quinta-feira, 22 de maio de 2008

Quénia: Multidão enfurecida queima vivas 11 pessoas acusadas de bruxaria

Mulheres da tribo masai, no Quénia. Uma multidão descontrolada queimou vivas onze mulheres acusadas de bruxaria em um povoado do Quénia

Uma multidão enfurecida queimou vivas 11 pessoas, no Quénia, acusadas de bruxaria. As casas de oito mulheres e três homens, incendiadas enquanto estes permaneciam lá dentro, ocorreu no lado ocidental do país, onde as crenças em costumes tradicionais são mais profundas.A notícia, adiantada pela polícia, foi confirmada por residentes que disseram que a multidão correu casa a casa com uma lista de quem era acusado de praticar bruxaria. As autoridades reforçaram a segurança no local, para evitar actos de vingança, numa região recentemente fustigada pelos ataques entre tribos durante a crise pós-eleitoral. As crenças tradicionais, o cristianismo e o islamismo coexistem pacificamente no Quénia mas o medo da bruxaria está muito espalhado pelo país onde a tradição dos médicos tribais e dos curandeiros está muito enraizada. Quase todas as vítimas tinham entre 70 e 90 anos, apenas uma rondava a casa dos 40. Um caso idêntico levou também à morte oito pessoas, em 1993 que foram acusadas de bruxaria e queimadas.


5 comentários:

Vasco PS disse...

Mas o que vem a ser isto? Vão instaurar a Inquisição no Quénia?

Mantenho a minha ideia: a falta de acesso à educação e à cultura são um grande mal nos países africanos.

Não acredito em bruxas, mas que as há, há. E existem pessoas de longe piores do que "bruxas".

Mais uma vez se reflecte nestas acções, outro dos problemas africanos, a multi-etnicidade, algo que poderia ser óptimo, pela variedade cultural...Mas pelo que vemos, todas estas tribos não se entendem.

Outro mal do mundo, a religião, obviamente. A crença que, devia ser algo positivo, apenas acarreta morte e atrocidades.

Que tristeza.

Rute Cruz disse...

Provavelmente voltamos à Idade Média e ninguém me avisou. As tribos do Quénia devem de estar a tentar competir com o já extinto Tribunal do Santo Oficio. Só assim se justifica uma situação deste tipo, ou não, pois nestes países ainda há um longo caminho a percorrer até que seja possível alcançar o progresso e a modernidade, à qual o mundo ocidental já está habituado desde há muito tempo. Por isso é que ficamos tão chocados quando deparamos com este tipo de realidades.

Soraia disse...

Isto revolta-me e custa-me a acreditar que em pleno século XXI ainda se cometam este tipo de atrocidades.

As crenças religiosas e os valores culturais estão a minar o mundo. Tenho muita pena que a religião seja cada vez mais uma fonte de conflitos e não um elemento agregador (vejamos o caso do conflito israelo-árabe e muitos outros infelizmente).

A diversidade cultural devia ser algo de positivo, pois na minha opinião a multietnicidade é uma mais valia. No entanto o sistema tribal em África é ainda muito forte e não há entendimento possível.

É uma pena, pois é mais um grave problema a juntar aos muitos que o continente africano enfrenta.
Há no entanto que referir que esta situação é na minha opinião, uma consequência da ignorância em que vive este povo, que não tem acesso à educação e à cultura, que na minha opinião, é a base de uma civilização.

Pedro disse...

Voltamos ao tempo da caça às bruxas, esta situação só revela que os problemas dos países africanos não passam apenas pela vertente económica. Com esta situação podemos observar como a multi-etnicidade em África está na origem de muitos dos conflitos que se formam nos países africanos.

Este é um problema que já se verifica desde o fim da 1ª Guerra Mundial e dos acordos de paz que não souberam respeitar as várias etnias que existiam neste continente desenhando fronteiras “a régua e esquadro”,deixando várias tribos divididas pelas fronteiras dos diferentes países formados.

O que ainda é mais chocante é que não haja por parte do governo uma tentativa de apaziguar estes conflitos e fomentar o intercâmbio cultural entre as diferentes tribos do Quénia. Talvez o presidente Mway Kibaki pense que se eles se matarem a todos são menos bocas para alimentar, logo pode amealhar mais uns milhões que deveria estar a usar para tirar a população do seu país da miséria em que vivem.

Jorge Manuel disse...

procuro o endereço electrónico de uma instituição portuguesa que actua no quénia, sei que se xama adu ou algo deo genero, se houver alguem que conheça e me possa dizer o nome exacto agradecia que me enviassem um esta informação para o meu email:jorgemgdias@gmail.com
Pois fikei muito sensibilizado ao ver uma entrevista à Senhora que dirige esta associação de solidariedade no quénia e que gostaria de poder contribuir com a minha ajuda. Obrigado Jorge Dias