terça-feira, 20 de novembro de 2007



UE joga credibilidade no Kosovo



17.11.2007, Isabel Arriaga e Cunha, Bruxelas




Ninguém tem dúvidas: a União Europeia (UE) jogará a sua credibilidade na forma como gerir o cenário temido mas mais que provável de uma declaração unilateral de independência do Kosovo. Para os Vinte e Sete, esta é uma questão europeia, não só devido à localização geográfica e perspectiva de adesão à UE, mas, sobretudo, porque são os europeus que vão herdar das Nações Unidas a responsabilidade de gerir o futuro imediato. A UE tem aliás em preparação a maior operação civil de gestão de crises jamais organizada, para substituir a missão da ONU que administra a província desde os conflitos interétnicos de 1999.A grande preocupação dos europeus é tentar influenciar o calendário dos acontecimentos de modo a assegurar que o caminho para a independência do Kosovo se desenrole da forma mais suave possível, acomodando as susceptibilidades da Sérvia e evitando desestabilizar a região.Por agora, a posição oficial da UE é apoiar sem reservas as negociações entre sérvios e kosovares, mediadas pela troika (UE, Rússia, Estados Unidos). "Há um largo consenso para apoiar a troika e o representante europeu, Wolfgang Ischinger", explica a presidência portuguesa da UE. "Enquanto decorrem as negociações, há esperança", afirmou um embaixador europeu, frisando que "até 10 de Dezembro está fora de questão antecipar qualquer coisa". Mas, consciente de que a data limite das negociações está quase condenada a passar sem qualquer acordo, a UE prossegue discretamente os esforços para persuadir os kosovares a abandonarem a ideia de declarar unilateralmente a independência logo a seguir ao dia 10. Ao mesmo tempo, procuram convencer os Estados Unidos a adiar o reconhecimento da independência pelo menos até as Nações Unidas terem tempo para se pronunciar. Esta prudência destina-se a evitar hostilizar a Rússia, que, por se opor a este passo, poderá inviabilizar a aprovação de um mandato ou qualquer outra forma de apoio do Conselho de Segurança à missão civil da UE no Kosovo. Neste cenário os europeus terão grande dificuldade em avançar, quer devido à falta de legitimidade da missão, quer pelas divisões internas que um reconhecimento forçado da independência do Kosovo provocaria. Há reservas de, pelo menos, a Eslováquia, a Hungria, a Roménia, a Grécia, Chipre e, em menor grau, a Espanha, que se debatem com minorias ou movimentos separatistas. Os russos poderão ainda retaliar, reconhecendo unilateralmente a independência dos enclaves separatistas na Geórgia e na Moldávia, agravando o risco de desestabilização nas fronteiras da UE. "O Kosovo será um grande teste para a nossa política externa e de segurança comum", escreveram em Setembro os ministros dos Negócios Estrangeiros francês, Kouchner, e britânico, Milliband. Acrescentando: "Vamos ter de demonstrar que, apesar das nossas diferenças, e de eventuais dificuldades no Conselho de Segurança, estamos prontos a agir em bloco para assegurar a estabilidade do Kosovo e permitir à UE desempenhar o seu papel."

Fonte: http://jornal.publico.clix.pt/

Depois de teres efectuado uma pequena pesquisa sobre a situação política vivida actualmente no Kosovo, elabora um comentário sobre o o conteúdo em sublinhado da notícia do Jornal Público.

Consulta vídeo do YouTube no site:

http://br.youtube.com/watch?v=2sJ74EXc7fM

7 comentários:

Vasco PS disse...

KOSOVO

ESPERA
Horas, horas sem fim,
pesadas, fundas,
esperarei por ti
até que todas as coisas sejam mudas.
Até que uma pedra irrompa
e floresça.
Até que um pássaro me saia da garganta
e no silêncio desapareça.

Eugénio de Andrade


Não fui confirmar a nenhum dicionário, mas se me lembrar da palavra “kosovo”, consigo associa-la a uma longa espera pela liberdade, pela independência. Isto, sobretudo, se pensarmos que esta região pertencente à Sérvia foi, desde sempre, palco de conflitos étnicos que foram abrindo feridas, cada vez mais profundas, cada vez mais difíceis de curar.

A sua história de vida mais recente tem vindo a ser marcada por um impasse (eterno?) no caminho para a independência face à Sérvia. A região do Kosovo fora considerada como província independente, no período de 1945 até 1989, mas, com o renascimento do nacionalismo sérvio, baseado numa tal batalha ocorrida em 1389 nesta região, perdeu o estatuto de autonomia. Chega ao poder, Milosevic, que tenta alterar o equilíbrio étnico ao instalar na região refugiados sérvios da Bósnia e da Croácia. Nasce, imediatamente um novo conflito, que, em 1999 assume dimensões de “limpeza étnica”, originando uma intervenção da NATO (Guerra do Kosovo), que consegue estabelecer a sua presença no território, de forma a fazer prevalecer a paz.

Ainda hoje, o Kosovo é administrado pela ONU. A maioria da sua população, de origem albanesa, pede a independência. Mas a Sérvia recusa dar esse passo. Assim, prevê-se que até meados de Dezembro, o Kosovo declare a sua independência, o que poderá gerar um novo conflito.
Devido à proximidade geográfica desta região em relação à UE, e também, pelo facto de parecer justa a decisão kosovar, aos olhos dos europeus, a ONU delegará à UE, o papel central nas negociações entre a Sérvia e o Kosovo, de forma, a resolver definitivamente esta situação.

No entanto, penso que esta situação está longe de ser resolvida, ou, pelo menos se for, gerará novos conflitos, não só na região dos Balcãs, mas também nas restantes regiões autónomas que reclamam a sua independência (Ex: País Basco), um pouco por toda a Europa. Gerará, novamente, acesos debates no Conselho de Segurança da ONU. Ou seja, a questão kosovar é um autêntico rastilho para tudo o que seja conflito ou discórdia neste mundo.

Chegou o momento de todas as decisões para o Kosovo. Tornar-se-á independente? Gerará um novo conflito? Aumentarão as tensões já existentes entre a UE e a Rússia (clara apoiante da posição da Sérvia)? Ninguém sabe...agora. Mas todo o mundo saberá quando se der voz à liberdade, ou (e espero que não) ecluda nova guerra, novo banho de sangue, neste que é já o coração de todas as tensões, de todas as diplomacias, de todas as esperanças e desesperos e, todo continente europeu.

(P.S. Tinha uma imagem que vinha mesmo a calhar para aqui por...mas ao que parece não dá. Paciência)

Soraia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vasco PS disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Soraia disse...

Bem esta situação no Kosovo é no meu ponto de vista uma situação bastante preocupante, representativa de uma incessante luta pela liberdade, que agora parece estar próxima de ser conseguida.

O Kosovo é um território com uma composição étnica bastante rica e diversa, que vai desde Sérvios a Bósnios, passando pelos Turcos, sendo no entanto habitado maioritariamente por albaneses…

Aparentemente esta situação diz respeito somente ao Kosovo e à Sérvia… mas mais uma vez, quem é que é “metida ao barulho”?

A Europa pois claro.

E desta vez com um papel muito importante, pois devido à proximidade geográfica do Kosovo à Europa, e desta ser uma clara apoiante da independência Kosovar, faz com que a maior potência comercial do mundo esteja numa situação delicada…ou, como se costuma dizer “entre a espada e a parede”.

Assim sendo a UE terá de usar toda a sua diplomacia para conseguir resolver esta situação a título definitivo, sem ferir nenhuma das partes…no entanto, como sabemos a Rússia faz parte dos 5 países que têm direito de veto no Conselho de Segurança da ONU e como tal, é necessário ter esse facto em conta, pois como sabemos a Sérvia sempre foi uma aliada da Rússia, o que faz com que esta possa opor-se a uma decisão da ONU favorável à independência Kosovar.
(e aqui se coloca a questão: Será que se justifica que com a actual estrutura mundial ainda existam 5 países com direito de veto?)

Esta luta pela independência do Kosovo, na minha opinião vai ser uma espécie de incentivo para que todos os povos que lutam pelam independência, não desistam e continuem a lutar por esse ideal…o que poderá originar novos conflitos e discórdias em toda a Europa.

Se é verdade, que a UE tem um papel central na tentativa de resolução deste conflito, é também verdade que neste tipo de situações a estratégia europeia é “deixar” andar e esperar que os americanos avancem com alguma decisão e depois na primeira oportunidade criticá-los dizendo que agiram por interesse…esperemos que desta vez as coisas sejam bem diferentes e que a UE, se afirme e saiba tomar as rédeas desta situação, de forma a que este reconhecimento ou possível reconhecimento da independência do Kosovo não dê azo a outras situações de conflito.

Para terminar, espero sinceramente que a independência do Kosovo seja reconhecida, pois é de facto uma luta pela liberdade e pela autonomia e tendo em conta que o Kosovo já foi palco de inúmeros conflitos étnicos, esta independência é realmente merecida.
No entanto espero também que esta situação não arraste consigo consequências negativas nem para a Europa em si, nem para o resto do mundo, porque acho que o despoletar de conflitos na Europa é a última coisa que devia acontecer, numa altura em que parece que a Guerra Fria (parte II) e o jogo de superpotências está de volta para destabilizar o mundo.

Joana Santos disse...

Antes de mais acho que o professor podia por so um ''post'' para explicar todo o processo desde criar a conta até o proprio comentário.

De facto, o mundo actual não é nenhuma utopia como todos desejariamos que fosse isto causado por constantes conflitos de uma complexidade tal que não sabemos que lado tomar. O Kosovo é mais um exemplo desta luta, uma luta que ja foi vencida por muitos países ainda antes de haver computadores ! Este ideal que se procurou ter era a Liberdade, a tão desejada liberdade !

Estes conflitos são de números tao elevados que já teve de ser criadas organizações que tentem atenuar senao mesmo atrasar o confronto como o caso da UE com a PESC que no meu ponto de vista a sua, felizmente, fraca experiência podera deixar a desejar nesta batalha ! Porém nao acredito, pessoalmente, que este confronto se trate de um problema puramente europeu onde a Unia Europeia, e desculpe a expressao, deva meter o ''nariz'' e ficar com a bola quente entre mãos! Não esqueçamos que as outras guerras também se inciaram por um pequeno confronto entre dois países e acabaram em duas grandes guerras mundiais..

Esperemos mais outra década para ver se a peça realmente se inicia, uma vez que todas as entidades competentes, ou nao, ja arregaçaram mangas para pôr as mãos a massa.


(Desculpe a ironia, mas infelizmente este é o mundo em que vivemos, uma sala de espera.)

AmErIcAn disse...

O problema do Kosovo é um conflito que sabemos actualmente que pode vir a ser muito prejudicial, para a Europa sobretudo.
O conflito centra-se sobretudo na pressão que a Sérvia faz sobre o Kosovo com a finalidade de impedir que o mesmo se torne independente. O Kosovo, como região multi-cultural que é, concentra o seu principal problema exactamente nessa diversidade, pois a falta de união impede o alcance da independência.
A Rússia como país pertencente da ONU e como país possuidor do direito de veto no conselho de segurança dessa mesma organização, mantêm uma importância acrescida neste assunto, uma vez que é aliada da Sérvia e por isso deverá estar contra a independência do Kosovo. Assim, é do inteiro interesse da União Europeia intervir neste conflito actual, pois além de esse mesmo conflito poder vir a causar “danos” para a Europa, (quer a nível geográfico, quer a nível económico, político e social) a UE ambiciona cada vez mais uma maior intervenção nos conflitos/assuntos mundiais, uma vez que actualmente apenas os EUA intervêm em quase todos. Uma prova desse desejo de a UE se afirmar foi a criação da PESC que ao longo dos anos tem tentado evoluir para atingir o objectivo principal para o qual foi concebido, unir a Europa e tornar a UE numa superpotência para se tentar igualar ou mesmo ultrapassar aos EUA (o que no meu ver é muito difícil, senão impossível).

rutesantoscruz disse...

Questão da independência do Kosovo

Em relação a esta questão do Kosovo há muitos aspectos que se opõem e geram intensos problemas a nível internacional. A questão debate-se com uma população que ocupa a região do Kosovo e que há anos que tenta tornar-se independente da Sérvia. Para referir dados concretos podemos enfatizar que 90% da população do Kosovo não deseja continuar sobre o domínio Sérvio. Deseja sim ter a sua independência. Quanto a isto, parece fácil e evidente tomar uma decisão, pois se realmente, uma quase unânime opinião da população do Kosovo quer a independência, entao a Sérvia deveria aceitar a opinião destes e dar-lhes a independência. Parece simples, mas, no entanto estas questões não se resolvem assim tão facilmente, pois tudo isto envolve muitos aspectos que se entrelaçam e se relacionam muito intensamente.

Por um lado, a posição da Sérvia, de não querer declarar a independência do Kosovo, justifica-se pois como se pode compreender não lhe é muito favorável perder parte do seu território, dando a independência a esta região. No entanto, por outro lado, temos a posição do Kosovo, que na minha opinião me parece muito mais justificativa de revolta, pois esta percentagem de população reivindica a sua independência há uma série de anos e até hoje nada. Ou então não será bem nada, mas sim muito sangue derramado e muitos conflitos. O que significa e vale muito.

Talvez um dia alguém se digne a resolver esta situação da melhor maneira possível. Actualmente quem está a tentar amenizar a situação é a U.E., pois esta encontra-se com a “batata quente na mão”, passada pela ONU. Tem em mãos esta questão, pois há a pretensão da Sérvia de vir a pertencer à U.E. Assim sendo a U.E. não lhe pode ser indiferente, e por isso está a tentar que esta situação se resolva pacificamente (dentro dos possíveis) entre a Sérvia e a região do Kosovo. No entanto tudo isto, a esta altura está-me a parecer um pouco utópico, pois se há anos que se encontram neste impasse, não vai ser agora que de uma hora para a outra, vão resolver a questão pacificamente. No entanto, a U.E. tem de cumprir as suas obrigações perante a sua organização e princípios, bem como de acordo com o seu actual envolvimento, ainda que seja por vias terceiras. Está como se diz correntemente, a fazer o seu papel… Contudo espero que consiga interferir com resultados positivos para todos. Também não nos podemos esquecer que a Rússia, desta vez também assumiu uma posição que dá apoio à opinião e interesses da Sérvia.
Perante tudo isto, e tal com diz a notícia publicada, o Kosovo ameaça ainda assim, que vai declarar a sua independência já no princípio de Dezembro. Veremos se desta vez a balança dos benefícios pesará mais para o lado dos Kosovares, ou se ficará tudo na mesma.

Com tantos interesses misturados nesta questão, vai ser, realmente, muito difícil que o Kosovo consiga alcançar o seu tão desejado objectivo. Para conseguirem uma tão implorada resolução pacífica terão de possuir um exagerado espírito pacífico e diplomático, o que me parece não ser o caso.