Estas três imagens servem apenas para recordar três acontecimentos muito mediáticos à escala global e que ocorreram neste último fim de semana: o casamento real em Londres (Inglaterra), na sexta; a beatificação de João Paulo II, no Vaticano e a morte de Bin Laden, próximo de Islamabad (Paquistão) no Domingo. Três acontecimentos que foram acompanhados por muitos milhões de pessoas neste Mundo Global.
Um Mundo Global é um espaço de informação,reflexão e comentário de temas geográficos, nacionais e/ou mundiais, mas onde também há espaço para outros pontos de interesse como as temáticas sociais e ambientais, a música, os filmes, a poesia, a fotografia, os cartoons, os livros e as viagens. Todos são bem-vindos e convidados a deixar os seus comentários.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Este ano há 271 praias com Bandeira Azul
Este ano, a bandeira azul vai estar hasteada em 271 praias portuguesas, um número recorde nos 25 anos de existência da Associação Bandeira Azul da Europa.
Este ano há a registar a entrada de 12 novas praias, de 28 regressos e de 10 praias que deixaram de ter a bandeira azul.
O Algarve continua a ser a zona com mais bandeiras azuis (74), seguida da região Norte (63), do Tejo (45), do Alentejo (22) e do Centro (18).
A região autónoma dos Açores foi contemplada com 33 bandeiras azuis e a da Madeira com 14.
O Programa da Bandeira Azul da Europa iniciou-se à escala europeia, em 1987, integrada no programa do Ano Europeu do Ambiente. Esta iniciativa da FEE, com o apoio da Comissão Europeia, tem como objectivo, elevar o grau de consciencialização dos cidadãos em geral, e dos decisores em particular, para a necessidade de se proteger o ambiente marinho e costeiro e incentivar a realização de acções conducentes à resolução dos problemas aí existentes.
A bandeira azul é uma distinção atribuída anualmente pela Fundação para a Educação Ambiental (FEE) a praias (marítimas e fluviais) e marinas que cumpram um conjunto de requisitos de qualidade ambiental, segurança, bem-estar, infra-estruturas de apoio, informação aos utentes e sensibilização ambiental. As praias e marinas distinguidas ficam autorizadas a ostentar a bandeira oferecida pela FEE durante a época balnear. Pode, portanto, ser considerada um símbolo de garantia de qualidade de uma praia ou marina.
Os critérios de atribuição da bandeira azul incluem diversos parâmetros em categorias como:
- qualidade da água,
- informação e educação ambiental,
- conservação do meio-ambiente local,
- segurança, serviços e infra-estruturas de apoio
Em primeira instância um júri nacional aprova uma lista de praias e portos que obedeçam aos critérios e que se candidatem. Depois as candidaturas são enviadas e submetidas, a um júri internacional, composto por elementos da FEE e de um representante da Comissão Europeia.
A lista de praias com bandeira azul é a seguinte:
NORTE
Caminha: Caminha, Moledo, Vila Praia de Âncora
Viana do Castelo: Afife, Arda, Paço, Carreço, Norte, Cabedelo, Amorosa, Castelo de Neiva
Esposende: Suave Mar, Marinhas Cepães, Fão-Ofir, Apúlia,
Matosinhos: Funtão, Angeiras Sul, Pedras Brancas, Pedras do Corgo, Agudela, Quebrada, Marreco, Matosinhos, Memória, Cabo do Mundo, Aterro, Azul, Senhora - Boa Nova, Leça da Palmeira
Porto: Homem do Leme, Gondarém, Foz
Vila Nova de Gaia: Lavadores, Salgueiros, Canide Norte, Canide Sul, Marbelo, Madalena Norte, Madalena Sul, Valadares Norte, Valadares Sul, Dunas Mar, Francelos, Francemar, Sãozinha, Senhor da Pedra, Miramar, Mar e Sol, Aguda, Granja
Espinho: Frente Azul, Espinho-Baía, Espinho Rua 37, Silvalde, Paramos
Macedo de Cavaleiros: Fraga da Pegada - Albufeira do Azibo, Ribeira - Albufeira do Azibo
Vila do Conde: Frente Urbana Norte, Frente Urbana Sul, Mindelo, Vila Chã, Labruge.
Freixo de Espada à Cinta: Rio Douro - Congida
CENTRO
Ovar: Esmoriz, Cortegaça, Furadouro
Sever do Vouga: Quinta do Barco
Aveiro: São Jacinto
Ílhavo: Barra, Costa Nova
Vagos: Vagueira, Areão
Mira: Poço da Cruz, Mira
Cantanhede: Tocha
Figueira da Foz: Quiaios, Relógio, Cova Gala, Leirosa
Pombal: Osso da Baleia
Leiria: Pedrógão-Centro
TEJO
Nazaré: Nazaré
Alcobaça: Paredes de Vitória, S. Martinho do Porto
Caldas da Rainha: Praia do Mar
Peniche: Baleal Norte, Baleal-Sul, Cova de Alfarroba, Gambôa, Medão - Supertubos, Consolação
Lourinhã: Areia Branca, Porto Dinheiro
Torres Vedras: Santa Rita Norte, Santa Rita Sul, Navio, Centro - Santa Cruz, Formosa, Mirante - Santa Cruz, Azul, Santa Helena
Mafra: Porto da Calada, São Lourenço, Ribeira de Ilhas, Baleia, Foz do Lizandro
Cascais: Avencas, Guincho, Crismina, Rainha, Conceição, Tamariz, Poça, S. Pedro do Estoril, Parede, Carcavelos, Duquesa, Moitas
Almada: CDS - Stº António, Mata, Sereia, S. João da Caparica
Sesimbra: Moinho de Baixo - Meco
Abrantes: Aldeia do Mato
Guarda: Valhelhas
Mação: Carvoeiro
ALENTEJO
Sesimbra: Ouro
Setúbal: Figueirinha
Grândola: Tróia-Mar, Bico das Lulas, Tróia-Galé, Atlântica, Comporta, Carvalhal, Pego, Aberta-Nova
Santiago do Cacém: Costa de Stº André, Fonte do Cortiço
Sines: Vasco da Gama, S. Torpes, Morgavel, Vieirinha, Grande de Porto Covo, Ilha do Pessegueiro
Odemira: Furnas, Almograve, Zambujeira do Mar, Carvalhal
ALGARVE
Aljezur: Odeceixe-Mar, Arrifana, Monte Clérigo
Vila do Bispo: Cordoama, Castelejo, Mareta, Martinhal, Ingrina, Zavial, Salema, Almádena - Cabanas Velha, Burgau
Lagos: Luz, Porto de Mós, Camilo, D.Ana, Batata, Meia Praia
Portimão: Alvor Poente, Alvor Nascente-Três Irmãos, Vau, Três Castelos, Rocha
Lagoa: Caneiros, Ferragudo, Carvoeiro, Vale de Centeanes, Sra. Da Rocha, Vale do Olival
Silves: Armação de Pera, Praia Grande Poente
Albufeira: Salgados, Galé Oeste, Galé-Leste, Manuel Lourenço, Evaristo, S. Rafael, Arrifes, Aveiros, Oura, Oura Leste, Maria Luísa, Stª Eulália, Olhos d"água, Coelha, Castelo, Belharucas, Falésia-Açoteias, Falésia-Alfamar, Rocha Baixinha Oeste, Rocha Baixinha Leste
Loulé: Loulé Velho, Vilamoura, Quarteira, Vale de Lobo, Ancão, Garrão Poente (Duna), Garrão Nascente, Quinta do Lago
Faro: Faro-Mar, Barreta, Ilha do Farol-Mar, Culatra-Mar
Olhão: Fuseta-Ria, Fuseta-Mar, Armona Mar
Tavira: Barril, Terra Estreita, Ilha de Tavira - Mar, Cabanas - Mar
Vila Real Stº António: Manta Rota, Lota, Monte Gordo, Santo António
AÇORES:
Faial:
Horta: Almoxarife, Varadouro, Porto Pim
São Jorge
Velas: Preguiça
Terceira
Angra do heroísmo: Cinco Ribeiras, Negrito, Silveira, Salga, Prainha (Angra), Baía do Refugo
Praia da Vitória: Escaleiras, Praínha, Praia Grande, Porto Martins, Biscoitos, Riviera
São Miguel
Lagoa: Porto da Caloura, Zona Balnear de Lagoa
Ponta Delgada: Milícias, Pópulo, Poços de S. Vicente Ferreira, Poças Sul dos Mosteiros
Ribeira Grande: Areal de Santa Bárbara
Santa Cruz da Graciosa: Calheta, Praia
Vila Franca de Campo: Vinha da Areia, Praínha de Água D"Alto, Corpo Santo, Água D"Alto
Povoação: Praia do Fogo
Santa Maria
Vila do Porto: Anjos, Formosa, Maia
MADEIRA
Funchal: Barreirinha, Clube Naval do Funchal, Ponta Gorda - Poças do Governador, Poças do Gomes - Doca do Cavacas, Formosa
Ponta do Sol: Madalena do Mar, Ponta do Sol
Porto Moniz: Porto Moniz
Santa Cruz: Palmeiras, Roca Mar, Galo Mar, Garajau
Santana: Ribeira do Faial
S. Vicente: Ponta Delgada
Porto Santo: Fontinha, Ribeiro Salgado
MARINAS:
Tejo: Porto de Recreio Oeiras, Parque das Nações
Alentejo: Tróia, Porto de Recreio Sines, Amieira
Algarve: Lagos, Portimão, Vilamoura, Albufeira
Madeira: Funchal
Açores: Horta, Ponta Delgada, Angra do Heroísmo, Marina da Vila (Vila Franca do Campo)
Para conhecerem o site da associação Bandeira Azul da Europa e conhecerem as praias contempladas com este galardão e a respectiva localização geográfica cliquem no link que se segue:
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sábado, 30 de abril de 2011
Luisa Sobral - Not There Yet
Mais uma nova cantora portuguesa a prometer uma carreira interessante: Luísa Sobral. Fiquem com Not There Yet.
Luísa Sobral no MySpace: http://www.myspace.com/luisasobral
Site oficial: http://www.luisasobral.com/_home.html
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Violenta tempestade de granizo na região de Lisboa
Ontem, dia 29 de Maio, uma violenta trovoada e um temporal de chuva e granizo caiu pelas 15h30 na região de Lisboa, especialmente na zona de Benfica e na Damaia, provocando a interrupção do trânsito em alguns locais, nomeadamente na segunda circular. Este fenómeno está relacionado com um centro de baixas pressões com características convectivas e que tem estado localizado a Sudoeste de Portugal Continental.
Que fenómeno levou à forte queda de granizo? Segundo o meteorologista Anthímio de Azevedo, este fenómeno extremo deveu-se a uma queda muito acentuada e muito brusca da temperatura - Lisboa registou, das 15h00 às 16h00, uma descida de 22,5 graus para 14,5 - que levou à formação de uma nuvem de grande dimensão vertical, um cumulonímbo. Trata-se de uma nuvem escura e espessa, que pode ter atingido 14 quilómetros de altura e que descarregou na zona de Benfica, em Lisboa, e na Damaia, Amadora, uma quantidade de granizo inédita. Em alguns locais, atingiu meio metro de altura e foi acompanhada de chuva intensa. O Instituto de Meteorologia pôs a maior parte do País em alerta amarelo e avisa que a depressão pode provocar hoje novas quedas de granizo e trovoadas a norte e centro.
Que fenómeno levou à forte queda de granizo? Segundo o meteorologista Anthímio de Azevedo, este fenómeno extremo deveu-se a uma queda muito acentuada e muito brusca da temperatura - Lisboa registou, das 15h00 às 16h00, uma descida de 22,5 graus para 14,5 - que levou à formação de uma nuvem de grande dimensão vertical, um cumulonímbo. Trata-se de uma nuvem escura e espessa, que pode ter atingido 14 quilómetros de altura e que descarregou na zona de Benfica, em Lisboa, e na Damaia, Amadora, uma quantidade de granizo inédita. Em alguns locais, atingiu meio metro de altura e foi acompanhada de chuva intensa. O Instituto de Meteorologia pôs a maior parte do País em alerta amarelo e avisa que a depressão pode provocar hoje novas quedas de granizo e trovoadas a norte e centro.
Fiquem com alguns vídeos que registaram o acontecimento e que foram publicados no Youtube.
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sexta-feira, 22 de abril de 2011
22 de Abril - Dia da Terra
(Se clicarem na imagem podem visualizar a sua animação)
Quercus enumera 7 pecados ambientais de Portugal no dia da Terra
A Quercus, Associação Nacional de Conservação da Natureza, anunciou, no dia da Terra, os 7 pecados ambientais com que Portugal se depara.
Identificados como pecados de insustentabilidade, estes são os principais problemas relacionados com o ambiente que Portugal apresenta:
1. O Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável caiu no esquecimento
A cimeira das Nações Unidas sobre o Ambiente e Desenvolvimento realizou-se há 8 meses, e o prometido Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável ainda não ganhou forma. Mais uma vez as promessas do governo, continuam somente a ser promessas e sem implicações práticas.
2. A remodelação ao financiamento das autarquias não é o correcto
Numa fase em que o Governo decidiu alterar as taxas do Imposto de Selo e a contribuição autárquica é necessário ponderar o método de distribuição do financiamento público. Não se deve construir inconscientemente, há que ter em conta valores naturais e paisagísticos.
3. Portugal consume cada vez mais energia
Vivendo em tempo de crise, Portugal apresenta valores preocupantes, tendo em conta que estamos em recessão económica e continuamos a aumentar a intensidade energética do país. Isto significa que para além de estarmos a gastar muito mais energia do que era suposto para a nossa face de desenvolvimento económico, estamos também a desperdiçar, cada vez mais, energia e recursos.
4. Excesso de tráfico em circulação
O excesso de carros e transportes em circulação origina: mais gasto energético, mais emissões, mais ruído e mais congestionamento.
Portugal é um dos cinco países que está na rota para uma insustentabilidade no sector dos transportes, tendo também concentrações de poluentes muito acima da média do que é permitido pela legislação europeia.
5. Portugal desperdiça por ano 3 100 000 000 000 litros de água
Portugal consegue desperdiçar por ano vários milhões de litros de água. Apesar de existir um Programa Nacional para o Uso Eficiente de Água, este só teve parte teórico, pois nunca foi aplicado. É necessário que na agricultura, na indústria e no consumo privado, se faça um uso eficiente e sustentável da água.
6. A Conservação da Natureza ainda não passou à parte prática
Apesar de já ter sido elaborada uma Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e da Biodiversidade, muitos dos seus objectivos ainda continuam por concretizar. Os Planos de Ordenamento do Território das áreas protegidas continuam por implementar, bem como, ainda existem muitas áreas da Rede Natura 2000 por ordenar.
7. Reciclagem ainda longe dos hábitos portugueses
Reutiliza-se menos que o desejável, recicla-se menos que o esperado e no final de contas instalam-se mais incineradoras.
A reutilização de embalagens com tara de retorno verifica-se menos, e a reciclagem urbana ainda não apresenta valores significativos para o ambiente. Por sua vez, a última opção desejável é aquele que se procura mais, a incineração, ou seja, a queima de resíduos.
Posto isto, é tempo de reflectir sobre o ambiente e aquilo que será o nosso futuro próximo. Estas opções calham a todos, e todos temos que contribuir.
Tenha um papel activo para uma vida mais verde.
Fonte: http://ambiente.kazulo.pt/7300/quercus-enumera-7-pecados-ambientais-de-portugal-no-dia-da-terra.htm
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segunda-feira, 18 de abril de 2011
Coldplay - Life in Technicolor + See You Soon
Os Coldplay de regresso ao blogue. Há quanto tempo eles não passavam por aqui!!!
Fiquem com duas canções que ainda não foram publicadas neste blogue: Life In Technicolor e See You Soon
Eduardo Prado Coelho - Precisa-se de matéria prima para construir um País
Numa época muito difícil que o país atravessa, com o risco muito real de o país cair na bancarrota, com os portugueses a responsabilizarem os políticos por termos sido mal governados, com os políticos a mostrarem-se muito pouco responsáveis e acusarem-se uns aos outros sobre as responsabilidades desta crise, recebi há algum tempo um mail contendo um texto escrito por Eduardo Prado Coelho, antes de falecer (25/08/2007) e que quero partilhar convosco. Impressiona a lucidez desta reflexão, que é sobre todos nós! E como todos nós, ou grande parte de nós, contribuímos para chegarmos ao ponto em que nos encontrámos.
Eduardo Prado Coelho
Precisa-se de matéria prima para construir um País
A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres.
Agora dizemos que Sócrates não serve.
E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada.
Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates.
O problema está em nós. Nós como povo.
Nós como matéria prima de um país.
Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro.
Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.
Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal...
E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.
Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos... e para eles mesmos.
Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.
Pertenço a um país:
- Onde a falta de pontualidade é um hábito;
- Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.
- Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e, depois, reclamam do governo por não limpar os esgotos.
- Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.
- Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é 'muito chato ter que ler') e não há consciência nem memória política, histórica nem económica.
- Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar alguns.
- Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser 'compradas', sem se fazer qualquer exame.
- Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar.
- Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão.
-Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.
Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.
Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.
Não. Não. Não. Já basta.
Como 'matéria prima' de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa.
Esses defeitos, essa 'CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA' congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte...
Fico triste.
Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos.
E não poderá fazer nada...
Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.
Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, nem serve Sócrates e nem servirá o que vier.
Qual é a alternativa ?
Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror ?
Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa 'outra coisa' não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados... igualmente abusados!
É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda...
Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias.
Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer.
Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.
Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos: Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e, francamente, somos tolerantes com o fracasso.
É a indústria da desculpa e da estupidez.
Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir) que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido.
Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO.
AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO.
E você, o que pensa ?... MEDITE !
Eduardo Prado Coelho in Público
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Sérgio Godinho - Dancemos no Mundo
Depois de um mês de ausência, o blogue está de regresso. De facto, nos últimos tempos o intenso trabalho, decorrente da minha actividade de professor, não me permitiu (e com muita pena minha) alimentar o blogue com novos "posts".
E é impressionante que neste período de tempo muita coisa aconteceu quer a nível internacional como nacional. A ameaça de um desastre nuclear no Japão, a guerra civíl e a intervenção internacional, coordenada pela NATO, na Líbia, o pedido de ajuda financeira externa por parte de Portugal à UE (e por acréscimo ao FMI) são talvez os assuntos mais importantes que têm marcado a actualidade.
Agora que me encontro em pausa lectiva já consigo ter tempo para reanimar o blogue. Espero poder retomar alguns dos assuntos acima referidos e outros que a actualidade mundial e nacional justifique.
Para recomeçarmos em beleza, fiquem com um apontamento musical: apesar de todos os problemas que ameaçam o nosso Mundo Global, Dancemos no Mundo", com Sérgio Godinho.
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quinta-feira, 17 de março de 2011
Resíduos de S. Pedro da Cova são perigosos para a saúde pública
Foto: Adriano Miranda
Hoje a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte informou que os resíduos depositados mas antigas minas de São Pedro da Cova, em Gondomar, são perigosos para a saúde pública e devem ser removidos imediatamente.
As análises concluíram que os níveis de chumbo estão muito acima do limite permitido por lei e os resíduos só poderiam ser depositados num aterro próprio e depois de tratamento. O Laboratório Nacional de Engenharia Civil recomenda a remoção imediata dos resíduos para tratamento e posterior colocação num aterro próprio. A quantidade de resíduos depositados respeita a lei – são 50 mil toneladas e não 320 mil, como tem sido defendido.
Segundo o Jornal Público, a junta de freguesia de São Pedro da Cova já reclamou o apuramento imediato de responsabilidade, não poupando acusações ao ministério liderado na altura pelo actual primeiro-ministro, José Sócrates: “O Ministério do Ambiente tem de ser responsabilizado”, salientou o presidente da junta, Daniel Vieira. “É preciso admitir que consequências tem a presença destes resíduos para a qualidade da água e para a saúde dos cidadãos”, acrescentou.
Os resíduos depositados a céu aberto nas antigas minas de São Pedro da Cova, entre Maio de 2001 e Março de 2002, foram transferidos da Antiga Siderurgia Nacional da Maia.
Fonte: Público on line
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quarta-feira, 16 de março de 2011
Vulcão Nyiragongo em erupção
Foto: Carsten Peter
O Monte Nyiragongo é um vulcão nas Montanhas Virunga, associado com o Grande Vale do Rift. Está localizado na República Democrática do Congo, a 20 km a norte da cidade de Goma e do Lago Kivu, e a 11 km a oeste da fronteira República Democrática do Congo-Ruanda. A cratera principal está localizada a 250 m de profundidade, a dois quilómetros da borda do vulcão e às vezes contém lagos de lava. O Nyiragongo e o vulcão próximo Nyamuragira são juntos responsáveis por 40% das erupções vulcânicas históricas de África. Encontra-se novamente em erupção.
sábado, 12 de março de 2011
Acidente nuclear no Japão
Um dia depois do mega sismo e consequente tsunami, ocorreu mais uma tragédia no Japão ainda relacionada com o referido sismo e respectivas réplicas: uma grande explosão num reactor da central nuclear de Fukushima I. Esta acidente nuclear foi considerado o mais grave desde Chernobil (Ucrânia. A explosão foi classificada pela Agência Segurança Nuclear e Industrial japonesa como um acidente nuclear de nível 4 – numa escala de 1 a 7. O acidente de Three Mile Island em 1979, nos Estados Unidos, teve nível 5 e a catástrofe de Chernobil, em 1986, na ex-URSS, chegou ao nível 7. O Governo japonês afirma que a acidente está controlado.
O acidente deu-se às 15h36 (6h36, hora de Lisboa), fez quatro feridos leves e lançou o pânico de que um incidente parecido com o de Chernobil se repetisse no Japão. Mas um porta-voz do Governo garantiu que as radiações estavam a baixar e que a explosão não tinha afectado o núcleo do reactor. Cerca de 45 mil pessoas foram já retiradas da região onde está a central nuclear de Fukushima .
A central fica na costa Leste do país, 250 quilómetros a nordeste de Tóquio. O sismo causou uma avaria no sistema de refrigeração na central e um corte de electricidade impediu a recuperação deste sistema, permitindo que os bastões de combustível continuassem a aquecer, aumentando a pressão interna no reactor.
A empresa japonesa Tokyo Electrical Power Co, que gere as instalações, tentou reduzir alguma desta pressão libertando vapor radioactivo. Mas não foi o suficiente para impedir a explosão que destruiu o tecto do edifício do reactor principal. A televisão japonesa NHK anunciava ontem que o nível da radioactividade fora da central era oito vezes superior ao normal.
Fonte: Público on line
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sexta-feira, 11 de março de 2011
Sismo no Japão seguido de Tsunami
Hoje, dia 11 de Março de 2011, pelas 05:46 UTC (às 14:46 hora local) ocorreu a 130 km Este da principal ilha do Japão, Honshu, um sismo de magnitude 8.9 a 24 km de profundidade, que foi considerado um dos maiores da história do Japão e um dos maiores de sempre a nível mundial.
Segundo o Instituto de Meteorologia, este sismo foi gerado num regime compressivo, em zona de subducção, situação em que a placa do Pacífico mergulha sob a placa Norte Americana. Sendo o sismo superficial, com epicentro no mar e uma magnitude elevada, deu origem a um Tsunami cuja primeira vaga atingiu a costa do Japão pelas 06:35.
O sismo teve uma série de percursores, que tiveram início há dois dias com um sismo de magnitude 7.2 e pelo menos 3 sismos de magnitude superior a 6. Este tipo de ambientes tectónicos, em regime compressivo, são os que têm maior capacidade de gerar os chamados grandes sismos.
Segundo o jornal Público, e de acordo com o mais recente balanço da polícia japonesa, ainda que provisório, cerca de nove horas depois do primeiro abalo, a destruição já fez 288 mortos, 349 desaparecidos e centenas de feridos. Entre as vítimas mortais contam-se 200 corpos que foram encontrados numa praia de Sendai, na perfeitura de Miyagi, uma das mais atingidas. A polícia acredita que se tratem de cadáveres de moradores que foram apanhados pela vaga de dez metros que arrasou a região costeira.
O Governo japonês declarou hoje estado de emergência depois de o sistema de arrefecimento ter falhado na central nuclear nº 1 de Fukushima, como consequência do sismo. As autoridades garantem que não existem fugas de radioactividade e que não existe perigo imediato, dado que a actividade da central foi suspensa.
De acordo com as autoridades locais em Fukushima, seis mil habitantes dos arredores da central nuclear foram aconselhados a abandonar o local.
Noutro local, em Onagawa (Miyagi), deflagrou um incêndio no complexo nuclear mas longe do reactor nuclear, garante a empresa responsável, Tohoku Electric Power. Já foi activado no local um procedimento de arrefecimento emergência, mas a situação poderá ainda não estar debelada. O facto que está a originar a preocupação das autoridades e, segundo o jornal Phuket Word, o país estará numa situação de emergência nuclear.
O tsunami que se seguiu ao abalo, às 14h46 (05h46, hora portuguesa), e às várias réplicas atingiu especialmente a costa nordeste da ilha principal de Honshu.
Vagas com dez metros de altura abateram-se na zona costeira da região de Sendai e outras de sete metros na prefeitura vizinha de Fukushima. Na província de Miyagi, uma vaga carregando detritos e lama arrastou, a grande velocidade, os campos agrícolas por onde passou. Em alguns locais, a água entrou até cinco quilómetros para o interior.
As estações de televisão nipónicas difundem em directo imagens de casas inundadas e automóveis submersos pelas águas, como poderão ver mais abaixo. Colunas de fumo elevam-se por cima de localidades no Nordeste da ilha principal de Honshu onde, até ao momento, foram registados 40 incêndios.
Na baixa de Tóquio, os edifícios abanaram de forma violenta e os trabalhadores invadiram as ruas a meio da sua jornada de trabalho. A AFP fala no desmoronamento de um edifício em Tóquio onde 600 estudantes participavam numa cerimónia de entrega de diplomas. Há pelo menos 20 feridos, indica a BBC.
Na região de Tóquio deflagrou um incêndio na refinaria de Iichihara e as chamas elevam-se a várias dezenas de metros de altura.
Fonte: Instituto de Meteorologia e Público on line
Os vídeos que se seguem ilustram de uma forma brutal o avanço do tsunami.
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quinta-feira, 10 de março de 2011
Coro Premier Ensemble de Agao - Dia Europeu da Ópera em Pamplona
Mais um vídeo com uma acção de flash Mob. Desta vez passa-se num café de Pamplona (Espanha), onde actuou de surpresa o Coro Premier Ensemble de Agao. Comemoraram desta forma o Dia Europeu da Ópera.
terça-feira, 8 de março de 2011
Áurea - Busy (for me) e Okay Alright
Mais uma voz portuguesa de excelente qualidade: Áurea.
Tem uma voz, simplesmente, fabulosa!... Fiquem com duas belíssimas amostras, em estilos distintos, desta cantora que promete: Busy (for me) e Okay Alright .
Áurea no Myspace: http://www.myspace.com/aureaoficial
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Adolescente de 13 anos esfaqueia mãe que lhe tirou a playstation
Vejam ao ponto que a nossa sociedade chegou!
Há poucos dias atrás, um adolescente de Cascais de 13 anos esfaqueou a mãe, alegadamente pelo facto de os seus pais o terem castigado por este ter tido más notas no 1º período, tendo-o proibido de jogar Playstation e de aceder à internet. Segundo o Correio da Manhã, a vítima, de cerca de 40 anos, foi esfaqueada numa das pernas e apresentava ainda cortes na cabeça, nos braços e no tronco.
É muito perturbador constatar que uma simples e, aparentemente, justificada acção educativa por parte de uma mãe, preocupada com os maus resultados escolares do seu filho, desencadeie uma atitude tão vingativa e de extrema violência por parte deste. De facto, é cada vez mais difícil educar as crianças e os jovens. Que o digam os pais e os professores que sentem cada vez mais dificuldades em impôr a disciplina e o sentido de responsabilidade nas crianças e jovens. Para onde caminha a nossa sociedade?
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"O Turista" e "O Discurso do Rei"
Hoje faço referência a dois filmes que vi recentemente: O Turista e O Discurso do Rei.
São dois filmes interessantes que vale a pena ver, ainda que não sejam popriamente obras-primas do cinema (muito longe disso).
O Turista é um filme americano, realizado pelo alemão Florian Henckel von Donnersmarck, claramente comercial, uma espécie de triller romântico passado, em grande parte, na cidade de Veneza e que vive dos dois actores principais, as super-estrelas Angelina Jolie e Johnny Depp. Um puro divertimento, não mais do que isso.
O Discurso do Rei é um filme inglês realizado por Tom Hooper. É um filme comovente que nos mostra o modo como o Duque de York, futuro rei Jorge VI de Inglaterra, pai da actual rainha (Isabel II), lutou, com a ajuda de um terapeuta da fala pouco convencional, contra a sua gaguês e insegurança. O filme vale pela grandes interpretações dos seus principais actores: Colin Firth e Geoffrey Rush. Baseado em factos e personagens reais, é um filme sobre a coragem e a determinação de um homem em ultrapassar as suas próprias limitações e sobre uma amizade improvável entre dois homens de condições sociais muito distintas. O filme acabou por se tornar o grande vencedor dos Óscares deste ano ao arrecadar ontem à noite quatro estatuetas: melhor filme, melhor realizador, melhor actor principal (Colin Firth) e melhor argumento original.
Vejam de seguida os trailers dos dois filmes.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Márcia - A pele que há em mim
Mais uma canção de Márcia: A pele que há em mim, também do álbum "Dá" de 2010.
Márcia - Pra quem quer
Acabei de descobrir uma verdadeira preciosidade: a cantora portuguesa Márcia. Fiquem com a belíssima canção "Pra quem quer ", incluída no álbum "Dá" de 2010 (Edição Discos PATACA).
O video foi realizado por Joana Barra Vaz e Márcia.
Com Márcia (voz), João Correia (bateria), Nuno Lucas (baixo), Luis Nunes (Piano, guitarra), João Paulo Feliciano (orgão), Bruno Pernadas (guitarra)
Márcia no MySpace: http://www.myspace.com/fraiseavantgarde
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo...
Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista a chave,
Escondem o horizonte, empurram nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a única riqueza é ver.
Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos".
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Normais Climatológicas 1971-2000
Os valores médios que caracterizam o clima de um dado local, dependem do intervalo de tempo utilizado e não apresentam os mesmos resultados quando se compara um ano com um decénio, ou com um século. Por outro lado, é importante dispôr de séries longas de dados para se estudar as variações e as tendências do clima. O Instituto de Meteorologia, I.P., dispõe de séries de dados meteorológicos, cujas primeiras observações remontam a 1865.
Conforme convencionado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) o clima é caracterizado pelos valores médios dos vários elementos climáticos num período de 30 anos, designando-se valor normal de um elemento climático o valor médio correspondente a um número de anos suficientemente longo para se admitir que ele representa o valor predominante daquele elemento no local considerado. Segundo a OMM designam-se por normais climatológicas os apuramentos estatísticos em períodos de 30 anos, que começam no primeiro ano de cada década (1901-30, 1931-1960, ..., 1961-1990...). Estas são as normais de referência, embora se possam calcular e utilizar normais climatológicas nos períodos intercalares, por exemplo, 1951-80, 1971-2000.
No site do Instituto de Meteorologia disponibiliza-se informação referente às normais climatológicas de 21 estações integradas na rede do Instituto de Meteorologia, I.P., para o período 1971-2000, designadamente valores mensais e anuais dos principais elementos climáticos na forma gráfica e numérica. São igualmente apresentados os valores médios da temperatura máxima e mínima do ar e os totais de precipitação, assim como os respectivos valores extremos
Os resultados das normais climatológicas 1971-2000, as últimas disponíveis, permitem também identificar os diferentes tipos de clima, tendo-se utilizado para Portugal Continental a classificação de Köppen-Geiger, que corresponde à última revisão de Köppen em 1936. Os resultados obtidos pela cartografia para esta classificação climática, permitem confirmar que na maior parte do território Continental o clima é Temperado, do Tipo C, verificando-se o Subtipo Cs (Clima temperado com Verão seco) e as seguintes variedades:
- Csa, clima temperado com Verão quente e seco nas regiões interiores do vale do Douro (parte do distrito de Bragança), assim como nas regiões a sul do sistema montanhoso Montejunto-Estrela (excepto no litoral oeste do Alentejo e Algarve).
- Csb, clima temperado com Verão seco e suave, em quase todas as regiões a Norte do sistema montanhoso Montejunto-Estrela e nas regiões do litoral oeste do Alentejo e Algarve.
Numa pequena região do Baixo Alentejo, no distrito de Beja, encontra-se Clima Árido – Tipo B, Subtipo BS (clima de estepe), variedade BSk (clima de estepe fria da latitude média).
Em relação ao Arquipélago da Madeira e Açores de acordo com a classificação de Koppen original, verifica-se que:
Madeira é do tipo Csa, clima temperado com Verão quente e seco;
Açores: o Grupo Oriental é do tipo Csb clima temperado com Verão seco e suave no Grupo Oriental e nos Grupos Central e Ocidental é do tipo Cfb, ou seja, Clima oceânico, também por vezes chamado clima temperado marítimo, é um clima temperado húmido com Verão temperado e que ocorre em regiões afastadas das grandes massas continentais.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Good bye Lenin! - um filme de Wolfganger Becker
Hoje de manhã, os alunos do 12º H (Geografia C) assistiram à projecção do filme "Good bye Lenin!", do realizador alemão Wolfganger Becker. O filme é uma comédia dramática que retratas as mudanças que ocorrem na antiga Alemanha de Leste com o fim da Guerra Fria. É um filme que tem tanto de divertido como de dramático e que acima de tudo conta uma bela história de amor de um filho pela sua mãe. Podem ver agora o trailer do filme
Ficha Técnica do filme
Título Original: Good Bye, Lenin!
Género: Comédia dramática
Tempo de Duração: 118 minutos
Ano de Lançamento (Alemanha): 2003
Site Oficial: http://www.good-bye-lenin.de/
Realização: Wolfganger Becker
Argumento: Wolfganger Becker e Bernd Lichtenberg
Música: Yann Tiersen
Fotografia: Martin Kukula
Interpretação: Daniel Brühl (Alexander Kerner), Katrin Sab (Christine Kerner), Maria Simon (Ariane Kerner), Chulpan Khamatova (Lara), Florian Lukas (Denis), Alexander Beyer (Rainer), Burghart Klaubner (Robert Kerner), Michael Gwisdek (Diretor Klapprath), Christine Schorn (Frau Schäfer), Rudi Völler (Rudi Völler), Helmut Kohl (Helmut Kohl)
Depois de visionarem o filme "Good bye Lenin" gostava que reflectissem sobre o mesmo. Ficam aqui alguns pontos que poderão abordar:
Gostaram do filme? Porquê?
O que é que mais vos marcou no filme?
O que ganharam e o que perderam os cidadãos da ex-RDA com o fim do comunismo e com a reunificação da Alemanha?
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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Cheb Khaled - Didi
Ainda a propósito da revolta popular que está a ocorrer em grande parte do mundo árabe, proponho um momento musical diferente: Cheb Khaled, cantor e compositor argelino considerado por muitos como o rei da música Raï, um estilo musical muito popular no norte de África que mistura os sons tradicionais da música árabe com a Pop ocidental. Fiquem com um dos seus maiores êxitos: Didi. O vídeoclip, infelizmente, tem uma imagem com muita pouca qualidade.
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Revolta ganha força no mundo árabe e chega à Líbia
Como muitos comentadores prognosticaram, depois da revolta da Tunísia e do Egipto um movimento generalizado de contestação vai-se alastrando muito rapidamente ao resto do mundo árabe: Líbia, Irão, Iémen e Barhein são talvez os exemplos mais significativos. Vejam a notícia publicada hoje no site brasileiro do DCI (Diário do Comércio, industria e Serviços):
A Líbia enfrentou manifestações contra o ditador Muammar Khadafi, há 40 anos no poder, seguindo o exemplo de outros países do Oriente Médio que vivem protestos contra os governos vitalícios e a falta de democracia. Centenas de pessoas revoltadas com a prisão de um activista pró-direitos humanos entraram em choque ontem com a polícia e partidários do governo da Líbia, na cidade de Bengasi, a segunda maior país.
Segundo relatos, pelo menos 38 pessoas ficaram feridas. O tumulto foi um acontecimento raro na Líbia, que está há mais de 40 anos sob forte controle do líder Muammar Khadafi. O país tem sentido os efeitos das revoltas populares no Egipto e na Tunísia.
Ontem, manifestantes foram novamente às ruas do Iémen pelo sexto dia seguido para pedir a renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh, no poder há 32 anos. Entraram em confronto com partidários do ditador no centro da capital, Sanaa. Pelo menos 2 mil policias foram enviados às ruas para controlar os choques entre as duas facções. Quatro pessoas ficaram feridas.
Já os milhares de manifestantes que pernoitaram numa praça de Manama, na capital de Bahrein, após tomarem o centro da cidade exigindo reformas económicas e políticas garantiram ontem que não abandonarão o local até que suas exigências sejam atendidas.
A praça foi rebatizada pelos participantes como praça Tahrir de Manama, em referência ao local homónimo do Cairo onde milhares de manifestantes se concentraram durante mais de duas semanas até a renúncia do presidente Hosni Mubarak, no último dia 11 de Fevereiro.
Ontem, em Teerão, partidários do governo iraniano entraram novamente em confronto com opositores no funeral de um estudante baleado durante uma manifestação contra o governo, dois dias atrás, informou a emissora estatal Irib. Sanee Zhaleh foi morto na segunda-feira, durante o primeiro protesto da oposição em mais de um ano, e imediatamente se tornou um mártir tanto para os partidários como os oponentes do presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad.
O confronto ocorreu durante uma procissão do funeral iniciada na faculdade de Artes da Universidade de Teerão, no centro da capital, onde Zhaleh estudava, segundo informou a Irib no seu website.
O Ministério da Saúde do Egito informou ontem que ao menos 365 pessoas morreram durante os 18 dias de protestos que tomaram conta do país no fim de Janeiro em favor da renúncia do agora ex-presidente Hosni Mubarak. Foi o primeiro balanço oficial de mortes do país desde o fim dos distúrbios.
O ministro Ahmed Sareh Farid disse que a cifra é apenas preliminar, diz respeito somente a civis e não inclui policias ou prisioneiros. Durante os dias de protestos - que ocorreram de 25 de Janeiro a 11 de Fevereiro - houve enfrentamento dos opositores com apoiantes do governo de Mubarak e a a polícia.
Ontem, os trabalhares da maior fábrica do Egipto retomaram uma greve por melhores salários e condições de trabalho. A paralisação ocorre apesar da advertência dos militares que agora comandam o país, segundo os quais mais greves seriam "desastrosas".
Um dos organizadores da greve, Faisal Naousha, disse à agência France Presse que os trabalhadores na fábrica têxtil Misr Spinning and Weaving - que emprega 24 mil pessoas na cidade de Al-Mahalla al-Kubra, no delta do Nilo - também querem a demissão de dois gerentes.
Os trabalhadores haviam suspendido a greve há três dias, mas Naousha disse na ocasião que eles continuariam pressionando por melhores salários. No ano passado, um tribunal decidiu aumentar o salário mínimo no país de 400 libras egípcias (68 dólares americanos) para 1.200 libras egípcias (204 dólares), mas os trabalhadores não receberam essa diferença, segundo Naousha.
A greve é anunciada um dia após o Conselho Supremo das Forças Armadas pedir aos trabalhadores o fim das paralisações, notando que elas seriam "desastrosas". Os militares, porém, não proibiram as greves.
O Egipto viveu uma onda de protestos e manifestações, que culminou com a queda do regime do presidente Hosni Mubarak, na última sexta-feira.
Para conhecerem melhor como se está a processar o alastramento da revolta do mundo árabe cliquem aqui para acederem à infografia do jornal Público. Cliquem nos valores com percentagens para acederem a mais informação relativa a cada um dos países representados.
Segundo relatos, pelo menos 38 pessoas ficaram feridas. O tumulto foi um acontecimento raro na Líbia, que está há mais de 40 anos sob forte controle do líder Muammar Khadafi. O país tem sentido os efeitos das revoltas populares no Egipto e na Tunísia.
Ontem, manifestantes foram novamente às ruas do Iémen pelo sexto dia seguido para pedir a renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh, no poder há 32 anos. Entraram em confronto com partidários do ditador no centro da capital, Sanaa. Pelo menos 2 mil policias foram enviados às ruas para controlar os choques entre as duas facções. Quatro pessoas ficaram feridas.
Já os milhares de manifestantes que pernoitaram numa praça de Manama, na capital de Bahrein, após tomarem o centro da cidade exigindo reformas económicas e políticas garantiram ontem que não abandonarão o local até que suas exigências sejam atendidas.
A praça foi rebatizada pelos participantes como praça Tahrir de Manama, em referência ao local homónimo do Cairo onde milhares de manifestantes se concentraram durante mais de duas semanas até a renúncia do presidente Hosni Mubarak, no último dia 11 de Fevereiro.
Ontem, em Teerão, partidários do governo iraniano entraram novamente em confronto com opositores no funeral de um estudante baleado durante uma manifestação contra o governo, dois dias atrás, informou a emissora estatal Irib. Sanee Zhaleh foi morto na segunda-feira, durante o primeiro protesto da oposição em mais de um ano, e imediatamente se tornou um mártir tanto para os partidários como os oponentes do presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad.
O confronto ocorreu durante uma procissão do funeral iniciada na faculdade de Artes da Universidade de Teerão, no centro da capital, onde Zhaleh estudava, segundo informou a Irib no seu website.
O Ministério da Saúde do Egito informou ontem que ao menos 365 pessoas morreram durante os 18 dias de protestos que tomaram conta do país no fim de Janeiro em favor da renúncia do agora ex-presidente Hosni Mubarak. Foi o primeiro balanço oficial de mortes do país desde o fim dos distúrbios.
O ministro Ahmed Sareh Farid disse que a cifra é apenas preliminar, diz respeito somente a civis e não inclui policias ou prisioneiros. Durante os dias de protestos - que ocorreram de 25 de Janeiro a 11 de Fevereiro - houve enfrentamento dos opositores com apoiantes do governo de Mubarak e a a polícia.
Ontem, os trabalhares da maior fábrica do Egipto retomaram uma greve por melhores salários e condições de trabalho. A paralisação ocorre apesar da advertência dos militares que agora comandam o país, segundo os quais mais greves seriam "desastrosas".
Um dos organizadores da greve, Faisal Naousha, disse à agência France Presse que os trabalhadores na fábrica têxtil Misr Spinning and Weaving - que emprega 24 mil pessoas na cidade de Al-Mahalla al-Kubra, no delta do Nilo - também querem a demissão de dois gerentes.
Os trabalhadores haviam suspendido a greve há três dias, mas Naousha disse na ocasião que eles continuariam pressionando por melhores salários. No ano passado, um tribunal decidiu aumentar o salário mínimo no país de 400 libras egípcias (68 dólares americanos) para 1.200 libras egípcias (204 dólares), mas os trabalhadores não receberam essa diferença, segundo Naousha.
A greve é anunciada um dia após o Conselho Supremo das Forças Armadas pedir aos trabalhadores o fim das paralisações, notando que elas seriam "desastrosas". Os militares, porém, não proibiram as greves.
O Egipto viveu uma onda de protestos e manifestações, que culminou com a queda do regime do presidente Hosni Mubarak, na última sexta-feira.
Para conhecerem melhor como se está a processar o alastramento da revolta do mundo árabe cliquem aqui para acederem à infografia do jornal Público. Cliquem nos valores com percentagens para acederem a mais informação relativa a cada um dos países representados.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Orlando Ribeiro - o geógrafo que gostava de fotografia, de música e de vulcões
Foto: DR
Na ilha do Fogo em 1951 - fotografia do álbum Finisterra, de Orlando Ribeiro
Andou pelo país e pelas antigas colónias. Inseparável da sua Leica, Orlando Ribeiro fotografava tudo e, em cadernos de campo, anotava e desenhava. O seu livro Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico é das obras mais marcantes do século XX português. Retrato do grande mestre da geografia que foi trasmitido ontem, na RTP2.
O portão da moradia de Vale de Lobos, Sintra, dá as boas-vindas aos espectadores, entre árvores e flores. Instantes depois, a geógrafa Suzanne Daveau leva-nos, escadas acima, até ao interior da casa que partilhou durante anos com Orlando Ribeiro. Na sala cheia de livros, põe um disco de vinil no gira-discos, música de Anton Bruckner, como início da banda sonora da viagem que se seguirá sobre Orlando Ribeiro, o geógrafo, o viajante, o fotógrafo, o melómano.
Fundador da geografia moderna portuguesa, Orlando Ribeiro nasceu a 16 de Fevereiro em 1911, em Lisboa, e morreu a 17 de Novembro de 1997. O documentário Orlando Ribeiro - Itinerâncias de Um Geógrafo, da autoria e realização de António João Saraiva e Manuel Carvalho Gomes, marca o centenário do seu nascimento.
Quando tinha quatro anos, a mãe morreu e ele foi criado nos arredores de Almada, em Runa, com o avô materno, major reformado que lhe despertou o gosto pelo estudo. O filho António Ribeiro, geólogo também conhecido, recorda essas raízes no documentário: "Uma das pessoas que mais o influenciou na infância e na juventude foi o avô materno, Augusto Carvela, que era uma pessoa com uma certa formação. Tinha sido oficial do Exército e tinha uma cultura geral bastante vasta."
É na companhia do avô que tem o primeiro contacto com o campo, em Runa e Viseu, de onde a família era originária e onde ia passar férias. "Tudo lugares onde o campo está perto, onde era possível estar só, passear por sítios aprazíveis, apanhar amoras e, na beira dos caminhos, cortar canas para fazer brinquedos", contou nos seus escritos, reunidos em Memórias de Um Geógrafo (Edições João Sá da Costa, 2003), e que ouvimos agora narrado pela voz do jornalista Fernando Alves. "O gosto da geografia devo-o ao amor da natureza e da vida do campo, desenvolvido em longos passeios a pé", continuava. "A partir destas recordações de infância, sinto-me profundamente enraizado na vida obscura do meu povo. Criado entre gente simples e humilde, fiquei sempre fiel às origens, ao gosto de uma vida sóbria (...)."
Aos oito anos, regressou a Lisboa, a casa do pai, o "senhor António da drogaria", como era conhecido na Rua da Escola Politécnica. Frequentou o Liceu Passos Manuel entre 1921 e 1928, onde foi admitido com 20 valores. Formou-se em História e Geografia na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e aí contactou pela primeira vez com o etnógrafo Leite de Vasconcellos, já aposentado, a quem chamava "mestre". Em 1934, começou a fazer várias viagens por Portugal, como bolseiro do Instituto de Alta Cultura, e a preparar a tese de doutoramento Arrábida - Esboço Geográfico, que terminou dois anos depois. No ano seguinte, 1937, partiu como leitor de português para a Universidade Paris-Sorbonne, onde esteve até 1940, e aí também estudou geografia. Nesse período, entre 1936 e 1940, no intervalo dos anos lectivos, correu Portugal de uma ponta a outra, sobretudo a Beira Baixa, zona de contraste entre o Norte e o Sul, rica para um trabalho em que se aplicassem os métodos da geografia moderna - sempre acompanhado por um objecto precioso, uma máquina fotográfica, dando azo a uma das suas paixões.
Com o primeiro dinheiro que ganhou com as aulas de Português em Paris, fez logo uma compra. "Uma boa máquina fotográfica, que conservou ao longo da vida", conta Suzanne Daveau, que conheceu o geógrafo numa conferência em Estocolmo e veio a casar-se com ele em 1965. "Ficou tão contente com esta compra que escreveu logo ao mestre, Leite de Vasconcellos: "Comprei uma máquina Leica, que me custou chorudos um conto e oitocentos [nove euros a preços actuais] - e não 18 tostões -, mas que faz tudo o que é preciso e só tem o inconveniente de tornar as excursões mais caras. Era, porém, um traste indispensável que fica incondicionalmente ao seu dispor nas excursões que fizermos juntos.""
Uma pérola da cultura
O seu trabalho mais famoso é Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico, editado pela primeira vez em 1945 (actualmente publicada pela Livraria Sá da Costa Editora). Palavras de Orlando Ribeiro ditas por Fernando Alves no documentário: "Publiquei um livro ambicioso no título e no conteúdo: Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico, primeiro ensaio de síntese na destrinça de influências e relações que se entrelaçam na terra de Portugal."
Entremos de novo na sala em Vale de Lobos, para ouvir Suzanne Daveau falar deste livro e do que descobriu enquanto arrumava papeladas para entregar à Biblioteca Nacional, que ficou com a guarda do espólio de Orlando Ribeiro, incluindo os 24 cadernos de viagem, correspondência e os manuscritos das suas obras. "Encontrei nesta agenda minúscula do ano 1941 um apontamento muito curioso. No dia 31 de Maio, está esta indicação: "O editor da Coimbra Editora pediu-me um livro para a Colecção Universitas. Grande alegria minha."" E na agenda consta um título provisório, Portugal, Produtor de Homens: "Não tenho dúvida de que é o pedido que levou à realização do livro mais conhecido do Orlando, Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico."
No depoimento que presta no documentário, o sociólogo António Barreto diz: "Considero este livrinho uma verdadeira pérola da cultura portuguesa. É certamente dos melhores livros de todo o século XX e um dos grandes livros de toda a literatura portuguesa, científica ou não. Neste caso, científica." E acrescenta: "É um livro maravilhosamente bem escrito, de um precisão, de um rigor, de uma modéstia académica, em que ele sugere, propõe, define. Devia ser sempre, sempre, lido nas escolas."
Também José Mattoso sublinha a importância deste livro. "Na altura, os historiadores não se aperceberam de que isso obrigava a uma nova concepção da História de Portugal, tanto mais que o regime salazarista tinha uma ideologia extremamente unitária do país e fundamentava a sua ideologia na unidade fundamental de Portugal", diz o historiador. "E o que o professor Orlando Ribeiro veio trazer foi a demonstração de que não havia unidade, há diversidade."
Ele fundou, em 1943, o Centro de Estudos Geográficos (CEG) da Universidade de Lisboa, a primeira instituição nacional de investigação na disciplina, e a que presidiu até 1973. A geografia em Portugal ganhou então uma dimensão internacional e muitos foram os discípulos que Orlando Ribeiro deixou, como Raquel Soeiro de Brito, Ilídio do Amaral ou Jorge Gaspar.
Onze mil imagens
É no CEG que está a colecção de imagens do geógrafo, cerca de 11 mil. Tem dez mil fotografias a preto e branco e as restantes imagens são diapositivos. Tirou-as não só em Portugal, mas nos vários países que calcorreou, desde o Brasil e México até Marrocos, Egipto e as ex-colónias, com excepção de Timor. E não só fotografava, como desenhava muito nos cadernos de campo, que depois usava como documentação.
Em Portugal, as deambulações faziam-se numa carrinha 4L. "Era um carro alto, que conseguia atravessar os caminhos maus, os rios", diz Suzanne Daveau. "O Orlando conhecia a fundo Portugal. Queria mostrar-me os lugares que conhecia. Mas de vez em quando chegávamos a uma aldeia e ele dizia: "Ah, nesta aldeia nunca estive!" Ficava felicíssimo por descobrir uma coisa que não conhecia."
Um dos momentos mais deliciosos do documentário é aquele em que Orlando Ribeiro surge na ilha do Faial, tendo como cenário o vulcão dos Capelinhos, que entrou em erupção a 27 de Setembro de 1957, e onde ele e Raquel Soeiro de Brito chegaram poucos dias depois. É o único momento em que ouvimos a voz de Orlando Ribeiro, a ser entrevistado para a RTP, que tinha iniciado as emissões regulares meses antes: "Infelizmente não é possível oferecer - como é que se chamam as pessoas que escutam isto?... os telespectadores, são os telespectadores - os ruídos do vulcão, de modo que para os substituir, muito tristemente, aliás, vamos dizer alguma coisa sobre a erupção."
Tal como no vulcão dos Capelinhos, documentou e fotografou profusamente a erupção na ilha do Fogo, em Cabo Verde, em 1951. No livro A Ilha do Fogo e as Suas Erupções, de 1954, não se esqueceu também das provações por que passava a população com a seca e as fomes, no capítulo As crises: miséria e redenção. Ao contrário do resto do livro, enviado à Junta de Investigações do Ultramar, esse capítulo seguiu logo para a tipografia, para evitar que fosse censurado. "O Orlando já era conhecido internacionalmente. Como na altura era vice-presidente da União Geográfica Internacional, não tiveram a coragem de suprimir o livro", conta Suzanne Daveau.
Também não fica esquecida a sua paixão pela música, a ponto de Ilídio do Amaral se lembrar de um episódio: "Resolveu que num dia da semana, salvo erro sexta-feira, o seu grupo de assistentes ouviria música clássica. Comprámos um gira-discos, eu trouxe da minha colecção, ele trouxe da dele, punha-se a tocar. E ele, Orlando Ribeiro, explicava." Paixão que transparece nas Memórias de Um Geógrafo, nomeadamente pelo Adágio da Sétima Sinfonia de Bruckner, "muito solene e muito lento", dizia. "É qualquer coisa de arrepiantemente exacto e subtil - qualquer coisa que só o poder divino é capaz de insuflar, quase para além do humano e, no entanto, terrivelmente sentido por um espírito ávido de precisão."
Teresa Firmino in Público, 12.02.2011 (adaptado)
Amigos para sempre
Não resisto a transcrever um artigo de Miguel Esteves Cardoso que foi publicado na sua coluna habitual do jornal Público (Ainda Ontem) no passado dia 5 de Fevereiro. É, provavelmente, um dos melhores e mais belos textos que alguma vez li sobre o que são os amigos, o que significa a verdadeira amizade e como o tempo não leva as verdadeiras amizades.
Amigos para sempre
Os amigos cada vez mais se vêem menos. Parece que era só quando éramos novos, trabalhávamos e bebíamos juntos que nos víamos as vezes que queríamos, sempre diariamente. E, no maior luxo de todos, há muito perdido: porque não tínhamos mais nada para fazer.
Nesta semana, tenho almoçado com amigos meus grandes, que, pela primeira vez nas nossas vidas, não vejo há muitos anos. Cada um começa a falar comigo como se não tivéssemos passado um único dia sem nos vermos.
Nada falha. Tudo dispara como se nos estivera - e está - na massa do sangue: a excitação de contar coisas e a alegria de partilhar ninharias; as risotas por piadas de há muito repetidas; as promessas de esperanças que estão há que décadas por realizar.
Há grandes amigos que tenho a sorte de ter que insistem na importância da Presença com letra grande. Até agora nunca concordei, achando que a saudade faz pouco do tempo e que o coração é mais sensível à lembrança do que à repetição. Enganei-me. O melhor que os amigos e as amigas têm a fazer é verem-se cada vez que podem. É verdade que, mesmo tendo passado dez anos, é como se nos tivéssemos visto ontem. Mas, mesmo assim, sente-se o prazer inencontrável de reencontrar quem se pensava nunca mais encontrar. O tempo não passa pela amizade. Mas a amizade passa pelo tempo. É preciso segurá-la enquanto ela há. Somos amigos para sempre mas entre o dia de ficarmos amigos e o dia de morrermos vai uma distância tão grande como a vida.
Miguel Esteves Cardoso in Público, 5 de Fevereiro de 2011.
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