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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Movimento emigratório actual comparado ao da década de 60


Mais uma notícia inquietante para o nosso país: a emigração portuguesa voltou a aumentar significativamente. Depois de um período relativamente longo (anos 80 e 90 do século XX) em que a emigração diminuiu e Portugal passou a ser um pais mais de imigrantes do que de emigrantes e que correspondeu a uma fase de desenvolvimento do país, voltamos a emigrar em força. O presidente da Comissão de Especialidade de Fluxos Migratórios, Manuel Beja, julga que é preciso recuar até à década de 1960 para encontrar uma vaga de emigração tão grande em Portugal. É mais um sinal da crise económica e social que o país atravessa e em que a taxa de desemprego continua a subir, atingindo nesta altura os 10,3%.

Vejam a notícia do Público on line de hoje:



"É plausível", admite João Peixoto, da Universidade Técnica de Lisboa. Jorge Malheiros, do Centro de Estudos Geográficos, acha que não.

Ninguém sabe ao certo quantas pessoas estão a virar as costas. Portugal, como quase todos os membros da UE, não faz inquérito de saída. A única hipótese é coligir a estatística dos países de destino, tarefa que o recém-criado Observatório de Emigração já iniciou. Mesmo assim, João Peixoto faz três ressalvas: as estatísticas tendem a não ser comparáveis; a recolha não distingue movimentos temporários de permanentes; e a oferta de emprego não é a que era antes da crise. Muito por força da livre circulação, a nova vaga está concentrada na UE, ou em territórios muito próximos, como a Suíça ou Andorra, nota a coordenadora do observatório, Filipa Pinho. Embora se desbrave caminho na Ásia e em África - com Angola à cabeça.

Manuel Beja dá o exemplo da Suíça. O contingente de cidadãos de nacionalidade portuguesa passou de 173.278 em 2004 para 196.186 em 2008. E, "no ano passado, entravam em média mil por mês". Paradigmático, para Filipa Pinho, é o caso de Espanha: o número de pessoas nascidas em Portugal a residir no país vizinho passou de 71 mil para 136 mil entre 2004 e 2008. Manter-se-á? A taxa de desemprego entre trabalhadores portugueses a residir em Espanha subiu de 4,7 por cento no final de 2007 para 21,89 por cento no final de 2009, revelou o INE espanhol. O exemplo do Reino Unido mostra outro aspecto: o número de nascidos em Portugal passou de 68 mil para 83 mil entre 2004 e 2008. A comunidade ultrapassa os 300 mil nas estimativas consulares de residentes de nacionalidade portuguesa. O que incluirá, atalha Jorge Malheiros, portugueses lusos, descendentes de emigrantes, ex-imigrantes e descendentes de ex-imigrantes.

A culpa não é só do desemprego, que já ultrapassa os 10 por cento, sublinha João Peixoto, que é também membro do Conselho Científico do Observatório da Emigração. Nos anos 90, Portugal vivia um período de crescimento e nem por isso deixou de ter emigração. A culpa é também do diferencial de rendimento entre os portugueses e os outros europeus. E de uma cultura de emigração.

Na década de 60 e na primeira metade de 70, chegavam a sair mais de 100 mil por ano. Por maior que seja a dimensão actual, para Malheiros, não faz sentido comparar. Não só por a geo- grafia da mobilidade ser outra. Também pela forma. As emigrações já não são longas ou definitivas, mas temporárias - por vezes mesmo pendulares: "Nos anos 60, na teoria, a emigração era muito regulada. Agora, as pessoas têm direito a procurar trabalho noutros países da UE. Muitas vezes, saem para prestar serviços específicos e de duração limitada - na construção civil, no turismo, na agricultura. O mercado é muito flexível."

Fonte: http://www.publico.pt/Sociedade/movimento-emigratorio-actual-comparado-ao-da-decada-de-60_1421033

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Muros ao redor do mundo: México-Estados Unidos, Israel-Cisjordânia e Rio de Janeiro (favelas)

Muro entre os EUA e o México, em pleno deserto


No dia 9 de Novembro comemoramos os 20 anos da queda do Muro de Berlim. Infelizmente existem ainda outros muros em diversas regiões do Globo que continuam a envergonhar a humanidade. Há dias escrevi sobre o muro que a Índia está a construir ao longo da sua fronteira com o Bengladesh.

Hoje é a vez de fazer referência a outros muros: o que os EUA começaram a construir ao longo da sua fronteira com México, em 1991, e que serve para combater a imigração ilegal de mexicanos e de outros povos latino-americanos; o muro que Israel construi a partir de 2002 que separa este país da Cisjordânia (território palestiniano) e, ainda, os muros que a cidade do Rio de Janeiro (Brasil) está a contruir para isolar as populações de algumas favelas mais problemáticas das áreas mais ricas da cidade.

Fiquem com um conjunto de artigos da BBC Brasil sobre estes muros, que são complementados com vídeos com reportagens alusivas ao assunto.


Muro entre os EUA e o México

A fronteira entre o México e Estados Unidos tem 3,2 mil quilómetros. O governo americano construiu um muro de metal num terço de sua extensão. Estima-se que foram investidos mais de 2,4 milhões de dólares na barreira para dificultar a passagem de imigrantes ilegais vindos do México e América Central.

A construção do muro começou em 1991, mas foi em 1994 que os Estados Unidos decidiram intensificar a segurança sob a chamada “Operação Guardião”.

Em quinze anos, segundo a Comissão Nacional de Direitos Humanos do México, mais de 5,6 mil imigrantes ilegais morreram a tentar cruzar a fronteira. A maioria, em consequência das altas temperaturas do deserto.

Centenas de famílias ficaram separadas pelo muro que actualmente praticamente impede o contacto entre os dois lados.

Em alguns pontos da fronteira, além do muro há três cercas de arame que impedem qualquer tipo de contacto entre os dois lados. Com a altura média de 4 ou 5 metros, o muro tem sido equipado recentemente com uma série de dispositivos tecnológicos como detectores infravermelhos, câmaras, radares, torres de controlo e sensores de terra para controlo mais eficiente da fronteira.





Muro entre Israel e a Cisjordânia (Palestina)


Em 2002, o governo israelita iniciou a construção da barreira de separação entre Israel e a Cisjordânia, alegando como objectivo a proteção de seus cidadãos de ataques palestinos.

O que para Israel é uma “parede de segurança” é interpretado do lado palestino como um “muro de apartheid”.

A barreira divisória é ilegal segundo a legislação internacional.

Quando terminada, aproximadamente 85% da barreira estará sobre território palestino ocupado, que inclui Cisjordânia e Jerusalem oriental.

Somente 15% da estrutura segue a chamada “linha verde”, a demarcação estabelecida no armistício de 1949 entre Israel e Cisjordânia, hoje reconhecida internacionalmente como fronteira entre ambos os territórios.

Segundo dados das Nações Unidas de Julho de 2009, 58,3% da barreira estão terminados.






Muros na cidade do Rio de Janeiro (áreas pobres/áreas ricas)

O governo do estado do Rio de Janeiro está construindo desde o começo do ano vários muros ao redor de algumas das favelas e bairros pobres que crescem nos morros da cidade.

No total, 13 favelas ficariam rodeadas pelos muros.

Segundo as autoridades, o objectivo é evitar que as construções precárias dessas comunidades destruam a vegetação da Mata Atlântica que resta ao redor das favelas.

No morro de Santa Marta já foram construídos mais de mais de 600 metros de muro, enquanto que na Rocinha o governo concordou em limitar a parede às zonas com risco de deslizamento. O restante será transformado em sítios ecológicos e reservas naturais.

Para alguns críticos, os muros do Rio de Janeiro teriam o objectivo de separar as partes mais pobres da sociedade das mais ricas no que contaria como um "apartheid" social.





Fonte: BBC Brasil

Para visionarem a grande reportagem da RTP "Os Muros da Fé" sobre os muros de Belfast e de Nicósia cliquem aqui.

terça-feira, 24 de março de 2009

Pedidos de asilo às nações industrializadas aumentaram mais de dez por cento em 2008


Os pedidos de asilo às nações industrializadas aumentaram mais de dez por cento em 2008, revela um relatório divulgado hoje pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).Cerca de 383 mil pessoas pediram asilo na Europa, América do Norte e a outras nações industrializadas, no ano passado, o que representa mais 12 por cento do que em 2007, muito porque os conflitos aumentaram 31 por cento em todo o mundo, informa a agência da ONU chefiada pelo ex-primeiro-ministro português António Guterres. "O aumento pode ser parcialmente atribuído ao elevado número de pedidos de asilo feitos por cidadãos do Afeganistão [aumento de 85 por cento], Somália [aumento de 77 por cento] e de outros países que vivem períodos conturbados ou conflitos", diz a agência em comunicado. A maioria dos pedidos continua, porém, a vir de cidadãos iraquianos (40.500). Outros grandes aumentos verificaram-se no Zimbabwe (mais 82 por cento de pedidos de asilo), Nigéria (mais 71 por cento), Sri Lanka (mais 24 por cento). Os Estados Unidos são o principal destino procurado por estes refugiados, tendo recebido cerca de 49 mil novos pedidos de asilo no ano passado, diz o ACNUR. Não se sabe quantos aceitaram. A seguir aos Estados Unidos surgem Canadá, com 39 mil pedidos, França, com 35 mil, Itália, com 31 mil, e Reino Unido, com 30 mil. Destinos tradicionais, como a Suécia, têm recebido menos pedidos (diminuição de 67 por cento), talvez porque adoptaram políticas de asilo mais restritivas Também Portugal recebeu menos quase 20 por cento de pedidos em 2008 (161), segundo dados do Conselho Português para os Refugiados (CPR). O maior número de pedidos partiu de cidadãos do Sri Lanka, da Colômbia (26 pedidos cada) e da República Democrática do Congo (20).


O relatório completo do ACNUR está disponível em: http://www.unhcr.org/statistics/STATISTICS/49c796572.pdf


Fonte: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1370642

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Palestra: "Bem vindos à Nossa Terra", pelo Dr. Nuno Marques e Natasha Marjanovich

Natasha Marjanovic num curso de teatro para crianças


Tendo sido 2008 o Ano Europeu para o Diálogo Intercultural, o projecto "Bem Vindos à Nossa Terra" esteve hoje na nossa Escola , dia 9 de Janeiro, a pedido da professora Manuela Vieira, de Religião e Moral. O objectivo era cativar a atenção dos alunos para a temática das "Migrações e Interculturalidade", e julgo que o objectivo foi cumprido. Esteve presente a turma do 11ºJ.

Natasha Marjanovich e Nuno Marques fazem parte do Serviço Jesuíta aos Refugiados (SJR), e percorrem o país com a acção "Bem vindos à nossa terra". Tratou-se de uma pequena apresentação, realizada pelo Dr. Nuno Marques, sobre a população estrangeira que reside em Portugal e todos os dados inerentes ao tema foram abordados. A actriz Natasha Marjanovich, também ela uma imigrante da antiga Jugoslávia, teve um contributo muito interessante, retratando a vivência de uma imigrante que chega a Portugal e tem de passar por diversas etapas, não muito fáceis: arranjar casa, aprender a língua, arranjar emprego, processos burocráticos e enfrentar a solidão por estar num país estrangeiro, sem os seus familiares.



Gostaria que os alunos do 11ºJ partilhassem com todos nós o que acharam desta actividade. Gostaram? Até que ponto foi útil para a vossa formação?

Sites de interesse:
http://www.jrsportugal.pt/
http://www.acidi.gov.pt/modules.php?name=News&file=article&sid=1732


Excertos da peça "Ventos de Leste", interpretado por Natasha Marjanovic:

“...Eu saí no começo da guerra. Fui para casa de meus pais, em Belgrado. Sete anos depois, dá-se a intervenção da NATO. Chega!...Vou-me embora, (pensei)._mas...para onde é que eu vou?”
“...Ouvi falar de Lisboa, uma cidade romântica, bebem um bom vinho, comem muito marisco, não há guerra há tantos anos. Está decidido. Eu vou para Portugal!...”
“...Tínhamos acabado de chegar, trazendo connosco somente o essencial. A guerra é assim...expulsa as pessoas das suas casas e obriga-as a pôr dentro duma mala toda uma vida. Será que cabe?...”
“...Sou Natasha...”
“...Quando cheguei a Portugal, caí pela primeira vez em depressão. Não me apetecia fazer nada.
Eu sabia que cada começo é difícil. Mas quanto tempo demora este começo?...”
“Quando menos se espera, a campainha toca: _ ding, dong!
Era o porteiro do nosso prédio.
Trouxe um saco cheio de cerejas.
Duma forma tão simples, tão querida o Sr. Joaquim disse:
- Bem-vindos a Portugal!”

Natasha Marjanovic
Nasce em Jajce, Bosnia Herzegovina, em 1970. Forma-se na Escola Superior de Teatro de Belgrado. Cria uma Companhia de Teatro para crianças em Sava Centar, Belgrado. Escreve, encena e apresenta um reportório que, desde 2001 leva à cena em Escolas e Salas de Teatro em Portugal. Desde 2002 desenvolve junto de escolas, jardins-de-infância e associações sem fins lucrativos, aulas de teatro para crianças, onde trabalha regularmente.