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segunda-feira, 12 de abril de 2010

As duas tragédias de Katyn - 1940 e 2010


Presidente da Polónia Lesh Kaczynski falecido no passado dia 10 de Abril num acidente de aviação

Uma das notícias que mais me impressionou neste fim-de-semana foi o acidente aéreo que ocorreu no Sábado, 10 de Abril, na Rússia, nas proximidades do aereoporto de Smolensk, em que morreu o Presidente da Polónia Lesh Kaczynski e mais 96 pessoas, onde se destavam 88 elementos da comitiva presidencial, entre os quais alguns dos maiores líderes militares e civis polacos como o comandante do Exército, general Franciszek Gagor, o presidente do Banco Nacional, Slawomir Skrzypek, e o vice-ministro das Relações Exteriores, o capelão do exército, o chefe do Gabinete Nacional de Segurança, o vice-presidente do Parlamento, o comissário para os direitos civis e pelo menos dois assessores presidenciais e três deputados, de acordo com informações fornecidas pelo Ministério polaco das Relações Exteriores. Morreu ainda a esposa do Presidente Maria Kaczynski.

Esta tragédia da nação polaca levanta algumas questões:

- como é que é possível que uma grande parte da elite política e militar polaca pudesse viajar num só avião, deixando o país numa situação tão complicada sem uma grande parte dos seus dirigentes?


- como reagirá o povo polaco a esta tragédia que deixa o país numa situação de governação muito complicada?


- esta tragédia terá consequências nas relações diplomáticas entre a Polónia e a Rússia, que já são por natureza muito difíceis?


É que Kaczynski e a sua comitiva dirigiam-se à localidade russa de Katyn, localidade próxima de Smolensk (onde ocorreu o acidente aéreo do passado Sábado), para prestar homenagem aos 21 mil elementos da elite polaca (médicos, professores, deputados, oficiais militares, intelectuais, oficiais de polícia e outros elementos da administração pública) executados em 1940 pelos serviços secretos soviéticos, que ficou conhecido pelo massacre de Katyn e que tem constituído um dos factores que explicam as más relações entre a Polónia e a Rússia.

Em Setembro de 1939, no início da II Guerra Mundial, Estaline tinha um acordo secreto com a Alemanha que previa a divisão da Polónia entre os dois países. Depois de invadir o país, o Exército Vermelho fez cerca de 230 mil prisioneiros polacos.

Em Outubro, a polícia secreta NKVD, precursora do KGB, interroga os prisioneiros activos politicamente: generais, professores universitários, engenheiros, diplomatas, funcionários públicos, políticos, escritores; membros da elite da Polónia que tinham participado na campanha contra o Exército Vermelho em 1920.

A conclusão dos interrogatórios foi que os prisioneiros "tentam continuar as suas acções contra-revolucionárias e anti-soviéticas", dizia uma resolução secreta do comité central do partido comunista russo de Março de 1940, citado agora pela BBC on-line. "Todos esperam a sua libertação para participar activamente numa luta contra o Governo soviético".

Baseado nesta conclusão, Estaline deu a ordem: os prisioneiros seriam assassinados. Num dia, foram mortos quatro mil polacos e, ao longo de várias semanas, morreram mais de 20 mil às mãos da polícia soviética.


Recordo, ainda, que a Polónia esteve sujeita durante cerca de 40 anos, no período da Guerra Fria, ao domínio político e militar da ex-URSS, que deixou grandes ressentimentos da parte dos polacos relativamente aos russos.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Novo START: EUA e Rússia assinam em Abril acordo de redução de armas nucleares


Eis uma boa notícia para este Mundo Global: depois de um período de alguma tensão entre estes dois países, que pareceria conduzir o Mundo a uma nova Guerra Fria, o Presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, e o Presidente da Federação russa, Dmitri Medvedev, assinam em Praga, no próximo dia 8 de Abril, um novo tratado de redução de armas nucleares que sucede ao velho Tratado Sort assinado em Moscovo no ano 2002. Vejam a notícia do site da RTP:



Medvedev e Obama acordaram numa conversa telefónica esta sexta-feira encontrar-se na capital da República Checa, Praga, para assinar a versão final do Tratado de limitação de forças nucleares.
O Tratado, que sucede ao Start assinado em 1991 e ao de Moscovo assinado em 2002, está essencialmente direccionado para a redução e limitação e limitar as armas estratégicas ofensivas de acordo com nota emitida pelos serviços da Presidência norte-americana.

"O acordo histórico faz progredir a segurança dos dois países e reafirma a a proeminência americana e russa ao serviço da segurança nuclear e da não proliferação mundial", acrescenta-se no mesmo comunicado.
O novo Tratado a assinar no próximo dia 8 de Abril "limitará notavelmente as forças nucleares americanas e russas em relação aos níveis estabelecidos pelo Tratado START assinado em 1991 e pelo Tratado de Moscovo assinado em 2002" afirma a Casa Branca.

O número de ogivas nucleares permitidas pelo novo tratado a cada uma das potências nucleares é de 1.550 ou seja "menos 30% que o limite máximo do Tratado de Moscovo" precisa a presidência norte-americana através do comunicado emitido pelos seus serviços.

O Presidente da Federação da Rússia, Dmitri Medvedev, está satisfeito com o resultado obtido nas negociações sempre duras com os Estados Unidos, já que, "reflectem o equilíbrio de interesses" dos dois países.

A porta-voz da presidência russa, Natalia Timakova, citada pelas agências locais, anunciou que os "dois presidentes felicitaram-se mutuamente pela cooperação" revelada durante as negociações.

Uma vitória diplomática para Barack Obama
A conclusão deste novo Tratado está a ser considerado por analistas norte-americanos como uma vitória diplomática de envergadura pessoal de Barack Obama.

O Tratado a assinar em Praga no próximo dia 8 de Abril "é um conquista de nível histórico que vai aumentar a segurança dos Estados Unidos e dos nossos aliados" vaticinava o Centro Americano de Progresso (CAP).

O texto do acordo reduz a ameaça de uma guerra nuclear, faz avançar a visão do Presidente Obama de um mundo desnuclearizado, e é um resultado tangível" de Barack Obama melhorar as relações com a Rússia, acrescenta o centro.

Jeffrey Lewis é um especialista em armas nucleares da Fundação Nova América. Ao tomar conhecimento do acordo e dos seus termos realça o facto de o acordo "demonstrar que somos sempre capazes de trabalhar tendo em vista o desarmamento". Lewis chama a atenção e relembra que os Estados Unidos não negociavam um Tratado com tal complexidade há uma dezena de anos.

Os Estados Unidos da América e a Federação da Rússia em conjunto têm nos seus arsenais mais de 95% de todas as armas nucleares existentes no mundo.

Os EUA afirmam possuir actualmente 2.200 ogivas cabeças nucleares. Estima-se que por seu lado a Federação Russa possua cerca de 3000, um número que Jeffrey Lewis considera ser exagerado pois na sua opinião as duas potências nucleares aproximar-se-ão em termos de poderia nuclear.

Lewis considera que a principal vitória dos americanos e do seu presidente é de "ter convencido os Russos a manter activas centenas de medidas de verificação que deixaram de funcionar em Dezembro". As medidas estavam incluídas no acordo START de 1991 e que expirou em Dezembro do ano passado.

Estados Unidos reforçados na sua posição face ao Irão e à Coreia do Norte
Miles Pomper é um outro especialista em questões nucleares liagdo ao Centro James Martin para os estudos da não-proliferação. Para ele a conclusão do acordo de limitação de armas nucleares agora conseguido pelas duas nações vai reforçar a posição dos Estados Unidos na próxima cimeira sobre segurança nuclear a realizar em Abril em Washington e na Conferência de Revisão do Tratado de Não-Proliferação que as Nações Unidas acolhem no mês de Maio.

O exemplo positivo dado pelas duas potências nucleares dará um impulso positivo em particular face ao Irão e à Coreia do Norte para quem na opinião deste especialista será mais difícil resistir às exigências de controle mais estreito dos seus próprios programas nucleares.

Por último mas não menos importante na cena internacional, o especialista do Centro James Martin pensa que a assinatura do acordo em Praga poderá reforçar a determinação da Rússia em aprovar sanções contra o Irão na Assembleia-Geral das Nações Unidas.

Ban Ki-Moon saúda anúncio de assinatura de Tratado

O Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-Moon já saudou o novo Tratado START cuja assinatura foi anunciada para o próximo dia 8 de Abril em Praga, como "uma importante etapa" rumo a mundo desembaraçado de armas nucleares.

Em comunicado o homem forte da ONU insta todos os países detentores de arsenais atómicos a seguirem o exemplo destes dois países.

"Felicito-me pela conclusão das negociações entre a Federação da Rússia e os Estados Unidos (...) é uma etapa importante nos esforços internacionais para promover o desarmamento nuclear e conseguir um mundo desembaraçado de armas nucleares". Afirma o líder da ONU.

Ki-Moon "felicita" o presidente russo Dmitri Medvedev e norte-americano, Barack Obama, pela sua assunção de responsabilidades" e espera que o novo acordo agora anunciado "dê um importante impulso à conferência sobre um Tratado de Não-Proliferação nuclear" que se realizará em Nova Iorque, em Maio.

O Secretário-Geral das Nações Unidas espera "que o Tratado possa ser ratificado sem atrasos para que possa entrar em vigor imediatamente", e afirma esperar "que a Federação Russa e os Estados Unidos prossigam os seus esforços na busca de outras medidas que visem reduzir e eliminar todas as armas nucleares" acrescentando encorajar "os outros países que possuem armas nucleares a fazer a mesma coisa".



Principais pontos do novo Tratado de Praga

Redução de 74% do número de Ogivas Nucleares detidas por cada um dos países a 1.550 cada o que corresponde a uma diminuição de 30% do número de ogivas por comparação com o Tratado de redução de Arsenais nucleares estratégicos (SORT) assinado em Moscovo em 2002.

Limitação em 800 o número de Vectores (mísseis intercontinentais, a bordo de submarinos e de bombardeiros) usados ou não por cada um dos países;

Limitação e 700 o número de Vectores utilizados;

Escudos Antimísseis: Segundo Washington o texto não impõe nenhuma restrição aos ensaios, desenvolvimento e utilização de sistemas de defesa anti-míssil dos Estados Unidos estejam a decorrer ou, apenas previstas. Tão pouco prevê o novo Tratado qualquer limitação em relação às armas convencionais de longo alcance.

Verificação: O novo Tratado retoma os elementos do START e adapta-os aos novos plafonds. Prevê verificações locais nas instalações nucleares, de trocas de informações assim como notificações recíprocas das armas ofensivas e dos silos nucleares.

Duração do Tratado: O documento terá a duração de 10 anos a contar da data da sua entrada em vigor e poderá vir a ser renovado por um período máximo de cinco anos. Uma cláusula prevê que cada parte possa retirar-se do Tratado.

Entrada em Vigor: O Tratado entra em vigor após a ratificação pelos Parlamentos dos dois países. A entrada em vigor do novo Tratado revoga automaticamente o Tratado SORT assinado em Moscovo em 2002.

Fonte: http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=EUA-e-Russia-assinam-em-Abril-acordo-de-reducao-de-armas-nucleares.rtp&article=331239&visual=3&layout=10&tm=7 (26 de Março)

Duplo ataque suicida no metro de Moscovo causa 36 mortos


Vista aérea da estação de metro de Park Kultury, em Moscovo - uma das atingidas pelo duplo atentado terrorista de 29 de Março. @EPA


Duas bombistas suicidas fizeram-se explodir esta manhã, em plena hora de ponta, no metropolitano de Moscovo, causando a morte a pelo menos outras 36 pessoas e deixando mais de 70 feridas, no mais grave ataque terrorista na Rússia em seis anos.O atentado não foi ainda reivindicado por qualquer grupo, mas as autoridades apontam como suspeitos mais prováveis os rebeldes oriundos do norte do Cáucaso, onde a Rússia continua a combater uma cada vez mais forte rebelião islamista. Vejam a notícia do Público on line publicada hoje.



O Presidente russo, Dmitri Medvedev, asseverou já que a luta contra o terrorismo vai prosseguir “até ao fim”, dando ordem pronta para reforçar a segurança em todos os sistemas de transporte do país. “A política de repressão do terror e a luta contra o terrorismo vão continuar. Vamos manter as operações contra os terroristas sem cedências, sem hesitações, até ao fim”, afirmou à saída de uma reunião de emergência, de acordo com a agência noticiosa RIA Novosti.

O atentado ocorreu na hora de ponta da capital russa, com a primeira explosão a dar-se às 7h52 (hora local, mais três horas em Portugal) quando o comboio subterrâneo se encontrava parado na estação de Lubianka, uma das de maior afluência, bem perto do quartel-general dos Serviços Federais de Segurança (FSB, agência sucessora do KGB).

Cerca de 40 minutos mais tarde, pelas 8h36 locais, dava-se a segunda explosão, numa outra composição parada, mas na estação do Parque de Kulturi, a seis paragens de distância de Lubianka .

“Foram duas bombistas suicidas que levaram a cabo estes ataques”, garantiu o presidente da câmara de Moscovo, Iuri Luzhkov. A mesma tese foi reiterada em comunicado emitido pelos FSB.

Medvedev mantém-se em linha de contacto de urgência com o chefe dos FSB, Alexandre Bortnikov, assim como com o ministro das Situações de Emergência, Serguei Choiguou. O primeiro-ministro, Vladimir Putin, que se encontra numa visita oficial à Sibéria, está igualmente a ser mantido ao correr dos desenvolvimentos, informavam as agências noticiosas russas.

O atentado não foi ainda reivindicado por qualquer grupo, mas as autoridades apontam como suspeitos mais prováveis os rebeldes oriundos do norte do Cáucaso, onde a Rússia continua a combater uma cada vez mais forte rebelião islamista. A procuradoria-geral abriu desde já um inquérito com o estatuto de investigação de terrorismo, logo após os peritos forenses terem encontrado o cadáver de um das bombistas suicidas.

No topo da lista de suspeitos está mais que seguramente o líder rebelde Doku Umarov – cuja rebelião quer impor um emirado islâmico na região do Norte do Cáucaso. Umarov ameaçou levar o combate dos insurgentes até às cidades russas, numa entrevista divulgada a 14 de Fevereiro passado ao website islamista www.kavkazcenter.com. “O derramamento de sangue não se limitará mais às nossas cidades e vilas [no Cáucaso]. A guerra vai até às cidades deles”, disse então.

Os líderes russos declararam com pompa e circunstância há cerca de ano e meio a vitória na batalha contra a rebelião separatista tchetchena – retirando do território a maior parte do seu contingente militar.

Mas, apesar de a violência ter diminuído significativamente naquela república da Federação Russa, os ataques dos rebeldes intensificaram-se desde então nas regiões vizinhas do Daguestão e Inguchétia, onde uma série de clãs rivais mantém uma arreigada luta pelo controlo e poder com grupos criminosos e militantes islamistas.

Passageiros em debandada de pânico

As câmaras de segurança – e cujas filmagens estão disponíveis na internet – mostram os cadáveres das vítimas na estação de Lubianka, assim como o azáfama das equipas de socorro em volta dos feridos, muitos com gravidade. As autoridades calculam que tenham morrido aqui 24 pessoas, e mais outras 12 em Kulturi.

“Estava a subir para as escadas rolantes quando ouvi a explosão, enorme. Uma porta junto à passagem ficou destruída, foi arrancada da parede e uma nuvem de pó varreu o ar”, descreveu um dos passageiros ao canal de televisão local Rossia 24. “As pessoas desataram a correr em todas as direcções, em pânico, caindo umas sobre as outras”, prosseguiu.

Todas as passagens de acesso àquela linha metropolitana foram bloqueadas pela polícia, mas as restantes linhas do enorme sistema de comboios subterrâneos da capital – por onde circulam uns 8,5 milhões de passageiros por dia – continuam a funcionar. As autoridades da aviação deram, por seu lado, ordem para um aumento dos protocolos de segurança nos aeroportos, temendo novos ataques.

O balanço actual de vítimas é o mais grave num atentado em Moscovo desde 6 de Fevereiro de 2004, quando um bombista suicida tomou por alvo também a rede de metropolitano da capital russa, fazendo-se explodir numa composição em circulação entre as estações de Avtozavodskaia e de Paveletskaia: causou a morte de 41 pessoas e deixou mais de 250 feridas. As autoridades atribuíram então a responsabilidade a rebeldes tchetchenos.

Fonte: http://www.publico.pt/Mundo/duplo-ataque-suicida-em-moscovo-causa-36-mortos_1429921

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Defesa antimíssil: Estados Unidos estão prontos para deixar cair polémico escudo na Europa

Imagem de um ensaio de um sistema antimíssil na California, em 2002


Os Estados Unidos irão abandonar os planos de expandir o escudo de defesa antimíssil (MDI) para a Europa Central, enfiando de novo na gaveta os planos da anterior Administração, de George W. Bush, que enfureceu a Rússia ao ponto de emergirem do Kremlin ameaças de apontar mísseis à Europa.

O recuo da Casa Branca nesta matéria – e que foi revelado hoje na edição online do diário norte-americano “Wall Street Journal” – é o passo recomendado pela equipa nomeada pelo Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para averiguar da necessidade e eficiência técnica daquele projecto. Os peritos, cuja análise deverá ser entregue a Obama já na próxima semana, concluíram que “o programa de mísseis de longo alcance do Irão não progrediu tão rapidamente como fora anteriormente previsto” – explicava o jornal – esvaziando desta forma as justificações apresentadas pelos Estados Unidos para colocar um radar de detecção na República Checa e dez mísseis interceptores na Polónia.

A muito usada “ameaça” iraniana – a que Bush lançou mão para fazer avançar a aceitação dos planos de expansão do MDI junto dos aliados da NATO e também dos países membros da União Europeia – deixa, assim, de ser relevante tanto para os Estados Unidos como para as mais importantes capitais europeias, sublinhará o relatório, de acordo com responsáveis desta e da anterior Administração ouvidos pelo "WSJ".

O Pentágono escusou-se para já a qualquer confirmação oficial; não foi igualmente negada nem a iminência da divulgação do relatório, tão pouco as conclusões e recomendações que o jornal norte-americano sustenta estarem nele contidas. É esperada hoje à tarde uma conferência de imprensa do secretário norte-americano da Defesa, Robert Gates – homem que passou da Casa Branca de Bush para a de Obama –, e do chefe de Estado-maior adjunto, James Cartwright, mas não é conhecido ainda o assunto que será ali abordado.

De Moscovo as primeiras reacções foram de cautela – à espera de “confirmações” – mas já sinalizando o grande regozijo com que o Kremlin acolhe a possibilidade de os Estados Unidos recuarem na expansão do MDI para junto das suas fronteiras. A Rússia vem insistindo, desde o primeiro momento, que considera a colocação de partes do escudo de defesa antimíssil norte-americano na Europa Central uma “ameaça concreta” à sua segurança nacional. Em resposta, foi ameaçado apontar mísseis à Europa e até mobilizar uma das mais avançadas esquadras de mísseis russos de curto alcance Iskander para Kaliningrado, o enclave russo fronteiriço à Polónia e Lituânia.

Fonte: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1401074

Aparentemente são boas notícias para a paz e para a estabilidade do continente europeu e do Mundo. Depois de um período em que parecia que estavamos novamente na Guerra Fria, com o aumento da tensão entre os EUA e a Rússia, agora com Barack Obama há melhores condições para um maior diálogo entre os dois países que, como todos sabem, são duas grandes potências nucleares. Uff!...

sexta-feira, 6 de março de 2009

Chegou "a hora do realismo" com a Rússia


NATO retoma as relações de alto nível com os russos, num quadro de cooperação dominado pelo Afeganistão e pelo Irão


"Soou a hora do realismo": depois de seis meses de suspensão por causa da guerra da Geórgia, em Agosto, as relações de alto nível entre a NATO e a Rússia vão ser reatadas, num quadro de reforço da cooperação sobre segurança em zonas problemáticas do globo, como o Afeganistão ou o Irão. A afirmação foi feita por Hillary Clinton, secretária de Estado norte-americana, que ontem participou em Bruxelas na sua primeira reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos 26 países-membros da NATO. Principal objectivo da reunião, o retomar das relações formais com Moscovo, no âmbito do Conselho NATO-Rússia, criado em 2002, como um novo quadro de cooperação entre os inimigos da guerra fria sobre um vasto leque de questões, da luta contra o terrorismo à não proliferação nuclear. Embora os países de Leste não se tenham mostrado particularmente entusiasmados com esta aproximação a Moscovo, pretendida pelo Presidente americano, Barack Obama, apenas a Lituânia chegou ao ponto de bloquear o reatamento das relações, acabando, no entanto, por se associar à posição comum." Apesar de alguns encararem o Conselho NATO-Rússia como uma recompensa ou uma concessão à Rússia, deveria ser antes considerado como um mecanismo de diálogo sobre os temas de desacordo e uma plataforma de cooperação que é do nosso interesse", justificou Clinton. A afirmação deixa claro que os desentendimentos entre os dois blocos se mantêm, a começar pelo reforço da presença militar russa nas repúblicas secessionistas da Geórgia, a Abkházia e a Ossétia do Sul." Não nos podemos esquecer que temos uma série de áreas em que temos diferenças fundamentais de opinião e em que pensamos que a Rússia deveria mudar de posição", afirmou Jaap de Hoop Scheffer, secretário-geral da NATO. Já Clinton procurou sobretudo sublinhar que "é tempo de avançar". "Não devemos ficar parados com a ilusão de que as coisas vão mudar por si só", prosseguiu. E insistiu: "Soou a hora do realismo, mas também a da esperança."

Não falar "não é uma opção"

De acordo com Scheffer, a primeira reunião ministerial do Conselho NATO-Rússia terá lugar "o mais depressa possível" depois da cimeira comemorativa dos 60 anos da Aliança que ocorrerá a 3 e 4 de Abril, em Estrasburgo e Kehl (França e Alemanha). "A Rússia é um actor global e não falar com ela não é uma opção", frisou. Embora tenha assumido a mesma linha, David Miliband, chefe da diplomacia britânica, sublinhou que as relações entre aliados e russos "nunca mais serão como antes" por causa da guerra da Geórgia. A intervenção de Moscovo em favor das duas repúblicas secessionistas "gerou muitos receios sobre a atitude da Rússia relativamente aos seus vizinhos", sustentou. Os Aliados contam insistir com Moscovo para "respeitar plenamente os seus compromissos face à Geórgia", garantiu, por seu lado, o secretário-geral da Aliança.Apesar das críticas, Miliband defendeu: "É importante restabelecer o Conselho NATO-Rússia, porque nos permite falar directamente com os russos sobre as nossas preocupações [e] tratar juntos de problemas comuns. "Muitas dessas questões serão, aliás, hoje abordadas pela chefe da diplomacia americana no seu primeiro encontro oficial com o seu homólogo russo, Serguei Lavrov, em Genebra. E que incluirá, segundo a responsável, a questão das negociações entre a Rússia e o Irão sobre a venda de mísseis de longo alcance", o que, do seu ponto de vista, "constitui uma ameaça para a Rússia, para a Europa e para os vizinhos na região". Outro assunto de contencioso é a promessa de adesão da Geórgia e Ucrânia à NATO, que Moscovo encara como uma intervenção da Aliança Atlântica na sua esfera de influência. Embora não tenha assumido qualquer calendário ou procedimento formal, Clinton defendeu que a NATO deverá "manter as portas abertas a países europeus como a Geórgia e a Ucrânia". (Público, 07.03.09)


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Colisão no espaço: satélites norte-americano e russo em primeiro acidente do género

Ilustração sobre os detritos que orbitam o planeta


Um satélite de comunicações norte-americano e um satélite “morto” russo colidiram no espaço – o primeiro acidente do género –, a quase 800 quilómetros de distância da Terra, algures sobre a Sibéria, revelou hoje a NASA. O acidente, que ocorreu na terça-feira, não inspira receios de ameaça à Estação Espacial Internacional (ISS). Os dois engenhos, o norte-americano propriedade da empresa privada Iridium Satellite LLC e o russo, também de comunicações, já fora de operacionalidade há mais de dez anos, embateram a uma velocidade de 670 quilómetros por minuto. O Pentágono e a NASA crêem que serão necessárias “várias semanas” para determinar a total magnitude da colisão e dos seus efeitos.“Cremos que esta foi a primeira vez que dois satélites colidiram em órbita”, sublinhou em conferência de imprensa o coronel Les Kodlick, porta-voz do Comando Estratégico dos Estados Unidos. A mesma fonte notou que a nuvem de detritos resultante do choque pode criar problemas potenciais para as operações no espaço, mas que não ameaça a integridade da ISS.


Fonte: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1364895

Para saberem um pouco mais sobre lixo espacial cliquem aqui.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Corte do gás russo `a Ucrânia estende-se à Bulgária e ameaça outros países


O fluxo do gás russo para a Bulgária foi reduzido hoje reduzido, num novo sinal de que a decisão da Rússia de isolar a sua vizinha Ucrânia por divergências sobre preços do produto afectaria o fornecimento a alguns dos países membros da União Europeia.

A operadora do serviço de gás na Bulgária, a Bulgargaz, uniu-se a empresas do sector na Polónia, Roménia e Hungria na comunicação de falhas no fornecimento, embora o principal gasoduto que atravessa a República Tcheca em direcção à Alemanha - a principal economia da Europa - esteja a operar normalmente.
A Rússia acusou a Ucrânia de furtar gás que se destina a outros países da Europa, mas na capital ucraniana, Kiev, a estatal de energia Naftogaz reagiu dizendo que a empresa russa que detém o monopólio da exportação de gás, a Gazprom, reduziu por conta própria o fornecimento para a Europa e está a utilizar «chantagem energética». A Gazprom suspendeu o fornecimento à Ucrânia no dia 1, afirmando que o país não pagou as suas contas de gás e que as negociações sobre os preços do produto em 2009 tinham fracassado.
Três anos depois de uma disputa semelhante ter provocado a interrupção do fornecimento, o receio dos europeus de que o fluxo de gás seja cortado no pior momento do Inverno tornou-se novamente realidade.
A União Europeia, que obtém um quinto do seu gás através de gasodutos que atravessam a Ucrânia, disse que convocará uma reunião de emergência em Bruxelas para abordar a crise na segunda-feira e exigiu que seja mantido o transporte do gás e que os contratos de fornecimento sejam honrados.
«As relações energéticas entre a UE e seus vizinhos devem ser baseadas na confiança e previsibilidade», disse sexta-feira em comunicado a presidência dos 27, actualmente a cargo da República Checa.
As interrupções no fornecimento provavelmente vão prejudicar as tentativas dos russos de se apresentarem como fornecedores estáveis de energia e aumentar a preocupação com a possibilidade de que Moscovo esteja a tentar intimidar os seus vizinhos, apenas cinco meses depois da guerra da Rússia com a Geórgia.
O presidente ucraniano, Viktor Yushchenko, irritou o Kremlin ao tentar aderir à aliança militar ocidental, a NATO.

A Europa, que vive temperaturas extreammente baixas durante a noite, tem gás suficiente em stock para enfrentar a situação sem precisar de depender do fornecimento russo por vários dias, mas pode passar por dificuldades se os problemas durarem semanas, dizem analistas. O CEO da Bulgargaz, Dimitar Gogov, disse que os nível dos fornecimentos não baixou até um ponto crítico, mas novas reduções poderão forçar a empresa a introduzir limitações ao consumo.
A Naftogaz, da Ucrânia, afirmou em um comunicado que a Rússia é responsável pela queda no suprimento para a Europa e pediu a Moscovo que retome imediatamente as conversações. (Diário Digital, 03.01.09)

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Presidente russo ameaça instalar mísseis próximo da Polónia


As questões geo-estratégicas relacionadas com a política de Defesa estiveram no centro de um longo discurso do Presidente russo Dmitri Medvedev, que, apenas algumas horas após a victória de Barack Obama nas Presidenciais, lançou fortes ataques ao actual posicionamento dos Estados Unidos no Mundo. Medvedev aproveitou a ocasião para responder ao anunciado sistema anti-míssil dos EUA na Europa com um projecto visando a intalação de mísseis russos na região de Kalininegrado.

Na mensagem do seu primeiro discurso do estado da nação, Medvedev anunciou um projecto de Moscovo visando a instalação de um sistema de mísseis Iskander próximo da Polónia.

"A Rússia não se deixará envolver na corrida ao armamento, mas a segurança dos seus cidadãos será bem garantida. Caso seja necessário para neutralizar o sistema de defesa anti-míssil, iremos instalar na região de Kalininegrado o sistema de mísseis Iskander", sublinhou Dmitri Medvedev no Kremlin, perante um milhar de pessoas que receberam a mensagem com um forte aplauso.

De acordo com os primeiros dados avançados esta manhã pelo Presidente Medvedev, os Iskander, mísseis de médio alcance, deverão ser instalados na região russa de Kalininegrado, situada entre a Polónia e a ex-república soviética da Lituânia, no Mar Báltico. Trata-se da resposta russa aos planos americanos para instalarem um escudo anti-míssil na Polónia e República Checa, países membros da NATO que outrora foram satélites soviéticos.

Dmitri Medvedev falou de uma Rússia ameaçada pelo crescimento do poderio militar do Ocidente para afirmar que, "nos últimos anos, a criação de um sistema de defesa anti-míssil e o contínuo alargamento da NATO dão a impressão de que estão a testar a nossa força". (RTP on line)

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Rússia testou com êxito míssil intercontinental


Projéctil será capaz de penetrar sistema de defesa antimíssil


A Marinha russa anunciou hoje ter testado, com sucesso, um míssil intercontinental de ogivas múltiplas que, segundo Moscovo, terá capacidade para penetrar o sistema de defesa antimíssil que os EUA pretendem instalar na Europa de Leste.“O sub-marino nuclear estratégico Dmitri Donskoi efectuou hoje com sucesso o disparo do moderno míssil balístico Bulava, a partir do mar Branco [no noroeste da Rússia] contra o polígono de Kura”, no extremo oriente do país, anunciou a armada russa, em comunicado.Segundo um responsável do Ministério da Defesa, citado pela agência Interfax, “o disparo e o voo do míssil decorreram com normalidade” e as ogivas atingiram os alvos previstos, ao início da tarde de hoje.Com um alcance de oito mil quilómetros, o Bulava pode ser equipado com até dez ogivas de trajectória independente, o que leva Moscovo a garantir que será “capaz de penetrar todos os sistemas antimísseis existentes e os futuros”, numa clara referência ao projecto americano.Na sua origem, o novo míssil é a versão naval do sofisticado míssil terra-terra Topol-M, destinando-se a equipar os novos submarinos da classe Borrei, substituto dos submarinos nucleares soviéticos, cujo primeiro exemplar entrou ao serviço no início de 2007. O primeiro ensaio de um protótipo do Bulava foi noticiado em 2005, mas no ano seguinte os três testes realizados saldaram-se em fracasso. A Rússia opõe-se ao desenvolvimento de um sistema antimíssil junto às suas fronteiras – o projecto americano prevê a instalação de um radar na República Checa e interceptores na Polónia –, apesar de Washington garantir que o objectivo é anular eventuais ataques que sejam lançados por “Estados párias”, como o Irão ou a Coreia do Norte.


quinta-feira, 8 de maio de 2008

O ex-presidente Putin tornou-se primeiro-ministro da Rússia

Mais uma vez, Putin!!!

O ex-presidente Vladimir Putin tornou-se hoje o novo primeiro-ministro da Rússia, após a aprovação da sua candidatura pela câmara baixa do Parlamento (a Duma), com uma maioria esmagadora. Dos parlamentares presente, 87,1 por cento votaram a favor da sua candidatura (392 votos), enquanto os 56 deputados comunistas votaram contra, de acordo com as imagens transmitidas pela televisão russa. Putin foi nomeado primeiro-ministro ontem pelo recém-empossado Presidente Dimitri Medvedev, que foi eleito com o apoio do próprio Putin quando ainda era Presidente. Após a aprovação da Duma, apenas falta o decreto presidencial (uma mera formalidade) de nomeação do primeiro-ministro, que Medvedev disse que o assinará ainda hoje.
A democracia Russa é mesmo original, não é?

terça-feira, 6 de maio de 2008

Back in the USSR? - The Beatles

Parada na Praça Vermelha marcada para sexta-feira

Rússia quer mostrar ao mundo o seu "potencial" militar, diz Putin



A Rússia não "ameaça ninguém" mas pretende "mostrar" sexta-feira o seu "crescente potencial" em matéria de Defesa durante uma grande parada militar na Praça Vermelha, declarou hoje o Presidente Vladimir Putin, em final de mandato. "Não pegaremos em armas. Não ameaçamos ninguém e não nos estamos a preparar para o fazer, não impomos nada a ninguém", disse Putin durante uma conferência de imprensa conjunta com o Governo, segundo imagens transmitidas pela televisão russa. "É uma demonstração do nosso potencial crescente em matéria de defesa (...) Estamos preparados para defender o nosso povo, o nosso Estado, as nossas riquezas (...)", acrescentou Putin no seu discurso diante dos ministros. Pela primeira vez desde 1990, tanques, lança-mísseis e outros equipamentos de artilharia pesada participarão na parada de comemoração anual do fim da Segunda Guerra Mundial, após a qual a União Soviética se blindou perante os potenciais "agressores imperialistas". Esta parada militar acontece numa altura em que na Abkhazia, território separatista da Geórgia, a Rússia tem vindo a aumentar o seu contingente de mil para três mil homens, com Moscovo a acusar Tbilisi de estar a preparar uma operação militar, o que suscita inquietações crescentes.




Será que é caso para se dizer "Back in the USSR"?