sexta-feira, 24 de setembro de 2010

UE confronta França com a expulsão de ciganos


Um dos assuntos internacionais que tem suscitado mais polémica nos últimos tempos é sem dúvida a questão do repatriamento de ciganos romenos pelo Estado francês. É uma questão que tem dividido claramente os europeus e que até já levou a Comissão europeia a sensurar a iniciativa do governo francês. Fiquem com a notícia da BBC de 17 de Setembro.

O Presidente francês, Nicolas Sarkozy, mostrou-se enfurecido com as declarações da comissária europeia da Justiça e Direitos Humanos, Viviane Reding, que comparou as expulsões dos ciganos em França com as deportações que ocorreram durante a II Guerra Mundial.

Reding acabou, de resto, por pedir desculpas publicamente por estas afirmações.
Embora a França tenha deportado milhares de ciganos da Roménia e Bulgária nos últimos anos, o processo foi acelerado na semana passada, devido a um plano alargado do governo para acabar com os acampamentos ilegais no país.

Na terça-feira, Reding pareceu comparar as acções da França com a perseguição dos judeus e ciganos durante a ocupação nazi, quando disse: "Esta é uma situação que eu pensei que a Europa não voltaria a testemunhar depois da Segunda Grande Guerra."

Reding também apelou à Comissão Europeia para tomar as medidas legais contra as deportações levadas a cabo pela França.

A semana passada, os eurodeputados acusaram a comissão de não proteger os ciganos deportados por França.

Em reacção, o Presidente francês mostrou-se escandalizado com o criticismo da comissária europeia, tendo sugerido que os ciganos deveriam ir para o país de Reding, o Luxemburgo.

Com as tensões a crescerem a um nível sem precedentes, o Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, distanciou-se da comparação feita pela comissária com as deportações da II Guerra Mundial.

Durão Barroso disse que Viviane Reding tinha o seu total apoio, mas que "uma ou outra expressão ditas no calor do momento podem ter causado alguns mal-entendidos".

O primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi também reagiu, dizendo que a comissária deveria ter expressado as suas preocupações em privado.

Por sua vez, a chanceler alemã Angela Merkel disse que considerava "o tom e especialmente as comparações históricas inadequadas".


2 comentários:

Bli&Ri disse...

Este é sem dúvida um dos assuntos mais polémicos(ainda) falados do momento.Na minha opinião, o presidente Sarkozy teve uma atitude perante os emigrantes ciganos vindos do leste, um tanto extremista.
Apesar de os ciganos romenos, principalmente, emigrarem para os países Europeus mais ricos para mendigar e viver na sombra do Estado, expulsá-los para os seus países de origem pode não ter sido uma atitude muito eficaz. Já para não falar dos comentários que foram feitos a cerca o assunto, quer a defender ou a criticar o presidente françês.

Devo dizer que não é só nos países da Europa Ocidental que se verifica esta situação.
Nestas férias tive a oportunidade de ir à Roménia e à Bulgária, e mesmo nesses países pude contar pelos dedos das mãos os ciganos que vi. Não nas grandes cidades como Bucareste ou Sofia, porque não existem nos grandes centros, mas no interior, nas zonas mais rurais.
Portanto, se até nos países-natal são "excluídos", não é de admirar que emigrem para o Ocidente!

Ana Blimundo

cláudia disse...

realmente a atitude de Sarkozy foi bastante extremista!