quinta-feira, 22 de maio de 2008

Human Rights Watch denuncia detenção de mais de 500 menores no Iraque, pelas forças norte-americanas


A organização dos direitos humanos Human Rights Watch pediu hoje para que as centenas de crianças detidas pelas forças norte-americanas no Iraque tenham acesso imediato a um advogado e que os casos que justificam a detenção sejam apreciados por entidades judiciais independentes. Segundo a organização, foram detidos 513 menores de 18 anos identificados como ameaças à segurança, desde Março de 2003. Ao todo foram detidas 2400, algumas com 10 anos, que foram sendo libertadas. Por vezes são interrogadas durante dias ou semanas antes de serem enviados para centros de detenção. “A maior parte das crianças fica durante meses sob custódia das Forças Armadas norte-americanas “, disse Clarisa Bencomo, da Human Rights Watch. “Os EUA deviam dar a estas crianças acesso imediato a advogados”, acrescentou. As queixas da organização surgem um dia antes do Comité das Nações Unidas para os Direitos da Criança se encontrar em Genebra, na Suíça para rever as condições de adesão dos Estados Unidos a um tratado sobre as crianças em conflitos armados. O tratado obriga as nações que detêm os menores a responsabilizar-se pela sua recuperação e reintegração. Em declarações, as Forças Armadas norte-americanas apenas confirmaram que têm “menos de 500 crianças” sob a sua custódia no Iraque. E acrescentaram: “Não há nada neste protocolo que iniba a detenção de indivíduos menores de 18 anos, por isso estamos a cumprir com o nosso compromisso”.


4 comentários:

Rute Cruz disse...

Nem sei como começar este meu comentário, pois existem vários pontos em causa nesta questão. Primeiro temos de compreender e ter sempre bem presente que as crianças são seres inocentes e sem qualquer culpa em relação às confusões e guerras se travam no mundo. Devem de ser protegidas e dotadas de todas as condições para que possam, não só sobreviver, mas também terem tudo aquilo que as faça crescer sem serem influenciadas para os caminhos da guerra e da destruição. Verdade é, que nestes países, como é o caso do Iraque, o cenário e toda a situação é bastante complicada para que estes ideais sejam cumpridos e desejados. Muitas destas crianças são obrigadas a pegar em armas desde muito cedo, dominando completamente a sua mentalidade e vida futura. Talvez tenha sido essa a justificação para que os EUA tenham detido muitas crianças que deveriam estar a perturbar a ordem e a cumprir os desejos e as ordens de algum adulto mal intencionado e cheio de ódio no coração. Apesar de tudo nada justifica que as crianças sejam alvo deste tipo de episódios e de privação de liberdade para que sejam cumpridas à risca todas as regras que os EUA apontam como sendo as mais correctas.

Soraia disse...

Realmente, devo elogiar os americanos no que diz respeito à sua capacidade de inventarem desculpas e de fugirem, como se costuma dizer "com o rabo à seringa".

Acho vergonhoso que uma potência mundial, que se diz defensora da democracia e dos direitos humanos, submeta crianças a este tipo de humilhação.
É uma atitude condenável e penso que a UE devia tomar uma posição crítica face a esta ridícula atitude dos EUA.
Mais uma vez se prova que o Sr. Busha, foi a pior coisa que aconteceu aos EUA e ao mundo, e apesar de concordar com o meu amigo Vasco quando ele diz que a Hillary sabe como lidar com os lobbies económicos, acredito cada vez mais que Obama deveria ser presidente dos EUA, caso contrário esta situação vai perpetuar-se.

Tenho muita pena destas crianças e embora saiba que muitas delas são educadas para matar e desde cedo lhes incutem o ódio pelo ocidente, acho que este não é o caminho certo. Apesar de tudo, são só crianças.

O mundo tem que abrir os olhos.
Mais uma vez deixo aqui um apelo à defesa dos direitos humanos, neste caso em particular, a defesa dos direitos das crianças.

Os EUA deviam ter vergonha. Eu não sou americana e tenho.

Vasco PS disse...

Bem, penso que podia ficar uma eternidade a comentar este post.

As crianças têm, no quadro do Dto. Internacional, um conjunto de direitos fundamentais que devem ser, acima de muitos outros, protegidos e respeitados.

Acredito que, estando a lutar pelas forças de guerrilha iraquianas, não se pode permitir que andem por lá à solta. Mas, na verdade, aquele é o seu país. Os americanos não tinham nada de ir para lá, meter-se no que não lhes respeita. Mataram os pais destas crianças e agora esperem que elas os adorem?

Não podem tratá-las de qualquer maneira, mas também não podem deixá-las nas ruas a matar pessoas. Os americanos, sim, deviam ser punidos por esta situação. Se não fossem as suas intenções economicistas, estas crianças estariam em casa ou na escola e teriam família.

O governo norte-americano é mesmo uma vergonha.

Pedro disse...

Parece impossível que os EUA assíduos defensores dos direitos humanos não respeitem os direitos destas crianças. Actualmente estas crianças são ensinadas a odiar tudo o que seja ocidental ou pertença aos EUA.

Não posso deixar de concordar com a senhora Clarisa Bencomo quando esta diz que é necessário que seja atribuída ajuda judicial que proteja estas crianças e se certifique que os seus direitos sejam respeitados.

Nunca é demais referir que estas crianças são o Futuro do Iraque e são elas as únicas que poderão tirar este país do prfundo mal-estar social deste país.