. Por volta das 09:00 da manhã, já tinham tomado parte da área portuária de Port Said.

A partir de aí a resistência egípcia aumentou, mas o apoio aéreo dado pelas aeronaves dos porta-aviões permitiu à força continuar a alargar o seu perímetro defensivo. Às 14 horas, já há 900 franceses e 600 britânicos no terreno, mas as duas forças ainda não conseguiram juntar-se.

Durante a tarde e perante a violência do ataque, especialmente das forças francesas, o comandante Egípcio propõe um cessar-fogo, e a rendição, mas a dificuldade de comunicação entre britânicos e franceses faz com que apenas às 22:00 se chegue a acordo.

Por volta das 04:00 da manhã do dia 6, começa o desembarque das forças navais britânicas. Os franceses começam a desembarcar às 06:00.

Os desembarques decorrem sem problemas. A resistência egípcia é mínima ou quase nula. As linhas de comunicação egípcias estão afectadas e o abastecimento das suas tropas está completamente desorganizado.

Ao fim do dia as tropas francesas já estão a caminho da cidade de Ismailia.

No entanto, não chegariam a avançar.

A pressão internacional sobre os britânicos levou a que estes calculassem que com a desvalorização da Libra que estava a ocorrer devido a um ataque concentrado à moeda britânica, o país ficasse sem capacidade para importar produtos alimentares em poucos dias.

85% das reservas de moeda britânicas tinham-se exaurido numa guerra económica que o país não podia suportar.

Durante o dia 6, e embora a operação estivesse a ocorrer sem problemas e exactamente como previsto, negoceia-se o cessar-fogo, que ocorrerá às 02:00 do dia 07 de Novembro de 1956.

Tinha acabado a mais curta invasão da História.

Fonte: http://www.areamilitar.net/HISTbcr.aspx?N=111

O vídeo que se segue relata o conflito do Suez.


quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Irlanda: A ascensão e queda do “tigre celta”


As notícias do dia de hoje, chamam a atenção para a situação financeira da Irlanda que é um dos países da UE que neste momento está a atravessar maiores dificuldades, juntamente com a Grécia e Portugal. As taxas de juro da Irlanda a dez anos estão a superar os nove por cento no mercado secundário, e continuavam a subir ao início da tarde, numa altura em que as portuguesas iam nos 7,244 por cento (às 13H15), e torna-se cada vez mais provável que aquele país precise de uma intervenção externa para auxílio financeiro, antes de Portugal poder ter de recorrer a um apoio do mesmo tipo.

É impressionante constatar como um país como a Irlanda, que ainda há uma década constituía um modelo de crescimento económico para toda a União Europeia, ao ponto de lhe terem chamado de "Tigre celta"(por analogia com os chamados tigres asiáticos, ou seja, os países asiáticos que registam elevadas taxas de crescimento económico), e agora vê-se numa situação financeira tão dramática que leva alguns analistas a temer que lhe aconteça o mesmo como à Islândia, ou seja a insolvência (não ter capacidade para respeitar os seus compromissos financeiros). O que se passou para chegar a este ponto?

Hoje o Jornal Público traz um artigo muito interessante que explica o que se passou com a Irlanda e que vale a pena ler de seguida.


Irlanda: A ascensão e queda do “tigre celta”
A Irlanda é, na Zona Euro, o país que mais está a sofrer com a crise internacional. Os números não deixam margem para dúvidas. Em 2008, a economia recuou logo três por cento e, para este ano, o Governo já está a antecipar uma contracção do PIB de oito por cento, o pior resultado entre os países do euro. A economia irlandesa está a apenas um passo do colapso, já que, na eventualidade de falência de algum dos seus maiores bancos (todos a passarem por sérias dificuldades), o próprio Estado irlandês pode deixar de cumprir os seus compromissos, tranformando a Irlanda numa nova Islândia, mas com dimensão maior.

Para trás, quase esquecido, parece ter ficado o que ficou conhecido como o “milagre irlandês”. Entre 1990 e 2007, o rendimento per capita dos irlandeses passou de um valor que era 75 por cento da média dos primeiros quinze membros da União Europeia, para um valor que, em 2007, foi o segundo mais elevado da UE (apenas atrás do Luxemburgo) e superior em um terço ao registado pelos seus parceiros.

A receita usada foi das mais estudadas nas últimas décadas. A Irlanda fez uma aposta inicial na educação e criou assim mão de-obra qualificada, e, a partir daí, fez todo o possível para atrair Investimento Directo Estrangeiro (IDE). Os impostos sobre as empresas caíram para mínimos, as subidas dos salários foram limitadas, os mercados de trabalho e produto desregulados e aproveitou-se o facto de a língua mãe ser o inglês. A estratégia resultou e as multinacionais de origem norte-americana escolheram a Irlanda como plataforma para os seus negócios para a Europa, fazendo explodir as exportações.

O problema veio com a crise internacional. As multinacionais norte-americanas, com grande problemas em casa, desinvestiram, e as exportações, com a procura internacional em queda, contraíram-se. O aperto do crédito pôs também à vista outra característica do crescimento irlandês dos últimos cinco anos: a criação de uma bolha especulativa de preços no mercado imobiliário, que desde 2008 se está a esvaziar.

Para além disso, como defendeu recentemente o economista Paul de Grauwe, as economias mais flexíveis e menos reguladas são as que, nesta fase, mais ficam expostas a uma crise de quebra da procura. Por exemplo, a flexibilidade no mercado de trabalho está a levar a uma subida do desemprego mais rápida do que noutros países, o que torna a diminuição do consumo ainda mais pronunciada.

Intervalo ou ilusão?

O actual colapso da economia, pela sua gravidade, relançou a discussão sobre a viabilidade do modelo irlandês. Será que tudo não passou de uma ilusão que se pagará agora bastante caro ou estaremos apenas a passar por uma interrupção temporária da expansão económica que rapidamente vai ser retomada?

Entre os defensores de sempre do modelo irlandês, como o deputado do PSD Miguel Frasquilho, ou as agências de notação financeira internacionais (ver entrevista em baixo), é o segundo cenário que vence. Reconhecendo “a situação muito negativa actual”, Frasquilho, que tem proposto a aplicação de um “choque fiscal” semelhante ao da Irlanda em Portugal, diz que o país não perdeu as qualidades que lhe garantiram o crescimento no passado e confia que, “quando os EUA arrancarem, a Irlanda será dos primeiros países a recuperar”. “Certamente mais rápido e mais forte do que Portugal”, afirma.

Já Carlos Santos, professor da Faculdade de Economia da Universidade Católica no Porto, tem menos confiança no sucesso do modelo irlandês. “Não sei se o modelo está ou não errado. O que se pode concluir é que, à semelhança do que está a acontecer nas economias do Leste Europeu, as pessoas não aprendem a viver numa economia de mercado de um momento para o outro e sem que se crie um enquadramento institucional adequado”, afirma.

Para já, o Governo parece, nas medidas que está a tomar, não querer abdicar totalmente das políticas da década anterior, continuando a apostar na contenção salarial e nos impostos baixos para as empresas. Os próximos anos dirão se, após o colapso, o “milagre irlandês” pode voltar a funcionar

Fonte: http://economia.publico.pt/Noticia/irlanda-a-ascensao-e-queda-do-tigre-celta_1375158

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Portugal suspende Acordo de Schengen durante cimeira da NATO



O Governo vai accionar a suspensão do Acordo de Schengen cinco dias antes e depois da cimeira da NATO, repondo assim a possibilidade de controlar as suas fronteiras.

A suspensão temporária estará em vigor entre as zero horas de dia 16 de Novembro e as 24 horas do dia 20.

Ao repor as suas fronteiras – em especial as terrestres, as únicas que na prática desapareceram – Portugal poderá fiscalizar cidadãos de Estados-membros da União Europeia.

Nos aeroportos e portos, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) irá reforçar os seus efectivos, para que assim possa aumentar a capacidade de controlo documental e vigilância de pessoas suspeitas ou procuradas. Na linha terrestre, esse trabalho será partilhado com a GNR.

Definidos estão dez pontos de passagem rodoviária, já combinados com as autoridades espanholas: Valença, Vila Verde da Raia, Quintanilha, Vilar Formoso, Termas de Monfortinho, Marvão, Caia, S. Leonardo, Vila Verde de Ficalho e Vila Real de Santo António. Mas será também montado um esquema de patrulha em vários outros pontos que separam os dois países.

Nesta altura, já só falta a obrigatória resolução do Conselho de Ministros para se aplicar a suspensão de cinco dias do Acordo de Schengen. É a segunda vez que Portugal acciona o artigo 2º do Acordo, desde que aderiu a este Espaço, há 18 anos. A primeira foi por ocasião do Euro 2004.

A cimeira da NATO realiza-se nos dias 19 e 20 de Novembro, em Lisboa.

NOTA: O Espaço Schengen permite a livre circulação de pessoas dentro dos países signatários, sem a necessidade de apresentação de passaporte nas fronteiras. É, contudo, necessário ser portador de um documento legal, como o Cartão do Cidadão.

Fazem parte deste Espaço 24 países da União Europeia e quatro outros da EFTA.

Fonte: Rádio Renascença

Metro do Porto testa nova linha de Gondomar - JN

A Linha de Gondomar (linha F), desde o Estádio do Dragão até Fânzeres, está quase concluída e hoje, quarta-feira, fizeram-se os primeiros testes em cima dos carris. O JN foi acompanhar o Metro desde a estação de Contumil até Rio Tinto. A linha, com sete quilómetros e dez novas estações, estará activa no início de 2011.
Cliquem no link para poderem visionar um pequeno vídeo publicado no site do JN:

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Coldplay - Trouble

E agora música mais a sério. Os Coldplay estão de volta ao blogue, com "Trouble".

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Blind Zero - Hino do Porto

E agora, um momento musical diferente do habitual. A propósito dos 5-0 que ontem o F.C. do Porto brindou o SLB, no estádio do Dragão, fiquem com o hino do Porto, na versão  algo cómica e em inglês que os portuenses Blind Zero fizeram há alguns anos para o programa "O Gato Fedorento". É divertido. Os benfiquistas que me perdoem por esta brincadeira.

A Professora é Brava

Hoje gostaria de partilhar convosco um artigo fantástico do jornalista João Miguel Tavares, publicado no jornal Correio da Manhã em 31 Outubro de 2010. Muito interessante para todos reflectirmos, professores, alunos e pais.


Eu ainda não tive o prazer de conhecer pessoalmente a nova professora da minha filha mais velha, mas já gosto dela por antecipação. Três dias depois de ter entrado para a primária, a Carolina declarou solenemente: "A minha professora é brava". Brava?!?, perguntei eu. "Sim, brava. Ela não me deixa espreguiçar, ela não me deixa bochechar [a Carolina queria dizer ‘bocejar’], ela não me deixa beber água [a Carolina queria dizer ‘ela não me deixa interromper a aula para fazer o que me apetece’]. É muito brava".

Eu, que estava com algum receio de colocar a Carolina no ensino público, respirei de alívio. "Ufa, parece que lhe saiu a professora certa", comentei com a minha excelentíssima esposa. Receava que lhe tivesse calhado alguém que falasse com ela como a ministra Isabel Alçada falou connosco no famoso vídeo de início do ano lectivo: como se o nosso cérebro estivesse morto e todo o acto de aprendizagem tivesse de ser um desmesurado prazer.

A Carolina vinha de um infantário fantástico, que tem feito maravilhas pelos nossos filhos, mas onde era mais mimada do que o menino Jesus no presépio. Ora, chega uma fase na vida em que as crianças têm de perceber o que significa a disciplina, o esforço, a organização, o silêncio, o saber estar numa sala de aula, e toda uma vasta parafernália de actividades que não são tão agradáveis como comer Calippos de morango ou gerir o guarda-roupa das Pollys – mas que ainda assim são essenciais para viver em sociedade.

A minha filha está na idade certa para aprender que tem a obrigação de gastar 20 minutos diários a fazer o trabalho de casa. Para perceber que uma irmã mais velha tem mais privilégios mas também mais deveres do que os seus irmãos. Para compreender que com muito poder vem muita responsabilidade (sábias palavras do tio do Homem-Aranha). É essencial que estes valores – que atribuem o devido mérito à liberdade e ao esforço individual – estejam alinhados entre a casa e a escola.

Isso nem sempre acontece. A nossa escola passou num piscar de olhos da palmada no rabo à palmadinha nas costas. Ninguém tem saudades da palmatória, mas quando perguntam aos pais o que eles mais desejam para a escola dos seus filhos, a resposta costuma ser esta: regras claras e maior exigência. Os professores bravos fazem muita falta. Hoje a Carolina protesta. Amanhã irá agradecer-lhe.

João Miguel Tavares, Correio da Manhã, 31 Outubro de 2010

sábado, 6 de novembro de 2010

Atenção ao Metro que vai chegar a Rio Tinto a partir de 8 de Setembro - início de testes - cuidados a ter

A Cidade de Rio Tinto e os seus cidadãos, estão a poucos dias de ver um sonho tornar-se realidade: a chegada do Metro!

Durante a próxima semana, iniciar-se-ão os primeiros testes com veículos em circulação na linha F (laranja) cujo percurso tem vários quilómetros na Cidade de Rio Tinto.

Trata-se de um novo elemento em circulação, que exige por isso redobrados cuidados, quer para peões, quer para condutores. Recomenda-se por isso todo o cuidado e sugerere-se a leitura das recomendações emitidas pela Metro do Porto.

Leia aqui as Recomendações .

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Portugal desce seis lugares no Índice de Desenvolvimento Humano para o 40.º lugar


A situação económica de Portugal vai de mal a pior!

Portugal desceu seis posições, para o 40.º lugar, no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) 2010 do relatório das Nações Unidas que avalia o bem-estar das populações de 169 países.

O IDH de Portugal é metade do da Espanha. O país também é o país com a mais baixa média de anos de escolaridade no conjunto dos 27 países da União Europeia.
De acordo com o levantamento da ONU, o país com maior IDH é a Noruega, que está no topo da lista.

O relatório, com periodicidade anual, os países são divididos em quatro grupos em termos de desenvolvimento humano, designadamente, muito elevado, elevado, médio e baixo.

Portugal está no primeiro grupo (IDH muito elevado), integrado por 42 países. Neste grupo, abaixo de Portugal só estão a Polónia e Barbados. A Espanha ocupa neste grupo o 20.º lugar.

Se a comparação for feita entre os 27 países da União Europeia, atrás de Portugal estão a Polónia (41.º lugar no ranking mundial), Letónia (48.º lugar) Roménia (50.º) e Bulgária (58.º).

O IDH tem por critérios-base, para perceber o bem-estar de uma população, a expectativa de vida ao nascer, riqueza e educação.

A esperança de vida em Portugal, ao nascer, é de 79,1 anos, menos dois do que os espanhóis e menos três que os japoneses, que têm uma esperança de vida de 83,2 anos. A média mundial é de 69,3 anos.

Já a média de escolaridade em Portugal é de oito anos, face a dez anos na Espanha ou a 12,6 anos na Noruega.

No conjunto da União Europeia (27 países), Portugal ainda é o país com a mais baixa média de anos de escolaridade. A Polónia, que está em 41.º lugar do ranking mundial, tem uma média de 10 anos, a Letónia (48.º lugar no ranking) tem uma média de 10,4 anos, a Roménia (50.º) de 10,6 anos e a Bulgária (58.º) de 9,9 anos.

Quanto ao Rendimento Nacional Bruto per capita em Portugal é de 15.7347 euros (22.105 dólares), o que corresponde a metade do rendimento per capita na Noruega, que é de 58.810 dólares.

Mostro de seguida a lista dos 42 países com maior IDH. Recordo que o IDH varia de 0 a 1.

1 Noruega 0.938
2 Australia 0.937
3 Nova Zelândia 0.907
4 EUA 0.902
5 Irlanda 0.895
6 Liechtenstein 0.891
7 Holanda 0.890
8 Canadá 0.888
9 Suécia 0.885
11 Japão 0.884
12 Coreia do Sul 0.877
13 Suiça0.874
14 França 0.872
15 Israel 0.872
16 Finlândia 0.871
17 Islândia 0.869
18 Belgica 0.867
19 Dinamarca 0.866
20 Espanha 0.863
21 Hong Kong, China (SAR) 0.862
22 Grécia 0.855
23 Italia 0.854
24 Luxemburgo 0.852
25 Áustria 0.851
26 Reino Unido 0.849
27 Singapura 0.846
28 República Checa 0.841
29 Eslovénia 0.828
30 Andorra 0.824
31 Eslováquia 0.818
32 Emirados Árabes Unidos 0.815
33 Malta 0.815
34 Estónia 0.812
35 Chipre 0.810
36 Hungria 0.805
37 Brunei  0.805
38 Qatar 0.803
39 Bahrain 0.801
40 Portugal 0.795
41 Polónia 0.795
42 Barbados 0.788

Para conhecerem a ranking do IDH cliquem aqui. O Relatório pode ser visto na sua íntegra aqui (versão em língua inglesa).

Fonte: Portugal Digital e PNUD


Estrutura vertical da atmosfera


Troposfera – é a camada da atmosfera a partir da superfície do globo e, como tal, a única que contacta com a mesma. A sua espessura média é de cerca de 11 Km a 12 Km. A espessura máxima atinge-se sobre o Equador (16 a 18 Km), e a mínima regista-se nos pólos (6 a 9 Km). O achatamento nos pólos deve-se à contracção do ar provocada pelas baixas temperaturas e ao efeito da força centrífuga resultante do movimento de rotação da Terra. Nesta camada a temperatura tende a decrescer à medida que subimos em altitude, atingindo no seu limite superior os – 600 C. Em regra, o gradiente de decréscimo é de cerca de 6,5 graus por cada quilómetro. À medida que aumenta a altitude, diminuem os gases de concentração variável (dióxido de carbono, vapor de água) e as partículas sólidas que são os principais retentores da radiação solar e, sobretudo, da radiação terrestre. A diminuição da temperatura deve-se ao facto de o calor proveniente da radiação terrestre ser mais facilmente transferido na parte inferior desta camada onde o ar é mais denso. É na troposfera que ocorrem os fenómenos meteorológicos mais frequentes (nuvens, precipitação, trovoada, etc.). O seu limite superior é muito irregular, recebendo a denominação de tropopausa.

Estratosfera – é a camada da atmosfera imediatamente a seguir à troposfera, indo desde a tropopausa, ou seja, dos 11, 12 Km de altitude (sensivelmente) até cerca dos 50 Km de altitude. Nesta camada, a temperatura apresenta-se constante (-600 C) até aos 20, 25 km de altitude – camada isotérmica; a partir desta altitude, a temperatura aumenta ligeiramente até aos 32 km e depois de uma forma mais rápida – camada quente –, porque esta camada aquece a partir do topo, alcançando o máximo a cerca dos 50 Km (40 C), devido à forte concentração de ozono (O3), cujo papel principal é de funcionar como filtro protector contra aos raios ultravioletas. É na baixa estratosfera que existem duas faixas de ventos horizontais (uma no hemisfério Norte e outra no hemisfério Sul), muito fortes, entre os 100 e os 250 km – Jet Stream (corrente de jacto) – e deslocam-se no sentido do movimento de rotação da Terra (de Oeste para Este). A estratosfera é mais espessa sobre as regiões polares e menos espessa, ou mesmo inexistente, sobre o Equador. O topo desta camada designa-se por estratopausa.

Mesosfera – é a camada imediatamente acima da estratosfera, situando-se entre os 50 Km e os 80 Km de altitude. Do ponto de vista térmico, a mesosfera caracteriza-se pelo decréscimo da temperatura com o aumento da altitude, tendo, consequentemente, um comportamento semelhante ao da troposfera. O limite superior desta camada é chamado de mesopausa, onde se atingem cerca de –90º C. É nesta camada que se volatilizam as estrelas cadentes, os meteoritos e os fragmentos de satélites artificiais.

Termosfera – à mesosfera segue-se a Termosfera, que se estende da mesopausa até cerca de 500 Km a 600 Km de altitude, e cujo limite superior se denomina de termopausa. Do ponto de vista térmico, a Termosfera caracteriza-se pelo aumento da temperatura com a altitude devido à absorção da radiação solar (a temperatura aumenta rapidamente com a altitude até onde a densidade das moléculas é tão pequena que se movem em trajectórias aleatórias, chocando-se raramente). A referida absorção, aliada à reduzida densidade do ar, contribui para o aumento da carga eléctrica (+ ou -) das partículas. O hidrogénio e o hélio, os gases predominantes acima dos 80 km, encontram-se, por isso, sob forma iónica, derivando deste facto o termo ionosfera para designar a camada atmosférica que abrange a parte superior da mesosfera e a termosfera. O maior agente de ionização da ionosfera, é o Sol, cuja radiação nas bandas de raio X, e ultravioleta, insere grande quantidade de electrões livres no seu meio. Os meteoritos e raios cósmicos também são responsáveis pela presença secundária de iões na região. A temperatura média da Termosfera é de 1.500°C, mas a densidade é tão pequena que a temperatura não é sentida normalmente. A densidade de gases da ionosfera é da ordem de, apenas, um bilionésimo da densidade da atmosfera ao nível do mar. É a camada onde ocorrem as auroras boreais e onde orbitam os vaivéns espaciais. Esta camada também protege-nos dos meteoritos e dos satélites obsoletos porque as suas temperaturas elevadas queimam quase todos os detritos que se aproximam da Terra. Devido à sua composição, reflecte ondas de rádio até aproximadamente 30 MHz.

Exosfera – é a camada mais externa da atmosfera da Terra e estende-se desde a termopausa até ao espaço exterior. Aqui, as partículas estão tão distantes que podem viajar centenas de quilómetros sem colidir umas com as outras. Uma vez que as partículas colidem raramente, a exosfera não se comporta como um fluido. Essas partículas que se movem livremente seguem trajectórias rectilíneas e podem migrar para dentro ou para fora desta camada ou da região de actuação do vento solar. A exosfera é composta principalmente de hidrogénio e hélio.

Não existe um limite definido entre o espaço exterior e a atmosfera. Presume-se que esta tenha cerca de mil quilómetros de espessura, 99% da densidade está concentrada nas camadas mais inferiores e cerca 75% da massa atmosférica está numa faixa de 11 km desde a superfície. À medida que se vai subindo, o ar vai-se tornando cada vez mais rarefeito, perdendo sua homogeneidade e composição. Na exosfera, zona em que foi definido o limite entre a atmosfera e o espaço interplanetário, algumas moléculas de gás acabam escapando à acção do campo gravitacional.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O Sol e a Radiação Solar

A propósito do tema da "Radiação Solar", que estou a leccionar no 10º ano na disciplina de Geografia A, mostro de seguida um conjunto de vídeos alusivos ao tema. Espero que vos sejam úteis para a compreensão do funcionamento do sol e da radiação solar.







http://www.youtube.com/watch?v=2RTDV7XSrqo&feature=related

Radiação Solar from Erika Dorta on Vimeo.

Uma frase com 2064 anos ...

As boas vindas da T-Mobile aos passageiros da aeroporto Heathrow (Londres)

Mais um anúncio publicitário (este da responsabilidade da operadora de comunicações móveisT-Mobile) que mostra uma actuação de surpresa de um conjunto de cantores no aeroporto de Heathrow (Londres) a dar as boas vindas aos passageiros, sem recurso a instrumentos musicais. Este tipo de intervenções musicais ou de dança, de surpresa, em espaços públicos, nomeadamente em aeroportos, começa a ser habitual, mas tem sempre alguma graça.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

The National - Slow Show

De novo os The National e a inconfundível voz de Matt Berninger com Slow Show. O grupo foi formado em Cincinnati, Ohio (EUA) em 1999.

The National no MySpace Music: http://www.myspace.com/thenational


quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Anúncio publicitário da HP - Pequena Serenata de Mozart

E agora, um video publicitário da HP muito criativo.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Jogos didácticos de Geografia

Acabei de descobrir um site (http://edumed.no.sapo.pt/) de apoio aos alunos de Geografia. Para poderem treinar algumas das matérias de geografia A podem clicar nos seguintes links:

Jogo dos países da UE: http://edumed.no.sapo.pt/JogoPaiUE.htm (este jogo também interessa  aos alunos de Geografia C)

Jogo das Coordenadas Geográficas: http://edumed.no.sapo.pt/JogoCooGeo.htm


Jogo das escalas de Portugal: http://edumed.no.sapo.pt/JogoEscPor.htm


Jogo do Arquipélago dos Açores: http://edumed.no.sapo.pt/JogoArqAco.htm

Jogo do Arquipélago da Madeira: http://edumed.no.sapo.pt/JogoArqMad.htm

Jogo dos Círculos e Pólos: http://edumed.no.sapo.pt/JogoCirPol.htm


Também podem praticar exercícios relativos às Coordenadas geográficas no Quiz do site: http://www.percursos.net/caun6coordgeog.htm

Pratiquem para poderem melhorar os vossos resultados na disciplina.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Manifesto de Obama aos alunos norte-americanos

O Presidente norte-americano Barack Obama falou no ano passado aos alunos do seu país, em termos que nos devem levar a reflectir. Pais, alunos, professores, enfim, toda a comunidade educativa precisa de ler a mensagem. Passado um ano, transcrevo-a novamente. Eu sei que é muito longa mas é obrigatório a sua leitura.

Sei que para muitos de vocês hoje é o primeiro dia de aulas, e para os que entraram para o jardim infantil, para a escola primária ou secundária, é o primeiro dia numa nova escola, por isso é compreensível que estejam um pouco nervosos. Também deve haver alguns alunos mais velhos, contentes por saberem que já só lhes falta um ano. Mas, estejam em que ano estiverem, muitos devem ter pena por as férias de Verão terem acabado e já não poderem ficar até mais tarde na cama.

Também conheço essa sensação. Quando era miúdo, a minha família viveu alguns anos na Indonésia e a minha mãe não tinha dinheiro para me mandar para a escola onde andavam os outros miúdos americanos. Foi por isso que ela decidiu dar-me ela própria umas lições extras, segunda a sexta-feira, às 4h30 da manhã.

A ideia de me levantar àquela hora não me agradava por aí além. Adormeci muitas vezes sentado à mesa da cozinha. Mas quando eu me queixava a minha mãe respondia-me: "Olha que isto para mim também não é pêra doce, meu malandro..."

Tenho consciência de que alguns de vocês ainda estão a adaptar-se ao regresso às aulas, mas hoje estou aqui porque tenho um assunto importante a discutir convosco. Quero falar convosco da vossa educação e daquilo que se espera de vocês neste novo ano escolar.

Já fiz muitos discursos sobre educação, e falei muito de responsabilidade. Falei da responsabilidade dos vossos professores de vos motivarem, de vos fazerem ter vontade de aprender. Falei da responsabilidade dos vossos pais de vos manterem no bom caminho, de se assegurarem de que vocês fazem os trabalhos de casa e não passam o dia à frente da televisão ou a jogar com a Xbox. Falei da responsabilidade do vosso governo de estabelecer padrões elevados, de apoiar os professores e os directores das escolas e de melhorar as que não estão a funcionar bem e onde os alunos não têm as oportunidades que merecem.

No entanto, a verdade é que nem os professores e os pais mais dedicados, nem as melhores escolas do mundo são capazes do que quer que seja se vocês não assumirem as vossas responsabilidades. Se vocês não forem às aulas, não prestarem atenção a esses professores, aos vossos avós e aos outros adultos e não trabalharem duramente, como terão de fazer se quiserem ser bem sucedidos.

E hoje é nesse assunto que quero concentrar-me: na responsabilidade de cada um de vocês pela sua própria educação.

Todos vocês são bons em alguma coisa. Não há nenhum que não tenha alguma coisa a dar. E é a vocês que cabe descobrir do que se trata. É essa oportunidade que a educação vos proporciona.

Talvez tenham a capacidade de ser bons escritores - suficientemente bons para escreverem livros ou artigos para jornais -, mas se não fizerem o trabalho de Inglês podem nunca vir a sabê-lo. Talvez sejam pessoas inovadoras ou inventores - quem sabe capazes de criar o próximo iPhone ou um novo medicamento ou vacina -, mas se não fizerem o projecto de Ciências podem não vir a percebê-lo. Talvez possam vir a ser mayors ou senadores, ou juízes do Supremo Tribunal, mas se não participarem nos debates dos clubes da vossa escola podem nunca vir a sabê-lo.

No entanto, escolham o que escolherem fazer com a vossa vida, garanto-vos que não será possível a não ser que estudem. Querem ser médicos, professores ou polícias? Querem ser enfermeiros, arquitectos, advogados ou militares? Para qualquer dessas carreiras é preciso ter estudos. Não podem deixar a escola e esperar arranjar um bom emprego. Têm de trabalhar, estudar, aprender para isso.

E não é só para as vossas vidas e para o vosso futuro que isto é importante. O que vocês fizerem com os vossos estudos vai decidir nada mais nada menos que o futuro do nosso país. Aquilo que aprenderem na escola agora vai decidir se enquanto país estaremos à altura dos desafios do futuro.

Vão precisar dos conhecimentos e das competências que se aprendem e desenvolvem nas ciências e na matemática para curar doenças como o cancro e a sida e para desenvolver novas tecnologias energéticas que protejam o ambiente. Vão precisar da penetração e do sentido crítico que se desenvolvem na história e nas ciências sociais para que deixe de haver pobres e sem-abrigo, para combater o crime e a discriminação e para tornar o nosso país mais justo e mais livre. Vão precisar da criatividade e do engenho que se desenvolvem em todas as disciplinas para criar novas empresas que criem novos empregos e desenvolvam a economia.

Precisamos que todos vocês desenvolvam os vossos talentos, competências e intelectos para ajudarem a resolver os nossos problemas mais difíceis. Se não o fizerem - se abandonarem a escola -, não é só a vocês mesmos que estão a abandonar, é ao vosso país.

Eu sei que não é fácil ter bons resultados na escola. Tenho consciência de que muitos têm dificuldades na vossa vida que dificultam a tarefa de se concentrarem nos estudos. Percebo isso, e sei do que estou a falar. O meu pai deixou a nossa família quando eu tinha dois anos e eu fui criado só pela minha mãe, que teve muitas vezes dificuldade em pagar as contas e nem sempre nos conseguia dar as coisas que os outros miúdos tinham. Tive muitas vezes pena de não ter um pai na minha vida. Senti-me sozinho e tive a impressão que não me adaptava, e por isso nem sempre conseguia concentrar-me nos estudos como devia. E a minha vida podia muito bem ter dado para o torto.

Mas tive sorte. Tive muitas segundas oportunidades e consegui ir para a faculdade, estudar Direito e realizar os meus sonhos. A minha mulher, a nossa primeira-dama, Michelle Obama, tem uma história parecida com a minha. Nem o pai nem a mãe dela estudaram e não eram ricos. No entanto, trabalharam muito, e ela própria trabalhou muito para poder frequentar as melhores escolas do nosso país.

Alguns de vocês podem não ter tido estas oportunidades. Talvez não haja nas vossas vidas adultos capazes de vos dar o apoio de que precisam. Quem sabe se não há alguém desempregado e o dinheiro não chega. Pode ser que vivam num bairro pouco seguro ou os vossos amigos queiram levar-vos a fazer coisas que vocês sabem que não estão bem.

Apesar de tudo isso, as circunstâncias da vossa vida - o vosso aspecto, o sítio onde nasceram, o dinheiro que têm, os problemas da vossa família - não são desculpa para não fazerem os vossos trabalhos nem para se portarem mal. Não são desculpa para responderem mal aos vossos professores, para faltarem às aulas ou para desistirem de estudar. Não são desculpa para não estudarem.

A vossa vida actual não vai determinar forçosamente aquilo que vão ser no futuro. Ninguém escreve o vosso destino por vocês. Aqui, nos Estados Unidos, somos nós que decidimos o nosso destino. Somos nós que fazemos o nosso futuro.

E é isso que os jovens como vocês fazem todos os dias em todo o país. Jovens como Jazmin Perez, de Roma, no Texas. Quando a Jazmin foi para a escola não falava inglês. Na terra dela não havia praticamente ninguém que tivesse andado na faculdade, e o mesmo acontecia com os pais dela. No entanto, ela estudou muito, teve boas notas, ganhou uma bolsa de estudos para a Universidade de Brown, e actualmente está a estudar Saúde Pública.

Estou a pensar ainda em Andoni Schultz, de Los Altos, na Califórnia, que aos três anos descobriu que tinha um tumor cerebral. Teve de fazer imensos tratamentos e operações, uma delas que lhe afectou a memória, e por isso teve de estudar muito mais - centenas de horas a mais - que os outros. No entanto, nunca perdeu nenhum ano e agora entrou na faculdade.

E também há o caso da Shantell Steve, da minha cidade, Chicago, no Illinois. Embora tenha saltado de família adoptiva para família adoptiva nos bairros mais degradados, conseguiu arranjar emprego num centro de saúde, organizou um programa para afastar os jovens dos gangues e está prestes a acabar a escola secundária com notas excelentes e a entrar para a faculdade.

A Jazmin, o Andoni e a Shantell não são diferentes de vocês. Enfrentaram dificuldades como as vossas. Mas não desistiram. Decidiram assumir a responsabilidade pelos seus estudos e esforçaram-se por alcançar objectivos. E eu espero que vocês façam o mesmo.

É por isso que hoje me dirijo a cada um de vocês para que estabeleça os seus próprios objectivos para os seus estudos, e para que faça tudo o que for preciso para os alcançar. O vosso objectivo pode ser apenas fazer os trabalhos de casa, prestar atenção às aulas ou ler todos os dias algumas páginas de um livro. Também podem decidir participar numa actividade extracurricular, ou fazer trabalho voluntário na vossa comunidade. Talvez decidam defender miúdos que são vítimas de discriminação, por serem quem são ou pelo seu aspecto, por acreditarem, como eu acredito, que todas as crianças merecem um ambiente seguro em que possam estudar. Ou pode ser que decidam cuidar de vocês mesmos para aprenderem melhor. E é nesse sentido que espero que lavem muitas vezes as mãos e que não vão às aulas se estiverem doentes, para evitarmos que haja muitas pessoas a apanhar gripe neste Outono e neste Inverno.

Mas decidam o que decidirem gostava que se empenhassem. Que trabalhassem duramente. Eu sei que muitas vezes a televisão dá a impressão que podemos ser ricos e bem-sucedidos sem termos de trabalhar - que o vosso caminho para o sucesso passa pelo rap, pelo basquetebol ou por serem estrelas de reality shows -, mas a verdade é que isso é muito pouco provável. A verdade é que o sucesso é muito difícil. Não vão gostar de todas as disciplinas nem de todos os professores. Nem todos os trabalhos vão ser úteis para a vossa vida a curto prazo. E não vão forçosamente alcançar os vossos objectivos à primeira.

No entanto, isso pouco importa. Algumas das pessoas mais bem-sucedidas do mundo são as que sofreram mais fracassos. O primeiro livro do Harry Potter, de J. K. Rowling, foi rejeitado duas vezes antes de ser publicado. Michael Jordan foi expulso da equipa de basquetebol do liceu, perdeu centenas de jogos e falhou milhares de lançamentos ao longo da sua carreira. No entanto, uma vez disse: "Falhei muitas e muitas vezes na minha vida. E foi por isso que fui bem-sucedido."

Estas pessoas alcançaram os seus objectivos porque perceberam que não podemos deixar que os nossos fracassos nos definam - temos de permitir que eles nos ensinem as suas lições. Temos de deixar que nos mostrem o que devemos fazer de maneira diferente quando voltamos a tentar. Não é por nos metermos num sarilho que somos desordeiros. Isso só quer dizer que temos de fazer um esforço maior por nos comportarmos bem. Não é por termos uma má nota que somos estúpidos. Essa nota só quer dizer que temos de estudar mais.

Ninguém nasce bom em nada. Tornamo-nos bons graças ao nosso trabalho. Não entramos para a primeira equipa da universidade a primeira vez que praticamos um desporto. Não acertamos em todas as notas a primeira vez que cantamos uma canção. Temos de praticar. O mesmo acontece com o trabalho da escola. É possível que tenham de fazer um problema de Matemática várias vezes até acertarem, ou de ler muitas vezes um texto até o perceberem, ou de fazer um esquema várias vezes antes de poderem entregá-lo.

Não tenham medo de fazer perguntas. Não tenham medo de pedir ajuda quando precisarem. Eu todos os dias o faço. Pedir ajuda não é um sinal de fraqueza, é um sinal de força. Mostra que temos coragem de admitir que não sabemos e de aprender coisas novas. Procurem um adulto em quem confiem - um pai, um avô ou um professor ou treinador - e peçam-lhe que vos ajude.

E mesmo quando estiverem em dificuldades, mesmo quando se sentirem desencorajados e vos parecer que as outras pessoas vos abandonaram - nunca desistam de vocês mesmos. Quando desistirem de vocês mesmos é do vosso país que estão a desistir.

A história da América não é a história dos que desistiram quando as coisas se tornaram difíceis. É a das pessoas que continuaram, que insistiram, que se esforçaram mais, que amavam demasiado o seu país para não darem o seu melhor.

É a história dos estudantes que há 250 anos estavam onde vocês estão agora e fizeram uma revolução e fundaram este país. É a dos estudantes que estavam onde vocês estão há 75 anos e ultrapassaram uma depressão e ganharam uma guerra mundial, lutaram pelos direitos civis e puseram um homem na Lua. É a dos estudantes que estavam onde vocês estão há 20 anos e fundaram a Google, o Twitter e o Facebook e mudaram a maneira como comunicamos uns com os outros.

Por isso hoje quero perguntar-vos qual é o contributo que pretendem fazer. Quais são os problemas que tencionam resolver? Que descobertas pretendem fazer? Quando daqui a 20 ou a 50 ou a 100 anos um presidente vier aqui falar, que vai dizer que vocês fizeram pelo vosso país?

As vossas famílias, os vossos professores e eu estamos a fazer tudo o que podemos para assegurar que vocês têm a educação de que precisam para responder a estas perguntas. Estou a trabalhar duramente para equipar as vossas salas de aulas e pagar os vossos livros, o vosso equipamento e os computadores de que vocês precisam para estudar. E por isso espero que trabalhem a sério este ano, que se esforcem o mais possível em tudo o que fizerem. Espero grandes coisas de todos vocês. Não nos desapontem. Não desapontem as vossas famílias e o vosso país. Façam-nos sentir orgulho em vocês. Tenho a certeza que são capazes.

Deixo à vossa reflexão os seguintes pontos:

 - O que é que acham do manifesto de Obama para os alunos americanos?

-  Quais são os objectivos que traçaram para os vossos estudos?

-  O que é que pensam fazer, no futuro, por vocês e pelo vosso país?