terça-feira, 27 de novembro de 2007

Distúrbios na periferia de Paris


Segunda noite de distúrbios na periferia de Paris
PHILIPPE DE POULPIQUET/epa


Distúrbios voltam aos subúrbios de Paris, dois anos depois. Pela segunda noite consecutiva registaram-se confrontos entre jovens e as forças de segurança, em Villiers-le-Bell, nos subúrbios de Paris, onde na véspera dois adolescentes morreram na sequência de um acidente envolvendo a sua moto e um carro policial. A Procuradoria francesa jé incumbiu a Inspecção-Geral da Polícia (IGPN) de realizar um inquérito por "homicídio involuntário e não assistência a pessoas em perigo". Os incidentes de ontem à noite ocorreram a cerca de 200 metros do local da colisão mortal e obrigaram a Polícia a usar balas de borracha e gás lacrimogénio para conter cerca de uma centana de jovens. Várias viaturas foram queimadas, incluindo um camião de recolha de lixo e um carro policial.Os acontecimentos das duas últimas noites trazem à memória a onda de violência de há dois anos, nos subúrbios da capital francesa. Na altura, centenas de pessoas ficaram feridas e mais de 10 mil veículos e 30 edifícios foram incendiados. A morte de dois jovens, no domingo à noite, esteve na origem dos distúrbios e logo nesse dia vários edifícios foram incendiados e polícias ficaram feridos. Durante seis horas de violência, grupos de jovens assaltaram ou incendiaram lojas, oficinas e postos policiais. No total, mais de 40 polícias e um bombeiro ficaram feridos durante os distúrbios e, pelo menos, 30 viaturas, duas garagens, dois postos policiais e várias lojas foram incendiadas. Os dois jovens, de 15 e 16 anos, que seguiam numa motorizada, morreram na sequência de uma colisão com um veículo da polícia, em circunstâncias ainda desconhecidas. Os polícias argumentam que o acidente foi motivado pela falta de cedência de prioridade pelos dois jovens num cruzamento, enquanto o veículo policial circulava "à velocidade regulamentar". Testemunhas afirmaram que os dois jovens, que acabariam por morrer, não usavam capacete de protecção. O irmão de uma das vítimas expressou, entretanto, a sua vontade de "que todos os polícias responsáveis (pelo acidente) sejam condenados". "Foi um acto de não assistência a pessoa em perigo", sublinhou, uma vez que, segundo ele, os polícias em causa "não permaneceram no local" após a colisão.
Comenta a notícia do JN, encontrando explicações para a conflitualidade social existente nos subúrbios de Paris.

4 comentários:

Soraia disse...

Como todos sabemos, Paris a bela cidade da luz, é uma cidade global, dotada de uma enorme diversidade cultural.
Por isso se diz, que em Paris, está representada uma fatia de todas as culturas, todas as religiões, todas as línguas, todas as crenças e modos de vestir e de pensar.

Esta situação de distúrbios na periferia de Paris, faz-nos lembrar a situação de há dois anos atrás, em que se gerou uma enorme onda de violência e contestação nos arredores de Paris. Mas desta vez, a situação é bastante diferente, pois estes distúrbios foram antecedidos, por um trágico acidente entre uma viatura da polícia e dois jovens de 15 e 16 anos, que seguiam numa mota, acabando por colidir e provocando a morte dos dois adolescentes.
O estranho da situação é que os dois polícias após o acidente (segundo o testemunho do irmão de uma das vítimas), não se mantiveram no local para ajudar os jovens, o que é uma atitude condenável, tendo em conta que além de serem cidadãos, são polícias e como tal devem dar o exemplo.

Nestes distúrbios, foram incendiados 63 veículos da polícia, 5 edifícios (entre os quais a biblioteca Bellevue), 2 escolas, a repartição de finanças e um supermercado.

Esta situação é de facto preocupante, pois tendo em conta o prestígio da França na comunidade internacional, este tipo de situações, levam-nos a reflectir sobre as razões que levam os jovens a agir de forma violenta.
Considero que tudo isto se deve à forma descrente como estes jovens vêm o seu futuro, sem perspectivas de uma boa educação, sem qualquer garantia de conseguirem um trabalho, estabilidade financeira ou constituir uma família.

Penso que o governo francês tem tomado algumas medidas em relação ao emprego que instalaram o medo e a dúvida na mente de muitos estudantes, pois as últimas leis relativas ao emprego, são muito prejudiciais para jovens em início de carreira.

Acho que a França, tem um problema em mãos, pois a diversidade cultural é de tal maneira avassaladora que se torna quase impossível tomar qualquer medida que seja sem haver uma reacção de contestação. Vejamos o exemplo das escolas públicas francesas em que não se pode exibir qualquer tipo de símbolo ou imagem relativo ou representativo da religião de cada um (sendo por isso proibido o uso de crucifixos, turbantes etc.), para que não haja conflitos devido às diferenças religiosas.

Espero que a França, consiga não digo resolver (pois é bastante difícil) mas pelo menos controlar este problema, tomando medidas que proporcionem aos jovens esperança num futuro melhor e que de facto esta situação do acidente que matou os dois jovens seja resolvida e que se faça justiça, que é algo que infelizmente cada vez acontece menos.

rutesantoscruz disse...

Distúrbios na periferia de Paris

Ao ler o titulo desta noticia, vem-nos imediatamente à ideia, aquilo que se passou há dois anos em Paris. Noticia esta que durante uns meses invadiu as nossas casas sempre que chegava a hora do telejornal. Ficou então gravada na nossa mente, uma situação que ocorria em pleno centro da Europa por uma suposta vaga de descontentamento. Todos nós percebemos que algo se estava a passar de errado com estes jovens cidadãos dos subúrbios da imensa cidade de Paris. No principio não consegui perceber porque se revoltavam tão expressivamente e de maneira tão violenta como a que utilizaram. Primeiro pensei, serão as más condições de vida que estão a viver?, será que se trata de algum descontentamento social relativo ao seu estatuto? Com o decorrer da situação percebi que afinal se tratava de uma mistura destes aspectos com mais algumas razões à mistura, para completar o role que deu origem a tão violentas manifestações, que chegaram mesmo a provocar alguns mortos e feridos.

O que se passou e que pelos vistos ainda se continua a verificar é que estes jovens dos subúrbios de Paris sentem-se diferentes dos outros jovens parisienses. Trata-se de jovens, por sua vez nascidos em Paris, mas que no entanto descendem de famílias de imigrantes que se instalaram há algumas gerações na capital francesa. As gerações que chegaram pela primeira vez à capital francesa até poderiam aceitar a sua diferença social, relativamente aos outros parisienses, pois estavam a passar uma situação difícil e tentavam viver com o facto de que eram imigrantes, e apenas queriam encontrar melhores condições de vida, mesmo que por vezes tivessem de ultrapassar alguns constrangimentos sociais, só pelo simples facto de serem imigrantes. O que de alguma forma não se consegue compreender, pois estes são seres humanos, embora de outra raça e diferente nacionalidade, que escolheram outro pais para tentarem viver com mais dignidade. O que por vezes não se verificava. No entanto, como já referi, as gerações passadas habituaram-se a esse aspecto e ultrapassaram a situação. O problema coloca-se quando os descendentes dessas gerações, já nascidos em Paris, crescem e não compreendem porque são tratados de maneira diferente. Não compreendem porque é que têm menos e diferentes oportunidades quando comparados com os outros jovens franceses. Ai está o problema, estes jovens já não se sentem imigrantes, sentem-se perfeitamente integrados no país onde nasceram e não aceitam ser tratados de maneira desigual.
Com isto surgem estas situações de manifestação violenta para mostrarem o seu descontentamento relativamente ao que estão a viver e a sentir. Acham que é a melhor forma de se fazerem ouvir e têm esperança que assim consigam encontrar uma solução para que passem a ser vistos como comuns cidadãos franceses.
Não é de todo uma forma muito agradável de se expressarem, pois têm provocado violentos conflitos com as autoridades públicas o que tem conduzido a alguns mortos, como retrata este ultimo acontecimento.

É verdade que a policia tem de tentar controlar este tipo de acontecimentos. No entanto, deveria também evitar este tipo de incidentes indesejados, pois afinal a ordem publica é um assunto muito importante e que merece todos os esforços, mas têm também que ter em consideração que estão a lidar com seres humanos, e que a vida destes é um bem muito mais precioso.

Que controlem a ordem publica, tudo bem, mas sendo justos.

rutesantoscruz disse...

Distúrbios na periferia de Paris

Ao ler o titulo desta noticia, vem-nos imediatamente à ideia, aquilo que se passou há dois anos em Paris. Noticia esta que durante uns meses invadiu as nossas casas sempre que chegava a hora do telejornal. Ficou então gravada na nossa mente, uma situação que ocorria em pleno centro da Europa por uma suposta vaga de descontentamento. Todos nós percebemos que algo se estava a passar de errado com estes jovens cidadãos dos subúrbios da imensa cidade de Paris. No principio não consegui perceber porque se revoltavam tão expressivamente e de maneira tão violenta como a que utilizaram. Primeiro pensei, serão as más condições de vida que estão a viver?, será que se trata de algum descontentamento social relativo ao seu estatuto? Com o decorrer da situação percebi que afinal se tratava de uma mistura destes aspectos com mais algumas razões à mistura, para completar o role que deu origem a tão violentas manifestações, que chegaram mesmo a provocar alguns mortos e feridos.

O que se passou e que pelos vistos ainda se continua a verificar é que estes jovens dos subúrbios de Paris sentem-se diferentes dos outros jovens parisienses. Trata-se de jovens, por sua vez nascidos em Paris, mas que no entanto descendem de famílias de imigrantes que se instalaram há algumas gerações na capital francesa. As gerações que chegaram pela primeira vez à capital francesa até poderiam aceitar a sua diferença social, relativamente aos outros parisienses, pois estavam a passar uma situação difícil e tentavam viver com o facto de que eram imigrantes, e apenas queriam encontrar melhores condições de vida, mesmo que por vezes tivessem de ultrapassar alguns constrangimentos sociais, só pelo simples facto de serem imigrantes. O que de alguma forma não se consegue compreender, pois estes são seres humanos, embora de outra raça e diferente nacionalidade, que escolheram outro pais para tentarem viver com mais dignidade. O que por vezes não se verificava. No entanto, como já referi, as gerações passadas habituaram-se a esse aspecto e ultrapassaram a situação. O problema coloca-se quando os descendentes dessas gerações, já nascidos em Paris, crescem e não compreendem porque são tratados de maneira diferente. Não compreendem porque é que têm menos e diferentes oportunidades quando comparados com os outros jovens franceses. Ai está o problema, estes jovens já não se sentem imigrantes, sentem-se perfeitamente integrados no país onde nasceram e não aceitam ser tratados de maneira desigual.
Com isto surgem estas situações de manifestação violenta para mostrarem o seu descontentamento relativamente ao que estão a viver e a sentir. Acham que é a melhor forma de se fazerem ouvir e têm esperança que assim consigam encontrar uma solução para que passem a ser vistos como comuns cidadãos franceses.
Não é de todo uma forma muito agradável de se expressarem, pois têm provocado violentos conflitos com as autoridades públicas o que tem conduzido a alguns mortos, como retrata este ultimo acontecimento.

É verdade que a policia tem de tentar controlar este tipo de acontecimentos. No entanto, deveria também evitar este tipo de incidentes indesejados, pois afinal a ordem publica é um assunto muito importante e que merece todos os esforços, mas têm também que ter em consideração que estão a lidar com seres humanos, e que a vida destes é um bem muito mais precioso.

Que controlem a ordem publica, tudo bem, mas sendo justos.

rutesantoscruz disse...

ups!!! enganei-me e publiquei o meu comentário duas vezes. Peço desculpa ao professor,pois terá de apagar um deles.