quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Crise obriga pais a cortar despesas com os filhos


Famílias prescindirem de valências como as explicações, o Inglês, ou a Música


As famílias começam a cortar nas actividades extracurriculares das crianças, afectando as explicações, o Inglês e a Música. Estas são as indicações recolhidas pelo JN junto de várias instituições das grandes cidades e suas periferias.
A crise instalou-se na classe média e afectou a Educação, vivendo as suas instituições o desafio de a combater. "Opta-se pela não actualização de preços, por descontos a alunos mais antigos, pela redução do número de horas diárias dadas pelos docentes", ilustra Ivone Rocha, directora do centro de explicações do Porto "Letras e Algarismos". Ainda assim, revela a responsável, "há desistências e muito menos inscrições por manifesta incapacidade financeira". Na periferia, em Valongo, o "Sabe Tudo" recebeu "menos alunos depois do Natal, em comparação com o ano passado". As razões são as mesmas, ainda que se opte, igualmente, por facilitar a vida dos pais. "Não se faz actualização de preços", revelou uma das sócias.
Mais para sul, em S. João do Estoril, perto de Lisboa, o centro de explicações "Pronto-a-Estudar" tem menos alunos este ano, apesar de a inscrição ser gratuita e de quase não terem aumentado as mensalidades. "As pessoas pensam muito bem na modalidade que escolhem porque isso faz diferença nos gastos mensais", admitiu uma funcionária.

Prescinde-se do Inglês e da Música

A crise é igualmente sentida em instituições de ensino de grande dimensão, habitualmente frequentadas pela classe média. "Se os pais pedirem para pagar um bocadinho mais tarde, aceita-se; se os alunos mais antigos se inscreverem mais cedo, têm desconto. E pondera-se, cada vez mais, discutir com o banco a possibilidade de os clientes poderem contrair um empréstimo para pagarem as propinas", avançou Sofia Leitão, membro Instituto Britsh Council.
Aquela responsável defende que "os pais sabem a importância da língua inglesa no futuro dos filhos, fazendo o esforço de proporcionarem a sua aprendizagem".
A ginástica é igualmente sentida nas escolas mais pequenas, como a "Know-how", em Lisboa. A directora, Maria João Lopo de Carvalho, nota "uma grande retracção e quebra" nos cursos intensivos que habitualmente organiza para as férias e pausas lectivas e admite que os pais estão a optar por alternativas sem custos, como deixar os filhos nos avós.
Relativamente à música, uma das actividades extracurriculares mais procuradas nos últimos anos, também são sentidas algumas dificuldades, especialmente na periferia. Que o diga Rita Nunes, directora da Escola "Dó Ré Mi", em Valongo, onde "os pais vão sempre procurando aulas que não os façam gastar muito dinheiro". "Convencem os filhos a aprender guitarra porque poderão mais tarde comprar-lhe uma e tentam dissuadi-los, por exemplo, de piano". Por outro lado, "no caso de irmãos, verifica-se que um acaba por desistir ou nem sequer inscrever-se".
Rita Nunes garante que a crise está a afectar profundamente a classe média. "São pessoas que tinham uma vida estável, que contraíram despesas com base numa promessa de estabilidade e que, de repente, vêem-se a braços com bastantes dificuldades", explica.
Já na Escola de Música da Foz, no Porto, não se verificam problemas desses. "Estamos ao lado dos grandes colégios privados. A classe A não sofre com a crise", justifica o director Moz Barbosa.

Desistem por falta de dinheiro

Actividades como a dança ou o futebol também estão a perder procura. Alexandre Silva, director desportivo da "Mr Foot", uma escola de futebol para crianças em Almada, diz que este ano teve "um decréscimo de 20 a 25%".
No distrito do Porto, as escolas de dança passam pelo mesmo. Na cidade, na Academia de Dança Joana Reis "verificam-se algumas desistências por falta de dinheiro, embora as pessoas não assumam isso imediatamente", conta um dos funcionários. Na periferia, na Escola de Dança de Ermesinde, por exemplo, "as famílias começam a queixar-se e a ponderar muito", confessa a directora Edite Santos. (Jornal de Notícias, 05.02.09)



E vocês, também vão sentindo esta crise económica?

4 comentários:

Daniel12H disse...

l.coma crise esconómica sem dúvida que está a afectar tudo e todos...
ouvi a notícia hoje no jornal da tarde e vi que alguns pais cortaram nas despesas antigas com os filhos pricipalmente no que toca ás actividades desportivas...

por vezes os filhos não entendem o porque mas nas situações de crise como e obvio opta-se por cortar naquilo que nao é um bem essencial e por isso pode ser mais rápidamente dispensável.

Os pais nao pertendem atingir os filhos mas sim salvaguardar as suas ecónomias para poderem viver e lidar com esta crise e quem sabe um dia mais tarde voltar a devolver aos filhos aquilo que lhes teve que ser retirado!

felizmente ainda não passei por esta situação e espero não passar, apenas tivemos que saber controlar melhor as depesas e fazer aquilo que faziamos com mais frequencia, com menos como é obvio...
penso que também devemos procurar poupar na água na luz e um bom começo para poupar algum dinheiro e para salvaguardar estes recuros...

penso que se todos fizermos um esforço tanto a nivel nacional como internacional esta crise poderá a medio longo prazo ser ultrapassada !

MárciaFilipa disse...

Esta é sem dúvida uma das grandes consequências da crise económica.
Em tempos de crise, as familias menos remuneradas são obrigadas a cortar as despesas não só com os filhos mas também em coisas menos importantes e focalizarem-se, principalmente, nas essenciais.
Para ser sincera, eu não considero-me uma pessoa que esteja sempre a pedir coisas que por vezes não são necessárias, tenho realmente noção dos limites.
Em tempos de crise há que apertar o cinto e centrarmos apenas naquilo que é realmente necessário e deixem de parte futilidades!

Telmo Oliveira disse...

Esta é uma das causas da crise económica actual.

Com o aumento dos produtos essenciais para as famílias ( nomeadamente alimentos ), aumento da luz, água, e renda da casa, os pais veêm-se obrigados a cortar despesas aos filhos por exemplo, mesadas.

Como a Márcia referiu, eu também não sou do género de pedir dinheiro ou outros produtos aos meus pais...

Como a mesma referiu , e muito bem, as pessoas tem que gastar dinheiro apenas no que é realmente necessário, e deixar de parte os bens superfluos...

Telmo Oliveira
11ºI

cristiana_alves disse...

Realmente que isto aconteça não me admira muito porque se as pessoas estão a passar por graves momentos de crise, é normal que tenham que cortar nas despesas "extras".
Se antes era normal uma pessoa frequentar uma escola de karaté, dança, música ou assim, agora torna-se bastante complicado, mesmo as escolas fazendo vários descontos, e facilidades nos pagamentos.
Claro que retirar os filhos dessas actividades não se torna fácil para os pais, mas em tempos como estes, as pessoas não se podem dar ao "luxo" de gastar aquilo que lhes irá fazer falta para outras coisas.