segunda-feira, 3 de março de 2008

Tensão agrava-se na América Latina após incursão militar colombiana no Equador

03.03.2008 - 17h49 AFP, PÚBLICO

A tensão na América Latina não pára de aumentar na sequência da entrada de tropas colombianas no Equador para eliminar o “número dois” das FARC, sábado passado, naquela que é já considerada a mais grave crise da década na região. Tanto o Equador como a Venezuela enviaram milhares de soldados para a fronteira com a Colômbia, ao mesmo tempo que romperam, “de facto”, as relações diplomáticas com Bogotá, expulsando os embaixadores do país e chamando os seus diplomatas acreditados no país vizinho. Esta manhã, o Ministério da Defesa do Equador colocou em “estado de alerta máximo” as forças armadas do país, ordenando a realização de “patrulhas na fronteira” com a Colômbia, adianta a AFP. Bogotá critica a reacção dos países vizinhos a uma operação que considera legítima e garante que não tomará parte em qualquer escalada militar. “Temos capacidade para mobilizar as nossas tropas, mas não vemos qualquer necessidade de o fazer”, afirmou o ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos.O “número dois” das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) foi morto anteontem, no Norte do Equador, por um comando militar colombiano que atravessou a fronteira para atacar uma base recuada da guerrilha, matando outros 17 rebeldes. A operação, que não terá sido comunicada às autoridades locais, ocorreu dias depois das FARC terem libertado quatro ex-congressistas colombianos, num processo mediado pelo Presidente venezuelano, Hugo Chávez.
Uribe acusa países vizinhos de usarem reféns como mercadoria
O Presidente equatoriano, Rafael Correa, apelidou de “mentiroso” o seu homólogo colombiano, Álvaro Uribe, depois de este ter dito que os militares colombianos se limitaram a reagir a um ataque da guerrilha. Na resposta, Bogotá acusou Correa de ter cedido à guerrilha, a fim de lhe ser reconhecido o papel de mediador nas negociações para a libertação de mais reféns. Uribe chegou mesmo a afirmar que “certos governos” usam a questão dos reféns como “mercadoria” para “ganhar dividendos políticos”. O Governo colombiano promete entregar à ONU e à Organização de Estados Americanos (OEA) “revelações sobre os acordos entre o grupo terrorista das FARC e os Governos do Equador e da Venezuela. Há vários anos que as FARC instalaram nos países vizinhos bases recuadas, para onde se retiram para fugir à perseguição dos militares colombianos. Mas a incursão de sábado veio dar uma componente militar a uma questão que era até agora tratada no domínio diplomático. “A situação é explosiva, os Exércitos estão nas fronteiras e a questão das FARC transforma-se num problema regional, até mesmo internacional”, sublinhou um diplomata europeu, que falou à AFP sob condição de anonimato.A questão poderá complicar-se ainda mais depois da Administração norte-americana – que há anos apoia militarmente a Colômbia sob o pretexto de combate ao narcotráfico – ter garantido total solidariedade com Uribe. “Apoiaremos o Governo colombiano no seu combate contra as organizações terroristas que ameaçam a democracia e a estabilidade”, garantiu um porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, pedindo também “contenção” aos países vizinhos.
Mais uma vez a Colômbia, as FARC, a Venezuela e Hugo Chavéz e agora, também, o Equador!
Será que vai haver mais uma guerra, à escala regional, na América Latina?

16 comentários:

Vasco PS disse...

Para o mal todos ajudam. Assim, uma guerra parece interessar a muita gente.

Será que não conseguem ver o mal que fazem a si próprios?

Os dirigentes políticos destes países deviam ser substituídos...mas o povo até gosta deles. Gostam, não gostam? Então não se queixem das consequências.

Que triste quadro é este; uma América Latina cada vez mais incivilizada; em vez de evoluírem, regridem. Mas este já é um mal global...nem dá para os condenar.

Nuno Bap. disse...

Criar um guerra na América Latina só iría trazer graves problemas políticos,económicos e sociais aos países envolvidos o que viria atrasar o seu devenvolvimento e prejudicar os habitantes desses países.
Na minha opinião alguem vai sair muito prejudicado desta "guerra".
Quem será?

Paulo disse...

De facto, é bem provável que venha a haver uma “guerra latina”, e não surpreende muito, no sentido em que as oposições políticas daquela região são bem evidentes. Além disso, a questão das FARC tem-se vindo a arrastar durante muito tempo. Até quando aguentará este barril de pólvora?

Tal como diz o Vasco, e bem, parece que estes países estão a regredir em termos civilizacionais. É incrível e absurdo que isto aconteça em pleno século XXI. Mas isso não acontece apenas nesta região. Aproveitando uma deixa do professor numa das últimas aulas, “o ser humano é estúpido”. Penso que é totalmente verdade e, de facto, dá-me a sensação que estamos a voltar à era dos macacóides, que lutavam por um pedaço de carne. Pode ser um exagero, mas a verdade é que presenciamos coisas estúpidas todos os dias.

Mas voltando ao assunto, será que vamos mesmo assistir a uma eventual guerra no sul do continente americano? Com a intervenção militar colombiana, acho que estamos mais perto disso do que outra coisa. Mas espero bem que não, até porque o povo latino já passa dificuldades suficientes sem uma guerra desnecessária.

Paulo disse...

P.S.- Parabéns Nuno. Penso que este foi o teu primeiro comentário, e mostraste a muita gente que o importante não é o tamanho dos comentários, mas sim darmos a nossa opinião e demonstar interesse por actividades interessantes como esta.

Vasco PS disse...

Subscrevo, Paulo. Parabéns pelo comentário Nuno. De facto, não importa o tamanho, mas a participação activa, o interesse. Como um dos mais antigos membros participantes no blog, tenho-me deixado de comentários extensos, prefiro pequenas exposições, que criem mais espaço para debate.

Esta questão da América Latina é importante. Ninguém nota que nos últimos meses tem havido um crescimento anormal de conflitos à escala mundial? É o Médio Oriente, com as habituais preocupações, os problemas nos países africanos, a Rússia a levantar crista, o Kosovo e afins, e agora a América Latina...isto está mau, muito mau.

Margarida Lourenço disse...

Com a intenção de não me prolongar demasiado, creio que esta questão da América Latina está a chegar ao fim do rastilho e cada vez mais perto da bomba.

Acredito imenso que daqui culminará uma guerra, mais tarde ou mais cedo, e cada vez mais perto.

E como países em desenvolvimento e com demasiadas dificuldades, deveriam ter cautela. Mas, enfim, só atrasam o desenvolvimento, e nem dão por isso.

A guerra, realmente, é injusta e inevitável.

A guerra nunca determina quem vence, só quem resta.

Vasco PS disse...

Concordo contigo Margarida. A guerra só tem vencidos, nunca vencedores.

The American disse...

No meu ver, a resposta à pergunta aqui presente, é sim, sem dúvida... Talvez já já não, mas basta que qualquer conflito aconteça em território Venezuelano para a que a Guerra Latina comece realmente. Penso que a "guerra" entre políticos na América Latina já começou há muito. As mortes também. A maior parte das vezes pessoas inocentes, outras não. Agora com a Colômbia encurralada entre o Equador e a Venezuela, temo que a guerra esteja para breve.
No entanto espero sinceramente que não, porque isso iria trazer mais conflitos regionais, internacionais e sobretudo conflitos de interesse entre países que iriam apoiar a Colômbia como os EUA e talvez Espanha e entre o nosso "sempre amigo" Hugo Chavez.
P.S. - Relativamente ao "amigo" estava a ser irónico claro...
Muito bons comentários e diversificados. :)

Vasco PS disse...

Esqueci-me de um ponto curioso...
"Mais uma vez a Colômbia, as FARC, a Venezuela e Hugo Chavéz e agora, também, o Equador!" Palavras do Prof. Eduardo Vales.

Três países, um grupo de guerrilha...e voilá, o presidente venezuelano. E depois querem que a gente não crie ideias negativas em relação ao homem! E ele, sempre tão destacado...só faz asneira.

Margarida Lourenço disse...

Porque será que o nome dele tem que aparecer na maioria das maldades?

Porque nunca disse algo de realmente valorável aos olhos dos países desenvolvidos?

Exacto Vasco, o senhor Chávez faz asneiras, e desta vez pode ter tramado três grandes nações.

Margarida Lourenço disse...

Professor, era só para dar uma informação que pode ser significativa.

Encontrei este site, pode ser interessante para a disciplina:

http://www.ibge.gov.br/paisesat/

Vasco PS disse...

Margarida,

Obrigado por partilhares o interessante site. No entanto, é bom recordar que o link do mesmo já está à disposição de todos no site de Geografia Mapa-Múndi do Prof. Eduardo Vales, há uns meses.

Soraia disse...

Mais uma vez há uma guerra iminente...mais uma vez o Sr. Hugo Chávez está "metido ao barulho".

Penso que a situação da América Latina é muito preocupante, mas infelizmente hoje em dia, este tipo de conflitos é cada vez mais frequente e as suas consequências são cada vez mais devastadoras.

Parece que o mundo estagnou.Não se evolui. Voltou-se ao tempo em que se pode matar por matar sem qualquer punição.
A guerra vai acontecer, mais cedo ou mais tarde, e nós mais uma vez vamos assistir pela tv a milhares e milhares de cadáveres espalhados pelas ruas.

Mas como disse o Vasco e muito bem, o povo até gosta dos políticos destes países...

É como se costuma dizer:
"Quem semeia ventos, colhe tempestades".


Ps: Parabéns a todos aqueles que se dedicaram a comentar este blog. É de facto uma actividade muito interessante, que nos enriquece culturalmente.

Pedro disse...

Bem, confesso que não estou muito dentro deste assunto por isso irei fazer um comentário curto onde apenas vou expor a minha opinião.

Mais uma vez a Colômbia e as FARC andam nas bocas do mundo e como sempre pelas piores razões. Agora a comunidade internacional receia o despoletar de uma “Guerra Latina” (como referiu o meu amigo Paulo) que terá repercussões negativas em todo mundo principalmente a nível económico e social.

Além disto este problema leva a uma situação de instabilidade política e a conflitos internos sangrentos que poderão causar a morte a milhões de inocentes e atrasará o desenvolvimento económico destes países que já por si têm imensas dificuldades para se desenvolverem harmoniosamente.

P.S: Estou deveras contente que o blog tenha tanta adesão, pois este tipo de actividades ajuda-nos a desenvolver a nossa cultura geral e a estarmos a par do que está a acontecer no mundo… Já agora, parabéns Nuno pelo teu primeiro comentário.

Pedro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rute Cruz disse...

Bem, por esta não se esperava…

A América Latina, sempre tão calminha e agora isto… Quem diria? Bem, o que é certo é que no meio de pequenas tensões, as mesmas acabam sempre por evoluir e depois sempre se da origem a uma situação deste género. Uma situação de tensão entre três países, que aparentemente sempre se entenderam. Ao longo de muito tempo sim, no entanto se pensarmos bem nos nomes que agora acompanham estes países… aí sim, já dá para desconfiar. Há bem pouco tempo, o presidente Uribe prometia acabar com os terroristas e as suas forças, por outras palavras, acabar com as FARC. Deve ter sido este argumento que o levou a realizar uma incursão militar no Equador. Se teve apenas esse fim, tudo bem, pois é extremamente urgente acabar com esses grupos criminosos e não merecedores de respirar o oxigénio que no nosso planeta tanta falta faz.
Por outro lado, sempre que se ouve falar em FARC, sabe-se lá bem porquê, é referido também, Hugo Chavéz. Começo por isso a acreditar que estará, de alguma modo, e não deve de ser da melhor forma, envolvido com a mesma.

Agora só nos resta esperar para ver qual será o próximo episodio…