sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Descoberta doença nos pinhais de Setúbal


Praga de vermes pode alastrar a todo o país


Uma praga que até agora era inexistente em toda a Europa, está a matar os pinheiros de Setúbal e ameaça atingir os pinhais espalhados por todo o país. A praga, descoberta pelos técnicos da Direcção Geral de Florestas, foi detectada entre a Marateca e Pegões, pelo que os especialistas já estão no terreno para tentar circunscrever a área afectada. Descoberta há cerca de dois meses, em Setúbal, esta praga de insectos que transportam uma larva responsável pela destruição e morte dos pinheiros, apenas era conhecida no Japão e nos Estados Unidos onde já levaram ao abate de milhares de árvores contaminadas. De acordo com os especialistas da Direcção Geral de Florestas, que descobriram o problema, esta praga poderá ter vindo parar a Setúbal através do transporte de madeiras feito pelo porto de mar ou pela estrada, uma vez que a região é "privilegiada para o transporte deste tipo de material". Quem o diz é o director da DRARO, Direcção Regional de Agricultura do Ribatejo e Oeste, Fernando Varela, que já confirmou ao "Setúbal na Rede" a existência desta praga dos pinheiros em Setúbal e a sua perigosidade que advém da destruição que provoca nos exemplares afectados e da facilidade com que a doença se propaga. Questionado sobre as razões que levaram à não divulgação da descoberta, logo no mês de Junho, Fernando Varela disse que não o fez por não querer alarmar os sectores industriais e comerciais ligados à exploração da madeira, até porque a doença foi rapidamente identificada e circunscrita ao local onde foi descoberta. No entanto, o director da DRARO diz não poder dar garantias de que a praga não se propague pelo país, uma vez que nada impede que outros carregamentos de madeira importada possam estar contaminados. Mas para já, foram tomadas medidas de precaução, em colaboração com as indústrias do sector sediadas em Setúbal, no sentido de "precaver qualquer propagação da doença", acrescenta este responsável. Enquanto isso, uma equipa de especialistas da União Europeia prepara-se para se deslocar a Setúbal, no dia 13 de Setembro, para analisar os problemas, no local, e tomar medidas de precaução no sentido da doença não se propagar a outros países da Europa comunitária. Uma situação que pode vir a preocupar seriamente as indústrias ligadas a esta matéria prima, porque se a situação for mesmo grave, Portugal corre o risco de ver embargada a exportação de madeira de pinho. Contactado pelo "Setúbal na Rede", o presidente da associação ambientalista Quercus, Francisco Ferreira, diz-se preocupado com a recente descoberta que poderá colocar em perigo todos os pinhais do país, que constituem a maior parte da mancha florestal nacional. E chega mesmo a apontar o dedo ao Governo ao garantir que a culpa é de quem "permite a cultura intensiva de apenas uma ou duas espécies", como é o caso do pinheiro e do eucalipto, "o que faz com que possa suceder uma razia" na floresta portuguesa em casos como este. Quanto à possibilidade destes insectos terem sido 'importados' conjuntamente com alguns lotes de madeira, o presidente dos ambientalistas afirma que isso "só prova que em Portugal a fiscalização não funciona". E aponta o exemplo negativo dos Estados Unidos, que "só depois de terem visto as florestas destruídas é que se lembraram de fazer um apertado controlo das matérias importadas".

Fonte: “Setúbal na Rede” - 06-09-1999

3 comentários:

beatriz disse...

Realmente, em Portugal a fiscalização não deve funcionar muito bem. Como é que é possível que se importem produtos sem avaliar a sua qualidade, o seu estado? Era a mesma coisa que importar bens alimentares e colocá-los à disposição do consumidor no mercado em estado de decomposição sem se saber! Pode chocar, mas é um facto.

O abate das espécies que podem ficar infectadas com este insecto pode trazer prejuízos económicos para o nosso país, uma vez que muitas das exportações que se realizam dependem deste sector. Vejam o exemplo da região de Paços de Ferreira, que vive do mobiliário!

Beatriz Fougo 11ºI

Cátia Cunha disse...

Há boa maneira portuguesa: quanto mais melhor, e principalmente, quanto mais barato melhor, sem fazer caso da qualidade.
É triste que assim seja, afinal, já nos bastam os incêndios que todos os anos flagelam o nosso país para abater a floresta nacional. E considerando a importância que a floresta tem para a economia nacional então...

Bruno... disse...

No momento em que vivemos, a fome tem sido constantemente palco das grandes discussões políticas. Numa época em que somos surpreendidos com as injustiças e as corrupções, fica aqui uma reflexão: será que falta uma política verdadeira, compacta e assumida e que busca realmente soluções para acabar com a fome no Mundo?
É preciso reciclar o nosso pensamento de forma progressiva e sistemática para combatermos a fome sem transformá-la em objecto de discurso politico, mas sim, na sua totalidade, com objetivo centrado a responder ás necessidades básicas e essenciais das pessoas que mais necessitam.


Bruno Flávio
11ºI