quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Fidel deixa a Presidência, não diz adeus e prepara a sua própria sucessão
20.02.2008, Jorge Almeida Fernandes

O "Líder Máximo" começou ontem a despedir-se. Abandona a chefia do Estado mas não abdica do poder. Quer pilotar a sua sucessão e o início de um perigoso processo de transição

Ao fim de 49 anos no poder, Fidel Castro anunciou ontem que abandona as funções de Presidente do Conoselho de Estado e de comandante supremo das Forças Armadas de Cuba. O sucessor será designado no domingo pelo Parlamento. Reconheceu que a sua saúde o impede de exercer essas funções e apela à passagem de testemunho entre gerações. "Não me despeço de vós. Desejo apenas combater como um soldado das ideias." Deixa o Governo, não o poder. Fidel, de 81 anos, não renuncia, pelo menos imediatamente, ao cargo de secretário-geral do Partido Comunista, a sede real do poder. Deu a entender que deseja preparar e supervisionar a fase de transição que inevitavelmente se abre. Tão ou mais importante do que o nome do sucessor será entender o papel que deseja desempenhar nos seus derradeiros dias. Após a crise que se seguiu a uma operação aos intestinos, em Julho, o "Líder Máximo" deixou de aparecer em público e passou interinamente os poderes a seu irmão Raúl, ministro da Defesa e número dois do regime. Não tendo condições físicas para exercer plenamente os cargos que abandona, reivindica, no entanto, a plena posse dos recursos intelectuais. Na sua carta aos cubanos, publicada na edição on-line do diário oficial Granma, há duas passagens particularmente importantes. "Preparar [o povo cubano] para a minha ausência, psicológica e politicamente, era a minha primeira obrigação depois de tantos anos de luta. (...) O meu desejo sempre foi cumprir o meu dever até ao último alento. É o que posso oferecer."À frente, evoca as três gerações do castrismo, desde os veteranos, que têm "a autoridade e a experiência para garantir a substituição", a uma "geração intermédia que aprendeu connosco os elementos da complexa e quase inacessível arte de organizar e dirigir uma revolução".

Um passageiro do século

Fidel Castro é o último sobrevivente da guerra fria. Figura omnipresente da segunda metade do século XX, foi o actor central - embora a seguir remetido para o humilhante lugar de "peão" - da crise dos mísseis de 1962. E também um dos líderes do Terceiro Mundo, numa era em que havia figuras como Nasser, Tito ou Nehru.Tentou, com Che Guevara, exportar o modelo da revolução cubana para toda a América Latina e fascinou revolucionários europeus ou asiáticos. Foi implacável não apenas para com os dissidentes, mas em geral para com todos os rivais políticos, inclusive os velhos dirigentes comunistas de Cuba. Depois de criticar os soviéticos, que não apreciavam as suas aventuras, tornou-se no mais acerado instrumento da política externa da URSS, numa escalada que terá o apogeu em África nos anos 1970. Foi o "inimigo número um" dos EUA, resistiu a nove presidentes ame-ricanos e a várias tentativas de assassínio pela CIA. Conheceu cinco secretários-gerais do Partido Comunista Soviético e sobreviveu ao desmoronamento da URSS. O seu desaparecimento será um traumatismo não só para a velha guarda cubana mas também para uma parte importante da América Latina, diz a Le Monde Janette Habel, uma especialista da região. É difícil compreendê-lo hoje na Europa, mas continua a ser visto como um "libertador": não é um democrata, o seu regime faliu na maior parte dos domínios, mas é aquele que sempre desafiou e resistiu aos Estados Unidos.



Visiona este vídeo da agência "efe" (em castelhano) sobre o mesmo assunto, contendo uma pequena biografia de Fidel.

Fonte: http://br.youtube.com/watch?v=zty452N1Pis

8 comentários:

Vasco PS disse...

Que se derrubem as estátuas!

Creio que este anúncio há muito que era esperado. Fidel Castro marcou uma época, mas a sua idade já não lhe permite continuar a exercer as funções e poderes que usurpou há tanto tempo.

Cada qual pode ver Fidel como entender. Para mim, há que se ser possuidor de grande talento e valores para que se apaguem da memória os crimes. Ora, para mim, pouco entendido na história de Cuba, Fidel não passa daquilo que é, um ditador.

Sou pela democracia, logo, não teço elogios a déspotas, que se auto-legitimam a partir de revoluções, que deixam de pertencer à vontade de um povo, passando antes a ser uma imposição. Exemplos, há muitos. Foram, imediatamente, noticiados os festejos de cidadão cubanos exilados nos EUA e noutros países. A saída do seu país não foi uma decisão "leve"; foi a única opção; buscaram uma vida melhor, com novas oportunidades, de liberdade. Não se justifica, que no séc.XXI continuemos com ditaduras que aparentemente nem tremem.

Continuo a perguntar-me a mim mesmo como é que algo tão abominável sobrevive por tanto tempo... Não estou a afirmar que sou contra o Comunismo, por exemplo. Afirmo sim, que Fidel, de Comunismo nada entende. Não soube aplicar uma ideologia que tem muito de positivo.

Quero, sem dúvida, destacar a arrogância do seu afastamento: sai para reflectir sobre quem lhe sucederá. Em verdade vos digo que faço figas para que haja uma revolução, caia o regime e se liberte Cuba.

A luta anti-EUA promovida por Fidel foi apenas uma bandeira do regime para se manter de pé. Mais uma vez continuo espantado...não sei como é que a CIA falhou tantas vezes o alvo, ou os EUA não invadiram Cuba e derrubaram o regime (não haverá lá nem um pingo de petróleo?)

Bem, penso que resistir a algumas atitudes prepotentes dos norte-americanos é algo que se deve valorizar. No entanto, há formas mais dignas de o fazer. Lá no fundo, Cuba não tem muitas opções; acho que os regimes não são eternos...o nosso não foi. Este só é, e será, porque caiu no esquecimento. Cuba quase já nem consta nos mapas...só nos roteiros turísticos ou para quem quer ir ao médico. Ora, as pessoas que por lá passam, nem se lembram que Cuba não é um país livre, logo não valorizam verdadeiramente a situação e existem ainda alguns, que vêm Fidel como um "libertador". É nestes momentos que eu tenho começo a ter pena que alguns destes turistas não sejam tornados à força cubanos...depois queria ver se saíam mais alguma vez daquele inferno.

Para os cubanos, vão sendo estas as soluções: ou são adeptos do regime, apesar de todas as violações dos Dtos. Humanos (são tão malucos como os que lideram), ou querem ser livres. Pedem para sair, não os deixam; são perseguidos, morrem; outros, com sorte, fogem e finalmente ganham algo de novo: a oportunidade de viver.

Fidel já nem sequer é um político, quanto mais um líder. É uma imagem, uma estátua. Está em Cuba a marcar mentalidades e já começa a acumular pó.

Paulo disse...

Bom, antes de mais, gostaria de referir que não tenho conhecimentos muito aprofundados sobre esta matéria, e por isso não irei escrever um comentário muito longo e irei apenas abordar algumas perspectivas pessoais.

Fidel Castro. Libertador de um povo e herói de uma revolução ou o líder de um regime ditatorial? São bem distintos os dois pontos de vista, mas seja qual for aquele que defendamos, existe uma verdade comum. Fidel marcou a história de um povo e do mundo. Para o bem ou para o mal, cabe-nos a nós reflectir.
A verdade é que este homem marcou a história do seu país, e a sua saída da presidência representa principalmente para a “velha guarda” cubana o fim de uma época, e a perda de um herói. Claro que por cá, na Europa, nomeadamente em Portugal, será difícil que o vejamos como um verdadeiro herói, salvo algumas diferenças ideológicas. Para nós será mais um ditador, um homem que nunca deu liberdade ao seu povo e que o privou de melhoras condições de vida durante quase meio século (impressionante).

Mas pelo menos num ponto admiro-o mais do que ninguém. Foi um dos poucos homens até hoje que ousou desafiar e contrariar os EUA em todas as matérias, mesmo quando não lhe convinha. Ideologicamente diferente, foi sempre contra as políticas norte-americanas. Mao Tsé Tung soube, a certa altura, juntar-se aos EUA, porque sabia que era o melhor para ele e para a sua China. Os próprios líderes do Kremlin, durante a Guerra Fria, sabiam que era necessário construir boas relações com os EUA de forma a alcançarem um futuro estável. Mas este homem não precisou disso, e sobreviveu a quase tudo, desde tentativas de assassinato por parte da CIA até à queda da URSS, continuando sempre no poder.

Em relação à saída do poder de Fidel propriamente dita, acho que quando Bush diz que este acontecimento será um passo para a transição democrática do país, não está a ver muito bem as coisas. Fidel pode ter renunciado à presidência, mas não deixou de ter poder no seio da elite política do país, e não irá de certeza permitir que aquilo que foram tantos anos de oposição vá por água abaixo. Além disso, não me parece que a possível sucessão ao cargo por parte do seu irmão, Raúl Castro, represente uma grande mudança ou progresso na condução de Cuba. Mas esta é a minha modesta opinião, claro.

Fidel uma vez disse: "Viver acorrentado é viver na vergonha”. Bom, certamente que ele não viveu acorrentado, mas que dizer do seu povo? Tanta falta de liberdade à custa de quê? De uma revolução? De um ideal? Penso que esse tempo já passou, e apesar de tudo de bom que ele fez, não deixa de nos dar razões para o intitularmos de ditador.
Mas talvez seja mesmo como ele próprio diz: "Um revolucionário pode perder tudo: a família, a liberdade, até a vida. Menos a moral".

Costuma-se dizer que o amor e o ódio são sentimentos muito próximos um do outro, mas, amado por uns e odiado por outros, há algo que este homem não foi. Ignorado.

Rute Cruz disse...

Finalmente alguma medida em direcção à mudança…

Fidel deixa a presidência do Conselho… uma notícia há décadas esperada por uns e uma notícia incompreendida por outros. Na minha opinião esta foi a decisão mais acertada. Já que não o fez mais cedo, agora que seja de uma vez. Hoje em dia, já não se compreende uma organização destas e tão aceite, pelo menos no país onde domina. Bem, é certo que durante muitas décadas talvez fosse necessária uma resistência à suprema vontade dos EUA, e isso Fidel, fê-lo. No principio, começou iludindo o povo com ideais do comunismo e com ideais de mudança, que até hoje lhe atribui o nome de, o libertador. Na minha opinião, no inicio da sua carreira politica até pode ter enganado muitos com essa desculpa, mas tenho a certeza que com o decorrer dos seus 49 anos de governação as opiniões mudaram drasticamente, pois em todo o mundo, hoje em dia é conhecido certamente, como um repressor e prisioneiro das liberdades dos cidadãos de Cuba. Finalmente, esta situação, parece hoje estar a construir o seu final, para alegria de muitos. Já admite ter abandonado o governo, mas mesmo assim, enfatiza que não abandonou o governo e que quer acompanhar o processo para a sua substituição, ou melhor, sucessão pelo seu irmão Raul Castro. Se assim for, estaremos presentes de uma lamentável continuação desta situação sem lógica perante a nova lógica de organização politica, social e até mesmo económica.

O que é bom não esquecer, e realmente esperado e desejável é que Fidel se afaste definitivamente do poder. Por certo, devido à sua avançada idade, também acabará por abandonar o cargo de secretário-geral do Partido Comunista e a sede real do poder para que realmente o povo cubano conheça uma nova realidade se assim o desejarem e optarem pela mudança. É o que espero de toda esta situação e que a sua sucessão por um outro ditador, nunca se concretize para felicidade de todos.

Soraia disse...

Fidel Castro…o último sobrevivente da Guerra Fria…

Foi o inimigo número um dos EUA, resistiu a nove presidentes norte-americanos, resistiu a várias tentativas de assassinato por parte da CIA e até ao desmembramento da URSS. Impressionante.
Mas não é de todo, ou pelo menos não devia ser, objecto de elogios nem homenagens, nem nada que lhe atribua o mínimo valor.

Para mim, Fidel é mais um ditador, tal como Hitler e Mussolini foram.
É mais um assassino, que disfarça os seus crimes com ideologias e discursos inflamados, que prometem uma vida melhor, justiça, igualdade social…blá, blá , blá…
Tudo “tretas”, se tivermos em conta que Fidel Castro tem uma fortuna avaliada em 550 milhões de dólares, ocupando o 10ºlugar na categoria “governantes e membros da realeza mais ricos do mundo”…

Estranho não é?

Quando esta notícia de que Fidel tinha uma fortuna avaliada em cerca de 550 milhões de dólares, o ditador afirmou:
"Se eles provarem que tenho um conta no exterior de 900 milhões, de um milhão, de 500 mil, de 100 mil ou de um dólar, eu renuncio ao meu cargo e às funções que desempenho".
Mas afinal, não foi isso que ele acabou de fazer?
Sim, está bastante doente, tem 81 anos, não consegue exercer as suas funções…e claro com 550 milhões de dólares no bolso, pode gozar a sua reforma e esbanjar dinheiro com o que entender, e nos tempos livres continua a coordenar os seus fantoches dentro do Partido Comunista, para que tudo corra como ele pretende.

Muitos consideram-no um herói…para mim, não é digno nem de um olhar de compaixão.
É um ditador, um déspota, uma fraude, um egoísta orgulhoso…para muitos é o libertador de um povo, mas para mim aquilo que se vive em Cuba não é liberdade, é estabilidade económica, um bom sistema de saúde, um bom sistema de educação…resumindo boas condições de vida.

Falta-lhes no entanto o mais importante: liberdade.

Relativamente à possibilidade de haver uma mudança, não me parece que isso vá acontecer, afinal Fidel desistiu das suas funções mas vai manter-se como Secretário-Geral do Partido Comunista e não podemos esquecer, que existem muitos seguidores dos seus ideais.
Ele não foi de facto ignorado, porque as atrocidades que cometeu, não o permitiram. Ele e muitos ditadores como ele, são a vergonha do séc. XXI.

É como se costuma dizer: “Vaso ruim, não quebra”, por isso ele está para durar.
E se a vida for justa, ela vai durar o tempo suficiente, para ver Cuba a tornar-se num país democrático, onde haja liberdade.

Ele pode ter resistido a tentativas de assassinato, mas a este desgosto ele não resistiria.
Pena que a democracia em Cuba, seja uma Utopia…por agora.

The American disse...

Professor Eduardo Vales, após ter comentado o texto referente ao petróleo tencionava comentar este sobre o Fidel... No entanto, como faço sempre, li os comentarios dos meus colegas e o último comentário (o da Soraia) pode-se dizer que faço das palavras dela as minhas...
Não estou com isto a querer roubar o prestigío do comentário da minha amiga, mas a querer dizer que, tal como em alguns assuntos que o professor já reparou na aula, este é mais um assunto do qual a minha opinião é exactamente igual à da minha "irmã americana". Por isso desta vez não vou comentar. A minha opnião é exactamente igual à da minha amiga e eu espero bem que Cuba tome outro rumo... (o que duvido muito)

Maria Joao disse...

Morte política de Fidel...

Ao fim de 49 anos de poder este decide por fim à sua carreira política por motivos de saúde... e agora.. o que será do futuro deste país? Será que este regime ditatorial será derrubado e Cuba se tornará mais um país capitalista? Duvido.. Fidel pode deixar de governar.. mas há muitos seguidores da sua ideologia (sim, ideologia!). Assim sendo, acho que não basta que Fidel se afaste do poder para que tudo mude, que haja uma revolução que derrube este regime (socialista ou não), é preciso muito mais.

Como todos sabemos, Cuba ainda é dos poucos regimes socialistas (supostamente) em pleno sec XXI.. e porquê os únicos? Será que o capitalismo é solução para todos os problemas com que todos os dias nos deparamos e consegue responder às necessidades da população? Duvido, não precisamos de ir muito longe... Portugal... estamos a mais de 30 anos à espera que as empresas se desenvolvam para que possam dar mais emprego e assim, melhores condições de vida, a caminho de uma economia próspera e de um país verdadeiramente desenvolvido.. estará isto correcto? Porque não uma política diferente? Uma política mais social e menos económica .. talvez fosse uma solução mais viável .. Acho que sería uma boa solução deixarmos de estar sempre à espera que os outros façam tudo!

Antes de escrever o meu comentário, li os dos meus colegas, não para retirar ideias, mas sim para ficar a saber também a opinião deles relativamente a este assunto. Tou a ver que tou a fugir um pouco ao assunto, peço desculpa, mas sinto que tenho de dar a minha opinião não só sobre o caso concreto do afastamento de Fidel do poder mas o meu ponto de vista geral sobre esta situação.

Já toda a turma sabe dos meus ideiais, sou e com orgulho, comunista, revolucionária e marxista-leninista. Nos dias que correm, posso dizer que é complicado sê-lo, as pessoas olham-nos e veem-nos com outros olhos, muitas vezes sem terem um mínimo conhecimento do assunto.
Sou defensora de uma ideologia, que inteiramente nunca foi posta verdadeiramente em prática. Podemos considerar o exemplo de Lenin como um rumo ao verdadeiro socialismo, mas como todos sabemos não passou disso, infelizmente. Houve também outra tentativa de implantação do socialismo, também na União Soviética, desta vez por Estaline, mais uma vez, bem falhada, pois na minha opinião este não passa de um fascista, pois é mesmo isso que o considero, ao contrário do que muitos que me julgam conhecer pensam!
Dou estes dois exemplos para ter uma base para um terceiro, e este sim com mais pertinência, já que estamos a falar de Fidel.
Na minha opinião pessoal, e ao que mais uma vez muitos pensam erradamente, Fidel não passou de mais uma tentativa de implantação do socialismo, não totalmente, claro, mas em certos aspectos.
Como todos os regimes seja ele socialista ou não, tem aspectos positivos e negativos. Neste caso, não há dúvida nenhuma que Cuba é considerado um dos países do mundo com os melhores sistemas de saúde e educação. Algo que considero essencial, é simplesmente tornado um negócio, fonte de muitos milhares de lucro todos os anos. Porque é que todos não podem ter acesso a direitos tão básicos como estes? Isto é algo que me revolta profundamente... o dinheiro e a obcessão de ser cada vez mais rico se opõe sempre a direitos fundamentais!
E no caso concreto de Cuba, porque não conjugar um bom sistema de saúde e educação com a liberdade de um povo?
Esta é outra coisa que me revolta! Porque será que as pessoas não são sempre as mesmas (ideologia) e mudam simplesmente as suas atitudes e muitas vezes se contradizem para conseguirem erguer e conquistar aquilo que mais desejam mesmo que seja à custa da miséria do povo?
Será que de uma vez por todas não é possível um sistema em que os direitos e liberdades fundamentais sejam mutuamente respeitados?
É algo bastante difícil, bem sei, mas como se costuma dizer, com vontade tudo se faz. Porque não um sistema em que haja igualdade, todos tenham direitos e acessos a serviços básicos, como a educação e a saúde? Porquê continuar a acreditar e a crer piamente que o sistema capitalista é a solução para tudo? Acho que só não vê quem não quer! Se algo não está bem, porquê continuar na mesma? Porque não tentar a mudança? Medo .. receio.. ? Não sei, mas acho que tentar não custa e para além disso, todos sabemos e comentamos dia a dia que há muita coisa no mundo que não está bem e só não mudam porque os “que estão lá em cima” fazem com que tudo seja à sua maneira, enriquecendo-os à custa da miséria e desgraça do povo.
Com isto quero apenas transmitir que o facto de eu ser comunista não significa que tenha de “apoiar” o regime/políticas de Fidel. Bem pelo contário, pois como já referi, acho que ter educação e saúde não é tudo, assim como ter liberdade. Sou defensora de uma ideologia socialista, de uma sociedade sem classes, em que não haja opressores nem oprimidos, em que todos tenham os mesmo direitos e que assim, todas as pessoas tenham boas condições de vida sem haver exploração e ganância pelo dinheiro e pelo outro negro, como se verifica hoje em dia!

Gostaria que os meus colegas da turma lessem o meu comentário, para que percebam aquilo que eu realmente defendo, sem me tentarem “deitar abaixo” por assim dizer, por Fidel ter feito isto, ou Chavez ter dito aquilo.. pois muitas vezes sinto-me constrangida, não me sinto à vontade para expor realmente as minhas ideias pois sinto que as pessoas não compreendem aquilo que eu digo e/ou tento transmitir....

Pedro disse...

Good Bye Fidel…

Fidel Castro nascido a 13 de Agosto de 1926 foi considerado por muitos um Herói, um sonhador, um idealista e um lutador…para outros apenas mais um ditador.

Todos devemos concordar que Fidel foi uma das personagens mais marcantes da nossa actualidade e o único sobrevivente da Guerra-fria.

Este senhor revolucionou Cuba, implementou um dos melhores sistemas de saúde e de educação de todo o mundo. Contudo não conseguiu dar ao seu povo (a meu ver) o mais importante…Liberdade.

O regime que este senhor conseguiu manter durante estes 49 anos como líder político de Cuba é fortemente conhecido pela repressão e o desrespeito perante tudo o que se assemelhe com direitos humanos.

Este ditador, apelidado por alguns como “libertador de um povo”, não fez nada mais do que obrigar um povo a viver reprimido, sem opções, utilizando a sua política anti-americana como símbolo daquilo que ele diz ser um regime comunista.
Talvez ele não saiba o que esse conceito significa na realidade.

Como disse a minha colega Maria João, porque não combinar a liberdade, com um bom sistema de saúde e educação, igualdade entre as classes e justiça social?
Como todos sabemos (pois a história encarregou-se de o provar), não há regimes perfeitos, e o capitalismo, tal como o comunismo ou o fascismo, está muito longe dessa perfeição.

Assim sendo, é necessário que se saliente aquilo que há de melhor em cada regime e não que se elogie a postura arrogante e egoísta de alguns líderes.


Fidel “arrumou as botas “, mas não deixou de vez a política mantendo o cargo de Secretário-Geral do Partido Comunista.
Deixou também a promessa de acompanhar atentamente o processo da sua sucessão que ocorrerá no próximo domingo.

Isto leva-nos a pensar se será o fim do comunismo em Cuba…

Sinceramente não acredito que isso aconteça, pois Fidel deixa para trás fiéis seguidores da sua ideologia, como por exemplo o seu irmão Raul Castro, que irá de certeza continuar o seu “legado”.

Esperemos que isso não aconteça e que este povo consiga libertar-se da repressão em que vive.
Afinal, um bom sistema de saúde e de educação não é tudo. Pois não?

The American disse...

Provavelmente, estarão a pensar porque estou a escrever outra vez no mesmo post. A razão pelo qual o faço é dar o meu parecer não ao acontecimento citado do Fidel mas sim ao comentário feito pela Maria. Agora, dirigido directamente à Maria mas escrito aqui para que todos saibam como penso, não acho que tenha mal nenhum defender uma ideologia como tu, Maria, defendes. Nunca te julguei por isso, e até admiro pessoas como tu, que não desistem de lutar por o que acreditam. A forma como eu penso, de um certo modo tem pontos comuns com o que tu pensas mas por outro lado há coisas com que não concordo. No caso de Fidel, dizias que na tua opinião, Fidel estava talvez ou está a tentar implementar o socialismo. Pois o que eu acho é que se ele está realmente a tentar, está a fazê-lo da forma errada. Toda a gente sabe como é a vida em Cuba. E não preciso de fazê-lo mas quero dizer que tenho amigos que já lá foram e dizem que é horrível a forma como as pessoas vivem lá, para lá das zonas hoteleiras. No dia a dia é a desgraça total. Concordo plenamente contigo quando me dizes que a educação e principalmente a saúde estão muito bem desenvolvidas, porque toda a gente sabe (e já deram reportagens na RTP sobre isso) que por exemplo o serviço de oftalnologia de Cuba é o melhor do mundo. No entanto penso que a liberdade, na minha opinião é também um direito fundamental. E isso, como tu própria referis-te, não se vê lá.
Concordo também com a tua "revolta" ao nosso sistema, porque o capitalismo não é perfeito nem de perto nem de longe (tal como o socialismo) e tem trazido também muita desgraça por exemplo ao nosso país. Mas sinceramente eu nem me atrevo a pensar de como seria o nosso país com o socialismo. A tentativa de implantar o socialismo traz sempre, como até agora tem trazido, a falta de liberdade e a maior parte das vezes a ditadura, como no caso de Cuba, etc etc... No caso de ditadura, muita gente inocente deste pequeno país continua a defender e a nomear como o maior português, o ditador que se destacou em Portugal, António de Oliveira Salazar. E com isso provamos, tal como dizes, que o dinheiro está a subir à cabeça dos Portugueses (por influência do nosso sistema capitalista) porque a única coisa boa que essa criatura (que nem me atrevo a chamar de humano) fez foi trazer ao nosso país uma economia estável e meia dúzia de pontes e grandes estradas e outras obras públicas... Trouxe também um dos direitos fundamentais que foi a educação, que estamos a regredir actualmente com a outra criatura. Enfim, onde eu quero chegar é que, tenho pena realmente de que a ideologia que defendes não esteja ainda posta em práctica em lugar nenhum porque acaba sempre num regime ditaturial. Seria óptimo se estivesse porque por esta altura estaria eu também a defendê-la. Mas uma vez que não está prefiro viver na miséria deste país do que na miséria de Cuba, porque apesar de a nossa medicina não ser tão desenvolvida e a nossa educação estar a caminhar para a desgraça, eu prefiro viver num país onde exista liberdade. Liberdade por exemplo de poder estar agora a dar a minha opinião num blog às 00:11 da noite, enquanto em Cuba eu duvido que pudesse. Até porque ter internet lá, faria parte de uma elite concerteza. Admiro muito a forma como pensas e espero que isto realmente mude. Quanto ao Fidel, não lhe desejo a morte é óbvio mas um pouquinho de sofrimento até aos seus últimos dias espero que tenha, para ver o que fez ao povo cubano ao longo destes anos todos. O mesmo desejo ao "presidente do Capitalismo", Bush, que apesar de dar a cara apenas (tal como Fidel), tem feito muito mal a muita gente.
Percebo-te perfeitamente e nunca te consideraria defensora do Fidel ou de Hugo Chavez, porque sei que, principalmente do último, a ideologia que defendes não tem nada a ver com a ideologia dele. Aliás o hugo Chavez não defende nada em concreto, a não ser a ideia de conseguir que os barris de petróleo cheguem a 200 dólares, de ver Bush fora do governo e de ter os poderes todos na sua mão (3 ideias que me parecem realizavéis).

P.S. -Bem sei que o objectivo deste blog não era bem este, e peço desculpa, e peço desculpa à Maria por me dirigir directamente a ela mas foi apenas para mostrar o meu parecer sobre a situação. Odeio partidos e a política em geral e todos os assuntos que se baseiem em política... Tenho apenas uma forma de pensar e isso gosto de partilhar com todos.