domingo, 17 de fevereiro de 2008

Kosovo declara unilateralmente a independência

Jovens sérvios atacam embaixadas dos EUA e da Eslovénia


Manifestações violentas em Belgrado após declaração de independência do Kosovo

17.02.2008 - 20h50 AFP

Várias centenas de jovens sérvios manifestaram-se hoje nas ruas de Belgrado contra a declaração de independência do Kosovo, envolvendo-se em confrontos com a polícia depois de terem lançado pedras contra a Embaixada dos Estados Unidos, um dos países que já manifestaram apoio à separação da província sérvia, sob supervisão internacional.

Os manifestantes, muitos deles apoiantes de equipas de futebol, lançaram pedras e tochas contra a representação diplomática norte-americana, fortemente protegida por um dispositivo de segurança composto por polícias anti-motim.

Durante um confronto com a polícia, que usou granadas de gás lacrimogéneo para dispersar a multidão, um polícia sofreu ferimentos ligeiros.

Os manifestantes atacaram ainda a Embaixada da Eslovénia, tendo lançado também pedras e tochas contra o edifício, cuja porta de entrada ficou destruída bem como os vidros de várias janelas. A Eslovénia, antiga república jugoslava, assegura actualmente a presidência da União Europeia, que decidiu enviar uma missão para o Kosovo, para acompanhar o território após a declaração da independência.

Viaturas da polícia foram, entretanto, mobilizadas para outras embaixadas, como a de França, para impedir possíveis ataques durante a noite.

No centro de Belgrado, os opositores à independência kosovar desfilaram empunhando bandeiras sérvias e gritando “O Kosovo é a Sérvia”.

Em Kosovska Mitrovica, no norte do Kosovo, quatro granadas foram lançadas: duas que não chegaram a explodir contra um edifício ocupado pela União Europeia, e duas outras contra um tribunal, tendo apenas um explodido. O incidente não provocou vítimas.

Hoje, pouco depois do anúncio da independência do Kosovo, o Presidente sérvio, Boris Tadic, assegurou que a Sérvia “jamais reconhecerá a independência”. “A Sérvia reagiu e reagirá por todos os meios pacíficos, diplomáticos e legais para anular esse acto cometido pelas instituições do Kosovo”, acrescentou, numa posição reforçada pelo primeiro-ministro nacionalista sérvio. “Para os cidadãos da Sérvia, para a Sérvia, não existe nem existirá um Estado fantoche do Kosovo no seu território”, declarou Vojislav Kostunica.

Fonte: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1319927&idCanal=11


Comenta a declaração unilateral de independência do Kosovo, reflectindo sobre algumas das seguintes questões:

O que irá acontecer nos próximos dias?
Como vai reagir a Sérvia e a minoria sérvia que vive no Kosovo?
Quais os países que reconhecerão a independência do Kosovo?
Será que esta situação poderá despoletar outras situações idênticas em outros territórios em que há aspirações de independência, como no País Vasco (Espanha), Córsega (França), Irlanda do Norte (Reino Unido), ..., como foi referido pelo nosso Presidente da República?

Consulta o Dossier sobre a independência do Kosovo do "Público" em: http://dossiers.publico.pt/dossier.aspx?idCanal=2287

3 comentários:

Paulo disse...

Bom, para começar queria dizer que tenho, de facto, muito receio do que possa advir de toda esta situação. Isto pode levar a conflitos muito graves entre os dois lados da questão, principalmente num momento mais tenso das relações EUA/Rússia. A Rússia é um velho aliado da Sérvia e está sempre do seu lado, tal é o exemplo da situação do Kosovo, em oposição aos EUA, que até já reconheceram a independência unilateral da antiga província do Kosovo. É assustador pensar que isto pode ser, na minha opinião, o inicio de uma mudança radical no curso da história mundial.

Em relação aos próximos dias, já vimos que houve uma série de ataques sérvios a várias embaixadas “ocidentais”, com o exemplo mais mediático a ter lugar em Belgrado. Depois desta situação, penso que este tipo de ataques se vai suceder e que a situação actual não vai ficar por aqui. A verdade é que os sérvios consideram a independência unilateral do Kosovo como um roubo de um território a um Estado soberano, a perda do “berço da nação sérvia, facto que provoca neste poço um sentimento de revolta em relação não só à independência em si, mas também em relação ao apoio concedido pelas potências ocidentais ao Kosovo. Por aqui já podemos tirar a conclusão de que os sérvios vão reagir muito mal a este acto kosovar e que a minoria sérvia (8%) presente no Norte do novo Estado se irá revoltar igualmente contra a situação, o que provocará de certeza ainda mais distúrbios.

Um pouco à parte do contexto kosovar, já começa a ser triste ver que os adeptos de futebol mais “fanáticos” estão presentes em quase todo o tipo de acções lamentáveis, desde ataques a polícias e adeptos rivais depois de jogos mais mediáticos até isto. É ridículo!

Dito isto, relativamente ao médio/longo prazo, temos de admitir que o Kosovo não tem uma economia estável e a sua indústria é praticamente inexistente, além de que o que irá acontecer será, na minha opinião, um controlo da economia por parte de empresários corruptos e pelas máfias locais. Acho que a população do Kosovo vai passar por muitas dificuldades económicas, além das sociais, que já referi.

Passando a outro ponto, penso as grandes potências europeias, além dos EUA, irão reconhecer a independência deste território (algumas já o fizeram). Este facto será importante para que o Kosovo se possa tornar na realidade um verdadeiro Estado autónomo e independente. No entanto, ao contrário do que se possa pensar, nem todos os países europeus apoiam a independência daquele território, já que existe um grupo de 6 países dentro da EU, liderados pela Espanha, que não apoia essa acção.

Isto para não falar, obviamente, da Sérvia e da Rússia, que são os maiores opositores da recente decisão independentista do Kosovo, o que nos leva ao tão famoso “efeito dominó”, uma ideia defendida sobretudo pela Rússia, teoria essa que sustenta que esta acção pode conduzir a situações idênticas em outros locais que defendem a respectiva independência, e que é de facto uma realidade, penso eu, principalmente depois de ter lido que um dos responsáveis máximos do País Basco considerou a independência unilateral do Kosovo como “um exemplo a seguir”. É portanto concebível e aceitável que o mesmo que aconteceu recentemente nesse território possa acontecer noutros locais, como este último que referi, na Córsega ou em Ulster.

Depois de ter respondido (espero eu) às questões colocadas pelo professor, gostaria de deixar algumas considerações finais.
Em primeiro lugar, quero que saibam que não sou um grande apoiante de um país chamado Kosovo, até porque a criação de um Estado que sem a ajuda europeia e americana dificilmente resistiria é um pouco inconcebível. Além disso, e para aqueles que defendem a libertação do povo albanês, gostaria de os lembrar que já existe um país chamado Albânia. Além disso, gostaria também de perguntar àqueles que chamam terroristas aos que defendem a independência do País Basco, como apelidam os nacionalistas do Kosovo que ainda há pouco tempo apareciam nas notícias de armas em punho e que já mataram milhares de sérvios. Anjinhos, talvez… Não quero com isto dizer que sou totalmente contra a independência do Kosovo. Considero-me no meio-termo. O que se verifica também é que a Europa vai, mais uma vez, “a reboque” dos EUA, e enquanto isto acontecer, não vamos a lado nenhum. A submissão dos Estados em relação às multi-nacionais é uma realidade, e a falta de unanimidade nas decisões é igualmente prejudicial, como se pode ver pela divisão da Europa em relação ao assunto do Kosovo. Por último, gostava de evidenciar mais uma vez as minhas sinceras preocupações em relação a esta matéria, pois me parece que aquilo que para já são “apenas” guerras diplomáticas, poderá vir a agravar-se num futuro próximo, e talvez seja um exagero, mas pergunto-me se não será isto o inicio de um novo conflito à escala global. Arrisco dizer que foi aberta a caixa de Pandora…



P.S.- Peço desculpa ao professor Eduardo Vales por não ter comentado mais notícias depois da primeira que comentei. Tencionava fazê-lo, mas tive o meu computador avariado durante bastante tempo, e só recentemente o voltei a ter operacional. Espero poder num futuro próximo comentar mais noticias e queria também felicitá-lo pela boa adesão que parece ter tido ao seu blog. Foi sem dúvida uma excelente iniciativa.

Soraia disse...

Situação no Kosovo -Parte II

Bem, voltámos nós ao assunto Kosovo. Há algum tempo atrás expressei já minha opinião sobre esta situação, no entanto agora não posso falar em probabilidades,(como no comentário anterior) porque o Kosovo já declarou unilateralmente a sua independência.

Penso que após a tão esperada declaração unilateral da independência do Kosovo, no passado Domingo, dia 17 de Fevereiro, as próximas notícias darão conta de manifestações violentas e uma consequente instabilidade política e social. É necessário ter em conta que a NATO enviou para o Kosovo tropas em missão de paz, a fim de evitar conflitos armados e garantir um mínimo de estabilidade e segurança àquele povo.

Considero que a Sérvia não vai desistir do Kosovo e que esta declaração de independência só vai evidenciar ainda mais a vontade da Sérvia em manter o Kosovo sob o seu “domínio”, o que pressupõe que esta história não acaba aqui…muito pelo contrário, isto é só o começo.
Na minha opinião é muito provável que esta declaração de independência do Kosovo, seja entendida como um exemplo a seguir, por todos os territórios que pretendem tornar-se independentes. A prova de que esta situação poderá despoletar outras situações idênticas, é a posição tomada pela nossa vizinha Espanha (e até à data de Portugal), que recusou reconhecer a independência do Kosovo, com medo que o país Basco faça o mesmo…

Seguindo esta linha de pensamento, é fácil perceber quais são os países que não reconhecerão a independência do Kosovo: a França (devido à situação na Córsega) e o Reino Unido (devido à situação da Irlanda do Norte), entre outros.
Esta situação é de facto arrepiante, porque o Kosovo deu o “empurrãozinho” necessário para que todos os territórios que desejassem ser independentes, lutassem por esse ideal, pois se o Kosovo conseguiu, eles também conseguirão.

Resta-me desejar que as tropas da NATO consigam manter a situação estabilizada e evitem que mais uma vez os conflitos motivados por disputas de territórios, resultem em milhares de mortes.

Em pleno século XXI, é ridículo que estas situações ainda se verifiquem.

Ps: Haboo (Paulo) bem-vindo de volta!
Professor, espero ter abordado todos os pontos pretendidos. Decidi não me alargar muito neste comentário, porque (como já referi) já havia expressado a minha opinião sobre este assunto. Paulo concordo contigo, foi de facto uma excelente iniciativa, parabéns professor. Quanto à adesão, penso que não foi tão boa quanto isso…mas tudo é relativo, o que para mim é pouco, para outros é muito e vice-versa. A vida é mesmo assim.

Rute Cruz disse...

Kosovo e a sua declaração unilateral de independência...

O Kosovo há muito que luta pela sua independência e para isso tem orientado a sua estratégia. Tê-la reconhecido unilateralmente já foi um passo significativo dado no sentido de tornar real esse sonho de se tornar independente. Esta era uma atitude que há algum tempo atrás nem se imaginava que fosse possivél, no entanto esta aconteceu. Se bem que esta declaraçao unilateral ainda não significa assim tanto como aparenta. É certo que tem muito valor, principalmente para o Kosovo. No entanto, enquanto não for reconhecida a sua independência pelos outros países não adiantará de nada tudo isto.

A Sérvia é que não esta a achar piadinha nenhuma a esta situação, muito menos a região da Sérvia que não aceita pertencer ao Kosovo. Para estes tudo isto está a ser muito complicado, assim como para todos os restantes sérvios. Por tudo isto a Sérvia já afirmou que nunca irá aceitar a independência, ou seja não a irá reconhecer.

Os países que a vão reconhecer serão aqueles, que não têm nenhum tipo de problemas semelhantes a este no seu território. Todos os outros não terão muitos problemas em reconhecer a independência do Kosovo.
Por outro lado, temos aqueles países que têm semelhantes problemas a este nos seus países e que não podem de um momento para o outro aceitar esta situação, pois se assim fosse graves problemas iriam decorrer nos seus próprios países.

Esperemos que esta situação se resolva da melhor forma possivél, mas na minha opinião não irá ser muito fácil fazer com que, principalmente, a Sérvia reconheça esta declaração de independência.