terça-feira, 11 de março de 2008

Migrações no século XXI causadas pelo aquecimento global

Relatório sobre as consequências das alterações climáticas discutido quinta-feira em Bruxelas




As alterações climáticas vão pôr as populações mundiais em movimento durante as próximas décadas. Esta é uma das conclusões do relatório feito por Javier Solana, alto-comissário de política externa e da segurança comum da União Europeia (UE), e Benita Ferrero-Waldner, comissária europeia das Relações Externas. O documento, que vai ser apresentado na próxima quinta-feira em Bruxelas, no Conselho Europeu, adverte para um futuro com falta de recursos, problemas sociais e conflitos políticos. No relatório de sete páginas a que o diário britânico "Guardian" teve acesso, fica claro que as consequências do aquecimento global vão para além das crises humanitárias, pondo também em risco as relações políticas entre os países. As alterações climáticas provocam problemas que podem trazer ainda mais ameaças porque “agravam os stresses e as tensões que existem dentro e entre os países”, sublinha Javier Solana, num artigo de opinião publicado na edição on-line do "Guardian". Segundo o documento, estas tensões já estão a ser sentidas. No último ano, os apelos humanitárias feitos às Nações Unidas foram maioritariamente relacionados com as alterações climáticas. Alguns países já exigiram à comunidade internacional que este fenómeno seja reconhecido como uma razão válida para a emigração. No futuro, prevê-se que este tipo de movimentos migratórios irá afectar milhões de pessoas. O recuo das zonas costeiras vai diminuir o território de vários países e pôr em risco a vida de um quinto da população mundial. A falta de água e a desertificação, a redução de terreno arável e das reservas piscícolas e a competição pelos recursos energéticos cujas reservas encontram-se em zonas vulneráveis a estes fenómenos, vão ter repercussões a nível mundial.Do ponto de vista social, todas estas pressões podem instigar conflitos étnicos e religiosos e radicalizar as tendências políticas dos países. O relatório adverte que as regiões futuramente mais afectadas englobam os países de terceiro mundo, com menor capacidade de resposta. Estes países “não são os maiores responsáveis pelas alterações climáticas”, diz Solana, “o que pode incentivar políticas de ressentimento.”


Árctico: Conflito no Horizonte


A Europa já antevê o seu problema caseiro. À medida que as calotes de gelo do Árctico vão deixando de existir, novas vias marítimas tornam-se apetecíveis para as nações que rodeiam o Pólo Norte. Ao mesmo tempo, enormes reservas de hidrocarbonetos ficam disponíveis para quem lhes quiser deitar a mão. No ano passado, a bandeira russa hasteada no leito marinho do Árctico foi mal vista pela comunidade internacional, que interpretou o gesto como um sinal e aviso do interesse da Rússia naquela área. Javier Solana refere a importância de se discutir este problema, “com a subida das águas e o derretimento dos gelos, aumenta a necessidade do debate sobre a pertença territorial, as zonas económicas exclusivas e o acesso a novas rotas comercias.” Para o comissário a discussão científica acerca das alterações climática já acabou. É altura para consciencializar o mundo e ajudar os países que mais vão sofrer com este fenómeno, para que possam desenvolver formas de o combater. À Europa, como provável destino de futuras migrações, esperam-lhe novos desafios. Quinta-feira, os líderes da UE poderão começar a desenhar uma resposta internacional para esta problemática.

10 comentários:

Vasco PS disse...

Esta notícia é, sem dúvida, preocupante. Todos sabíamos onde este excesso de poluição nos haveria de levar; apesar de tudo, continuamos à espera de estudos e mais estudos; só seremos conscientes quando sentirmos na pele as consequências das mudanças climáticas? É pena que se chegue a este estado de apatia.

Solana fez algo positivo. Pôs um ponto final na discussão científica. Muita gente já entendeu o que se está a passar, as razões e as consequências num futuro próximo. Agora há que tomar medidas, especialmente, dialogar para nos preparamos para a dura realidade das migrações. A Europa vai pagar uma factura muito elevada; mas tem de saber negociar e abrir caminhos para uma correcta e eficaz gestão do espaço e do tempo, que nos resta.

Esta notícia é, a meu ver, realista e, bastante deprimente. Espero que se encontrem as melhores alternativas.

Soraia disse...

O poder do dinheiro...

Esta situação, apesar de muito triste e deprimente, é algo que há muito se esperava.
Já se realizaram milhares de estudos e até documentários interessantíssimos sobre as consequências do aquecimento global, nomeadamente o de Al Gore, que incentivado por um professor de faculdade se interessou por este tema e decidiu estudá-lo para alertar o mundo do que irá acontecer.

Mas não sejamos hipócritas: toda a Humanidade está informada sobre as consequências negativas que o aquecimento global trará para o planeta.
O problema são os interesses económicos, que não permitem que se tomem medidas para solucionar esta situação. Sempre que é publicado um estudo fiável, credível e alarmante sobre as GRAVES CONSEQUÊNCIAS DO AQUECIMENTO GLOBAL, aparece um ricaço qualquer dono de uma unidade fabril de dimensões gigantescas que polui mais que muitas fábricas portuguesas juntas, a dizer que é tudo muito relativo, que os investigadores estão a exagerar, e que não é necessário tomar medidas urgentes.

Assim não iremos longe.

Enquanto os agentes económicos não perceberem que os INTERESSES ECONÓMICOS NÃO PODEM SOBREPÔR-SE à necessidade de proteger o meio ambiente e a nossa própria saúde nada mudará.

A acção humana, está a destruir muitos ecossistemas e a desequilibrar outros tantos, como é o caso do urso polar, que ao contrário do que se verificava há alguns anos atrás, é agora obrigado a nadar quilómetros e quilómetros (denote-se que nadar é algo que os ursos polares não gostam, nem são dotados para fazer), para encontrar um pedaço de gelo onde possam permanecer…isto sem contar com os ursos polares que morrem de fome, devido aos milhares de quilómetros que têm de fazer a nado para conseguir encontrar alimento para si e para as suas crias.

É triste.

É a prova de que o ser humano é capaz do melhor e do pior.
A Terra é o único lar que temos, e vamos destruí-la, por estupidez.

Paulo disse...

Nesta altura o combate às alterações climáticas devia ser uma prioridade, mas não o é pelo simples facto de não interessar a ninguém, nomeadamente às pessoas que “controlam” o nosso planeta, os donos de grandes companhias de petróleo, os donos dos principais bancos mundiais e por aí fora. O poder está concentrado nas mãos de quem não tem qualquer sensibilidade para com a nossa terra e quem vive nela.

Quanto a mim, a discussão sobre estas alterações já terminou, até porque não existe possível contra-argumento para este facto. As alterações climáticas são uma realidade e não há volta a dar. É chegada a altura de actuar. Sensibilizar as pessoas para o que vai de mal nesta mundo. Mostrar a “quem manda” que pelo andar da carruagem, mais cedo ou mais tarde vão deixar de o fazer e vão sofrer como todos os outros. Ou se calhar até não, porque os mais prejudicados com a crescente desertificação e subida do nível das águas do mar vão ser os países em desenvolvimento, o que poderá despoletar no seu seio um sentimento de revolta para com aqueles que mais poluem, os países industrializados e os NPI.
Aliás, as alterações climáticas vão de facto influenciar futuras migrações, e as populações irão fugir de novas pragas, novas doenças, do calor, e além disso, muitos países vão perder grande parte das suas áreas costeiras, incluindo os países desenvolvidos. Algumas ilhas poderão mesmo vir a desaparecer.

Para já são os animais que mais sofrem com esta situação, como o urso polar da imagem, que, como dizia a Soraia, muitas vezes morre a atravessar grandes distâncias de águas geladas, só para conseguir alimento. Até algumas espécies de aves, que todos os anos seguem rotas migratórias idênticas, estão agora a ir parar a locais onde nunca estiveram. Sinto-me muito triste por este facto, até porque adoro animais e tenho muita pena de todo o mal que sofrem com esta situação. No entanto, num futuro se calhar mais próximo do que se espera, nós, humanos, é que vamos sofrer as consequências reais e mais severas, e provavelmente só aí é que o Homem irá consciencializar-se de que é preciso fazer algo, mas aí será tarde de mais.

Na minha opinião, ainda não é tarde de mais, mas é preciso actuar JÁ. Só com responsabilidades repartidas e com verdadeira consciência do problema é que podemos chegar a algum lado. Espero eu.

Para concluir, deixo aqui algumas curiosidades pertinentes e bastante elucidativas. Algumas não estão directamente relacionadas com as alterações climáticas, mas penso que será interessante para todos os que estiverem a ler este meu comentário lerem isto e tirarem as suas próprias conclusões. Cá vai:
•Pensa-se que em cada ano que passa 17000 a 25000 espécies de seres vivos desaparecem em todo o Mundo;

•A âncora de um navio pode destruir no fundo do mar uma área correspondente a metade de um campo de futebol;

•Os principais poluidores mundiais são:
1- Estados Unidos da América
2- China
3- Indonésia
4- Brasil
5- Rússia
6- Índia
7- Japão
8- Alemanha
9- Malásia
10- Canadá
(Não tenho a certeza se esta lista está actualizada…)

•Uma das marcas que mais investe contra a poluição ambiental provocada pelos carros é a Volvo, que submete os carros a longas e difíceis provas, oferecendo ao consumidor carros que aceitam outros tipos de combustíveis;

•Mais de metade das reservas fósseis existentes no mundo já foram consumidas pelo Homem e a sua exploração descontrolada pode provocar a sua extinção em pouco tempo;

•Grande parte da comunidade científica e das organizações internacionais acredita que em 2100, o NMM (nível médio do mar) estará entre 0.5 e 1 metro acima do actual, devido ao degelo e expansão térmica das águas do mar. Se o NMM se elevar 1 metro, só no Egipto serão directamente afectadas 6 milhões de pessoas e perder-se-ão 15% dos terrenos agrícolas, enquanto que no Bangladesh, a população afectada será de 13 milhões, com perda de 16% da produção nacional de arroz.

•Algumas das ilhas do Pacífico desaparecerão quase por completo, como é o caso das ilhas Marshall, em que mais de 80% do território será inundado. A produção de alimentos e o sector das pescas em algumas partes do mundo ficarão assim ameaçados.

Vasco PS disse...

Felicito-vos, Soraia e Paulo, pelos óptimos comentários.

Primeiro, quero salientar a importante chamada de atenção feita pela Soraia quanto À questão dos interesses económicos, que a meu ver, têm vindo, desde sempre a minar a construção de uma sociedade saudável e de um futuro sustentável.

Quanto ao comentário do Paulo, é de valorizar o facto de ter apresentado um conjunto de dados/curiosidades acerca deste tema que são, de facto surpreendentes. Penso que o primeiro, sobre a extinção ou perigo das espécies animais é assustador. Não tinha noção de que tal acontecesse com esta intensidade todos os anos.

Este tema é um dos que poderá passar despercebido para muitos dos frequentadores deste blog. Convém, assim, reforçar a ideia de que a questão que nos é apresentada tem uma relevância vital; o futuro do Planeta depende de todos, assim como todos dependemos do futuro (para o qual contribuímos, positiva ou negativamente), do Planeta.

Paulo disse...

Concordo plenamente com o Vasco. Este é um tema muito importante e é provavelmente um dos que deveria ter mais importância para nós, até porque é um dos que está mais directamente relacionado com o nosso futuro. Assim, espero que os leitores e comentadores deste blog tenham a consciência de, pelo menos, reflectir um pouco sobre o assunto.
Porque o planeta é de todos.

The American disse...

Comparemos os seis dias do livro do Génesis aos quatro biliões de anos de tempo geológico:
A esta escala, um dia equivale a 666 milhões de anos.
. No dia inteiro de segunda-feira até ao meio-dia de terça, a criação estava ocupada a fazer andar a Terra.
. A vida começou ao meio-dia de terça-feira, e a sua bonita totalidade orgânica desenvolveu-se nos quatro dias seguintes.
. Ás quatro da tarde de sábado, vieram os grandes répteis.
. Cinco horas depois, quando apareceram as árvores pau-brasil, já não existiam os grandes répteis.
. Aos três minutos para a meia-noite, apareceu o Homem.
. Um quarto de segundo para a meia-noite, chegou Cristo.
. Aos um/quarenta avos de segundo para a meia-noite, começou a Revolução Industrial.

Estamos rodeados de pessoas que pensam que podemos continuar a fazer indifinidamente aquilo que temos feito nestes UM/QUARENTA AVOS DE SEGUNDO!
Consideram-nas pessoas normais. Mas são doidas varridas.

Bill Centurié e Janet Mercer


Estas frases são, na minha opinião, um retrato da sociedade actual.
Vivemos, de certo modo, ingenuamente despreocupados porque pesamos que o que fazemos agora, nada vai alterar no futuro. Enganamo-nos. Penso que a altura de prevenir já acabou, e as consequências virão em breve, mas ainda podemos tentar reduzir essas consequências, ou, pelo menos tentar que se tornem ainda mais graves. Para isso basta que os países desenvolvidos (principalmente) e/ou industrializados optem cada vez mais por medidas de protecção ambiental e esqueçam, como disse a Soraia, O DINHEIRO. Estamos no meio de uma guerra, em que o inimigo é invisível e mais rápido do que poderemos pensar, e o pior é que está a vencer-nos. Provas disso são os acontecimentos que se têm registado ultimamente, como o aparecimento de furacões em zonas que dantes diziam ser impossível aparecerem e estações do ano completamente descontroladas, com invernos onde não ocorre precipitação por exemplo. O nosso país já enfrentou grandes secas nestes últimos anos e continuamos a enfrentar; e como nós o Mundo inteiro.
O ser humano faz parte da Natureza, e a sua guerra contra ela é inevitávelmente uma guerra contra si próprio.

Soraia disse...

Vasco antes de mais agradeço o teu elogio ao meu comentário.De facto, tens toda a razão ao afirmar que este é um assunto vital para a sociedade actual, mas que passa despercebido.
É muito triste pensar que um problema tão grave como este que pode ter consequências desastrosas para o planeta, seja visto por alguns como insignificante.
Espero que após a leitura das opiniões dos comentadores deste blog, as pessoas reflictam um pouco sobre a forma como gradualmente estamos a matar o NOSSO planeta.

Pedro disse...

Um GRANDE problema…

De facto este é um problema muito actual que se tem perpetuado ao longo dos anos.

O problema do aquecimento global é uma situação que se tem acentuado nas últimas décadas, e tem como causas o desenvolvimento da indústria e das novas tecnologias.
Também o uso excessivo de matérias-primas fortemente poluidoras, como o petróleo e seus derivados, tem sido uma das muitas razões para as grandes emissões de CO2 para a atmosfera.

Esta situação está a alterar a temperatura do nosso planeta, que de ano para ano aumenta substancialmente e que tem conduzido ao derretimento das calotes polares e o consequente aumento do nível médio do mar. Existem estudos que indicam que daqui a 100 anos os países costeiros como Portugal, podem perder parte do seu território com o avanço do mar, e cidades como o Porto e Aveiro, entre outras, poderão desaparecer.

Penso que as conclusões que o Sr. Javier Solana irá apresentar em Bruxelas podem constituir um importante passo na sensibilização da população mundial para esta problemática, prevenir tensões entre os líderes mundiais e atenuar os problemas já existentes.

Para concluir, considero urgente mostrar à população mundial de que forma o aquecimento global e a crescente poluição estão a afectar o nosso planeta e nossa qualidade de vida e apoiar quem está empenhado em solucionar ou pelo menos atenuar este problema.

Aproveito para elogiar o comentário da Soraia pois partilho da mesma opinião. De facto, isto não passa de um jogo de interesses económicos das grandes potências, que nada fazem para manter o planeta “vivo” e habitável para as gerações futuras.

Rute Cruz disse...

Consequências

Tudo na vida tem consequências. Umas mais negativas do que outras, que afectam mais ou menos pessoas em variadas regiões do planeta. Mas neste caso as consequências irão fazer sofrer do maior ao mais pequeno habitante deste planeta. A Terra. São elas as consequências do aquecimento global, aquecimento este que resulta de anos e anos de actos mal pensados pelo Homem que fazem com que hoje todos deitemos as mãos à cabeça ao pensar nas assustadoras promessas feitas pelas consequências, que são bastante graves ao ponto de pôr todo o planeta sujeito a uma destruição total.

Penso que não será necessário repetir todas as possíveis consequências já enunciadas pelos meus colegas, com os quais concordo plenamente.
Agora, o mal já está feito, só nos resta melhorar o pior e evitar que o horrível aconteça.
Espero que se consiga impedir esta situação, de modo a que não caminhe para uma dimensão impossível de se alcançar e de se resolver.

Joana Santos disse...

Não devia ser só o Tarzan a preocupar-se com estes factos, ou os produtores da Walt Disney que se interessam e produzem filmes que retratam estas situações esperando que o seu público fiel, as crianças, tomem consciência disso.


A questão é que não são as crianças os maiores poluidores, são os adultos, sim aqueles que estudaram durante quase duas décadas, que se acham donos deste mundo e do outro. De facto, não são os conhecimentos escolares responsáveis por tal destruição ambiental mas sim a ambição, a vaidade que movem estes indivíduos segundo os seus próprios interesses.


Outra questão é que quando se dão estas conferências, tudo muito bem estão lá presentes todos os representantes possíveis e imaginários. Mas será mesmo assim? Na realidade o grupo com maior interesse, que sofre mais, que tem mais repercussões não é o grupo animal? Pois bem, ele está lá presente? Deixando de ironias. Este é um assunto que nunca será tratado de forma justa e honesta, os interesses humanos serão sempre os mais pesados e mais importantes e se alguém ousar intervir no seu caminho, ora bem acho que um dado papel de forma rectangular com uma imagem de um presidente antigo tratará do assunto, porque neste mundo vivemos na individualidade e não na colectividade, porque mesmo que milhões de habitats sejam destruídos e chacinados isso não interessará porque no outro lado do mundo alguém terá uma mansão com uma imensa piscina e uma larga conta bancária. E a sua fábrica? Essa, ora pois ou deitará rios de toxinas para os rios ou para os ares de uma forma ou de outra o mundo estará contaminado.
Um pequeno aparte, África já tem as derradeiras condições mas dentro de uma década as monções já não existirão.


Estas questões deixam-me sem palavras, acho que já está na altura de nós, individualmente tomemos consciencia da gravidade deste problema e nos tornemos num "Cidadão Verde".